¶1me fala de onde é que você acha que vem um sinal de fraqueza de uma candidatura. Você pode arriscar dizendo que talvez da oposição, mas se for do silêncio dos aliados, Pedro Dória, >> o silêncio é terrível. >> O silêncio muitas vezes tem um barulho brutal, né? Aí [risadas] >> a gente vai falar sobre esse esvaziamento muito notório ali na na convenção partidária do PL, que oficializou a candidatura do Flávio Bolsonaro à presidência e que ficou faltando uma galera, né? Faltou, não teve muito quórum, digamos assim, ou quórum foi indo embora ao longo.
¶2>> Eu acho que é mais isso, né? Foi, não só teve gente que não apareceu, como teve gente que foi embora ao longo dele. >> E é importante a gente entender o que que isso sinaliza pro caminho que a direita quer percorrer, não só nessas eleições, mas pro futuro do Brasil. Acho que isso sinaliza alguma coisa, né? >> Ou as direitas, né?
¶3>> Vamos falar sobre isso. >> Vamos. [música] >> [música] >> Pedra, eu vou começar com o comentário do Lud. Ele diz assim: "Pedro, você falou algo muito importante. 4/5 do Congresso está e vai continuar conservador.
¶4Exatamente por isso eu não acredito que teremos uma reforma política. Se o jogo estivesse mais equilibrado, um terço liberal, terço socialista, 1/ço conservador, alguma mudança positiva seria possível. Um congresso conservador só pode fazer mudanças conservadoras. Eu desconheço o lado positivo deste oxímoro. Como você explicaria uma reforma política positiva eh com um congresso conservador?
¶5Entenda como positiva que melhorasse a qualidade de representação e a identificação dos eleitores com os seus representantes. >> É, vamos lá. Eh, eu acho que o primeiro ponto, Yasmin, é o seguinte. O Brasil é, os números que eu vou usar não são exatos, eh, são arredondados, mas meio que tudo quanto é pesquisa mostra esse padrão. O Brasil é 60% conservador, 60% de direita, 30% de esquerda, 10% mais centrista, mais moderado.
¶6Então, primeiro é normal um Congresso ser mais conservador. É, é esperado isso na sociedade brasileira. Agora, claro, eh, existe uma figura muito atípica, muito rara na política brasileira. Eu acho que a esquerda não entende bem o que que é a figura do presidente Lula, porque existe um pedaço da direita que vota no Lula para presidente. Não vota na esquerda pro parlamento, mas vota no Lula pro presidente.
¶7Por quê? Porque são pessoas muito pobres, principalmente no Nordeste, que são de direita, são pessoas conservadoras. Eh, mas principalmente Nordeste, Norte, existe essa parcela da sociedade que sendo conservadora tem uma identificação pessoal com o presidente Lula, por causa da história pessoal dele, eh, que vem o Lula como aspiração, tipo, se ele chegou, a gente também pode. É, então o Lula tem um voto conservador e é por isso que a gente, mesmo tendo uma sociedade maioria de direita, eh o Lula consegue se eleger presidente. >> É, >> e dependendo do estágio de de popularidade dele, consegue inclusive eleger alguém em nome dele, como foi o caso da presidente Dilma.
¶8Eh, mas aqueles votos não eram da Dilma, aqueles votos eram do presidente Lula. Então, a primeira coisa que a gente tem que entender é isso. O o Congresso, o Congresso é o que é, mas o Brasil é isso também. É. >> Aí, número dois, o que que ele quer dizer?
¶9Como, como é que a gente pode fazer uma boa reforma política? >> Uhum. >> Eh, se o Congresso é conservador, >> uma reforma política positiva. >> É, não. Pois é.
¶10Eh, eu não parto do princípio de que uma reforma política feita por conservadores seja necessariamente negativa. >> Uhum. Entendeu? Eh, eu acho que tem a diferença fundamental eh entre liberais e pessoas de esquerda ou pessoas de direita, nesse caso, é que não só a gente é muito treinada, tá na minoria, eh, somos muito habituados a a sermos minoritários num país como o Brasil, como como a gente a gente vem de uma convicção pluralista. A gente acha normal ser de direita, a gente acha normal ser de esquerda.
¶11E eu sinto muito que nas pessoas de direita e de esquerda é uma coisa assim como se fosse quase um desvio de caráter você ser de direita ou ser de esquerda quando você tá do outro lado, sabe? E então essa pergunta, como é que pode ser uma, ué, vai ser uma vai ser uma reforma conservadora, eh eh com espírito eh conservador. Agora, isso tudo posto, a principal reforma política que deve acontecer é a aprovação do voto distrital misto. A gente já falou sobre isso algumas vezes. E isso seria imensamente positivo.
¶12Isso beneficiaria a esquerda, inclusive. Então, é o que é. A a acostumem-se pessoas de esquerda. A gente tem uns 10 anos pela frente de um Congresso mais à esqu mais à direita. Eh, e depois de Lula, a gente, se Lula for eleito esse ano, depois de Lula, a gente vai ter alguns mandatos de presidente de direita e a esquerda vai ter que voltar a aprender a falar com pessoas pobres, voltar a entender quais são os problemas que pessoas pobres querem.
¶13Aí eu tô falando mais de classe média baixa, né? que é a periferia urbana, que é que é o novo perfil do pobre brasileiro, não é mais um pobre miserável, eles ainda existem, mas mas são minoritários. vai se fazer bem, eu acho, paraa esquerda tá distante do poder por um tempo, porque esquerda que se afasta das suas bases populares, como aconteceu com a esquerda, eh, ela não tá cumprindo o seu papel social >> forte, hein? Vou seguir aqui com o comentário do Jefferson. Ele diz o seguinte: "Pedro, eu me considero um social democrata, mas sempre venho assistir o ponto de partida".
¶14Esse mais foi ótimo, >> apesar disso, né? [risadas] em parte por lamentar o fim da direita liberal no Brasil por extinguir a autoridade no debate político. A luta contra o neofascismo produz uma esquerda com um só alvo, incapaz de sonhar. E por outro lado, eu considero o Pedro uma voz racional dentro do circo que se tornou o debate público brasileiro, apesar de termos discordâncias até ontológicas. Pedro querido, essa sua tese de unificação da direita em volta de algo que não seja o bolsonarismo em 2026 não tem lastro com a realidade.
¶15E vale elucidar que bolsonarismo aqui não é apenas ser um membro do clã Bolsonaro, mas um modo de fazer política através da destruição do outro. Sim, o nome é ruim, mas é o que temos. Eu queria entender se essa tentativa tão evidente nos últimos vídeos pela viabilidade de um outro candidato à direita é fruto de análise política ou de um desejo, porque aí a coisa muda de figura. >> É, vamos lá. Eu acho que tem três questões aí que a gente precisa abordar.
¶16>> Hum. >> Eh, a primeira é se ele olha para mim ver uma pessoa de direito, ele tá com a bússola desregulada. Eh, eu sou um liberal e e entre os liberais eu sou um liberal progressista. Isso quer dizer que eu tô, por exemplo, em todas as questões de comportamento que você puder imaginar, eh, direitos de minorias, aborto, casamento homoafetivo, eh, cara, chega no banheiro trans, entendeu? Eh, eu sou capaz perfeitamente defender aqui cota de metade das cadeiras da Câmara dos Deputados para mulheres.
¶17Eu acho que devia ter, aliás, no Supremo também. Eh, se ele acha que eu sou de direita, eu sei que eu não sou socialista e eu não sou mesmo, muito menos marxista. Eh, eu não sou identitário, eu sou liberal. Agora, no liberalismo que fica no centro, eu tô na banda esquerda. Se ele olha para mim e enxerga a direita, eu acho que o problema dele começa a ir.
¶18>> Hum. >> Ele tá com a bússola desregulada e ele não consegue enxergar qualquer tipo de nuance na direita. >> A polarização tem esse efeito nas pessoas, né? É isso, é isso. Se ele olha para mim e enxerga uma pessoa de direita, eh, que eu visivelmente não sou, isso quer dizer que então ele olha pra direita como ela é e ela só vê, tipo, se alguém que tá no centro inclinado pra esquerda de direita, cara, o sujeito no centro inclinado pra direita e o bolsonarista chapou numa coisa só.
¶19Hum. >> E ele não consegue ver nuance nenhuma. Eh, e aí vamos paraa coisa do desejo versus análise. Yasmin, eh, se eu desejo que o bolsonarismo acabe, desejo, é, é, é uma força que consegue motivar o voto de um quarto da da sociedade brasileira, dos eleitores brasileiros e e que seja extremista, é uma doença que a gente precisa combater. Então, eu quero o fim dessa doença.
¶20E, e, e acho que qualquer brasileiro não bolsonarista deveria desejar isso. Agora, pelo amor de Deus, olha o que que tá acontecendo. Qual é o partido? O Flávio Bolsonaro não tem candidato a vice. Ele tem 15 dias para escrever a chapa dele no TCA.
¶21Ele não tem candidato a vice. Ele não conseguiu fazer aliança, por enquanto, há 15 dias do registro da chapa, ele não conseguiu fazer uma aliança com o único partido de direita. Eh, o que que falta pro nosso amigo olhar e ver que a direita tá trabalhando contra o Flávio? Isso quer dizer que se o Flávio é presidente, o pessoal não vai se aliar? Claro que não vão >> aí a coisa muda de figura, como ele merda de figura, mas que essa direita tá ativamente trabalhando para >> eh eh pro Flávio não ser eleito e tá se distanciando do Flávio é patente, né?
¶22Pelo amor de Deus, tipo, é literalmente o que eles estão fazendo com seus gestos políticos. Tá todo mundo se afastando, ninguém tá perto. >> Pedro, eu vou seguir aqui com um comentário interessante do Lu Vatar. Ele diz assim: "Eu discordo dessa tua ideia sobre a anistia e o risco de golpe. Praticamente todos os golpes que a gente teve foi por gente que tentou antes, recebeu perdão e conseguiu depois.
¶23Considerando o nosso histórico, tratar a possibilidade real de uma anistia eh, como se a gente não tivesse mais risco de golpe é errado, porque pelo menos dois candidatos prometeram ela expressamente. A gente vai ter passado o risco de golpe quando a gente conseguir continuar a política sem que os golpistas, que nós sabemos que são golpistas e de fato tentaram um golpe, saírem do centro da discussão e realmente forem superados. Até lá, o risco tá aí. com o perdão na mesa. Em média, uns 10 anos depois da tentativa, conseguiram dar golpe no passado.
¶24Daqui até 2032, até 2030, acho que ele quis dizer, tem chão ainda. Se essa for a decisão, a se tomar toda eleição. >> Vamos lá. Eh, primeiro ele tá repetindo exatamente o que eu falei no no ponto de partida, né? eh eh a quantidade de pontos de partida que eu descrevi eh exatamente como é que foi o processo de pessoas que tentaram dar golpes, foramadas e deram golpes.
¶25A quantidade de pontos de partida que eu gravei falando isso é um troço gigante. [roncando] E porque isso é assunto de não um, mas dois livros que eu escrevi. Um livro é é um livro chamado Tenentes, a guerra civil brasileira, e outro é um livro chamado Fascismo Brasileira sobre o movimento integralista nos anos 30. O o tenentes fala sobre literalmente a criação da cultura de golpes militares dentro do exército, entendeu? Então, eu não tô falando, quando eu falo da questão de golpe militar, isso e aquilo, eh eu não tô falando sobre um tema eh no qual eu de vez em quando penso eh eh eu eu tô falando sobre um assunto que eh que eu vivo intensamente e estudo intensamente há muito tempo.
¶26Então, o que que eu quero dizer com isso, Yasm? Eh, o que eu quero dizer é que eu acho que esse nosso amigo não entende o que que aconteceu na década de 1950, que no final cont do que que ele tá falando, tá? A gente teve um golpe bem sucedido em 1945, que foi o que depois Getúlio Vargas. Aí a gente tem alguns golpes malsucedidos. Eh, o de que leva ao suicídio do Getúlio, o de 1955, que é contraposto com o segundo golpe, esse bem-sucedido de 1955, que é o contragolpe do lote, que é o que viabiliza a posse do JK.
¶27Aí em 56 você tem mais uma tentativa de golpe. Em 59 você tem mais uma tentativa de golpe. Eh, perante a renúncia do Jango em 61, você tem um movimento que o Tancreiro Neves neutraliza, eh, que chegou próximo de ser um golpe ou de uma tentativa de golpe para impedir a posse de João Gular. E aí em 64 você tem um golpe. E eu incluo 68 como um golpe porque embora já fosse dentro da ditadura, desestrutura e bota um novo eh eh arcabolso legal pro Brasil.
¶28Sempre que você derruba ilegalmente, fora da lei, mesmo dentro de uma ditadura o sistema legal de um país, você tá dando um golpe. É um golpe dentro do golpe, mas é um golpe. Tivemos o golpe de 37, que é outro golpe de dentro de golpe. Então, eh, pelo amor de Deus, olha o que que tava acontecendo nos anos 60. O o comando, o alto comando do exército, os generais não pararam de planejar golpes um único segundo.
¶29Isto não está acontecendo dentro do exército brasileiro. Não é só que não tá acontecendo no exército brasileiro. o o alto comando do exército brasileiro ativamente resistiu a um presidente da República que estava pedindo para eles darem golpe. Entende? Eh, então é [limpando a garganta] preciso primeiro olhar pro exército.
¶30A gente não tem um exército golpista. Eh, ficar alimentando essa fantasia de que nós temos um exército golpista é criar um bicho papão, onde ele não tem e afastar o olhar dos problemas que nós temos, entendeu? Nós não temos um exército oculpista, não temos. Isso é um ponto. Agora, a gente tem um outra, uma outra questão que a gente tem que olhar, que é a política.
¶31O centrão tá no poder. O centrão tem mais poder do que jamais teve através do Congresso Nacional. O Congresso tem uma quantidade de poder como nunca teve. O Supremo tem uma quantidade de poder como nunca teve. E nunca tivemos uma presidência da República tão fraca.
¶32Num ambiente em que você tem uma presidência fraca como essa, em que você tem uma sociedade absolutamente desinteressada em política e muito menos radicalizada do que ela tava 4 anos, 8 anos atrás, muito menos. Num ambiente desses, quem que tem força para dar um golpe? Um presidente da República. Veja, perante um golpe, o presidente pega todo o poder para si. O Congresso vai abrir mão desse poder e o Supremo vai abrir mão desse poder.
¶33Por quê? Por isso que o meu ponto é o que a gente tem que prestar atenção não é no bicho papão, entendeu? O golpe de estado. Eh, tivemos um presidente em 2022 que tentou um golpe, não conseguiu porque o exército não quis. O que a gente tem de problema real e aí não é o bicho papão, o problema que existe é o seguinte, a gente tem uma república que tá quebrada, com uma quantidade de poder eh desmesurada, concentrada no Congresso e dentro do Congresso nas mãos de um grupo que é um grupo que não é radical de direito, é fisiológico e corrupto, que é o central.
¶34A gente tem uma presidência da República fraca num sistema legal construído para presidentes fortes. E a gente tem um Supremo que até em contraponto ao Congresso, mas também por interesse de vários ministros do Supremo, se fortaleceu demasiado. A gente tem um problema que é o corrompimento por completo do sistema e a única maneira de resolver isso é dentro da democracia. Então, o nosso problema não é mais a perda da democracia, mas a corrupção do sistema democrático. É isso que a gente tem que combater, entendeu?
¶35eh eh recuperar a uma estrutura que permita a governança do país. No momento a gente tá com um país que [suspirando] tá não governado e de novo não é por culpa do presidente da República, ele não tem poder. >> Seguindo aí nessa toada, Pedro, eu vou trazer a pergunta do Atla. Ele falou assim: "Pedro Dória, o que precisamos mudar na Constituição Brasileira para que o Estado então funcione? Qual é o aspecto da Constituição que complica a sua eficácia?
¶36É a quantidade de deputados, os partidos, a justiça e também quanto tempo a Constituição vai durar? Achei curiosa essa pergunta do Tila, porque eh eu fiquei pensando se ele não tá colocando um peso também, obviamente um peso que é importante na lei, mas que também exige uma, eu fiquei pensando se ele não, se não existe uma, uma questão de nós mesmos não precisarmos acordar para como as coisas deveriam caminhar, sabe? Eu veja >> se a mudança não poderia, não deveria começar por nós, né? Eu não vejo, eu não vejo perspectiva de mudança na Constituição. Acho que, tipo, mudarmos de Constituição, não, essa Constituição é para sempre.
¶37A >> questão não é essa, >> né? Não, essa Constituição é para sempre. Vamos reformar a Constituição, mas a Constituição é para sempre. >> Hum. >> E é bom que seja para sempre.
¶38E é isso. É estabilidade democrática. A Constituição de 88 é a nossa Constituição. Não tem que abrir mão da Constituição de 88. Agora, ela tem três problemas.
¶39Olha, a constituinte ela foi moldada por 5 anos. Olurício Guimarães, que tava presidindo, eh, Afonso Arinos de Melo Franco, que é o cara que chega com um antiprojeto de constituição. Acho que a gente devia seguir por aqui, Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas e Bernardo Cabral. Esses cinco sujeitos tomaram 90% das decisões que tiveram impacto na maneira como a constituinte foi moldada, tá? E e essa constituinte eh foi construída por homens do século XX, pensando num mundo de guerra fria e na estrutura de uma socialdemocracia europeia como aquelas que nasceram a partir do pós- Segunda Guerra.
¶40E eles prepararam essa constituinte e lançaram essa constituição um ano antes da queda do muro de Berlim. eh 3 anos antes do desmantelamento da da União Soviética e sem ter muita ideia de que a internet ia acontecer, de tipo, ela é uma constituição que foi feita com uma cabeça de segunda metade do século XX e ignorou que aconteceu uma globalização e ignorou que um monte de coisa ignorou que o mundo ia mudar muito radicalmente. da antes da Constituição faz 5 anos. Então, ela tem esses três defeitos que são três defeitos que a gente vai precisar encarar, a gente vai precisar ter coragem de encarar eh cedo, melhor cedo do que tarde. A primeira é o seguinte, ela partiu do princípio de que o bônus demográfico ia durar eh ia durar pelo menos 20, 30 anos.
¶41durou 10. Nós brasileiros não estamos sozinhos nisso, mas a classe média brasileira decidiu parar de ter filho. E não é só a classe média alta, a classe C também, a classe média baixa também. Nós brasileiros decidimos parar de ter filho. E isso quer dizer que quando os casais não têm filhos ou tem tipo um filho, que é o a média, eh o o resultado essencial é que, cara, como é que você paga a previdência?
¶42Tipo, não é boa, não é? Não, mas as pessoas têm direito. Não, não, claro, tem. Eh, eu tô com 51 anos de idade. Eu gostaria de me aposentar em algum momento nos próximos 20.
¶43>> Não, mas aí você já deixou aí a sua próle. >> Não, eu já. Mas o problema é que não adianta, né? É, é o o [risadas] >> problema é o seguinte. Como é que previdência funciona?
¶44Você tem mais gente jovem do que velha. Aquelas muitas pessoas jovens, cada uma dão uma um dinheirinho por mês, você junta, você reparte e traga pros velos. Quando você tem menos gente jovem do que gente velha e a gente velha vive mais tempo, essa conta não fecha. Então >> esse é o primeiro problema constitucional que você traz. problema, primeiro problema constitucional.
¶45E e é muito importante que as pessoas comecem a entender que este não é um debate moral, esse é um debate de números >> matemático. >> É matemático. Tem pouca, a gente tem que encontrar outra maneira de pagar por aposentadoria. Eh, a gente tem que ter encontrar outra maneira de sustentar a gente velha. Eh, a gente tem que reorganizar.
¶46Talvez isso queira dizer que pessoas da minha geração, a gente vai ter que trabalhar mais, entendeu? A gente vai ter que, não, eu não vou me aposentar daqui a 4 anos, 55 anos de idade, daqui a 9 anos com 60 anos de idade. Não, não existe, não pode. Imagina, eu tô saudável, tô bem. Eh, e e outras pessoas eh eh cara eh deu problema, deu ruim.
¶47Eles fizeram um cálculo que a gente ia ter durante muito tempo, muito jovem e pouco velho. Entrou nos anos 2000, já tava fechando a coisa. [roncando] Então, esse é o primeiro problema. O segundo problema é o seguinte. Eles acharam que iam resolver rápido o problema da qualidade da gestão pública e a gente ainda tem um estado que não é capaz de resolver problemas básicos de qualidade de gestão.
¶48Entende? O problema de educação, por exemplo, a gente tem uma educação ruim em boa parte do ensino público de de eh eh fundamental e médium. O problema não é só grana não, tipo, não é só dar dinheiro para eh eh não precisa dar mais dinheiro paraa educação, não é só dinheiro, >> é a gestão desse ol, é a maneira como você gere o sistema >> e a gente sabe que o problema não é grana, porque tem estado que com pouco dinheiro consegue oferecer melhor educação que estado com muito dinheiro. Rio de Janeiro, um estado com muito dinheiro, entrega uma das piores educações do país, entendeu? Obviamente nós temos um problema grave de qualidade de gestão.
¶49Eu tô falando de educação, eu poderia estar falando de boa parte dos problemas. A gente achou que a gente ia conseguir ter um um uma máquina pública mais eficaz e e uma máquina com capacidade de governança. Eh, antes de entrar nos anos 2000, a gente tá em quase 2030. É, >> isso é um problema que o estado precisa resolver e tá diretamente ligado a a a às regras do funcionarismo público. Eh, isso é quando a gente fala de uma reforma administrativa, disso que a gente tá falando aí.
¶50Aí entra a terceira questão que é o seguinte, eh, a gente achou que ia ser fácil crescer economicamente, que o Brasil ia ter facilidade para crescer economicamente e a gente fez um cálculo de que todos esses problemas iam ser resolvidos, porque aos poucos ia ter mais dinheiro de imposto. E a maneira de você ter mais dinheiro de imposto é fazendo com que a economia cresça. E com exceção de um intervalo de 10 anos, que tem mais a ver com primeiro a China botando muito dinheiro no Brasil e depois com Europa e Estados Unidos jogando no chão o juro e tornando muito barato emprestar dinheiro para europeu e americano investir no Brasil. Eh, então durante uns 10, 12 anos, a gente teve uma injeção formidável de dinheiro no Brasil. Quer dizer, não foi um mérito nosso, foram coisas que aconteceram lá fora.
¶51>> A gente tava com a economia organizada e com a máquina pública já muito mais organizada, de forma que a gente conseguiu fazer uma boa gestão dessa entrada de dinheiro, mas a gente não conseguiu fazer do país, do Brasil um país que cresce. A gente não faz isso. A gente não fez isso. Então, quando as pessoas falam: "Ah, o problema na Constituição, porque a Constituição isso, que é Constituição aquilo". A Constituição foi otimista, achou que o Brasil ia crescer com facilidade, >> que a gente ia continuar crescendo a população eh durante bastante tempo e que a gente ia ser mais competente do que de fato fomos para organizar a a máquina de governança.
¶52E a gente descobriu que é mais difícil do que isso. E aí, Pedro, caminhando para previsão possível e quase que eh irrevogável de um congresso mais conservador, pelo menos aí por mais uma década, você acredita que é do interesse? Aí trazendo de novo a pergunta do Lud, é do interesse desse congresso ou é da capacidade, talvez, desse congresso mais conservador realizar essas reformas necessárias? Eu >> seria otimista também pensar isso. >> Eu acho que algumas coisas, como o voto distrital misto, vão passar.
¶53>> Hum. Eh, outras coisas eu não sei. A gente vai ter um a gente vai ter um Brasil mais conservador. A gente vai ter um Brasil mais conservador, mas eu acho que a gente não vai ter um Brasil radical de direita. É claro que para pessoas de esquerda que consideram qualquer coisa de direita horrorosa, é um pesadelo.
¶54Eh, e como progressista eu compreendo, mas aí o meu apelo às pessoas de esquerda é: a gente precisa convencer mais gente, a gente precisa conversar com as pessoas, a gente precisa entender as pessoas, a gente precisa entender a classe média periférica conservadora. A gente precisa, se a gente não eh a chave para qualquer pauta progressista passa por convencer a classe média periférica. Eles são a maioria do Brasil. Se a gente convence eles, eles são donos do Brasil, não somos nós. Se a gente convence eles, a gente e e são pessoas que têm vidas duras, tão tem vidas intensas.
¶55Eh, todos esses dramas que eh quando eu falo que a esquerda precisa se reaproximar de quem tá na luta, quem tá no corre, é porque se as pautas que você quer defender são pautas para defender essas pessoas, não deveria ser difícil convencê-las. A gente precisa conversar, começar essa conversa. Pedro, eu vou fechar com uma anedota do Alexandre que eu achei muito divertido. Ele diz o seguinte, que ele é de extremo centro [risadas] e disse que levemente de direita, mas acha que tá mais perto da centroesquerda que da extrema direita. Quero Simone Tebet, Marina Silva, saudade da Feg do Covas.
¶56>> Eh, >> por aí. >> Acho que acho que ele é um cara de extremo centro. Sim. >> Você sentiu abraçado? >> Eu me senti abraçado.
¶57[risadas] >> Pedro, obrigada. Obrigado. Até semana que vem >> sobrevivemos. Uhum. >> Que bom.
¶58>> Tá, tá liberado. Pode ir pro seu final de semana. >> Muito obrigado. >> Três coisas que separam quem só assiste a seleção de quem realmente acompanha ela. Ó, a primeira, acessa as análises que costumam ficar restritas às salas de decisão.
¶59Ou seja, quem lê pesquisa, poder, sociedade, por dentro. Você encontra esse material no meio político toda quarta-feira e também em matérias e entrevistas na edição de sábado, [música] além dos dados da pesquisa Meio Ideia Mensal, que agora interativa e te permite, se você é assinante, [música] fazer o recorte que mais te interessa dentro do nosso site. A segunda é ter opinião de verdade, não é prestada. É a diferença entre repetir o que ouviu e entender [música] porque aquilo aconteceu. O tipo de leitura que te deixa seguro numa roda de conversa traz repertório e não te deixa cair no argumento [música] pronto.
¶60E agora a terceira, a mais difícil. Atravessar essa eleição sem virar refém de bolha, militância, cinismo. Discordar faz parte, mas sem transformar isso em guerra. É isso que o Meio Premium [música] sustenta todo mês com catálogo de produções originais no nosso streaming. Com a eleição chegando, não é só que você vai ficar [música] mais por dentro, é que em nenhum outro lugar você vai entender melhor o movimento político dos próximos meses.
¶61Só R$ 15 por mês. [música] Assina o meio premium.