¶1เฮ [música] [música] >> [música] [música] >> Ah. [música] [música] >> [música] [música] >> Olá, boa tarde. Seja muito bem-vinda. Seja muito bem-vindo ao Central Meio. Hoje é sexta-feira, 31 de julho de 31 de julho.
¶2Hoje é 31 de julho. >> Acabou. >> Acabou. Eu eu brinquei ontem que o mês tinha passado rápido, mas eu deixei de considerar todos os pais e mães que estão com crianças em férias em casa. Gente, desculpa.
¶3[risadas] >> Talvez não tenha passado tão rápido. >> Essas pessoas sem filho não entendem do que é. Eu sou Pedro Dó e comigo estão Luía Silvestrein e Alexandre Borges. Como vão voz mex >> o guardião da sexta-feira? Bem-vindo.
¶4>> Exato. Não, mas eu falei, eu me sinto aquele, eu me sinto aquele ruptura, né, que você abre a porta do elevador sexta-feira, fecha sexta. Eu terminei a segunda temporada essa semana. Que série, nossa, é muito boa. Recomendo muitíssimo.
¶5Enfim, >> e aí, Pedro Dória, tudo bem? >> Acho que sim. [risadas] Acho que sim. >> Tá, tá vivo, né? Tá.
¶6[risadas] >> Há controvérsias. Vamos nessa então, hein, gente. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar as suspeitas envolvendo Fábio Luiz Lula da Silva, o filho do presidente Lula. A investigação apura possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência relacionados à autorização para comercialização de produtos de cannabis medicinal em iniciativas vinculadas ao Ministério da Saúde. >> Pois é, segundo a Polícia Federal há indícios de que Lulinha teria atuado no setor ao lado da empresária Roberta Luxinger e do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes.
¶7Sim, é que ele mesmo, o careca do INSS. A suspeita de que Lulinha e Roberta tenham atuado em favor da empresa World Cannabis, ligada a Antônio Carlos e Camilo Antunes. Antônio Carlos Camilo Antunes, utilizando influência junto ao Ministério da Saúde e do ao Palácio do Planalto. >> Lula foi questionado sobre o caso numa entrevista ontem ao podcast Inteligência Limitada e afirmou que Lulinha não terá tratamento diferenciado caso seja responsabilizado por qualquer irregularidade. O presidente acrescentou que o filho conhece as consequências de uma investigação e não tem o direito de errar.
¶8Já a defesa de Lulinha criticou a instauração do inquérito. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que a medida transmite a impressão de uma pesca probatória. Segundo ele, as investigações sobre as fraudes no INSS não encontraram qualquer elemento que vinculasse Lulim ao caso. >> Hoje a gente fala sobre essa nova investigação, o entrevero entre STF e Polícia Federal por causa desses personagens e o impacto de tudo isso na campanha do presidente Lula reeleição. Claro, a gente também acaba aproveitando Alexandre aqui para falar também mais da mudança de equipe de comunicação na campanha de Flávio Bolsonaro e da indecisão sobre o vice.
¶9Tem ainda o Aldo Rebelo, que é o novo coordenador de campanha do Ronaldo Caiado. >> Pois é, depois de tudo isso, ainda tem o Guilherme Vernec salvando o seu fim de semana com a melhor agenda cultural pro eixo Rio São Paulo. Então, puxa aí a sua cadeira, se acomoda e deixa seu like, se inscreve aqui no canal e manda sua mensagem pra gente, porque o Central Meio tá no ar. [música] >> Bom, presidente Lula até agora tava jogando parado na campanha de reeleição, mas tem aí uma crise a partir de agora, né? >> É, Luciana se vira aqui e fala: "Lulinho é um grande empresário".
¶10Eh, me escapou, Luciana, se você tava sendo irônica ou tava falando séria? >> Acho que ela tava sendo irônica. >> Ela tava sendo irônica, né? Talvez. Pois é, eu quero crer que sim.
¶11O que que você [risadas] acha, Alexandre? >> Parece que sim. >> Do Ronaldinho, né? >> É, pois é. [risadas] Deixe padrão.
¶12Eh, gente, vamos lá. Eh, eh, tráfico de influência é a coisa mais velha do mundo, entendeu? Eh, o que que Guido Mantega foi fazer como economista no conselho do Master, ganhando 1 milhão deais? Foi dar eh um dos nossos piores ministros da fazenda da história da Nova República. Esse bob é o pior, tá?
¶13Eh, Mercadante foi também a fazenda, né? Enfim, tem uma >> antigo fiscal do sarnei. >> É, tem uma, é verdade, eu lembro ele. Camisetinha coladinha, botam de >> A gente tem idade para lembrar do plano cruzado. [risadas] >> Mas e mas então o o Meggo, o que que ele foi fazer no conselho do Master ganhando R milhão deais por mês?
¶14Ele foi ser aquele sujeito que tem no WhatsApp o número do telefone do presidente da República, manda mensagem e o presidente responde. Não é isso que o Guido Manta foi fazer. Veja, é figuro, é é é linguagem figurada, tá? O presidente Lula não usa smartphone, portanto ele não responde WhatsApp. Eh, o ponto é quem que conseguiu pro pro Daniel Vorcar, o banqueiro Daniel Vorcar, uma audiência com o presidente Lula.
¶15Foi Mantega, Mantega e Jax Wagner. E isto é tráfego de influência, você facilitar esses encontros com gente que tem poder, que gente que tem acesso ao cheque. Quando você filho do presidente da República, as pessoas se aproximam de você por causa disso. Eh, isso é, isso vale meio que para qualquer filho de presidente da República, tá? Eh, por quê?
¶16Porque é papai, né? Eh, eh, papai responde. Isso é normal, não tô eh aí facilita acessos. O fato de que Fábio Luiz da Silva, eh, o Lulinha, Lulinha é um apelido que o pessoal do PT fica chateado quando a gente usa. Ele é o filho mais velho do presidente da República.
¶17Ele, este não é um apelido dele, foi um apelido dado pela imprensa. Tudo bem, justo. Eh, observamos. >> [suspirando] >> Agora, [roncando] existe essa relação entre o empresário Fábio Luiz da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva, com a empresária também e eh Roberta Lustinger e o careca do INSS. E aí tem esse fluxo de dinheiro indo de um pro outro, pro terceiro.
¶18Esse fluxo é tráfego de influência, é doação, são negócios legítimos. O careca do INSS é um dos principais trambiqueiros do Brasil. Veja, não é comparável a Daniel Vorcaro. O escândalo INSS não tem eh o tamanho do escândalo do Banco Master. O escândalo de NSS sequer tem o tamanho do petrolão, são escândalos menores.
¶19Mas por outro lado, ele tem uma coisa que é particularmente perniciosa, que é é é um ataque direto ao bolso de algumas das pessoas que passam mais necessidades no país, né? Porque vocês entendem como é que funcionou o escândalo do INSS, né? Eh, você pode fazer empréstimos consignados, pendurados na aposentadoria e na pensão de aposentados e pensionistas. Você pode vender associações, clube, academia ginástica, eh seguros diversos, né? Seguro de saúde de acesso a isso, aquilo.
¶20E aí aquilo o INSS recebe aquela informação e o desconto sai automaticamente. Às vezes é um desconto de R$ 10. de R$ 20, a pessoa nem percebe. Ou então ainda é mais velhinho, né? E eh e velhinho que não não foi professor universitário, velhinho que foi operário, que eh eh foi uma pessoa que trabalhava como faxineira na casa das pessoas, às vezes não entende bem aquele extrato ou não lê aquele estrato.
¶21É um bando de número e e no pé aquele número que fica com você. Então, alguém te liga um dia no telefone, você quer? Hã, pronto, aprovado, sim. E aí começa a sair R$ 20 do seu contra-cheque todo mês. R$ 100 seu contra-cheque todo mês.
¶22E você, Olerite, que chama em São Paulo, né? Eh, eh, e, e, e, e aquele dinheiro vai, quando você acumula aquele dinheiro, para quem tá recebendo são centenas de milhões deais. muita gente enriqueceu com esse esquema e esse sujeito que era o careca do INSS era um sujeito com quem o filho do presidente da República tinha um relacionamento, convivia e e e sabemos que pelo menos algumas boas viagens de turismo ao exterior foram pagas eh pelo careca do INSS pra família do filho do presidente da República. Nós temos um problema aí, Lolinha, pode ser simplesmente um ingênuo que aceitou presentes de um mencena rico. Pode, ainda assim temos um problema, temos uma coisa a investigar.
¶23Eu só quero fazer um último comentário. Eh, tem um aspecto que boa parte dos comentaristas de esquerda redes sociais se acostumaram a falar e que é parcialmente verdade. E, e, e, e o que eles falam é o seguinte. Ah, mas no governo do PT essas coisas são investigadas. No governo Bolsonaro não eram.
¶24Isso é parcialmente verdade. Eh, em que sentido? a presidente Dilma Russef, que tem imensos defeitos, é uma gestora incrivelmente incompetente, é uma política incrivelmente incompetente, mas era uma pessoa que de fato tinha uma integridade republicana aí dentro dela. Ela e e o Ministério da Justiça no durante o seu governo realmente não fizeram qualquer tipo de pressão em cima do Ministério Público, em cima da Polícia Federal. E a Polícia Federal e o Ministério Público investigaram abertamente a a Lava-Jato.
¶25Eh, não é verdade que o governo Lula não está protegendo o seu filho, o o Lulinha. não é verdade? Simplesmente existe uma imensa resistência dentro da Polícia Federal eh para fazer essa investigação. E tem mais, esse desmanche da investigação do inquérito. A Raquel Landinho conta isso no estado de São Paulo hoje.
¶26esse desmanche do inquérito, separando a parte da empresa relacionada a Cannabis, eh, para [risadas] ser apresentado a um outro ministro por sorteio no Supremo Tribunal Federal, foi uma iniciativa, tudo indica justamente de tirar do ministro André André Mendonça essa investigação. [roncando] O problema é que o sorteio deu pro ministro André Mendonça. Aí é o problema da direita ficar reclamando quando os sorteios caem na mão do Alexandre de Morais. Dessa vez o sorteio caiu de novo com o ministro André Mendonça. Ele concentra todas as todos os inquéritos e ele vai mandar investigar.
¶27Se tem problema ali, a gente vai descobrir com inquérito. Mas isso é um problema pro presidente Lula, por evidente nesta nesta eleição. Alexandre Borgas. Bom, o vai falar o careca do meio, né? [risadas] Não, [roncando] o do INSS.
¶28A Flávia perguntou pro Magno K se ele tinha se sentido ofendido quando Milei chamou o Alexandre de Morais de lixo careca. Você se sentiu? >> Não, precisamos falar sobre carecofobia algum dia, [risadas] entendeu? Eu terei lugar de fala. Mas enfim, eh, esse esse escândalo foi muito foi muito bem explicado, eh, eh, pelo Pedro, como sempre.
¶29Eh, é, é importante a gente ver que essas coisas elas têm esse tipo de consequência e a a o processo ter caído na mão do André Mendonça de novo, dá um um um certo eh eh aramático, porque agora ele eh eh que se ninguém tivesse mexido nada continuaria com ele, >> mas podiam reclamar, >> podiam reclamar depois, né? Quer dizer, você podia, a defesa podia questionar, enfim, quando tem um sorteio e cai de novo nele, ah, ah, você tira esse argumento da defesa completamente, né? E houve uma tentativa de bypass claramente, né? Então, o André Mendon também tá longe de ser alguém que vai olhar isso com boa vontade, gostar, ele não gostou de de da tentativa de bypass, então deu tudo errado, né? a estratégia ela ela deu muito errado.
¶30É um e isso acontece eh eh eu acho que também outra ironia e o Brasil é cheio dessas ironias, no dia em que o Lula, de improviso, num comício diz que passou a mão no telefone, ligou pro Padilha e arrumou eh eh uma consulta, uma transferência para um companheiro que tava com problema cardíaco, enfim, ele tava num contexto que ele tava falando mal dos planos de saúde e tal, enfim. E aí nessa coisa de falar de improviso, ele lembrou a todo mundo que ele pode passar a mão no telefone e fazer uma intervenção no ministério, por exemplo, do Ministério da Saúde, que é exatamente do que nós estamos falando, que é esse negócio do contrato, carabidiol e tal, não sei quê. Então, e é é uma ligação que eu não sei se as pessoas estão fazendo. E claro, é é só simbólico, né? Ele apenas lembrou que o lobby se paga.
¶31Por quê? Porque você realmente pode ter longe dos olofotes e ninguém saberia disso se não fosse o próprio Lula contar abertamente num comício que ele passa a mão no telefone, liga pro ministro, pro seu ministro da saúde e ele manda alguma coisa ser feita. Nesse caso, então claro, é uma pessoa que tá doente, precisando de atendimento e tal, mas ele lembrou a todo mundo que ele passa a mão no telefone e resolve e manda as coisas acontecerem no Ministério da Saúde por um por uma questão pessoal, né? Quer dizer, não tem por o o sujeito, por ser amigo dele, furar a fila de uma cirurgia, ser atendido na frente, enfim. Então, eh eh é um episódio pequeno, mas simbólico.
¶32Em relação a tirar esse esse dinheiro do do INSS, do aposentado, é bom a gente lembrar também o problema que é esse negócio do crédito consignado. O crédito consignado, ele vira a lei no Brasil em 2003, no primeiro ano do primeiro governo do Lula. E ele é uma porta aberta, um convite para corrupção. Pode acontecer, pode não acontecer. No mensalão aconteceu.
¶33Você tem uma série de suspeitas que t acontecido de novo agora no no escândalo do master na Bahia, Creda, enfim. Por quê? Porque o Brasil é um país dos juros mais altos do mundo. Aí fica variando de ano a ano. Às vezes é o primeiro, às vezes é o segundo, às vezes Mas o Brasil tem algum as taxas de juros entre as mais altas do mundo.
¶34Então, quando vem um banco e oferece uma linha de crédito para o funcionário público e e a 2 3% ao mês, enfim, para uma para um para um num país onde se você vai bater na porta do banco e pedir dinheiro é seis para cima, é sete, é oito, né? Enfim, é uma diferença muito grande, né, no no valor. Ao mesmo tempo, é um empréstimo que para quem está eh eh para o credor, para quem está dando o crédito, é risco zero, porque aquilo é descontado na folha de pagamento. Eh eh o dinheiro não bate na conta do do de quem tá tomando o empréstimo. O dinheiro sai do do herário, sai do dinheiro do estado brasileiro e vai direto pro banco todo mês.
¶35Então, é eh qualquer taxa de juros, qualquer taxa que você coloque em cima desse empréstimo, que seja 1%, que seja 05%, é lucro limpo, é um lucro sem risco nenhum. Imagina 2,5, 3% ao mês, por exemplo. Então, você pode e de uma maneira e eh olhando por fora, ah, você quer dinheiro aqui é 2,5, três, é uma coisa vistosa, as pessoas topam, né? É um, é um, é um crédito que já vem pronto o sujeito do telemarketing. Esses bancos são muito agressivos no telemarketing ativo, eles vão ligando e faz parte do contrato também.
¶36Quando um banco recebe o direito de fazer o consignado, ele recebe a lista, o mailing, ele recebe o telefone, e-mail de todo mundo e ele liga para um, bota na na no telemarketing, bota para ligar para um por um, para oferecer já cartão, já oferecer uma linha de crédito pronta. E isso leva a situações tão piradas que é só para fechar para as pessoas terem noção, que é o seguinte, eh isso isso aconteceu no mensalão. No mensalão quando quando começou o consignado lá em 2003, o primeiro banco a receber direito de de dar consignado foi um banco chamado BMG. O BMG era um banco pequeno e tinha que emprestar bilhões. Só que como era um empréstimo a vou botar em números redondos, tá?
¶37eh 50% eh ao ano. Se você tem um país onde a taxa de juros é 15 na porque o que que é a taxa de juros? da taxa CELIC é a taxa do mercado chamado mercado interbancário. É o é o é o valor que o Banco Central empresta dinheiro para outros bancos e que faz essa base, essa linha de base para a taxa de juros no país. Então, se você tem um banco e você empresta e eh risco zero para uma base enorme de clientes a 50% ao ano, você não precisa nem ter o dinheiro para emprestar.
¶38Você vai no Banco Central, pega a 15, empresta a 50 e fica com a diferença que é uma que são bilhões num negócio absolutamente sem risco. Então, eh é é muito escandaloso e e ainda mais insidioso quando a gente vê que você vai pegando aos poucos de pessoas que muitas vezes não têm noção eh eh do que tão fazendo. No caso específico do Cred e dos esquemas da Bahia, a coisa era pior. A gente pode, se for o caso, depois voltar a esse assunto, mas porque você tinha um empréstimo que e o sujeito a ele ele ele dava ele optava por receber o empréstimo, mas o que era descontado no no na mensalidade Olerite, né, que você me lembrou, no contracheque, olerite, enfim, do sujeito, era só o pagamento mínimo do cartão. Então ele recebia um cartão, esse esse cartão do crédito sexta, ele pegava uma linha de crédito, mas o que era descontado dele por mês era só o mínimo e o resto girava em taxa normal de cartão.
¶39E o sujeito entrava numa bola de neve de dívida com master que não acabava nunca. E e a pessoa só ia descobrir 2, 3, 5 anos depois, quando tinha ali um uma um caminhão de dinheiro que já tinha sido descontado da conta dele e ele ainda devia mais do que ele tinha pego lá no no começo. Então tem que investigar. Concordo com o Pedro quando ele diz: "Claro que esses escândalos aparecem eh eh muito e em governos petistas, porque tem é é muito difícil você controlar a Polícia Federal no Brasil. Ainda bem, né?
¶40Não é uma uma instituição acima de crítica. Nenhuma instituição é acima de crítica, mas das instituições brasileiras é é uma das que tem mostrado mais independência e tem mostrado eh eh efetividade. Agora, a >> Polícia Federal, >> a Polícia Federal agora lá dentro tem de tudo. Já teve até Eduardo Bolsonaro dentro da Polícia Federal. Então lá dentro tem >> não tem mais, >> não tem mais.
¶41Agora ele saiu esses dias, né, que ele foi demitido. Isso. >> Mas é uma é uma instituição que tem funcionado. O André Mendonça teve aquela decisão que eu achei muito curiosa dele inclusive permitir com que os investigadores não relatem a chefia o que eles estão fazendo para poder garantir ainda mais independência. Agora, para fechar, é um é um escândalo que tem chance de virar a eleição.
¶42Não me parece. Eh, a impressão que eu tenho a respeito de corrupção é o seguinte, eh, é uma coisa curiosa, né? Porque em 2018 o o que boa parte dos eleitores de direita eh falavam era que não é por conta da corrupção, o PT é corrupto, vamos botar o PT para fora, tudo mais. Eh, >> o Denismo, né? >> É, né?
¶43Tinha um tinha um tinha um lacerdismo ali, eu não sei se o denismo, mas um lacerdismo. Eh eh >> que certamente era a vertente maior da Você acha que você acha que a UDN era toda assim rabicamente anticorrupção? Esse discurso mais sarnei, né? Tinha aquela turma tinha quando você falava da banda de música era esse grande centrão que tinha de tudo, né? Mas o discurso mais e do mar de lama e tal era pedra da serda.
¶44Pois é. né? Esse lacerdismo, o o eu e você, a gente lembra do Brizola chamando o PT de UDN de macacão, né? DN de macacão. >> É, é.
¶45Pois é. E então >> que eles falavam o, como é que era a frase do Zé Dirceu? Não rouba nem deixa roubar. Mas o PT eh o PT durante os anos 90, a sua principal marca, a marca que tornou o PT, eh, porque evidentemente partido de esquerda, tudo mais, eh, eh, reforma agrária, todas as pautas de esquerda, a marca que me parece colou no PT e abriu pro PT um eleitorado não de esquerda necessariamente nos anos 90 foi a marca anticorrupção, porque o discurso do partido era era rigorosamente anticorrupção. Isso ficou mais marcado depois do impeachment do Color, porque o impeachment do Color ali, >> eh, embora o partido beneficiado acidentalmente tenha sido o PSDB, que é quem chegou à presidência da República depois, [roncando] o impeachment ficou muito colado no PT.
¶46>> Uhum. eh formação do PT, as pessoas lembravam aquilo como movimento puxado pelo PT do ponto de vista eh político. Em 18, a gente vê a inversão, né? O PT não é o partido anticorrupção, o PT é o partido corrupto. E [roncando] a maneira de você lutar contra isso é é botar Jair Bolsonaro no presidente da República, né?
¶47[risadas] Mas tudo bem, ironia parte. É, é. É, e para quem não tem idade, talvez não lembre como é que era esse negócio nos anos 90, tinha uma engrenagem que funcionava muito bem, que era o seguinte: você tinha uns procuradores ligados ao PT no MP, que ficava o dia inteiro processando o governo FHC, todo dia abria uma investigação. E a partir daquele dia eles, as todo mundo que era alvo, o Eduardo Jorge era um cara que foi muito, passou muito por isso, >> eh eh ele passava a ser tratado publicamente nas matérias e tal como investigado pelo MP. E eu brincava com isso que eu falava, o Brasil eh eh eh tinha inaugurado, além da pessoa ser ou inocente ou culpada, agora tinha um terceiro que era ou você era inocente, ou você é culpado, ou você é investigado pelo MP, >> que é um semiculpado, >> é que é uma coisa que cola em você igual uma lama, né?
¶48No no Império Romano tinha isso, né? O sujeito andava com a roupa branca e as pessoas jogavam lama no na túnica branca para manchar a honra de uma maneira muito visível, né? Então você pode investigado pelo MP é uma maneira de você dizer: "Olha, é verdade, né? Você não vai dizer que você tá mentindo, mas é uma maneira de gerar uma suspeção em relação a uma pessoa que está literalmente sendo investigada. Você não sabe ainda se ela é culpada, se ela não é direito de defesa e tal, mas o Brasil, infelizmente, tem muito isso, né?
¶49O que eu acho uma aberração inclusive, mas é como é, né? O >> o o Eduardo Jorge, aliás, é um dos sujeitos que esse era um cara íntegro para caramba, né? É, é tipo, investigou-se, investigou-se, investigou-se, encontrou-se zero, nada na vida. E e no entanto, teve a vida, a vida essencialmente destruída todo dia, >> não? E ele ele teve a vida bem destruída, bem ferrada.
¶50>> Foi. >> Eh, mas tudo bem. Eh, a impressão que eu tenho quando quando eu leio as pesquisas e e quando eu vejo a [roncando] é que os dois lados estão pulando fora. A impressão que eu tenho é que mesmo na direita, na direita bolsonarista, pelo menos, eh, cara, não tem mais um discurso anticorrupção, o PT é corrupto, esse tipo de coisa. Tipo, tem ainda, evidentemente não, mas tem que tirar o PT, isso aquilo.
¶51Mas a impressão que eu tenho é que não é que as pessoas não achem, achem que o Flávio é inocente, só tava pegando dinheiro pro Dark Horse, é um filme do pai e o Vorcaro. As pessoas não acham que o Vorcaro tava fazendo investimento em cinema. As pessoas estão entendendo tudo isso, entenderam que puseram essa grana, sabem que o Flávio é corrupto [suspirando] e e Dane-se. >> É, tem de tudo, né? As tias da família lá na minha no grupo de zap, o Bolsonaro é um santo, nunca fez nada errado na vida.
¶52O >> o filho também? >> Oi? >> O filho também? >> Sim. É a família mais perseguida do Brasil.
¶53>> Ah, você tem É, não [risadas] pode ser. Mas a a mas eu eu a impressão que eu tenho do do que eu tenho, a gente tinha que ter posto uma pergunta específica disso nessa pesquisa, não pusemos eh eh é uma coisa difícil de referir com pesquisa quantitativa, né? eh o quanto que você acha que corrupção de fato é um problema. Eh, porque tem momentos em que as pessoas acham que isso é um problema muito grande, tem um momento em que a coisa tá mais arrefecida, assim [roncando] como >> Mas eu acho que talvez a resposta seja sempre que é um problema muito grande, né, Pedro? É, você faz isso, você faz isso comparando.
¶54Tem maneira de, certamente deve ter alguma maneira de você, eu não parei para me debruçar e fazer acho que a racionalização que tá acontecendo, e a gente pode desenvolver isso, mas é a história do do herói imperfeito. Agora, acho que a gente tá indo pro herói trágico, pro herói imperfeito, que acha que nós vivemos num tempo onde cada lado acha que é o céu e o inferno, o bem e o mal. Então, o seu herói, o quem está te representando nessa batalha, se for uma pessoa falha, tudo bem, até santos são falhos e tal. E aí eu acho que tem um um certo eh eh porque a ideia eh eh sem querer elaborar uma coisa muito teórica, mas enfim, você ter aquele momento onde a política entra numa numa lógica meio gerencial que tá tipo política na Suíça, não tá tudo bem, tá tudo ótimo, a gente tá discutindo só coisas pequenas, gerenciais, então qualquer caneta desviada vira um escândalo de primeira página. E aí você tem outras situações onde o eleitor acha que tá num conflito existencial de contra forças do mal e tal, enfim, é uma é uma coisa com um tamanho tão grande que ele tá disposto ao aberto a aceitar aspas, muitas aspas, imperfeições do seu líder, do seu herói, porque ele tá te representando numa batalha muito maior.
¶55E, aliás, é a imperfeição dele também, o caráter caído dele, é que de certa forma e propiciou que ele tivesse coragem para encarar uma batalha tão tão dura. >> É, tem um tem um caminho para falar sobre isso que o o Cristiano Gomes Drw faz uma provocação a mim que eu queria responder porque eu acho que a a ajuda a a trabalhar essa ideia. Ele se vira e fala o seguinte: "Para o Pedro, FHC é santo". Eh, evidentemente não acho que o Fernando Henrique Cardoso seja santo, até porque entre outras coisas eu sou ateu ele também. Tipo, não tem santo nesse mundo, né?
¶56[risadas] E e por e >> eu sou católico, santo tem que ser e é um decreto da Santa Sé. [risadas] >> Mesmo de papa comunista. >> Oi. >> Mesmo de papa comunista. >> Sim.
¶57E são heróis imperfeitos. É só mulher. [risadas] Perfeito, perfeito. Boa, boa, boa, boa. Eh, eu eu acho que o eu acho que Fernando Henrique Cardoso eh é o seguinte, eu eu não acho que [roncando] eh prova de que ele tem eh eh ele não é nem de longe um político perfeito, é que a gente tem a gente tem problemas sérios na nossa Constituição.
¶58E ele é o cara que pensou, ele e Afonso Arinos são os caras que pensaram a Constituição de 1988. Então quando quando você pega um um um liberal criticando a Constituição, essa é essencialmente uma crítica Fernando Henrique Cardoso, tá? Eh, porque é uma Constituição que tem problemas. Eu tava inclusive conversando com a Yasm mais cedo, é uma constituição que partiu do princípio de que eh de que o bônus demográfico ia durar 20, 30 anos e em 10 anos da Constituição a gente já tava começando a ter mais jovem do que velho. Eh, as famílias pararam de ter filho.
¶59Eu tenho eu tenho três filhos. Isso é uma raridade. O o normal de casais é ter um filho ou nenhum. E, e, e isso não só na classe média alta, na classe média baixa também. Quando você não repõe esse negócio e você olha pro tipo de modelo de previdência pública que a gente [risadas] isso é uma bomba relógio apavorante, entendeu?
¶60Porque a previdência parte do princípio de que os jovens em conjunto vão pagar a cada mês a aposentadoria dos velhos. Se tem mais velho, os velhos duram mais e tem pouco jovem, quem é que paga essa conta? Tipo, isso é um problema pro estado, tá? é um problema matemático, não é um problema moral, como muita gente na esquerda acha. Eh, é uma Constituição que apostou que ia ser trivial resolver o problema da qualidade da gestão pública no Brasil, que a gente ia conseguir resolver esse problema muito rápido.
¶61E [limpando a garganta] 40 anos de Nova República, a gente ainda não conseguiu dar qualidade à gestão pública brasileira. E e é uma Constituição que apostou que não ia ser difícil gerar crescimento econômico no Brasil. E é profundamente difícil gerar crescimento econômico no Brasil. Eh, a Nova República é um período de crescimento medíocre. Eh, tem um períodozinho ali que de 10 anos, 12 anos, em que a China encheu de dinheiro o Brasil na primeira metade e Europa e Estados Unidos, por conta de juro baixo encheram de dinheiro o Brasil na segunda metade.
¶62Então, a gente teve uma fortuna ali, mas não foi mérito nosso, sabe? Tudo bem, o estado tava razoelmente arrumado, a gente conseguiu fazer reservas, não acho que tenha sido um desastre, mas é é uma constituição que tem problemas e tem problemas em grande parte pelo seguinte, tendo sido promulgada em 1988, eh ela foi uma constituição feita por um país da Europa Ocidental Socialdemocrata do pós- Segunda Guerra. O muro de Berlinha caiu no ano seguinte. A União Soviética se desmantelou 3 anos depois, a gente se globalizou, apareceu a internet, o mundo se tornou em 10 anos radicalmente diferente daquele pro qual a Constituição tinha sido desenhada. Agora, e aí tá o grande mérito do Fernando Henrique, eh, que é um mérito que o Lula não tem, eh, na boa, que é o, o o o Fernando Henrique é aquele cara que ele entende que o tempo mudou e ele não briga com a realidade, ele muda com o tempo, ele se adequa a ao tempo.
¶63Opa, temos que repensar a maneira como a gente pensa a política pública. Tudo bem, vamos repensar juntos. E se juntou, ele teve a a a felicidade de se juntar a a um grupo de chefes e de políticos eh de grande porte no mundo que tava pensando com tipo que tipo de mundo a gente pode construir no pós- Guerra Fria. E olha, eu acho que tem problemas na naquilo que eles desenvolveram, tá? Eh, eu acho que a gente desregularizou excessivamente o mercado financeiro, por exemplo.
¶64Eh, [roncando] não quer dizer que não devesse desregularizar, devia porque era excessivamente desregularizado, mas talvez tenha ido um pouco demais e parte da crise econômica de 2008. eh tem a ver com esse excesso de regularização. Eh, mas o o o Fernando Henrique tinha essa grande qualidade de ser um homem do seu tempo. Ele não era um cara particularmente apegado ao passado, é um [roncando] cara com imensa curiosidade intelectual. Eh, e e eu acho é uma pena que tanta gente inteligente na esquerda não consiga ver isso.
¶65Cara, é um luxo ter tido um presidente com a qualidade intelectual dele. É um luxo. Eh, ele é um dos grandes intérpretes do Brasil no século XX, né? e e enfim, eh eh eu eu genuinamente acho que se você pega uma lista ali de cinco nomes como os melhores presidentes da história da República, o Fernando Henrique tá entre esses cinco nomes. Fácil, [roncando] fácil.
¶66Eh, >> o plano Real foi uma revolução. >> Não, o Plano Real foi espetacular. Foi, não, ele resolveu um problema que o Brasil passou 40 anos tentando resolver. Eh, eh, mas enfim. Agora a gente tem que ser capaz de poder olhar para esses presidentes, entendeu?
¶67É claro, o o Fernando Henrique é o presidente do meu time e é mesmo. É, >> não é do meu, eu tô elogiando. >> E eu, cara, a gente tem que ser capaz de poder olhar pro presidente do nosso time e ver, olha, tem problemas aqui. Eh, eh, entendeu? eh o apego à socialdemocracia europeia em 1988, Cris construiu uma Constituição que é um problema, é um problema de como a gente resolve.
¶68Não tô defendendo mudar a constituição no sentido de ir para outra constituição nova, não, tá? Eu acho que constituição a gente reforma, a gente não muda. Eh, eh, e ela é bastante irreformável. Eh, o o ponto é, a gente tá entrando nessa eleição, Flávio versus Lula. Eh, a gente tá, cara, viu um santo pro Pedro?
¶69Não, não é santo, cara. É, é, é um cara extremamente bem preparado que a gente teve a sorte de ter como presidente da República e que é também responsável por parte dos problemas que a gente tem. Eh, mas se a gente tivesse mais homens públicos desse quilate, o Brasil tá bem melhor, he? Acho que a minha direita e o Brasil tá bem melhor. O ponto fundamental é >> tem coisas, rapidinho, tem coisas que não, então tem coisas são mensuráveis.
¶70Você pega o que quer o Brasil e quando o Fernando Henrique entra, quando ele sai. Quer dizer, tem uma série de coisas que você pode medir, né? Você falou um cara do teu time, eu vou falar um cara que não é exatamente do meu time, mas é um pouco mais, que é o Temer, por exemplo. Ele um ano e meio, qual foi o Brasil que ele pegou? Qual foi o país o Brasil que ele entregou?
¶71>> Ele entregou um país melhor. Claro. Claro. Eh, o o o Diego Carobino tá lembrando a reeleição que a PEC foi comprada pelo mesmo FHC. Eu não sei, a gente não pode dizer que foi comprada pelo mesmo FHC, mas foi comprada.
¶72Eh, eh, foi comprada sim, teve voto comprado sim na PEC da eh na PEC da reeleição e não tendo sido comprado pelo Fernando Henrique, benefício é o Fernando Henrique, entendeu? É claro que é um problema. É claro que é corrupção. É claro que é um problema gritante. Agora vem cá, vocês que são petistas, vocês conseguem falar a mesma coisa a respeito do tamanho do problema de 42 bilhões de dólares na Petrobras?
¶73Como é que o PT não foi mais punido? Eu eu veja, eu não tô falando punido no sentido de sair prendendo gente. Não, não, não. Punido eleitoralmente. Como é que a esquerda não olha para um escândalo como o o petrolão e não diz precisamos de um novo líder porque essa linha que foi cruzada é de um absurdo, entende?
¶74Agora, claro, eu votei no Lula da última eleição, vocês sabem disso. Tinha um cara tentando dar um golpe militar do outro lado. Então, nessas circunstâncias, eu votei no Lula. Eh, mas eu acho que a gente tem coisas para conversar. Eh, eh, a gente não devia est em 2026 decidindo a quarta eleição de um presidente da República.
¶75Faz mal para democracias. Faz mal pra democracia. Gente que fica se perpetuando no poder. Faz mal pra esquerda. Faz mal pra esquerda não ter renovação de liderança, entendeu?
¶76É um cara que foi criado na década de 1960, gente. O Lula já era líder sindical quando eu nasci. [roncando] Eu tenho 51 anos de idade, [risadas] Entende? É, a gente precisa de uma renovação de líderes no mundo por toda parte. E a gente, e eu acho muito frustrante que a gente esteja na terceira eleição em que de um lado tem Lula e do ou alguém indicado pelo Lula e do outro lado tem Bolsonaro ou alguém indicado pelo Bolsonaro, no caso comemos sobrenome dele.
¶77Eh, será que a gente não consegue perceber que a gente tá num ciclo vicioso? Sabe, eu fico numa aflição com esse negócio. Eh, eh, não é um discurso ante esquerda, sequer é um discurso anti Lula. É uma coisa, vamos virar página, vamos paraa frente. Será que não não é óbvio que a gente deêu uma travada ali e, e, e não consegue sair do buraco?
¶78É, eu não sei que nome que o petismo tá investindo, mas só para dar um exemplo, exemplo Fernando Hadad, que muito petista que eu conheço, adoro o Hadad, por exemplo, o Hadad vai ser atropelado pelo Tarcío na eleição agora em São Paulo. Então assim, não deveriam já est preparando o Hadad há mais tempo como uma liderança, como enfim, não é Lula, Lula, Lula. Então, quando chegar em 2030, será que o que que vai ser o Hadad vai resolver isso? Ou vai ser o João Campos? Eu eu tava falando isso no programa passado, que o João Campos era um um um liderança que que podia ser o novo nome da esquerda em 2030.
¶79Agora periga ele nem ganhar, né, em Pernambuco, né, Raquel Lira tá abrindo, né, >> que é também uma jovem talentosa liderança, né? Eu acho que os pernambucanos estão muito bem. >> Sim, mas ela é tucana, né? Ela não é >> Não, não, não. Sim, justo.
¶80É, não, tucana. Eu entendo perfeitamente quando você olha e fala: "Não, mas é de esquerda". Fo à sua esquerda está dúvida. Eh, >> mas você acha que regal é o quê? >> Não, liberal.
¶81Liberal tucana não é super, não tô discordando da da classificação não. Ela ela e o Eduardo Leite são, acho que os únicos governadores que eu teria a facilidade de classificar como liberais no Brasil. Não sei se tem mais alguém. >> Uhum. >> Eh, >> mas toca uma música parecida mesmo.
¶82>> Não. Sim. Pois é. É, é o o ponto que eu tô fazendo, é, >> você fala com o Eduardo Pais, [suspirando] >> cara, ideologicamente eu acho muito difícil. >> É, né, porque ele é muito síndico de prédio, né?
¶83Ele é muito síndico de prédio, ele é um sobrevivente político. Eu acho que lá no fundinho tô falando mal, não tá? Síndico de prédio, não tô falando. Eu acho, eu acho que o pais é o melhor governante da cidade do Rio de Janeiro desde Carlos Carlos Lacerda. Tá >> problemas, né?
¶84>> É. É. Mas olha, prefeito é isso mesmo, tá? É, é. A gente a gente quer ideologia no presidente da República e a gente não quer ouvir de ideologia para prefeito.
¶85>> É, é prefeitura é aquela administração que é buraco na rua, médico no posto de saúde, professor na escola municipal, um país que deu tudo errado e dá todo errado o tempo inteiro. Uma das poucas coisas que eu elogio na política brasileira é a eleição municipal ser desconectada dessa desse ano, de você ter eh eh na a cada 4 anos, mas no fora desse calendário, dessa grande eleição que nós temos esse ano, eh para as pessoas focarem na eleição municipal. Você tem uma eleição específica para prefeito e vereador. Isso de poucas coisas que se pode elogiar no Brasil, eu acho que isso é uma boa. >> Agora eu desconfio que o Eduardo lá dentro no coração dele é liberal, tá?
¶86Eh, eu não tenho essa certeza, essa convicção não, mas eu é é é que eu acho que ele é um cara que apanhou tanto politicamente, né, e e teve em tantos lugares e e demorou tanto a chegar a a a uma maturidade política e ele calha de chegar como prefeito do Rio eh em pleno governo Lula 2. Eu acho que ele aprendeu e e o estado Rio é complicado, né, cara? É é isso aqui é um lugarzinho complicado para o Eduardo para mim tem esse esse perfil desse do que eu imagino que é o centrista gerente dessa ideia da da da política gerencial. E eu acho que ele sequer gosta de falar de assuntos fora eh eh da gestão. Ele na cabeça dele e eu, de novo, isso não tô falando mal, não.
¶87Acho que tem um um ponto a se defender nessa visão. Eh eh onde e eu vejo agora a a campanha que ele tá fazendo para governador do Rio de Janeiro, ele continua batendo a mesma tecla. Não, qual é como é que é a gestão da segurança pública? Como é que entendeu? Ele ele ele ele ele ele não entra em bola dividida eh muito de política num sentido mais ideológico e tal.
¶88É um é um é uma coisa rara no Brasil, né? >> E a Débora Bizarria aqui nos comentários civil fala: "Ó, vale dizer que a minha vice-governadora, Priscila Kraus é liberal desde criancinha". Débora, como vocês sabem, nossa colunista de economia é ela própria [limpando a garganta] pernambucana, então ela tá se referindo à vice da Raquel Nira. Eh, eh, acho que a Débora concordaria comigo e colocaria Raquel também na eh na caixinha dos liberais. Eh, mas enfim, >> se ela fosse uma direita direita, ela não tava com esse desempenho em Pernambuco, né?
¶89Pelo menos na média que a gente vê das últimas eleições, desde que a memória >> e são e são também duas famílias, a família Lira e a família Rais. João Campos é a Rais, né? Uhum. >> Eh, eh, são famílias também muito tradicionais da família da política pernambucana. Embora eu e embora eu gostaria de às vezes as pessoas confundem família tradicional de político com coronela, que mesmo no caso dos Ferreira Gomes não é verdade, tá?
¶90É, justamente são as famílias eh eh que puseram os coronéis para fora. Eh, >> você diz mesmo o o o Ferreira Gomes que manda Sobral desde o bisavô dele, desde o século XIX? Cara, eles nunca eles não têm um comportamento coronelístico no sentido de >> Não, não, só para esclarecer, só para eh o que eu tô chamando de coronel é aquela coisa mesmo de eu mando >> família do Arn. >> É isso, é isso, é isso. É menos pelo lado color e mais pelo lado Melo, né?
¶91Issoelo, isso é que cola da mãe. Isso, isso, isso novo e tal. São os gaúchos, >> são os gaúchos que não eram coronéis, mas os Melo em Alagoas, os calheiros em Alagoas são super coronais. Eh, eh, o, o, o, os calheiros mandam, o, o, o primeiro Calheiros chegou em Alagoas em tem o primeiro engenho de um Calheiros nas Alagoas. É uma coisa assim 1670 e tantos, entendeu?
¶92não tinham descoberto ouro no Rio das Velhas e já tinha um calheiros dono de engenho de açúcar eh eh nas Alagoas. Quer dizer, são essas famílias muito tradicionais e que tem uma coisa de não tem um processo democrático de você eleito, você manda porque você manda >> e você meio que tem o controle das urnas. Esse troço foi meio que tem um momento ali nos anos 60. Agora eu eu deixa eu falar uma coisa que fica parecendo que eu tô beneficiando uma turma que pode ser percebida como de esquerda. >> Se a gente for ser rigoroso, Antônio Carlos Magalhães e José Sarnei também tem esse papel de expulsar várias oligarquias em na Bahia e no Maranhão.
¶93>> Uhum. >> É claro que a passaram a principalmente o a família Sarnei passou a atuar ela própria como uma oligarquia. >> Uhum. Mas o Sarnei é é uma renovação. Tem uma coisa que eu não >> é isso.
¶94É isso. Ia citar exatamente isso uma coisa >> que a maior parte das pessoas eu acho que sequer sabem que existe. >> Existe um documentário do Glauber Rocha e >> e eh elogiando a renovação do Sarnei que era da Bossa nova ele. Pois é. É e ele era bossa nova.
¶95não era da banda de música, ele era da bossa nova, que era a turma moderninha da vejam, tá no YouTube, chama Maranhão 66. >> Eh, e então, mas enfim, é, eh, então eu eu acho que o o Ciro e os Ferreira Gomes em geral, eles são renovadores na política do Ceará, no mesmo sentido que eu acho que Antônio Carlos Magalhães, José Sanei, eu falo sem ironia, são renovadores na política dos seus estados. Eh, com a diferença que a gente precisa observar, que é o seguinte, cara, Sobral é uma cidade bacana de viver, hein? >> Eu não conheço. >> Não, não, não.
¶96É, é, é, é uma cidade em que o governo te entrega muito, o estado te entrega muito. A, a a a fama da educação de Sobral não é eh injusta. É tipo, existe uma entrega de boa governança ali, que é claro que é fácil você fazer isso numa microrregião, conforme vai crescendo vai ficando mais difícil. Não tô, mas o o Ciro não se elege com facilidade no Ceará. Eh, à toa, não.
¶97A a ali tem de fato uma uma >> tanto que já houve algum tipo de rivalidade com Geressat, aí volta, se une, né? É isso, é isso, é isso. Eh, voltando pro Luninha, cara, eu também não acho que isso vai ser um tema da eleição. E eu acho que não vai ser um tema da eleição, essencialmente porque tanto do lado do PT quanto do lado bolsonarista existe quase um pacto do tipo, vamos fingir que corrupção não é um tema, entendeu? por parte dos eleitores, >> por parte dos eleitores mesmo.
¶98É aquela coisa assim do tipo, melhor não. >> E e eu eu aposto que se você correr Vila Madalena até Santa Cecília, pegar tudo quanto é botiquim bacana petista e >> que é a Praça São Salvador deles, para quem não sabe, >> que é para quem é do Rio de Janeiro, é a Praça São Salvador. Tipo, é, é, é, seria o equivalente a começar na Praça São Salvador e chegar em Santa Teresa, sabe? É, é [risadas] uma coisa do tipo assim, eh, e você sair em tudo quanto é bar que se reúne aquele bando de gente como bandeira em dia de comício e tal, e perguntava em cá, a Vera, só entre nós aqui, ninguém tá ouvindo, não tem gravador, você põe a sua mão no fogo pelo Lulinha. Duvido que alguém ponha.
¶99Mas muita gente não vai colocar, né? >> Não vai militância. Eu eu eu não tô falando do militante sindicalista radical eh que não não não. Eu tô falando do universitário, da Ninguém bota a mão no fogo, ninguém acha que é o o troço. Todo mundo sabe que houve corrupção no Lava-Jato, todo mundo sabe que tem problema ali.
¶100A gente pode ter aquela discussão assim do tipo o apartamento do Guarujá, o tríplice do Guarujá era do Lula ou no Lula? Aí eu acho que você vai encontrar muito mais gente convicta de que não era, tá? E tudo certo, não tem documentação. Eh, as pessoas certamente acham que o Moro tava ali numa operação que extrapolou os limites da justiça e virou uma perseguição política ao Lula e ao PT. Isso até eu acho >> não.
¶101E vai tratar isso de uma maneira excludente, que mesmo que você ache que o Moro tava investido em prender o o Lula, apesar de que ele foi preso só quando ele foi condenado em segunda instância, mas eh e os abias corpos não foram aceitos na eh na no STJ e tal, enfim. Mas eh eh isso não exclui o fato que poderia ter havido que houve corrupção, né? Não são coisas excludentes. >> Claro, claro, claro, né? E o problema da Lava-Jato, a complexidade da Lava-Jato é justamente essa.
¶102Eh, houve corrupção, houve imensa, mas imensa, mas é um troço tipo quando chega o ponto de que o número oficial reconhecido de desvio da Petrobras pela própria Petrobras de 42 bilhões de reais, >> isso, isso, isso, isso é o oficial, >> entende? Imagina o tamanho do buraco de fato. Imagina de fato que foi >> eh que a gente até tá vendo nesse escândalo do Vorcá, é uma coisa que todo mundo mais ou menos sabe, mas você tem maneiras e maneiras de roubar, tem maneiras e maneiras. Quer dizer, nem sempre é simplesmente vai lá e deposita na conta da Suíça, né? Às vezes você contrata o escritório de advocacia de alguém e paga uma consultoria e tal e às vezes isso nem aparece como corrupção, né?
¶103E consultoria, imagina que é a coisa mais prostituída hoje essa história de ah, consultoria, enfim. >> Mas pra gente saber, a gente precisaria de um juiz à frente do processo que não tentasse beneficiar. Claro, não pode. Sabe que só um parênse rápido, final de 2017, o Estadão fez um evento que era eh ele ele ele fez um evento que era o seguinte, era uma discussão sobre a Lava-Jato, eh, com aos olhos da história da operação mãos limpas lá da Itália, que [roncando] é claramente a inspiradora da Lava-Jato. Então eles fizeram um evento, trouxeram alguns dos caras principais lá da Itália que que participaram da coisa e >> é ou viovendo essa comparação muitas vezes, né?
¶104>> É, não era claramente inspirada. Então o Estadão, isso foi em outubro de 2017, eu me lembro que eu fui, eu tava lá, eu tava no evento, eu fui assistir [roncando] apresentação da Eliane Cantanher, assim, foi um evento super bacana do do Estadão, fechado, tava bem legal. >> [roncando] >> E pelo lado da Lava-Jato, os palestrantes foram Sérgio Moro Deut Lanhol. [risadas] E e aí foi interessante porque o o os italianos eles contaram, claro, toda a história, era uma aula de como é que foi a a mãos limpas, [roncando] só que eles foram pra política. Depois eles saíram do judiciário e foram pra política.
¶105E aí quando abriu para perguntas e perguntaram para eles por que que a mãos limpas acabou dando errado no final, a a Itália acabou ficando mais corrupta. Aí vem Beluscone, aquela coisa toda. Aí perguntava [roncando] o que que aconteceu, qual foi o erro de vocês? E eles falaram muito claro, abertamente em 2017 falaram: "Ah, porque a gente não devia ter saído do judiciário, a gente saiu e foi pra política e nós cometemos esse erro, a gente se arrepende." Então eu conto essa história para dizer: "Cara, o Moro e o Dala tem nem desculpa de dizer que não sabiam, porque eles estavam do meu lado ouvindo a mesma palestra que eu, entendeu? E >> já estavam na política durante o processo, né?
¶106Não é que eles não sabiam que eles estavam inocente. Como era em 2017, ele podia dizer que não tava, entendeu? Mas >> 18 ele já era ministro, né? >> Sim, mas já mas foram avisados, né? Pelos caras, pelos italianos da mãos limpas.
¶107Foram avisados, mas tinha um interesse pessoal ali muito frente, né? E e cara, o o Moro tava tomando decisões eh eh que ele tomou decisões que complicaram a vida do Fernando Hadad e do Lula durante o processo eleitoral, até 15 dias antes de aceitar o convite do Bolsonaro para ser ministro de estado, né? Tipo, é aquela coisa que é inaceitável do ponto de vista ético num número tão grande de andares e e de camadas que a [limpando a garganta] e é muito difícil no Brasil a gente conseguir ter uma conversa, entendeu, que seja francosiciente em que você reconhece o tamanho de problemas na Lava-Jato e ao mesmo tempo o nível de corrupção que houve dentro dos governos Lula. E acho que até um pouco da do posicionamento da da imprensa também nessa época, né? Porque a gente e quando eu digo a gente, eu digo a gente imprensa, né?
¶108A gente ouvia, como você disse, o Dalanol e o Moro em eventos, em palestras, em entrevistas. E assim, se tem uma coisa que esse caso ensinou pra gente, é que juiz quando começa a sorrir até quando abre a porta da geladeira, né? que bate uma luz na cara. É um problema assim, é uma questão. >> Não, você tem razão.
¶109Eu não, eu não discordo disso não. Você tem razão. Eh, e eu tava no, enfim, eh, eu, eu acreditei na Lava-Jato. Eu acreditei no Lava-Jato. eh [roncando] até ali por volta de 2015, meado de 2015, eh eu achei que aquilo era uma oportunidade de é é uma coisa muito engraçada, porque isso é isso é algo sobre o qual a gente vai ter que pensar em algum momento, mas a impressão que dá é que até por volta de 2015 o estado brasileiro tá melhorando de qualidade, entende?
¶110você começa a ter uma polícia federal eh eh independente, o Ministério Público eh eh eu sei, a turma da esquerda tá toda Não, não pode acusar os nossos, gente, pelo amor de Deus, a quantidade de provas, a quantidade de de empreiteiros se virando e confessando, ah, não, de fato, eh, a gente pagou tal, as coisas aparecendo e tem aquele momento em que é difícil precisar em que momento eles se viram e começam Ah, eh, eles decidem que eles precisam ir pra política e e resolver a coisa. A coisa ficou tão glamorizada, eu não sei se você lembra, a coisa ficou tão virou filme. O Sérgio Moro foi o Marcelo Serrado, não foi? >> Lembra que eles eles geram filme, a Flávia Alessandra e tal. Então assim, era eles, eles tinham virado superstar literalmente de de virar filme, né?
¶111>> É. O index Fóssil manda mensagem aqui dizendo: "Luluzinha, depois que criminalizaram a Lava-Jato, ninguém mais foi preso. Ja Wagner, Lulinha e ainda José Dirceu e a Éo voltaram ao cenário político. A corrupção foi totalmente banalizada. Eh, o Daniel Vorcaro tá preso.
¶112Eh, o Bolsonaro tentou dar um golpe de estado e foi preso. Eu não acho que que o fato da gente ter tomado conhecimento do que foi a Lava-Jato também dentro do judiciário tenha destruído o judiciário, não. E a gente tem problemas gravíssimos no judiciário que são tratados frequentemente aqui, inclusive, né? Então não é o o houve ganha um drink no taiayá. Quem >> é [risadas] >> disser que a gente não falou nada sobre problemas do judiciário, né?
¶113Houve houve um descarrilhamento da democracia brasileira de, sei lá, 2016 para cá que e eh eu não saberia precisar exatamente que momento, mas a coisa foi piorando de qualidade a cada passo. É, é, [roncando] >> eu tô curiosa para saber dos bastidores que o Alexandre tem para trazer pra gente de família Bolsonaro, se a gente já puder uma aí 17. Eh, Flávio tá sem vice. Trocou de novo o comando da campanha. Você não vai assumir a campanha do Flávio, não.
¶114Todo, o povo quer saber. [risadas] >> Olha, vou te falar, eu abandonei essa vida de marketing político, mas às vezes dá uma saudadezinha da grana, porque paga bem. Nossa senhora. [risadas] >> Mas enfim, >> esse emprego [roncando] eu não queria não. [risadas] >> Não, eu, eu eu já tiro e não quero mais.
¶115Eu eu eu eu não não é um comentário abstrato. Chegou um ponto que eu parei de aceitar convites porque eu era desse mercado, não por nada, mas eu era desse mercado. Eu chegou um dia que eu falei: "Não vou mais fazer". E comecei a dizer: "Gente, não, não, obrigado, valeu". Até pararem, até verem.
¶116Realmente eu não ia mais fazer. [roncando] >> Mas que que você acha que aconteceu agora? Qual que é seu? >> Olha, a explicação mais simples do que parece. [risadas] a campanha do Flávio Bolsonaro, que tá meio perdida, mas ela tem um coronel que manda nessa campanha com Mão de Ferro, que é o Rogério Marinho.
¶117E ele é um sujeito insuportável, ele é é um sujeito muito difícil de lidar, né? E ele eh eh ele ele tem essa pelo menos o que eu escuto da das pessoas que estão trabalhando a campanha, as fontes que eu tenho que me falam, é que é muito difícil lidar com o Rogério Marinho no dia a dia. E aí você junta na mesma sala, gente com muita grana. com muito ego, né? Um Eduardo Fisher, uns caras desse tamanho.
¶118Não é gente que toma dedo na cara, não é gente que que toma grito e e leva para casa, entendeu? Então, acho que até demorou dois meses, eu acho que até demorou. É uma campanha que tem uma série de problemas muito graves, não consegue o mínimo de acordo, eh, não consegue atrair o centrão. Gente, você imagina o Bolsonaro ter um candidato a presidente nessa situação? Não conseguir atrair o centrão, não consegui indicar.
¶119eh eh ele tá pedindo um vice e ninguém dá, né? Então, eh, e é uma é uma é uma campanha que o centrão, que são esses profissionais da política, eles estão deixando claro que eles não acreditam que o Fláv vai ser eleito. Então, ninguém quer se meter com isso. Então, o o é claro que tem profissionais de marketing que, da mesma maneira que até o pior bandido pode ter um advogado, o qualquer candidato pode ter um marqueteiro e o sujeito vai lá, vai ganhar o dinheiro dele, vai fazer a campanha. Mas eh eu acho que o o quem for assumir mesmo dizem que é o Duda Lima.
¶120Eu fontes minhas me falaram que o Rogério Marinho anunciou o Duda Lima antes dele ter topado. >> Que nem fizeram para Cristina, né? Antes do PP falar que sim. >> Então eu não sei, tá? Isso eu ouvi de fontes, mas isso não precisa ser.
¶121Mas eu o Duda Lima já fez campanha pros Bolsonaros, então não seria nenhum problema ele voltar a fazer, me parece. Mas eh eu acho que quem entra na campanha agora vai entrar já de uma maneira muito pragmática, dizendo: "Olha, vou ganhar meu dinheiro, vou trabalhar", mas eh eh sabendo que é uma campanha que não é é tipo assim, você tá mudando de técnico no eh eh no meio do campeonato com um time que tá quase na Z4, que tá quase sendo rebaixado. Então você fala: "Ah, tá bom, vou arrumar uns empates aqui, ganhar um jogo de 1 a 0, perder de pouco e vamos tocando a bola sem muita amarola". Porque eu não vejo hoje na situação que as coisas estão hoje, é claro que o sujeito pode prometer que vai virar esse jogo de que tá perdendo de 4 a 0 para 5 a qu prometer, pode prometer, mas não vejo ninguém hoje, nesse momento, acreditando. Tem tem duas coisas que eu li no jornal hoje e que >> por isso até última coisa, por isso até o o artigo que eu publiquei hoje no Wall, eu tava falando esse uma semana de de de assunto em cima de um vídeo de 50 segundos do Bolsonaro, entendeu?
¶122Não precisa disso. Isso é uma mão muito pesada na democracia brasileira, entendeu? Era um vídeo que que eh eh eu sou a última pessoa do mundo vai defender Bolsonaro, entendeu? Mas assim, vocês acham que você acha que é, você que tá me ouvindo aí, você acha que é proporcional a a quantidade de bagunça que tá se fazendo por causa de um vídeo de 50 segundos que começa assim: "Esse aqui não sou eu, é a inteligência artificial. Eu tô aqui para dizer que o meu filho é candidato, eu tô apoiando e termina e uma semana de assunto em cima disso, entendeu?
¶123Eu acho que do ponto de vista eh eleitoral até que não, mas tem a cautelar, né? Que aí é se ele autorizou e sufere a cautelar e ele dizendo que não autorizou, aí tem um problema na legislação eleitoral porque o vídeo de A só é permitido se a pessoa autorizar, né? É, tem uma uma discussão sobre eh se você considera campanha o evento da da Ô meu Deus eh da convenção partidária, né, que é um ato formal de escolha do candidato. Então tem uma discussão jurídica. >> Mas aí talvez tenha sido de novo uma falta de estratégia, porque isso vai abrir um precedente para que não se possa usar durante a campanha, né?
¶124>> É o que aconteceu, né? Na verdade, a legislação estabelece que vídeo vídeo você não pode usar vídeo eh eh falso, seja feito por deep fake, >> seja que deep fake é a coisa de você cortar, recortar o rosto da pessoa e encaixar >> eh eh numa outra pessoa, né? Nem deep fake, nem a você pode usar eh eh vídeo de pessoa, nem vídeo nem áudio de pessoa viva, de pessoa morta ou de pessoa fictícia. Não pode nem com permissão. >> Com permissão você pode modificar imagem estática, fotografia.
¶125Ah, sim. É, é isso. Você pode fazer, você pode usar vídeo de a e sem gente falando, mas a regra é muito rigorosa. Então, no fim das contas, a a regra é decidir a o problema lá da coisa é decidir se >> se na pré-campanha já é um problema, >> se aquilo é pré, se aquilo é campanha ou não é campanha, porque na campanha não pode. >> Agora isso eu acho que vai dar um problema imenso pro pro TSE, tá?
¶126Porque na verdade essa regra é uma regra regra de 2019, quando a preocupação em 2019 era deep fake. >> Isso >> entende que é a coisa de você recortar o rosto e eh e encaixar o rosto de uma pessoa num vídeo de outra. É um troço pré IA. Eh, você viu, Luía, eh, o, o, o meme do musical Um forró do Lula 56. Five six, desculpa, 67.
¶127Isso >> é é, né? É, pois é. Eu six, a gente a gente entrega a idade nessas bem que esse negócio de sexos meus filhos que são adolescentes. É, é criançada mesmo. >> Eu até agora não entendi o que é isso.
¶128[risadas] A graça é não ser nada. >> Nem aquela coisa de farmar aura que são só umas pessoas pulando, uns jovens pulando assim. Eu não entendi nada até agora. Fazendo assim, né? E tal.
¶129>> É, eu não entendi nada. Aquele aquele vídeo >> acho engraçado não significar nada >> aquele vídeo e do forró do Lula dançando sexeva né Lula etc. Eh aquilo se vem da campanha eleitoral >> é crime. >> É crime, entendeu? Um vídeo absolutamente inocente.
¶130O o Flávio Bolsonaro brincando de Tom Cruising Top Gun, entendeu? Sobrevoando a Amazônia. Aí vem o Javier Milei ou então ele vai se encontrar com o Neymar. É crime, não pode fazer nenhum daqueles vídeos. Aí você vai dizer: "Ah, não, mas só é crime se vier da campanha".
¶131De fato, só é crime se vier da campanha. O meme do Lula não vem da campanha. O o o o o Flávio de Tom Cruz tá na campanha, tá no perfil dele, só que não é campanha eleitoral ainda. Mas aí onde que pega? Quando que a gente devia realmente se preocupar com esse tipo de vídeo?
¶132quando for alguma coisa que é construída com objetivo de enganar o eleitor para bem ou para mal, entendeu? Forjar situação que criminalize e eh um candidato, sei lá, a gente tá todo mundo falando dessas coisas, vai sair vídeo do Flávio, vai sair, aí aparece um vídeo falso, entendeu? É claro que o troço é criminoso e entende? O problema é que se vier um vídeo falso não vai ser da campanha. Aí, como é que você estabelece a ligação?
¶133que a gente teve aqui essa semana de como responsabilizar se pode ter vindo, porque também para você identificar um militante ou um eleitor que fez isso. >> E aí tem uma outra questão que é o seguinte e e aí eu não acho que seja responsabilidade do ser menino de 18 anos num servidor no Cazaquistão. Você vai dizer: "Ó, eu não tenho nada a ver com isso". Claro. Agora aí tem uma outra coisa que é uma questão que o TCE não tinha como prever isso, não tinha mesmo.
¶134Mas é o seguinte, alguém olha para um vídeo de inteligência artificial e se engana? Não, né, gente? >> Ainda mais o sujeito falando, abrindo o vídeo, dizendo que é Sim, sim, sim. Mas independentemente disso, todos nós olhamos para vídeo de inteligência artificial e a gente sabe na hora que eu trouxe eu já não sei, Pedro, eu já não sei. Tem tem muito golpe por aí.
¶135É, >> vocês acham que já tem gente que se engana? >> Idoso, tem idoso, escolarid mais aqui que golpe tem toda hora, né? Golpe de celebridade e vendendo produto farmacêutico. Eu eu conheço gente que não saberia de jeito nenhum, assim, que olha pro vídeo e fala: "Não, mas como que ele não tá falando isso?" É, [tosse] >> não tá aqui mais quem falou. Eh, eu eu eu só tenho uma preocupação que é eu acho que o trabalho do TSE é fundamental, o trabalho trabalho do TSE é importantíssimo e e eu tô preocupado que esse negócio vire uma enchurrada de processos que vai sobrecarregar o o TSE com vídeos que não tem, entendeu?
¶136O forró do Lula, o Flávio no jato, deixa tipo, por que não é o que? É a microgestão de de achar que você o judiciário vai ficar fazendo a gestão do dia a dia do que pode falar, o que não pode, essa palavra não sei quer >> não é eh eh no fim das contas é isso. Se preocupa com aqueles momentos em que o eleitor está sendo enganado. E aí eu volto para coisas com >> consequências. >> É isso.
¶137É isso. É com com consequências. Tipo um vídeo eh eh do Bolsonaro eh artificial na convenção dizendo que ele apoia o Flávio. Eu eu não estou entrando no mérito de se isso viola ou não a a as condições da prisão domiciliar, porque aí é uma outra discussão e e aí é uma outra discussão mesmo. Eh, [roncando] agora do ponto de vista da legislação eleitoral, gente, tá todo mundo na convenção sabendo que o o Jair apóia o Flávio.
¶138Tipo, ninguém está sendo apresentado a uma a notícia nova que vai mudar o resultado da reeleição, tudo mais. A gente pode convidal da Janja falando: "Eu apoio meu marido". É isso. >> Mas aí tem a questão eh que a gente conversou também aqui essa semana com o especialista em direito eleitoral de que a tecnologia ela é sempre muito mais rápida do que a justiça para se organizar para atender esse tipo de demanda, né? Então é isso, vai tá sempre defasado, vai est sempre atrasado.
¶139E eu acho que nesse caso específico tem a questão da cautelar, que para mim é o que faz com que a discussão fique um pouco mais complexa, >> porque aí é um jeito de você participar eleitoralmente. Se você autoriza o vídeo, então você tá participando. >> Mas ele já disse que a defesa já disse que não autorizou. >> É. Não.
¶140Pois é. E e olha, tá tudo certo? Eu não tô fazendo a discussão sobre a cautelar, a discussão sobre quais são as condições da prisão domiciliar humanitária, aí essa é uma outra discussão. E eu acho que eh eh a conversa que eu tô tendo aqui é sobre desinformação usando IAR. Eu não consigo achar que aquilo é uma peça de desinformação.
¶141>> Só para dar o crédito devido, eh, a gente conversou com o Leandro Petrin, que é advogado especialista em Direito Eleitoral, tá no nosso programa de segunda-feira, terça, segunda, >> para mim, para mim o Jair Bolsonaro em 50 segundos dizendo: "Isso aqui é inteligência artificial, eu apoio meu filho". É, para mim isso é quase aquele aquela figura de papelão com a foto da Michele dele na hora que você chega. É isso, é isso, é isso. Tem várias pessoas aqui me corrigindo, dizendo que conhecem eh analfabetos digitais, que teriam dificuldade. Eh eh vocês certamente têm razão.
¶142Eu tô habituado demais a ver com isso. Eu não posso partir do princípio de que o o meu olho pra inteligência artificial da parte [limpando a garganta] das pessoas, é evidente que não é. Eu cubro isso, eu escrevo sobre isso quase que diariamente. Não é a mesma coisa. que faz e como é que chama aquele negócio, harmonia facial que eu começo a achar que é a você fala: "Não, o sujeito mudou o rosto mesmo." Tem um tem um jornalista con rosto para parecer com filtro, né?
¶143Então >> tem um jornalista conhecido que mudou recentemente de lado, quer dizer, foi mais uns passos pr pra direita do lado em que tava recentemente, que eu não vi há algum tempo e e eu olhei pro rosto dele, eu: "Meu Deus do céu". E eh eu eu tipo não faz isso consigo não, cara. [risadas] É, mas mas tudo bem. É, eh, temos um, temos acho que todos o direito de fazer com, é, na verdade, faz o que você quiser. Consigo mesmo.
¶144Eu faço tratamento de cabelo para não ficar que nem o Alexandre aqui, >> o careca do meio. >> Que que alguém não, mas que alguém mandou mensagem aqui dizendo que não é politicamente correto falar careca, tem que falar calvo. E eu já eu tenho amigos carecas, carecas mesmo, que ficam muito ofendidos quando são chamados de calvo, porque eles dizem que o careca é o calvo corajoso, é o calvo que assuma, >> assumiu a careca e já era assim, falou: "Eu não quero nem saber, eu vou ficar sem cabelo mesmo". Então é isso, assim, se você chamar um careca de calvo, ele vai ficar ofendido. Cuidado.
¶145>> Mas eu te conheço h uns 20 anos e você já era careca, né? >> É, aumentou um pouquinho, mas >> aumentou. eu tinha lembrança de você já ser bastante careca antes. Não, você não começou cedo? >> É, começou a cair com 20 e pouco, né?
¶146Mas 20 pouco. É, >> é, >> mas quando a gente se conheceu não era assim, >> não. >> Não. [roncando] Fico feliz que você não tava manjando e não lembro de detalhe. [risadas] Fico feliz.
¶147Mas eu já fui mais careca do que eu tô agora. >> Carecas unidos. [risadas] >> Eu já fui mais careca do que eu tô. Eu tô fazendo um tratamento de, para quem tava reclamando de tratamento estético, né? Eu tô fazendo tratamento de microagulhamento, que é uma, eu não sei o que que eles injetam aqui em cima, [risadas] mas vai tapando que é uma maravilha.
¶148>> Diz aqui é deficiente capilar. >> Deficiente capilar. Tá tudo valendo. Eu sou eu tô eu sou deficiente visual. Eh, a tá sem óculos.
¶149Eu tô achando que ele consegue ler. Eh, eu >> preciso do óculos. Você precisa do óculos para ler. >> É, depende. O telepon você precisa análise.
¶150Até ali eu consigo. [risadas] >> É, não, tudo bem. Mas é e o meu problema é que eu sou milp, né, tal, né? Enfim, >> o meu problema é que eu sou milp, né? Então, quando começa a somar a vista cansada com milpia, tô de lente também, né?
¶151>> Ah, você tá de lente. É, eu parei de usar lente. >> Por quê, >> cara? [roncando] Eu vou te explicar porque eu parei de usar lente. Por causa da vista cansada.
¶152>> Humum. Eu uso lente. Eu usei lente de de 16 anos até 49. Eh, durante um tempo eu andei com óculos de leitura junto com a lente. Eu perdi alguns óculos de leitura.
¶153>> Eh, e teve um momento que eu eu foi um momento que eu o Arixandre certamente não teve esse problema. Eh, tem um momento em que eu comecei a ter dificuldades com meia distância. que é [roncando] ler o monitor ou é ler o monitor, entende? Porque o o >> eu tinha, eu eu lembro quando foi inclusive quando em 2019, quando eu trabalhava na Jovem Pan, que que eles que a gente tinha uma tela de computador na frente e aí foi ali que eu comecei a olhar, eu ficava no meio do programa assim, aí eu falei: "Hum, isso aqui não tá legal". Foi, eu me lembro certinho quando foi.
¶154É porque o o o óculos de leitura resolve o livro. >> Uhum. >> Resolve o jornal. a revista que você tá lendo ou o mesmo celular, mas a meia distância ele não resolve e e a lente atrapalha. É é que você começa a ter literalmente o o óculos multifocal, ele tem 3 graus, ele não tem dois, ele tem 3 graus.
¶155Ele tem um grau acima que é o que é o lente da milpia, tem um grau intermediário no meio que é o da meia distância, e você tem um grau aqui embaixo, que é o grau da leitura. >> Uhum. Eh, então eu ainda usei lente bifocal, que é um troço que existe, mas eu não conseguia ler teleprompeter com lente bifocal, >> porque a lente bifocal, na verdade, o que ela faz é diminuir o grau de milpia, porque ela é bifocal, então ela ajusta para meia distância. Você vai ver um pouco mais desfocado de longe, mas para 90% das pessoas não é um problema. Que tipo de gente precisa ficar lendo o texto no detalhe a a quando tá longe?
¶156O o sujeito que precisa ler telepromter todo dia, [risadas] entendeu? Fora isso. Então foi o momento que eu abandonei os óculos as leites de contato. >> É, eu tô aproveitando os meus últimos anos enxergando 100% porque eu fiz a cirurgia da milpia porque eu tinha 7º quase, mas foi há quase 10 anos, então daqui a pouco ela pode começar a voltar. Então, ó, só de leitura é tranquilo, não vai precisar ficar usando o dia inteiro também, >> não.
¶157E não sendo o fundo de garrafa que eu usava quando eu tinha 7 graus, para mim já tá ótimo. Assim, se eu começar a ter 0,75 um, maneiro. [roncando] >> É, eu tenho 4,5 e já sou bem cego de longe. É, >> mas tudo bem. >> Vou nem falar nada.
¶158Essa galera que tem um dígito só de grau, não vou nem falar nada. Eu tenho dois dígitos. >> Mas então você usa leite de de vidro? Não, eu tenho uma As descartáveis também já já estão no meu grau. Essa aqui é 10,5.
¶159>> 10 e5. É, >> pô, você é cego? >> Sou >> completamente cego. >> Aham. Tá certo.
¶160Respeito, [roncando] respeito. Eh, cara, a frustração dessa campanha no fim das contas, a minha frustração dessa campanha é a gente ainda ter essa ter que fazer essa escolha entre esses dois lados e essa coisa desse país enguiçado que não consegue andar paraa frente. Agora, [roncando] quando eu olho pra campanha do Flávio Bolsonaro, eu fico, eu há muito tempo que a gente não vê eh na frente uma campanha tão desorganizada, tem duas coisas, é >> tão é tão amadora, né? Eh, tem duas informações que me chamaram atenção na imprensa hoje. Eh, uma é uma nota do Lauro Jardim em que o Lauro fala o seguinte, ó, nessa briga entre eh de publicitário, de marqueteiro, a turma que queria que o que o Fixer ficasse, a turma que o Fixer queria que o Fixer saísse, [roncando] eh, tem um aspecto sobre o qual os dois grupos concordam.
¶161Flávio Bolsonaro está ausente e não toma decisões a respeito da sua própria campanha. Isso é a primeira coisa que me chamou atenção. A segunda coisa que me chamou atenção é uma coluna da Malu Gaspar, em que a Malu faz a seguinte observação, ó, tem dois aspectos aí nessa coisa do centrão não se aproximar da campanha do Flávio. Um aspecto é o o fato de que, principalmente pros políticos nordestinos e Artur Lira, Ciro Nogueira, é um problema, tá do outro lado do Lula, né? É, é no Nordeste você não tem voto, que é aquela parte >> o Lula batendo 70% de voto no Nordeste.
¶162É, é isso. É, é, é isso. É um problema e nenhum desses caras quer esse problema. Agora, além disso, tem uma sensação deles todos de que pegaria mal com STF, tá, na campanha do Flávio. E tem uma frase ali no meio e todo mundo enroladíssimo com a STF, né?
¶163É. conta do Vorgaro, tal, Ciro Nogueira, começando por ele, >> mas só inclusive que vai pro Senado, né? Porque muito da das candidaturas do Senado hoje prometem impeachment de ministro do SDF. >> Embora eu ache que no central, tipo União Brasil, progressistas republicanos, esse negócio já esteja >> Não, isso é uma coisa de PL bolsonarista, >> nem é o PL inteiro, não. Pois é, pois é o novo e o PL bolsonarista, né?
¶164>> Isso é porque o PL é meio bolsonarista, meio valdemarista, né? Isso, isso. Agora tem uma frase no meio da coluna da da Malu Gaspar que é espetacular, que é o seguinte: quando Ciro Nogueira, isso é uma frase de alguém, né? Quando Ciro Nogueira acha que queima o filme dele com o Supremo, tá do lado do do Flávio Bolsonaro, é [risadas] porque a campanha tá no no nível assim, é completamente. Eu evidentemente, Alexandre, que não a gente sabe que campanhas eleitorais coisas acontecem, a gente não sabe o que que vai acontecer, tudo mais, mas >> temos que sempre fazer esse red, né?
¶165Não tem que fazer. Tipo, acontece uma facada, um avião cai e coisas acontecem em campanhas eleitorais que mudam o jogo. Bolsonaro não conseguia passar de 18 pontos. Aí tomou uma facada. Eh, não tô dizendo que não ia chegar no >> adversário ter sido preso, né?
¶166>> É, é claro, claro, claro, claro, claro, claro. Mas coisa é que a gente sabia que o Lula ia ser preso, né? >> Aham. Eh, eh, em 18 a gente sabia que o Lula ia ser preso, não sabia quando, mas a prisão já tava meio que eh eh >> é o que falam hoje do Cláudio Castro, por exemplo, né? >> É isso, é isso, é isso.
¶167Exatamente. Eu eu não sei como é que essa campanha eh eh chega intacta em outubro, >> cara. Eu fico com a impressão, a gente sabe que não é isso, né? Que o Flávio quer ser presidente mais do que o Cleitinho quer ser governador de Minas Gerais. [risadas] Mas a impressão que me dá é que é o mesmo desejo, assim, que o Flávio tá lá com a mesma vontade que o Cleitinho tinha de ser governador.
¶168Aliás, que tá agora nessa situação também dele não se entender com o próprio partido, sobre a própria candidatura. Uma coisa louca, né? >> É, mas eu acho que também tomou umas pauladas muito pesadas, né? O Flávio, o Flávio o Cretinho teve a morte do irmão, né? E tal, >> mas o o ninguém tá diminuindo isso, pelo amor de Deus.
¶169Mas eu digo, tô falando na pessoa jurídica, na na campanha, na coisa política. >> O Flávio, ele ter sido, entre aspas, surpreendido com o áudio do Vorcaro é uma coisa que a gente que tá olhando de fora fica impressionado. Fal assim, cara, como é que você não imaginou que isso fosse aparecer, né? Porque a maneira como ele reagiu, e me parece tá reagindo até hoje ainda é de alguém que tomou aquela aquela canelada e não se recuperou até hoje, né? E eu você fala, mas como, né, como não tá preparado para isso aparecer?
¶170E e foi uma coisa porque o bolsonarismo e aí foi muito bem lembrado por você, da mesma maneira que o PT já teve muito essa coisa de somos o que não rouba nem deixa roubar e tal. O bolsonarismo tinha muito isso, né, de de de me chama de corrupto, lembra que o Bolsonaro ficava assim, me chama de corrupto e tal. E e bom, dá para chamar agora, né, ou não? Mas enfim, eh eh é uma coisa que vai muito na canela do militante, pega realmente de uma maneira muito pesada no porque o bolsonarismo tem esse espírito lavajatista na na falta de uma de um termo eh eh melhor que que é essa ideia de que isso até uma discussão interessante, né, de de eh dependendo do eleitor, como que o eleitor acha que o Brasil melhora, porque não tem ninguém achando que o Brasil tava uma maravilha, mas as pessoas vão, se você perguntar para cada um, você pergunta: "Como é que você acha que o Brasil pode melhorar?" E aí você vai ter todo tipo de resposta. Mas tem um tipo de eleitor que acha que o grande problema do Brasil é a corrupção, né?
¶171E e o sistema corrupto e tal. Então, para esse eleitor e muitos dele colaram na onda da Lava-Jato, colaram no bolsonarismo, eh, esse eleitor descobrir as ligações do Flávio convocado, jeito que são. E o próprio Flávio, todas as histórias que o Flávio já tem, que não são do do Jair Bolsonaro, né? o el o eleitor eh eh do Jair Bolsonaro, quando você falava: "Ah, mas e a mansão e a Copenhague, não sei quê e tal, e a rachadinha, não sei quê, não, mas isso é o pode, se for verdade é o filho, não é o pai. E o pai não tem nada a ver com isso." Só que agora o candidato é o Flávio, né?
¶172Então você tem o além do >> o pai não tem nada a ver com isso, com ele dizendo textualmente em reunião ministerial que se precisar trocar o comando da PF para favorecer um filho, ele vai fazer, né? >> Mas aí é o mesmo raciocínio do do eleitor do Lula que acha que o que acontece com o Fábio não tem nada a ver com o pai. Ele faz essa distância, né? Eh eh o o eleitor do Jair, não é? Jair, Jair, Jair e se eventualmente, >> embora diga-se de passagem, verdade seja dita, justo, é verdade.
¶173O Lulinha não é candidato a nada. O Flávio é >> não. Claro, claro. Eu tô, eu fiz apenas uma analogia em relação ao eleitor, que o eleitor do Lula, ele não, e é por isso que lá no meu primeiro comentário eu falei que o impacto eh eleitoral desse escândalo é limitado, entendeu? Porque o eleitor do Lula não abandona o não abandonaria o Lula em tese, se amanhã aparece algum tipo de escândalo.
¶174Eh eh eh e em dois meses vai acontecer. Ninguém vai prender o Fábio Luli em dois meses, acho eu, pelo menos pelo que se sabe até agora. [roncando] Então assim, simplesmente ele tá sendo investigado e tem uma suspeita e tal, não me parece uma coisa suficiente a ponto de mudar o quadro eleitoral. Então essa foi a comparação que eu fiz. O eleitor do Jair Bolsonaro ouvia coisa em relação ao Flávio, eh, mas achava que aquilo não era, eh, suficiente para ele abandonar o Jair Bolsonaro.
¶175Mas eu acho eh e aí eu queria te ouvir também porque a gente teve desdobramento nesse assunto que a maior pancada da campanha do Flávio não foi a, por incrível que pareça, a história do Master e a ligação com o Daniel Vorcaro, mas a briga com a Michele que a gente já trouxe na pesquisa aqui, ele caiu muito entre as mulheres. E aí depois a gente teve aquele vídeo protocolar dela dizendo que aceitava o pedido. Primeiro, um vídeo protocolar dele se desculpando, né? jeito. >> Achei um pedido de desculpa meio sem vergonha, mas saiu.
¶176>> É, aliás, um pedido de desculpa muito envergonhado, eu diria. >> Tenta pedir desculpa sua namorada daquele jeito para ver se funciona. >> É, exatamente. Mas aí ela gravou também um vídeo protocolar dizendo que ela perdoa e vamos em frente que foi >> de recados. >> É, fala dos recados.
¶177E eu queria te ouvir porque foi também na convenção do partido no fim de semana, né? E aí eu queria te ouvir sobre isso. >> É bom. Em primeiro lugar, eu não que eu goste, eu evito fazer isso de ficar, como diria no Tropa dois, lambendo a própria, mas e eh a gente desde o primeiro dia falou que esse escândalo da briga com a Michele era muito maior do que muita gente estava falando, né? Inclusive eu vi muito colega se apressando, ah, pegou mal nas redes.
¶178Eu me lembro do programa e o vídeo foi numa quarta, a gente fez um programa na sexta e eu me lembro, eu falo: "Gente, qual foi a denúncia que a Michele fez entre as denúncias?" Uma das mais graves é que tinha uma máquina de robôs de internet xingando ela o dia inteiro e que ela tava chateada que a filha dela adolescente abriu o celular e a mãe tava sendo xingada. O dia que é o que o o essa máquina bolsonarista faz com as mulheres principalmente que que eles não gostam. É aquele tipo de xingamento mais vulgar, chulo, horroroso, né? E e isso tava atingindo a Michele e a e a e a a filha dela, Laura, né? eh, tava vendo isso que ela é o adolescente que tá no celular como qualquer adolescente e tava vendo aquilo.
¶179Então, eu me lembro que muito colega se apressou, ah, pegou mal nas redes. E eu me lembro de ter falado, falei: "Gente, o que a Michele denunciou no vídeo, entre outras coisas, fazia exatamente uma máquina na eh eh nas redes sociais xingando ela." Então, é óbvio que se você fizer uma leitura mecânica de que se tem gente xingando a Michele, vai ter, porque o que foi o que ela denunciou, entendeu? Você tem que ver se essas pessoas são reais, se são avatar, se são robôs, isso é outra coisa. Agora que vai ter muita gente xingando a Michele, vai ter porque, enfim, faz parte inclusive da denúncia que ela fez. >> [roncando] >> Eh, e eu me lembro de ter dito, e volto a repetir, eh, a pior paulada que a campanha do Flávio tomou, eu não tenho dúvida, foi a briga com a Michele.
¶180Era um, é um, um um eleitorado que o que o bolsonarismo historicamente tem dificuldade, que é o público feminino. [roncando] A Michele estava fazendo um trabalho ali no público da das mulheres conservadoras que tava dando resultado, tava funcionando. Ela mesmo no vídeo lembra isso? Que ela assume o PL mulher em 2023 e nas eleições municipais de 24 elege 1000 mulheres eh que foi 45% a mais do que na eleição anterior. Então ela ela mostra como o trabalho dela foi efetivo e deu resultado.
¶181Então eu não tenho dúvida que aquilo causou um um um eh eh um estrago enorme. E não houve reconciliação, que é outro problema. Porque e eu volto a outro ponto que foi falado, que a gente tem que falar sempre, o problema político não é crise. Todo político tem crise. O Lula hoje tem uma crise, o filho dele tá sendo investigado.
¶182Crise acontece todo dia. O problema é como você lida com a crise, o problema é a gestão da crise. E a gestão da crise da campanha do Flávio é muito ruim em tudo. Eles são muito, eles estão mostrando muita improvisação, muito amadorismo. Eles não, eles não sabem lidar com as crises.
¶183Então, é isso que transforma, que amplifica, que uma crise que podia ter um tamanho específico, ela acaba sendo sempre sendo 10 vezes maior do que ela talvez pudesse ser. Então, quando a primeiro que o vídeo da Michele poderia não ter acontecido, né? Já mostra um problema muito grave de gestão você deixar a coisa chegar a esse ponto, né? Ok, aí deixou chegar a esse ponto. O vídeo vai pro ar.
¶184Quando o vídeo vai pro ar, a maneira como ele lidou, péssima, responde num vídeo burocrático, não vai encontrar o mínimo. Você vai fisicamente dele foi falar um grande, >> é, tô aqui no jogo, ninguém tira meu bom, jogo do Brasil, >> uma coisa assim, não foi? >> Ninguém tira meu meu sossego, uma coisa assim, >> alguma coisa assim. É, então assim, eh, eh, e até hoje eles não se encontraram até hoje, entendeu? Então assim, eh, o que passa para todo mundo a ideia de que não houve, não há reconciliação e e eh isso você não resolve eh eh com um videozinho, com texto burocrático.
¶185E a Michele e ela, eu acho que a Michele é muito hábil nas coisas que ela faz, é uma pessoa discreta, é uma pessoa que não é dada a a a muito eh eu acho que nesse processo ela errou muito pouco. Se eu tivesse no lugar dela, acho que a única coisa que eu que eu não teria feito era espalhar vídeo do Garotinho. Aí eu achei, foi a única coisa que eu acho que ela fez que passou um pouco dauzou a linha, >> é que cruzou uma linha. Agora, de resto, eh [roncando] eh eu acho que ela tem se portado muito bem em todo esse processo. E uma das coisas que eu notei e eh e eu acho que que vale aqui a gente pontuar foi o seguinte: quando o Flávio faz o vídeo, o segundo vídeo na semana da convenção pedindo desculpa e ela responde, o vídeo dela de resposta é um vídeo que ela fala nossas famílias duas vezes, que ela passa a ideia que são duas famílias, que não é uma só, [limpando a garganta] né?
¶186o que é um recado importante, é, não, porque as nossas famílias e nossas famílias e tal. Eh, eh, aí eu falei, pô, será que isso eu tô vendo coisa demais ou ela realmente quis dizer alguma coisa com isso? Aí ela faz o vídeo da convenção. No vídeo da convenção ela volta a falar porque a a minha não, a minha família, a sua família, eu espero que a sua família encontrei quê. Ela de novo, no vídeo que ela faz, que é um vídeo com texto lido, um vídeo que não tem nada ali improvisado, ela de novo, ela bate na que para mim de tudo que ela falou é a coisa que mais importa.
¶187Ela em dois vídeos seguidos, ela deixa claro que não é a mesma família. que existe a família dela com o marido dela e os filhos dele são outra família. >> É aqui é um conceito, é um conceito específico de família que é a família nuclear, né? >> Tipo ela, o marido, a filha, >> isso, >> né? Eh, o marido pode ter tido outras famílias, são outras famílias.
¶188E o Flávio é ele, a mulher, as filhas, né? É, é aquela coisa, ideia mesmo de estamos falando sempre da família nuclear, ela não tem um clã na cabeça, né? Ela tem uma família nuclear da capital. que era excluída desse clã o tempo todo, né? >> Foi uma coisa reativa.
¶189>> É, mas é uma coisa, é uma coisa interessante verdade, botar pro mundo o que estava acontecendo de verdade na lógica familiar. É, é. E é uma bobagem isso aqui, mas eu acho que o Alexandre vai entender o o que eu quero dizer. O conceito de família na cabeça do do Bolsonaro é um conceito pré-moderno que é um conceito de clã mesmo. É, eh, que é a família estendida com patriarca.
¶190>> Feudal. >> É, é. Não só feudal, né? >> Os beduínos têm clãs, né? A maior parte, todas as culturas são eram organizadas em clãs até o modernismo essencialmente, né?
¶191É. Agora, a a família eh o conceito que é conservador da de família da Michele é um conceito moderno, um conceito vitoriano de família eh eh que é a ideia dessa família nuclear, mas que é extremamente moderno, é o conservadorismo pós-ilmo. É, eh, que eu eu sei que é engraçado, talvez as pessoas às vezes não entendam que existe um conservadorismo eh moderno, mas existe. >> É o TIG, né? Se a gente fosse entrar nessa.
¶192>> É isso, é isso. Exatamente. Alexandre, você sabe que só tá começando, né? [risadas] >> Tá ficando divertido, né? >> Tá começando a ficar divertido.
¶193>> Até a próxima gloriosa sexta-feira. Seestou o o elevador da ruptura lá do Severance, abriu. [risadas] >> Muito obrigado, cara. Obrigado. Foi ótimo.
¶194>> Tchau. Tchau. Até semana que vem. >> Dia está entre nós. [tosse] >> Estou.
¶195>> E aí, Guilherme Vernec? Tudo bem? >> Outro guardião da nossa sexta-feira. Tudo bom? >> Guardião da sexta-feira é um bom bom lugar para est, né?
¶196Guardião da sexta-feira. É um título muito nobre. [risadas] >> Muito ótimo. E aí, vocês estão bem? Tranquilos.
¶197>> Tudo tranquilo. O que que temos de >> Tem programa pra sexta-feira já? >> Olha, eu tava pensando em comer uma pizza hoje, mas que que você acha que eu devo fazer aqui no Rio? [risadas] >> Olha, eu acho que você devia ir no festival do Rio >> de teatro. >> Diga que que tem de bom >> que começou essa semana.
¶198Na verdade, assim, de coisas inéditas pro Rio, vai ter só na semana que vem. e termina que é que é a peça da Rita com a Lília Cabral que ficou aqui em São Paulo na PAP um tempão. >> Eh, e a peça do Danini, o beat do Danini que é incrível, eh, que aquela peça do do bunker, tal, mas eh nesse final de semana tem três peças muito legais, legal que é preço super acessível. Eh, a primeira é a ideias para adiar o fim do mundo, que é aquela peça baseada no livro do Crenat, um monólogo com Yumo Apurinã, que é putz, é bem bacana, tal, também numa coisa mais filosófica, mais eh mais contemporânea, talvez, ou um outro tipo de olhar contemporâneo, na verdade, que eu acho que o texto Crenc é super contemporâneo, eh, é um sim à vida da Virane Mose, que que foi também um baita sucesso dessas peças que todo mundo fala, tal. em que ela vai trazendo ali de uma forma muito poética, né, com a sua vivência psicológica, a a história do homem, desde dos primórdios até a inteligência artificial, né?
¶199Então, é uma dessas peças que discute a filosofia eh contemporânea e a melhor de todas, essa só passa hoje, é o grupo Galpão, a montagem do grupo Galpão do Saramago. Eh, um ensaio sobre a cegueira que é sensacional, assim, é uma peça sensacional, >> peças que tem que, quem não viu, vale muito a pena ver. Eu super recomendo hoje às 8 da noite no Teatro Riachuelo. >> Muito bom. >> É, mas não é só isso, né?
¶200Tem muita coisa bacana no Rio. Não sei se você conhece um lugar que chama a fábrica Bering, que fica lá no Santo Cristo. >> Excelente lugar para visitar. >> Luiz é PO com isso. O paulistano, não sei se você conhece [risadas] a fábrica Bering.
¶201Diga mais. >> Não, não, porque a fábrica, eh, você pode ter conhecido ela, a fábrica Bering se transformou num espaço de artes alguns anos já. Sim. sábado do mês abre e >> abre o circuito Ber, faz os atelios abertos, que é como tem aqui em São Paulo, né, o edifício Vera, vários edifícios que você tem esses ateliês de artistas abertos. Esse final de semana tem e tem inauguração de uma exposição que da AVA Galeria que fica lá dentro, que é uma exposição de um fotógrafo que chama Bruno Gerschon, um fotógrafo novo para nós, não para Luía, [risadas] ele é um fotógrafo de uns 40 anos, eh, que faz uma exposição que chama Inspiração e Reflexão, que tem um, e é muito interessante, assim, um trabalho muito interessante.
¶202Então vale esse programa duplo de ir na fábrica Bering, curtir, porque daí também não é só os ateliês, tem comida, tem, né? Tem outras outras coisas. E e esse e ver essa exposição do Bruno, eu acho bacana. E aí para quem é mais de showzão, eh, tem de Javan. >> Hum.
¶203>> Que eu não sei, eu sei que Javan divide corações. Eu eu >> eu adoro, >> adoro Javan hoje em dia. Sim, [risadas] quando eu era jovem, eu não gostava. É, ele tem essa coisa do corte etário, né? Até uma determinada idade você acho que não entende o de Javan e depois você começa a gostar.
¶204>> É, eu acho que eu tinha também o lado de ser muito jovem punk rock, né? E daí era um pouco difícil eu alcançar. >> Cara, eu não consegui entrar, eu não consegui entrar no diaan até hoje. >> Não, não é que eu ache ruim de forma alguma. É só >> não, [roncando] >> eh.
¶205Não >> é, eu eu com a idade confesso que fui gostando cada vez mais. Bacana, [risadas] >> tanto da coisa da musical mesmo, que é eu acho muito rica a a música do Javan, eh, quantas letras mesmo assim, eu acho que eu comecei a entender melhor as letras do Javan e olha que eu sempre fui um cara muito ligado em poesia desde muito cedo, mas é era um outro tipo, né? Então vai ter esse show usando de Javan, só sucesso assim, sabe? Aquela coisa tipo best greatest hits, 50 anos de carreira. É 50 anos de carreira, né?
¶206Nossa, são muitos hits, né? Na formado. >> Quantos anos o Javan? Ele já tá na turma de 80? >> Não, o Java é mais novo.
¶207>> É, tá na turma de 70. >> Ele é mais novo. De 70. >> Jorge Ben por ali. >> Nossa, não >> é quase.
¶208>> É, >> é que a turma de 80 já tá com quase 85, né? É isso, [risadas] é isso. Mas ele é daquela geração Jorge Ben, 10 anos mais jovem do que Chico Caetano e Gil, né? >> O Jorge Ben tem 87. O Jorge Bem é da idade do Chico, né?
¶209>> O Chico já tem 87. Jorge Ben tem 87. Pera aí. >> Jorge Ben tá com 82. >> Então o Jorge Ben é mais velho que o Chico.
¶210>> É, o Chico acho que tá com 82. >> Mas assim, em termos de lançamento de disco, assim, o primeiro disco do samb esquema novo é Chico tá com 82. É da época do, é da época do do primeiro disco do Chico, assim, na verdade acho que o primeiro disco do Chico é até depois, porque o Jorge Bem tem essa primeira fase bossa nova, né, que é uma bossa negra assim, super legal. >> E eu gosto os três primeiros de estudo do do Jorge Ben para mim são tipo sensacionais, obras primas e depois só melhora. Eu [risadas] acho bem também desses que eu amo.
¶211E e tem até um pouco a ver com o que eu vou falar na edição de sábado, que eu vou falar da festa veraneio na edição de sábado, que é uma festa de dois eh de pai e filho, o Dinho, que é da minha geração, e o Jan, que é da geração dos dos meus filhos mais velhos, eh, que tocam Black Music. O pai deles é o seu Osvaldo Pereira. Seu Osvaldo Pereira foi o primeiro DJ do Brasil. Ele é reconhecido nos livros, na história, tal, com o primeiro DJ do Brasil, o primeiro cara que levou toca discos para tocar, tocava os reciconif, uns tchá tcha tchás, tal >> nas festas, >> eh, nos anos 60. E e aí esses caras levam a tocha à frente fazendo uma festa de black music sensacional, que tá chegando há 4 anos agora.
¶212Eh, e eu conversei com os dois, conversei com pai e filho falando desse legado para entender black music, etc. Então, tem tudo a ver. E ele e Jorge Ben, por exemplo, e Javan, são coisas que não podem faltar numa boa veranro, assim, >> claro, >> junto com disco, com Soul, com R&B, com House, hip hop, é uma festa de de celebrar a cultura negra como um todo, assim. >> E vai ser em São Paulo ou aqui no Rio? >> A festa em São Paulo, mas eh mas a festa em sempre, né?
¶213Eu acho que mais legal do que a festa em si, é essa história desse dessa família, entendeu? desse clã eh da zona norte de São Paulo que tá, né, cresceu nessa cultura negra que não é exatamente uma cultura negra periférica, mas é essa cultura negra da da zona norte, né, que é muito forte aqui em São Paulo, né, todos os bailes, etc, começaram lá, né, aqueles grandes bailes black dos anos 70, né, Chic Show, essas coisas todas são de lá. E deixa eu aproveitar, Gui, já que você falou da da Veraneio e da sua contribuição paraa nossa edição de sábado, né, que sai amanhã para Assinantes Premium, né, Marco? Que sai amanhã para assinantes [risadas] premium aqui do meio, né? Você que assina por R$ 15 por mês, vai receber na caixa de entrada a nossa edição de sábado.
¶214Eh, e com o Lula caminhando para ser consagrado o candidato do PT no domingo, a Júlia Kequia escreveu sobre as estratégias da esquerda para tentar aumentar a bancada no legislativo, né? Então eu te convido a ler também a reportagem da Flávia Tavares, que não está conosco porque está escrevendo sobre o Banin Face, o candidato piada, que está dando trabalho eh pro Nigel Ferad lá na Inglaterra. E além da contribuição do Guilherme Vernec, que ele acabou de trazer pra gente falando sobre essa festa incrível e sobre essa história incrível que vai est na nossa edição de sábado amanhã, né, Gui? >> É isso aí. E e falando de edição de sábado, tem um bom [limpando a garganta] programa para quem já leu uma edição de sábado que eu fiz há mais ou menos um mês.
¶215>> Hum. >> Eh, o Víor Araújo, que é aquele pianista pernambucano sensacional, gravou um disco que eu acho dos melhores discos desse ano, que chama Toró. Ele gravou com a Metropola Orquestra, que é uma orquestra holandesa de de música eh de jazz e de música mais aberta, assim, ela não é uma orquestra clássica. >> E aí ele vai tocar no Sesc Pinheiros. pela primeira vez.
¶216O Toró, ele ele tinha rodado no primeiro momento como filme, né, para eles gravaram essa performance. Eh, ele vai tocar pela primeira vez agora em São Paulo hoje, sábado e domingo no Sesc Pinheiros, só que obviamente não é a Metropola Ocastra, infelizmente é com, mas é com que é uma orquestra bem legal, com regência do Ricardo Bolonha, que é um que é um belo regente. Então, tô curioso, vai ser o meu programa de amanhã, inclusive esse esse eu vou mesmo. Eh, e é isso. O leitor do meio sabia antes.
¶217[risadas] >> Pois é, eu já vi o Víor Araújo ao vivo algumas vezes. É realmente muito emocionante, vale muito a pena. [roncando] >> É, ele é um baita pianista. A primeira vez que eu vi quando a gente tava fazendo um prêmio trip, imagina, acho que era 2008, 2009, ele tinha 17 anos. Nossa, >> tocava no seu Chico ainda.
¶218>> Ele é ele era um menino prodígio que tinha acabado de chegar em São Paulo e aí ele tocou na encerramento do prêmio trip e foi um perrengue porque era bem ele tocou uma primeira música, daí depois teve uma chuva de papel no palco e entrou entraram todos os papéis no piano. Então antes dee conseguir tocar um encerramento, você viu o menino catando o papel [risadas] de dentro do piano. >> Tadinho, tadinho. Fo preparado. >> É agora.
¶219Foi, >> eu eu devo eu devo só fazer uma observação. Eu eu não ouvi tocando, mas toró é uma das minhas palavras tupis de uso corrente favoritas, [roncando] embora a gente abrevio, você sabe que a palavra correta para aguaceiro, chuva pesada não é toró, é tororó. >> Ah, tem uma musiquinha. >> Olha, fui no tororó água. Não a >> tororó.
¶220O que que é? O tororó é é a chuva pesada, né? >> Então, mas é itororó. Então, tororó deve ser o >> Itororó. I, I é água.
¶221Eh, e tororó que você tem razão. A a música originalmente é, eu fui no Itororó. É porque a gente hoje fala, a gente quando canta, eu não sei como é que é, em São Paulo, no Rio a gente canta, eu fui no tororó beber água, não achei. A gente não fala e tororó. >> Eu aprendi em São Paulo, eu aprendi com toró também.
¶222Você cantava com Itororó? A minha memória de infância fui no Itororó beber água numa ch. >> Não, que que tá correto, tá tá correto. Eu não sei o que que eh eh porque [suspirando] eu não eu não sou etimólogo. Eu conheço bastante tupi, tá?
¶223Porque eu realmente estudei tupi porque eu gosto disso. Mas eh itororó pode ser pedra, eh pode ser cachoeira. Eu imagino que seja cachoeira, >> porque é é água ou rio, né? Ianga é é o rio de água vermelha, [risadas] né? Eh, >> o >> e Ita é pedra, né?
¶224>> Ita é pedra. Exatamente. Então, itoró pode ser, é, eu imagino que deva ser cachoeira, eh, a pedra >> que cai muita água, que cai água, que cai um aguaceiro. Eu porque não necessariamente é i tororó, né? Pode ser it tororó, né?
¶225Eh, deve ser, >> pode ser. >> Eu, eu, eu desconfio, mas aí eu tenho que checar. >> Eu eu desconfio que seja cachoeira. Eh, eh, estamos cá discutindo em Engatu, a boa língua [risadas] >> boa. >> É isso daí.
¶226A gente tem que mais? A gente tem em São Paulo começou um festival no CCSP muito legal. Na verdade tem várias coisas legais no cinema em São Paulo. Essa uma das que eu pensei, que é um festival de de amostra de cinema coreano, que o que que eu gostei dessa amostra que me instigou, que ela traz 20 longas e 25 curtas de agora, ou seja, contemporâneos. são são filmes feitos nos últimos 10 anos e e são e é uma cinematografia que a gente vê menos, né?
¶227Lógico que você, né? Tem os grandes filmes que viram blockbusters e que a gente viu os filmes de Óscar e tal, mas a gente não costuma ver muito, a gente vê muito eh série e tal, mas filme mesmo não. Então eu acho muito legal. Então tem filme para todos os gostos. Eu tô bem curioso no sábado, talvez eu vá lá ver à tarde uma sessão de curtas, porque eu amo o formato, assim, eu amo ver curta, eu acho das coisas mais legais.
¶228Tem uma sessão com cinco curtas à tarde no no CSP, que é gostoso, né? Aquela coisa eh de um centro cultural que eu acho bacana de >> Uhum. E tem um programa para quem gosta de arte, duas exposições novas na Almeida de Dale. Uma é a Sada Rita. Essa ela é bem legal porque ela ela faz umas pinturas que tão entre o abstrato e o figurativo, mas todas as pinturas dela meio que estão em diálogo com a história da arte, assim, principalmente com os surrealistas, com Magrit, com com Dali.
¶229Então eu acho bem legal, mas também tem horas que que bate num bosche. E é eh também ela vai para esse lado do realismo mais mágico ali que tem que tem antes. Eu eu gostei bastante. E daí tem uma outra do Thiago Martins Melo que chama Ignio Piaga, que daí vai falar eh um pouco da história política e cosmológica da América Latina. Então ele pinça personagens, eventos, embaralha tudo.
¶230É uma salada histórica. Eh, tanto em esculturas quanto em pinturas. Tem uma série de pinturas em pequeno formato, muito legais. Então, são duas coisas que eu recomendo muito assim de fazer em São Paulo. Eh, tá um calorzinho aqui.
¶231Eu não sei como é que tá no Rio, mas tá um calorzinho. Então, aproveitar que tá são dias gostosos e e passear, sabe? >> Calorzinho aqui no Rio também. Calorzinho. [risadas] Deve tá o quê?
¶232Uns 22º. >> Imagina. Hoje >> tá frio. >> Hoje não tá 22º não, chefe. Só aqui dentro no estúdio.
¶233>> É >> 26 27 lá fora. Vai >> 24 segundo meu relógio. Tá bom. >> É, não, não, não, não é verdade isso. [risadas] 24 >> 24 para mim é alto verão, entendeu?
¶234Não, aqui 26 eu acho uma temperatura agradável assim, eu acho que tá entre o o fresquinho, eu acho 26, eu acho uma boa temperatura. >> Não, 24 é frio. >> Eu sou eu sou da turma do 18. Eu sou da [risadas] Eu fico feliz com 18º assim. >> Ai meu Deus do céu.
¶235>> Nossa, com 18 eu tô de casaco. >> Guilherme Vernec, [risadas] você estava certo e eu estava errado. E tororó é água que jorra, é fonte, é nascente. >> Olha que legal. O i é de água, no pita.
¶236Eh, eh, de pedra. Então você tava certo. >> É verdade. Ó, que bom. >> Então, >> eu, pô, e eu vi o Odisseia.
¶237Adorei. Adorei. >> Eu adorei a Odisseia. Você achou WK? >> Por quê?
¶238>> Ah, eu acho que tem as suas coisas. Acho não vai ser tão quanto a do Cléber Mendoça, mas assim, eh, não achei o Oak. E e a outra discussão que tem também é sobre a diminuição do do papel das mulheres. Isso sim, eu acho que tem uma certa uma certa pertinência na crítica de que as mulheres na no poema elas têm mais poder do que elas eh transparecem na montagem do do Christopher Nolan. Eh, principalmente, né?
¶239>> São três deusas, né? Si [risadas] >> c e Calipso são deusas, né? Uhum. >> A C vira uma bruxa no filme, né? É.
¶240É. Tipo, era e Calipso vira uma coisa que é nada, né? Tipo >> nada, só penélvada, né? >> É a Penélopeia preservada e >> palasa, talvez, né? A a a agora ainda assim >> a a alguém fez uma comparação que é ótimo.
¶241A Calipso parece a terapeuta do Odiceu, né? Tipo, [risadas] >> consertando o macho. É isso. E é quase uma terapia tântrica, né? >> É [risadas] quase uma terapia tântrica, mas não chega a ser.
¶242>> É isso. Ela adotou o macho, consertou o macho, aí o macho foi embora. É isso que acontece, gente, né? Isso. Conce >> conte o macho.
¶243[risadas] >> É, mas aí fica reclamando que o macho dá defeito, né? Não converte o macho. [risadas] >> A a Penelop realmente é a mais bem construída delas assim. Eh, >> é a única que demonstra alguma força, né? Mas eu eu gostei muito do filme.
¶244Eu entrei na viagem do filme, não gostei. >> Mas eu gostei também. Gostei do jeito que foi filmado. Gostei de gostei do ritmo do filme, entendeu? Eu fui esperando que eu ia em algum momento achar cansativo e passou voando assim.
¶245F como ver filme de superherói. >> A a [risadas] coisa que eu acho que ficou mais bem construída em em relação ao poema é a passagem pelas sereias. Eu acho espetacular. Espetacular. Tipo, eu acho que é exatamente aquilo.
¶246O poema é o ponto em que ele é mais eh eh >> é a que eu achei que mais fraca foi a dos estrigões. >> É quando dizima ali, eu achei meio muito ambaçã assim. >> É, é, é tipo, não precisava nem estar, né? Eh, enfim. Ai ai Guilherme, é isso.
¶247É isso. [limpando a garganta] Antes da gente ir embora, eu queria fazer um uma lembrança aqui que é muito importante. Hoje é dia de Cora Rona e feliz aniversário, Corinha, muitos gatinhos. >> Feliz aniversário, Cora Rona. Isso.
¶248Feliz aniversário pra Cora. >> Pois é. >> Hoje é o dia do Hoje é o aniversário do Inácio de Loela Brandão também. Olha só >> o filme do Deck. A gente também botou na edição de sábado do André Brandão, filho dele, estreu cinemas essa semana, então também vale a pena ver.
¶249Chama não sei viver sem palavras documentário. Corre para ver porque documentário a gente sabe quando entra, nunca sabe quando sai. Normalmente é rápido. >> É. É.
¶250>> Então vale a pena. >> Maravilha. Então >> isso seestou, hein? >> Seestou. >> Sexou.
¶251Gente, >> até semana que vem. >> Até. >> Até >> até segunda-feira, hein, chefe? >> Sobrevivemos. Sobrevivemos.
¶252Bora lá. Fim de semana começar. >> Segunda-feira não estarei aqui, estarei em São Paulo. >> Ah, vai participar de lá? >> Não, não vou participar de lá.
¶253>> Como assim? >> Estou aqui na terça. >> Tá bom. >> Então, até terça >> vai ser para eles. É bom.
¶254Vai. É, é. A Flávia vai ser muito melhor. >> Cristian vai estar com a gente também? Não.
¶255Ah, >> não. Acho que sim. É, não, não sei. >> Enfim, a gente confirma na segunda-feira para vocês. Vai, vai ficar o suspense.
¶256Segunda-feira vocês voltam aqui. E tô sentindo que periga ser uma edição somente mulheres sem machos defeituosos. [risadas] >> Gente, central meio de hoje encerrado. Um excelente fim de semana para você. Se cuide, beba água e tenha juízo, mas não muito.
¶257Não conserte o macho. Tchau. Tchau. [risadas] Três coisas que separam quem só assiste a seleção de quem realmente acompanha ela. Ó, a primeira, acessa as análises que costumam ficar restritas às salas de decisão.
¶258Ou seja, quem lê pesquisa, poder, sociedade, por dentro. Você encontra esse material no meio político toda quarta-feira e também em matérias e entrevistas na edição de sábado, além dos dados da pesquisa Meio Ideia Mensal, que agora interativa e te permite, se você é assinante, fazer o recorte que mais te interessa dentro do nosso site. A segunda é ter opinião de verdade, não é prestada, é a diferença entre repetir o que ouviu e entender [música] porque aquilo aconteceu. O tipo de leitura que te deixa seguro numa roda de conversa traz repertório [música] e não te deixa cair no argumento pronto. Agora a terceira, a mais difícil, atravessar essa eleição sem virar refém de bolha, militância, cinismo.
¶259Discordar faz parte, mas sem transformar isso em guerra. É isso que o Meio Premium sustenta todo mês com catálogo de produções originais no nosso streaming. Com eleição chegando, não é só que você vai ficar mais por dentro, [música] é que em nenhum outro lugar você vai entender melhor o movimento político dos próximos meses. Só R$ 15 por mês. SO me prêmium.
¶260>> [música]