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Lula falha ao improvisar em evento da reeleição

¶1É, a gente sabe que é meio show do Lula, né? É meio show do Lula. E eu tenho a impressão o seguinte, ele já não gosta de seguir script e aí eu já não sei se o negócio também foi montado para o pouco que deve ter sido montado deve ter sido atropelado por ele, entendeu? E aí acontecem essas coisas porque ele ele ele não é um sujeito que fica muito preso ao roteiro e aí sai essas essas mancadas, entendeu? que é uma mancada feia, porque, né, como é que você vai dizer que o que as mulheres não podem votar em quem quem bate nelas não tem nenhuma [limpando a garganta] mulher falando, entendeu?

¶2Como é que você esse tipo de improviso é o tipo de, né, no caso de chamar a janja, é o tipo de atitude que que as pessoas, né, os especialistas chamam de contradição performática. Você tá se apresentando como candidato das mulheres, não tenho nenhuma mulher falando por elas, entendeu? Esse é um dos problemas, né? Outro problema central que apareceu também, né? Você não falar de segurança pública, >> né?

¶3Metade do eleitorado aí que, enfim, a segurança pública se tornou um dos maiores assuntos, dos maiores temas eleitorais do continente ou do mundo. Nesse momento em que você tem, né, a gente fica falando aqui um momento de de sensação generalizada de insegurança. É claro que a insegurança não é só uma insegurança pública no sentido de criminalidade, é uma insegurança do futuro. Você não sabe o que vai acontecer. Você [roncando] tem os candidatos da direita, da extrema direita, todos prometendo os mundos e fundos penitenciárias, Bukelli, o Diaba 4.

¶4Isso não dá uma palavrinha sobre esse assunto, mas ao mesmo tempo também diz que não vai ser o candidato do Bolsa Família. Mas então pera aí, você vai ser o candidato do quem? Então você vai ser o candidato que você não falou da segurança pública, você pode ser o candidato das mulheres, mas não não põe as mulheres para falar. Eu achei que podia ter sido menos show do Lula, mas eu tenho a impressão de que aconteceu isso, entendeu? O sujeito tem essa eh que vamos deixar o presidente à vontade.

¶5Ainda tem essa, né? Tá tá no poder, então deixa deixa o jeito brilhar sozinho, né? Aí sai esse tipo de sai essa essa esse festival de bancada. >> Tá linda essa blusa, Flávia Tavares. Desculpa o comentário totalmente aleatório, mas adorei.

¶6[risadas] >> Muito obrigada. [limpando a garganta] Eh, eu é sobre essa questão de não ter uma mulher falando logo no começo, né? na organização, né, uma mulher agendada para falar e etc. Eh, eu acho que tem alguns pontos que valem a gente marcar, né? Porque até anteontem, figurativamente, eh, a Gazzy Hoffman, que é ex-presidente do partido, é era ministra das relações institucionais do governo Lula e é candidata no Paraná, que é um estado onde, obviamente o petismo e o presidente Lula enfrentam dificuldades históricas, eh, e, E enfim, então assim, eu eu até entendo não chamar a Marina e a Simone, porque não são do PT e ontem era uma convenção do PT, eh, embora, se eu não me engano, o Alkmin tenha tenha discursado, mas o Alkmin é o vice-presidente na chapa, né?

¶7Então, eh, eu entendo não convidar quadros de outros partidos, mas você mencionou a Benedita do PT. É >> isso. Você mencionou a Benedita, que além de tudo é uma liderança evangélica do PT. que é um segmento com o qual o presidente Lula tem bastante dificuldade historicamente, mas eh agravada inclusive eh pelo desfile da escola de samba deste ano e que tá em disputa, tá francamente em disputa. Então, embora o Lula e o PT tenham dificuldade de lidar com este público, quando ele tá meio um pouco mais solto, um pouco, >> alguns ficam soltos e outros ficam presas, né?

¶8Flávia deu uma travadinha ali. [risadas] Eh, eu queria aproveitar e eh enquanto a gente reconecta ali com São Paulo, trazer o comentário, eu não sei se é do ou da arte e arquitetura, né, que é um espectador ou uma espectadora nossa que diz aqui: "Ué, Janja não é mulher? Vocês odeiam a Janja igual Redpill". Eh, cara, vou te dizer que eu tava eh esperando aparecer. Eu tô me ouvindo no sanduíche.

¶9Ixe, gente. Daqui a pouco eu vou virar um meme aqui. Parou. Eh, eu tava esperando aparecer um comentário desse e eu acho que é o que se convencionou chamar de esvaziamento de pauta, porque o que a gente tá questionando aqui é a escolha diante de outras mulheres que são candidatas e que têm ali, como a Flávia tava destacando, a Benedita, por exemplo, que é um quadro histórico do PT, eh, que é uma mulher evangélica, que eu tava esses dias a gente falou sobre ela porque a gente tá eh escrevendo uma reportagem eh para nossa edição de sábado, né? Ela é uma mulher evangélica na esquerda desde que isso aqui era tudo mato e é um público que o Lula tá precisando cativar e tal.

¶10E aí ele sacar essa esse improviso da janja assim da da cartola, porque é isso, é personalismo, sabe? E e é muito ruim a gente colocar todo tipo de crítica eh que se faz a qualquer mulher nessa conta do vocês odeiam mulher e é todo mundo red, porque a gente não tá falando dela por ser mulher. A gente tá dizendo que foi uma escolha política equivocada entre outras mulheres. Assim, não tem nada a ver com não gostar da janja, tem a ver com uma questão política, com uma escolha que foi mal feita. E o que eu entendi aqui também é que no problema não era que foi a janquela e e aquela foi chamado de improviso.

¶11>> Exatamente. >> Quer dizer, o problema não é isso. O problema é que não havia uma mulher que tava e oficialmente escalada na programação para falar. >> E no improviso foi uma escolha personalista. >> Exato.

¶12E no caso específico da Benedita, Benedita é um ícone. >> Benedita tá aí desde os anos 80. Benedita era pioneira das pioneiras dos pioneiros. E não precisa lembrar também que ele é uma mulher negra, [risadas] então ele é duplamente representativa. Tava lá no lobby do Batom.

¶13Enfim. Fala, Flávia. E aí eu queria e aí então eu queria e eu falei da da Gle, falei da Benedita, eh ouvi vocês também reiterando. Eh, agora o que objetivamente as coisas que a Jan já disse não foram ruins. Ela falou eh sobre política pública paraa mulher, o que é um tom bem menos ah identitário, militante, né, assim, uma bandeira que pudesse atrair eh desculpa, afastar eleitores.

¶14Ah, veja, não era um evento para eleitores conservadores. Então, não tô falando que ela tenha seduzido nenhum seduzido politicamente nenhum eleitor conservador com o discurso que fez, mas ela também não afastou, ela também não. improviso, ela não cometeu nenhum erro casso na sua fala, nada disso. >> Concentrou a sua fala em na importância de política pública, não fez tanta eh apologia eh apologia a si mesma, fez ao marido, que é quem está candidato e e enfim, que era quem estava sendo celebrado ontem, afinal. Então ali cabia, né?

¶15Isso é uma coisa. A outra coisa que eu queria acrescentar, Cristian, sobre segurança pública, de fato, o presidente Lula Mever perdeu uma grande oportunidade de falar algo mais contundente a esse respeito, a respeito desse assunto. Ele ladeou o assunto duas em duas oportunidades. quando ele tava falando de educação, que ele comparou o investimento com eh o que se gasta com um estudante, seja no ensino médio, seja na universidade, com o que se gasta com o presidiário. Então, neste sentido, reforçando a agência a agenda histórica da esquerda de tratar a questão da segurança pública pela via social, que é algo que já não tem sucesso eh discursivamente.

¶16Então, mas ele mas foi ao que ele recorreu. E, mas a segunda coisa que ele falou com mais veemência [roncando] e aí eu acho que se enquadra na segurança pública, não desta maneira clássica de falar do bandido, do ladrão de celular e etc, mas ou, né, do da criminalidade urbana, mas ele falou da defesa, de investir, de investimento em defesa. ele eh convocou a militância da esquerda a abandonar o preconceito >> eh de se investir eh nas Forças Armadas e tal e muito pelo viés da defesa das fronteiras, da defesa. E é claro que isso não é uma associação automática com a segurança pública, essa que a gente imagina de cara, né, que é a violência urbana, mas não deixa, a meu ver, não deixa de ser um aceno para este tipo de assunto pela pela ótica que que interessa ao PT neste momento, que é a da soberania, que é a do contraponto com outros países que podem querer usar essa bandeira da segurança pública para intervir aqui, como foi feito com a questão das organizações terroristas e tudo mais. Então, esses dois momentos, eu acho que assim, novamente, eu ele poderia ter feito a senos mais eh vistosos para outras eh para para eleitores e para outras camadas da sociedade, mas se a gente entende que era um um evento de militância, né, e que é um é um começo de de tom, né, de você deitar o tom do que vai ser a campanha, eh, me parece que eh ele não vai se afastar muito do discurso da política social na questão da segurança pública, mas vai investir nessa questão das fronteiras, da defesa, eh como um caminho para tratar disso.

¶17Então eu achei bastante simbólico ele ter, feito esse esse esforço. Bom, eu por esse momento eu concluo porque aí a gente ainda vai ainda vai falar mais [risadas] coisas. >> Eh, eu acho que ele ficou ele ficou numa posição de conforto, né? Porque o que eu acho que um dos problemas que eh da cena nesse no que diz respeito a esse a esse tema hoje em dia, é que parece uma dicotomia. Ou ou você trata da segurança, se você é de esquerda, você trata da segurança nacional, que é disso que se trata.

¶18O nome desse negócio é segurança nacional, [limpando a garganta] >> né? Porque é investimento em defesa, defesa da soberania, né? Eh, e aí ele tá, a gente já sabe, ele tá, eh, o o o perigo aqui é chama-se Donald Trump, chama-se Mark Rubio, chama-se intervenção estrangeira, seja efe militar, seja eh digital, enfim, e a gente tem, a gente tá sofrendo uma tentativa de intervenção estrangeira, né? O o presidente da Argentina veio aqui subir palanque de candidato, né? Não foi uma opinião que ele deu.

¶19Seria bom paraa Argentina se o candidato X ganhasse? Não, ele veio aqui, pulou, dançou, xingou, tá? E a gente tem o caso do Marco Rubel. E isso não é Brasil, só ele tá vendo uma tentativa de intervenção na no continente inteiro. >> Sim.

¶20>> Agora, eh, aí parece que é isso de um lado e aí você não trata de segurança pública no sentido de segurança. Eh, você falou criminalidade urbana, embora também tenha eventualmente criminalidade do interior também rural, entendeu? Aí parece que é é ou é isso ou é algum candidato da direita, da extrema direita, que se alinha com o Trump, deixa a soberania nacional de lado, diz que quem vai cuidar de que soberania nacional é um problema só de eh tráfico de drogas, digamos assim, que é um problema de narcotráfico. E quem vai cuidar do assunto é o senhor Donald Trump. Quer dizer, você abdica da você diz que a segurança nacional brasileira é o problema da segurança nacional norte-americana.

¶21[risadas] Então você delega pro pros Estados Unidos cuidarem desse problema. e faz um discurso focando só na criminalidade urbana. Será que não tem como encontrar o as duas as duas seguranças se encontrarem no meio do caminho? Não. Se a gente não a gente não pode cuidar das duas coisas, você não pode eh eh salvaguardar a segurança nacional em relação >> à autonomia, à soberania nacional e também cuidar da da da criminalidade urbana, que é um tema que tem chamado a atenção do eleitorado, entendeu?

¶22Eu acho que é foi um pouco por aí que eu acho que ele podia ter eh matado os dois coelhos com uma cajadada só. E de novo também perdeu essa oportunidade, entende? É claro que a gente tem ainda alguns meses pela frente, mas essas coisas não devem ser separadas. Você tem que tentar cuidar de todos os assuntos juntos e não e não como se fosse assim: "Não, a esquerda cuida da soberania, mas não, a criminalidade urbana é um problema da de educação. Aí cai no no Rousseau ali no Rousseau de bolso, né, né?

¶23Todo o o bom selvagem, na verdade a educação resolve tudo. Se todos tivessem educação existiria criminalidade, >> que tinha pack da segurança para trazer também. né? E tem uma mensagem aqui do Dialez. É de baldes e tem uma foto de um casal, gente.

¶24Então eu não sei. É, é o baldes. >> É isso. [risadas] Eh, mas aí tá dizendo assim, ele nem pode se afastar do discurso natural dele, ainda mais pregando para convertidos. Só que e por mais que seja um discurso ali ao vivo paraa militância, é o lançamento da campanha, né?

¶25Então assim, é claro que isso não ia ficar internalizado ali. >> Eu eu eu eu entendo, eu até concordo com o que você tá falando, Lu, mas eu acho que tem uma diferença, porque o lançamento da campanha mesmo é no dia 16 de agosto. >> Eu acho sim que ontem ele já estabeleceu alguns eh dos temas e dos tons que ele quer imprimir a sua campanha. O principal dele é deles é essa questão de olhar paraa própria trajetória e de vender a própria trajetória como o seu maior ativo, mais do que os seus feitos. Então, quando ele fala que não quer ser conhecido como o cara do Bolsa Família, ele tá querendo dizer isso.

¶26Olha, eu sou eu eu sou mais do que isso. Eh, na semana passada a gente mencionou, eh, eu trouxe aqui, ó, se eu não me engano, tinha sido na newsletter do Thomas Trauman que recomendo, eh, fortemente e reforço aqui, que ele já havia decidido, então, que a forma dele apresentar, se apresentar como antissistema, sendo tendo sido presidente três vezes e dono de um dono fundador, né, de um dos maiores partidos eh do Brasil, seria relembrando como ele como ele acendeu politicamente com as suas greves e no período da ditadura militar e tudo mais, não à toa marcou o seu primeiro evento de campanha público, porque ainda não é campanha [risadas] oficialmente, ele mesmo tirou sarro disso. É aquela conversa que a gente sempre fala, esse prazo exíbo que é que é muito limitante e tal. Mas ele marcou então esse primeiro evento oficial da campanha na Vileuclides, onde foi o comício de 1979, que o lançou nacionalmente como líder eh sindicalista. Ontem eu entendo o o evento de ontem ainda muito voltado para dentro, da mesma forma que o do Flávio Bolsonaro também foi.

¶27>> Três coisas que separam quem só assiste a seleção de quem realmente acompanha ela. Ó, a primeira, acessa as análises que costumam ficar restritas [música] às salas de decisão. Ou seja, quem lê pesquisa, poder, sociedade, por dentro. Você encontra esse material no meio político toda quarta-feira [música] e também em matérias e entrevistas na edição de sábado, além dos dados da pesquisa Meio [música] Ideia Mensal, que agora interativa e te permite, se você é assinante, fazer o recorte que mais te interessa dentro do nosso site. A segunda é ter [música] opinião de verdade, não é prestada.

¶28É a diferença entre repetir o que ouviu e entender [música] porque aquilo aconteceu. O tipo de leitura que te deixa seguro numa roda de conversa [música] traz repertório e não te deixa cair no argumento pronto. E agora a terceira, a mais difícil. Atravessar essa eleição sem [música] virar refém de bolha, militância, cinismo. Discordar faz parte, mas sem transformar isso em guerra.

¶29É isso que o [música] Meio Premium sustenta todo mês com catálogo de produções originais no nosso streaming. Com eleição chegando, não é só que você vai ficar [música] mais por dentro, é que em nenhum outro lugar você vai entender melhor o movimento político dos próximos meses. Só R$ 15 por mês. Assina o meio premium.