¶1Essa declaração, ela inclui nessa nessa definição dos direitos humanos e nessa contraposição entre direitos naturais e direitos humanos, a noção da dignidade humana. E a palavra dignidade também é uma palavra em disputa no campo, né, Cristian? Eh, a quem pertence, quem é digno do quê e de quê e de quais direitos? Então, eh, eu acho que quando a gente vê diplomatas ou uma ala ideológica de grandes democracias, eh, voltando a disputar quem é digno de receber os esses direitos, né, a gente, eh, fica muito desenhado esse reacionarismo, essa discussão e essa limitação dessas liberdades. Se o os direitos humanos têm no seu primeiro parágrafo lá, a Declaração dos Direitos Humanos fala de que todos têm direito à dignidade, né, e de que todos são dignos dos direitos, né?
¶2Então é uma são duas vias, né? Eh, quando você passa a disputar quem é digno, é obviamente algo mais restritivo, diferente. Você tá selecionando castas que são dignas ou não de determinados privilégios democráticos. Eh, e aí obviamente já não é mais democracia, você desvirtua completamente o sentido da palavra. E aí trazendo pros dias atuais e paraa discussão do momento, se você tá escolhendo esse tipo de eh de político, porque afinal o diplomata ele ele é um ator político, né?
¶3Ele tá falando em nome de um país e em nome de um governo, de um governo da vez, mas em nome daquele estado. se é essa linha que você tá escolhendo para ir observar uma eleição, é o que mensagem que você tá passando, supondo que o Departamento de de Estado dos Estados Unidos estivessem sendo honestos ao dizer que sim, que estamos só mandando essas pessoas para debater liberdade de expressão e observar as eleições. são pessoas que já entendem que as eleições que que o tipo de democracia, entre aspas, que eles defendem não é todo mundo que é digno dela. Então, com que olhar essa pessoa >> e nem a liberdade de expressão. Exatamente.
¶4Então, com que olhar essas pessoas estão vindo observar e debater, né? Com que propósito se você já vem com essa agenda? Eh, e eu é óbvio que isso é uma é um é um aprofundamento, né, de do que tá por trás aí dessa conversa, mas é sobre isso que o Itamarati tá debruçado quando ele olha o perfil das pessoas escolhidas para virem observar. Eh, veja, eh, o próprio Tamarati em seu comunicado diz: "A gente, eh, recebe observadores internacionais em todas as eleições e são bem-vindos". Mas eh que tipo de observador é esse que já vem com essa agenda restritiva e com esse tipo de olhar sobre o que é liberdade e o que é democracia, né?
¶5E eu acho que é a mesma quando a gente pensa no Milei, em todo o discurso que foi feito nesse fim de semana, eh, em torno, eh, né, dessa dessa, como você gosta de chamar, né, Cristian, desse dessa internacional reacionária, eh, é isso que tá na pauta nesse momento, é que visão de democracia e de liberdade cada um desses grupos tem de dignidade humana, de inclusão e de direitos. Eh, agora de falar de direitos humanos ficou tão estigmatizado, né, como algo eh ultra esquerdista, né, eh, extrema esquerda, virou algo de extrema esquerda para muitas pessoas. E aí é um é mais um desses assuntos em que a gente fica preso a dicotomias simplistas, né, e e de bom proveito eleitoral, mas de pouco proveito paraa nossa evolução democrática, né? É, eu eu acho que vale a gente a gente dar uma mergulhada aqui, porque talvez visto a distância, eu sei que não é uma coisa que vocês fazem, mas pensando aqui no nosso público, talvez visto à distância, esse mundo do Donald Trump pareça um mundo homogêneo e na verdade ele é composto de grupos ideológicos distintos. Eh, o que que eu quero dizer com isso?
¶6Primeiro, existem duas forças, é, e são algumas forças mesmo que estão disputando esse esse espaço. Duas forças são duas forças tradicionais no partido republicano. Uma que é o conservadorismo reganista, tá? Que é que olha, a base dele é liberal, não é? É engraçado que nos anos 80 a gente olhava aquilo como um troço como muito de direita, tá?
¶7Eh, mas é um >> é o conservador é liberal. Era, mas é um conservadorismo liberal, é uma coisa Margaret Toucher. >> É isso, é isso. Tipo, o Reagan não tinha dificuldade em atravessar a a rua, ir pro Capitólio e conversar com o presidente da Câmara, que era o tipo que era um democrata e eh Johnsoniano da época do LBJ, do Lindon Johnson. Eh, e o Reagan tinha total facilidade.
¶8Ele e o tipo conversavam o tempo todo. E o Tiponil deve ter sido o melhor presidente da Câmara desde o próprio Lindon Johnson nos anos 40, 50. Eh, então o o Reagan não tinha, o Reagan era um cara que falava que o natural dos Estados Unidos é abrir as fronteiras e receber imigrantes. Quer dizer, aquela imagem Estados Unidos padrão, >> isso tava na cabeça do Reagan o tempo todo. Ele era super conservador, tá?
¶9Eh, ele era um cara de direita. eh eh na base do comportamento, ele era um cara profundamente conservador, mas ele não era anti-americano como muitos desses movimentos são. Eh, anti-americano no sentido ante a revolução americana, né? Eh, ante os princípios da constituição americana, ante os princípios da própria declaração de independência americana. Aí você tem um um segundo grupo que é um grupo mais conservador, mas que também é antigo, que é o que a gente pode chamar de um nacionalismo cristão protestante, entendeu?
¶10Que é uma coisa que vem ali dos anos 60 e já tinha uma pegada encostando no reacionarismo, entendeu? Que é desses pastores. É, é uma coisa que meio que nasce com os teleevangelistas, né? Quando esses pastores estrelas começam a ir e aí eles começam a ter eh ô Marcito, desculpa, você desliga só o som da Flávia enquanto ela tiver batendo? Eh, perdão, é que fica >> Não tem problema.
¶11Não tem problema. É que deve tá muito perto do microfone. Aí eu me distraio. É culpa minha. Mas você pode escrever dedinhos suaves.
¶12>> O Marcito pode desligar aqui o seu som enquanto você tá batendo. Aí ele abre quando você for falar. Eh, e você pode escrever à vontade, Flávia. Isso faz parte do trabalho de fazer o programa e fazer pesquisas e tudo mais. Eu sei, eu sei.
¶13Ia atrapalhar está atrapalhando Flávio Cristian, >> cumprindo aí combinado. >> Eh, aí segundo você tem esse nacionalismo cristão, que é um troço antigo, pega mais numa coisa de um estado que quer se meter um pouco em como que as famílias se organizam no cotidiano, mas é uma coisa antiga também. Aí você tem outros pedaços que são pedaços que são os bichos novos. Eh, primeiro você tem a coisa na, a coisa maga, perdão, o Make America Great again, né, do do Stephen Bennon, do Stephen Miller, né, que é aquele secretário e eh que é aquele cara que é uma coisa que traz a doutrina Monro de volta, entendeu? Mas que é uma coisa proletária também, não é uma coisa de milionários e bilionários, é uma coisa os trabalhadores americanos é é um troço que às vezes pode se confundir inclusive com certos discursos de esquerda, tá?
¶14Porque é uma coisa muito preocupada com os direitos do americano pobre que tá sendo usurpado por esses estrangeiros todos que estão nos invadindo. Nós precisamos de novo de eh de um país grande pro americano comum, mas que tem uma pegada eh eh tem um lado ali que gosta do expansionismo americano, que é um expansionismo de domínio, não é um expansionismo de eh de integrar, né? É, é, é, é uma coisa de a gente não tem que obedecer lei internacional, a gente tem que pensar nos Estados Unidos. Os Estados Unidos que pensa apenas nos Estados Unidos, não esses Estados Unidos que quer espalhar o seu sistema pelo mundo. Aí você tem um outro bicho completamente diferente que é essa direita do Vale do Silício.
¶15Esses caras são neoplatonistas. O que eu quero dizer com neoplatonista é é e é é aquela ideia do Platão, do rei filósofo. Então, eles acham que democracia é um troço ultrapassado e que o o Estado deveria ser gerido como uma empresa por gente muito inteligente e e gente muito inteligente, evidentemente, entenda Piratil e eh Mark Andreon, Elen Musk, etc. Essa turma, cara, Steven Bennon e essa turma do Vale do Silício, eles não se bicam. Você tem um um você tem então uma coisa que é um esse tomismo.
¶16O o próprio o próprio J V é desse catolicismo radical. É engraçado a gente falar de catolicismo radical, mas existe esse catolicismo radical, entende? que quer se meter na maneira como as famílias se organizam. É uma coisa, precisamos voltar a ter famílias grandes que tenham muitos filhos, filhos de bom sangue americanos, etc, etc, etc. E você tem, claro, aquela coisa que sempre existiu também nos Estados Unidos, que é o nacionalismo branco, o nacionalismo, que é o que tá por trás da Cucus Clan, que possivelmente é coisa mais parecida com o fascismo americano que existiu e que ainda existe, mas é minoritário esse esse esse nacionalismo branco, esse nacionalismo branco, ele é mais minoritário.
¶17Por que que eu tô falando disso? Porque quando você olha para um governo americano, é uma mistureba dessas coisas todas. Quando quando Trump, por exemplo, avança contra o Irã, a turma do C Bennon fica Eles não querem esse negócio. Eles não querem defender esse negócio. Não.
¶18América pros americanos tem que se ficar focar aqui. Eh, quando quando ele, assim como eles ficam com raiva da coisa do eh da presença do do Musk, etc. Por quê? Porque o o a turma do Vale do Silício que é um estado pequeno, que é um estado mínimo e gerenciado, inxuto, não é o que S Benon quer. Sve Benon quer um estado grande pros americanos.
¶19O o ponto que eu tô fazendo aqui é o seguinte, cada um tem um objetivo diferente nesse jogo. A a leitura que eu faço, o Marco Ruben é um cara que é um reaganista, ele é um cara que tem cabeça de Reagan na formação dele. Agora, o que que ele tá fazendo lá? e o que que ele tá fazendo lá com essas eh eh eh com essas ações imperialistas essencialmente. Eh, provavelmente, essa é a minha leitura, o Rúbio é um político da Flórida, filho de cubanos.
¶20O objetivo dele é esganar o o o objetivo dele é política local, tá, na cabeça dele, que é esganar qualquer tipo de ajuda a Cuba. E o que sobrou foi o Brasil com o governo Lula, porque o governo Lula tem essa bizarrice, né? Eh, o governo Lula se apega a certas coisas e acha que tem que ajudar. Cuba ajudou muito. Eh, eh, e é uma coisa que é feita para ajudar mesmo, porque sei lá, Zé tem chora quando chega em Cuba emocionado, porque tem esse fetiche ainda da esquerda brasileira pela revolução de 59.
¶21O o ponto que eu tô fazendo é essa existe um ataque ao Brasil, existe, mas esse esse essa direita radical americana, ela na verdade não uma direita radical. São muitas direitas radicais com objetivos diferentes. E no fim das contas a única coisa que elas de fato têm em comum é todas têm em comum o mesmo inimigo. E esse inimigo é democracia liberal, tá? Essencialmente um algoritmo que decide sente avisar quem vai ser seu inimigo hoje.
¶22Uma rua em Jerusalém que carrega 3.000 anos de disputa embaixo do asfalto. Um Brasil que vota olhando pra terra que planta, outro que vota olhando pra fila do banco. O ponto de partida sério, investigo assuntos essenciais para compreender e lidar com os desafios do mundo contemporâneo num formato que o programa semanal no YouTube não permite. Tudo começa em a sociedade que o algoritmo criou, o olhar pro mundo e o indivíduo numa busca da razão pela qual sentimos que as pessoas ao nosso redor estão cada vez mais polarizadas e vivendo em bolhas. Depois desse capítulo, tivemos um lançamento de três episódios sobre Israel e Palestina.
¶23Um conflito onde quase todo mundo já chega com lar escolhido, mas que eu fui a campo entender as raízes. Passei 10 dias em Israel, entrevistei gente dos dois lados, caminhei pelas ruas onde nasceu essa guerra para compreender essa complexa realidade. Então voltei a olhar para casa com nós brasileiros. No primeiro episódio à sociedade, eu parti de uma pergunta que parece simples. Por que que o Brasil parece tão dividido?
¶24A resposta, no entanto, de simples não tem nada. Por quê? Porque descobri que o Brasil tá dividido em cinco. Cinco formas de viver o país, cinco formas de votar nele. E se são cinco Brasis, por que ainda tentamos caber em só dois partidos?
¶25O episódio vai tentar explicar. No segundo episódio, os partidos eu volto à origem do nosso sistema partidário para entender porque que ele já não representa o país que existe hoje e como podemos voltar a conversar sobre política. Três grandes arcos. E não para por aí, tá? Em breve novos episódios.
¶26Eu sou Pedro Dória, editor do meio e esse esse é o ponto de partida a série. Comeceem assistindo o streaming do meio exclusivo para cinet.