JOE SCHMID se hace CATÓLICO
a tese
Live longa (mais de três horas) do ateu espanhol Aristarchus X, que leva o teísmo a sério, reagindo à conversão de Schmid: a conversão de alguém inteligente não é argumento a favor do catolicismo, e o argumento dos milagres em que Schmid se apoia é fraco tanto no plano ideal quanto no prático.
aprofundar
talvez
É a reação atéia mais filosoficamente séria do lote, com uma objeção limpa (milagre atesta, no máximo, um evento extraordinário, não uma cosmovisão), mas vem em formato de live dispersa e o trecho histórico sobre martírio e Sudário mistura afirmações contestáveis; útil como contraponto ao caso Schmid, com verificação das fontes citadas.
- Recusa o argumento de autoridade: diz não ter autoridades intelectuais e que só a conversão de Schmid, por si, no máximo torna algo marginalmente mais plausível; o que importa são as razões, que ele quer ver expostas.
- Faz “psicanálise” declarada das motivações: para quem vem de entorno católico e de certos círculos sociais, converter tem custo baixo e benefício alto, porque parte do ateísmo (cita Mauricio Schwartz como exemplo) despreza a filosofia acadêmica e caricatura os argumentos teístas, enquanto teístas não-fanáticos tratam o interlocutor ateu com mais apreço.
- Considera intelectualmente honesta a postura de ser ateu quanto ao Deus revelado e agnóstico quanto ao Deus filosófico, porque há muito mais material para descartar uma revelação específica (cristã, muçulmana) do que para descartar um deus deísta.
- Reconhece que já aceitava bons argumentos contra o teísmo clássico vindos de teístas (cita o argumento de Norman Kretzmann contra um Deus imutável) e que seguia Schmid pelas reflexões sobre teísmo clássico, não por questões bíblicas, das quais duvida que Schmid seja versado.
- Lê a lista de razões de Schmid (padrão unificado de fenômenos milagrosos: casos demoníacos e de libertação, curas documentadas para canonização, milagres eucarísticos com tecido miocárdico, aparições marianas de Zeitoun/Fátima/Lourdes afirmando a Imaculada Conceição, estigmas e hipertermia de Padre Pio) e as chama de “truques de mágica”.
- Objeção ideal: mesmo concedendo que o fenômeno extraordinário ocorreu, um milagre não fala de fonte de verdade nem de conexão com o fundamento da realidade ou com um ser máximo; é base pobre para adotar toda uma cosmovisão com carga moral e doutrinária.
- Objeção prática (à la Hume): sendo o milagre por definição excepcional, é sempre mais razoável, por critério frequentista, preferir a explicação naturalista, coisa que os próprios cristãos fazem por padrão; e diante de cada caso ele termina em “não tenho informação suficiente”, como diante do truque de um ilusionista.
- Digressiona para a ressurreição e o martírio: apoia-se em Candida Moss e num “Shatterel” (grafia incerta) para sustentar que a perseguição aos cristãos primitivos e os relatos de martírio dos apóstoles são tardios e exagerados, e trata o Sudário de Turim como artefato medieval (datação por carbono-14 na Baixa Idade Média).