¶1Todo mundo que o viu jogar concorda. Um dos maiores centroavantes da história do futebol mundial. Hoje no meio de campo a gente vai entrevistar Reinaldo, o rei da massa, o rei do Galo, o maior artilheiro da história do Clube Atlético Mineiro, o maior artilheiro da história do Mineirão, o maior artilheiro do clássico mineiro na era do Mineirão, múltiplas vezes campeão mineiro, campeão de vários torneios na Europa, vice-campeão brasileiro duas vezes e presença importante na seleção brasileira, apesar de que ele recebeu também obstáculos, bloqueios vários por razões extra campo. Vamos conversar hoje no meio de campo com Reinaldo, o rei do galo. [música] [música] >> Bom dia, boa tarde, boa noite.
¶2Eu sou Idéber Avelar. Este é um episódio muito especial do meio de campo. Nós estamos completando um ano no ar e temos hoje um grandíssimo convidado, o maior jogador da história do Galo. Reinaldo tá com a gente e eu tive o privilégio de ver Reinaldo na arquibancada de 76 até 85. praticamente todos os jogos eu peguei.
¶3É um privilégio muito grande estar com ele, a quem eu já tenho a honra de chamar de amigo. E vamos bater bola eu e Reinaldo, mas eu vou deixar com Diego a primeira pergunta pra gente começar o papo. Vamos lá, Diego. >> Alô, alô, Delber. Bom dia, boa tarde, boa noite a todo mundo que tá nos assistindo.
¶4É uma honra, né, Idelber? Reinaldo, seja muito bem-vindo, muito obrigado por aceitar o nosso convite. É uma honra pra gente falar com o Rei, um jogadoraço histórico do Galo e da seleção brasileira. E como Idel falou, a gente vai conversar muito sobre futebol hoje, né, Reinaldo? Eh, mas também a sua vida também teve muito marcada pela política, né?
¶5E então vou eh seja bem-vindo e vou pedir para você abrir falando um pouquinho dessa decisão recente em dezembro do ano passado da comissão da anistia que resolveu o estado brasileiro reconheceu, né, que você foi perseguido durante o período da ditadura. Isso teve consequências eh na sua carreira, né? Então, se você puder lembrar um pouquinho, falar sobre esse reconhecimento, lembrando aquela famosa entrevista que você deu pro jornal Movimento no comecinho de 78 e também a sua comemoração icônica, né, levantando o punho pro ar dos seus gols, eh, como é que isso repercutiu, reverberou eh na sua presença até na própria Copa, né, em 78. Então, começa, seja bem-vindo e vamos começar falando sobre isso. Depois a gente vai falar de futebol.
¶6Eh, valeu, muito obrigado por estar aqui, Reinaldo. >> Um abraço, amigo Id, né, o Thaago também. Parabéns pelo pelo ano de programa e é um prazer bater esse papo com vocês aqui pra gente relembrar essa trajetória carreira minha no futebol e também fora do do futebol. Eh, fora da do dos campos de futebol. Eh, recentemente eu tive, em dezembro eu tive aí o pedido de desculpa do Estado brasileiro, que seria a anistia pelas perseguições que eu sofri no período da ditadura.
¶7Sem dúvida que eh que me prejudicou bastante, me afetou bastante como afetou a vida de milhões de brasileiros, milhares de brasileiros. E a ditadura não só desapareceu, matou, torturou e perseguiu. No meu caso, foi uma perseguição que afetou principalmente a minha parte emocional, psicológica, né? Eu não fui preso, mas fui difamado ali pela grande imprensa que eh estava aliada ao ao governo da ditadura. Então eu sofri várias consequências e principalmente dentro da CBF que tinha uma influência grande do dos militares, tanto que toda a sua diretoria, comissão técnica era composta de de militares e eu acabei sendo prejudicado.
¶8Aliás, essa época da da ditadura foi uma época terrível, uma época sombria, uma época de muito muito medo, muito fantasma que eh todos nós brasileiros sofremos na pele. Eu na minha época, na minha da minha geração, principalmente nessa época eu estava aí na naquele, naquela entusiasmo da da juventude, né? e a gente o o país todo incomodado com a com a repressão, com a opressão do do estado. Eh, [limpando a garganta] pela nossa geração, muitos participaram ativamente, né, para reconquistar a democracia, para buscar essa liberdade, né? E eu tava nesse contexto, tava nesse contexto principalmente porque eu era jogador de futebol.
¶9e tinha um destaque na mídia. Então, com esse destaque na mídia, eu usei de como fosse uma um palanque, uma tribuna para manifestar a minha insatisfação também e que era de toda uma geração, mas também a insatisfação nossa da gente, principalmente o jogador que era tido como o futebol era o óbio do povo, o jogador era um alienado, então era mais para deixar um posicionamento não só de jogador, mas também como cidadão brasileiro. E com isso, naturalmente você fazendo crítica a um governo militar de ditadura, você vai sofrer essas retaliações. Foi o que aconteceu comigo nesse período. Mas agora, eh, em dezembro, eh, entramos com pedido na Comissão da Verdade para eh ter essa anistia através do do meu advogado que todos conhecem, como o ex-procurador Rodrigo Janô, que que entrou com essa ação, e fui anistado aí e me senti eh emocion onado e e aliviado também com com essa com esse pedido de desculpa do do governo.
¶10É uma cerimônia muito bonita, emocionante e importante para que a gente não volta a a sofrer de novo eh com esse regime ditatorial. Então, eh hoje a gente tem a uma vida mais tranquila. tem nós atingimos a plenitude aí da democracia, vivemos tranquilamente, mas na minha época, e foi justamente na minha melhor fase, né, na minha juventude que o e o Deber e o Delber, você sabe muito bem que eh e eu também tenho tenho uma consciência que desde que eu cheguei no Atlético em 71, de 71 até 77, que foi dentro desse período aí eu realmente fico Joguei um futebol assim maravilhoso. Só quem quem viu mesmo que pode constatar e a a minha a minha competência, minha capacidade, minha genialidade. Eu mesmo eh às vezes me lembro de coisas incríveis.
¶11Tanto que eu não consigo ainda reparar, eh, comparar alguns jogadores com tanta com semelhança no no meu estilo, na minha característica de jogo. Alguns me lembram, alguns lances, mas eu tinha um futebol bastante refinado e nessa época eu joguei muita bola e como eu era artilhe e e com isso numa fase estupenda de 1977 que eu era artilheiro do fui artilheiro do campeonato brasileiro, batendo recorde, fazendo gol todo praticamente todos os jogos, não e fazendo jogadas geniais. Eh, [limpando a garganta] nesse período ainda, você ver eu consegui eh ser campeão vice-campeão invicto. Quer dizer, na foram duas situações em 77 com o Atlético qual nós saímos invicto do Campeonato Brasileiro e não e não conquistamos o título. estudo com a manipulação, com certeza, a manipulação do desse autoritarismo, desse governo eh autoritário, né?
¶12E depois em 78, na Copa de 78, aconteceu a mesma coisa. Nós ficamos em terceiro lugar. A seleção brasileira ficou em terceiro lugar também invicta, também sofrendo aí a eh essa essa conspiração da do governo da ditadura argentina também, que a Argentina foi campeão. Então você vê num período que eu joguei mais futebol, eu não consegui conquistar esses grandes títulos por causa de interferências externa ao campo, eh, de interferência de governo militar. Tanto que naquela época você sabe muito bem que era aquele campeonato de como é que é?
¶13Arena e e MDB, né? Era um campeonato onde tinha uma ingerência, uma uma infiltração política muito grande no futebol, continua tendo, mas naquela época era autoritária, né, a a o governo dentro do do futebol brasileiro. Então, eh nós que passamos por essa época difícil do da do nosso país aqui, conseguimos superar. E por isso que eu me sinto aliviado de de receber esse pedido desculpa do governo e ter feito essa participação. Como falei, essa participação me prejudicou fora do campo e e até porque nessa participação eu tinha esse gesto, na verdade é um gesto socialista, né?
¶14Mas pelo tanto de repressão, tanto incômodo que eu sofria na época, que a gente começava a falar até num gesto mais eh racial, né, dos pantera negro, que também não deixava de ser um o um o socialista por do do dos panteras era um partido americano aí de esquerda, né? E a gente sofria muito dessa influência também nessa cultura americana, principalmente dos black power. Então, a gente tinha todos esses, vamos dizer assim, não o código não, mas a gente, esse gesto representava mais ou menos essa insatisfação ou essa afirmação de de resistência, de um gesto forte, né? Então, a minha vida fora do campo foi essa, como eh eu enfrentei um regime e enfrentei basicamente sozinho, porque aí que a gente sofre essa carga emocional pesada, porque quando eu dei essa entrevista, eh, eu falei eh eu não era filiado ao partido, não tinha sindicato, não tinha imprensa, não tinha ninguém do meu E eu tava enfrentando um regime militar violento, um regime militar cruel. E com isso eu sofri todos essas retaliações, essas eh essas agressões que eu sofri aí fora do campo.
¶15Mas como eu disse, já estamos já superamos, até porque o nosso objetivo foi atingido, que é viver dentro de um país democrático e mais igualitário. Rei, vamos lembrar um momento dessa perseguição, que foi quando vocês embarcaram paraa Copa de 78, teve uma recepção no Palácio Piratini, na sede do governo gaúcho, em que o próprio ditador Ernesto Geisel veio falar com você, não é isso? conta essa história pra gente. >> Então, eh isso mesmo. Nós jogamos lá no no Rio Grande do Sul, que era o jogo pra gente embarcar para pra Copa do Mundo na Argentina e foi a despedida do do do general Enesto Gison, que era da Junta Militar, [limpando a garganta] que governava o país.
¶16E e aí eu como tinha já um um um conhecimento, conhecia o ministro Nei Braga, o nesse nesse dia lá do do no palácio de do Rio Grande [limpando a garganta] do Sul, o Nei Braga falou: "Não, o presidente quer te conhecer, te dar falar com você e tal". E me levou lá para falar com o presidente, com o general. E ele foi uma conversa muito curta que ele só falou para mim: "Ó, menino, você joga muito bem em futebol, tal, mas você não deve se mexer, se meter com política. Política, deixa que a gente faz política." É, não assustado, não falei nada, só me retirei. Então, foi esse o recado e e depois eh foi um recado direto do do general, né?
¶17E depois no avião ainda embarcando o coronel André Richê, que era chefe da delegação também. Eu tava num avião, ele sentou do meu lado e foi falando comigo que se fizesse gol, eu não comemorasse com esse gesto do punho cerrado. Eh, isso tudo assustava porque era fora do desse contexto. Era, aliás, era um clima muito pesado e ainda mais quando chegamos em mar em Mar del Plata, nós ficamos acho que num convento, não sei, um lugar mais sentirado. Chegamos lá, entramos no hotel nesse convento lá, eu recebi também um envelope que eu abri na hora, o envelope grande e era que era da operação quando da aquela que da da morte do Juselino do JK, né, que agora vai se revelando aí de novo, traz de novo essa essa essa investigação e do Letelier que era o acho que embaixador chileno.
¶18Então era da da CIA com da CIA não, do SNI, que que era o órgão de repressão do país, o SNI e da Dina, que era da do Chile. Então recebi esse documento, fiquei mais assustado ainda. E então foi nessa pressão, fora ainda a pressão do jogo do futebol que a gente viveu lá na Copa do Mundo, né? Eh, emel prata tivemos essas dificuldades do gramado todo molhado, frio. >> Essa primeira fase depois no jogo >> contra a Suécia, você fez o gol de empate e levantou o punho cerrado.
¶19>> É, é verdade. Eu, eu, eu tinha, não podia deixar de fazer esse gesto, não podia me acovardar ali. eu abro os braços, mas depois eu faço o gesto do punho cerrado. E isso ainda eh incomodou, implicou mais ainda, né? Tanto que depois eu voltei no segundo jogo e depois eh o o Heleno Nunes, que era o Almirante, Heleno Nunes, que era o presidente da CBF, foi pra Argentina, né?
¶20foi para lá e modificou a a seleção, me tirando tirando o Zico também e o Ceretso. Teve essa modificação aí na seleção. >> E a seleção foi até bem, terceiro >> saem do segundo jogo pro terceiro saem você, sai o Zico, >> eh, sai o Cerezo. >> É, o Cerezo joga o terceiro jogo contra a Áustria. O o Zico entra >> no segundo tempo no lugar do Jorge Mendonça.
¶21E aí o Cláudio Coutinho começa a escolher um time >> diferente do time que tinha encantado o Brasil no ano de 77. Tem, pra galera que não se lembra, tem um jogo em 77 no Morumbi contra a Polônia, que o Brasil joga de azul e o Cláudio Coutinho nesse jogo escala os três mineiros. Cerezo, Paulo Isidoro, Reinaldo e vocês destróem com o jogo. Você faz um gol extraordinário dando chapéu no zagueiro, lembra? Deu o chapéu no zagueiro e completou de canhota >> no Morumbi.
¶22Na Copa do Mundo, no jogo contra a Suécia, o Coutinho te escala em uma posição bizarra. na ponta esquerda, você fica travado lá na ponta esquerda >> e mesmo assim você faz o gol. O jogo contra a Espanha foi em um pasto que saía placas de gramado, né? Era impossível jogar. Foi um jogo ruim, todo mundo jogou mal, mas você foi tirado do time.
¶23>> Então aqui no meio de campo, uma das coisas que a gente critica eh na questão da Copa de 78, é verdade que houve muita pressão da ditadura, muita intimidação da ditadura. O Videla, ditador argentino, foi ao vestiário do Peru antes do jogo, etc. Tudo isso é verdade, mas também é verdade que o Brasil jogou contra a Argentina sem interferência da arbitragem e empatou. Não ganhou. E não ganhou porque no banco estavam Reinaldo, Cerezo, Nelinho, Zico e em Porto Alegre tava o Falcão que o o Coutinho não tinha levado.
¶24Eh, e dentro de campo estavam jogadores muito inferiores, né? Com todo respeito, Toninho Baiano, Chicão, Dirceuzinho, Jorge Mendonça, não são Reinaldo Zico, Cerezo, né? Eh, você lembra desse jogo com a Argentina? O que ele te falou? Se ele considerou a possibilidade de te escalar, por Cerezo não entrou, por que ele não escalou o Zico?
¶25Eu sei que você gosta do Cláudio Coutinho e eu sei que ele tinha méritos, mas ele era um militar, né? E tinha essa ideia de entrar para jogar contra a Argentina fechado, dando pancada, marcando duro e não não escalando o time de craques que a gente tinha, né? Fala um pouquinho para nós, Rei, sobre essa segunda etapa. O jogo contra a Argentina. Você tem lembrança de estar no banco, de ver o jogo, porque foi um jogo muito ruim, né?
¶26E e você poderia ter feito a diferença. >> Esse jogo contra a Argentina foi em Rosário, né? Foi em Rosário. Foi Rosá. [limpando a garganta] e eh num campo muito eh um campo de alambrado ainda.
¶27Tanto que a torcida jogava enchia a mão de moeda de peso e jogava na na gente no banco. Um clima muito intimidador, um clima de muita pressão ali, de alambrado mesmo. A gente na no banco reserva, então a gente tava quase no meio da torcida. >> [roncando] >> E quando eu saí do time no segundo jogo, foi quando o Heleno Nunes foi na concentração e e definiu que a gente não ia jogar. O Coutinho era um gente.
¶28Mas o Coutinho, apesar de militar, era um ele sempre teve um trato assim, mas ele não me deu satisfação nenhuma, somente foi retirado, me tirou do time e nós f porque também era um jogo eh que com certeza um jogo mais violento também, tanto que ele fez essa opção de jogadores mais de mais choque, como era o Chicão, né? Eh, e aí ficamos nessa o 0 a 0 ficou até um um resultado interessante pro pro Brasil que logo depois nós fizemos, jogamos contra Polônia, fizemos uma diferença de gol para depois não adiantar nada, porque a Argentina com o Peru teve um tratado lá, teve um acordo lá que eles acabaram fazendo o resultado para Argentina conquistar a sua primeira Copa do Mundo. e conquistou mais uma vez, eh, e a gente pode dizer com a grande [limpando a garganta] influência, com a grande participação do governo militar da Argentina para para ganhar essa Copa do Mundo. Então, eu fui retirado nessa situação pelo almirante Helena Nunes, que era o presidente, né? E e ali tem aquele aí a gente pode ver que o o Clautin, o Coutinho é capitão, então sei lá, deve ser uma hierarquia, mas o Coutinho não me deu a satisfação de jog, ele só falou, >> não, a única coisa que ele me falou o seguinte, que eu ia voltar no pro time, mas eu só voltei no no no terceiro jogo, no na disputa do terceiro lugar, que eu entrei ao final do jogo.
¶29Agora vamos falar da outra copa, rei, porque eu tenho muito orgulho de ser uma das pessoas que mais trabalhou para desmentir a fake news de que o Reinaldo não foi pra Copa de 82 porque ele estava machucado. Essa história falsa de que você tava machucado na Copa de 82 circulou muito, muito pela internet, pelo jornalismo. Tem jornalista que acredita nisso até hoje. E trabalhando aí com com o teu filho, com o Van, escrevendo, participando de debates e fóruns. Sempre que eu posso eu lembro todo mundo.
¶30Vamos recapitular. A segunda fase do Campeonato Brasileiro de 82 gerou um grupo que era chamado do grupo da morte, grupo grupo do povo, que era Galo, Flamengo, Corinthians e Inter. os quatro times mais populares dos quatro principais estados do futebol brasileiro. E nesse campeonato você jogou todos os jogos. Você marcou gol contra o Flamengo no Mineirão, vitória de 3 a 1 do Galo.
¶31Eh, você jogou contra o Inter no Mineirão, você jogou contra o Corinthians no Mineirão, um jogo que a gente perdeu de virada com um par de frangos do João Leite. Eh, e quando a seleção embarca paraa Espanha, o último amistoso que ela joga é contra a Irlanda, no Parque do Sabiá. E você estava voando. Você estava voando. Eh, tanto é assim que três semanas depois da Copa, o Galo excursiona pela Europa, joga o torneio de Paris e você faz contra o Paris Saint-Germain um dos gols mais extraordinários da sua carreira, cortando para dentro, depois cortando para fora e batendo no contrapé do goleiro.
¶32E os franceses encantados perguntando, por que esse gênio não estava na Copa, né? Então eu queria lembrar o pessoal que no ano de 81 teve muita difamação. Essas difamações que você às quais você se referia no começo. Ah, que o Reinaldo é boêmio, que o Reinaldo é homossexual, porque você era muito amigo do Tut Maravilha, que é assumidamente gay. E o que o Reinaldo foi uma maconha e aquelas coisas todas baseadas em mentiras ou boatos e rumores.
¶33E o Telê era, apesar de ser um grande técnico, ele era uma figura muito moralista, né? muito. Ele chegou a dar entrevistas em 81 dizendo: "Ah, eu acho que o Reinaldo tem que se preocupar em jogar futebol e parar de achar que ele pode ajudar os índios, o Lula e o Frei Beto." É a declaração do Telê de 81. Eh, conta pra gente um pouco como você viveu isso, 81, 82, como é que você recebeu a notícia de não tá incluído? Porque foi muito absurdo.
¶34Você estava voando e teria feito a maior diferença naquela seleção que era a sua cara. Todo mundo queria você. O Zico queria, o Sócrates queria. Eu cheguei a tomar algumas cervejas com Sócrates nos últimos anos da vida dele. Eh, e ele sempre dizia: "O que faltou ali foi o Reinaldo." Conta pra gente um pouquinho como você viveu 81, 82.
¶35>> [suspirando] >> Eh, [roncando] naquela época a imprensa do Rio, de São Paulo, aliás, o eixo do futebol e ainda continua muito forte, é Rio e São Paulo. Pra gente chegar na seleção, a gente tinha de superar tudo e convencer a todos. Eu eu já vinha sofrendo desde desde esse desgaste dessas difamações da de quando eu dei a entrevista e que inclusive na Copa eh levaram um aparelho para mim e criaram essa coisa de que eu era muito frágil fisicamente que eu teria problema e na Copa mesmo o Coutinho recorrendo a uns aparelhos lá, eu não consegui eh recuperar minha condição física, por isso que também ficou um desgaste. E pra Copa de 82 levantaram de novo esse fantasma. Será que tem condição?
¶36Vai ter, sabe? Tem problema. E e o que é pior, né, é que depois da Copa de 78, eh, eu fiz uma cirurgia muito difícil, né? Eu fiquei mais de um ano parado, né? ano de 79, por exemplo, eu não julguei.
¶37Eu fiquei mais de um ano parado e quando eu voltei, voltei julgado condição, mas não tinha, eu tinha uma limitação. Meu joelho, eu não tinha uma flexão, a minha flexão era limitada, né? Tinha uma flexão de, quer dizer, joguei praticamente de perna dura ainda durante depois de 79. Juei com a perna dura. E isso assim o o médico sabia e também sempre observando essa essa parte física minha que é a parte mais delicada.
¶38Então, eh, eu acho que foi esse receio. Claro que também teve foi teve a essa, esse, vamos dizer, esse desgaste, não, essa esse desgaste com Telê mesmo, porque o Telê querendo eh não ele não só queria dirigir dentro de campo, mas fora de campo também. ele ele não não admitia nenhuma nada fora dentro daqueles padrões, daqueles conceitos que ele tinha. Então ele e ele tava fora de Minas, ele ouvia mais uns boatos aqui e ele pensa, talvez aí que ele não ele não teve esse receio e essa implicância de não me convocar paraa Copa do Mundo. Eu tinha minhas dificuldades, mas também já tinha voltado a jogar, como você falou, eu já tinha eh disputado outro campeonato de 80, 81, né?
¶39E depois mesmo na próxima da Copa nós eh eu tava em atividade, né, e e inclusive participando de de de torneios de grande da grandes jogos, mas ele ele já não confiava mais em mim e como tinha, ele [limpando a garganta] já trabalhava também com um grande jogador que era o Careca, que tava no time dele, ele e tinha umas com certeza e Carec naquela época tava numa fase muito boa, ele ele chamou Careca merecidamente. Agora, ocorre também que nessa Copa de 82 até 82 a seleção, a convocação era feita. você tinha de enviar para ser para para ser paraa FIFA, né, a relação de 40 nomes, né? E eu tava fora desses 40. Quem tava dentro era o Roberto, que acabou sobrando pro Roberto quando o o Careca machucou.
¶40O Jorge Valência tava entre os 40 e eu não tava. Quer dizer, são são posições diferentes, mas era uma uma relação que não podia ser modificada, tá? Hoje, hoje você acha que pode convocar até em cima da hora, mas naquela época teve e essa essa relação era bem antecipada. Então, talvez isso também. Bom, mas de qualquer maneira deve ter.
¶41Eu acho que não tinha essa boa vontade. A comissão, o Telê, a comissão técnica e a grande imprensa também não tinha essa vontade de que eu eh fosse para essa Copa do Mundo com aquele velho discurso, será que ele vai ter essas condições físicas para julgar aquela coisa? Então foi isso, >> lembrando que você foi aquela excursão da Europa de 81, que o Brasil joga contra a Inglaterra, Alemanha e a França. E você joga contra a Inglaterra e a França e faz o gol contra a França. >> Sim.
¶42E e depois, pois é, a gente fez essa eh antigamente era assim, você fazia essa discussão, depois da discussão vinha essa relação, essa convocação. Foi aí e eh depois dessa discussão eu não fui mais chamado pelo Telê para paraa seleção. >> Eh, vamos falar um pouquinho eliminatórias. >> Oi. >> Não, tudo bem.
¶43Vamos seguir em frente. Eu só ia comentar que o Reinaldo também tem fal um pouquinho daquela geração do Reinaldo com a turma que vai subindo com o Barbatana, porque é uma história de mudança total da hegemonia em Minas Gerais. até 76, de 11 títulos da era do Mineirão, o Cruzeiro tinha ganhado nove, o Galo tinha ganhado um e o América tinha ganhado um. Quando o Reinaldo termina a carreira dele pelo Galo em 83, em 85, eh, ele tinha conquistado nada menos que oito campeonatos mineiros. E nesse período o Cruzeiro conquistou apenas um.
¶44Eh, então o Galo praticamente empata com o Cruzeiro em número de títulos na era do Mineirão. Em número de títulos geral, o Galo sempre liderou, mas em número de títulos no Mineirão, é com o Reinaldo que a coisa se equilibra. E o Galo tem um longo período de hegemonia, campeão invicto em 76, depois exacampeão de de 78 a 83 e depois campeão de novo em 85. Eh, vamos lembrar do time de 76, que é o time que ainda tem Danival, tem Cafuringa na ponta direita, tem os grandes parceiros seus, Claro, Cerezo, Paulo Isidoro e Marcelo. Tem o Ângelo já subindo >> Marinho, >> Marinho na ponta direita alternava em 76, Marinho e Cafuringa, né?
¶45né? O Cafuringa chegou a jogar também de toda essa turma. O Cerezo, eu acho que foi o mais importante pra tua carreira, os lançamentos, os passes. Lembra pra gente um pouquinho essa geração do Galo de 76, que é campeã mineira invicta, com duas vitórias muito contundentes sobre o Cruzeiro, campeão da Libertadores. Eh, essa geração eh foi muito bem aproveitada e uma geração de muita qualidade, porque nós iniciamos eh vamos começar em 71, no juvenil, né?
¶46A gente foi criado no começamos no juvenil do do Atlético. Naquela época não existia júnior, não. Até dos 8 anos, né? Juvenil. Se você depois 18 anos não profissionalizasse, você ia para o exército, né?
¶47Então, e praticamente essa geração nossa, eu, Patelo, Cerezo, Paulo Isidono, e eu era uma sou o mais novo dessa, dessa, dessa turma toda, né? E fui o inclusive fui o primeiro a subir pro profissional. Então, era uma geração de muita qualidade e até e muito bem [limpando a garganta] adestrada, porque o Babatana ele automatizava o nosso jogo, [limpando a garganta] era uma repetição, era uma consciência de jogo, um sistema de jogo que a gente apoiava nele para que a gente pudesse criar ali o uma situação imprevisível. Então, era um time bastante, apesar de muito jovem, era um time bastante consciente, eh, é um time muito bem treinado, né? eh e sistemático, repetitivo, sistemático e e além disso a gente explorava ainda da qualidade técnica de de de nós jog dos grand de todos os jogadores ali.
¶48Então nós subimos, eu subi em 73, eu subi porque em 72 eu fui, eu saí, eu vim pro juvenil, mas tinha 14 anos, voltei para o infantil do Zé das Camisas. Aí fui artilheiro do do do Aí eu dei sorte que aí que eu fiquei famoso, eu fui artilheiro do campeonato e a TV Itacolom na época ela fazia transmissão com Cafunga, Roberto Dumon, eh eh a grande imprensa fazia um a transmissão desses jogos domingo de manhã para toda Minas Gerais. E todo domingo de manhã eu ganhava bicicleta, fazia gol e cantava. Roberto Mon delirava comigo e cafunga. Então eu fiquei famoso, muito novo.
¶49Isso l isso no período que eu cheguei em 7 de setembro, isso até dezembro. Aí dezembro eu reclamei. Aí que começa, eh, vamos pegar isso aí. Eh, eu reclamei de uma dor no tornozelo, médico do Atlético que nem ia lá, me examinou e me operou o tornozelo. Eu com dois meses de galo, com a dorzinha nele.
¶50Mas que que é que tem? Não, uma calcificação no osso do astral. E o garoto fui submetido com 14 anos já fui submetido a uma cirurgia em GCI. Fiquei, pus aquele jeção todo na perna, tal. Aí saiu, ia ter em janeiro, fevereiro ia ter um campeonato infantil em Brasília de seleções.
¶51Aí me tiraram o gesso, vai pro campeonato. Mas quando você é jovem, você até aguenta essas coisas todas. Fui pro campeonato, fui pra seleção, fizeram a seleção brasileira de do do infantil lá que eu eu fui escalado. [roncando] Voltei da daí e disputei o campeonato do infanto juvenil. Aí mais uma vez artilheiro joguei.
¶52No mesmo ano eu já fui para pro juvenil. No final do ano eu já fui pro juvenil. Isso já estamos falando em 72. Nós fos taça cidade de São Paulo, aí saímos na primeira fase lá da taça cidade de São Paulo e entrei de férias em janeiro. Tava em janeiro de 73 em Ponte Nova, na minha terra de férias.
¶53Aí recebo, aí começou na época tinha o torneio do povo, que era justamente o torneio dessas grandes grandes eh clubes de massa, né? Flamengo, Bahia, eh, Corinthians, Atlético, Internacional. O time do Atlântico que foi campeão 70, o time principal do Atlético, é disputar esse torneio do povo. E o campeonato mineiro aqui, a Taça BH, era [limpando a garganta] composta dos dos profissionais que não eram aproveitado em cima junto com o juvenil. E foi aí que eles falaram, me convocaram, ah, vem para Belo Horizonte, vai disputar taça Minas Gerais.
¶54E aí que eu entrei no time do Atlético, como fazia para eliminar, entrei e já apresentei o futebol que agradou, já mitigou a torcida e eu fiquei famoso por isso que eu fui eh eu despertei essa interesse assim, todo mundo percebeu meu futebol muito novo, com 16 anos. E aí surgiu aquele negócio que o Palmeiras queria me levar. o Cruzeiro também falar que queria me levar. Aí foi quando aquela época era de contrato de gaveta, né? Eu tinha um contrato de gaveta.
¶55Esse registrado meu meu contrato, por isso que eu fui ser profissional com 16 anos de idade. Isso em 73. Aí eu fui disputar, discutei essa, esse campeonato mineiro ou de aí, né? Mas ainda depois eh disputamos o Campeonato Mineiro e isso 73 e depois o brasileiro. No brasileiro eu já tava no no Atlético.
¶56Aí no brasileiro em 73 eu já tive também a minha foi o primeiro campeonato. Eu também tive a primeira contusão no joelho, que foi o menco, que aí veio trazendo complicações depois. várias cirurgias no joelho e me prejudicou bastante. E quer dizer, eu nunca julguei, na verdade eu nunca julguei zerado, 0 km. Eu sempre julguei sempre, >> é, sempre joguei machucado e o pior, machucado com dor e sem perspectiva nenhuma de melhora, porque não existia fisioterapia, não tinha, tinha saquinho de areia.
¶57Saquinho de você tem que juntar, fazer um saquinho de areia. Aí eh, o os aparelhos era aquele forno de ainda, né? forno de e toalha quente. Essa era [limpando a garganta] a medicina desse período que julgava futebol. Então, com isso, então eu tive, eu operei, engessava a perna toda, minha perna sempre atrofeada, joelho todo inchado.
¶58E mesmo assim eu eu julguei com todas essas dificuldades, mas eu acredito que de 71 até 77, com mesmo com essa dificuldade, eu joguei muito futebol, muito futebol. em 80, 81, 82 também. >> É, mas ali eu já tinha mais limitações ainda que era a minha perna não dobrava, né? Não tinha flexão da perna, né? Então eu ali eu já tava jogando mais com a cabeça do que com o físico, né?
¶59E >> foram duas operações completamente desnecessárias, né? É três, né? Porque não é duas, porque essa do menisco realmente houve o, né, o o menisco, né? Aí a segunda depois eu operei o menco. Um mês depois tinha de operar o outro menco porque eu reclamava da dor do pós operação.
¶60Ele abriu para aproveitar a anestesia, ele abriu o outro menco também. tirou o outro menco de graça. Não, não foi uma, era o conhecimento que os doutores tinham na época. Então, [limpando a garganta] a gente também não pode não podeir muito não, porque eles tinham essas limitações aí na na na profissão e >> os também não >> não perdoavam, né? E aí fora não não tinha a >> a regra também não protegia nenhum jogador, era porrada, soco, valia tudo, né?
¶61Mas enfim. Então eu mas por outro lado eu fui muito bem eh beneficiado porque eu julguei essa geração que a gente tinha um entrosamento incrível, era só olhar. Eu sabia, o Marcelo pegava a bola, o o o Cerezo pegava a bola. Eu tinha de aparecer pro jogo. Eu sabia que a bola ia chegar em mim, sabe?
¶62Eu tinha de aparecer, apresentar pro jogo e e tinha eh, então já tinha toda essa coordenação aí com o negócio, ficava fácil. Eu comecei a criar uma julgada de porque eh eu sabia que eles iam tocar em mim, só que quando eu ia receber eu via que o Beck vinha, ele não ia na bola, ele vinha para me dar a pancada. Foi quando eu falava: "Dá o passe forte que eu vou". Aí eu abria a perna, quer dizer, eu sabia que o Beck ia no homem, eu saía e deixava a bola e fazia esse esses tipo, esse dibre que levava a galera ali na deliri. Então >> você inventou alguns dribles de um toque só, >> de corpo sem toque.
¶63>> Tem um gol que a gente vai mostrar aqui >> que é contra [limpando a garganta] o América do Rio Grande do Norte em 77. que você recebe a bola e tripla a defesa inteira do América com um giro de cor. Eh, >> então para quem não >> não conheceu o Reinal era isso. >> Eh, eu tinha >> é o esse gol do América que você fala aí, por exemplo, se fosse no treino, o Babatana pitava pi, devolve a bola para Cerezo. Então, por isso que eu digo, o futebol ele ele é previsível aquilo que você tem, que você apoia e imprevisível a sua capacidade de de um espaço maior do jogo, né?
¶64Então, naquele lance eu ameaça dá pro Cereza e cabo de Brando toda a defesa ali do do time adversário e fazendo o gol de placa. Quem é o gol de placa do do Mineirão? Então foi uma fase que a gente vai mostrar. É, então foi uma fase maravilhosa dessa geração. Como você falou, nós fomos campeões depois de de 75 mesmo, que aí porque em 73 eu tinha subido profissional, mas ainda o o Cerezo, o Marcelo ainda tava no juvenil, a turma veio mesmo pro profissional 70, final de 74, 75, que aí sim em 75 nós já começamos o a a sumir.
¶65Em 76 o nosso time era praticamente formado da base. Era essa essa aí. Aí em 76 nós aí nós demos show lá, principalmente nesses dois jogos da finais contra o Cruzeiro, com todo o respeito a a ao time que era campeão lá da Libertadores, nós temos um chocolate neles que foi para realmente mudar mudar. E aí continuamos 77, 78, fomos sempre ganhamos. É, ganhava porque também é o seguinte, eh, o campeonato mineiro era longo demais, era mais de seis meses de campeonato mineiro, se meses >> e os campeonato brasileiro, >> é, e o, e o campeonato brasileiro era por classificação, eliminação, tal.
¶66Então, >> eh, e tinha esse intervalo aí do de agosto, né, que era o período da das excursões da Europa, onde que a gente ia lá mostrar como que a gente julgava, porque naquela época não tinha tinha toda essa dificuldade comunicação e visualização do dos jogos do adversário. Então, eh, foi um período bonito, mas que não teve essa grande expressão foi que a gente tava em Minas, a imprensa, por exemplo, a gente julgava aqui esse jogo contra o Cruzeiro mesmo aí da final dos de 76, 77 que a gente fez coisa, você pegava o a grande imprensa, então vamos dizer assim, que é a imprensa do eixo Rio e São Paulo, pegava o Jornal do Esporte, o Globo, Jornal do Brasil, o Estadão, Folha de São Paulo, tal, saía uma pílulazinha assim falando a escalação, a renda, o juiz, os gols, quer dizer, a ficha técnica do jogo, só tinha, >> quer dizer, [limpando a garganta] uma e aí você pegava a primeira página tinha uma foto enorme lá de, sei lá, Flamengo e Madureira, São Paulo e Tabaté. Então, eh, a gente não tinha a expressão que o time de Rio e São Paulo tinha. Tanto que hoje aponta aí muito bem essas grandes torcidas do dessas equipes de Rio São Paulo no Norte e Nordeste. É mais por causa dessa influência da imprensa, da grande imprensa que que na época era física, né, jornal, hoje dilui um pouco com a com a tecnologia.
¶67internet, todo mundo v aonde quer, mas naquela época, cara lá do norte, nordeste, centro-Oeste e tal, ele ia para ver o os a notícia nacional, ele tinha de estar com esses jornais aí que não tinha, não dava grande espaço para os outros estados. Então nós dessa forma também nós nós ficamos um pouco apagado desse período aí só mesmo aquele. Mas por outro lado a gente tinha uma grande vantagem que que era que é muito importante também porque a gente julgava naquela época para 70.000, 100.000. O jogo do Maracanã tinha 170, quase 200.000 do campo. E esse torcedor de campo, esse que vê uma testemunha ocular ali do jogo, esse é impactado mundo.
¶68a gente captura ele muito mais [limpando a garganta] do que o do que a gente hoje vendo um jogo pela vendo o jogo pela televisão, pelo rádio, o jogo do no estádio a gente a gente impressionava muito mais e sem dúvida que é muito mais emocionante o o jogo lot ao vivo do que pela Sim. pelo pela televisão. Eh, então é isso. >> É, quem viu agora vai contar e e tem essas histórias porque tá gravado essas histórias aí, como você viu lá no Mineirão, E a gente chegava no Mineirão ali, a gente via aquela povo, a torcida ali escorrendo e andando. Ninguém tinha carro, nem camisa de clube usava ainda, né?
¶69Não tinha nem camisa de clube, era mesmo o povo, a massa ali caminhando para esses grandes espetáculos que acontecia. E espetáculo com >> grande [limpando a garganta] rei, >> mais de 50, grande, mais de 50, 60.000 pessoas. E quando tem um público desse, realmente acontece alguns fenômenos. >> É, >> agora ô Reinaldo, >> quem viu viu, quem não viu vai ter que cavucar a as imagens dos gols, >> vai ter de escutar hisistem por aí. >> Rei, a gente quer te agradecer muito pela presença aqui.
¶70É uma honra para nós celebrar o nosso aniversário com você. Para quem nunca viu Reinaldo, >> procure no YouTube, vocês vão ver aqui nessa gravação alguns gols do Rei. Existem alguns jogos completos impressionantes, o jogo do Galo contra o Londrina, os dois jogos contra o Flamengo da final de 1980, a vitória do Galo por 1 a 0 no Mineirão, a vitória do Flamengo por 3 a 2 com dois gols do Reinaldo no Maracanã. Tem, não tem muito, mas tem algum arquivo videográfico aí para conhecer a arte do rei? Muito obrigado.
¶71A gente agradece muito a gentileza da sua presença. >> Oi, Den. Eu que agradeço essa oportunidade de falar com você, meu amigo. E você que é um apaixonado pelo futebol e que me viu julgar, é uma testemunha importante do do meu talento aí. E pode contar essa história aí.
¶72Eu gostaria de, como eu te falei, de resgatar alguns jogos completos dessa época, de 71 até 77, que aí realmente teve jogos impressionantes. dessa dessa que a gente vê aí, essas imagens que a gente vê aí, eu assisto, recebo muita coisas aí minha da alguns gols, alguma jogada, mas eu vejo que ali não tem 10% do que eu judei, viu? [roncando] Não tem, não tem. Se >> tiver muita coisa >> como resgatar um jogo ao vivo de 75, 76. Seria muito legal, mas mesmo assim eu me sinto feliz.
¶73Eu comigo, eu sei que eu tem dia que eu tô mais gostando mais de mim, eu fico vendo que eu eu fiz coisas geniais, coisas maravilhosas. Então eu fico muito feliz também de de de poder recordar, de encontrar com as pessoas que eu dei alegria hoje. Mais de 40 anos que eu parei ainda, eu tenho oportunidade de dar alegria aqui. Nós estamos aqui no galo, encontrando com esses torcedores, gente da alegria e desejar a vocês aí do programa, parabéns. um ano aí você que é um grande conhecedor de futebol e pesquisador e com a memória fantástica de futebol, eu desejo todo o sucesso para você aí no seu programa e pode contar com a gente.
¶74>> Obrigado, >> estamos junto. Rei, >> abraço do rei. É nós. >> José Reinaldo de Lima no meio de campo. Um ano.
¶75Valeu. A gente volta na semana que vem. >> Três coisas que separam. Quem só assiste é a seleção de quem realmente acompanha ela. Ó, a primeira, acessa as análises que costumam ficar restritas às salas de decisão.
¶76Ou seja, quem lê [música] pesquisa, poder, sociedade, por dentro. Você encontra esse material no meio político toda quarta-feira e também em matérias e entrevistas na edição de sábado, além dos dados da pesquisa [música] meio ideia mensal, que agora interativa e te permite, se você é assinante, fazer o recorte que mais te interessa dentro do nosso site. A segunda é ter opinião [música] de verdade, não é prestada. É a diferença entre repetir o que ouviu e entender porque aquilo aconteceu. O tipo de leitura que te deixa seguro numa roda de conversa traz repertório e não te deixa cair no argumento pronto.
¶77E agora a terceira, a mais difícil. Atravessar essa eleição [música] sem virar refém de bolha, militância, cinismo. Discordar faz parte, mas sem transformar isso em guerra. É isso que o Meio Premium sustenta todo mês com catálogo de produções originais no nosso streaming. Com a eleição chegando, [música] não é só que você vai ficar mais por dentro, é que em nenhum outro lugar você vai entender melhor o movimento [música] político dos próximos meses.
¶78Só R$ 15 por mês. Assina o meio premium.