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Entenda questões do vídeo feito por IA de Jair Bolsonaro

¶1caso do Jair Bolsonaro, existe uma situação jurídica, legal de restrição de ele eh se comunicar com o público. E quando você coloca um avatar dele, um Jair Bolsonaro sintético se comunicando com o público, a pergunta é: uai, e aí é ele ou não é, né? Enfim, eh, objetivamente não é ele é sintético, mas politicamente em que campo estamos, né? Eh, e qual que é a tua avaliação sobre se esse vídeo de inteligência artificial do Bolsonaro falando na convenção eh viola as cautelares? Essa proibição dele se comunicar eh e como é que isso se compara, por exemplo, com a carta?

¶2Enfim, como é que como é que você tá avaliando esse este causo? Flávio, desculpa. Dr. Leandro, me perdoe, deixa eu só eh eh forçar aqui um pouco o meu argumento. Eh, no fim das contas, existe uma diferença, me parece, entre uma proibição do ex-presidente Jair Bolsonaro se comunicar.

¶3Ele pode se comunicar com as pessoas que estão autorizadas a visitá-lo em casa falando, ele não pode gravar um vídeo, ele não pode gravar um áudio, ele não pode escrever uma carta com o objetivo de fazer propaganda política. Essa é a ordem do ministro Alexandre Moraes. A gente pode ter uma conversa se a ordem é excessiva ou não é, mas essa é a ordem. Pronto, tá decidido ou fechado, acabou. Agora, uma coisa completamente diferente é o candidato Flávio Bolsonaro ter o direito de informar o público aquilo que ele representa.

¶4Não é uma conversa aqui sobre o que nós achamos que é de bom gosto ou que não é de bom gosto. Eh, os Bolsonaro gostavam de usar uma camiseta que remetia aquele tipo de camiseta pop dos anos 70 e 80 da esquerda com Tegevara, tudo mais, só que no caso deles era um um retrato em alto contraste do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que era um torturador da ditadura militar e e com a legenda Ustra vive. Eu eu acho de um profundo mau gosto, mas eles estão comunicando aos eleitores quais são os valores que eles representam. Eh, eh, o bolsonarismo é um movimento político. O homem Jair Bolsonaro tentou dar um golpe militar, tentou convencer os comandantes das três forças a se juntarem a ele para virarem a mesa do resultado da eleição do ano passado e assim, dessa forma, dar um golpe militar.

¶5Os comandantes militares, dois dos três, com ação do comandante da Marinha, não embarcaram, não aconteceu o golpe. Por ter tentado dar o golpe, ele foi preso. E as cautelares vêm por aí. Mas isso é o homem Jair Bolsonaro. O bolsonarismo ele segue vivo e e e ele busca eleitores.

¶6No fim das contas, quando a gente apresenta ou no caso quando eles apresentam eh eh uma imagem sintética do presidente Jair Bolsonaro, o que eles estão dizendo a mesma coisa que estaria numa estampa de camisa. Eles estão usando a a estampa do ex-presidente Jair Bolsonaro para comunicar nós representamos este conjunto de valores e é isso que você quer numa campanha eleitoral, que os políticos digam o que que eles representam. Por isso que eh eu não sei o quão sutil é essa diferença. Para mim parece muito evidente que são coisas diferentes. A possibilidade do homem Jair Bolsonaro se comunicar e a possibilidade do candidato Flávio Bolsonaro comunicar qual é o conjunto de valores e que tipo de movimento ele representa.

¶7>> Mas por outro lado, não é como se você tivesse o próprio Bolsonaro atuando na campanha? Porque assim, é um vídeo de A, mas é a imagem dele fazendo um discurso. O o Vox Vida traz esse esse questionamento aqui. Ele diz: "Ah, para mim o vídeo de de IA é pior do que a carta". Eh, enfim, >> mas mas não é ele.

¶8Ele tá proibido. Se o Flávio for proibido de dizer que ele representa o pai, a justiça vai est concretamente cerciando o poder dele de fazer campanha. A gente está numa democracia. Gente, >> me parece que a gente tá tendo um debate sobre tecnologias, porque a imagem de A, o vídeo de A não é o Bolsonaro, eh, a carta também não é o Bolsonaro, mas o Bolsonaro de papelão que tava na convenção do PL para as pessoas tirarem foto com ele também não é o Bolsonaro. São todas representações de Bolsonaro.

¶9E a gente tem que decidir no final justiça qual é a tecnologia que pode e qual é que não pode. são tecnologia de comunicação. Uma tecnologia de comunicação. >> Obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, né? Aquele texto que é a primeira coisa que qualquer estudante de comunicação lê do W Benjamin, né?

¶10professor, perdão. E e Pedro, só para enfim, eh, é é triste do ponto de vista, né, enquanto país, que nós vamos partir para uma segunda campanha presidencial com um ex-presidente preso, né, porque estamos com essa com eh Bolsonaro, ex-presidente Bolsonaro preso e na e em 18 passamos com Hadad candidato com o Lula preso. É, digo triste do ponto de vista, né, institucional, do ponto de vista, né, de de, enfim, >> histórico, >> mas eh eu acho que precisava precisávamos olhar também um pouquinho de como foi aquela campanha em 18, que ela nos dará algumas pistas eh para esta eleição eh presidencial. Então, em 18, por exemplo, o Lula também recebia eh pessoas na campanha, inclusive Hadad na qualidade de advogado. Então, o Hadad também tinha uma procuração e ia sempre lá fazer reuniões, conversas e recebia, sem dúvida nenhuma, orientações.

¶11Era proibido de dar entrevista. Vamos lembrar que a Folha de São Paulo tentou fazer uma entrevista com ele, eh, e, e, e o, o, o, o Supremo, eh, proibiu, ele tentou fazer o registro de candidatura. É, ainda eh há uma tentativa de registro. A época, o TES era presidido pelo ministro eh Salvingan Barroso e que impossibilitou inclusive os atos de campanha, o que isso está na lei, que enquanto eu estou recorrendo, eu posso fazer propaganda. Eh, há uma decisão do TSE dizendo o seguinte: "Não, tem que parar de fazer campanha já, porque foi indeferido o seu registro e você não tem nenhuma chance de viabilidade esse eh eventual recurso.

¶12Então, está proibido de eh ou substituir o candidato ou não terá eh propaganda." E a campanha de Hadad se valeu eh naquela naquela proposta de imagens do Lula, então na na televisão, então todas as imagens pretéritas que eram gravadas, que tinham com ele, foram usadas no no na propaganda eleitoral. Então isso era perfeito, porque assim faz parte da história, não quis se apagar a história. O que era, o que não era permitido era que Lula tivesse vídeos novos a partir e da da do do seu cárcere, tivesse eh novas imagens gravadas, mas aquilo que fazia parte da história dele enquanto ex-presidente do ao lado do Hadad, ao lado da Manuela, que era a então vice eh do Haddad naquela eleição, eram perfeitamente possíveis. Há inclusive eh há uma camiseta também vermelha com a cara dele metalúrgica e Lula Livre >> que eram vend, né? Tinha até o o data, a gente tinha aqui na Paulista >> o o data camiseta, né?

¶13Data toalha, né? Era a toalha do Lula Livre e a toalha do B, né? Enfim, nós tínhamos eh aqui em São Paulo esse essa nossa pesquisa informal eh eleitoral, nada se comparada ao meio ideia, diga-se de passagem. Eh, mas eh enfim, o então o o a campanha eh bolsonarista desse ano vai poder se valer também dessas imagens de do uso da da figura do Jair. É, só que a tecnologia avançou, né, de 18 para cá, nós temos estas, penso eu, que este vídeo e de inteligência artificial na rede social, com a imagem do Bolsonaro dizendo: "Olha, votem no Flávio", tal, ele seria proibido, porque nós estamos fazendo um conteúdo eh comparável a uma deep fake, pelo que está na lei, eh, de alguém que não poderia neste momento fazer fazer um pedido de voto porque está impossibilitado.

¶14Então, me parece que juridicamente isto seria proibido se fizermos uma um vídeo dele como se estivesse fazendo agora uma fala de apoio, ainda que não fosse ele. Mas a utilização dos elementos do bolsonarismo, a utilização de imagens dele, de falas anteriores, me parece perfeitamente legítimas. Um algoritmo que decide sem te avisar quem vai ser seu inimigo hoje. Uma rua em Jerusalém que carrega 3.000 anos de disputa embaixo do asfalto. Um Brasil que vota olhando pra terra que planta.

¶15Outro que vota olhando pra fila do banco. No ponto de partida sério, investigo assuntos essenciais para compreender e lidar com os desafios do mundo contemporâneo num formato que o programa semanal no YouTube não permite. Tudo começa em a sociedade que o algoritmo criou, o olhar pro mundo e o indivíduo numa busca da razão pela qual sentimos que as pessoas ao nosso redor estão cada vez mais polarizadas e vivendo em bolhas. Depois desse capítulo, tivemos um lançamento de três episódios sobre Israel e Palestina. Um conflito onde quase todo mundo já chega com lar escolhido, mas que eu fui a campo entender as raízes.

¶16Passei 10 dias em Israel, entrevistei gente dos dois lados, caminhei pelas ruas onde nasceu essa guerra para compreender essa complexa realidade. Então voltei a olhar para casa com nós brasileiros. No primeiro episódio à sociedade, eu parti de uma pergunta que parece simples. Por que que o Brasil parece tão dividido? A resposta, no entanto, de simples não tem nada.

¶17Por quê? Porque eu descobri que o Brasil tá dividido em cinco. Cinco formas de viver o país, cinco formas de votar nele. E se são cinco Brasis, por que ainda tentamos caber em só dois partidos? O episódio vai tentar explicar.

¶18No segundo episódio, os partidos, eu volto à origem do nosso sistema partidário para entender porque que ele já não representa o país que existe hoje e como podemos voltar a conversar sobre política. Três grandes arcos. E não para por aí, tá? Em breve novos episódios. Eu sou Pedro Dória, editor do meio e esse esse é o ponto de partida a série.

¶19Comece assistindo o streaming do meio exclusivo para cinante Sha