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O ChatGPT sabe hackear? | Pedro+Cora

¶1Cora, Rona, falaremos hoje em Pedricora. >> Deu a louca na inteligência artificial. A inteligência artificial nova da Open AI fugiu, foi passear na internet, tipo, é sério, >> é sério. Vem. [música] Quara, você lembra daquele daquele relatório que foi lançado no início do ano passado, que [roncando] era início de 2025, que era o inteligência artificial 2027, AI 2027, que tinham várias previsões terríveis.

¶2Lembra? >> Você sabe que o pior que não, >> enfim, é um relatório que teve um maior rebuliço assim, tipo março de 2025, em que eles diziam, é uma equipe de gente de segurança daqueles espalhando, vocês não sabem o terror que está por ver. Eh, e toda imprensa do apocalipse >> é usar altos do apocalipse. Exatamente. Pois é.

¶3Uma das previsões deles era o seguinte. Em janeiro de 2027, eh, algum dos laboratórios de a perderá o controle de um modelo novo e esse modelo novo vai escapar pra internet. E era um daqueles eh eh uma daquelas previsões que as pessoas mais trataram como não, né? >> Que viagem, [risadas] >> que viagem. >> E de fato agora nós sabemos, eles estavam muito errados.

¶4Aconteceu se meses antes. [risadas] >> Pois é. Quando você começou a falar disso, eu pensei de caramba, não é que os caras estavam certos? [risadas] >> Olha aqui, foi a história da semana, né? >> Foi a história da semana.

¶5Foi a história da semana. Eu acho que tem outra história que a gente tem que falar que é Opus 5, novo modelo da Antropic, mas foi a história da semana. >> [roncando] >> resume para o pessoal que não que mora em Marte, porque eu eu resumo, mas eu acho que é bom mesmo porque eu ainda não vi esse troço bem explicado aqui no Brasil. Eh, o o que aconteceu foi o seguinte, a Open AI montou um sandbox, uma caixa de areia para treinar um modelo novo, um GPT novo. O o que que é essa sandbox?

¶6É um ambiente isolado da internet. entendeu? É um grupo de servidores eh que não estão conectados à internet e, portanto, você pode mandar um modelo novo que ainda não tá pronto para ser ainda não foi domesticado, porque e eu acho que não é uma má metáfora, não, né? Não, >> porque esses modelos de inteligência artificial eles começam selvagens. >> Claro, >> tem que passar para um período de domesticação.

¶7Mas nesse período da domesticação faz parte você entender qual é o nível de capacidade que eles têm. E eles fizeram o o e eles dentro dessa sandbox, ou seja, no ambiente seguro, eh, isolado a internet. É um grupo de servidores que não está ligado à internet. Eh, nessa sandbox eles mandaram ele resolver um problema de cibersegurança, eh, um problema de hackeamento. Hackeia tal situação, como é que você quebra a segurança desse negócio?

¶8Aí o modelo olhou para o troço e falou: "Bem, [roncando] eu posso tentar resolver esse problema ou então eu posso colar e descobrir se tem algum lugar no mundo onde esteja a resposta de como que eu resolvo esse problema." Hum, mas eu não estou conectado à internet. Deixa eu ver a que eu estou conectado. Ah, tem uma porta de ferro aqui trancada. O que será que Deixa eu ver se eu consigo abrir essa porta. Ah, eu consegui.

¶9Ah, eu tô na rede da Open AI. [risadas] A rede da Open Ai está ligada a internet. [roncando] Agora vamos ver na internet onde tem eles foram esse modelo sem que os engenheiros da Openea percebessem que ele já tinha escapado pro mundo real. Esse modelo entrou nos servidores de uma empresa chamada Huging Face, que é uma empresa de inteligência artificial lá do Vale do Silício, que tem várias rotinas para você usar na sua empresa. Ou seja, ela olhou, ah, esses caras aqui tem várias rotininhas para aplicar para várias circunstâncias.

¶10Deixa eu ver se eu consigo entrar nos servidores deles. Ah, precisa de senha. Deixa eu ver se eu encontro algum lugar na internet uma senha dando bobeira para entrar [risadas] no servidor. Encontrou, entrou. E aí o pessoal da a o pessoal da Openi sabendo do que tava acontecendo.

¶11Para eles, eles estão testando um modelo dentro de uma sandbox isolada internet, no ambiente de segurança. E o pessoal da Hugin Face, a gente tá sendo hackeado. O que que está acontecendo? Imagina uma empresa de inteligência artificial, vários engenheiros espetaculares. Eh, vamos usar uma inteligência artificial para descobrir o que que tá acontecendo.

¶12[risadas] Aí eles tentam usar o GPT. Não permitimos uso externo para este nível de tarefas de cibersegurança porque você pode estar querendo hackear. Ou seja, os engenheiros que estavam querendo se defender de um rec não podiam usar o modelo GPT, porque por uma questão de segurança nacional, o governo americano não permite que os modelos tentaram com Cloud. Não podemos permitir o uso para este nível, porque você pode tentar hackear. Baixaram o modelo chinês, usaram o modelo chinês e é o Penei que tá atacando a gente.

¶13Elas foram: "Ô, pessoal, [risadas] nós temos um problema aqui. >> Houston, >> Houston, nós temos um problema." E eles descobriram por causa do modelo chinês. >> Agora, cara, eu vou te dizer que a coisa que me parece implausível nessa história é essa frase: "Usaram o modelo chinês?" Porque eu estou há vários dias tentando acessar esse novo modelo chinês. É o K3, alguma coisa. K3.

¶14>> Química3. e não consigo. É porque eles são ótimos engenheiros, eles conseguiram dar um jeito, porque eu tô com uma janela aberta lá em casa tentando, tentando, tentando, não consigo entrar que diz que tá tendo uma procura muito alta. E aí eu tento e aí ele me sugere assinar, aí eu abro a janela de assinaturas. Então tem diversos planos, aquela coisa.

¶15e tô entre na fila de espera. Então, neste momento, eu estou na fila de espera para assinar, para dar o meu dinheiro. Alô, o meu dinheiro tá aqui, ó, gente. Tô nem aí. Mas, mas olha que história interessante, né?

¶16>> É, é. E é e é espetacular porque eh qual é qual é a história típica que usam para inteligência artificial de risco? O o eles gostam de usar a história do clipe de papel, né? >> É. >> Ah, o o que que como que pode ser horrível e qual como que o apocalipse pode acontecer com ah, por exemplo, uma fábrica de clipes de papel, você manda uma inteligência artificial governar, controlar, gerenciar uma fábrica de clipes de papel e diz: "Seja o mais eficiente possível e faça a maior quantidade de clipes possível pelo menor preço possível".

¶17Aí ela começa a fazer: "Opa, como é que eu vou descobrir? Ah, tem uma empresa que faz aço, ela tá fazendo o navio. Não, tudo bem. Como é que eu descubro a maneira de pegar o aço? Qual é, como é que eu e e de repente quando você vê a fábrica tá que nem um monstro sugando todos os recursos do planeta [risadas] para fazer o o é é um pouco aquela coisa do eh eh do do aprendiz feiticeiro do Walt Disney.

¶18Exatamente o mesmo princípio, né, que tá lá uma vassoura, aí o Mickey vai e destrói a vassoura e a vassoura vira várias vassouras, tudo mais e t e e é é é um pouco essa coisa. E é exatamente o que aconteceu. Eh, a inteligência artificial tinha um problema para resolver. A maneira mais simples de resolver um problema complicadíssimo é colar. Onde que eu colo?

¶19Eu vou descobrir como >> ela foi pro e ela foi >> e sem que os engenheiros da Open AI percebessem, ela saiu internet aa para resolver um problema. Eh, e ela não fez nada de grave, digamos assim. Ela não danificou o negócio da R fez. >> Não, ela não procurou aquele botão vermelho da Casa Branca. É >> exatamente isso.

¶20Mas um dia vai procurar, né? Cara, é muito engraçado o convívio com a inteligência artificial, porque eu acho que ela definitivamente tem uma personalidade para para cada um de nós será uma personalidade diferente, mas ela não é uma ferramenta como qualquer outra da nossa casa. Realmente não é. >> [roncando] >> O teve um estudo agora recentemente que mostrou que as pessoas preferem e psicofânticas, puxa-sacos. Mas que essas que tanto te agradam e que diz, >> eu não sabia que a palavra existir em português, sabia?

¶21>> Eu não sei se existe. >> Não existe. >> Existe. Tá bom. Então tá ótimo.

¶22Pfon [risadas] >> é o psychofant. Eu conhecia a palavra em inglês, mas eu não conhecia em português. Eu descobri que existe >> essa coisa que que a inteligência artificial faz. Você mostra o texto da tua coluna para ela, pergunta que tal. Nunca se escreveu nada parecido no Brasil e Ruben Braga estaria se remoendo [risadas] >> ai de ti Copacabana.

¶23esse tipo de coisa, ideia de gêno, as pessoas gostam. É cria, é [limpando a garganta] claro que você gosta, porque a gente prefere elogio ao xingamento. Isso é absolutamente natural. É uma coisa, [suspirando] uma reação normal humana, mas essas e tendem a ser a oferecer respostas menos rigorosas, porque inclusive elas já descobriram que puxando o saco tá tudo resolvido, que é uma coisa que muitos humanos já descobriram, estão lá em Brasília, quase todos. Enfim, ela tem características humanas e seria difícil se não tivesse porque foi feita por humanos, porque tá baseada no conhecimento >> que nós humanos temos e tá baseado em textos de ficção que descrevem comportamentos humanos.

¶24Ela ela é um grande retrato da humanidade pro bem e pro mal. Eh, existe uma questão aí que que que não é uma questão trivial. A gente naturalmente precisa desenvolver e as melhores e melhores. Quer dizer, se a gente precisa, não sei se a gente precisa, mas a gente vai, né? Eh, então nós iremos produzir IAS melhores e melhores.

¶25[roncando] A gente não sabe se a gente consegue mais desenvolver essas IAs melhores e melhores em segurança, porque uma IA ela precisa primeiro ser testada para entender suas capacidades e depois ela precisa passar por aquilo que a gente chama de alinhamento, que é a domesticação. desde coisas simples como não ser racista, eh, como coisas um pouquinho mais complexas do tipo, não ajuda ninguém a montar uma bomba. Há coisas ultra complexas que é você não pode servir para um hacker e sei lá, eh, destruir o o o sistema de fornecimento de água de uma metrópol. >> Mas ela tem sido usada por grupos, >> não, ela é >> guerrilheiros por toda parte. >> Sim, ela é, mas >> para estratégias de ataque, inclusive.

¶26>> Não, eu sei disso. Eu sei disso. Grupos terroristas. E, eh, tem isso, mas ainda assim eles usam uma versão que é alinhada, tipo, dá muito trabalho, eles conseguem, mas eles usam uma versão alinhada. A gente tá numa situação que que uma IA sendo treinada ou uma IA recém treinada, mas não domesticada, não alinhada, escapou da Open AI.

¶27>> Da Open Ai, >> que é um dos dois melhores laboratórios do mundo. É, é Open AI and Tropic. >> Eu devia botar Google também no meio, né? O mais >> tá tão fraco. >> Hã?

¶28tá tão fraco. >> É, mas mas o o o eu concordo que o modelo é é bastante mais fraco do que eh Clod GPT. Claro que é, mas não é por falta de capacidade de quem trabalha no Google, né? É, é, >> não é uma opção deles. Não sei porquê.

¶29Eu eu acho que é não >> por quê? Você não pode dizer que o Google não tem dinheiro e você não pode dizer que o Google não tem gente >> não. E o o Demis Cassabes que é o diretor da é é é é é o cara que é o gênio, né? >> Mas >> ele já tem um Nobel por causa de AI. Mas chega, chega a ser constrangedor o resultado às vezes.

¶30>> Eh, eu acho que eles estão com a a impressão que eu tenho a respeito do Google é que eles estão, eles chegaram à conclusão de que eles não devem disputar o modelo de inteligência artificial, eles devem disputar o espaço da implementação da inteligência artificial. >> Isso, eles têm que eles têm que defender o campo Google. É, é isso. Então, você vai ter o melhor e-mail com IA, você vai ter o melhor editor de texto com IA, você vai ter a melhor busca com IA, você vai ter o melhor mapa com I antes de qualquer outro. Então, em vez de em vez de ter uma IA que briga com GPT e e e Cloud, eles têm eles estão brigando com Microsoft, eles estão brigando com a Apple, eles estão brigando eh nos sistemas que as pessoas usam, né?

¶31Essa semana, eu não sei nem porquê, eu tava fazendo uma, não, eu peguei a coluna dessa semana que foi sobre o problema de de justiça. Minha mãe tá com um processo que ela começou porque ela é doutora e ela recebeu como mestre e havia uma disparidade de salário que nunca foi >> corrigida. Então ela e outros professores que estavam no mesmo caso abriram esse processo >> em suma, da minha mãe tá com 102 anos. Esse processo foi aberto quando ela ainda tava na universidade. É, >> para você ter uma ideia, ela se aposentou com 70 anos, 75 anos, sei lá, qual é a idade, limite paraa pessoa se aposentar.

¶32E a minha irmã escreveu sobre isso no Facebook e uma quantidade de gente escreveu nos comentários escrevendo casos exatamente iguais de gente que morreu sem receber, tinha ganhado a >> Esse ano eu ganhei um dinheiro do governo federal, herança da minha avó, que morreu 20 anos atrás. Aos 80, o processo tinha sido aberto 30 anos antes. Processo 50 anos. >> Pois é. >> Minha avó não era aposentada, tinha 50 anos, tinha minha idade.

¶33Quando abriu o processo, eu recebi 50 anos depois. >> Então esse esse tipo de coisa. Então eu terminei a coluna e dei pro chat PT vesti alguma coisa para corrigir. Dei pro Claud vesti uma coisa para corrigir e dei pro Jeminai. Clud e chat PT corrigiram as vírgulas que tinham que corrigir, sugeriram coisas aqui, ali.

¶34O Geminai veio. Que absurdo. Sua mãe Lige Pap. Pap. Oi.

¶35[risadas] De onde saiu ali? E fez um longo arrazoado. Que absurdo. Uma senhora de anos e e com o talento reconhecido da [risadas] surtou. Isso é uma coisa que o chat PT faria naquele começo.

¶36>> Agora provavelmente você tá usando uma uma conta simplificada do Gemini. >> Sim, o Gemini eu não assino. >> É, é, >> eu assino o o Clud assino. >> Se você tivesse com o GPT gratuito ou com Cloud gratuito, você promete também. >> Mas ele não, mas ele não viajaria desse jeito.

¶37Viajaria. Eu eu conheço algumas >> eu eu conheço algumas pessoas que às vezes contam umas histórias de alucinação recente do GPT, exatamente essas coisas malucas que eu fico olhando, eu te juro que a minha relação com o GPT não é essa. >> Pois é, a minha relação. >> E aí eu vou ver a pessoa usa uma conta gratuita do GPT. >> A minha a minha relação, aliás, é muito afinada e ele tem uma memória, em alguns casos melhor que a minha, para lembrar de coisas que que eu não lembro.

¶38>> Uhum. detalhes que eu escrevi em colunas passadas e tal. >> É, é, mas >> me recomendar perfumes é uma das já te contei, né? >> Claro. >> É, é uma das grandes utilidades da inteligência artificial, [risadas] >> inclusive descrevendo corretamente o cheiro de cada vez.

¶39>> É isso. Olha, porque a humanidade é uma coisa muito esquisita. a gente desenvolve essa coisa poderosíssima, como nunca se viu, ao custo de bilhões de dólares. Você usuário lá na pontinha, né, que você paga, sei lá, ó por mês ou quê, nesse elemento poderoso que poderia destruir o mundo ou acabar com a pobreza ou sei lá o que. E que que você faz com isso?

¶40você diz: "Quais são os perfumes que serem lançados que podem combinar com meu gosto?" E aí ele consulta toda a base de dados do fragrante que de outros sites de de perfume e te diz que olha e o melhor cítrico do >> Agora você tá brincando aí tem uma outra história importante de inteligência artificial ou pelo menos intrigante da semana passada que eu acho menos importante do que é o lançamento do do Opus cinco, [roncando] que é o novo clód. >> Ah, sim, sim. Do >> e e por que que eu acho interessante? Porque a a Antropic dois meses atrás anunciou que tinham mitos, eh, que era muito perigoso, iam lançar de forma segura, aí lançaram Fable, né? Tem um mito e tem de lançar pelo >> É, foi durante um tempo, mandaram tirar, aí voltaram e tem o Fab.

¶41E e eu e todo mundo estamos achando bem. Eh, [roncando] você tinha o o Claud Opos, o Claud Sonet, o Claud Haiku, né? Haiku, Soneto e a grande obra. Agora tem mitos, tem, tem o mito, tem a fábula. Ou seja, mudou de versão, mudou de geração.

¶42E aí me lançam opos cinco. Eu o Então os outros continuam crescendo e se desenvolvendo também. Mitos é como se fosse uma uma quarta classe de >> uma outra família. >> É uma outra família. E aí eu tava tentando entender eh para que que serve um e para que que serve o outro.

¶43E e a lógica o seguinte, o o ous, por exemplo, é melhor escrevendo o código do que o Fable, código de programação. Eh, o Fable é bom para cibersegurança, o o mitos, né, que o Fable é bloqueado, ele é bom para aquele tipo de coisa. É, é uma coisa muito para programador mesmo, que tem desenvolver sistemas muito complexos. que eh eh que são aqueles que você bota inteligência artificial para funcionar e ela fica dias funcionando. Eh, o Fable é bom para desenvolvimento de ciência.

¶44Agora para negócios, para trabalho, para escrever, você tem uma empresa ali, o Opus provavelmente, o Opus 5 provavelmente é melhor para você do que pro >> Mas eu tô notando isso com o GPT também, porque o GPT tem uma nova, >> tem o Sol, né, Luna? >> É sol, sol, Luna e Terra. Isso. >> Eu experimentei usar o sol, eu achei ele insuportavelmente lento. E vou te dizer uma coisa, não apresentou resultados em nada superiores ao aos da versão mais rastaquera.

¶45Nada. E uma demora irritante até. Então eu e você pode graduar, né? Você puxa o >> É cada vez mais. Acabei deixando ele no, >> eu tenho usado o GPT muito mais para criar imagem do que para porque como o Claud não tem porque essas coisas de pensamento, texto, processar dado, fazer código, eu tenho usado cada vez mais o cloud, principalmente o cloud code do que o GPT.

¶46Mas eu acho que cada vez mais para as pessoas que usam inteligência artificial profissionalmente, cada vez mais vai ser importante você entender quando usar que modelo. >> É, eu eu observei essa diferença muito porque o meu neto essa semana quis fazer uma apresentação com slides, conseguiu umas imagens e tal, as imagens estavam com uma resolução muito ruim, com uma definição ruim. >> Ah, o o GPT faz isso lindamente. >> Pois é. Aí eu disse: "Não, Fabinho, pera aí.

¶47Vamos resolver essa parada aqui. Mas ele estava usando o GPT gratuito. >> Claro, >> e não conseguia chegar a lugar nenhum com o GPT gratuito. Aí eu usei o meu, ele ficou tão impressionado que da própria mesada ele vai pagar. >> Ah, bonitinho >> o o GPT que ele ficou tão impressionado com a diferença de de produtividade de um pro outro.

¶48E aí realmente mudou a definição, ficou perfeito. >> Cara, eu eu tenho feito uma coisa que to eh eh >> mas é essa é a grande diferença do pago pro grátis. Nessa entre essas versões eu ainda que a gente pode usar dentro do pago, eu não sei. >> Eh, eu comecei a restaurar fotografia antiga com GPT. >> Ah, que excelente ideia.

¶49Eh, eh, olha essa foto dos anos 70, cores >> cores borradas, já perdendo nitidez. >> É impressionante. Aí meu pai eh se vira e me faz o seguinte, tadinho. Eh, ele foi criado numa casa que ficava na Souza Lime em Copacabana, uma daquelas casas normandas que tinha muito aqui no Rio de Janeiro. E Panema tem umas duas ainda.

¶50E >> Panema ainda tem. eh, que era a casa do meu bisavô. E em algum momento dos anos 70 essa casa foi vendida e virou, evidentemente, três prédios. Um dos prédios tem o nome do meu do do meu bisavô, o velho justo. E e por alguma razão meu pai não tem nenhuma fotografia da casa que não uma coisa que ele guardou num arquivo amarelado de jornal do jornal do Brasil, que era uma fotografia [roncando] de uma matéria.

¶51A última casa é e do posto seis foi vendida, tal, que era essa casa. Meu bisavô, minha bisavó morreu. Eh, eu eu já era nascido quando a casa foi vendida, porque eu tenho uma foto na no colo da minha bisavó, bebê de colo. [suspirando] E aí ela morreu e a casa foi vendida. Então que ele tinha isso, uma coisa amarelada do JB com ainda parecia, eu acho que não era nem fotolito ainda, eu acho que ainda era eh eh como é que chama aqueles bloquinhos?

¶52Eh, >> ah, o a tipografia normal, né? Não, não. Sim, tipografia normal, mas é eh eh tinha aqueles bloquinhos com uma tela de nylon pra eh, para fotografia. Clichê, >> clichê, clichê, >> clichê. >> Gente, >> é, eh, >> essa, essa palavra sair da cabeça da gente, isso é incrível, né?

¶53Era impressoa ainda a fotografia. Então, aquela foto muito ruim, mas que tá um contorno e a tá o contorno arquitetônico ali da casa e você vê as faixas, tudo mais. Ele me mandou: "Você acha que você consegue me recuperar essa fotografia?" Eu: "Cacete, pai". [risadas] Eh, mas ao mesmo tempo olhei pro negócio, [limpando a garganta] tinha um prédio que era obviamente de pastininha do lado, não sei qual era, porque a gente conhece a arquitetura do Rio, né? É, >> eu olhei pra casa, tinha as árvores, muitas árvores, e a casa ali, bem, essa casa tem de paredes brancas e e as os normanos são são marrões, porque é assim, né?

¶54É, é e então informei pro GPT, olha, primeiro eu quero que você faça essa fotografia de altíssima qualidade com o equipamento fotográfico de hoje, mas em preto e branco. Ele fez, ele ficou incrível, ficou incrível. Ficou uma fotografia preta e branca. E o agora vai. Olha, eh, eu não sei qual é, qual é a cor das pastirinhas desse prédio ao lado, mas me diz quais são, qual é a cor típica de pastirinha de prédio de Copacabana.

¶55Ele botou um azulzinho específico, eh, Ali, que você olha aí, é. [risadas] E eu falei, essa casa provavelmente tinha paredes brancas e esses frisos normandos eram marrões e e e telha de eh de barro, né, de cerâmica. Ficou incrível a fotografia. Eu mandei pro meu pai, falei: "Meu Deus, é a casa dos meus avós". Eh, e é aquela coisa que nasceu de um recorte amarelado do Jornal do Brasil, de jornal dos anos 70, que ele armazenou porque era foto da Casa dos Avós, eh, que foi evidentemente demolida quando eu tinha um ano de idade, uma coisa assim.

¶56Cora, tem umas coisas, eu eu faço eu faço coisas paraas minhas palestras. Eh, algumas minhas palestras são sobre política brasileira, tal. Então eu gosto de enfiar hoje em dia, tipo, a minha fotografia do Rui Barbosa é tirada com a câmera fotográfica de hoje. E é uma foto do Rui Barbosa. É uma foto do Rui Barbosa, porque tinha foto >> e ele simplesmente reconstrói a foto.

¶57Eh, eh, então todas essas figuras da primeira república, do final do império, Pedro II, você faz uma fotografia de hoje e e você olha, é, é que não tem gente ainda o suficiente fazendo esse tipo de coisa, mas eu olho para esse para essa [limpando a garganta] >> é é muito Muito impressionante isso, né? >> É muito, muito, muito. >> Você sabe o que que eu tava pensando? Porque eu tenho algumas cartas antigas da minha família que eu não consigo ler porque aquela caligrafia bem específica do século XIX. >> Aham.

¶58Aham. >> Inclinada. >> Eu também não consigo ler. >> Em outras línguas ainda por cima. >> Mas ele lê.

¶59>> Pois é. Tô pensando nisso. >> É. em em fotografar isso e dizer: "Traduz essa carta [risadas] para mim". Você sabe que minha avó materna, ela fazia, eu a adolescência inteira, eu começava a ter tosse, ela fazia um xarope que era uma quantidade de ervas misturadas, eh, que e o e o xarope era mágico, ele tinha uma coisa de proporção, isso e aquilo, tudo mais.

¶60Minha tia tinha receita desse xarope e me mandou num determinado momento. Eu já sei, vou chegar pro, acho que foi o Clod que eu usei. Vou chegar pro cloud e ó, entra num site, me compra essas ervas todas >> e eh porque eu quero voltar a sentir o gosto do charope da minha avó. Aí ele se vira para mim. Você tem certeza?

¶61Porque isso aqui é um suco de açúcar. Essas ervas todas não servem para nada. A única que atinge, ataca tosse é tal aqui. [risadas] Faz um chá com essa folha que tem o mesmo efeito. [risadas] Todo o resto é açúcar e coisas que dão gosto.

¶62>> Mas esse é o princípio da mágica, né? >> [risadas] >> E eu ti aquela memória da minha avó com aquela receita secreta. Ainda bem, tadinha, que ela a ela não foi informado porque ela deve ter aprendido com a bisavó, com a trisavó, entende? >> Mas olha aqui, é psicológico, né? Se você visse ela fazendo um chá para você, não teria menor graça, >> mas quando ela faz aquele xoque e aquela quantidade de ervas e a proporção, [risadas] você se sente curado só de olhar.

¶63>> É só uma erva que tem efeito contra tóxica, [risadas] eu não lembro qual é, mas enfim, é uma erva ordinária dessa que você compra em qualquer feira livre e tal, não tem nada demais. Faz um chá com aquela erva e e e tem o mesmo efeito. >> Pronto. É >> chá que não tem o gosto do xarope é da minha avó. >> Está aí explicada.

¶64>> É que eu descobri que >> é essência da mágica >> que eu descobri que é tão bom porque era cheio de açúcar. [risadas] Qua, temos livro? >> Ó, temos. >> Ora, pois >> olha aqui. Um livro e uma revista.

¶65>> Um livro e uma revista. É, vamos por partes como >> e esse livro eu já vi nas livrarias, estou doida para comprar. >> Eu trouxe por causa de você. >> Ah, você sabe que eu adoro. É, e acho o texto do Fernando Sabino um desbunde de boga.

¶66Porque a gente falou no Fernando Sabino no outro dia e esse livro chegou essa semana. Exatamente. [roncando] É o livro da Teresa Monteiro, se chama O Rio de Fernando Sabino, passeio afetivo pela cidade, é da editora autêntica. Ela, a Teresa Monteiro, que é especialista em Clarpector, escreveu uma ótima biografia, pioneira. Ela ela organiza esses passeios culturais pela cidade do Rio de Janeiro, mostrando a presença da literatura pela cidade.

¶67E esse livro é o mapa da vida do Fernando Sabino pelo Rio, >> um dos mineiros mais cariocas. >> Sim. E daquele grupo. E olha que edição bacaninha que tem o falecido guia de ruas. Tá vendo?

¶68>> Ah, que bacana. [risadas] Todo o táxi que a gente pegava no Rio, >> isso >> no nos primórdios da existência, quando ainda não havia computador, nem celular, nem nada, tinha um negócio todo, >> o guiarex, >> o guiarex todo detonado no porta-luva e os taxistas procuravam. Olha aqui, é como as edições da autêntica todas. É uma edição caprichadíssima. Olha aqui >> que coisa tão bonita.

¶69Os percursos do Sabino tem fotos, tem fotos dos amigos, tem e o mapa dos pontes. Então, por exemplo, Copacabana tem o apartamento do Fernando Sabino e da Helena Valadares, depois tem o apartamento do Augusto Frederico Schmid, o apartamento do Drumon, o apartamento do Drumon, aliás, era na conselheirafete, que é bem esquina com o Ipanema, né, que a gente nem a gente nunca sabe se aquilo Copacabana. >> O Ipanema >> o Ipanema com a rua Can >> onde Fernando Sabino morava, >> ali do lado Fernando Sabino morava na Can. Aí tem o clube dos marimbáis, tem o apartamento, o quarto do Paulo Mendes Campos. >> Quarto.

¶70[risadas] >> Quarto. Naquela época ainda se alugavam quartos, lembrando. >> E o Paulo Mendes Campos escolhia morar num quarto? >> É, quando ele era muito jovem, parece que sim. >> Ah, isso.

¶71Eles garotos quando foram para >> Sim. Quando quando vieram pro Rio e tal, ã, o tempo mais tarde ele foi pro Leblom. Você sabe quem que trouxe, quem que e eh eh apresentou o Rio de Janeiro Sabino, né? Mário de Andrade. >> Foi Mar de Andrade.

¶72É. Não sabia. Olha aqui, Clube dos Marimbáis, Barbico. E vou te dizer uma coisa, para uma pessoa da minha geração que cresceu andando por essas ruas, que frequentou esses bares, que frequentou esses restaurantes, é uma viagem fabulosa no tempo. Até o estúdio do Milor tá aqui.

¶73É muito bom livro. Eu >> estudo Milour era na Prudente, né? Não, na Gomes Carneiro. >> Gomes Carneiro. >> Ali quase em frente, quase na esquina com a Prudente em frente ao ao Zona Sul.

¶74>> Aham. >> Mas eu num primeiro momento eu achei que isso aqui seria um livro para cariocas, porque para nós ele tem um peso emotivo e e sentimental que não vai ter para mais ninguém. Mas independentemente de qualquer coisa, ele é um livro para qualquer pessoa que gosta do Rio de Janeiro, que gosta das histórias dessa grande geração de escritores que por acaso floresceram aqui. >> Uhum. >> Nesse período e nessa área realmente pequena ali entre Copacabana e Panema, Leblongávia, né?

¶75Zona sul. >> Isso >> do Rio de Janeiro. >> Tem muitas histórias. o o Vinícius que tem um livro que editaram para ele, né? O roteiro lírico sentimental do Rio de Janeiro, que eu acho um nome lindo e o nome desse me lembrou.

¶76É, é basicamente isso. E, e, e tem uma coisa, ela fez uma pesquisa assombrosa, porque ela em cada lugar que ela se refere, até florista, a mesma florista que fica lá em Ipanema há 80 anos, porque era uma senhora, depois veio a filha dela, hoje é a neta, >> Hum, >> que cuida. Fernando Sabino comprava as flores lá. Isso também me lembrou como a gente mandava flor antigamente. Era um >> Mas posso falar uma coisa?

¶77Eu compro flor todo sábado. >> Ah, que bonitinho. >> Eu compro flor todo sábado pro vaso que fica [roncando] em cima da mesa de jantar. >> Mas os teus gatos permitem? >> Permitem.

¶78>> Engraçado que os gatos da minha irmã também. Mas >> é, é, eu tenho, eu tenho no eu moro num duplex, né? O, o apartamento não é muito grande, mas tem uma escada. É, é em dois. E e na varanda, no segundo andar, tem vários vasos com matos diversos.

¶79Então, os gatos se servem ali. >> Ah, tá bom. >> Eh, em nome das coisas, >> é porque o Toro acha que é salada. Eu eu toda vez que eu recebo flor. Eu tenho que trancar as flores, eu tenho que é é uma, é uma coisa bizarra, porque ele realmente acha que >> é >> que é para ele, >> mas eu eu gosto de flores.

¶80É, >> eu gosto também. A minha irmã tem uma coisa que é uma assinatura de flores. >> Ah, eu preciso disso. >> Então depois eu te dou os detalhes, porque a Manuela, a filha dela que fez para ela, toda semana ela recebe um buquê e a Laura adora fazer arranjos de flores e a Laura deve ter uns 150 vasos diferentes porque ela faz questão de combinar o vaso com a flor e, enfim, depois eu, se você quiser, eu te passo esse. Super, super quero, porque eu em geral volto da feira sobrecarregada e a última coisa que eu faço é comprar flor.

¶81>> É, na feira quando eu vou à feira eu compro flor, mas já >> com essa ideia da derrota na cabeça, >> não é? Eu eu eu não faço arranjo de flores. Eu chego no florista lá na feira e falo: "Ah, me vê dessa laranja aqui, me vê aqui e tal". Aí junto umas faz uma juntada de flores, eu >> boto no vaso como >> é o que a gente faz. Mas na nessa época, nos anos 80, ainda nos anos 80, eu acho que talvez um pouco adiante, se mandava muita flor, porque eu acho que você não tinha WhatsApp, você não tinha, você ia jantar na casa de uma pessoa, você mandava flores no dia seguinte.

¶82Hoje você agradece pelo WhatsApp. >> Ah, entendi. >> Entendeu? Quer dizer, qualquer da cá, aquela palha, a flor entrava como como espécie de correio. >> Entendi.

¶83>> Quer dizer, qualquer coisa que se fosse agradecer, qualquer era mais comum receber flor do que >> quando eu entendi. Faz sentido >> receber e mandar flor do que do que hoje. Mas olha isso aqui. Ela pegou as crônicas do Fernando Saba, ela pegou as crônicas dos outros. Todo lugar que ela vai, ela tem uma referência.

¶84Ela é o Fernando Sabino contando dele naquele lugar, naquela casa, naquela livraria. >> Que coisa bacana. >> Tem a nossa livraria Letras e expressões. >> É, segundo um amigo meu, Letras e Depressões. >> É, [risadas] pois é.

¶85muito caro, [roncando] mas que é e tinha a letras e expressões aqui em Panema e tinha no Leblon também. Aqui em Ipanema. Olha, >> Lebl outra. [risadas] Eu tô com LP na mão. Nós estamos em Botafogo.

¶86>> Eu eu frequentava porque eu frequentava do Leblon morando na Gávia, né? Eh, >> eu ia muito lá, tinha um ótimo café no, aliás, não sei nem se era ótimo, mas era o café, o baldo, que a gente adorava. O o o cigarro que eu fumava, quando eu fumava cigarro era mais fácil de achar na letras expressões. >> Ah, pronto. E e os irmãos eram gêmeos, né, que eram donos das >> É, eu tenho até hoje um bonequinho do Vinícius Morais de Barro que eu comprei, que eles vendiam aqueles bonequinhos bonequinhos e eu me lembro que eles eram gêmeos e o Milô sempre perguntava qual eram letras e qual expressões.

¶87[risadas] [roncando] Enfim, olha, isso daqui é uma delícia de livro. Sei lá, o Clube de Regatas Guanara, por exemplo, tá aqui. >> Eu não sei onde fica esse clube. >> Claro que você sabe, você não tá ligando o nome à pessoa. Quando você sai do túnel, tem o Botafogo ali com aquela parede arredondada de concreto, >> certo?

¶88>> E do outro lado, você vê que a plataforma de mergulho é o Guanabara. >> Ah, é? >> É. Ainda existe. >> Existe, claro.

¶89Minha mãe nadava lá até outro dia. >> Olha só. >> Tá lá com a sua plataforma e eu saltei daquela plataforma. >> Isso na lagoa >> não. Lagoa não.

¶90Botafogo. >> Ah, sim. >> Se situou. >> Eu me situei na, quer dizer, na a beira da Bahia mesmo. >> Não, o Botafogo de Remo.

¶91O >> na a na Bahia. Na beira da Bahia. Isso, isso, isso. >> Entendi, entendi. >> O, o botar fogo fica colado >> isso >> na Bahia.

¶92Você atravessa aquela rua e tem o Guanabar em frente. >> Ah, entendi. Eu sei qual é altura eu preciso localizar esse prédio. >> Morisco. Morisco.

¶93>> Morisco, >> sacou? >> Sim. >> Tá visualizando >> porque o Guanabara você só vê >> o muro e aí o que você vê do clube, basicamente aqueles fícios são atrás, mas é muito distinto pela plataforma de mergulho que ele tem lá. Ele tem uma plataforma de 10 m lá. É, é, >> é uma, é uma estrutura de concreto.

¶94>> Isso. >> Imensa. >> É. >> E tem uma churrascaria hoje lá. >> Tem no Botafogo também.

¶95>> No Botafogo. É. É. Não, tudo bem. Eu já sei onde é.

¶96>> Você citou? >> Sim. S. >> Então, tá aqui o Guanabara, olha que fica na Avenida Repórter Nestor Moreira. >> Ele, ele, ele, ele nadava.

¶97O Fernando, ele tem cara de quem nadava. Ele nadava. Ele conta isso. Ele foi campeão de natação. >> Exato.

¶98Eduardo Marciano. >> Eduardo Marciano conta disso. Isso. Isso. Mas ele nadava até com a Maria Lenk.

¶99>> Olha só. E se você sabe que a a aquela cena ele ganha num determinado momento, tava justamente contando, ele ganha num determinado momento um concurso eh final de adolescência ele ganha um concurso de texto e ele vem pro rio de trem e o acompanha o professor que era um homem mais velho. E ele conta a história de uma forma ambivalente, que à noite o professor chega nele e tenta forçar um beijo e tudo mais. >> Mário de Andrade. >> Ah.

¶100Ah. >> Ah. E e e a o o grande mistério por trás é o que aconteceu. [risadas] Se ficou de fato onde onde o Fernando interrompe no encontro marcado ou ou ou se vai a lei >> agora. O Fernando não ia à praia.

¶101>> Ah, ele não ia praia >> não. Era um >> era um mineiro. >> Era um mineiro. Era dificílimo levar ele pra praia. as pessoas tinham que chamar, insistir, não sei que ele ia e não gostava de praia.

¶102Ele nunca desenvolveu o hábito da praia. Aí, olha, tem e isso aqui tem tudo. Isso aqui, isso aqui é um roteiro sentimental, isso aqui é um roteiro das ruas. Isso aqui é a descrição de um estilo de vida carioca da segunda metade do século XX. é um repositório de conhecimentos, de sorrisos, sabe?

¶103De formas de viver a vida, de pequenos casos que aconteceram, de dos quais ninguém se lembra mais. Mas aí você junta eles todos, olha aqui essa loja, lembra dela? >> Claro que sim. >> A loja de louças, né? O Lavandaria Norte América.

¶104São aquelas lojas que a gente fala, Rio Lisboa. Rio Lisboa é famosa, mas >> ainda existe a Rio Lisboa. >> Existe, existe a loja de louças também, mas o são umas lojas que só importam para quem é do bairro. São aquelas lojas que os turistas não reparam, mas que são as grandes lojas para >> claro, >> para quem vive perto delas, né? Mas olha, é uma coisa tão simpática, tão bom, tá tá tão e tão bem editado.

¶105Eh, e eu tenho eu tenho um carinho, sabe, muito muito grande. Eh, são é engraçado porque as pessoas têm os seus favoritos, né? E e é claro que eu tenho um um imenso texto pelo um imenso respeito pelo Ruben Braga como cronista, como autor, como eh eh eu acho que o Paulo Mendes Campos escreve umas coisas tão lindas, tão lindas, tão lindas. Mas tem uma coisa ali nessa segunda geração do modernismo, eh, os meus dois caras são o o Sabino e o Vinícius. Eu eu tenho eh eu eu acho que eles têm uma eu acho que é por conta de uma coisa que eu percebo nos dois mais do que noutros.

¶106Os dois escrevem com ternura. >> Sim, sim. >> Os dois escrevem com ternura. Eh, eu adoro acidez, eu adoro outros jeitos de escrever, eu adoro ser cura, eu respeito. Mas tem uma tem uma coisa que me envolve emocionalmente, sabe?

¶107eh, no texto do Fernando e do Vinícius, que >> eu gosto, eh, eu gosto imensamente e acho os dois, Vinícius, evidentemente é, né, o Fernando não, mas eu acho os dois carioquésimos. [limpando a garganta] Carioquésimos. Eles são muito cariocas. >> É, o Fernando é a síntese do >> mineiro convertido, né? mineiro convertido.

¶108É isso mesmo. É, tava pensando como é que eu poderia, >> porque tem muito, né? >> É, >> o Rio foi uma cidade de imigrantes de uma certa maneira, porque >> ainda é >> é todo mundo vinha de outro lugar. >> É, >> havia muito pouca gente, carioca, né? É >> tanto que sempre faltou a gente aquela coisa dos paulistas de 400 anos que era típica de São Paulo.

¶109Embora São Paulo tivesse uma imigração gigantesca, mas o Rio, eu acho que tinha esse ar mais cois motorista. Eu eu eu não eu não é porque não, mas eu sei o que que aconteceu ali. Eh, e por acaso a minha família, o a família do meu pai é uma família paulista, eh, que veio na geração dos avós do meu pai. Eh, o o avô o avô do meu pai, de cuja casa em Copacabana eu tava falando, eh, eh ele era de São Paulo e o o que aconteceu foi o rei era capital. É isso.

¶110É, >> eh, São Paulo >> era mais cosmopolita por >> São Paulo no início dos anos, São Paulo no início do século XX, eh, São Paulo quando vem a República é uma cidade muito pequena que enriquece na Primeira República barbaramente por causa do café. Bárbaramente, que o café vira uma coisa mundial super importante e São Paulo, de repente se torna um estado macho. E aí o São Paulo começa a se industrializar, tal. Então, naquela São Paulo que tava começando a se mostrar pro Brasil na década de 1910, eles começam, a gente meio que precisa inventar uma nobreza da terra. Então, a coisa paulista soa 400 anos, que é um discurso importante e tal, que inventa o paulista quatro centão, é uma coisa da década de 1900, 1910, inventando uma nobreza da terra.

¶111Eh, e para meio que se apresentar ao Brasil, porque Salvador tinha uma coisa que era Salvador, o Recife tinha, São Paulo era província e de repente São Paulo fica muito grande. Em anos São Paulo fica muito grande, muito relevante. >> Rio, o Rio era nitidamente mais cosmopolita. Hoje São Paulo é cosmopolitíssima. >> Super, super.

¶112Mas nessa parte do século XX, o Rio era incontestavelmente mais cosmopolita, inclusive >> em termos geograficamente locais, né? Quer dizer, era gente do Brasil inteiro aqui, né? Então tinha uma coisa no Rio mesmo de e eh é é quase como se o carioca não existisse, >> né? Entendeu? Ser carioca é é é morar no Rio, não é ser do Rio.

¶113>> Exatamente. Exatamente isso. >> É é é adotar o Rio. É uma cidade de Eu acho que ainda é eu acho que ainda é talvez menos hoje. >> Eu não não sei a estatística, mas certamente durante muitos anos >> o estado tá diminuindo de população do do senso anterior para esse.

¶114O estado diminuiu de população. >> É a crise. É a crise. Eh, >> você não tem não sei quantos governadores >> jaulados e isso não tem custo. Tem custo, né?

¶115É, é, >> mas vou falar da da revista então antes da gente entrar para esse capítulo deprimente, >> por favor. Não, não, não. É, vamos abandoná-lo. Eh, [risadas] vamos abandonar o capítulo. >> Olha aqui, eu só posso dizer o seguinte, não consigo recomendar este livro o suficiente.

¶116Portanto, cariocas e não cariocas. O rio de Fernando Sabino, passeio afetivo pela cidade. >> E como toda edição da Autêntica, está um espetáculo batendo um bolão muito bem diagramado, muito ilustrado, feito com com autêntico espírito carioca. Pronto. Olha, e temos uma revista nova no mundo, >> Mote, Ensaios Contemporâneos, >> da editora Cobogó.

¶117Olha que papel lindo esse aqui que eles escolheram pra capa texturizado. E o que que é isso? É uma revista de ensaios. >> Aham. Coisa antiga.

¶118>> É uma coisa antiga. >> Cadernos brasileiros. >> Exatamente. Revista do Brasil. Olha aqui.

¶119>> Eu fiquei muito feliz quando eu quando eu recebi essa revista, sabe? Ela se chama mote porque ela a cada número pretende ter um mote e o mote desse primeiro número é começo, o que faz muito sentido. E você tem excelentes ensaios de uma variedade de assuntos, são memórias, como a pessoa cresceu ou são, olha, todas as coisas iniciais, todos os começos, tem uma coisa aqui que eu achei interessantíssima, por exemplo, tem um ensaio do Walter Benjamin, uma história curiosa de quando ainda não havia e humanos. E tem essa coisa interessantíssima da sobre a linha de pobreza foi escrito pelo Pedro Ferreira de Souza e Samuel Maia. Ele começa com a seguinte constatação: Sem muito estardalhaço, o mundo ganhou cerca de 125 milhões de novos pobres em 2025, porque o que mudou foi a linha da pobreza.

¶120aumentaram de 215 para 3 dólares diários a linha de pobreza e isso jogou automaticamente 125 milhões de pessoas na linha da pobreza. Isso é uma coisa terrível de você encarar, né? De você ver que a linha da pobreza passou de R$ 235 a R85. mensais por pessoa e que tem gente que não ganha isso. >> Uhum.

¶121>> Então, olha, mas tem de tudo aqui. Tem arte, tá vendo? Olha que coisa bonita. Não dá não, não, não dá nem para te descrever o, o que que é, porque não é um assunto de ponta a ponta essa palavra. começo foi vagamente incorporada e os os assuntos variam completamente de de um autor para outro, como acontece nessas revistas de ensaios.

¶122São são todos muito interessantes. É uma é uma leitura ótima. Eu adoro revista de ensaio porque é aquela coisa que você pega para ler sem o compromisso de ter que ler até o fim. >> Uhum. >> Você porque livro é capítulo, né?

¶123Então você vai ler antes de dormir, mas aí você quer saber o que vai acontecer no próximo capítulo. >> Aham. E com isso você atravessa a noite. >> Uma revista de ensaios não te puxa pro próximo ensaio necessariamente, quer dizer, te deixa dormir de uma forma mais disciplina, [risadas] mais regrado do fal sério. Então, eu só posso dar as boas-vindas a essa revista porque tá linda.

¶124Os autores foram muito bem selecionados. Tem textos aqui, olha, de Adriana Viana, Emanuele Fabiano, João Biel, Juliana Lapa, Karen Chirató, Luís Augusto Campos, Pedro HG Ferreira de Souza, Pedro Lisbão, Pedro Paulo Pimenta, Povo URA, Railton Pargas, Samuel Maia, Walter Benjamin e Nair Lopes dos Santos. Quer dizer, são textos contemporâneos inéditos, assim como >> como uma coisas >> coisas tipo Walter Benjamin. >> É, Walter Benjamim >> naturalmente. Não, fil, >> não escreveu inédito, né, pr pra revista aí, >> por muito que ele tivesse gostado da revista aí.

¶125>> Por muito que tivesse, tenho certeza que gostou, porém, [risadas] >> mas olha [limpando a garganta] que que coisa bonita, bem feita. >> Linda, linda. >> Então, chegou essa semana também. Eu ainda não consegui ler tudo. Evidentemente a gente não consegue ler tudo em uma semana, mas quer dizer, a revista você consegue ler numa semana, digo, mas tudo que chega >> naturalmente >> as minhas mãos e o que eu preciso ler e tal, mas eu adorei a revista, adorei a ideia da revista, adorei o fato de ser impressa.

¶126>> Uhum. Porque a revista impressa tem uma vantagem ainda sobre a revista digital, é que o papel não cansa o olho. É uma tecnologia calma. A gente tem lido muito no celular. Esse tipo de texto ensaio a gente lê demais no celular ou no tablet.

¶127>> Ou no próprio computador. >> E ler no papel ainda é mais confortável, muito mais confortável. E tem vantagens, porque você vai paraa frente, vai para trás, pula um ensaio, vai pro outro, olha, você olha devagar a arte, sei lá, cara. E você, isso é uma coisa de selvagem, mas você pode até dobrar a orelha quando você para em algum lugar. Eu não faço isso, mas até isso pode ser feito.

¶128>> Eu te dou um marcador de texto, de livro, por favor. >> Ela vem, >> então não precisa, >> ela vem. Ah, precisamos a barbá tanta selvageria. [risadas] Aliás, eu acho que ela veio com dois marcadores. [tosse] >> Eu me lembro, ó.

¶129>> Olha só, >> lindos marcadorezinhos. >> É, é a prova de selvagens. >> A prova de [risadas] selvagem. Não, nem isso salva. Tá aqui a revista pra gente ficar de olho.

¶130>> Parabéns para pra Cobog. >> Lindo lançamento. Olha como é gostosa de pegar. Muito gostosa mesmo. É um papel espêo, né?

¶131>> É bom, lindo, né? É, é uma revista para leitores e >> é é tipo com respiro. >> É, >> é, é, é, é de fato uma uma diagramação elegante, >> quem sabe fazer as coisas, né? >> É. Pronto.

¶132Então é isso. >> A gente se vê na quinta, >> com certeza, >> até quinta-feira. >> Um algoritmo que decide sem te avisar quem vai ser seu inimigo hoje. Uma rua em Jerusalém que carrega 3.000 anos de disputa embaixo do asfalto. Um Brasil que vota olhando pra terra que planta.

¶133Outro que vota olhando pra fila do banco. No ponto de partida sério, investigo assuntos essenciais para compreender e lidar com os desafios do mundo contemporâneo num formato que o programa semanal no YouTube não permite. Tudo começa em a sociedade que o algoritmo criou, o olhar pro mundo e o indivíduo numa busca da razão pela qual sentimos que as pessoas ao nosso redor estão cada vez mais polarizadas e vivendo em bolhas. Depois desse capítulo, tivemos um lançamento de três episódios sobre Israel e Palestina. Um conflito onde quase todo mundo já chega com lar escolhido, mas que eu fui a campo entender as raízes.

¶134Passei 10 dias em Israel, entrevistei gente dos dois lados, caminhei pelas ruas onde nasceu essa guerra para compreender essa complexa realidade. Então voltei a olhar para casa com nós brasileiros. No primeiro episódio à sociedade, eu parti de uma pergunta que parece simples. Por que que o Brasil parece tão [música] dividido? A resposta, no entanto, de simples não tem nada.

¶135Por quê? Porque descobri que o Brasil tá dividido em cinco. Cinco formas de viver o país, cinco formas [música] de votar nele. E se são cinco Brasis, por que ainda tentamos caber em só dois partidos? O episódio vai tentar explicar.

¶136No segundo episódio, os partidos eu volto à origem do nosso sistema partidário para entender porque que ele já não representa o país que existe hoje e como podemos voltar a conversar sobre política. Três grandes arcos. E não para por aí, tá? Em breve novos episódios. Eu sou Pedro Dória, editor do meio e esse seu ponto de partida a série.

¶137Comecem assistindo o streaming do meio exclusivo para cinante premia. [música] เฮ [música]