God's Devil's Advocates: Joe Schmid vs Randall Rauser | DEBATE REVIEW | w @MarkReidAtheism
a tese
Ember e Mark Reid comentam, em quase quatro horas, um debate antigo hospedado por Cameron Bertuzzi no Capturing Christianity em que Joe Schmid, então agnóstico, defende como advogado do diabo que Deus existe, contra Randall Rauser, teólogo, defendendo o ateísmo; o comentário é hostil e conclui que os argumentos apresentados são jogo de palavras que define Deus em existência.
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O material de base (a abertura de Schmid com os quatro argumentos) interessa, mas chega filtrado por comentaristas que não dominam metafísica analítica e interrompem a cada frase; para o Bruno o proveito seria maior assistindo ao debate original no Capturing Christianity do que a esta reação.
- O gancho é a conversão recente de Schmid ao catolicismo, que os dois tratam com ironia: acham cômico revisar um debate em que ele sustentava por encenação a posição que hoje professa, e citam que ele leva críticas dos dois lados, de ateus como MindShift e de católicos como Brian Holdsworth, que o acusa de falso converso.
- Registram como suspeita comercial o novo nível de 250 dólares mensais no Patreon dele, batizado de “saintly tier”, e o pedido de apoio no vídeo de anúncio da conversão; Ember responde criando um “divine tier” pelo mesmo preço, com deificação imediata em vez de canonização póstuma.
- Discutem o formato advogado do diabo: Nell, no chat, resume que bem feito é exercício de steelman e mal feito é desculpa para caricaturar o adversário; Mark conta que já sofreu por ter defendido numa encenação que psicologia não é ciência e ninguém entendeu a convenção.
- Schmid define Deus como ser metafisicamente necessário, ser perfeito e mente fundacional, e defende quatro argumentos: contingência, finitismo causal, proposições e liberdade. Mark insiste, corretamente, que “ser” no sentido filosófico é estado de coisas e não agente, e que nada nos passos leva de um necessário concreto a um agente com vontade.
- No argumento da contingência, Schmid monta o princípio de explicação (PE) e sua versão fraca (PPE, toda coisa contingente possivelmente tem explicação) e conclui pelo axioma S5 que existe um ser concreto necessário. Os comentaristas respondem com Graham Oppy (o ateu pode dizer que o universo é uma necessidade bruta), com a ilha perfeita de Gaunilo (sem citar o nome) e com a objeção de que a premissa 3, “só um ser necessário poderia explicar todos os contingentes”, não se segue.
- No finitismo causal, Schmid usa o cenário dos passadores de papel infinitos: cada passador escreve seu número se nenhum anterior escreveu, e o resultado é a contradição de que n está e não está escrito. Ember acusa o cenário de estar montado ao contrário no tempo, e Mark, recorrendo à discussão Alex Malpass versus William Lane Craig, objeta que se está tratando o infinito como se fosse um inteiro.
- No argumento das proposições (algumas proposições são necessariamente verdadeiras; X só tem propriedade se X existe; logo algumas proposições existem necessariamente; logo o teísmo é provavelmente verdadeiro), os dois atacam a segunda premissa com Superman e Mario, ficções sem existência concreta sobre as quais se fazem proposições verdadeiras, e acusam Schmid de equivocar “necessário” entre o sentido lógico e o sentido não contingente, e de montar falso dilema entre platonismo e teísmo.
- No argumento da liberdade, Schmid lista consciência, racionalidade, mundo ordenado e causalidade agentiva irredutível como requisitos, e sustenta que liberdade é improvável sob naturalismo e esperada sob teísmo. Mark, compatibilista, responde que isso mede a probabilidade de alguém acreditar, não a de a coisa existir, e critica o uso do teorema de Bayes sem dados novos para atualizar, comparando com um vídeo de Bertuzzi que parte de 50 por cento e chega a favorecer o cristianismo só com estimativas subjetivas.
- A crítica recorrente e mais forte é a do rótulo: seja o big bang, seja um alienígena extradimensional, chamar de Deus a causa primeira é mudar de nome sem entregar o Deus da fé cristã, e Mark formula isso como falácia motte and bailey, avançar com Jesus, céu e inferno e recuar para “o universo teve uma causa” quando pressionado.
- Boa parte das objeções deles é de leigo com dicionário: a exposição sobre fenda dupla e sobre o “efeito observador” é confusa, o tratamento do axioma S5 é uma consulta ao Google feita ao vivo, e as digressões (chat, brindes, tangentes sobre Zeus, Rick and Morty, jantar) ocupam mais tempo do que o debate; as quase quatro horas cobrem apenas a abertura de 20 minutos de Schmid, e a de Rauser fica para o episódio seguinte.