¶1Na dança das eleições, o tango atravessou o samba. A gente vai tratar nesse episódio da presença, digamos assim, das questões internacionais em plena campanha eleitoral, coisa que já não é habitual nos meios de comunicação brasileira, porque isso não faz muito sucesso, aliás, não faz nenhum sucesso com público interno. Agora, a começar lá das tarifas do Trump com é a entrada em cena do Milei na convenção do PL, a gente tem e a reação, melhor dizendo, do do presidente Lula com essa questão da soberania e tal, os intereveros com o Ravii. A questão internacional está no centro. Vamos discutir sobre isso e colocar uma pergunta.
¶2Será que isso vai ter eh acolhimento? acolhimento, que palavra mais identitária, boba não receptividade, apelo resultado, melhor dizendo, que apelo até tem junto ao eleitorado brasileiro. E as questões nacionais, como é que ficam? Ficam como você que vai ficar por aí, que esta conversa agora comigo, Dora Crâmer, Marcelo Madureira, Pedro Paulo Magalhães e Márcio Fortes vai começar. Eh, antes de começar a discussão, o de sempre, a moral, o que eu chamo de moral, que é a mesma inscrição, a moral é o comportamento das pessoas, né, dentro dos princípios que a sociedade estabelece, eh, no sentido da ética, da estética.
¶3É isso, a moral que você quer? >> Não, é dar uma moral pra gente. >> Ah, então dê o seu like. Dê o seu like. É isso que você quer dizer >> isso mesmo.
¶4>> Isso é dar uma moral. >> É, podia falar isso pros nossos magistrados. Eh, deem a moral, compartilhem com os amigos e eh se inscrevam no nosso canal, mandem suas opiniões e eu vou logo te perguntando, vou que que você acha dessa entrada em cena das questões internacionais no cenário nacional de eleições? Então, eu quero pegar especificamente a a conversão do PL agora no fim de semana que para mim parecia que foi um espetáculo, um evento montado para o presidente argentino Javier Milei, que, pô, eh, pouco e mal se falou do do candidato a ser lançado, né, que, aliás, é o candidato eh eh singular, né, um candidato solteiro, por enquanto, não tem vice e e só dá Milei Milei que veio aqui para fazer uma série de discursos insultou os até contra o próprio presidente da República e tal. E e no fundo no fundo acabou até levantando a bola do Lula, né?
¶5Eh, que que respondeu esse troço todo. Mas eh eh que que isso traz, né? Até ficou em segundo plano ou terceiro plano o o próprio o ato em si, quer dizer, o lançamento do do Flávio Bolsonaro, a candidatura. Isso. E tem o tarifaço e tem lá a questão de Salvador como o paradigma, né, da combate ao crime.
¶6Eu acho tudo isso uma bobajada. >> Eu acho que tá o que tá acontecendo é muito eh assim estranho no mínimo, né? A política internacional no Brasil nunca teve nunca teve esse peso, >> nunca em nenhum momento >> nunca teve esse peso. Quer dizer, ao contrário, o Brasil tinha situação momentos eleitorais, né? ele tinha uma situação relativamente discreta e e como é que se diz?
¶7Eh, discreta, né, mais consistente de atuação internacional durante anos e anos e anos. A diplomacia brasileira sempre foi muito considerada, conciliatória e tudo mais. Fundação do estado de Israel com Osvaldha, >> uma pessoa de coisas desse tipo que vem vem que vem nessa história aí. O que tá agora é um falso dilema, né? Eu acho que tá se colocando a questão internacional e se você for observar, ela tem tem um um pé muito forte da direita, né, que começou lá atrás tentando salvar o Bolsonaro, influenciando o Trump para fazer ações contra.
¶8E aí veio o tarifaço, que não era o que que era um requisito que foi comemorado por eles e que então gerou uma reação do Lula que naquele momento levantou a bola do Lula. O Lula tá, o Lula tava em baixa, né, e conseguiu levantar a bola. Quando o Lula vê que levantou a bola, então já agora, toda vez que tiver que tratar disso, eu vou falar de soberania, né? Então, se o Milei fala alguma coisa, eu vou falar de soberania. Se o se o Trump vem com tarifaço agora que é de outra ordem, é diferente daquele, não quer dizer que seja melhor nem pior, mas diferente, a origem diferente, que não é tão autoritário, foi um processo e tal, tem todo um um outro enredo também trato de soberania.
¶9Por que que tá acontecendo isso? Por que que a direita, extrema direita, tá tão preocupada em internacionalizar? Eu acho que a questão é a seguinte, é que essa campanha especificamente do Fláio não tem o que dizer, não tem nada para contar. Então, do que vai fazer, não se responsabilize por isso. Não quer dizer que seja uma peculiaridade dele, porque o Lula também não diz o que vai fazer, né?
¶10Não disse na eleição de 22 e hoje também não diz. O que eles dizem no máximo é vamos continuar fazendo o que estávamos fazendo. É isso que é isso que é falado. Ninguém tem preocupação de colocar programa na mesa, mas a questão internacional que tá substituindo isso. Quer dizer, vira um um uma questão falsa que começa a se discutir, que eu duvido que atinja efetivamente o eleitorado.
¶11Então a gente vai ficar discutindo se vai ser o presidente A ou presidente B por conta da questão internacional. É esse que tá na mesa? >> Não, não é a discussão não é essa. Não, não tá no no foco principal. Vamos voltar, né, Dora?
¶12O povo brasileiro tá querendo saber de segurança pública em primeiro lugar, de corrupção em segundo lugar, entrou, atropelou do dia a dia, transportes coletivos deficientes, falhas na na energia elétrica, essas coisas como ontem no Rio em São Paulo. Quer dizer, a ventania condenou milhares de pessoas a ficar sem geladeira funcionando, essa coisa toda. >> Não, parou metrô, parou transporte. >> Pois é. Essa é a preocupação.
¶13Quer dizer, quem disser aí que vem, tem uma uma lista assim tradicional, mas que vai se alternando, né? Antigamente era educação, agora tá lá atrás, é saúde pública, o SUS, como é que foi, como é que não foi. Quem derrubou, o principal agente da da derrubada da reeleição do Bolsonaro em 2022 foi o comportamento dele face à pandemia. O resto também era ruim. Ele continuava do jeito dele.
¶14Bom, agora eles trouxeram essa questão internacional e ela não é prevalente na opinião pública, não é de jeito nenhum, mas pode ser um fator contributivo, sobretudo em debates, porque o comportamento da família Bolsonaro em relação ao Trump é mais importante do que o comportamento do Trump em relação ao Brasil. Ele é ignorante sobre o Brasil, não é? >> Daquela vez que ele declarou que estão querendo prender, prender o candidato a presidente que se se enrolou lá. Ele não sabe isso. Então o Trump tá lá na dele, como já estava em 2018, quando como já com aquele Carvalho, né, aquele ideólogo, Olavo de Carvalho, >> Carvalho, >> como estava em 2022.
¶15Então agora o Trump que tá na dele ganhou a entrada no Brasil através da família Bolsonaro, tira retrato com Trump, que faz manifesto e tal, e que o Flávio se enrola todo, porque ele se enrolou certamente estimulando o tarifaço, que é uma coisa importante, embora não popular, estimulando depois aquela carta que ele fez pro Trump e a participação dele física no na audiência pública sobre a sessão 301, que foi um fracasso também. Então eles trouxeram para dentro aqui a questão com Trump, tá bem? Então é a questão internacional com Trump. Aí veio a convenção com Milei. Quer dizer, o que que é o Milei?
¶16Me lembro um presidente da República de um país importante, vizinho, amigo e tudo que veio aqui, como você disse, para agredir o Lula e tal, tal, em nome de uma candidatura a presidente da República. Não só que não mostrou isso, não mostrou nada além disso, é que atrapal, deu tiro no pé causa da questão internacional. Então, a questão internacional tem importância eleitoral marginal, mas tem. Quer dizer, num bom debate, um debate bem conduzido, isso vai aparecer com certeza. Não é a peça chave, mas vai aparecer com certeza.
¶17E nessa hora a vulnerabilidade dos Bolsonaros é muito grande. >> Mas quem alguém tocou, acho que foi o Pedro Paulo que disse, bom, ele traz a questão internacional porque não tem o que dizer, né? Eu eu estenderia isso para o conjunto da campanha de deputado, porque essa história de de da questão internacional até bom, né, que nos tornemos um país menos isolado, que as pessoas se interessem por questões internacionais, mas não dessa maneira super rasa, só de propaganda e que de alguma forma, Márcio, pode servir. Eu acho que até tá servindo de de biombo, sabe? Eh, como servir o diversionismo de quem não tem o que dizer sobre as questões internas?
¶18>> Isso aí. É interessante porque se você pegar a entrevista do economista Armínio Fraga agora essa semana nas páginas amarelas lá da da Veja, tem vista espetacular, brilhante e que dá um um raio X da real situação da economia brasileira, das finanças públicas, que é gravíssima. E os candidatos todos, todos fazem cara de paisagem sobre esse assunto, como se não disesse não lhes dissesse respeito. Então, e e é ali tem uma uma assimetria, né, entre os candidatos e a realidade, os reais problemas nacionais no momento, né, da democracia e que é o momento para se colocar essa essas discussões da mesa, para se analisar, para explicar, >> eh, eles vão falar eh eh de dessas questões que e que não são substantivas, são derivadas e Eu eu acho assim, a questão internacional, por exemplo, no ao longo dos últimos anos, e não me refiro a nenhum, mas ao últimos 25 anos, o Brasil perdeu totalmente o protagonismo que tinha na América do Sul e na América Latina. Eu acho, eu, e eu para mim o evento máximo disso foi quando Evo Morales levou uma refinaria da Petrobras lá na Bolívia na mão grande, tomou e acabou e ficou por isso mesmo.
¶19E e aí a Venezuela, por exemplo, que é nossa vizinha, é um país que a gente tem tem interesses e tudo mais, o Brasil hoje ele não tem nenhuma liderança, nenhum protagonismo que historicamente sempre teve aqui. >> É médio. Quer dizer, nós estamos entrando numa questão internacional que não é do nosso dia a dia, mas a importância de protagonismo do Brasil na América Latina sempre foi discutível, não é uma uma coisa >> assimatada, né? >> Não, não é. Os outros países na hora de eleger uma coisa qualquer na OEA, qualquer coisa lá nos Estados Unidos, os brasileiros são os últimos.
¶20Por quê? Nós somos um só contra 15, 16 países e os outros se unem a partir da língua, a partir da da da instituição, do fundamento do direito brasileiro, que é francês, os outros todos são espanhóis. Quer dizer, a nossa família imperial não era portuguesa, ela era francesa, é Orleã e tal, tinha aquelas contribuições europeias. Então, a nossa base jurídica não é a base jurídica dos outros, que é mais parecida com a espanhola. Isso gera, enfim, uma falta de liderança, como você diz, apesar de nós sermos maior, o Brasil é maior em população, em economia >> e território >> e território do que todos os outros países da América do Sul somados, o que é uma coisa engraçada, né?
¶21Acho que por isso mesmo gera essa rivalidade o PIB do Chile é parecido com o PIB da cidade de São Paulo, >> não do estado do Rio de Janeiro. Mais respeito. É >> bom Chile. É agora >> e o IPIB da Argentina. Os paulistas dizem, né?
¶22São Paulo >> é do tamanho da Inglaterra com a população da Espanha e o PIB da Argentina. >> Pois é. Mas o que eu queria também eh >> só não tem moeda própria. Tem uma uma digressão que um dia a gente vai fazer como seria bom o Brasil. Não, >> não.
¶23Se se você olhar no mapa, o Brasil é o nosso litoral, pelo pelo pela nossa característica geográfico, o Brasil controla, é chave no controle do Atlântico Sul. >> É por isso que os americanos fizeram bases aéreas em Natal, aquela coisa toda. Aquele modelito de base aérea da arquitetura >> que se espalhou pelo Brasil. Você vê Salvador, Recife, o Galeão aqui, >> mas o Campo dos Afonsos, >> Campo dos Afonsos, tudo é a mesma coisa. A mesma arquitetura foi importada dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial por causa da importância com relação ao Atlântico Sul.
¶24>> E hoje as nossas forças armadas, >> né, e a Marinha principalmente tem menor capacidade de controle estratégico sobre o o território nacional e sobre o Atlântico Sul. zero. >> É, também não tá querendo entrar em guerra, né? Então nós estamos guer lá em Belém >> de suação de sua um seminário enorme que eu vi lá em Belém uns dois ou três anos atrás, eu aprendi uma coisa que eu não não me dava conta. A distância por água entre Belém e o limite lá do rio Amazonas é maior do que a distância por água de Belém ao Rio Grande do Sul.
¶25O que é uma, a gente fica achando que a costa é enorme é enormassa, mas os rios da Amazônia são tão grandes quanto. Quer dizer, então é a marinha >> e hoje servem de avenidas e alamedas para o narcotráfico. >> Não, não só maravilhoso. >> A gente tá querendo, a gente tá querendo voto aqui, >> né? tá querendo discutir voto.
¶26Então, essas questões do Marcelo, das Forças Armadas, são questões muito importantes >> que não importam pro voto, mas importam muito paraa vivência depois do voto. Quer dizer, quando tiver um grande acidente, quando tiver um conflito, uma coisa assim qualquer e para o combate necessaríssimo a ao controle, por exemplo, da Amazônia pelo crime organizado, as forças armadas vão ser utilizadas como ainda não foram. Elas ficam marginais a pedido da Polícia Federal, isso, aquilo, tá? Mas depois vem chegar aí. >> Vamos voltar à planície porque estamos assim num debate.
¶27>> Aiko Furgim tomou posse anteontem no presidência do Peru >> e o que ela disse de fundamental é que vai usar as forças armadas no controle ao crime organizado. >> Tá ótimo. Olha só, eh, eu queria lembrar uma coisa que me passou pela cabeça aqui nessa nessa história de política externa. a presença, a importância no nosso cenário, na nossa política. Olha só, gente, lembra como no primeiro ano, como isso estava distante, no primeiro ano, o presidente Lula se dedicou à questão internacional, a andar pelo mundo, a querer o prêmio Nobel da Paz, a querer secretaria geral da ONU.
¶28E isso foi um desastre do ponto de vista da política interna. Foi quando ele foi uma celso amorada. >> Pois é, ele se enrolou todo, teve uma péssima avaliação, deixou o Congresso para ele se desarrumou todo. A coisa começa a se arrumar, rearrumar pro lado dele. Exatamente quando entra a questão que ele assume o discurso da soberania.
¶29Porque na naquele tempo que ele queria ser o membro do conselho, >> ele queria ser o >> segurança da ONU, isso e aquilo, o país não tinha sido afetado, não tinha sido agredido. >> Sim. >> Não tinha sido ameaçado. Eu não tô dizendo, eu não tô procurando a explicação disso. É uma constatação de como isso não tem importância.
¶30A questão das tarifas traz um slogan que é a soberania, mas o quanto isso tem de efetividade, de consistência nas questões nacionais? Nada, na minha opinião. >> Nada não. >> Nada. >> Quase nada.
¶31>> Hum. >> Tem um pouquinho. Quando você fala de Pix, a agressão americana ao sistema Pix, todo mundo entende. >> Pois é. Mas é você de novo pegando um assunto e dando um sentido de e o >> Lelo daquilo >> percebeu a importância do Pix porque tinha tinha já dado uma uma fora antes, né?
¶32Quando ele resolveu aquela declaração que houve do Pix, não resolveu tachar, ele fez fizeram a declaração e aí o Nicolas pegou, fez um discurso de margem, é um discurso de que iam taxar e aí ele percebeu a importância do Pix. Aí quando vem o Pixo atacado e opa, então vou defender dessa forma. Mas eu queria lembrar de uma outra coisa que eu acho que é interessante nesse nesse aspecto. A gente que viveu o movimento estudantil na época da década de 70, né? Eh, que a esquerda era o grande protagonista do movimento estudantil, a questão internacional, né, da da da esquerda era era era a coisa da da exportação de de revoluções, coisas só.
¶33Qualquer chapa para Grêmio ou acadêm eh eh acadêmico tinha que ter um um capítulo dedicado à conjuntura internacional. >> É, mas que que o estudante mesmo tava pouco se lixando para isso. Vamos combinar que isso aí era uma coisa da daquela daquela daquela turma que ficava achando que tava fazendo a política de alto nível, né? Eu acho que a coisa é muito parecida com a direita que tá acontecendo hoje. Muito parecida.
¶34Eles estão preocupados com a exportação do modelo de direita, dos das ideias de direita, né? Mas ele não, engraçado, aí chama o Milei para vir aqui, em vez do MI vir falar do que ele fez, que acho que a coisa da história do MI nessa história, foi que ele foi eleito dizendo: "Eu vou pegar a motocerra e vou cortar". Ele botou na mesa um problema. Ele botou na mesa o problema, acho que por conta do desgaste que existia na Argentina, da inflação de anos e anos e anos de mão de gasto, gasto, gasto, gasto e a coisa não se resolvia e não tinha solução. E conseguiu se eleger com isso.
¶35Ora, se pelo menos copiassem pelo que pelo o que tem de pos não copia pelo que tem de negativo. Copia pelo que tem de negativo. A grosseria, o estrionismo, a coisa sem sem base, né? A, o Flávio, o Eduardo Bolsonaro lá atrás pediu pros Estados Unidos retaliar o Brasil para defender o pai. Quer dizer, é muito comezinho, é muito pequeno essa história.
¶36O país que se dane, porque isso não quer dizer nada, o país que se dane. Eu quero é salvar meu pai. Quer dizer, então é um raciocínio e o que interessa é se eu tô exportando a ideologia e se eu tô e e vendendo essa ideologia aqui dentro. Por isso que me chama atenção o o Mem fazer grosseria ao invés de falar o que ele poderia falar que seria positivo. Talvez que o Flávio Bolsonaro vai dar jeito na economia.
¶37>> É uma coisa desse tipo. Vai vai vai emphar a motosserra, sei lá que seja. Uma coisa esperar muito do Flávio Bols. >> Mas você acha que isso a direita que você acha que o PL quer isso? Eu acho que duvido que Valdemar Costa Neto queira explicitar alguma coisa nesse sentido.
¶38Acho que a a mesma coisa como o Lula não quer explicitar que vá qualquer plano que seja restritivo, eu duvido que eles queiram queiram divulgar alguma coisa que ser restritiva. Não vejo esse esse esse momento, não vejo nenhuma proposta que de combate a uma situação eh real, uma coisa que seja realista em relação ao país. Não, é só nesse plano aí. E como é que vocês veem nesse plano a reação do governo, né? Eu vejo, já vou te dando aqui o meu pitaco, eu vejo igualmente rasa, porque aí pega, fica nessa repetição de soberania conosco.
¶39Não, aqui ninguém mete o bedelho. O que quer dizer isso? Ninguém mete o bedelhoho. Nada. Como é que você >> Ninguém mete o bedilho, inclusive as autoridades competentes que deveriam meter o bedilho >> nas questões?
¶40É, é essa que é a questão, porque eu >> então voltamos aqui ao nosso trilho, né, que foi que a Dora mandou a gente falar. >> Não, ela não mandou nada. >> Mandou. Primeiro, ela manda sempre. >> Isso, sem dúvida.
¶41>> É. Segundo, ela ela entrou no programa dizendo assim: "Vocês acham que a questão internacional interfere nas eleições brasileiras?" Foi a pergunta que ela fez. E nós todos dissemos que mais ou menos um pouco, quem sabe, talvez, tal, mas não entramos no âmago da questão, >> que é >> qual é o âmago da questão? É como é o dia a dia brasileiro influenciado por isso? Quer dizer, o que que quer dizer o tal do tarifaço no dia a dia dos brasileiros?
¶42é aumento de preço, é aumento do desemprego. Isso bem explorado, bem colocado, pode ser um um eh um assunto, um capítulo, um um parágrafo, se você quiser, do discurso eleitoral. Não é ninguém se mete aqui. Quer dizer, não pode nos atrapalhar. Pode se meter à vontade, visto palavra dele é bravata.
¶43O que você está falando é outra coisa, é explicar como as coisas bravat. O Pix é nosso, >> o Pix é nosso, tá bem, mas em que que isso atrapalha o dia a dia do povo brasileiro que as pessoas todas, né, não somos nós quatro, não somos os amigos do Marcelo lá, o universo, a amostra da população que o Marcelo consulta diariamente, né, e que o Ronaldo César Coelho aqui falou da amostra dele, que é o ônibus lotado, >> nãoé? O ônibus lotado é sensacional, né? Realmente o pessoal usa isso aqui no Rio. Usa >> isso é um termômetro.
¶44>> Ele falou como imagem, mas é real. >> Ônibus lotado, elevador lotado, qualquer coisa lotada. É. É. >> Mas o ônibus e foi feito já algumas vezes.
¶45Eu acompanhei isso no passado. Você botava observadores nos ônibus, mandava o o estudante de de >> sociologia. >> Sociologia, vai lá, pega o ônibus lá em Campo Grande, vem até o centro da cidade e vai comentando algo. Você provoca que que você acha disso? O que que você acha daquilo?
¶46Você viu como é que aumentou o preço, não sei de que e tal? Porque tem esse fenômeno aí. Eh, não quero perder o tempo da Dora aqui, não. Mas o ônibus lotado é uma coisa sensacional. Sabe por quê?
¶47Porque a população toda que se desloca dos seus bairros de moradia, pros seus locais de trabalho, em geral pega os ônibus mais ou menos no mesmo horário, o que é uma coisa comum a muita gente. Quer dizer, você turma, >> você pega o ônibus lá lá dentro, tá o cara que você conversou semana passada. O outro que contou que a filha ia casar, o outro que contou tava esperando neném. Aí você pergunta: "Nasceu?" Não sabe nem quem é o nome. "Seu neto nasceu?" Pergunto porque o cara 15 dias antes disse assim: "Minha filha vai ter neném, entendeu?
¶48Guardou aquilo tal". Então, o retrato da opinião pública é muito exposto quando você e propicia as pessoas um contato pessoal aberto e o ônibus é perfeito. Não é só quem tá em pé, quem tá sentado, não. A moça diz assim: "Eu tô cansada", diz assim. Aí vem o cara e diz assim: "Senta aqui no meu lugar e tal", né?
¶49Não, não é idoso necessariamente, mas o as questões do dia a dia, a caristia, o preço da comida, a falta de competência das escolas públicas e tal, é discutido ali amplamente. >> Você acha que essa turma do ônibus, que é super interessante essa imagem, esse universo que traz, eu realmente não tinha me dado conta que existia. Trazendo de novo pra questão, você acha que >> os candidatos usam isso? Eu usei isso numa das minhas campanhas. >> OK.
¶50Mas você acha que, porque aí você deu um exemplo bem concreto, né, que Trump, Milei, Buell, não sei quem e onda azul da América Latina faz parte do cardápio. Não faz parte ainda, mas se mexerem no Pix, a culpa é do Eduardo Bolsonaro. Pronto. Eh, todo mundo já sabe. Se mexerem aqui, ali, o tarifaço, né, é, é chato.
¶51Então, como é que como é que como é que a privatização foi morte de campanha eleitoral? >> As pesquisas não, porque isso é uma pesquisa qualitativa. É uma pesquisa qualitativa. É, mas olha, olha, Dora. É, é uma pesquisa qualitativa.
¶52Ninguém pedia para privatizar o hospital público, nem era morte, porque todo mundo sabia que a saúde pública é obrigação do estado gratuitamente. Mas todo mundo aceitava e até aplaudia a privatização da então Telerge, porque só só falava ao telefone quem estava disposto a pagar a conta. Ninguém pedia privatização da Light porque estava-se e tá certo? O cara, o cara pede, o, o político é demandado pela população. Já vem cá, você me ajuda a arranjar uma uma um aumento de carga da Light na minha casa?
¶53Disse: "Claro, ele não tá querendo não pagar, ele tá querendo ter o serviço e depois pagar por ele." >> Hum. assim também o transporte coletivo. Quer dizer, eu quero o trem mais barato, mas não quero de graça. Então, essas coisas todas induzem a opinião pública de forma desconhecida no início. Daí que eu digo que pode ter um efeito sim marginal, que eu não conheço bem ainda, mas que às vezes numa disputa mano a mano, tá, entre um candidato e outro, numa pergunta bem formulada, >> isso vale pro poder executivo, pros candidatos à presidência.
¶54Agora, no caso do legislativo, né, cada vez mais aí, de modo geral a classe política, os poderes, né, o judiciário, legislativo, executivo, tá lá no livro do João Falcão, cada vez estão mais afastados da sociedade e cada vez dependem menos da sociedade. É, os deputados, os deputados então não t os deputados demandas, deputados, já falamos aqui, vamos repetir, os deputados estão pensando na própria reeleição em primeiríssimo lugar. Se o candidato a presidente é útil para isso, eles apoiam. Se é inútil para isso, eles esquecem. senadores, não, senadores é uma eleição um pouco diferente, mas a opinião pública se manifesta nos deputados porque realmente, apesar de não ter voto distrital, cada deputado sabe exatamente aonde ele tem que arranjar o voto, o que que aquele eleitor daquele lugar tá querendo que ele diga e que se comprometa.
¶55Não é comum, mas é. Quer dizer, o deputado Pedro Paulo, hoje candidato ao Senado aqui no Rio de Janeiro, era Jacaré Paguá, onde ele morava, onde ele cresceu, não sei que e tal. Tu conhece as demandas daquele negócio aí? Mas são coisas muito dispersas, Márcio. Eu tenho impressão que o que Marcelo fala do legislativo é assim: você não vê, ninguém vê deputado fazendo campanha no sentido de com a seguinte bandeira, vamos melhorar a qualidade do Congresso.
¶56Não, não tem esse tipo de que é uma demanda das pessoas, é uma demanda que tá aí >> dada a a desqualificação que veio, >> mas não é do dia a dia. >> Pois é. É, >> é, mas eu acho também que essa questão internacional também não chega no dia, ela chega no dia a dia artificialmente, ela se mexia no Pix. Mas qual é a possibilidade de mexer no Pix? >> Nenhuma, mas é a fama.
¶57>> É, pois é. Então isso é uma coisa muito pouco provável que aconteça. Então eu acho que a a eh essa esse fato, essa internacionalização aí acho que meio de arque, né, da da da questão é na realidade é é não tratar dos problemas que tem não tratar das coisas que tm que ser tratadas, é fugir de discutir as questões que são importantes. >> É diversionismo. Eu acho que eu, na minha opinião, esse é o ponto.
¶58Não sei se é uma coisa engendrada para isso, entendeu? Mas que acaba servindo, tendo essa serventia de biombo a quem? Eu gostei daquela frase, vou repetir, portanto, vou adotar. Não tem o que dizer ou não sabe o que dizer. É, mas a presença do Milei na convenção do PL, do Flávio não foi imaginada, parece-me, como um diversionismo.
¶59>> Não, acabei de dizer para >> foi uma coisa para chamar atenção. >> Bom, está de que lado que eu estou? E aí, dada a fragilidade do Flávio, a ausência de lideranças políticas significativas na própria convenção. >> Uhum. E o jeitão do Milei, que foi útil para ele ganhar as eleições na Argentina e tá sendo útil para ele conduzir o país dele lá com as questões deles, pegou bem aqui, quer dizer, aquela coisa voçal pro pro povo que tava lá >> convertido que nós não precisam.
¶60>> Claro, mas entrou na televisão, entrou aqui, entrou. >> Pois é, em termos de resultado eleitoral é o chamado tiro no pé. >> Tiro no pé. Mas para efeitos do PL, a convenção foi conhecida, foi observada, foi vista pela razão errada, mas foi o que não teria sido se não tivesse o Milei. >> Não, se não tivesse o Milei, o assunto seria o isolamento do Flávio.
¶61Aí com o Milei é a bossalidade da companhia do Flávio. Então eu não consigo ver aí nenhuma utilidade pra campanha que promoveu a tal da convenção. A tal da convenção teve o Milei e a Bolsonar, >> né >> isso >> que é o o próprio Bolsonaro inteligência artificial para poder aparecer >> e esquecemos disso porque gerou a confusão do Milei gerou a confusão que tá sendo contestada agora na justiça, no eleitoral e no criminal, né? Porque se eu admitir que o o Bolsonaro sabia da coisa, bate na é criminal nas medidas. negou, já disse que >> já.
¶62Bom, sim, mas a justiça não não disse se aceitou, não sei. E se disser que não sabia, o problema é do Flávio. Então >> é do Flávio. Bate na campanha. E falar em bater, já bateu nossa meia hora, tá?
¶63Ah, rapidão. É assim que é. Programa bom, conversa boa, acaba rapidinho. >> É, o nosso negócio é sempre levantar a bola para deixar os nossos eh telespectadores com uma minhoca na cabeça durante uma semana. >> Hum.
¶64Eu diria. Hum. Pulga atrás da orelha, gostinho de quero mais. Enfim, essas coisas só >> minhoca. Não precisava >> minhoca.
¶65Olha só. É, então é isso. Esse episódio acabamos de gravar nesse momento >> e eh vamos ficando por aqui, né? Porque quintafeira que vem tem mais. Tchau.