Radar

radar · Política & notícias

Escândalos de Lula com Lulinha e Flávio com Master banalizam troca de favores

¶1Eu diria que não surpreende, Pedro, que depois de mensalão e Petrolão isso tenha acontecido, porque qual foi o discurso público produzido eh sobre tudo isso? é que na verdade se tratavam de presentes de amigos do presidente e que, portanto, não se devia achar nada demais e o presidente frequentar um sítio que o amigo dele mantinha com pedalinhos com o nome dos netos do presidente, porque afinal de contas quem nunca teve um amigo muito bem intencionado que desse presentes por simples amizade. Então, a narrativa de normalização e banalização de trocas de favores é algo que gera uma cultura, uma cultura política que normaliza esse tipo de prática. Então o presidente da República recebe fora da agenda um banqueiro no Palácio do Planalto, um banqueiro que todos nós sabemos não era simplesmente um banqueiro, mas um mafioso e trata isso com normalidade. Mas o presidente não deve receber pessoas fora da agenda oficial e tudo vai sendo banalizado e a gente perde vista que numa república há protocolos.

¶2Os protocolos não são chatece fria, que afastam autoridades do cidadão comum. Protocolos existem para criar procedimentos sobre como nós lidamos com a coisa pública. E o tempo do presidente numa república é também coisa pública. Não é normal receber eh agendas eh visitas fora da agenda oficial. existe um protocolo, o presidente precisa ter esse tipo de formalidade.

¶3E ao longo dos anos nós fomos banalizando esse tipo de notícia. E isso obviamente abre uma porta, cria uma cultura onde essa normalização gera um ciclo de escândalos, onde aparentemente a dinâmica da política brasileira eh usa a ideia da polarização, a ideia de você ter um time para chamar de seu, de um numa dinâmica em que quando esse tipo de prática ocorre com o seu adversário, você se escandaliza. Mas quando ocorre com o seu time, você faz de conta que tudo é normal e a gente vem assistindo isso. Então, eh, no debate político agora, a gente vê Flávio Bolsonaro gravando vídeos eh horrorizado com o fato eh dessas transações terem ocorrido, mas ao mesmo tempo ele tenta dizer que só pedi um dinheiro privado para o grande filantropo cultural Daniel Vorcaro e vice-versa. Aí os petistas olham para Flávio Bolsonaro e dizem: "Olha que escândalo".

¶4Ele pediu dinheiro para um mafioso, mas o presidente Lula não. Ele só recebeu o cara fora da agenda, quem nunca. E a gente vive esse ciclo que, no fim das contas, é hipócrita, né? Tem uma uma camada de eh banalização do absurdo que a gente vai se acostumando, porque afinal de contas é só uma visita a mais fora da agenda. E mais uma eleição que nós vamos ter nacional importantíssima, que mesmo com essa eh esses 4 anos que nós tivemos de Brasil ultrapolarizado, de um campo de direita mais cristalizado, acho justo dizer que o PT nunca teve uma oposição tão organizada quanto teve dessa vez.

¶5O o PSDB era quase uma oposição culposa, nunca aprendeu a fazer oposição, não sabia fazer oposição. Eh, nesse processo de ser oposição, o partido preferiu se suicidar a ser oposição de fato ao lulismo. Mas ainda assim nós não vamos ter uma disputa baseada em visões diferentes. A gente está entrando em mais um ciclo oficialmente, né, em mais um ciclo eleitoral, em mais uma campanha eleitoral em que a as versões que estarão em debate serão o escândalo do INSS versus o escândalo do Pancaster. As as notícias ontem, as análises da das campanhas, desse início de campanha, falavam muito que o Flávio estava concorrendo contra o Alexandre de Moraes e o Lula estava concorrendo contra o Trump.

¶6Agora nós vamos ter uma eleição em que teremos o escândalo do INSS concorrendo com o escândalo do Banco Master. Quem roubou mais? Quem é mais culpado? Qual dos culpados está mais próximo dos candidatos a presidente? Será Flávio Bolsonaro, os próximo de Vorcaro ou Lulinha, o filho de Lula, próximo ao careca do INSS?

¶7a essa questão do do chefe de gabinete do presidente da República, que acho que nos traz por uma questão mais fundamental nisso tudo, que é a absoluta incapacidade dos membros do setor público brasileiro de ter o mínimo de responsabilidade, de terem o mínimo de consciência do papel que desempenham no setor público. Um chefe de gabinete do presidente da República vai no Banco do Brasil arrumar um empréstimo, não vai numa rubista. Pelo amor de Deus, um senador quando vai buscar patrocínio pelo pro seu filme, fala com 200.000 empresas, não fala com um único banco que se compromete. Se um banco aparece te oferecendo 160 milhões por um filme, você desconfia, acha que aí tem um problema. Se o careca do INSS quer te levar na Espanha, você é filho do presidente.

¶8Fala: "Não, olha, pode deixar, eu pago a minha própria passagem". O chefe de é uma irresponsabilidade, eh, e que acho que no final das contas materializa eh o que o Mano falou na intervenção dele, que é a visão de que tudo bem, não pega nada, a gente só precisa arrumar uma história que possa embasar esse nosso comportamento aqui e vai ficar tudo bem. Eh, eu digo que é dinheiro privado, eu digo que eu sou empresário, eu digo que essa mulher é só minha amiga, eu digo que não tem nada demais alguém me emprestar dinheiro. e acontece uma descredibilização geral, porque os indivíduos envolvidos nessas atividades não conseguem ter o mínimo de discernimento, um mínimo de separação entre os seus interesses privados e a função que desempenham publicamente. Uma um um deputado pegar carona num jatinho com empresário é um absurdo.

¶9E agora absolutamente normal, porque quem nunca o jatinho tem dono, ia pros Estados Unidos de qualquer forma eu entro ali. Você é um um membro do poder legislativo, você não precisa viajar de jatinho, viaja como todas as pessoas normais. O Congresso Nacional paga sua passagem se você está indo ao trabalho, mas é uma eh uma um esfarelamento da moral na esfera pública sem querer ser moralista. A gente só tá esperando o mínimo e o mínimo é ter um algum discernimento do que separa eh os seus desejos privados, talvez por mais dinheiro e o papel que você mesmo que temporariamente desempenha ali no setor público. >> Pois é.

¶10Eh, e não esquecendo, né, Magnum, você meio que falou isso, mas eu só queria tornar explícito. Com 25 milhões de dólares, você faz dois agentes secretos. Dois ainda estou aqui, ainda tem troco, né? [risadas] E, eh, e eu tô falando dos dois filmes brasileiros que foram candidatos ao Oscar. E, eh, quer dizer, não é para fazer um filminho, é para fazer um um filme.

¶11É, é um filme que o mundo vai ver, que que vai e repercutir, que a imprensa francesa vai escrever sobre ele, americana, a inglesa, entende? Quer dizer, >> pelas imagens que a gente viu do Dark Horse até agora, eu acho que não era o caso. >> Não, não era. Evidentemente que não era. >> Uma peruquinha que me envergonharia no carnaval.

¶12[risadas] Eu quero, eu quero, eu quero ler alguns comentários aqui. Eh, vamos lá. Jorge Luiz Santos, ACM Neto e Ibanez Rocha também receberam dinheiro do Vorcar e ninguém fala nada. Jorginho para, né? Ninguém tá falando nada, cara.

¶13A gente não fala nada de Banes Rocha. Jura? >> Como que ele ficou sabendo? [risadas] >> Não, você vai me dizer o quê? Que foi a imprensa que contou.

¶14>> [risadas] >> Não pode ter sido. Vamos lá. É, Rodrigo Varg. Curioso. Isso vira à tona agora que o Flávio tá caindo nas pesquisas.

¶15Que engraçado. Mas deve ser coincidência. Com certeza. Por que que Flávio Bolsonaro tá caindo nas pesquisas? Rodrigo me diz por que >> deve ser coincidência também.

¶16>> Deve ser coincidência também. Não deve ter nada a ver com Daniel Vorcaro. Nada. Vamos lá. Diego Querobino, não tem banalização.

¶17A corrupção é ambidestra. A investigação é caolha. Olha a história e verá. Liberal é liberal é garantista até ter uma eleição e ter uma fishing expedition contra o mesmo. Diego, na boa, e eu acho que o seu comentário é mais bacana, porque corrupção é ambidestra.

¶18Isso mesmo. Eh, mas vem cá, você acha que o áudio do Flávio Bolsonaro vazou de onde, senão da investigação da Polícia Federal? dizer agora ele é senador da República, é mais complicado abrir inquérito com senador da República, que é o candidato que tá em segundo lugar nas pesquisas eleitorais. É mais complicado mesmo. Eh, e tem razões, inclusive institucionais para ser.

¶19Isso suposto, ele tá sendo investigado, ele obviamente tá sendo investigado. A gente tinha um monte de informação a respeito da coisa. Você acha que esses eh eh que esses boatos todos a respeito de vídeos que ainda estão para sair existem por quê? Porque tem gente que viu esses vídeos. E tem gente que viu esses vídeos porque os celulares do Daniel Vorcaro, todos eles, é mais de um, bem mais que um, estão nas mãos da Polícia Federal, foram compartilhados com pelo menos uma CPI dentro do Congresso Nacional, no Senado Federal.

¶20E muita gente já viu esses vídeos e sabe o que que tem neles. É por isso que tem deputado, senador, assessor, eh, falando tanto em ON quanto em off, o qual o conteúdo desses vídeos. Então, sim, existe uma investigação. Agora, eh eh investigar um parlamentar com cargo, um presidente da República, uma coisa, investigar alguém que não tem cargo nenhum é outra, porque você tem níveis de proteção e de garantia institucionais distintos, o que é absolutamente padrão numa democracia. E no entanto, isso não quer dizer que as informações não estejam vindo a público.

¶21Elas estão elas estão por causa de parlamentares, elas estão por causa da Polícia Federal, elas estão por causa de gente dentro do Ministério Público e tudo através da imprensa. Então os processos da democracia estão acontecendo. A gente é muito mais informado a respeito de tudo isso do que de todos esses casos em ambos os lados do que nós jamais fomos, entende? É, é, eu acho que não dá para dizer que e existe um um olho tampado para um dos lados. Pelo contrário, não me recordo.

¶22A primeira eleição que eu cobri profissionalmente foi a eleição de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso em 1998. Eu tinha 20 tantos, quase 30 anos. E é eh eh um jovem jornalista absolutamente entusiasmado por estar no meio de uma eleição presidencial. sem ter a mínima ideia do que que eu tava fazendo, tá? Eh, eh, eh, e, cara, eu nunca vi uma eleição como essa em que a gente tem tanta informação livre contra os dois líderes, eh, podendo questionar legitimamente eh os procedimentos dos dois candidatos líderes na pesquisa.

¶23Eh, eh, não é verdade que existe alguma coisa seletiva em termos de acesso à informação pro eleitor? Tanto [roncando] informação quanto D para T existe. O que não tem, evidentemente, é condenação, porque a gente ainda tá no processo de investigação. Aí, por último, o Diogo Maed, Lulinha, três inquéritos, Flávio repousa de proteção máxima. Sim, ele é senador da República.

¶24É diferente. É, é. E é legítimo que seja diferente. Você dá algum tipo de proteção para quem eh eh ocupa um cargo eleito. Foi a sociedade brasileira.

¶25Infelizmente é nossa sociedade aqui do Rio de Janeiro que botou o Flávio como senador da República. Eh, todos nós vivemos de 2018. Se ele não for eleito presidente da República, no ano que vem, ele não é nada. Ele é um cidadão comum. E e aí a investigação muda radicalmente.

¶26Agora, a impressão que eu tenho é que nós temos uma bomba relógio. Eh, eh, e aí eu jogo para vocês o que que eu quero dizer com uma bomba relógio? Essa eleição me passa uma sensação de 2014 imensa. A eleição de 2014 tem tinha a Lava Jato ali no TikTok, TikTok. As primeiras coisas apareceram 2015, com a eleição tendo passado, a presidente Dilma assumindo o seu segundo mandato, a Lava Jato explodiu.

¶27A impressão que eu tenho é que no ano que vem, que é um ano sem eleição, eh eh portanto com jogo político zerado, né? Todo mundo já fez eleição, todo mundo já recebeu os votos que tinha, a gente já tem uma noção de quais são as forças políticas. Possivelmente a gente vai ter o presidente Lula seguindo pro seu último mandato como presidente da República. Possivelmente vamos ter um Congresso Nacional, talvez um pouco menos bolsonarista e um pouco mais de direita do que o Congresso atual. Eh, ou seja, as forças ali bem divididas entre o o Planalto e e o Congresso e a gente vai ter uma caça a todo mundo, de um lado e de outro do espectro.

¶28Essa é a minha impressão. É, a gente vai ter um escândalo por vez explodindo. Três coisas que separam quem só assiste a seleção de quem realmente acompanha ela. Ó, a primeira, acessa as análises que costumam ficar restritas [música] às salas de decisão. Ou seja, quem lê pesquisa, poder, sociedade, por dentro.

¶29Você encontra esse material no meio político toda quarta-feira e também em matérias e entrevistas [música] na edição de sábado, além dos dados da pesquisa Meio Ideia Mensal, que agora interativa e te permite, se você [música] é assinante, fazer o recorte que mais te interessa dentro do nosso site. A segunda é ter opinião de verdade, não é prestada, é a diferença entre repetir o que ouviu e entender [música] porque aquilo aconteceu. O tipo de leitura que te deixa seguro numa roda de conversa traz repertório e não te deixa cair no argumento pronto. Agora a terceira, a mais difícil, atravessar essa eleição [música] sem virar refém de bolha, militância, cinismo. Discordar faz parte, mas sem transformar isso [música] em guerra.

¶30É isso que o Meio Premium sustenta todo mês com catálogo de produções originais no nosso streaming. Com a eleição chegando, [música] não é só que você vai ficar mais por dentro, é que em nenhum outro lugar você vai [música] entender melhor o movimento político dos próximos meses. Só R$ 15 por mês. Assina no meio premium.