¶1E aí, pessoal, tudo bem? Sejam bem-vindos a mais uma live. Como que vocês estão? A gente tem dois assuntos quentíssimos para comentar que acabaram de acontecer. Eh, na verdade meio que surpresas, né?
¶2Os dois assim, acho que a maioria de vocês não estavam esperando. Deixa eu ver se o pessoal já começa a entrar aí. Vou mandar também aqui o link no grupo das lives. >> Travou, hein, fugito. >> Travou o quê?
¶3Deixa eu entrar de novo aqui. >> Você tá, eu tô travado. Alô, alô. Testando, entrando. Oi, oi, oi, oi, oi, oi, >> oi.
¶4Voltei. >> Eh, você que tinha travado ou eu que travei? Pessoal que tá aqui. >> Você travou para mim. >> Deixa eu colocar aqui pro pessoal.
¶5Coloquem o link nos grupos. Ah, [suspirando] aqui o Otávio já falou: "Boa noite, grande Fugita, muito feliz pelo pedido de arrependimento do Thalis". Pois é, a gente vai já comentar sobre isso daí. Eh, cadê o pessoal que tá entrando? Já temos 12 pessoas rapidamente entraram.
¶6Bora ver quantas pessoas vão falar aqui. Carlos Alberto aceitaria um ped um debate com David Ribeiro? Acho que quase certeza sim. Carlos já vai responder essa. Eu realmente estou incrédulo.
¶7Thales de fato pediu perdão. A gente vai já colocar aqui para vocês verem. Não preciso acreditar em mim. Ele postou lá na comunidade dele. [roncando] Mateus Andrade, nosso adventista favorito de sempre.
¶8Salve Mateus. Oi, cuidado. Ah, boa noite, Fugita. Boa noite, Wagner. Seja muito bem-vindo.
¶9Souza, o que aconteceu? Então, vamos já falar a respeito. Landre e biblical 2019. Boa noite, Fugita. Cheguei agora e eu comecei agora também.
¶10Fiquem tranquilos. Gente, de fato, eu tô aqui com o Carlos Alberto para falar sobre essas duas novidades. Hoje a gente ia falar só sobre o Gustavo Machado. Por incrível que pareça, eu não estava sabendo que o Gustavo Machado ia abrir uma live para falar sobre essa esse vídeo que a gente pretendia comentar hoje, né, que é sobre a tese dele a respeito da história, da metafísica e tal. E aí de assim, na hora que a gente ia começar também, o Thales notificou ali que ia mandar mensagem, ele postou no grupo, na comunidade dele, na verdade, né, sobre o pedido de perdão.
¶11E eu vou só deixar mais gente entrar aqui pra gente comentar sobre isso, tá bom? Eh, esse comentário, se Deus não existe, quem fez o Thalis pedir perdão? Gente, olha, eu sei que os comentários eles são ótimos, são engraçados. a gente gosta de de ser bem descontraído aqui, mas eu quero muito que a gente valorize o pedido de perdão do Tales, tá? Acho que a gente tem que valorizar, a gente vai ler aqui na íntegra.
¶12Eh, a gente vai fazer alguns comentários preliminares. Eu acho que eu ainda vou escrever alguma coisa também na na minha comunidade ali para deixar escrito e registrado. Eu acredito que o Thales também vai fazer uma live para comentar a respeito, mas eh fiquem incrédulos ou não, aconteceu, né? aconteceu. E aí, enquanto isso, Lord Cook, boa noite, Fugita, boa noite, Fugita, acabei de tomar um bezent, eu não sabia que era tão dolorido.
¶13Dói, meu amigo, dói. Se dói na gente que tá aplicando, imaginem vocês. [roncando] Buscador, opa, Fugita. Saulos Cotos falou: "Salve, Fugita. Boa noite.
¶14Daniel Falcão, salve, Fugita. Está escrito Gustaco no título. Ah, agora só vou conseguir mudar quando quando a gente quando parar aqui eu vou poder editar. Eh, opa, Carlos. Aí vamos ao que importa.
¶15Carlos Renan Santos é uma opção. [risadas] >> Eu não consigo crer que o Tales, que deliberadamente por si mesmo fez isso. Acredito que seu diretor espiritual deve ter influído sobre ele. Eu espero que ele tenha se aconselhado mesmo com o diretor espiritual. Uma coisa que os católicos devem fazer com mais frequência.
¶16Eu acho. Thales ganhou muitos pontos na minha percepção com isso. Thales foi sincero. Todos nós esperamos realmente ali a sinceridade, né? Eh, quando as pessoas não dobram a poste na mesa da loucura é lindo.
¶17Aí ganhou meu perdão pelo animal maldito, otário e burro. Ah, ele ele ele chamou você disso, eu acho, né? Foi isso, ô buscador, não lembro. Thales agora vai pra Assembleia de Deus. Mas por que, gente?
¶18[risadas] Depois dessa vou até seguir o Thales. Opa, boa noite, Fugita. Cheguei agora. Boa noite. Deve ser fake porque o Tales tem muita texto para pedir perdão.
¶19Opa, pessoal, vamos lá. Vamos já comentar. Boa noite, irmãos. Caiado é uma boa opção. Eh, fui pego de surpresa com esse pedido de perdão do Thalis.
¶20Fico muito feliz pela atitude dele. Ah, eu já tomei bezeta nas duas nádagas de uma só vez e de quebra ainda ganhei uma uma perfuração no ciático que dói até hoje. Rapaz, eu como médico até suspeito do que que era aqui. Jonathan, boa noite. Fugita falei de novo porque meu Wi-Fi caiu na hora que cheguei.
¶21Entendi. Outra coisa, Fugita, eh, tenho sido cada vez menos dos o quê? Tenho sido cada vez menos dos jogos eletrônicos, mas Final Fantasy é uma obra de arte. Desculpa. Eh, o Luter falou assim: "Um, eh, aqui um dia sonho, eh, com o canal do Carlos.
¶22Por enquanto agradeço ao Fugida por trazê-lo. Boa noite, sou luterano. Gostei de saber que o Thales pediu desculpas. O Carlos é mais dos bastidores aí. Ele é, eu que sou a figura midiática do grupo.
¶23[risadas] Boa noite, ser cruzado. Fugita, presidente. Eita. Reverendo Thales Muniz, pastor da IPP. Gente, vocês estão ótimos.
¶24falaram assim: "Estou honestamente surpreso com a situação da Gabi. Depois das conversas com ela, nunca imaginei que fosse trans. Tenho a dizer, tenho a dizer que tenho admiração por ela. Ah, que bom que você mantém a admiração mesmo depois de toda essa treta, né, e tal, porque a Gabi, ela é realmente incrível e a situação dela, assim não deveria ter sido utilizada como foi, mas graças a Deus que já houve retratação até sobre isso, né? Única opção é o Lulinha, paz e amor.
¶25Baixem a bola. Aí acolhamos o Thales após este pedido. Querendo ou não, parece-nos um uma grande atitude. Falar era uma lombalgia, acredita? Sair de uma dor da lombar para uma seatalgia que dura até hoje, gente.
¶26Tal se redimiu. Quais são as boas novas? Bem, tem muitos comentários chegando. Bora ler aqui o texto e vamos comentar ao vivo aqui, tá bom? Ah, cadê aqui?
¶27É esse aqui o texto do Tales. Eu também já curti aqui e eu quero ler com vocês aqui. Vamos lá. Após muita reflexão sobre os acontecimentos das últimas semanas, decidi que o mais correto seria fazer um pronunciamento público a respeito dos eventos envolvendo a mim, o Fugita, o Carlos Alberto e a Gabi. Como alguns de vocês já perceberam, apaguei as publicações sobre esse episódio.
¶28Faço isso porque, olhando para trás com mais serenidade, reconheço que minha condução dessa controvérsia ficou muito a quem daquilo que considero correto para um cristão e para alguém que pretende discutir assuntos sérios em público. Eh, e eu faço só uma pausa aqui porque assim, realmente os principais posts que houve ali a exposição da Gabi e outros assuntos realmente já foram apagados. Eu vou entrar em contato com Thales essa semana para discutir alguns outros também em que ainda permanecem alguns dos xingamentos e acusações que eu acho que continuem indevidas, né, das quais ele pelas quais ele pede perdão aqui, mas acho que isso vai ser o de menos, já que ele reconheceu tudo aqui. Acho que isso vai ser bem tranquilo. Eh, mas é isso, né, Carlos?
¶29Acho que vou vou começar parando por aqui. Qual é sua primeira percepção disso aqui, Carlos? Você você já leu esse texto todo, Carlos? >> Opa. E aí, pessoal?
¶30Eh, sim, eu li o texto inteiro. Eh, como eu já disse para você, Fugita, no off, né, existe uma certa nobreza no quando a pessoa retrocede, pede desculpas, reconhece os erros. Então, parabéns pro Thales, né, que eh de alguma forma [roncando] refletiu sobre o assunto e mudou de ideia. >> Exato. Muito bom.
¶31Vamos lá, que tem mais coisa aqui que ele fala. Eh, não busquei reunir informações suficientes para formar um juiz adequado sobre os envolvidos, suas posições e os fatos relacionados ao caso. Em diversos momentos, fiz afirmações sem a devida verificação, interpretei situações de forma precipitada e permiti que o calor do debate e não só do debate, mas também desde a questão envolvendo a direção e a dúvida do fugita pública que me fez taxado de mentiroso, influenciasse decisões e falas que hoje reconheço terem sido injustas. Por isso, peço que leio com atenção e eh o que desejo dizer. Aqui ele reconhece, né, que teve todo o calor do debate, a animosidade, a gente entende que realmente o clima esquentou de fato.
¶32E de fato eu eu realmente expressei uma dúvida, né, um questionamento sobre essa direção do Thalis, porque eu achei no mínimo estranha, suspeita, eh, pelo menos que pudesse ser melhor explicada, né? E eu expressei isso em diversos momentos e tal. Continuo achando, talvez assim, o conteúdo da orientação um pouco anormal para o que é falado em uma direção espiritual, pelo menos dado o contexto e a conjuntura do que tá acontecia. Sim, mas o Thales reafirmou, né, e eu já tinha conversado com ele outras vezes a respeito, que ele de fato tem direção espiritual e disso eu nunca duvidei, né? Eu até menciono em outros momentos que o diretor espiritual dele, ah, já o orientou a evitar falar sobre essa coisa das orações imprecatórias, da morte de Heredes e tal.
¶33E, enfim, ele de fato tem essa orientação. Eu acho bom que o o Thales tem orientação para aqueles que e em algum momento já pensaram que eu zombei da orientação per si, saibam que não é esse o caso. Eu acho bom que católicos tenham oração eh eh orientação espiritual. No nós protestantes também temos o que no nosso caso é chamado de aconselhamento pastoral, eh discipulado, tem vários nomes dependendo da sua igreja para isso. Então eu fico muito feliz que haja isso pela parte do Thalis.
¶34Como ele tem um canal público, ele é uma persona pública, é importante sim que ele tenha uma direção sacerdotal oficial da Igreja Católica Apostólica Romana. Então eu acho isso eh importante de deixar bem esclarecido, né? Mas naquele momento a minha dúvida foi dado a conjuntura de tudo. Isso foi articulado como uma razão para não ir para o debate e enfim, dado pelo conteúdo, eu realmente eh fiquei um pouco consternado. Eh, várias pessoas também eh expressaram essa crítica.
¶35Acho que é por isso que o Thales mencionou esse esse tópico aqui. Mas é bom que ele esteja esclarecendo aí que isso também o deixou eh chateado, constrangido ou sei lá, incomodado, né, por como a própria audiência dele reagiu a isso, né? Ah, mas eu creio que não foi só pela minha manifestação, né? Mas enfim, de toda forma, eh, isso isso acabou afetando de fato a convivência ali. A partir dali, eu senti que, de fato, o clima começou a esquentar entre as partes, né?
¶36Eh, eu me lembro até que, né, quando quando isso aconteceu, eu tava hospitalizado ainda, né? Tava internado e foi isso que que o que que o Thalis comentou e eu comentei de volta. Você quer falar alguma coisa sobre esse trecho, Carlos? ou posso avançar. >> Pode avançar, mas só um só uma questão em relação à direção espiritual.
¶37De fato, eu eu creio que o Thalis eh tem direção espiritual e quando você vê o os seus questionamentos e tal, é mais pelo conteúdo realmente que foi tal como apresentado, ele ele parecia um pouco >> um pouco dissonante do que é o propósito de uma direção espiritual, né, que é justamente na na verdade tratar de assuntos concernentes à salvação da sua alma, não fazer, não ser um somelher debates, né? Mas enfim, de qualquer forma, eh, é bom que ele que ele tenha citado isso, até para a gente entender onde começou a e onde a chave começou a virar, né, para uma coisa muito mais um uma coisa muito mais ah agressiva, né, essas palavras. >> Perfeito. Vamos avançar aqui. Ele continua.
¶38Reconheço que passei a enxergar essa controvérsia muito mais como uma disputa pessoal do que como uma legítima busca pela verdade e também vi isso do outro lado. Isso fez com que eu atribuísse ao fugir intenções e características que hoje reconheço não poder afirmar. Influenciou diversas atitudes que tomei durante esse período. Então o o Thales acaba reconhecendo aqui, né, uma certa passionalidade do lado dele a partir do momento em que aconteceu isso tudo, né, dentro quando o clima começou a esquentar. Eh, da minha parte, todas as vezes em que eu comentei a o mérito da questão, né, do sobre o assentimento divino, é o assentimento teológico, fé divina e tal, eu realmente estava tentando discutir o mérito, né?
¶39Ah, eu eu acredito sim que a conclusão a que se chega com os meus vídeos é que eu estava defendendo a posição escolástica majoritária, né? Isso daí, enfim, tá não tá entrando na na discussão agora no texto, mas em nenhum momento eu quis eh eh pelo menos fazendo uma análise assim pessoal interna, em nenhum momento eu não estive aberto a ouvir o que o Thalis tinha falar sobre o assunto. Então assim, pensando seriamente, na primeira vez que eu assisti ao vídeo, na que foi naquele react, né, que vocês me pagaram para assistir pela primeira vez, na primeira vez em que eu respondi ao Thales por texto e propus o debate e na outra vez em que, enfim, eu fiz a resposta formal depois de um tempo, quando tinha esquentado já o clima, ah, quando a gente fez umas duas lives sobre o assunto, sabe? Eh, em todas as vezes eu realmente estava disposto a ouvir uma articulação por um ponto de vista do da do Marinola, que é de quem ele eles dizem, né, que é a posição ou ou melhor o a inspiração do argumento. E realmente estava disposto a ver se tinha alguma coisa ali para ser discutida, né?
¶40Então assim, eu eu eu continuo mantendo as afirmações que eu fiz nesse debate quanto ao conteúdo dele e acho assim, não considero, posso reexaminar melhor, vou vou orar mais sobre isso e acho que até então não havia uma tentativa obstinada da minha parte de evitar a verdade a despeito de qualquer coisa. Eu acho que eu reconheceria eh eventuais acertos do Thalis nessa discussão se a gente tivesse, sei lá, entrado em outros pormenores da questão, mas enfim, é bom saber que assim o Thalis também reconhece uma certa passionalidade e que tá disposto a abrir mão dela, né, como ele vai falar depois aqui, para que em próximas interações eh a coisa seja um pouco mais diferente, né? Deixa eu ver o que que vocês estão comentando aqui. Ã ã, caramba. Deixa eu ver aqui.
¶41Ainda mais considerando que a parte considerável do público dele não gostou da ideia. Aqui o na verdade comenta aqui. Ainda duvido da sinceridade dele quanto à questão do debate, mas não vejo motivos para desconfiar dessa retratação, ainda mais considerando que parte considerável do público dele não gostou dela, o que já era previsível que aconteceria. É, eu também acho que o Tas deve surpreender principalmente a audiência dele, né? Eu acho que a audiência dele também não tava esperando por isso, mas enfim, que se surpreendam e mudem também, né?
¶42Há espaço paraa mudança também pros seguidores dele. Douglas falou: "Boa noite". Tá, mas vamos lá, vamos continuar aqui na na leitura. Eh, também reconheço que os apelidos, memes e brincadeiras dirigidos ao Fugita foram desrespeitosos e incompatíveis com a seriedade que um debate dessa natureza exige. Independentemente das divergências que existam entre nós, esse tipo de abordagem não contribuiu para a discussão e acabou apenas aumentando a animosidade entre as partes.
¶43Por isso, peço perdão publicamente por essas ofensas. Ótimo, né? Porque realmente já já tava passando do ponto em que às vezes as postagens eram mais eh para reproduzir esse tipo de de memes, apelidos que ele acabou cunhando, né? Mas que bom que também há uma retratação quanto a esse aspecto. Acho que é uma coisa importante que existe uma as pessoas elas não são só matéria, né, Carlos, as pessoas também têm uma honra, né?
¶44Uma honra que eh não é uma coisa que você consegue ferir apenas materialmente, né? Eh, também existe algo aí da da impressão que as pessoas têm sobre você. Isso é uma soma de do que os seus adversários pensam, do que os seus amigos pensam, do que a sua família pensa, do que a sociedade pensa. Então, eu acho que uma retratação nessa esfera também vem bem a calhar. Se quiser comentar qualquer coisa, a qualquer momento, você pode me interromper, tá, Carlos?
¶45Ã, >> OK. >> Aí eu vou continuar aqui. Agora ele se dirige ao Carlos Alberto. Ele fala da mesma forma. Admito que ataquei injustamente o Carlos Alberto.
¶46Fiz acusações e comentários que atingiram sua reputação sem possuir base suficiente para fazê-lo. Então, eh, também admitiu aí que foi injusto com Carlos Alberto. Já tá presumido aí, obviamente, acho que um pedido de desculpa, né, já que ele tá reconhecendo isso. E ele continua para quem eu acho que foi a pessoa mais afetada aqui nessa nessa controvérsia toda, que foi a Gabi, né, que literalmente literalmente não estava participando da discussão, né, assim, estava em outro contexto, com outras questões, né, resolvendo e tal, e foi pega de surpresa, como todos nós. E eu quero ler esse trecho em especial, porque ele comenta assim: "A respeito da Gabi, reconheço que sua situação pessoal jamais deveria ter sido exposta da maneira como foi.
¶47Independentemente de quaisquer divergências ideológicas ou religiosas, sua vida pessoal não era o objeto da discussão que eu estava travando e não havia justificativa para trazê-la. Confesso que expus com a intenção errada, por mais que obviamente considere um erro. Eh, também reconheço que utilizei termos desrespeitosos com ela e em alguns momentos também contra seguidores do Fugita. Essas manifestações não expressam aquilo que desejo transmitir aos meus seguidores, nem refletem a caridade que devo procurar cultivar em minhas interações. E ainda sobre a Gabi, ele fala: "Também chegou ao meu conhecimento que ela já recebe direção espiritual católica e que possui um caso muito particular que, por eu desconhecer, torna a situação ainda mais digna de reparação.
¶48Pessoas em sua condição sofrem habitualmente de muito sofrimento psicológico, então não deveria ter agido para piorar esse quadro. Eh, e de fato, né, assim, por mais que, sei lá, as pessoas, eu [limpando a garganta] não sei quantos de vocês convivem, né, com com pessoas transexuais ou que t amigos, conhecidos, sei lá, qualquer outra pessoa. Assim, de fato, é um grupo que naturalmente, né, por causa de toda a situação social, já sofre uma grande pressão e eh represalha psicológica. Então, acho que discutir isso da maneira como foi discutido realmente eh piorou um pouco e é digno de reparação, como Thales falou. Então, eu acho que trazer à tona isso também é importante, porque era uma pessoa que novamente, né, não estava engajando com Thales e eh sequer estava assim muito a par, acho que de tudo que acontecia.
¶49Acho que o Carlos tava seguindo mais mais de perto, né, os os detalhes dessa história toda e foi afetado, infelizmente, né, pessoas começaram a a falar, a ressuscitar coisas e inventar coisas. Então, inclusive, é o que ele comenta logo em seguida, quando ele diz o seguinte: "Reconheço ainda que ao comentar aspectos da vida de terceiros, sem conhecer suficientemente os fatos, acabei contribuindo para que outras pessoas reproduzissem acusações, interpretações equivocadas e ataques pessoais". Tenho consciência de que uma retratação pública não é capaz de reparar integralmente os prejuízos concretos que isso pode ter causado, mas ainda assim considera meu dever reconhecer esses erros e pedir perdão por eles. Muito nobre. Eh, realmente tem uma parte de dano objetivo que apenas com é sempre assim, né?
¶50Acho que uma coisa boa de a gente extrair desse dessa história é que a injúria, o ataque, a polêmica, o ódio, eles geralmente têm muito mais repercussão, eles pegam muito mais vi do que, sei lá, uma caridade que você faz, uma obra justa, uma coisa boa, né? Qu? Opa. >> Cardeal Caetano mandou R$ 5. A retratação só teria efeitos jurídicos no crime de injure na mitigação dos danos para a responsabilização civil, o que verdadeiramente daria dor de cabeça para o Thalas permaneceria incolume.
¶51O mais provável é a sinceridade do pedido de desculpas. >> É, então essas questões jurídicas aí realmente t de ser analisadas depois, né? Eu não sou um perito na área, mas eh de fato eu acredito que já ameniza aqui alguns dos possíveis, quer dizer, ameniza em parte, né? Não não não cobre tudo, obviamente, mas já começa a mudar um pouco o rumo da história, né? Para uma resolução um pouco mais tranquila, digamos assim, né?
¶52Mas eu entendo o comentário e agradeço pela percepção. Se vocês tiverem mais conhecimento sobre isso, a gente tá, a gente é todo ouvidos para ah para conhecer aqui, tá bom? Enquanto isso, deixa eu ver se alguém tem alguma coisa aqui que estão falando. Se quiser comentar alguma coisa, Carlos. O Pedro falou: "Boa noite, professor Fugus".
¶53Boa noite. Ah, o Vitória falou: "Ele foi muito infeliz em trazer o caso da Gabi paraa discussão. Ainda bem que se desculpou tudo para evitar processinho." Então, gente, eu entendo a reação de vocês. Eh, o sentimento de vocês é legítimo, tá? Eu entendo o sentimento de vocês, mas é como eu falei no começo, eu acho que a gente tem que valorizar, sabe?
¶54quando acontece uma coisa assim, a gente não pode ter também uma uma repreensão total assim, né, e e totalmente vedada a ao recebimento da pessoa arrependida, né? Ah, então eu acho interessante a gente, obviamente vocês podem ter essa percepção, ela é legítima, talvez vocês tenham razão para pensar essas coisas, mas cultivar assim a a boa fé, sabe, depositar a uma um nível de de boa fé e confiança, mesmo que vocês considerem mínimos, eu acho que é interessante para um começo de diálogo, um reestabelecimento de uma certa ordem que foi prejudicada. H, tem uma pessoa aqui que talvez seja seguidor do Thalis, não sei. Realmente o protestantismo não tem fé divina, porém o pedido de desculpas foi muito bom. Jeff, eu queria até que você revisse, tá, revisitasse os vídeos do Tales, porque até o Thales reconhece que os protestantes podem ter fé divina, tá?
¶55A questão é que o Tales estava dizendo que era apenas fé divina em casos em que era totalmente explícito na revelação pública as das proposições, né, que essas poderiam ser criadas com fé divina. O Tal estava argumentando que certas doutrinas protestantes que precisariam ali de um silodismo para serem alcançadas, elas de alguma maneira eh não poderiam ser cridas com fé divina, mas apenas com assentimento teológico. Então eu acho que você sequer entendeu também a posição do Thales, tá? Mas que bom que você reconheceu uma bondade no pedidos de desculpas do Thales. Ah, deixa eu ver aqui.
¶56Não vi se ocorreu esse erro grotesco de ambos. negócio mais infantil que não existe. Não sei do que você tá falando, ser cruzado. Ah, deixa eu ver o que mais vocês estão falando. Ã, [limpando a garganta] um cara comentou que o neoiluminismo venceu.
¶57Ô buscador, você é jovem demais para entender o que que é o neoiluminismo, tá? Essa doí você não era, talvez você não fosse nem viva. Não, vivo você era, mas era muito bebê. H, até mandei no grupo alguns comentários da própria audiência dele criticando a retratação. Sério, eu vou já verificar aqui os comentários do pessoal, [roncando] mas eu tava achando bom assim até então a maioria dos comentários estava sendo em apoio ao Thales, né?
¶58Falar assim, as palavras dele não me parecem sinceras. Repito que vocês podem ter essa percepção, mas alguma coisa eh a gente tem que também, né, a gente tem que acreditar, né, eu acho que dar crédito por algo, né? Ah, deixa eu ver o que estão falando aqui. O que mais? Ã, falar assim: "Termos desrespeitosos aos seguidores do fugita, literalmente, o quão animal, burro, maldito, otário e burro deve ser alguém para fazer um comentário ridículo assim.
¶59Ah, eu acho que esse aqui foi o comentário que ele fez para você, né, buscador? Alguma coisa assim, sei lá. Enfim. Eh, ah, o Elias falou: "Cheguei, mestre. Seja bem-vindo, Elias".
¶60Enfim, tem muito comentário chegando. Então, deixa eu continuar lendo aqui para senão a gente não vai conseguir chegar o vídeo do Gustavo Machado hoje, né? Carlos, você quer comentar alguma coisa até então? Eh, hum, não, assim, só mencionar como você, só ressaltar, como você já havia falado, que a gente tem que presumir sempre a boa vontade, né? A, até que se prove o contrário, a boa vontade dele em reparar os seus erros deve ser levado em consideração antes de qualquer suspeita.
¶61Senão não, senão eh, a gente, senão qualquer pedido de desculpa sempre vai ter alguma intenção secundária que, que não que não leva o pedido de desculpas à sua justiça, né? Então, eu acho que é sempre bom presumir a a bondade da pessoa, a boa fé. >> E assim, eu presumo com relação ao Tales. >> Sim. E é o que Jesus falou, né?
¶6270 x 7, né? 70 x 7. Então, quem quem teria mais motivo para se sentir traído do que Jesus, né? E ainda assim perdoar 70 x 7. Mas vamos lá.
¶63Eh, ele continua aqui. Eh, aí ele continua aqui no final. Por todas essas razões, peço sinceras desculpas ao Fugita, ao Carlos Alberto e a Gabi pelos ataques, acusações, exposições indevidas, ofensas e demais injustiças que pratiquei durante essa controvérsia. Espero que com o tempo minhas atitudes demonstrem que esse pedido de perdão é sincero. Assumo o compromisso de não repetir esse tipo de conduta e peço também as orações de todos para que eu possa agir com mais prudência, justiça e caridade nas discussões futuras.
¶64Também peço eh também gostaria de dirigir uma palavra aos meus seguidores. Sou profundamente grato pelo apoio que muitos de vocês me ofereceram durante todo esse período. Sei que boa parte das manifestações ocorreu porque vocês desejavam me defender e defender aquilo em que acreditam. Ainda assim, peço que a partir deste momento não promovam ataques pessoais, ofensas ou provocações contra o Fugita, o Carlos Alberto, a Gabi ou qualquer outra pessoa envolvida nesse episódio. Podemos permanecer firmes em nossas convicções sem transformar nossos adversários em inimigos pessoais.
¶65Que nossas futuras discussões sejam conduzidas com respeito, honestidade intelectual e espírito verdadeiramente cristão, sempre colocando a busca da verdade acima do desejo de vencer uma disputa. Salve Maria e viva Cristo Rei. Antes de comentar, eu quero só fazer um parênteses, né, que apesar de todas as desavenças eh doutrinárias entre nós, né, entre protestantes e católicos, talvez os católicos gostassem muito do hino oficial da igreja adventista, né? Porque o o logo no final dele tem um trecho que a gente canta aleluia, [canto] Cristo é rei. É bem apoteótico assim, faltando Cristo é rei, né?
¶66Que é quase o lema da Igreja Católica, né? Então, pelo menos isso a gente tem em comum aí, né? Viva Cristo Rei! Ã, mas e aí, Carlos? Olha, meus comentários assim sobre essa parte final, eh, que obviamente, ah, sobre o aspecto moral aqui, a gente tá presumindo também, né, a boa vontade, boa intenção, boa fé do Thales.
¶67Eh, isso muda bastante o rumo como as coisas estavam sendo. A gente fica muito feliz por isso estar acontecendo. E, eh, realmente, se houver novas discussões, se houver, enfim, confrontos futuros, a gente espera que seja esse o espírito. Claro, não precisa deixar de ser argumentativamente incisivo, eh, retoricamente, digamos assim, poderoso. Até porque, assim, quem gosta de de quem já viu os meus debates assim de forma oral e principalmente escrita, sabe que eu gosto de ser bem incisivo assim, né?
¶68Às vezes as pessoas até pensam que eu estou sendo contundente demais, mas é porque eu acho que estilisticamente falando é assim que eu escrevo mesmo e eu não vejo nenhum erro moral em ser assim. O problema é quando de fato acontecem esses desvios que aí eh realmente vão pro rumo da da animosidade que prejudica bastante. Você quer comentar alguma coisa, Carlos? Hum. Não, só comentar um breve, brevíssimamente que eu aceito o pedido de desculpas do Thalis, tá por mim tá desculpado.
¶69Que os próximos, as nossas próximas interações sejam cordiais, mantenham o respeito e vida que segue. É, é para resumir a boa fé. É claro que isso não repara tudo, como o Fugit já comentou antes, mas eu tenho certeza que o Thalis vai [roncando] cooperar com as suas ações, como ele mesmo falou, né? Vai demonstrar isso em ações também futuras. >> Exato.
¶70Eh, o Pois é, querendo ou não, tal atitude parece-nos eh bem honrável. Elias perguntou: "Qual o contexto, galera? O Thales está se retratando aqui de algumas coisas que ele, aliás, aparentemente ele pediu perdão de tudo, na verdade, né, que ele fez eh ser cruzado. Pois é. Aí o Miguel falou assim: "É porque ele mudou totalmente a postura de uma forma muito abrupta e foi logo após a ameaça do processo." Gente, mas vocês têm que entender uma coisa também, tá?
¶71OK. Vocês estão dizendo assim: "Ah, o Thalis mudou por causa da ameaça do de um processo." Mas eu não acho impossível que uma pessoa, mediante eh uma uma coisa dessas possa refletir sinceramente. Ela pode estar assim sendo, sei lá, de alguma maneira impressionada por essa possibilidade de ela ter um dano material, mas isso pode ser ocasião para uma reflexão que começa a ter que começa assim por medo e depois se reflete sobre um questão realmente moral e a pessoa depois se inconvence de algo realmente eh eh verdadeiro sobre o que tá sendo dito, sabe? Eu acho que uma coisa não está desconexa com a outra. pode começar por uma a até porque quando a gente fala no direito, né, sobre uma espécie de prevenção negativa, é exatamente isso.
¶72O estado, de certa maneira, quando ele impõe leis, ele impõe eh prejuízos que a pessoa pode ter e às vezes prejuízos que permanecem, tá, passíveis de eh judicialização mesmo após pedido de perdão, porque o pedido de perdão, como já foi mencionado no Pix, né, aí que mandaram eh eh tem a ver só com a parte da culpa, né, ainda existe o dano objetivo e tal, mas assim, eh quando o estado impõe essas coisas para uma espécie de eh fazer uma justiça comutativa, como a gente fala no Lexo Aristotélico, Ele faz para que realmente as pessoas possam refletir antes de agir, mas não quer dizer porque esse ato de reflexão começou motivado por uma coisa assim que ele não possa continuar a partir de determinado ponto ser sincero. Ou seja, a pessoa pode sofrer uma reflexão por cada não, realmente eu posso sofrer um dano material devido a um processo e depois e pensando, não, mas esa aí será que tem alguma justificativa moral para isso tá assim em lei? Sabe por que a lei ela pune tão severamente esse tipo de caso? E a pessoa e pensa: "Não, poxa, mas realmente aqui tem não é só uma questão da lei, aqui não é só uma questão de um mero positivismo jurídico." Eu acho que até pensando aqui pela teologia natural, eu posso entender o princípio por trás dessa lei e ela vim naturalmente a acreditar naquilo. Eu acho que isso é possível, tá?
¶73É, é como a criança, por exemplo, você tem uma criança que, isso aqui é obviamente uma analogia, né? que você tem um pai lá que tá guiando, às vezes ele tem que impor um pouco mais fisicamente certas restrições para que a consciência vá sendo gerada. Então, eh, uma coisa não impede a outra, tá? Nessa analogia e tem, eu poderia dar o exemplo aqui da criança, mas tem vários na nossa sociedade que são assim. Não sei se o Carlos quer comentar sobre isso, mas enfim.
¶74Eh, >> não, não pode seguir. >> Pois é, o pessoal tá falando assim: "Acho que houve ombridade por parte do Thalis, pedido de desculpas. Ah, quanto os santos também não mudaram de postura em suas vidas antes de se tornarem santos e nem houve ameaça de processo nem nada. Eh, reação ao Gustavo Machado. Em quanto tempo mais ou menos?
¶75A gente já a gente já tá saindo aqui. Não vamos comentar muito mais sobre o assunto, não. Concordo totalmente. Opa, ainda tem Gustavo e achado ansioso pelas palpitarias metafísicas. Vamos já ver aí.
¶76Muita gente com juízo temerário enquanto não der evidências para desconfiar do pedido de desculpas desconfiar inadequado. Pois é isso daí, Otávio. Otávio é meu mentorando aí. O rapaz é é realmente muito sensato. Menos isso era o mínimo que ele poderia fazer.
¶77Aí o pessoal falou: "Carlos falou tudo. É, caramba, o Carlos jogou a argumentação agora. Grande Carlos. Otávio. Sim.
¶78Aí o Jeff veio aqui insistir de novo. Carlos, como o protestantismo teria fé divina sem o magistério infalível para definir seus dogmas? Não seria o mesmo que ter doutrinas não definidas e contestáveis? Se o Carlos quiser, ele pode comentar. Mas isso aqui, Jeff, é a mesma situação do católico antes do magistério definir o que é crido como artigo de fé.
¶79Uma parte muito considerável dos teólogos católicos acredita que mesmo antes dessa definição, o católico, sem saber exatamente qual é a doutrina correta, mas tendo acerto eh tendo acesso ao silogismo verdadeiro baseado na revelação pública, pode acreditar em algo, pode crer em algo com fé divina. E se esse é o caso pro católico, também vai ser pro protestante. Então tá resolvido. Aqui a gente não tá discutindo se nós temos um mecanismo enquanto protestantes de determinar qual é qual. Inclusive os protestantes questionam o mecanismo dos católicos quando apelam ao magistério infalível.
¶80Mas a questão é que aqui o debate não é sobre isso, entendeu? Esse é um outro debate, como eu falei no meu vídeo, entendeu? Se o Carlos quiser complementar, fica à vontade. >> Exato. A questão não é eh a questão não é se os protestantes t ou não o magistério infalível.
¶81A questão é que eles aceitam a revelação pública. Aceitando a revelação pública, isso já é isso já dá ao protestante todas as condições para ter crença e crença com fé divina, né? Eh, e não só isso, né? alguns algumas tradições protestantes não só aceitam a Bíblia, mas também a autoridade de vários concílios. Eh, então isso também pode ser crido com fé divina pelo pelo protestante.
¶82A questão do magistério não entra nesse debate aqui exatamente. Então, a questão é, posto que o protestante aceita tais e tais fontes como divinas, ele pode ter ou não um assentimento a tais proposições com fé divina? É, esse é o ponto. A questão é, há fontes pelos quais os protestantes acreditam ser autoritativas pelo Deus como revelante? Ah, a Bíblia é a principal, né?
¶83Então, pronto, há, portanto, eh, meios, todos os meios necessários para o protestante crer e assentir com fé divina. Outra questão é como que o é é o que o Fugit falou, até mesmo em relação a silogismos, né, que você parte de premissas reveladas, mas uma é explícita e outra é implícita. Isso também está eh isso é possível ao protestante. Há também a questão eh de você de você pressupor realmente um caráter inferencial e lógico que o protestante ele pode ter acesso a partir da revelação pública. É a posição de vários teólogos como Vega e Vasques.
¶84existe a teoria escutista da razão como condição explicativa, que também é uma forma de virtualismo, só que objetivo e não necessariamente eh inferencial. Então, existem várias linhas que o protestante pode adotar e que conduzem ele a a mesma a mesma conclusão que os católicos, né, que que nós queremos e podemos assentir com fé divina. Exato. Ah, bem, ah, falaram mais alguma coisa assim, a retratação, eh, extingue a punibilidade da difamação e da calúnia, mas não chegue da injúria, pois é algo que ofende a honra subjetiva, que não pode ser reparado por uma retratação. Bem, gente, mas a gente tem que parabenizar já o que tá acontecendo, né?
¶85Do resto a gente depois a gente vou falar com Thales ainda. Enfim, nem parece Thales falando, deve ser o diretor. Não, gente, aí eh eu vou tirar esses, não vou ler esses comentários aqui porque ah, porque a gente precisa avançar já, tá? Para ver o vídeo do Gustavo Machado, que muitos de vocês querem ver a gente comentando, né? Mateus sempre eh fazendo questão de dar uma palhinha para mostrar o quanto sua voz é potente.
¶86Hã, eu fiz isso eu não sei quando. Ah, enfim, tem tem bastante gente comentando aqui. Eu vou eh, como eu tá falando, não são excludentes, medo pode levar a refletir. Enfim, vamos ver. Tem tem bastante gente comentando, gente, bastante.
¶87Deixa eu ver aqui. No pedido, ele demonstra que se informou e refletiu sobre coisas pessoais da Gabi, o que, na minha opinião, demonstra alguma sinceridade. Pois é, eu também concordo. Eu acho bom isso daqui. Eh, então assim, tem tem bastante aqui, vocês estão dando bastante suas opiniões aqui agora.
¶88Eh, o Geovani falou: "E cheguei agora." Tal tá demonstrando maior sobriedade. Então, gente, eh vários de vocês podem tecer as conclusões de vocês, enfim, a gente não vai comentar muito mais sobre o assunto. Parabenizo aqui o Thales. Eu vou só ver aqui como estão os comentários, né? Eu quero inclusive incentivar aqui se você for um seguidor meu.
¶89Ó aqui, ó, o buscador ganhou meu respeito. Fico feliz por você ter tomado decisão certa. Thales. Thales abriu o coração aqui. Meu parabéns, Tulis.
¶90Não sei se é uma brincadeira entre eles. Eh, parabéns pela humildade, exemplo. Estou contigo, Thales. Eu não. Ah, sempre tem um pessoal aqui também.
¶91Ah, não achei que você estava errado. É, vai ter sempre esse algum seguidor meio fanático assim, né? Ou algum pessoal que não vai dar o braço a torcer aqui, né? Mas vamos focar aqui nas pessoas que estão elogiando o caráter realmente elogioso que o Talis teve aqui. Ah, tal.
¶92Enfim, tem comentários aqui. Parece que foi ameaçado de processo, gente. Aí a própria audiência do Talis realmente pode, eu já curti alguns aqui antes, pode relutar aqui no pelo que aconteceu, mas o fato é que o Thalas decidiu, para mim decidiu bem, tá? Para mim é bom que seja assim. E é isso, esclarecido isso, vamos pro vídeo do Gustavo Carlos.
¶93>> Bora. >> Tá bom. Então, vamos ver aqui o vídeo do Gustavo Machado. Agradeço a todos que se você veio aqui pela treta do Talhas, obrigado. Mas estamos agora aqui para ver o assistir ao vídeo do Gustavo Machado.
¶94Para quem, se você quiser continuar aqui, sinta-se à vontade, tá bom? Não sei se o pessoal vai querer que a gente eh se vai cair, né, para audiência agora, mas agora vai a gente vai comentar algo sobre metafísica, né, para quem não tava ciente na nos últim nas últimas semanas, eu acho, acho que talvez um mês atrás, não lembro quando, o Gustavo Machado fez um vídeo chamado O que é a metafísica. Acho que menos tempo até. E aí algumas pessoas reagiram no YouTube, né, questionando ali a a argumentação do Gustavo Machado. E eu trouxe aqui o Carlos Alberto hoje pra gente comentar.
¶95Só que assim, curiosamente, eu não sabia que o Gustavo ia começar uma live justamente sobre esse assunto, né? Como a maioria de você já deve ter visto o vídeo, eh, é basicamente assim, resumindo bastante, né? Eu eu nem posso dizer que eu vou resumir de forma totalmente côncia e correta, porque eu nem terminei de assistir ao primeiro vídeo. Eu ia assistir aqui em live com vocês junto do Carlos, né? Mas o vídeo era basicamente uma tese sobre metafísica.
¶96Eu não sei se o Carlos assistiu a tudo, né? Mas ali o Gustavo Machado basicamente está tentando mostrar que a metafísica é fruto de seu tempo, é socialmente condicionada, tenta justificar certas relações que existem ali na sociedade e tal, e teve reações de professores universitários e coisas assim. E hoje a gente ia ver aqui a réplica do Gustavo, algumas das críticas que surgiram, né? Então, e aí, Carlos? Eh, eu não sei se você chegou a assistir ao primeiro vídeo.
¶97Você viu completamente, Carlos, ou não? Eh, eu parei um dos slides que ele tava estava expondo sobre metafísica, mas eu não consegui chegar chegar até o final. >> Tá bom? Então, de toda forma, já que hoje a gente vai ter acesso a uma reflexão mais profunda ou pormenorizada do Gustavo Machado, é até melhor pra gente poder reagir aqui conjuntamente, certo? Então vamos lá, sem mais delongas, o vídeo do Gustavo >> ser no dia 17, eh, daqui a segunda-feira, né, daqui a duas semanas, praticamente.
¶98Então, essa live aí, ela já tá eh marcada. No mais, eu anuncio também que domingo vai sair aí uma outra listo que muitos vão vão querer ver a respeito dos economistas, tá? Vou vou ficar devendo aí o pedido que vários me fizeram a respeito dos autores que tratam da realidade brasileira. Essa aí também tá no meu, tá na minha fila, mas essa vai ser a respeito dos economistas. Então minha ideia, inclusive é na próxima semana fazer novamente uma live aberta, tá?
¶99A respeito aí dessa sharelist. Então a live do curso Mark História vai ficar para membros, vai ficar para daqui a duas semanas, que aliás a última, inclusive foi excelente. Quem quiser aí ser membro do canal já tá convidado e os temas lá tratados t inclusive guardam muita relação com o que nós vamos discutir hoje. Então pronto, ó, fui rápido aí nos comentários prévios. Eh, eu eu preparei aqui um arquivo que daqui a pouquinho eu vou colocar para vocês.
¶100Eu, em primeiro lugar, eu queria agradecer aí ao Frederico Crepe e ao Chará lá, o Gustavo Bertoch, pelos vídeos que eles fizeram ao meu vídeo, né? Eh, a ideia desses materiais que eu das coisas que eu produzo, divulgo, eu quero exatamente fomentar debate, discussões, polêmicas, provocações de todos os tipos. Então, na verdade, eu fiquei extremamente feliz em receber, né, até porque não foram materiais feitos assim com objetivos rasteiros de detratação ou coisas do gênero, mas eh honestamente ali colocando os pontos a partir da sua perspectiva e discutindo e me permite, inclusive me dá oportunidade de aprofundar vários dos aspectos e isso me interessa em vários motivos, por vários motivos, né? Esse tema ele tá um pouco ali nas entrelinhas, pressuposto no meus meu livro, né, publicado Marx e a filosofia, o capital como crítica metafísica, mas está um pouco implícito, pressuposto, principalmente na primeira sessão, vou tratar um pouquinho disso, mas todos os materiais que eu fiz a respeito das minhas pesquisas sobre a gênese e desenvolvimento da metafísica, eu já falei isso aqui em outros momentos, inclusive naquele vídeo, eu acabei retirando desse livro, né, porque ia ficar ilegível, realmente. Eu tava até aqui olhando antes de começar essa live, eh, no Latec, que é o editor que eu uso, que ele meio que já diagrama, ele faz um formato que comprime mais o texto, dá umas 300 páginas que eu retirei do texto.
¶101eh, onde eu vou percorrer ali principalmente as principalmente as primeiras sociedades ali do Oriente antigo, da Mesopotâmia, eh dos sumérios até o período CIT mais ou menos, um pouquinho de Egito também, mas de modo um pouco mais complementar, eh, discussão sobre a Grécia Arcaica e depois sobre vários momentos da história da filosofia, né, que um, particularmente um texto sobre Parmêmides, eh, um sobre o diálogo Parmendes de Platão, um sobre Aristóteles. Essa parte de Aristótes eu mantive um pouquinho no livro, uma parte para tratar da relação lá na sessão dois, no capítulo da mercadoria. Então, até até recomendo eh vocês a darem uma olhada e mais vários outros temas, tá? Como o desenvolvimento dação de analogia na filosofia medieval, eh do teatro, dos fins da Idade Média até a modernidade e por aí vai. Esse texto algumas pessoas já me pediram para disponibilizar, mas eu não dá para disponibilizá-lo porque ele originalmente ele tava em lugares distintos dentro da tese.
¶102Então a maneira como ele tá hoje, ele não constitui um texto legível do começo ao fim. É uma coisa bastante truncada, mas a minha meta é transformá-lo em um um trabalho aí futuro, né, de história da filosofia sobre bases materialistas. eh a história do público da filosofia, não, a história do dos modos de expressão humanos, porque não é só filosofia. Claro que escolhendo alguns tópicos, alguns momentos, eh mas isso vai levar um tempo ainda, mas na medida que eu for trabalhando nesse texto e ajeitando algumas partes, eu também pretendo disponibilizá-lo para os membros do canal, tá? Então, >> ô Carlos, eu não cheguei a ouvir nenhuma coisa do do Gustavo Machado sobre esse assunto ainda, né, da parte medieval.
¶103Não sei se ele comentou em algum vídeo, se no primeiro havia ou não, mas o que que você acha do que ele falou ali, né, que ele comenta inclusive sobre a noção de analogia na idade média. Será que ela surgiu socialmente determinada por características ali eh que estão ali circundantes a esse período da história e coisa assim? E por causa de algo da sei lá, das relações materiais que havia na Idade Média, é que foi possível uma reflexão sobre a analogia. Que que você acha disso? Que de certa maneira a analogia já tá presente em germe em Aristóteles, né?
¶104>> Sim, sim. De certa forma assim, né? quando ele diz na na metafísica que o ser é dito de várias formas, alguns tentam enxergar em Aristóteles alguma forma de eh precedência da analogia do ente que depois apareceria na Idade Média com Tomás Jaquino e outros autores. Mas eu não cheguei a ver o que o Gustavo comenta. Inclusive, na verdade, Fujita, eu gostaria eu gostaria de ver primeiro o vídeo eh antigo dele, porque [roncando] eu não sei o que ele vai se defender.
¶105Eh, mas o vídeo antigo dele, pelo que eu vi do início, parecia muito ruim. Até por isso eu não consegui chegar até o final. Eu parei ali quando ele começou a a falar de dualismo, aí ele falou de imaterialidade, etc. me pareceu um uma posição muito caricata da da metafísica, né? E enfim, eu acho que existe grandes grandes chances dele ter falado besteira em relação à analogia doente.
¶106Mas enfim, se você quiser continuar seguindo com esse vídeo, fica à vontade. >> Eu não é porque assim, eu acho que aqui nesse novo vídeo, eu comecei a assistir um pouco aqui quando quando ele começou a fazer a live, eu não sabia que ele ia fazer e e foi justamente no momento ali em que o Thales e postou a resposta dele, né? Então, eu devo ter assistido assim no máximo uns 10 a uns 10 ou 15 minutos do vídeo. E ele meio que recapitula algumas coisas que ele diz e aí tem duas respostas que pessoas fizeram para ele que de certa maneira questionam o que ele tava dizendo e ele tenta responder, né? Por exemplo, a acusação, pelo menos a que eu tava vendo no momento, era que ele teria cometido uma falácia genética, né?
¶107assim, quando ele fala justamente sobre essa questão de que, ah, cada é como se fosse assim, cada metafísica ou filosofia é fruto do seu tempo e por isso você questiona um pouco a sua habilidade, a sua validade, a sua abrangência e tal. Só só um um ponto, é que ele fez um slide, juro por Deus, ele fez um slide. Eu acho que seria interessante ver o vídeo dele anterior, porque me pareceu que a leitura da metafísica, especialmente aparentemente meio influenciada pelo uma visão de Platão e Aristóteles, parece um resumo de ensino médio. Juro por Deus, [risadas] parece um resumo de ensino médio. >> Então, bora ver, Carlos.
¶108>> [risadas] >> Pera aí, pera aí. O que é a metafísica? Acho que é esse o nome do vídeo, né? Esse aqui, ó. Eu tava >> corpo quando morria.
¶109Isso. Alma era, >> ó. Eu tava vendo aqui eu tinha pegado uns trechos, mas deixa eu ver aqui. Vamos lá, então. Vamos começar do começo.
¶110>> Uma diferente, quer concordem comigo ou não, tá? Eh, então eu preparei aqui um um esqueminha, como normalmente eu faço para orientar. eh a nossa conversa, o nosso diálogo. E eu não vou mentir para vocês que esse vídeo ele foi, na verdade, estimulado por uma uma questão que me causou certa surpresa, mas também me chamou atenção paraa necessidade de fazer aí um vídeo como esse que tá sendo agora publicado. Quando eu fiz a tierlist dos filósofos, várias pessoas mostraram um enorme incômodo pelo fato de que eu não coloquei Espinosa eh entre os os filósofos que foram ali eh classificados, por assim dizer, né?
¶111Claro que eu poderia ter colocado Espinosa, mas não é esse esse ponto. Me chamou atenção porque tantas pessoas me fizeram esse questionamento e depois nos comentários, na live que eu fiz a respeito do tema, algumas pessoas bateram na tecla de que Espinosa teria um papel fundamental na ruptura daquilo que seria o dualismo, que caracteriza a nossa forma de pensar, não é isso? Um um âmbito ideal e um real, o âmbito do conceito e do fenômeno, do abstrato e do concreto, não é isso? E assim por diante. Vou falar muito sobre isso aí nesse vídeo.
¶112E eu me causou uma certa perplexidade, inclusive agradeço as pessoas que colocaram essa questão, tá? Eh, mas também me chamou atenção pra necessidade de começar a desenvolver aqui no canal eh materiais mais leves e mais profundos sobre temas mais filosóficos que eu já fiz aqui em outros momentos e agora com canal que tá muito mais organizado, né? Vocês já podem ver, não cumpri ainda todas as minhas promessas, [risadas] mas tô começando a cumprir várias delas, né? Inclusive o canal mais organizado, mais sistemático, com vídeos periódicos e tudo mais. Então, e mais, eu vou começar a tratar muito do tema do pós-modernismo, que não tá relacionado a esse vídeo em particular.
¶113Eh, então, mas esse tipo de material vai ajudar as pessoas entenderem o meu ponto. Até então eu evitei de tratar desses temas aqui no canal porque eles podem dar margem a muita confusão, mas nada melhor do que eu abrir caminho, né, para que essas confusões eh sejam minoradas, por assim dizer. Então, vai ser um vídeo mais extenso e eu não vou discutir aqui, eu já adianto para vocês, tá? Especificamente sobre nenhum filósofo, sobre nenhum autor, vai ter menções, evidentemente, a certas tradições, mas eu vou passar, por assim dizer, por uma base mais geral que tá, digamos assim, pressuposta em todas as elaborações filosóficas, consideremos boas ou más, todas. E, sem eu precisar falar nada a respeito, eu acho que vai ajudar vocês a entenderem, porque eu não considero sobre forma de forma alguma que Espinosa ajudou a superar eh esse dualismo que caracteriza a nossa história.
¶114Pelo contrário, ele é uma das expressões mais elevadas disso, ainda que seu pensamento possa ser chamado de imunista, né? Não importa. Eh, então eu queria começar com vocês pra gente situar a especificidade do mundo que nós vivemos e da sociedade que nós vivemos e das formas nossas de se pensar que estão associadas à forma como esse mundo funciona, comparando com outras formas de organização social muito diferentes das nossas, tá? Muito diferentes das nossas. E aí eu resolvi pegar aqui só dois tópicozinhos, tá?
¶115Isso fez parte dos meus estudos aí na minha reflexão sobre a metafísica ocidental, sei lá, uns 15 tópicos, mas aqui eu vou mostrar rapidamente uns dois que vai ajudar vocês a entender o que é emergência da metafísica na nossa sociedade, o que a caracteriza e o que é de fato superar esse dualismo que caracteriza nossa sociedade. Eu vou terminar assim falando de Marx lá no final para vocês entenderem porque que sim, Marx vai fazer uma uma revolução teórica já na sua concepção, não só no seu estudo do capitalismo, mas para dar um nó na cabeça das pessoas. Essa revolução teórica não é nenhum sistema filosófico geral sobre o homem, sobre a história, sobre o universo, sobre o mundo, tá bom? Então, uma coisa que todos nós temos muita dificuldade para entender, muita. E é normal, porque a gente eh pensa com umas categorias, com as relações, com as experiências que nós vivenciamos.
¶116Então, a gente pensar, fazer um esforço para pensar com as categorias, com com os modos de se pensar, características de povos que viviam um tipo de sociedade muito diferente de nossa, é um esforço hercúlio que a gente tem que fazer, tá? como se fosse o Hercúlio. Tanto que esse estudo meu sobre a metafísica, ele teve um preâmbulo que eu dediquei h alguns anos. É onde o meu principal estudo onde eu dedicava mais tempo, não era estudar o Capital de Marx, nem Aristóteles, nem Hegel, nem nada disso. Era essas formas de sociedade anteriores ao capitalismo.
¶117Acho que foi o que eu mais estudei no período ali entre a defesa do meu mestrado e, né, que redundou depois na publicação do livro Marx História, e meu ingresso no doutorado, eh, que se deu aí uns 3 anos depois, 3 anos e meio depois, tá? Eh, então a principal dificuldade é que nessas sociedades anteriores ao capitalismo, mas não só ao capitalismo, anteriores ou ainda não permeadas por aquilo que se acostumou chamar de sociedade ocidental, que é algo que tem sua origem no mundo greco romano e que depois vai vencer essa batalha para o bem, para o mal, do ponto de vista das outras sociedades que existiam aí no mundo, né, impondo seu próprio modo de produção ou modo de produção constituído no interior dessa própria sociedade. E essas sociedades então anteriores ao capitalismo, elas têm uma característica muito difícil da gente entender, é que nelas não existia, nem na realidade e logo nem no pensamento, abstrações autônomas, universais autônomos, conceitos que paíam no ar. E já aqui é muito importante abrir um parênteses. Eu não estou dizendo que esses povos não eram capazes de usar da abstração.
¶118É óbvio que eram. Não estou dizendo que eles não eram capazes de abstrair. É óbvio que eram capazes de abstrair. No entanto, essa abstração nunca era considerada por eles como algo autônomo que podia ser considerado separado das coisas e processos que existem no mundo. E uma forma da gente visualizar isso com muita clareza é no direito.
¶119Então, eu até já fiz algumas anotações prévias aqui para facilitar um pouquinho a nossa conversa. Eu vou começar fazendo algumas considerações sobre o direito na sociedade mesopotâmica. E olha, nas sociedades meses tá gente, porque não existe uma sociedade mesopotâmica. Eh, a Mesopotâmia é o nome que nós damos a sociedades que desenvolveram conexões e rupturas entre si, eh, com distintos povos dominantes ao longo de um período que nós temos melhor documentado, que vai de 3.500 anes de Cristo aí, desde, eh, Eu, Summer, né, Suméria até o período assírio, neobabilônico e etc, lá no primeiro milênio antes de Cristo, tá? Então nós estamos falando de um período muito amplo que ocorreram sim transformações, inclusive transformações que vão no sentido dessa maior autonomia da abstração, mas que a coisa não foi levada até o seu limite.
¶120Eu não vou entrar muito em detalhes sobre isso, mas uma coisa importante é que lá nessas sociedades nós temos descobertos aí por um período de cerca de 1000 anos, tá? O que inicialmente as pessoas entenderam como direito, como código de leis, que não são código de leis. Vou até mostrar aqui para vocês, não são tantos, tá? Sobreviveram, evidentemente deve ter existido mais. Tem essa publicação aqui, ó, os primeiros códigos da humanidade com tradução em espanhol.
¶121Esse autor espanhol aqui tem materiais muito bons de tradução desse material, tá? Que é o Federico Lara. Eh, o Federico Lara Peinado, os primeiros códigos da humanidade. Aqui tem todos os códigos que foram descobertos, tá? Fortemente anotado, comentado a respeito do vocabulário, da linguagem, das dos termos utilizados.
¶122Uma edição muito legal. É com exceção do código Ramurado, que é mais denso e aí tem uma publicação à parte aqui feito pelo mesmo autor, tá? Então eu estudei amplamente esses códigos. Eu devo ter aqui na minha pasta, sei lá, umas 50 referências secundárias só que trata desse tema. Eh, e quando isso foi descoberto, todo mundo olhou, falou: "Pô, caramba, tá aqui o quê?
¶123Um código de lei". Porque parecia mesmo um código no nosso sentido. Quando isso foi estudado mais profundamente, a gente viu que lei no sentido autônomo, código de leis no sentido autônomo e uma justiça no geral era algo inconcebível nessas sociedades. E vocês vão entender já já o porquê. Por várias razões, tá?
¶124Então vou comentar aqui. Primeiro, eh se pegarmos o código Ramuráb, por exemplo, que é o mais extenso e é o mais extenso mesmo, tá? Assim, compilações de, vamos chamar assim, de enunciados do direito, de leis, se quisermos apenas a título de referência aqui no começo. Esse aqui é o mais extenso que existe, tá? desde o código até o código de Justiniano, que já vai se dar ali eh, no Império Romano do Oriente, ali já na no período de que é considerada a dissolução do Império Romano.
¶125Então, os mais mais extensos que nós temos. Eh, e o que que é interessante a gente notar aqui, quando a gente estuda esse negócio, a gente percebe que isso, na verdade, não tinha nenhum valor normativo, tá? Nenhum valor normativo. O que que significa isso? Nunca foi encontrado um único caso em que códigos, como o código de Hamurab foi usado para avaliar um caso particular.
¶126Ó, segundo o COT Hamurab diz que nessas situações e nós temos que fazer isso, imputar uma pena X. Não só o COD Ramurab, nenhum outro, tá? Chegou até, tem uns dois casos lá na bibliografia que eram ambigos, que dava a entender que poderia ter referência a algum código, mas toda a crítica contemporânea já eliminou isso aí de uma vez para sempre. Então isso aqui não é lei e nem é código no nosso sentido, porque isso aqui, na verdade, eh, é apenas um compilado, nós vamos ver de sentenças reais, nunca era utilizado como uma [limpando a garganta] norma universal, uma norma geral para avaliação de casos particulares, tá? Então isso aí já é um fato histórico.
¶127E olha que a documentação sobre isso não é pequena, não, tá? Porque nessa sociedade você tinha a escrita chamada de cunaforme, que era feita em tabuinhas de argila. Eh, e por ser feito nesse meio tabuinhas de argila e que sobretudo após as cidades serem incendiadas, isso virava quase como uma pedra. Vocês não fazem ideia, nós temos milhões dessas tabuinhas que foram desenterradas. Uma quantidade não não pequena é ligada à questão, vamos chamar assim, eh, jurídica, entre aspas.
¶128Eu quero fazer começar a fazer um comentário aqui sobre isso daqui. Ah, porque apesar de o Gustavo ele dizer que ele não tinha uma função normativa, eu acho isso um pouco estranho, né? Porque essas leis do antigo Oriente próximo eu também estudei por causa assim de um antigo interesse que eu tenho por causa das leis sobre escravidão, né, que inclusive gerou um vídeo aqui pro canal. E é engraçado ele achar que isso não tem valor normativo para fazer com que as pessoas entendessem o que que elas deveriam fazer nessas circunstâncias, né? Porque uma coisa é você não ter um registro de aplicação dessas leis.
¶129Vou dar um exemplo na no livro de Levítico, eh nós temos ali a prescrição da lei sobre os anos sabáticos a dentro dos ciclos de eh de ciclos agrários, né, de que são de sete em 7 anos, completando depois o ano do jubileu, o Iovel em hebraico. E aí você tinha um repouso da terra na qual você também tinha a libertação de algum de certos escravos, né, na verdade. E é engraçado que assim, a gente não tem uma aplicação de fato disso na história. Você não encontra nem no livro dos jubileus, que é um livro que às vezes é disputado, né, entre essas eh essas controvérsias aí dos livros eh sagrados ou não pelos judeus, eles não nós não temos nenhum caso de aplicação disso, mas na Bíblia é computado, como uma das causas, né, de do cativeiro babilônico o fato de a terra não ter repousado, né? a gente vê isso.
¶130Inclusive, o profeta Daniel estava estudando o livro de Jeremias, quando ele vê essa essa situação da ele tá refletindo sobre o cativeiro babilônico e tal, no período neobabilônico, tá? Porque o código de Ramurábia do período babilônico, realmente lá atrás o neobabilônico é é um é um pouco mais assim que é pelo menos na época bíblica, na época bíblica, ano quinto ou sexto antes de Cristo, né? E é engraçado que assim você eh ainda vê uma certa expectativa do povo de Israel de que aquilo ali realmente funcionava como uma norma. Porque assim, se você for pegar e comparar o código de Hamurab com o código da lei eh de Israel, você vê que a sociedade imputava sim um valor normativo naquilo, com previsão também de se acontecesse aquilo, a haveria uma certa imputação eh de culpa e também de juízo sobre, né? Ou seja, uma repercussão prática, objetiva, real, né?
¶131Como o Gustavo Machado gosta de falar. Então, por exemplo, lá dizia: "Ah, se você, se um escravo, por exemplo, fez isso com o seu senhor, terá sua orelha cortada. É, se você, por exemplo, devolveu a um escravo pro um escravo fugitivo pro seu dono, né, que isso tinha na lei do código de Hamurab, né? Você deve pagar não sei quantos shquels a a ao seu ao seu dono de origem, né? O que na Bíblia era proibido você devolver o escravo fugitivo, né?
¶132Eu falo isso lá no meu vídeo. Então, assim, como que a ele ele espera que isso não represente um código normativo? É claro que é, né? O fato de você não encontrar eh aplicações dessa lei, que tecnicamente a gente chama de leis casuísticas, não significa que elas não tinham valor normativo. Pode ser significar tão simplesmente que você não tem registro suficiente para ver essas aplicações, mas esperava-se sim que aquilo ali fosse um valor compartilhado entre eles e queria reger a partir do momento em que você encontrasse aquela conduta para dizer isso aqui vai ser punível com X ou com Y.
¶133Então o fato, eu já começo a achar um pouco estranho, né, assim, pelo menos se vocês quiserem ler mais sobre isso, aquele livro do Gregor Chiritino, que eu cito no meu vídeo sobre a escravidão, fala bastante sobre o assunto, né, eh, que é o ah debits lavery in the ancient near east, né, que é o a a lei dos dos escravitos por débito, né, por dívida no eh antigo oriente próximo. Então assim, e não só o código de ramurábia, a gente é estudado ali, né? Tem várias outras leis que são comparadas também. Não sei se o Carlos quer comentar alguma coisa, mas para mim isso aqui é evidente. Se ele não quer tomar, por exemplo, o o período ali que ele tá estudando, né, Mesopotâmico como algo normativo, tome o o caso hebreu, assim, mais recente, mesmo que você assuma que não é da época lá, se não é contemporâneo código ramurab, se você assume, por exemplo, a crítica, a crítica dos textos terem sido compostos, né, por tradições distintas, né, ter o texto sacerdotal, né, com a hipótese documentária, eh, o texto, enfim, deuteronômico, né, se você ainda Ainda assim, se você aceita isso, você ainda vai dizer que é, sei lá, século 5, 6 antes de Cristo, que é muito antes da instituição da sociedade capitalista, né, que ele tá analisando, né, e da sociedade ocidental.
¶134Eh, inclusive que que ele que tava, acho que há pouco ele mencionou, acho que é a sociedade capitalista, né, se não me engano. Então, você já tinha claramente ali a ideia de você fazer a coisa por ser justa, você punir o ímpio pela sua impiedade, pela sua dureza de coração. Isso é muito dito na Bíblia, sabe? Escolhei hoje a quem servais, né? se Deus.
¶135Então, assim, a Bíblia para mim parece pressupor muito que aquilo é um código normativo, né? Enfim, não sei se o Carlos quer comentar algo sobre. Eh, eu acho incrível porque, por exemplo, eh, na Bíblia nós vimos várias vezes a estrutura das sentenças, ela segue um padrão normativo. Não faça isso, não siga isso, faça isso, busque aquilo, etc. Ou seja, a estrutura da sentença é normativa.
¶136Se não há casos, se não há casos de de repercussões práticas e particulares disso, isso nada afeta o fato da estrutura sim carregar intrinsecamente um valor um valor normativo. [roncando] E a gente vê isso também refletido no no código de Amorab, né? E mais, no período, no período eh neotestamentário, nós vemos várias e várias vezes os judeus tomando sim várias prescrições da lei de Moisés contra Cristo, eh, de forma eh como se Cristo estivesse violando uma lei, ou seja, um caráter, um padrão normativo, por exemplo, em relação ao sábado, né? eh, por exemplo, eh, quantas e quantas vezes Cristo eh foi acusado de blasfêmia e também outros apóstolos, né? Então, você vê que aquilo era sim entendido como um código eh normativo, né?
¶137>> Uhum. Exato. Aí ele tá tentando fazer isso para dizer, ah, que as pessoas não tinham uma concepção de ideias autônomas e tal, mas uma concepção de justiça que que realmente não se confunde com os próprios indivíduos e com a materialidade, eles certamente tinham, né? Porque assim, é, ou pelo menos é o que implica o fato de você saber que aquilo é um dever seu, né? Ou seja, você vai agir por um dever, né?
¶138Mas enfim, vamos lá. Tá? Então, a quantidade de material que nós temos nesse sentido é bastante significativa, muito mais significativa do que depois no período da escrita alfabética, que ela passa a ser escrita em papiro, né, lá na China, logo logo em papel mesmo, eh, papiro, pergaminho e por aí vai, tá? Eh, todos os enunciados do código amurab, por exemplo, e também nos outros, eh, eles mantêm uma um caráter de uma sentença concreta, proferida por um juiz, por um rei, etc., e não de uma sentença geral. Inclusive até conjugação, se quando a gente olha a conjugação, ela tá sempre projetada pro passado e nunca pro futuro.
¶139Então não é algo para ser aplicado em lugar nenhum, é algo que foi aplicado, tá repleto de lacunas. Então se você pegar o código Ramuráb, por exemplo, você tem eh de fato ali no Código Ramuráb eles estão organizados por temas. Realmente há uma organização temática no sentido de que as sentenças que dizem respeito à violação da terra, que o indivído, a família, aldeia cultiva, tá em um lugar, as sentenças relativas a ato de violência individual, tá em outro, as sentenças relativas a roubo, t outro, então há realmente organização temática. Quando a gente olha dentro desses temas, elas são recheadas de lacunas, ou seja, elas não têm generalidade, não tem universalidade, é um monte de casos particular. Você não há ali casos óbvios, por exemplo, vai ter um caso que vai ter casos de agressão do filho em relação ao pai, prevendo várias punições.
¶140E não há, por exemplo, o caso do parricídio, que é um caso. Então, se você tiver uma situação de paricídio e você quiser usar o caso de ramurá para poder avaliar, você não consegue avaliar nada, porque esse caso não tá previsto ali. Então, é como se fosse um monte de sentença particular, onde outras sempre podem ser agregadas umas a outras, as outras, tá? Não apenas, tá? Eh, não há nenhuma definição geral.
¶141Então, há várias punições previstas, por exemplo, para roubo, mas não há não há nenhuma preocupação em definir o que que é roubo, por exemplo, tá? Eh, nada, os conceitos, nada lá é objeto de definição, absolutamente nada. Eh, as pessoas simplesmente reconhecem como sendo aquilo. E por que que isso é importante, gente? Porque a inexistência de definição é uma evidência muito, muito forte.
¶142Isso nunca foi um código de leis no nosso sentido. Isso nunca foi um conjunto de de uma legislação universal, eh, uma codificação universal voltada paraa aplicação em casos particulares. E também não há. O que eu acho engraçado dessa crítica do Gustavo Machado é que ela parece eh ele tá criticando muito as pessoas que tentam de certa maneira olhar pro passado de maneira anacrônica, mas essa crítica dele aqui ela me sua muito anacrônica, porque quando você tá dizendo que ela não parece um código de leis, ele parece ter na mente dele por código de lei o que a gente chama hoje de civil law, né, que tem uma estrutura muito próxima ali do que veio a ser desenvolvido no século X7 em diante, até antes com formulações, enfim, que vem da que são influenciadas pela própria escolástica, que vem depois ali sendo eh eh influenciadas pelos iluministas. Mas assim, esse essa estrutura da civil law que é que que parte, por exemplo, de preâmbulos, né, assim, preâmbulos gerais e que tem as definições, que tem uma uma questão propositiva distinta, né, que aí a lei ela tem uma uma ela tem uma estrutura diversa, né?
¶143Eh, isso é o que a gente tem hoje, mas no passado a lei, ela tanto nessa do código de Ramurábio quanto nos outros casos do antigo Oriente próximo, ela é ela é uma lei estilo casuística, né? Ou seja, é assim que a gente chama lá. Inclusive no no Antigo Testamento também era assim. Por exemplo, você vê, por exemplo, o pessoal às vezes é uma crítica que fizeram já meu vídeo sobre escravidão, tá? Eu tenho até que eu gente eu tô tentando gravar esse vídeo ainda, mas é que tá surgindo tanta coisa para fazer que eu não consegui responder ainda.
¶144Mas algumas críticas que fizeram porque ainda não entenderam de fato o que que é ser uma lei casuística. Eh, por exemplo, ah, eh, em Êxodo capítulo 21 tem essas delimitações sobre os escravos. Isso daqui que você tá apresentando só é trazido lá no livro de Levítico. Mas é claro que era assim. É claro, porque certas leis elas só vão sendo registradas a partir do momento em que há um caso para isso, tá?
¶145É um caso para isso. Ah, você vê, por exemplo, alguns casos, se tá inclusive na Bíblia, no Pentateu, que tá nos primeiros, nos cinco primeiros livros da Bíblia, quando tem aquela situação lá das filhas, né, de um das filhas de um homem que não deixou herder o homem, né, se elas poderiam herdar elas, se elas poderiam herdar a a terra do pai, né? E aí e aí como assim? Mas esa aí, não, elas não têm eh ele não tinha herdeiro o homem, como é que pode ficar? Será que pode ficar com mulher?
¶146E aí é o caso é trazido para Moisés decidir. E Moisés fala assim: "Ah, puxa, é verdade, né? Não tá na lei, mas isso daqui é justo, a gente pode conceder". Então, é porque a situação era casuística, as leis iam sendo registradas conforme os casos iam acontecendo, entendem? Então, por exemplo, lá nenhum escravo tinha matado o seu senhor até então, mas aconteceu um caso lá em que matou o escravo.
¶147Então, vai lá e se registra uma história sobre isso, entendeu? Então, era assim que era cumulativo, né? Ou seja, ia acontecendo, ia sendo registrado. Não é no sentido de sev, como por exemplo, os 10 mandamentos eles descem registrados todos pela mão de Deus, certo? Eles vem todos assim.
¶148Mas naquela época e tinha um com relação ao todo a toda civilização eh ao redor, Deus respeitou a maneira da redação daquele povo. Então, por exemplo, ele tá falando aí sobre eh tempo verbal. Os 10 mandamentos também não estão escritos no imperativo do hebraico. Os 10 mandamentos eles estão registrados no futuro. Se você pode se você pode, se você perceber, né?
¶149Por exemplo, a gente não fala assim: "Não mate, não roube". é, não furtarás, não adulterarás, não dirás falso testemunho. E aí tem toda uma discussão, se vocês quiserem, tem um um artigo do Richard M Davidson só sobre isso, né, de que os 10 mandamentos foram redigidos em formato de promessa, né? Ou seja, são 10 promessas, não necessariamente leis, apesar de ser promessa de teor normativo, né? Então existem várias maneiras de você indicar que aquilo ali tem uma a que tem uma função normativa sem você ter de recorrer a maneira como nós hoje entendemos que é uma lei.
¶150Então isso que eu acho engraçado, o Gustavo aqui nessa nesse momento parece estar enxergando o passado de uma maneira meio anacrônica, apesar de ele estar criticando justamente as pessoas que tentam fazer isso. Bem, eh, deixa eu deixa eu continuar aqui. Não sei se o Carlos quer comentar, mas tem um pessoal comentando aqui também. Ah, deixa eu ver aqui. As ideias pós-modernas abrem imagem para relativizar as ideias do passado e dizer que não eram piores, apenas diferentes apenas diferentes culturas e pensamentos.
¶151O cientificismo costuma ser mais crítico porque possuem aquela noção de progresso. Foi assim aí fal sim, as leis estavam sendo feitas na prática. Exato. Era assim que era a noção na época, né? Mas vamos avançar.
¶152>> Não há nenhum tipo de sistematicidade, né? que é exatamente aquela articulação entre definições, entre sentenças gerais, que permite tratar de maneira sistemática do conjunto dos casos particulares. Ainda que possa haver ambiguidade no caso, mas não há nenhuma preocupação com sistematicidade. Inclusive, há casos em que você prevê uma sentença, lá tem uma sentença, eh, olha, se se o indivíduo roubar X, ele vai ter que pagar 20x de punição, ou seja, 20 vezes mais. E há outro caso que se um indivíduo roubar Y, ele vai ter que pagar algo que equivale à aquele mesmo Y.
¶153Vai ter que devolver aquele mesmo Y. Então, não há sistematicidade, não há um tipo de regra geral que orienta as punições no sentido de você já prescrever que em outras situações a punição poderá ser aquela. Então, todos os estudiosos desses desses ditos códigos já chegaram a compreensão de que se trata aqui, na verdade, de uma mera compilação de casos concretos que foram julgados, tá? Uma mera compilação de casos concretos. Não é nenhum tipo de codificação, nem o código Ramurab, nenhum dos outros sete ou nove que foram encontrados, tá?
¶154Eh, não é nenhum tipo eh de senten de de formulação universal feita para ser aplicada nesse caso, naquele outro, naquele outro. uma compilação de casos particulares. E aí os objetivos dessa compilação de casos particulares há uma disputa até uma disputa aí entre as pessoas que estudam. Eh, e pode ser que sejam todas as opções juntas, tá? Pode ser que a mera propaganda real no sentido de falar o rei que personifica que a comunidade ele é justo.
¶155E como é que eu provo que ele é justo? Com os atributos da justiça no geral? Não, enumerando as ações justas que ele fez. Tá aqui o conjunto de casos que que ele julgou, né? E as sentenças que foram preferidas por ele.
¶156>> Se é esse o caso, não impede disso também representar a expectativa moral que aquela sociedade tinha em virtude da transgressão que tá sendo tipificada ali, né? Mas enfim. Vamos lá. >> Pode ser meramente com objetivo de estudos na Eduba, que é a escola, né, ali mesesotâmica. Pode ser que fosse as duas coisas, né?
¶157Uma sentença que o rei publicou como propaganda real, que além disso foi usada, porque a maioria dessas tabuinhas sobreviventes eh não foram necessariamente inscrições reais, embora o código amurab acho que é a única exceção, tá? A maioria dessa, dessas tabuinhas com essas com essas sentenças, elas eh porque duba era a escola da Mesopotâmia e as pessoas lá para aprender a escrita comforme e tudo, elas pegavam escritos que já existiam e ficavam reproduzindo aquilo ali, né? Boa parte dessas sabinhas que sobreviveram tem essa origem, tá? Eram, digamos assim, rascunhos da eduba, né? Eh, pode ser as duas coisas, né, ao mesmo tempo.
¶158Mas é muito interessante porque a gente vê que não há aqui nenhum tipo de autonomização, autonomização de abstrações, de coisas universais que passam a ser consideradas enquanto coisas universais. Menos ainda depois essa coisa universal passa a ressignificar todo o nosso mundo. Isso não existe. E não é só no direito, não, tá? O estudo que eu realizei, por exemplo, a tal da matemática egípcia enquanto matemática, não existia no nosso sentido.
¶159Não existe a ideia de um número abstrato. Realmente, eles fazem lá, por assim dizer, certas operações que a gente usando a nossa matemática abstrata, a gente pode falar: "Olha só, isso aqui pode ser traduzido em uma equação do segundo grau", que existe, tá? Mas eles próprios nunca tinha, não tinha noção de número abstrato e nem somava número abstrato, nem multiplicava número abstrato, né? As obstrações não se separavam. uma coisa e ele não faz nem uma questão de, por exemplo, eh, por exemplo, como você disse antes, né?
¶160Não é porque você tem ali um caso tipificado de uma coisa que aconteceu no passado, um caso particular que [roncando] eh esse enunciado não conserva nenhum caráter normativo ou alguma expectativa em relação a à sua a sua tipificação em relação a tais e tais delitos ali particulares. Uma coisa não exclui a outra. Segundo lugar, eh, ele não ele não faz o básico, que seria o quê? Primeiro dizer o que se, o que seriam, por exemplo, o que ele considera abstrações, né? O que o que ele acha que são abstrações?
¶161são conceitos assim etéreos, porque eh a depender da forma que ele trata e aparentemente que ele vai tratar aqui, ele nem sabe ele nem ele nem sabe como isso foi sistematizado na história do pensamento, por exemplo, ocidental, né? Eh, a abstração, conceitos abstratos para ele, eu acho que a abstração me parece que é uma uma coisa meio etérea, universal, etc. e ponto. Mas eh isso não é isso não é nem uma boa definição de de abstração e muito menos explica, por exemplo, essas várias afirmações que ele tá fazendo aí, né? Ele vai, ele parte do caráter supostamente não não normativo, aí ele diz que não havia abstrações, aí ele começa dizendo que não havia definições também gerais.
¶162Ou seja, para mim tem lacunas e sérias lacunas, né? O vídeo dele tá cheio de lacunas, na verdade. >> Exato. É porque como você falou, né? O fato de sei lá, imagina também a limitação material que eles têm a em relação a poder fazer leis extensas assim, sabe?
¶163Como ele falou, eram tabletes que eles usavam assim, sabe? Você vai fazer uma definição geral extensiva, sabe? Não era o não era o jeito de fazer na época, né? Então, realmente tem certos pulos que ele vai tendo, né? Ele ele pula do fato de de ter um silêncio sobre isso, né?
¶164Sobre essa ah sobre um caso para dizer logo não é X, né? Então é simplesmente o que não tem. Mas enfim, deixa eu, deixa eu colocar aqui das coisas. Então eles eram capazes de abstrair, óbvio que eles eram capazes de abstrair, né? Mas as abstrações eram consideradas sempre como propriedade das coisas, né?
¶165É o que nós chamamos de número não se separava das coisas a qual a gente atribuiu o número. Isso vai est presente o que nós podemos chamar de gramática. >> Opa, >> Ginva mandou R$ 5. Em Deuteronômio 228 a 29. Realmente se trata de violência sexual ou a melhor tradução seria seduzir no sentido de ficar como conhecemos hoje?
¶166>> Eu defendi em um vídeo meu que é no sentido de seduzir, tá? ser aquela passagem lá em que parece que eh o rapaz, alguns acho que inclusive algumas traduções falam sobre insistência e tal, entendeu? Eh, mas você pode conferir no meu Instagram se a gente tá falando. Acho que é a mesma passagem que você tá dizendo, tá bom? Mas depois você vê lá a argumentação.
¶167Tem uma argumentação, inclusive, que eu poderia dar com mais detalhes gramaticais a esse respeito, tá bom? as sistematizações de gramática vão existir muitíssimo tempo depois, ainda que já nos nos em alguns dos escritos mais antigos desses povos mesesotâmicas, a gente vai achar, por exemplo, eh as chamadas listas lexicais, que são agrupamentos de palavras, né, que tem a mesma característica, por exemplo, sei lá, feitas de madeira. Aí vem assim, e essa agrupamento de palavras feitas de madeira, você pode ter uma lista com 30, que depois ela vira 35, depois 40, depois 50, depois 60, outros itens sempre podem ser adicionado igual o código ramuráb nenhuma preocupação em criar uma sistematicidade, uma definição, conceitos gerais, uma articulação geral que dê conta dos casos particulares. Abstração nunca é levada à autonomia. Isso é verdade para o que nós poderíamos anacronicamente chamar de matemática, de gramática, num ideia de sistematizar a língua em categorias gerais, eh, de verbo, sujeito, eh, predicado, eh, enunciados, sentenças que são tratadas na sua generalidade, que nessa generalidade se aplica tudo, tá?
¶168E um dos exemplos mais interessantes é, sem dúvida, da religião. Então, vou colocar. Pois é, mas esse, por exemplo, a a crítica de você dizer que há um povo que não chegou a uma sistematicidade, por exemplo, de sintasse, né, ou de como é que é que ele falou, de estruturas lesicais, né, eh e não não significa que eh eles não tinham certas noções, por exemplo, de sentença, coisa assim, ou que essas esse esses conceitos não estivessem confusamente em outras formas de expressar essas noções na época, né? Então, eh, existem povos, por exemplo, que tem uma estrutura [limpando a garganta] sintática um pouco diversa. Nossa, por exemplo, no Japão inverte a ordem do sujeito do objeto, como a gente tem, por exemplo, no Brasil, mas eh não significa que eles não não de certa maneira não tem um mínimo de sistematização.
¶169Agora, é claro que com o tempo a gramática ela avança, né? Ou seja, o que eh o que a gente tem de noção de gramática que vem a gente vem herdando dos últimos séculos de estudo sobre isso, deve significar algum avanço de fato em entender, por exemplo, as funções de um sujeito, as suas classificações, a relação dele dele dentro da sentença, coisas que os escolásticos estudaram muito. Se você pega os o início da lógica nos tratados de eh da lógica menor, por exemplo, né? Eh, isso tudo é discutido. É discutido.
¶170Eh, você vê, por exemplo, tratados e tratados sobre o enunciado, né? E muita coisa que a gente vê hoje na gramática é a herança dessas desses debates esse entre os escolásticos, né? Então, a gente erda essa noção que é fruto também de debate ao longo de séculos e séculos. Então, assim, dizer que ah, só porque no passado não havia, é totalmente incompatível com o que é hoje ou que seria impossível, sei lá, ou que expressa uma maneira de não ver aquilo como como ele fala, né? como é que é, a coisas autônomas e tal, para mim é ir muito além do que a evidência tá dando para ele.
¶171>> E aqui ele já começa supondo algumas coisas, por exemplo, ele fala que o número não se separava da coisa. Bom, quem disse que nas sociedades que supostamente fazem abstrações, etc., o número se separa da coisa. pelo menos na principal tradição que fala sobre abstração, que é tradição peripatética, não há como não há como tirar esse elefante da sala que é Aristóteles, porque foi ele quem melhor sistematizou essa questão da abstração. Não é como você, por exemplo, falar que para Aristóteles o número, o número ele não tem nenhuma correspondência com o real, ele é só uma abstração da mente. Não, não, não é assim.
¶172Eh, e a gente tá falando da principal tradição ocidental que trata de abstração, né, do tema de abstrair, etc. Então, é bem é meio esquisito. Primeiro, o silêncio dele em relação a isso. Em segundo lugar, porque ele faz saltos, né? Ele faz saltos porque ele não define o que seriam conceitos gerais, não define o que seriam definições, entre aspas, gerais.
¶173E ele vai só afirmando, olha, não, não tinha não tinha uma abstração autônoma. Ora, ah, tá, quem disse que abstração autônoma, né? >> Exato. Exato. Muito bom, muito bem lembrado.
¶174Acho que ele vai piorar isso daí aqui daqui a pouquinho. Vamos ver >> colocar aqui para vocês mais alguns itens aqui no nosso texto puro aqui, né? Eh, isso eh, tem um autor que um autor que que trata isso. Eu até cheguei a falar no na participação do seminário que eu tive lá, que o Pedro Ivo me comentou que tá disponível na internet, que é um grupo de pessoas atéias e tal e tudo mais. Eh, então existe um autor chamado Jum Asma, que ele trata isso aqui exaustivamente, mas eu também fiz um estudo dessas chamadas ditas religiões que envolvendo uma bibliografia bem numerosa.
¶175E o que a gente percebe é que, ao contrário do que se fala, que a religião existe desde sempre, ela existiu desde sempre, eh, esses povos não possuíam religião no sentido que nós entendemos, no sentido de deuses transcendentes, eh, situados para além do tempo, portanto, na eternidade, eh, deuses imateriais e espirituais, feita de uma substância que é, digamos assim, ontologicamente outra em relação aos seres do mundo e etc, etc, etc. essas coisas não fariam sentido nenhum na cabeça desses povos, né? Então, os deuses que eles possuíam, o assim chamado politeísmo, não é como se fosse uma multiplicidade de deuses no sentido do cristianismo, né, ou do islã, não. Os deuses aqui são entidades concretas, reais, materiais, atuantes, pertencentes a esse mundo e não a outro. Eh, esses deuses, eles são, conforme eu indico aqui, imanes aos fenômenos naturais.
¶176Eh, isso pode parecer muito estranho, mas não é, gente. Eh, e é algo que dá dá pra gente ao ler as fontes primárias, né? eh, ao ler os textos, os hinos sumérios, ao ler eh o que nós chamamos, né, de mitos acádios e mitos sumérios, ao ler os textos mais antigos da Grécia, como Elia de Odisseia, eh, como o Guil Gamesch, o Guil Gameescho, Enuma Elish e vários outros, eh, dá pra gente tangenciar claramente o que que tá em questão ali, pelo menos pelo menos o que se diferencia do nosso modo de pensar. Nós, certamente não vamos ser capazes de pensar igual eles lá no passado, mas a gente pode diferenciar claramente essa forma de pensar da nossa. Eh, então veja, não é difícil de entender, né?
¶177Se nós pensarmos, por exemplo, o mundo em analogia a nós, isso é normal que nós façamos, porque nós temos, digamos assim, um grau de controle, consciência de nós mesmos. Nós não temos como entrar na consciência alheia. Então, é natural que nós olhamos olhemos as coisas em analogia a nós. Então, todos os movimentos que nós fazemos, por exemplo, eh os movimentos voluntários, que é aquilo que nós temos consciência clara e direta deles, diz respeitam ao comando consciente que nós damos, não é isso? Quero levantar a mão, não é isso?
¶178Mexer a cabeça e movimento em seu sentido amplo, tá? Vou falar, estou aqui falando, tomei a decisão de falar, estou proferindo essas palavras, tratando desse tema, fazendo esse vídeo. Tudo é produto de um de um, por assim dizer, de um comando consciente que nós damos para que esses movimentos aconteçam, não é isso? todos os movimentos aparentes que nós percebemos diretamente. É natural que essas sociedades também eh eh compreendessem os demais movimentos que acontecem no mundo e para o qual elas dependem, para a sua sobrevivência, para existirem eh como sendo produto de de um mesmo comando consciente por meio de seres muito mais poderosos do que eles.
¶179E não são seres que estão assim no além, né, na outra esfera da existência. Eles estão aqui e agora. Basta eu olhar pro sol se movimentando, basta eu olhar pra erva crescendo na Terra, basta eu eu olhar paraas tempestades que surgem e acabam, pros raios, pra temperatura que muda, para todos os fenômenos naturais, para os rios que correm. Os deuses para essa sociedade são imanentes aos fenômenos naturais. Por isso eu costumo dizer, vocês nunca vão achar até chegar ali já na Grécia do período arcaico pro clássico, qualquer tipo de questionamento a respeito da existência dos deuses.
¶180Porque os deuses para eles não é uma entidade pessoal ou impessoal que está em outra esfera de existência. Os deuses estão aqui e agora. Eu não tenho por duvidar da existência do deus Osiris. Afinal de contas, aí está o sol e da luminosidade dele. Eu dependo paraa agricultura, eu dependo para tudo que acontece aqui, né?
¶181Ele eh se põe e ele se põe, o o sol nasce e morre, por assim dizer, todos os dias a sua luminosidade varia. Ou seja, da mesma forma que eu defino falar algo, defino fazer o movimento, defino fazer alguma coisa por meio de um comando consciente, esses deuses são esses fenômenos naturais que, tal como eles entendem e só podem entender assim, só podem entender assim, eh, também conscientemente define fazer ou não fazer as coisas. E disso depende a nossa existência, porque não é isso? Se chover demais, a plantação vai toda embora. Se chover de menos, vai todo embora também, né?
¶182Eu dependo de que aquilo mantenha um certo grau de regularidade para que a minha vida possa continuar. Por isso eu tenho >> é aqui o que eu falo, que eu vou comentar de novo, é invocando o texto bíblico, né, que você vê com mais frequência na época dos profetas, né, repreendendo os povos ao redor e a sua idolatria. E às vezes o povo de Israel por se contaminar com eles, dizendo: "Olha, não adoro esses outros deuses aí, porque eles são só pau, são pedra, eles são esculturas mudas, não falam, não vem, né?" Então, o próprio Deus de Israel orientando, é, eu sou um único Deus de fato. E aí não tem problema conceder que várias outras religiões viam de fato é a as manifestações naturais como manifestações das suas divindades ou com alguma expressão de alguma forma delas, né? Aí não tem problema admitir.
¶183>> É, e vale vale dizer, por exemplo, que o paganismo grego ele desenvolveu sim uma uma concepção de transcendência eh bem forte em relação aos seus deuses. Isso vai se intensificando muito mais com o neoplatonismo. Depois ele tá, ele pode dizer que é uma coisa posterior, mas mesmo antes eh dos neoplatônicos, você vê, por exemplo, em hinos órficos, eh coisas assim parecidas, você vê títulos dados, por exemplo, a Zeus, que claramente denotam que ele não é somente, entre aspas, parte do cosmos, ele vai além do cosmos também, né? tudo procede dele, tudo retorna ele. Então, o paganismo ele não foi completamente cego.
¶184Aqui no caso, né, o paganismo grego, a transcendência e a transcendência e também a imanência dos deuses, tá? Então >> isso aí tem que ser considerado também. Exato. Eh, eu eu acho bem, eu não sei se ele vai comentar sobre Aristóteles depois, mas eu acho que no debate foi, não sei se foi no debate dele contra o Miinho ou em algum outro lugar, ele ia comentar, ah, mas aqui Aristótel, ele já tá no momento em que a Grécia tava em decadência, então as condições materiais já se alteraram e tal. Falei: "Ah, mano, [risadas] deixa depois quando se chegar esse trecho a gente comenta.
¶185Vamos ver >> que agradá-los, esses deuses que estão aqui em todos os lugares, em todos os lados. né? Eu eu eu vou desenvolver ritos para agradá-los, vou fazer oferendas para poder agradá-los. Percebem? Eh, então isso não é religião no sentido e de uma esfera separada, de uma esfera autônoma que se conecta a um outro âmbito da existência, não é?
¶186Perfeito. Eh, então isso não é religião nesse sentido, né? né? Então, portanto, é que o termo religião é de origem extremamente recente na nossa história. Na verdade, o termo religião se desenvolve ao longo da baixa idade média, o último período da baixa idade, que até o próprio cristianismo passa a ter um a compreender a si próprio como uma religião.
¶187Nesse sentido, eu não vou entrar aqui sobre origem, tá? O na Grécia é curioso, a a compreensão deles não passa a ser religiosa simplesmente, mas eles passam a duvidar dessa compreensão. É a primeira vez que os deuses passam a ser criticados, questionados. Só para ficar claro aqui para vocês, é tão, tão, tão, tão diferente, tá? Isso não é religião, é que aqui não existe ideia de uma religião falsa, de uma religião verdadeira.
¶188Então, os romanos não olham para os gregos como se deuses os gregos adorassem deuses falsos. Não. Eh, nós damos apenas nomes diferentes para as mesmas coisas. E existem deuses que são protetores da comunidade grega, assim como existem deuses que são protetores da comunidade romana. Isso é tão verdade que os romanos quando iam fazer guerra, eles prestavam cultos pros deuses das sociedades com quem eles iriam combater antes de fazer a guerra.
¶189No sentido de falarem nos permitam vencer, porque se nós vencermos vai ser o melhor inclusive para eles nesse sentido, né? Então essas divindades, elas são traduções às forças vitais que estão no mundo. Não é uma religião religião imaterial, do âmbito do espírito, do âmbito do transcendente. Esses deuses, eles bebiam, comiam, sofam, amavam, ficavam tristes ou de bom amor, odiavam, sentiam-se caridosos. Esses deuses não estão sujeitos a nenhum tipo de moralidade.
¶190E não quer dizer que eles são imorais, eles são amorais, né? Até porque essa essa essa justiça universal, como a gente já vai discutir, não existia, tá? Eh, então eles trapasseiam uns em relações aos outros, eles armam uns em relações aos outros, eles têm invejam uns dos outros, tudo isso. Então, veja, eles não fazem rituais para esses deuses porque consideram que ele é a transfiguração da justiça no geral, do bem no geral, da força no geral. Não, eles são simplesmente seres que estão aí no mundo, que eu convivo com eles e que são muito mais fortes do que nós.
¶191Nós não definimos a sua existência, mas eles definem a nossa. Simples assim, tá entendendo? Portanto, é sensato, né? é sensato levar a sérios agradá-los, fazerem ritos, eh clamar pela sua, eh, pela sua benevolência, vamos chamar assim, de certa forma. Então, essa religião não envolve crença e nem envolve fé, tá entendendo?
¶192Eu não tenho fé nesses deuses, eles estão aí e eu preciso deles e ponto. Vocês não vão achar nada nesse sentido, né, da crença, da fé, isso só vai se desenvolver mais tarde lá no primeiro milênio, né, antes da nossa era, antes de Cristo, como queiram chamá-los. Bem, mas >> é Vali, só só uma coisa, mais uma vez a uma, não sei se ele só tá se restringindo aqui no caso a ao paganismo egípcio, mas é claro, ele falou do paganismo romano que de fato assimilava sim deuses de outras culturas, mas por exemplo o paganismo grego que já era que que já era antecedente ao paganismo romano, claramente já fazia alusões a a questões transcendentes, especialmente, por exemplo, do de Zeus, né? E essa essa questão de de amarem, de beberem, etc., você tem uma clara, você tem, você tem uma clara alusão de um filósofo chamado Xenófanis, onde ele critica, por exemplo, Homero e, eh, Esildo [roncando] por atribuírem aos deuses aquilo que seria próprio dos homens, né? Então >> você tem claramente uma uma dificuldade aqui no no Gustavo, porque primeiro ele tem que entender que a religião, o paganismo grego, por exemplo, existia um núcleo que era a religião popular, né?
¶193E de fato você tinha esses mitos, né, de deuses que amava amavam, né, e se irritavam, bebiam néctar, né, participavam de banquetes, travavam guerras. E existia já nos gregos um horizonte filosófico que entendia isso de uma forma muito mais sofisticada e sim eh, já atribuindo a esses deuses, especialmente Zeus, características, como, por exemplo, [roncando] eh, que ele, o que ele vai chamar, né, de definições gerais, né? Por exemplo, a ira de Zeus eh passa a representar é o protótipo da justiça. Os seus amores representam a fecundidade. Ou seja, a começa a se pensar os filósofos eh históricos na platônicos e até outros filósofos não necessariamente vinculados a essas tradições, a a uma leitura que não era necessariamente vinculada à religião popular.
¶194Então, há há de se separar aqui nessa análise o que o que o que eh nessas religiões era o núcleo popular, né? E o que que era, por exemplo, o núcleo que já era mais sofisticado e que já pensava em esses deuses de uma forma muito diferente eh da leitura simples e popular, que talvez poderia pensar que eles se iravam, eh, travavam guerras literalmente, né? Então isso precisa ser levado em consideração. >> Além disso, ele tá negando que houvesse um conceito de religião como eh por entre um dos um dos motivos, né, por não haver religião enquanto envolve crença nem fé. Porque o que o argumento dele é basicamente o seguinte: ah se eles estão igualando esses deuses e a própria matéria e quando você olha pro sol, você tá vendo o deus do sol e tal, logo você não tem fé, você simplesmente tem a evidência e crê nela por um silogismo puramente de de premissas naturais, né?
¶195Mas a questão é que envolve fé, pelo menos no sentido da confiança nesses deuses, né? Eles acreditavam que você, por exemplo, teria de fazer certas coisas para terem uma boa relação com os deuses. Existe uma relação de proteção, de confiança. Poderia não ser fé no sentido de pensar que era necessário fé, talvez, para acreditar na sua existência, né, já que ela é visível ou de certa maneira manifestável, sei lá, mas ainda seria fé em um sentido de providência, ainda seria fé em um sentido de promessas, de proteção e coisas assim. Então, ainda é religião por um certo aspecto das ciências da religião, né?
¶196>> Exato. >> Vamos lá. Eh, esses deuses não separam o justo do injusto, o bem do mal. E tampouco existe a religião falsa e a religião verdadeira, né? Eh, como conforme eu disse anteriormente, o que eu sustento, meus caros, e aí vem algo que eu considero muito importante, é que as mudanças que levaram nesse nosso mundo que nós chamamos de ocidental ao desenvolvimento da filosofia, da do que nós chamamos de ciência, da religião, é uma mudança na sociedade, onde o universal ele passa a existir primeiro no interior da própria sociedade.
¶197E óbvio que a partir daí, concomitante, as pessoas passam a pensar, a refleti-lo, a tentar entendê-lo, a tentar justificá-lo. Então isso aqui é muito importante porque eh é absolutamente importante. É um pouco da discussão que eu vou tangenciar, tá? Só tangenciar no primeiro volume do meu livro, primeira sessão do meu livro, Marx Filosofia, tá? E só tangenciar mesmo.
¶198Esse aqui é o segundo, tá? Mas é o que eu tô em mãos aqui. Eh, então eu vou desenvolver um pouquinho disso, mas aqui eu tô dando uma abordagem diferente, inclusive para quem adquiriu, tá lendo, pode ajudar a entender melhor por onde vai, tá? Eh, então, primeira coisa que eu queria deixar muito claro aqui, isso é muito importante, quando vários autores tentam, acham que dizer que em sociedades como essas da Mesopotâmia, sobretudo as mais antigas, do Egito, eh, da Inca e etc, etc, não existia ciência, filosofia, direito, as pessoas acham que nós estamos rebaixando essas sociedades. Não, meus caros, nós não estamos rebaixando essas sociedades.
¶199A sociedade não tinha filosofia porque não precisava, porque as questões com que os os filósofos começaram a a refletir e a desenvolver não existiam nessas sociedades, tá? Porque não havia aqui necessidade alguma do direito. Por quê? Porque nessas sociedades, e esse é o meu ponto, o âmbito da da comunidade humana, da sociedade, ela não se separava das ações diretas que os indivíduos tinham uns com os outros, né? Essa os homens ou se quisermos de forma anacrônica usar o termo os indivíduos, tá?
¶200A comunidade humana e a natureza, com qual esses indivíduos, né, dentro, no interior dessa comunidade se aproprivam e reproduziam sua própria existência. Esses elementos estavam todos unidos. não quer dizer que eles eram iguais, que eles eram homogêneos, não. Eles eram absurdamente diferentes, justamente porque aqui não se interpunha nenhum tipo de mediação universal. Estavam ligados diretamente, veja no caso do direito Mesopotâmico, né?
¶201Eh, a pessoa não precisa de um conceito de justiça, tá? Eu fui agredido e fazer a justiça é punir a pessoa que me agrediu e ponto. E ponto. E essas relações se davam inclusive no âmbito da própria comunidade local, que normalmente tinha pessoa responsável pela intermediação. E ali ela tirava a sentença.
¶202O rei ele não criava a lei. Porque aqui o o rei na Mesopotâmia, o faraó no Egito, ele era uma personificação da comunidade. Ele não era a tradução da esfera pública, da esfera universal. Para ele mostrar que era justo, ele simplesmente mostrava que ele proferiu sentenças sobre concretas, sobre casos concretos. Está aqui a lista dessas sentenças, não é com a demonstração da justiça no geral, da lei no geral.
¶203Tá entendendo? Acontece que na sociedade grega e claro que tem que tomar muito cuidado, tá? Essa essa mudança ela foi gradual. A Grécia herda muita coisa dessas sociedades anteriores, inclusive é muito curioso, né? Ela tava, digamos assim, longe o suficiente das sociedades da Mesopotâmia e do Egito para serem por elas dominadas, que eram, digamos assim, as sociedades mais abrangentes que existiam naquela região, mas perto o suficiente para receber de lá as mais profundas influências.
¶204as razões históricas que levaram a Grécia a construir uma forma de sociedade tão particular é algo assim estudado historicamente. Eu não tenho todas as respostas, mas tem várias pistas, né? É uma sociedade que também veio de uma sociedade milenária, sociedade créomicênica, mas que foi dilacerada ali por volta dos anos 1200 numa situação que, na verdade, todas essas sociedades mais abrangentes foram destruídas nesse período de tempo por razões que ainda são estudadas, provavelmente com influência de elementos climáticos, eh, vulcões, não importa. Eh, então ela herdou essa tradição que veio da cidade créomicênica e ela tinha uma região geográfica que ela não era tão rica do ponto de vista de atrair assim eh invasores externos em alta magnitude. Não era como Egito, um altíssimo produtor de cereais, um terreno difícil, uma sociedade até pobre sobre certa perspectiva, mas de difícil centralização.
¶205Mas é, se vocês olharem o relevo da Grécia, vocês vão ver que é uma coisa, é aquele relevo montanhoso, escarpado, onde você se locomover em longas distâncias por via terrestre é praticamente impossível, que por outro lado impelia o comércio, porque o mar penetra aquele território grego por todos os lados. E, gente, a o transporte nas sociedades mais antigas era por via fluvial, sobretudo marítima, não era por via terrestre. As capacidades de transporte terrestre vão levar séculos, milínios para se desenvolver. Então, e uma sociedade, uma terra é altamente produtiva do ponto de vista de azeitona e uva, que você fazia coisas, digamos assim, complementares da nossa sobrevivência, eh, que era azeite, né, usado para iluminação, um monte de coisa, azeite e vinho, mas muito pouco produtiva para trigo, que é a base da alimentação. Então, impelia esses povos gregos pro comércio.
¶206Então, tem várias razões particulares, eh, que favoreceram que a Grécia conformasse uma forma de organização particular, seja lá quais forem elas, elas, ela se conformou. E a principal característica dessa sociedade grega, a principal característica é que essa sociedade agora, o vínculo do dos indivíduos, das famílias, sobretudo, né, da do espaço da Oicos, onde está a propriedade que você cultiva, tira o seu sustento, o seu excedente com a comunidade mais geral, ele passa a ser um vínculo indireto, um vínculo mediado. A comunidade se transforma, a pólis se transforma em algo eh que o indivíduo não mais se relaciona diretamente, um vínculo abstrato, tá? Um vínculo em certo sentido conceitual, em certo sentido universal. Agora eles se tornam cidadãos.
¶207com sua terra, o vínculo continua sendo mediado, imediato, direto. Só o capitalismo que faz todos os vínculos sociais mediados, tá? A gente se vincula com o nosso ambiente de trabalho de forma mediada, por meio do mercado, da compra e venda da força de trabalho, até os próprios capitalistas de forma mediada. Ele é possuidor do capital, que é uma abstração, essa universalidade total só existe o capitalismo, tá? Mas na Grécia o esses indivíduos têm uma relação concreta, como eu tô escrevendo, está escrito aqui já no textinho que eu coloquei aqui para vocês.
¶208Então, vamos lá. A relação com a sociedade passa a ser mediada. No âmbito da Oicos, a relação ela é particular, concreta, direta, imediata. Mas no âmbito da póli, o seu vínculo com a comunidade, com a sociedade, esse vínculo é universal, abstrato, indireto, imediato, né? Eh, é pela primeira vez na história humana que agora você precisa definir o que é a justiça, o que é o justo.
¶209Isso precisa est rigorosamente definido paraa sociedade funcionar, né? Porque não se trata mais de sentenças particulares eh envolvendo um caso particular emitida por um indivíduo particular que vive ali na sua aldeia e que é respeitado por ser mais experiente, por ser mais velho e etc, etc. Não. Agora é uma sentença que é emitida por uma entidade que está separada de você, que você só vincula de maneira mediada. Você precisa participar de uma assembleia para delegar coisas, para definir regras que vão definir o funcionamento da sociedade.
¶210O ser cidadão da póliz, né? Ou ser um membro da pólizadão, é um vínculo abstrato. Então agora a justiça, a lei precisa estar definida formalmente, porque o próprio vínculo entre o indivíduo e a comunidade é abstrato, é mediado e é formal. Percebem? Agora eu preciso definir para saber o que é justo.
¶211Eu preciso definir o que é o bem, a serviço de que está o governante que foi eleito. Eu preciso definir agora uma lei que vai ser aplicada aos casos particulares. O que eu sustento, meus amigos, é que a filosofia não surgiu, porque uma bela dia, né, acometeu lá, sei lá, Anaximandro ou a Heráclito ou a Parmênides, né, que eram indivíduos tão, tão inspirados, tão, tão geniais, que um belo dia eles acordaram e resolveram começar a ficar pensando um monte de coisas que por milênios outras pessoas não foram capazes de pensar, porque surgiam esses heróis do pensamento, os heróis da justiça, os heróis da retórica, os heróis da música, os heróis da matemática, tá entendendo? Eh, e é bastante curioso que veja o que que eu tô fazendo. >> Que o que eu acho engraçado é que assim, eh, não sei se o Carlos vai concordar comigo, mas me parece que a introdução da metafísica de Aristóteles, Aristóteles parece discordar dele, né?
¶212Porque qual que é o raciocínio por trás? Logo assim, você abre a introdução da metafísica de Aristóteles, lá, o primeiro livro, e Aristóteles vai comentar como surgiram as ciências teoréticas, né? E o que Aristóteles vai dizer que é o seguinte, quando você tinha uma sociedade em que você tinha um contato que era realmente imediato, digamos assim, né? Todo mundo precisava cultivar a sua própria comida, todo mundo precisava comer a sua própria caça, né? Pescar o seu próprio peixe, eh os homens não tinham condições de de gastar o seu tempo para refletir sobre coisas teoréticas.
¶213Mas Aristóteles dá o exemplo do Egito. Quando o Egito começou a ter uma certa organização do trabalho em que uma casta sacerdotal poderia se dedicar a esse trabalho, aí ele fala que começou a surgir a matemática, eh, um pouco mais das observações astronômicas, porque, mas assim, até astronomia em primeiro porque tinha uma certa aplicação na sociedade, mas começou a haver uma eh uma espécie de hierarquização dos saberes, porque você tinha saberes que eram de ordem menos utilizável, na realidade, tinha menos aplicação prática, mas tinha uma certa certa nobreza superior por estar tratando de assuntos mais nobres e elevados. Isso é o começo da metafísica de Aristóteles, tá? E ele remonta a sociedade egípcia anterior a dele, grega, né? Eh, e ele não não parece que Aristóteles viu a necessidade, ah, não, só claro, não necessariamente Aristóteles estaria certo, né?
¶214Mas eu acho que a explicação de Aristóteles faz um pouco mais de sentido aqui, porque veja, eh, será que é a primeira vez mesmo que houve essa mediação? Novamente, eu invoco o caso da sociedade israelita, em que você tinha já uma participação imediata eh de representação mediante o profeta, que era Moisés, mesmo que você não acredite que Moisés existiu, pense que é uma sociedade em que havia, por exemplo, representatividade, porque havia, no caso, os príncipes das tribos, né, as repartições dos povos que espelhavam alguma coisa realmente real, né, para além do da organização mosaica. hã, o sistema deles ali de, sei lá, que depois vai virar um reinado na época do dos reis, né, antes deles os juízes, né, então era mediado por juízes. Hã, sei lá, você vê, por exemplo, a ideia de de existir definição de justiça já no Pentateuco, né? Fala assim: "E isso bus será por justiça quando tratares de obedecer a todos os mandamentos que o Senhor hoje, teu Deus, te dá?" ser definido na Bíblia, nessas palavras que eu tô citando.
¶215Então, eu não sei, eu eu não sei se o arranjo do Gustavo Machado parece meio artificial demais, tentando encaixar assim uma certa necessidade de você teorizar, por exemplo, agora eu tenho que ter porque olha o raciocínio, porque ele tá dizendo o seguinte: agora que eu tenho uma mediação na política, logo emergem os universais na realidade como justo, bem e a lei. Eu não vejo uma conexão direta assim entre uma coisa e outra, né? Enfim, sei lá, eu acho que essas coisas poderiam, elas poderiam emergir mesmo em uma sociedade em que você tem sim, sei lá, só uma relação tribal ali, todo mundo cozinha, todo mundo pesca, todo mundo, né, cultiva. Isso ainda continuaria existindo talvez uma noção de olha, o justo é obedecer o chefe da tribo, sei lá, sabe? Eu acho isso meio esquisito.
¶216>> É, é esquisito também, porque ele vai começar aqui uma certa fixação. Eh, o [roncando] Gustavo ele tem ele tem ele tem que criar uma narrativa e basicamente ele vai tentar fazer isso a partir de uma leitura dualista da metafísica. Então isso ele vai colocar mais paraa frente, tá? que é a parte que eu falei até que parece um resumo do ensino médio. E aqui ele já começa a ventilar esses conceitos.
¶217Olha, o universal que se contrapõe a um particular, é um abstrato que se contrapõe ao concreto, é um indireto que se contrapõe ao direto, etc. E não necessariamente as coisas são assim, né? E especialmente quando você fala na sociedade grega, eh, até mesmo o particular, o concreto e o imediato participam de alguma forma de uma mediação conceitual anterior. Na verdade, não existe nada que não participe de uma mediação conceitual na perspectiva do dos gregos, né? >> Uhum.
¶218Eh, então se nas outras sociedades isso não era de fato presente ou explícito, pelo menos havia ali uma implicitude que você vê pela própria estrutura normativa, por exemplo, que você vê num código de Amurab e assim como você vê nas expectativas da da tipificação de leis, etc, etc. Então você já vê que esses conceitos, embora possam ser ali, ah, não explicitados completamente, com definições, eh, eram pelo menos implícitos. Estava implícito, sim. E nunca houve um um momento em que, ah, não houvesse a emergência dos universais. Eles sempre estiveram presente.
¶219Sempre. Sempre. >> Uhum. Aí nós temos que atacar um ponto do vídeo do do Gustavo, que é que é justamente que ele não sabe o que significa abstrair. Abstrair mesmo, até mesmo no sentido no sentido mais etimológico da palavra, né?
¶220Para ele abstrair, formular conceitos gerais, etc. Coisas genéricas, etéreas, separadas. E na mentalidade grega isso não faz sentido algum, tá? Não faz sentido algum. >> Sim.
¶221É. E assim, concedamos que seja assim, né? Vamos, vamos fazer um exercício aqui. Concedamos que, de fato, essas sociedades só conseguiram pensar nesse momento na Grécia. Ninguém sabia antes o que era o universal, ninguém sabia antes o que era a justiça, não tinha menor noção e não tava nem implícito nas relações sociais deles lá, né?
¶222Eh, eu eu já acho isso, eu não acho que ele conseguiu provar isso, mas concedamos que seja assim. O que que isso prova em relação a, por exemplo, a metafísica? Prova, por exemplo, que seria impossível que ela fosse gerada na sociedade ou prova que ela não é aplicável àquela sociedade, como que parece que ele vai tentar implicar depois? Não. Eh, tudo bem.
¶223Pode ter uma família que viveu numa tribo isolada do mundo, que não chegou a desenvolver uma metafísica sofisticada. E nem por isso a nossa metafísica hoje não se aplicaria a descrever corretamente os fenômenos intra específicos daquela relação familiar, por exemplo, né? Então, sei lá, é, eu não sei, acho que é muito esforço para pouca coisa aqui do Gustavo, mas enfim, vamos. >> Exato. [roncando] >> Até aqui não é nem elogiar, nem criticar nada.
¶224Essa o que eu tô apresentando aqui para vocês pode estar certo, pode estar errado, vocês podem trazer outros elementos, podemos discutir, tá entendendo? Mas a não tô fazendo uma avaliação aqui de se foi bom, se foi ruim, é simplesmente constatar o que existiu. Então, os filósofos, e não só os filósofos, né? Eh, primeiro, o grego, ele passa a conceber abstração como algo autônomo, porque na forma de sociedade em que ele vive, a abstração se tornou algo autônomo. Eles passaram a construir uma sociedade onde os indivíduos têm uma relação direta, imediata, concreta, particular entre si, apenas no âmbito doméstico, apenas no âmbito da OICOS, da propriedade familiar.
¶225E as relações entre essas diversas zóicos, ela agora passa a ser mediada por uma entidade que não é um indivíduo que personifica a comunidade, não é para uma entidade abstrata, formal, que eh que necessita agora, inclusive da formalização das instituições, do seu âmbito de atuação, de qual regras irão regular essa instituição, o que é legítimo a ela fazer e o que não é legítimo. Todas as instituições, eh, instituições essas que agora são não apenas prédios, construções, água, eh espaços públicos, como são também instituições pelo qual os indivíduos de forma mediada participam. as assembleias, os sorteios, né, para definir cargos, o período que as pessoas vão ficar nos cargos, o que incube a ela fazer e o que não. Ora, você tem, evidentemente, que fundamentar essa coisa toda, colocá-la em questão fundamentar essa coisa toda. Então, agora não é que não existia discussões sobre o justo e o injusto nas sociedades do grego, da gre sociedades do Egito, da Mesopotâmia, eu tô usando aqui como ilustração por claro que existia, mas é esse ato justo ou não?
¶226Essa ação justa ou não? Percebem? Agora não. Agora eu preciso discutir o que é a justiça no geral. O que é, portanto, a ética no geral, o que fundamenta o justo no geral, porque a sociedade querer achar.
¶227Portanto, um ponto, um ponto em questão é que o não é não é não é grego você pensar que o justo está separado da dos atos justos particulares. O justo, enquanto universal, está presentado na ação justa, assim como a bondade como universal, entre aspas, está presentificado nas coisas boas. Então, nunca é o caso de uma cisão entre o universal e o particular, o concreto e o abstrato. Não há essa cisão. Na verdade, a emergência dos universais na sociedade grega mostra mostra uma forma de entender essa estância que está sendo descoberta por conta da da filosofia como uma estância que na verdade dá fundamentação e mostra na verdade uma continuidade entre o universal e o particular, o concreto e o abstrato, e não uma cisão, uma separação.
¶228Nunca foi o caso que a abstração é autônoma. Eu eu desafio, na verdade, que o Gustavo prove isso, algum autor grego que diga assim: abstração é uma coisa autônoma e não dá pra gente ignorar o elefante na sala, que é a tradição peripotética que mais tratou disso, que é no caso, eh, dos tipos de de abstração, as condições de abstração, qual é o intelecto que abstrai, etc. >> [roncando] >> E depois isso é sistematizado melhor com cardeal caitano, né? Com carard Caetano, que que é a teoria dos 3 graus de abstração. E você nunca vai ver que Aristóteles dizendo, por exemplo, que as propriedades eh, por exemplo, da física estão separado das coisas físicas ou que as propriedades das coisas matemáticas, sejam elas contínuas ou discretas, estão separadas eh da da realidade que são abstraídas.
¶229Na verdade, existe tudo um fundamento ali no real e uma conexão ah, uma conexão muito clara entre e esses dois âmbitos, né? Então essa cisão que é que é na verdade uma leitura ultrapassada da filosofia, que essa leitura de dois mundos, né? Existe dois mundos, existe o mundo dos universais e aí existe o mundo dos particulares. E aí, na verdade não há uma forma contínua, né? não há uma uma agregação de alguma forma entre essas duas esse esses dois extremos.
¶230Isso é uma leitura extremamente ultrapassada da história da filosofia e principalmente da filosofia grega e principalmente se ele tentar evocar Platão ou Aristóteles aí nesse meio. Então sei lá. >> Sim. É, quem quem já viu aqueles nossos vídeos sobre a controvérsia dos universais vai entender um pouco melhor do que o Carlos tá falando. Mas é é realmente é é o que é o que você tá entendendo.
¶231Acho que ele tá tentando imputar muito uma ideia de universal lógico aqui, totalmente distinto aqui e não entendendo o que existe já em concreto ali na instanciado na realidade, né? >> Sim. Exato. >> Um direito lá na sociedade de Mesopotâmica não é levar os Mesopotâmes, é quer falar que os Mesopotâmicos são gregos, é querer usar eh os critérios da Grécia para avaliar o Egito e a Mesopotâmia. Percebe?
¶232Eh, é claro, e aqui é interessante já a gente notar que essa autonomização da abstração, ela produz um um fenômeno muito maluco, porque por um lado, ela de fato elevou a capacidade humana em muitos aspectos, porque a nossa capacidade agora não de abstrair, mas de manipular essas abstrações para construir sistemas, para construir um sistema da gramática e fazer uma formalização da língua que que nos permite estudá-la mais a fundo, arrancar o universo da quantidade das coisas e fazer uma formalização da matemática, vai surgir agora o os euclides da vida, os árcitas e todos os matemáticos gregos. eh nos permitiu fazer coisas que antes nós não fazíamos, mas também obscureceu um monte de coisa que antes não era obscura, porque agora nós passamos a ser dominados pelas abstrações, dominados pelo conceito, dominados pelo universal, percebe? Eh, então o que eu sustento, eu diria até o centro, >> você é dominado por algum universal, Carlos? >> [risadas] >> É, existem vários assim, na verdade que coloca em cativeiro. [risadas] >> Ai, ai, ai.
¶233Vamos continuar aqui >> da tese mais geral que é anunciada aqui na primeira no primeira sessão e que até por isso aqui eu vou extrapolar um pouquinho o Marx nessa sessão, né? Não estou simplesmente comentando, embora Marx dê indicações nesse exato sentido e vocês vão vão ver aí no texto, no meu objetivo aqui não é isso, não é esse, eh, é que você tem a emergência dos universais na realidade, na forma de organização social grega. Os filósofos eh desenvolveram a filosofia porque eles começam a problematizar, a questionar a natureza, a fundamentação, a origem, o âmbito de validade desses universais que já existe. Nada disso fazia sentido antes, porque antes esses universais não existiam na realidade, tá? Eh, aí que vai surgir as reflexões sobre o justo, né?
¶234Sobre o bem, sobre a lei, né? E podemos agregar vários aqui na lista, né? Sobre, eh, sei lá, a coragem, né? Coragem, a piedade e tudo isso com consequências práticas, tá, gente? Quando nós vamos ter ou não piedade de alguém que que cometeu algo que inflinge a nossa legislação, qual que é os limites da piedade?
¶235Até onde ela vai? Antes bastava ter o julgamento concreto, agora não. Isso tem que ser feito no âmbito que tá separado das ações diretas, da unidade direta dos indivíduos entre si, enquanto comunidade com a natureza. Agora a comunidade imediada, a sociedade se converte em forma. Os indivíduos se vinculam entre si, eles se relacionam da Oicos com a comunidade de forma indireta, enquanto um âmbito que só se dá por meio de mecanismos formais, porque ela se separou deles, tá?
¶236Eh, então a metafísica nada mais é, tá? Vamos lá. Ela nada mais é do que a duplicação do mundo. Mas observe, essa duplicação não se dá primariamente na mente, ela se dá primariamente. Inzo mandou R$ 5.
¶237Mateus, boa noite. Tenho uma dúvida. Como Deus é atemporal, porém criou o universo temporal? Pois se ele é temporal e causa algo, o ato de causar demanda um tipo de tempo. Tem alguma explicação para isso?
¶238Não gosto muito da explicação do Kig. >> Do Kig? Talvez seja do Will Len Craig, né? Ah, tem explicação tomista para isso, né? Que opa, pera aí.
¶239>> Lucas mandou R$ 10. Como você e o Carlos aprenderam latim? Poderiam indicar materiais? Que o nome do Gustavo está escrito errado no título da live? Gente, eu sei, para todo mundo que tá comentando aqui, eu sei que o nome do Gustavo está escrito errado na live, só que eu só vou conseguir editar quando a gente finalizar.
¶240Eu escrevi errado, tá bom? Mas obrigado por advertirem. Olha, o meu conhecimento de latim, ele é mais instrumental, é mais para conseguir ler e conferir se as traduções que eventualmente eu peço maiá ou para alguém que já é profissional, que eu já contratei, né, para traduzir, tá correto, tá adequado. Mas eu não sou nenhum grande latinista, não. Eu eu fiz muito assim, na verdade errei muito no começo, não peguei como todo mundo fala, sei lá, como é que é.
¶241O pessoal gosta muito de começar com aquele o quê? Não sei o quê. Romano, língua romana, é uma coisa assim. Família romana, eu acho. Aham.
¶242Acho que a língua romana é alguma coisa ilustrada. É um método natural, né? >> Mas [roncando] não fiz nada disso assim, não. Era muito compando mesmos textos. Eu pego muitas versões, obviamente eu vi algumas aulas na inclusive na Universidade Federal aqui do Amazonas, quando eu fiz o curso de medicina, tinha alguns professores lá que davam a aula e peguei um pouco de base assim de como que era a as terminações que indicavam cada coisa, né?
¶243Então eu consegui pegar ali e fui praticando um pouco, pegando as as traduções que eram bilíngues, né, que trazia português e o latim, e fui ganhando vocabulário conforme e fui pegando, ah, até colocaram aqui, ó, língua latina per ilustrata. Exato. E fui pegando um pouco na na casuística mesmo do da filosofia escolástica e também não só escolástica, porque antigamente todas as teses que das universidades a pessoa tinha que escrever em latim, né? Então acabou que teve bastante coisa assim. Mas se o Carlos quiser comentar sobre como ele fez para para pro caso dele >> e se você quiser também comentar a versão tomista, Carlos, de como que o algo atemporal pode casar algo temporal, depois eu digo como eu acredito.
¶244>> Bom, eh, eu aprendi o latim da forma difícil, que é um método de tradução. Você pega textos clássicos, você pode pegar textos também de de manuais escolásticos e você traduzos, né? você no exercício de de tradução, você tenta memorizar as palavras, memorizar a estrutura eh lexical e assim por diante. E também existe alguns manuais interessantes, eh, como, por exemplo, os manuais, os grados, né, do professor Paulo Ronai, que na época eu utilizei para aprender a aprender a a ler em latim de forma fluente. E também você pode procurar alguma gramática latina, que é importante também.
¶245Por exemplo, eu eu gosto da gramática do padre Raviza. Padre Raviza. Muito bom. [suspirando] Agora, sobre a pergunta de de que como um Deus como um Deus temporal ele pode criar algo, como um Deus atemporal criar algo temporal. Primeiro eu farei uma distinção entre a temporalidade e o estado ou a duração em que Deus está.
¶246Porque, por exemplo, na perspectiva escolástica, existem seres atemporais, como por exemplo os anjos, mas que não são eternos, como Deus, né? Então, a temporalidade ela é um estado comum eh a coisas que estão fora eh que estão fora do do movimento, né? Especial especialmente aqui o movimento eh que é o principal, né? eh um movimento de geração e corrupção. Ou seja, os anjos eles são imóveis de alguma forma em relação à sua substância.
¶247Eles nem se geram e nem se corrompem. Então eles eh eles são imóveis nesse sentido. E a estância que eles estão, os medievais chamavam de estância evométrica ou duração evométrica. O evo, que é basicamente uma sucessão de instantes descontínuos. Enquanto tempo na perspectiva medieval é uma duração que é, na verdade, é uma um conjunto de instantes sucessivos e contínuos, o Evo, que é a temporalidade, que já é uma forma de atemporalidade, é, na verdade, um conjunto de instantes que não são nem sucessivos e são descontínuos.
¶248Então Deus na perspectiva escolástica e tomista, ele é mais do que temporal, ele é eterno. Ele é eterno. Na verdade, a a própria definição que o BO utiliza e que os tomistas utilizam, né, você vê que Deus ele está numa espécie de eterno agora, né, num num presente, num presente eh que não tem fim. Então, Deus é mais do que atemporal. E como ele cria coisas temporais?
¶249É simples, porque o mais ele pode fazer o que é o que tem mais, o que é mais perfeito pode criar o que é imperfeito. No caso, Deus sendo eterno, ele pode criar coisas temporais, porque as coisas temporais em relação à perfeição dele são eh coisas que são imperfeitas, certo? Esse é o ponto um. Ponto dois é como os tomistas os tomistas respondem a o fato da criação não não envolver tempo. É uma ação que é intemporal, né?
¶250Por que isso é assim? Porque lembra, basta lembrar da definição de Aristóteles de tempo como eh como o número do movimento segundo antes e depois, certo? Eh, então tempo envolve movimento e a criação ela não envolve movimento. Por quê? Porque nada pré-existe à criação.
¶251Se algo preexistisse à criação, aí sim haveria movimento. Mas como nada pré-existe da criação, a criação ela não tem causa material, Deus cria do nada. Então, a criação, ela é uma ação que ocorre fora do tempo, que ocorre ainda na estância da eternidade. Então, é por isso que Deus age, mas não se move, né? E aí vem toda a a aquele conceito de motor imóvel, porque as pessoas entendem imobilidade aqui eh como eh alguma coisa estática.
¶252E na verdade é o contrário disso. Ser imóvel, ser absolutamente imóvel é você estar mais próximo da dinamis, né, do ato, né? Então Deus ele é puro ato. Sendo ele puro ato, eh, ele é puramente ativo, né? Ele é ação por ação.
¶253Então, a sua ação criativa, a de extra, né, a sua processão, que é na verdade para fora, ele estancia uma realidade que é absolutamente diversa da sua própria substância, que é criada, eh, que que está no tempo porque envolve movimento, embora a sua ação seja eh uma ação que não ocorre no tempo, porque nada preexiste a criação. Então, se nada por existe a criação, a criação não envolve movimento. Se não envolve movimento, não existe um número do do movimento, que é o que nós chamamos que que é o que nós chamamos de tempo. Logo, não há tempo na criação. Então, essa é a resposta padrão de um tomista.
¶254>> Muito bem. Exatamente. Eu adicionaria umas coisinhas aí, mas quem sabe essa não seja uma live para isso, né? Nas nossas imersões que nós vamos ter no final deste mês, hein? Fiquem aí atentos às novidades.
¶255Eh, eu lembrei de comentar uma coisinha também, que é eh no caso da outra pergunta que tinham feito, eu também tive treinamento de latim com as aulas de canto, né? Porque a gente aprende um pouco que tem mais certa diferença de pronúncia do latim clássico com a pronúncia do latim eclesiástico. E eu sempre achei a do Eclesiástico mais bonita e é o que a gente usa para cantar, né? Geralmente e áreas, né? Enquanto eu sou barítodo, né?
¶256E a gente pegava muito estudar com os nossos professores, então eu acabei aprendendo a pronúncia muito por causa disso, né? Ah, então se você canta assim, é uma ótima oportunidade para aprender um pouco mais do latim também, porque tem muito a as a os próprios trechos, por exemplo, do News Day, Dir que você vê assim e tal, é bem legal para você pegar vocabulário e pronúncia também. É muito bom. Então fica a dica. Mas vamos avançar, gente, aqui para o que a gente tem a gente tá chegando para falar sobre o que o Carlos queria do do vídeo aqui do Gustavo Machado.
¶257Vamos lá. >> Na própria realidade, >> ele tava defendendo a tese de novo, né, que a metafísica é a duplicação do mundo, Carlos, olha só, né? Vamos lá. Tá, ainda que enquanto uma mera aparência, né? Porque as coisas não podem ser efetivamente duplicadas, mas vocês já vão entender isso aí já já.
¶258Então, é a cisão da realidade em dois âmbitos, né? Sendo o âmbito duplicado, aquele que procura unificar o primeiro, tá? Então veja, não é que antes existia um âmbito só, ou melhor, esse âmbito que existia antes é o âmbito da diversidade das coisas indivíduos, com capacidades diferentes, com propriedades diferentes, com atributos diferentes, com modos diferentes. Eu nem precisava chamar isso de um âmbito. Eu nem precisava de uma palavra realidade, por exemplo, eh, que de fato nem existe nessas outras línguas, nem germe, né?
¶259Porque tudo que está aí é diferente. Tudo que está aí é distinto. Tem usos distintos. Pode ter usos para nós ou não. Se tiver, são distintos, com propriedades diferentes.
¶260Os indivíduos são diferentes entre si, né? tem capacidades diferentes. Eh, e então o que existia antes é esse âmbito da pluralidade, da diversidade. Agora, quando a sociedade, a comunidade se torna algo separado da ação direta dos indivíduos, que os indivíduos só podem se relacionar com a comunidade por meio de mediações, por meio de assembleias, por meio de compra e venda, por meio de legislações, por meio de regras formais previamente colocadas. Eh, agora que isso existe, veja que esse segundo âmbito, esse essa duplicação do mundo, esse segundo âmbito procura procura unificar o primeiro, procura transformar toda essa pluralidade numa unidade.
¶261Será de fato que a sociedade faz isso? E aí eu já chamo atenção para vocês para alguns aspectos que eu não vou desenvolver aqui muito, tá? Antes de eu fazer aqui o próximo tópico que vai vir. >> É, eu quero primeiro chamar atenção aqui pro tinha falado uma vez sobre o Gustavo Machado, que é o que eu acho que ele comete uma falácia linguística, né? ele começa a dizer assim, da própria ausência de haver como representar linguisticamente através de um signo específico, através de um termo específico, eh um determinado conceito que esse conceito não existia, né?
¶262Eh, ele já fez isso em outros momentos, agora não lembro qual exatamente, mas ele fala, acho que acho que fala alguma coisa sobre, ah, por exemplo, determinada sociedade não tinha a palavra propriedade, logo pensar em um âmbito em que você tem e possui uma coisa que é só sua e de mais de ninguém. Era uma coisa que nem se passava pela cabeça daquela sociedade, logo aquilo não existia. Eh, mas novamente, esse é um outro tipo de salto, né, que é uma falácia linguística. Não é porque você tem a ausência de um signo que aquela noção não possa se manifestar de outras formas na sociedade. Eu dou sempre esse exemplo porque eu acho ele bem clássico, né?
¶263Eu acho bem clássico, que é a ideia da palavra saudade, né? Porque a gente se orgulha muito eh no Brasil de dizer que a gente que nós somos, na verdade, um único povo, né? nós, na verdade, enquanto língua portuguesa, né, todos os os países eh lusófonos, né, que nós temos essa palavra substantivada, saudade. Nós temos o substantivo de essa esse sentimento de sentir falta de Isso quer dizer que as os outros povos não sentem falta de alguma coisa? Evidentemente que não, porque por mais que nós tenhamos no português o substantivo, nós não temos o verbo, por exemplo, do inglês, que é o I miss you, né?
¶264O mais próximo que a gente tem de verbo para isso é o carecer. Mas o carecer pode ainda ter uma implicação meio de ausência material, enquanto que a saudade é um sentimento meio subjetivo da falta de alguém ou de alguma coisa ou de algum lugar, enfim, então ou de alguma circunstância. Então, percebam que o fato de você não ter a palavra não significa que aquela noção não possa ser manifesta por um tipo de construção, por algum tipo de verbo ou alguma outra categoria morfológica e coisa assim. Então ele vai tentar apelar para isso e dizer que e novamente eu acho que existe um outro salto aqui, eu não sei se o Carlos concorda, ou seja, ele tá dizendo que agora que a gente tem a sociedade mediada pelo mercado, logo a gente tem uma cisão da realidade em dois âmbitos, sendo o âmbito duplicado aquele que procura unificar o primeiro. E a partir disso você consegue ter essas abstrações, sabe?
¶265Eu acho que no máximo que ele conseguiria provar é que os indivíduos conseguiriam ver que eles não estão eh tendo acesso a tudo imediatamente, né? Mas imediatamente, o que que isso teria de implicação necessária ali ou circunstancial para produzir uma noção de uma duplicação do mundo? Eu não sei se ele vai desenvolver mais aqui, porque eu não vi esse trecho do vídeo paraa frente, mas eu acho que são saltos assim que não dá muito para justificar. Eh, existe um existe um autor esotistas chamado Nicolau Boneto e ele foi um um autor anterior a Suá que desenvolveu eh um tratado de metafísica que depois o Suares mesmo se inspiraria. Eh, [roncando] olha como ele, olha só como ele define metafísica.
¶266Metafísica é a duplicação do mundo. Quando o Soares estuda as várias definições de metafísica, quais são, quais, qual é o seu objeto, por exemplo, né? >> Uhum. >> Será que será que faltou ao Soares alguma, alguma sabedoria em relação [risadas] a essa parte e de duplicar o mundo? Me parece, na verdade, que essa leitura é é aquela leitura enviezada que já foi abandonada já há muito tempo, eh, que há uma leitura de dois mundos, né, que que você vê que é, embora também tenha críticas ao paradigma das doutrinas não escritas de Platão, >> você vê, por exemplo, o Joaquim Kramer, o Conrad Geiser, o próprio Giovanni Rireali e outros autores, como por exemplo, o falecido recentemente Henrique Bert chamando essa posição de dois mundos, que é uma justamente um tipo de de interpretação, especialmente da metafísica platônica, que tenta entender essa relação de universal e particular e outras e outras coisas como se fossem duas instâncias completamente separadas e como ele disse autônomas, né?
¶267Quando não é não é bem assim. Não é, não é mesmo >> muito bom. Vamos lá. Observem que agora é que essas sociedades, né, distintas, não greco-romanas, ocidentais, elas eram o âmbito da harmonia universal, não é isso? Onde davam as mãos e se abraçavam e cantavam alegremente, que não tinha problemas de inimiga.
¶268Claro que não, óbvio que não. Não tô falando, não é culto de sociedade nenhuma, entendeu? Que elas eram. Só que ali um indivíduo, por exemplo, ou uma comunidade se impunha sobre a outra pela guerra. e dominava, porque nós somos mais fortes.
¶269Nós somos os mais fortes. Então nós vamos depender do objetivo da guerra. Nem sempre era colonizador, por exemplo, vai ter os spoilers de guerra. Nós vamos tomar aí tudo que você tem. E essa ação, ela é justa?
¶270Sim, ela é justa porque a gente venceu, porque a gente foi mais sorte. E isso tá dado diretamente na realidade. Vocês estão entendendo? Não tô dizendo que as sociedades são melhores ou piores, simplesmente elas eram assim. A justiça não separava das ações concretas e tudo mais.
¶271Observe que na Grécia agora você vai ter que tratar o desigual como se fosse igual, o qualitativo, o que é diferente como se fosse qualitativamente indiferenciado, né? Então agora, claro, no caso da Grécia, os escravos, as mulheres estavam afastados da cidadania, então eles nem participavam desse âmbito geral da sociedade. Mas mesmo assim, entre os cidadãos gregos era a propriedade que te facultava participar daquilo ali, porque o grego é como a atividade do grosso das pessoas, eh, tem um lote de terra, cultiva aquela terra. Só que se você perder aquela sociedade, você deixa de ser grego? Não, você continua sendo grego, porque você não tem a propriedade, mas você tem o direito à propriedade, porque você é um cidadão grego.
¶272O estrangeiro pode até ir lá em Atenas, nas cidades gregas, e comercializar coisas, mas ele não pode comprar terra, porque isso pertence aos gregos. Todos os gregos têm terra? Não, mas os gregos têm o direito à terra, tá? Na verdade, em certos momentos ali da Grécia, na virada do período clássico pelístico, a gente sabe que a enorme maioria dos gregos já tinha perdido a sua propriedade. Vivia de bicos, de atividades avulsas, dava convulsão social uma atrás da outra, mas eles já estavam, olha o mascaramento aí, mas eles estavam, eles tinham direito a participar da assembleia, então eles tinham direito à terra.
¶273O direito agora se antepõe ao uso, a posse atividade efetiva. Você não tem terra nenhuma. Você tá ali igual um estrangeiro, mas você é grego porque você tem o direito a o que é formal, o que é conceitual, o que é universal, se antepõe e ressignifica o que é concreto, particular, as ações efetivas. Percebe? A mudança completa.
¶274Isso é inconcebível na cabeça da de um uma pessoa da sociedade babilônica eh de UR ou qualquer uma daquelas outras neusumérias e do Egito, no período pré-conquista grega e por aí vai. Eh, então eu já tô querendo chamar para vocês que essa aspiração à unidade, ela já é desde a sua origem uma espécie de mascaramento, tá? Uma espécie de uma unidade que é puramente formal, que não é necessariamente em ato, onde o que é conceitual, o que é produto da nossa mente, que nós elaboramos formalmente passa a antepor o que é real e determinar as possibilidades que existem. Olha que loucura. Então isso é só uma reflexão crítica sobre isso aí, tá?
¶275para quem quem acha que eu estou aqui defendendo os gregos como sendo o ultra mega blaster em pior pior de tudo é que ele não cita um caso eh, por exemplo, de um autor grego que tenha defendido isso, não cita. É a metafísica em Aí ele pega um conceito genérico. É a metafísica em geral que defende a duplicação de do mundo, que vai defender a cisão da realidade em dois âmbitos. E aí ele a partir de conceitos gerais e coisas genéricas que você não consegue apontar um autor concreto que tenha defendido isso, porque Platão e Aristóteles e se se você vê os históicos e outras tradições filosóficas gregas não defenderam isso que ele está falando. Jamais isso foi defendido.
¶276É, e isso é uma coisa, isso parece que de aí aí foi onde eu parei, porque eu já eu já consigo antever qual quais são as conclusões que ele vai tirar disso. E aí parece de fato um trabalho do ensino médio, porque é é no é justamente em livros do ensino médio você vê essa leitura [risadas] de que de que o Platão ele tinha o mundo das ideias lá. tem um cavalo ideal e aí você tem um cavalo concreto, [tosse][limpando a garganta] >> você tem um cavalo abstrato, tem um cavalo ali eh particular. >> É uma leitura extremamente ingênua da filosofia grega, ultrapassada em relação a à exposição de do próprio Platão. Eh, enfim, é uma leitura de ensino médio, né, basicamente.
¶277>> Sim. Então a gente, então, inclusive estão falando aqui, ó, queremos uma reação ao novo vídeo do Machado. Então, a gente ia começar reagindo a esse novo vídeo hoje, só que o Carlos achou por bem a gente começar pelo antigo e depois a gente vê, não hoje, né, possivelmente em outro dia, ah, o outro, tá bom? para pra gente também fazer juiz aqui. A, é assim, na verdade é justo, é justo, né, que a gente escute depois as explicações ou aperfeiçoamentos do Machado quanto ao que ele queria dizer.
¶278Mas aqui acho que ainda é bom a gente inclusive ver para ser mais justo ainda, né? Eu não tinha terminado de ver o primeiro, já ia ver o segundo. Talvez eu cometesse alguma injustiça ou aceitasse alguma desculpa que realmente não consegue fugir ao que ele realmente falou no primeiro, né? Então, acho que realmente é mais sensato a gente ver primeiro esse daqui. Tá bom, pessoal?
¶279Vamos lá. Eu vou eu vou deixar rolando o vídeo aqui. Eh, eu vou só pegar rapidinho, menos de 2 minutos água aqui, mas eu vou deixar rolando. Acho que ele não vai. Eu pauso se você precisar, tá, Carlos?
¶280Deixa eu deixar aqui. Pera aí. Relação aos outros, né? Os que estão lá em cima, em relação aos que estão atendendo dos gregos. Não, não estou fazendo isso.
¶281Eh, então a metafísica no âmbito teórico, ela vai procurar justificar isso aí. E não é porque todos eles estão comprados no comitê conspiratório da defesa da sociedade grega. Eles vivem nessa sociedade. Eles têm que responder as perguntas que emanam dessa sociedade colocadas por ela própria. Universal agora é um fato da realidade.
¶282Ele está presente, mas como eu fundamento a justiça? Como eu fundamento o bem? E as metafísicas são aquelas que vai pegar então essa esse âmbito duplicado que já surge na própria sociedade e vai procurar justificá-lo, dar uma fundamentação para ele. E todas elas vão caminhar no seguinte sentido. Vou, fiz uma listinha aqui para vocês, tá?
¶283Essa listinha eu podia botar uns 20 itens aqui a mais. Eh, é só para servir aqui de ilustração para vocês acompanharem realmente. Então, essa metafísica. A metafísica agora, as diversas formulações metafísicas que meu não me assisti ainda, tá? Não tem nenhum problema.
¶284Elas vão procurar o quê? Transformar a diferença em identidade, tá? não significa que todas elas vão negar que a diferença existe, claro que não, mas elas vão procurar, seja reduzir as diferenças à identidade, seja abarcar, ou seja, a diferença continua existindo mais uma identidade que o abarca. Eh, vão procurar explicar as diferenças por meio da identidade ou de alguma forma determinar a diferença por meio da identidade. Os caminhos que são tomados são os mais diversos e não é minha intenção tratar de nenhum deles.
¶285É a minha intenção só indicar o que eles estão procurando fazer, que perguntas eles estão procurando responder, tá? Eh, então vamos procurar eh reduzir, abarcar, explicar, determinar a diferença pela identidade, não é isso? Eh, ou outra forma de colocar o outro pelo mesmo, o heterogêneo pelo homogêneo. Veja lá, as a legislação de Ramurab não transforma um conjunto de casos concretos em uma identidade, porque eles continuam sendo casos concretos. E se tiver um outro caso, esse outro caso é outro caso.
¶286Esse outro julgamento ele é anexado à lista, tá? Eu posso até tomar como referência, talvez um caso que foi julgado, que foi, por assim dizer, eh, idêntico na sua concretude, né? Alguém roubou eh um, né? Entrou na propriedade de alguém e pegou um cordeiro aí. >> Opa.
¶287Voltei aqui. Se quiser falar alguma coisa, que que ele tá comentando? >> Não, e ele tá comentando agora, ele tá basicamente mostrando a duplicação que a metafísica ela na carreta, né? Ele tá mostrando ali a que a que a partir da metafísica tenta se explicar basicamente, por exemplo, a diferença pela identidade, né? Aqui eu imagino que ele esteja se referindo à tradição neoplatônica e platônica, que tenta explicar o múltiplo diverso a partir do uno e a partir do que é idêntico.
¶288Eh, mas mesmo essa explicação, veja que ele não consegue localizar a explicação dele. Ele diz assim: "Ah, mas é o é dizendo que a diferença permanece, mas que a identidade é o fundamento, ele não consegue localizar a crítica dele no tempo e no espaço onde ela foi supostamente afirmada, né? De fato, os gregos tinham essa, os neoplatônicos especialmente vão desenvolver muito essa metafísica do Uno, eh, e vão tentar explicar diversidade pela unidade e a partir do idêntico. Mas vejo que nem mesmo isso isso eh isso não significa que nem mesmo os casos concretos de alguma forma eh vão eh abrir uma cisão entre o que é diverso e aquilo que é uno e ah não múltiplo, né? Na verdade, essas duas estâncias elas elas permanecem num estado de eh de continuidade e não decisão.
¶289É um estado onde, na verdade o Uno passa a explicar o múltiplo diverso, mas isso não significa que há uma cisão aqui. Na verdade, há uma há uma continuidade, porque mesmo as coisas diversas enquanto diversas, para serem entendidas como diversas, é preciso é é preciso que o Uno e o e o diferente, né, como ele coloca, estejam o Uno e o idêntico, né, estejam presentes nessa coisa. Então não há uma cisão da realidade. Existe uma, existem graus, né, na realidade entre mais e o que é mais e menos uno, o que é mais e menos eh múltiplo. Mas isso isso não denota uma cisão, na verdade denota uma continuidade a partir de uma hierarquia prototipal, né, onde eh as coisas de fato têm mais ou menos perfeição enquanto se assemelham a essas características no caso de unidade e de identidade.
¶290Então é uma continuação prototipal onde você tem várias hierarquias, né, entre o que é mais ou menos uno. Se você for, se você, se você pegar Aristóteles, o que é mais ou menos ato, eh, o que é, enfim, e assim por diante. Então, mais novamente a leitura do do ensino médio eh dos dois mundos, né? [risadas] Como é que é que eu uma vez você falou assim, Brasil escola, né, Carlos? >> Exato.
¶291[risadas] >> Uma definição digna do Brasil escola. >> O que me deixa cético em relação a ao que ele falou, por exemplo, que ele já tinha lido o Prócolo, né? Ele já tinha lido o Prócolo, já tinha lido os diálogos de Platão. É esquisito que ele tem essa visão eh dualista. Enfim, a leitura dualista, especialmente da metafísica de Platão, começa com Aristóteles e depois ela é disseminada em massa eh na Idade Média, mas depois ela ela vai sendo extinta da história da filosofia, né?
¶292E outras interpretações ganham o lugar e hoje em dia ela é completamente desqualificada. Então é é esquisito, é esquisito para alguém que que diz ter lido o próculo ter essa concepção do que é metafísica. >> Uhum. Perfeito. Vamos lá.
¶293>> Tem um segundo caso onde alguém entrou na propriedade, alguém pegou um cordeiro, tá? Mas nesse caso eu não tô reduzindo a diferença de identidade. No que diz respeito ao impasse, os casos são realmente idênticos. Você tá entendendo? Agora, o cara entrou lá e roubou uma outra coisa, é um outro caso.
¶294Um outro caso, né? Então as metafísicas procuram todas reduzir, abarcar, explicar. determinar a diferença pela identidade, o outro pelo mesmo, o heterogêneo pelo homogêneo, o múltiplo pelo um, não é isso? Então eu vou agora, eu vou agora fazer com que o múltiplo seja abarcado por algo que é um, porque é isso que é a autonomia da abstração. Abstração sempre existiu.
¶295O homem sempre teve capacidade de abstrair. Ninguém abstraía mais do que as sociedades anteriores agregas. estudarem a linguagem deles, o que era escrita com uniforme. Mas ali a escrita ela ela não traduz, ela não é uma coisa material que se refere a um sentido abstrato. Isso é impressionante, isso, isso é interessantíssimo.
¶296Por exemplo, as formas de se atingir a eternidade na sociedade de Mesopotâmica era ter filhos, era eh ter grandes feitos que eram materialmente registrados, por exemplo, inscrições que se perpetuavam. Só depois quando alguém no futuro se rebel, >> pode falar. >> Eh, essa tese dele, veja, é falso. Ele aí ele até usa um de parâmetro aqui uma tese claramente neoplatônica, pitagórica até que é do múltiplo do múltiplo múltiplo pelo um, né? Só que nunca é o caso, jamais foi o caso que na mente do neoplatônico eh o a diferença ela se torna identidade ou múltiplo ele é na verdade agora uno.
¶297Nunca nunca foi assim. Na verdade, o argumento neoplatônico básico [roncando] é que mesmo na multiplicidade, ou seja, quando quando você vê que algo é múltiplo e diverso, até mesmo para que esse múltiplo diverso seja entendido como múltiplo e diverso, é preciso que haja um princípio de unidade. E aí surge a famosa tese metafísica de que o Uno é ontologicamente anterior ao múltiplo múltiplo, né, que é muito característico da das metafísicas neoplatônicas. Porém, isso não significa que, por exemplo, o múltiplo se torna o uno ou coisas assim. são coisas diferentes.
¶298Eh, e mesmo assim, eh, é falso que todas as metafísicas façam essa redução que ele tá dizendo. >> No caso, >> como é uma o a nota, a nota principal é o ser, né? Não é mais o um, como o caso dos neoplatônicos, dos platônicos, né? Exato. Para para Aristóteles já é o caso do circo.
¶299>> Se você pegar a metafísica luliana, se você pegar a metafísica luliana, ela ia bugar, ela buga a explicação do do Gustavo. Por quê? A metafísica luliana inverte os polos. Não é mais a não é não é mais a diferença pela identidade, entre aspas. É a diferença, na verdade, que é a condição explicativa da identidade.
¶300Ou seja, o Lúlio, ele pega e inverte os polos. Não é mais a o uno que explica o múltiplo e o diverso, é o múltiplo diverso que explica o uno. A diferença passa a ser entendida como elemento essencial e principal. Então, a o caso da metafísica luliana bulga completamente essa crítica genérica que ele faz a meta a metafísica, porque é de fato é um contraexemplo, né? Ele tá dizendo que a metafísica ela toma o múltiplo pelo um.
¶301O Lúlio ele pega, inverte esse polo, assim como ele inverte o polo da diferença, ele inverte o polo do ato e da potência. Então, eh, esse caso da metafísica luliana já é um caso que buga completamente essa definição e do ensino médio do do Gustavo. Ah, >> é engraçado que ele tá tomando isso como uma tese, né, contra a metafísica em geral, sendo que ele tá reduzindo todas a um tipo, né, meio neoplatônico que é isso, né, na idade média sequer foi assim, pelo menos na época, sei lá, do dos tomistas pra frente, sequer foi o mais prevalente, talvez, né? Então, sim, >> a metafísica, a metafísica neoplatônica, a metafísica neoplatônica só volta aos seus tempos áureos na renascença. >> Exato.
¶302Exato. Mas enfim, vamos continuar aqui. >> Elava contra a dinastia, por exemplo, de um faraó. O que que eles faziam? Eles iam lá e riscavam o nome dessa pessoa que tava escrito.
¶303Ou seja, manutenção do nome dessa pessoa, da sua existência paraa posteridade tinha a ver com a inscrição material do nome lá. O nome não era remissão a um sentido. >> Pera aí que tem um comentário aqui que tá nos objetando que ele falou o seguinte: "Onde o Gustavo afirmou que Platão é dualista? Literalmente nesse vídeo ele critica essa visão. K k [limpando a garganta] espantalho ridículo.
¶304Ora, mas o próprio Gustavo tá falando ali. Ah, e vou ler o de baixo também que ele falou o seguinte, ó. Dá para responder tudo de uma vez só. O vídeo não é sobre neoplatonismo, literalmente ele tá salientando o movimento. Responda ao argumento, não seu espantalho.
¶305Negativo. Você perceba aqui, ó, ele falou muito claramente que a metafísica procura reduzir, abarcar e explicar, determinar todas essas coisas aqui, que são basicamente uma explicação, uma tentativa, né, de redução ou uma definição mais ou menos de um tipo de neoplatonismo, né, você entender a multiplicidade pela unidade, o heterogêneo pelo homogêneo, né, o outro pelo mesmo. Ele tá dizendo que essa duplica, isso ele tá, ele está explicando como duplicação do mundo. Isso aqui é o que ele tinha acabado de dizer. Então, de fato, ele tá reduzindo tudo a neoplatonismo.
¶306Sim, ele tá usando isso aqui como crítica metafísica. Então você tem que entender que é uma crítica neoplatonismo. Sim. E a gente tá falando que Platão dualista em que sentido? >> [limpando a garganta] >> em ele falar sobre aquela abstração autônoma de uma coisa totalmente dissociada, que eh pode partir da realidade, mas que seria ontologicamente distinta dela.
¶307Ele começa criticando as concepções, aliás, criticando não, analisando as concepções antigas para dizer que as coisas estão identificadas para dizer que na grega as coisas se distanciam. Então, sim, ele tá tomando uma concepção que é ultrapassada. Fazer o quê? Não sei se o Carlos quer comentar alguma coisa. E e mais, eh, eu não disse em momento algum, eu citei que ele eh ele está afirmando que Platão aderia à crítica dos dois mundos.
¶308Mas eu tô dizendo que na verdade essa crítica genérica que ele faz, o que por si só já já invalidaria, porque, por exemplo, a metafísica históica, a metafísica platônica, aristotélica, embora o aristotelismo seja um tipo de acidente de de platonismo, não é o mesmo tipo de metafísica e nem põe a mesma ênfase nesses binômios que ele tá colocando aí, né? Como, por exemplo, o múltiplo e o um. Tá bom? Então, vamos ignorar que já é um erro de método você colocar tudo isso dentro do que eles chamam de metafísica. O segundo ponto é que de fato, eh, embora ele não seja o Platão, ele está sim adotando uma uma doutrina que é uma uma exemplificação da doutrina dos dois mundos, uma do dualismo, do do chamado dualismo platônico, né, que já foi completamente eh derrotada na academia.
¶309Ninguém adota essa essa tese, porque na verdade ela remete à leitura medieval de Platão. E a leitura medieval de Platão, por sua vez, se estanciava na leitura aristotélica de Platão. E é depois que se que se entendeu a crítica de Platão a Aristóteles, a gente percebeu que, na verdade, Platão, a possivelmente quando Aristóteles critica, por exemplo, a doutrina das ideias de Platão, ele não tá tentando eh estanciar uma crítica perfeita e exata da doutrina platônica. Ele está, na verdade, levantando uma posição polêmica para simplesmente refutá-la e atribuindo isso ao seu mestre. eh, ex-mestre, no caso, Platão, tá?
¶310Então, isso é esquisito e os binômios que ele usa, como por exemplo, múltiplo e um, são indissociavelmente ligados ao neoplatonismo, isso é óbvio, tá? E também a Platão. >> Uhum. Perfeito. Deixa eu ver se alguém mais comentou alguma coisa aqui.
¶311Vamos avançar, então. Vamos lá. separado do próprio nome. O próprio nome continha o seu sentido. Difícil de entender, né?
¶312Mas era assim que eles pensavam. E faz todo sentido para uma sociedade onde a abstração não se autonomizou. Ah, mas o Gustavo, até devia ter falado isso antes. Os egípcios não acreditavam na imortalidade. Baixo lá.
¶313A imortalidade dos egícipos não era transcendente. É por isso que você tinha que mumificar os corpos. É por isso que você punha onde o corpo era repousava miniaturas de servos, de servas, quando não se punha múmia dos servos e dos servas, de comida, das coisas que iriam utilizar. E se tudo isso não fosse feito, a pessoa passava para uma segunda morte que era definitiva. Na sociedade grega, a alma das pessoas que ia pro Ades, essa alma não era imaterial, meus caros.
¶314Essa alma era inspirada pela boca, pelas feridas. E o Ades era um lugar físico separado, né, por rios tempestuosos, montanhas, difícil de chegar lá. Por isso que numa mitologia muito famosa, Orfeu quando vai atrás de Oridse e a sua amada que morreu, é ele que não morreu, vai até o Ades em corpo e tem que superar. >> Opa, ficou preto para vocês aí também. para mim ficou a >> todos esses obstáculos para tentar resgatar a sua amada.
¶315E o corpo quando morria e sua alma era inspirada, ele também perdia vários dos seus atributos, como a memória, né? Elíada, pátrico, amigo de de Aquiles, eh quando morre, o espírito de Pático aparece diante de de diante de Aquiles. Aquiles tenta conversar com ele, ele não entende, porque ele ter perdido o seu corpo fez com que ele perdesse também a sua memória. Percebe? Agora isso tudo vai ser ressignificado.
¶316Agora tem um âmbito formal, um âmbito que é uma outra esfera da existência. Nenhuma sociedade antes desse desenvolvimento greco romano, que depois vai se vincular à história hebraica, não vou entrar aqui sobre isso, conseguia nem sequer conceber isso, porque isso não fazia parte da sua realidade. Agora eu tenho um âmbito formal, conceitual do mesmo, do homogêneo, do um dentro da minha sociedade e que eu preciso respondê-lo. O que são os universais que agora existem no mundo dos homens? A filosofia surge porque aquela sociedade exigia a necessidade de algo, como a filosofia, que se perguntasse por algo que agora existe e com o qual nós convivemos.
¶317E aí até próprios deuses podem passar a ser concebido como algo formal, como algo imaterial, como algo transcendente, não é? Aí agora o eh, né, a gente tem aqui a absorção, né, o escrevi errado aqui, viu, gente, do concreto pelo abstrato, é oposto, não é? Porque concreta é a vida na OIC, onde tá as minhas ações, onde no âmbito da Oicos, com a sua hierarquia interna, com inclusive suas opressões internas, as coisas eram definidas, as atividades eram feitas, a pessoa vivia, o vínculo dela com a comunidade agora é abstrato. No interior da Oicos, a realidade é múltipla, marcada pelas contingências da natureza, da terra, do solo, não é? pela interferência dos deuses Demeter que pode ou não permitir com que a com que a erva, com que o figo, com que a a vinha cresça de maneira adequada, esperada, que produza bons frutos ou não.
¶318Eu me relaciono com Demet na minha própria vida, a deusa Demetra, deusa da fertilidade, né? Tanto a fertilidade dos homens que têm filhos, quanto a fertilidade da planta que cresce na terra, né? Eh, eh, somente agora, veja, o homem passa a ser tratado como ser completamente específico, como ser, como diz Aristóteles, que tem logos, né, que tem discurso, razão, palavra, tudo isso junto ao mesmo tempo, que ninguém mais tem. Antes o homem via, por assim dizer, o logos, o discurso, a razão da natureza inteira. A natureza inteira falava.
¶319Não existia essa separação entre signo e significado. Agora não, a sociedade mudou, a abstração se separou das coisas. Agora o significado >> Antes não havia separação entre signo e significado. É isso que ele falou. Pera aí.
¶320Homem via assim diz o logos, [limpando a garganta] o discurso, a razão da natureza inteira. A natureza inteira falava. Não existia essa separação entre signo e significado. Agora não, a sociedade mudou, a abstração se separou das coisas. Agora o significado pertence a nós ou então nos permite a nós contactarmos com outro âmbito da existência, com outro nível ontológico, um âmbito divino, que não é mais o âmbito da natureza.
¶321Tão entendendo, gente, que essa mudança que se dá na na no essas formas de se pensar, veja, não é que a matéria tá aqui determinando e causando que não é matéria, não. É que obviamente a gente tá pensando, refletindo, elaborando, desenvolvendo o que nós vivenciamos, tá? Eh, agora você vai, os fenômenos vão se ser abarcados, explicados, reduzidos ao seu conceito, não é isso? o particular pelo universal, o individual, né, por algo essencial e, portanto, mais universal, que abarca os indivíduos, não é isso? Eh, o contingente pelo necessário, eh, o devir pelo ser, não é?
¶322Esse âmbito formal, ele se mantém. Eu criei a justiça lá. Essa se se eu mudar a lei, é porque ela já tava errada desde o princípio. Eu tô procurando aquela lei que aquela que é o mesmo que é capaz de se aplicar antigamente >> o devir, o devir pelo ser, ele mete aí, ele vai metendo aí um monte de binômio [risadas] de filosofia. é devir pelo ser [risadas] >> não.
¶323O que eu fico pensando assim é que eh novamente, né, para pro pessoal que participou da imersão, ele parece muito tá dando antes como se a realidade fosse dada, né? Ou seja, não, agora existe mediação, né? Porque ele fala que agora tem um conceito, antes era só os fenômenos e a gente tinha meio que acesso direto aos fenômenos, mas agora tem o conceito, né, que a gente tá meio que terceirizando pro conceito. Antes ele falou, antes não havia diferença entre signo e significado. Isso é um absurdo assim, sabe, de pensar, é absurdo de pensar.
¶324Ele já tá indo muito além agora, né? Como você falou, tá metendo um monte de binômio aí. E assim, para ele é isso. A a realidade era toda dada antes. Então, eh, tá metendo o mito do dado categorial à roda aqui, né?
¶325Então, enfim, eh, o pessoal que estudou o Sellers e o Brandon lá, o com e o com o eh com o qual o nome? O Joh o John Mcd também deve estar lembrando disso daí. É porque ele remedião, antes era tudo dado assim, mas agora não. A gente tem uma mediação. E engraçado que ele também parece considerar eh que o tudo que é parece que ele tá fazendo uma também uma equivalência entre abstrato e material, né?
¶326Porque agora a gente tem as relações sociais e elas de certa maneira são abstratas. Eu acho para ele uma coisa assim, né? Porque com a mediação você tem esse mundo reduplicado agora, né? Sendo que na verdade a relação ela é uma das categorias do real, né? Em Aristóteles.
¶327Então assim, ele tem ele tem uma uma certa dificuldade de entender isso que não faz o menor sentido, né? Na na metafísica que ele tá criticando, né? que é uma [roncando] metafísica aí que é meio platônica, meio aristotélica, meio pitagórica, tudo junto, misturado. E na verdade essa é a crítica que eh que ele faz da metafísica em geral, né? Ele não aponta e localiza um autor e critica, não.
¶328Ele simplesmente diz aí que na verdade é o devir pelo ser, ele ele mete todos os transcendentais disjuntivos de escotuntivos de escoto. É assim [risadas] o ato e potência. É, falta falta falta esse o al potência, [risadas] mas eh de fato e tem tanta confusão porque, por exemplo, é assim, é coisas tão básicas, vamos citar Aristóteles de novo, ó, pega a doutrina da abstração de Aristóteles. A doutrina da abstração de Aristóteles, o intelecto, agente, ele abstrai dos fantasmas eh o inteligível que depois é eduzido no intelecto possível. Em resumo, certo?
¶329Eh, existem existem debates, ocorreram debates especialmente na na Renascença, na na especialmente em Páua, que eram aristotélicos muito versados sobre se Aristóteles acreditava ou não em algum tipo de mortalidade, certo? Então, essas implicações de que a abstração agora implica o imortal, que implica imaterial, isso aí é uma coisa que é questionada a até mesmo pelos por quem criou essa criança chamada abstração, que que são os aristotélicos. Por exemplo, basta ver as críticas esistas aos argumentos tomistas que tentam fazer uma ligação eh entre as operações do intelecto, principalmente a a obtenção do conceito com a imortalidade ou imaterialidade da alma. Basta você ver que essas críticas tiram completamente a necessidade de você conectar uma coisa à outra. >> Uhum.
¶330Então, não é o caso que o abstrato, o abstrato implique o imaterial, que o imaterial implica o imortal. E aí ele fala de uma imortalidade que é transcendente, eh, e uma imortalidade que é imanente. E eu realmente gostaria de saber o que, o que significa de fato essa imortalidade transcendente, né? Hum. >> [risadas] >> Não sei.
¶331>> Acho que ele tá falando da alma imaterial, talvez que sobreviva eterireamente, porque novamente ele tá sempre nesse sentido assim, né, de >> de >> dois mundos meio separados assim, né? >> Mas é realmente é muita confusão aqui. Essa parte do concreto pelo abstrato e do fenômeno pelo conceito. Para mim são os piores, assim, são os trechos mais confusas. O individual pela essência também é bem esquisito, [risadas] porque ele tá contrapondo, né, assim, o o concreto abstrato, múltiplo um, aí tem o [limpando a garganta] individual e tem a essência dele, né?
¶332Sei lá, [risadas] para quem entende o mínimo de metafísica, esse esses polos estão meio esquisitos, né? E pode, e assim, vamos fazer aqui agora as devidas críticas, porque na verdade o que ele tá fazendo aí é muito pior do que a crítica do que a posição dos dois mundos de Platão, né? Ele tá fazendo uma coisa muito pior, mais grosseira mesmo, que um aluno do ensino médio, sei lá, ele ele acha esses conceitos na Wikipédia, põe no trabalho lá do do ensino médio e [risadas] e põe para o professor. >> Ô, Carlos, eu tento ser civilizado aqui. [risadas] Você fala um negócio desse.
¶333>> Um aluno do ensino médio faria melhor do que o que do que o Gustavo. Sério? mesmo. >> Vou ter que privar essa live, mano. [risadas] Vai, continua.
¶334>> Que ele ele mete aí o o individual no mete o individual na essência, o contingente no necessário, o devir pelo ser e vai adicionando aí, né, a duplicação que ele fala. Eh, de fato, concordando agora com o nosso crítico que estava nos comentários, o que ele faz, na verdade, é muito pior do que a doutrina da da dos dois mundos de Platão. Ele consegue fazer um uma porcaria ainda pior do que essa. Então, de fato, nós temos que dar aqui todas as qualificações pro Gustavo Machado por conseguir fazer uma uma samba do [ __ ] doido pior do que a do que do que a leitura dualista de Platão. >> Ai ai ai.
¶335Vou deixar o Gustavo falar de que o Carlos continue. Tá bom Carlos. [risadas] Muito bom. todas as situações particulares. Então, o movimento, o contingente individual tá no nosso mundo imperfeito, no nosso mundo que ainda não atingiu a plenitude do que é essencial, formal, necessário, a plenitude do ser.
¶336Agora, não existe simplesmente seres que são, existe o ser que é mais ser que os outros. Percebem, né? Eh, o movimento, então, ele é abarcado aí pela pelo que permanece, né? Pelo estável, por assim dizer, né? o a mudança pela instabilidade, o sensível pelo inteligível, a experiência pela ideia, não é?
¶337o corpo pelo espírito. Veja, a lei que os caras criam, a justiça que os caras criam, as regras que eles criam, a formulação do bem, não é esse texto, não é essa lei, essa coisa escrita, não. Isso aqui está traduzindo um significado que tá para além disso. Tanto que esse significado pode ser colocado em qualquer língua e se aplica a todos os casos particulares. O um se aplica ao múltiplo, o conceito aos fenômenos, o abstrato ao concreto, tá entendendo?
¶338Eh, então agora a redução, a explicação, a determinação da matéria pela forma, do finito, pelo infinito, não é? o temporal pelo eterno, pelo que está além do tempo, né? O temporal aqui que não é simplesmente o o eterno não é simplesmente o perene, o que continua em potência para sempre, não, que está para além do tempo, em universo onde o tempo não se aplica, né? Eh, a história pela natureza, a natureza agora não entendida mais como a natureza diversa, particular, múltipla, concreta, mas como a natureza, com esse artigo antes de natureza aí ou para usar o termo grego, a físes, isso aí eu discuto muito aí na primeira sessão do meu livro. Como é que eu faço isso?
¶339No final das contas, esse projeto da sociedade greco romano, ocidental, como transformar toda a diferença em identidade, o outro no mesmo, heterogêneo e homogêneo, o múltiplo em um, o fenômeno em conceito, o particular, universal, individual e essencial, o contingente necessário, devir e ser o movimento em permanência, o sensível inteligível, a matéria em forma, o finito infinito, o temporal em eterna, a história e natureza. Como fazer isso? Aí vai vir as várias teorias metafísicas, tá? Da qual eu destaco duas grandes >> teorias metafísic. >> Você queria mencionar alguma coisa?
¶340[risadas] Ele ele ele >> eu fico pensando assim, não é possível, não é possível, cara. Não é possível. [risadas] Ele põe assim, ó, o indiv ele vai citando os binômios, né? Ele realmente acha que o individual ele é tomado pelo essencial, >> o a contingência pela necessidade, o movimento pela permanência, que é a leitura do ensino médio de Heráclito e a a controvérsia entre Heráclito e Parmênides, né? Sim.
¶341>> Exato. >> Ah, enfim. E é uma crítica, e é uma tentativa de de de crítica global ao metafísica, né? >> Ai ai ai ai ai ai. Olha, olha só.
¶342O nosso crítico tá falando o seguinte: "Cara, eu não sou nenhum de vocês. Eu tenho provavelmente uma perspectiva metafísica muito mais próxima de vocês." Só que você não entendeu a do vídeo e tá falando: "Hum, é só isso". Não, eu acho que a gente entendeu muito bem o que ele tá tratando aqui. Ele tá dizendo que agora ele tá dizendo o seguinte, olha só, ele está dizendo que antes da metafísica as sociedades todas elas tinham eh elas não entendiam como a gente tá vendo aqui, ó, de eh desse lado aqui. A gente tinha um contato que era mais imediato e a gente não tentava explicar o heterogêneo pelo homogêneo, o múltiplo pelo um, porque isso aqui é uma coisa neoplatônica, certo?
¶343o concreto pelo abstrato, porque antes ele estava falando que não havia essas noções abstratas autônomas, que as coisas eram todas concretas. Antes a gente tinha um acesso ao fenômeno e agora esse acesso ele é mediado conceitualmente. Ele tá falando exatamente isso que a gente tá criticando. Não vem dizer que a gente não tá entendendo, que a gente tá criticando isso mesmo. Aí ele começou a dizer que antes havia uma fusão entre signo e significado.
¶344Puxa, isso aqui é é confundir o nível assim eh eh é é cometer vários erros de categoria e tentar assim passar muito pano pro Gustavo Machado, porque simplesmente não não é isso. Simplesmente não é isso. A gente entendeu muito bem o que ele tá falando. Ele tá dizendo que aqui é uma duplicação do mundo com a metafísica. Aí ele tá dizendo, a metafísica procura reduzir, abarcar e explicar e determinar.
¶345Primeiro que no caso que a gente falou ali do múltiplo pelo um, isso aqui é uma metafísica específica que ele tentou reduzir male. Não é a metafísica principal durante o período que a gente gosta de divulgar aqui, por exemplo, na na da Idade Média, século XI, X, por exemplo. Eh, é muito esquisito quando você coloca, por exemplo, os contrastes binomiais aqui, por exemplo, como eu falei, entre o individual pela essência, tá? simplesmente não. Não é isso que essas metafísicas estão fazendo.
¶346Eh, o particular, cadê o outro que o outro que eu achei bem bizarro, qual que foi? Eh, o devi pelo ser também. O outro aqui, o movimento pela permanência, sabe? Não, isso aqui tá realmente errado. [limpando a garganta][tosse] Eh, primeiro que o o individual ele nem se contrasta com a essência, que o individual se contrasta com o universal, mas veja que ele já no na linha superior ele já coloca o universal se contrastando com o particular.
¶347Ou seja, é outra confusão. [limpando a garganta] Primeiro universal não, o primeiro o individual, >> por isso que eu falei de categoria. >> Sim, pode falar. Exato. Exato.
¶348Ó, o crítico aí, ó, o particular não é não é o que se contrasta com o universal. Então, essa esse contraste que ele tá colocando é errado. Segundo lugar, a essência que ele tá dizendo não se contrasta com o individual também. Eh, e outra, ele claramente faz alusão a vários tipos de movimentos distintos de metafísicas às vezes opostas, oponentes, e ele tenta reduzir a um esquema binomial, ou seja, é matéria e forma, é finito e infinito, é temporal e eterno. Aí ele fala, é mudança, é movimento pela mudança.
¶349e depois cita debaixo, quer dizer, o movimento pela permanência. E depois ele cita de forma imediata, ele cita a mudança pela estabilidade, sendo que na concepção grega mudança também é movimento, ou seja, não haveria necessidade para ele duplicar ali entre mudança e movimento, porque movimento é mudança. >> Exato. Ou seja, ele pega debates, por exemplo, agora entre eh debates conhecidos, né, entre Parmênides e Heráclito e e bota aí, sai metendo aí um monte de metafísica e tenta fazer ali um samba do [ __ ] doido e dizer que, na verdade, essa é a crítica à metafísica, essa é a duplicação da metafísica, né? Eh, o problema, o problema é que ele comete várias imprecisões categóricas, como o Fugita disse, várias várias coisas que são erradas e existe contra exemplos históricos claros a isso que ele tá dizendo.
¶350Já citei aqui, por exemplo, a metafísica que inverte os binômios, toma a diferença pela identidade, que toma o heterogêneo antes do homogêneo. Ou seja, já é um tipo de metafísica que é diferente a que o Gustavo Machado tá descrevendo, né? É um tipo de metafísica diferente. Então, como crítica global, a metafísica isso não serve também, porque você tem contraxemplos na história, entende? O nosso, o nosso crítico ainda falou o seguinte, ó: "Meu amigo, o argumento dele consiste na limitação das abstrações que surgem certas formas sociais e na aparência de universalidade que elas adquirem.
¶351Essa parte do vídeo é sobre isso. O problema é que essa tentativa que ele tá tentando fazer de descrever qual era a metafísica dessas sociedades está errada. >> Exato. >> Esse é o ponto. >> Ele tá falando >> está errada.
¶352Está errada no nível ginasial. [risadas] Não é que está errada. Não é que está errada. Poderia estar errada no nível universitário, no nível [risadas] é está errada no nível ginasial. >> Ô [risadas] Carlos, pera aí.
¶353[suspirando] Aí ele falou assim: "Ai, pera aí. Ele falou uma outra coisa aqui. Ele só está dando exemplos com base na obra do Jard Antunes. Se o Jard Antunes dá esses exemplos, tá errado também. [risadas] Vocês estão focando nos exemplos do cara que não são uma descrição da obra filosófica que ele fez em sua tese de mestrado para refutar.
¶354Isso é desonesto. Ué, mas eu não tenho acesso à obra do de mestrado dele. Eu tenho acesso ao que ele tá falando e o que ele tá falando tá errado. Se ele falou outra coisa na tese, é outra coisa. Ué, qual que é o problema aqui?
¶355Qual que é o problema? Até mesmo até até existe um um jeito correto ou precisamos falar sobre 5 547. Existe, existe pelo menos uma forma correta de encaixar os exemplos que ele quer, mas nem isso ele consegue, porque ele não sabe o que é abstração, ele contrasta coisas que não são contrastantes. E isso, na verdade, ele faz, repito, não é no nível universitário, não é um tipo de possibilidade aventada entre uma leitura acadêmica, não. Isso, na verdade, são erros gimnasiais, erros que você encontra em livros do ensino médio, entendeu?
¶356Então, se o vídeo dele é ruim, eh, porque se baseia na tese de mestrado, então a tese de mestrado também deve ser tão ruim quanto. Só isso, né? É bem, ainda falou assim: "Nessa parte do vídeo, ele está pegando estereótipos e expliqueando certas aparências contidas no que para ele é o real, ontologicamente algo material acessível o mundo. O mundo bem, se para ele ele tá pegando só a parte aqui que é real e [limpando a garganta] que essa essa sociedade mudou descrevendo de maneira diversa, eh, desculpa, mas ele tá caindo no mito do dado ainda mais severamente aqui, tá? Você sabe o que que é o mito do dado?
¶357Ele ainda falou: "Você não entendeu?" Ele não está descrevendo filósofos, mas usando estereótipos para ilustrar uma aparência. Refutar esses exemplos não refuta a tese. Se acha que ele está errado, critique a tese dele. Não caricaturas em vídeos, eh, do contrário, parece um adômen para fazê-lo parecer burro. Mas não, a gente tá refutando a tese dele.
¶358A tese dele é de uma duplicação. A metafísica duplica o mundo. E ele tá dando vários exemplos aqui, se comprometendo com a descrição que ele tá dando. Desculpa, mas você tá tentando salvar uma coisa insalvável. Eh, de fato, ele pode ser, ele não pode, não tô falando que ele é burro, eu tô falando que ele comete erros genasiais, ele pode, ele pode ser um competente leitor de Marx, mas em relação a, >> e de fato é agora como a como crítico da metafísica ou como avaliador da metafísica especialmente grega, ele é um como o como um um ah um historiador, né?
¶359Eh, é péssimo, é nível gimnasial mesmo. >> É porque ele tá falando assim, mas ele tá usando estereótipos para ilustrar uma aparência. Só que esses estereótipos que ele está pegando são estereótipos que a gente tá que é que são o quê? É justamente pegando o que ele acha que a metafísica faz de leitura do mundo. Tá bom?
¶360muito. É, é isso mesmo. Aí ele falou assim: "Ah, muito doido que quando convém você fala em concepção grega, como se fosse uma categoria válida, mas quando não convém exige que ele explique toda a obra de um filósofo em 10 minutos". Não, a gente não tá falando disso, não. Você que tá interpretando nossa crítica errada agora e de maneira não caridosa.
¶361Ele está trabalhando com tipos, ideias e estereótipos ilustrativos, não fazendo exegese rigorosa de autores específicos. Não, mas espera lá. É aí que tá o ponto. A gente tá mostrando que ele tá justamente por ele tá porque assim, nem mesmo algumas coisas que ele coloca aqui não encontram exemplo em nenhuma em nenhum caso entre os gregos. Nenhum caso.
¶362E assim e mesmo nos casos que ele descreve, que é, por exemplo, a porque assim, quando você coloca o múltiplo pelo um, você tá identificando inequivocamente com uma tradição e a gente sabe qual é. Então não é esse negócio de, ah, não tá explicando perfeitamente, não. Tentou explicar, tentou identificar alguns aqui, pelo visto, e errou na descrição. Ponto. É só isso.
¶363>> Tentou identificar estereótipos de forma errada. É isso que ele fez. Porque, por exemplo, existem erros de categoria, coisas que não estão, que não encaixam. Eh, existe uma duplicação às vezes equivocada, como por exemplo, movimento e mudança, permanência e estabilidade. Isso aí é bobagem.
¶364Hí, éem nível gimnasial, ele tá tentando pegar estereótipos, isso tá claro. Tanto é que ele tá pegando a metafísica, não está especificando, localizando, o que para mim é um problema, mas tudo bem. Mas mesmo ele pegando esses estereótipos, ele está pegando esses estereótipos da forma mais errada possível e os interpretando da forma pior, né, da forma pior ainda. >> É como o Carlos falou, por exemplo, o caso aqui do movimento e da mudança. Ora, a gente sabe que a questão do movimento em Aristóteles, ela ocorre em quatro em quatro categorias pelo menos, né?
¶365Na substância, na qualidade, na quantidade e no local, né? que tem o deslocamento, você tem o o degenerecer ou a própria criação da coisa. Ou seja, quando existe uma atualização de algo em potência para algo em alta, a gente tem um movimento. Então assim, você colocar esse categorias à parte ilustra o quê? Que ele tá colocando como se fossem coisas diferentes, não são.
¶366Então, enfim, é esquisita. É só esse o ponto. Ele tá sendo impreciso aqui. Ele não tá não só impreciso, mas tá eh simplificando a metafísica eh para depois dizer que ela é muito circunscrita a uma determinada realidade e que possivelmente não sai muito dessa realidade, sendo que na verdade o problema é a própria descrição que ele tá fazendo, né? >> [roncando] >> Exato.
¶367>> Ainda falou assim: "Tá, mas se a metafísica torna eh toma a realidade como exemplo, que diferença isso faz para o argumento central do Gustavo? O que precisa ser refutado é a inversão ontológica materialista que ele propõe". Aí ele fala assim: "Não, a tese dele não é que a metafísica duplica o mundo. Para ele, a metafísica é uma duplicação do mundo. Oh, meu Deus do céu, né?
¶368enorme diferença. Você não entendeu a tese mais básica do argumento dele, mas vou parar de atrapalhar. Não, desculpa o que, desculpa, esse seu comentário não salva absolutamente nada. Absolutamente nada dizer que ela ela não duplica o mundo, ela é uma duplicação do mundo. Perfeito.
¶369Se é esse o caso, você nos corrigiu agora aqui, né, grandemente, essa descrição, enquanto duplicação do mundo está errada. Pronto, pronto. Satisfeito. Meu Deus. Olha, porque tem o que tem mais diferença.
¶370A metafísica ser a duplicação e ela duplicar, né? Meu Deus. É >> as várias teorias metafísicas, tá? Da qual eu destaco duas grandes teorias metafísicas que eu eu as classifico. E e claro que a classificação, eu tô pegando ali o que orienta a construção.
¶371Essas teorias metafísicas são todas às vezes muito diferentes umas das outras, né? eh, por vezes dentro desse grupo, até radicalmente umas das outras, mas tem duas perspectivas possíveis, só duas. Isso no último capítulo, os dois últimos capítulos do meu livro, partindo ali da diferença entre economia vulgária e economia clássica, eu vou vou eh desenvolver, tá? Mas eu vou passar aqui com vocês também uma delas, meus caros. Eh, então, só fazendo uma retrospectiva aqui, tá?
¶372para quem se perdeu, fazendo uma retrospectiva. Eh, a gente viu que, portanto, a filosofia, a matemática como ciência autônoma, a gramática como ciência autônoma, a retórica como ciência autônoma, eu tô dizendo que todas elas são ilegítimas, saão erradas como ciência. Não, veja que o curso que eu tô mostrando aqui dessa sociedade ocental um curso contraditório. Ele permitiu que nós ao mesmo tempo, eh, fizéssemos coisas, por assim dizer, eh, que antes nós não éramos capazes de fazer, né? Eh, permitiu, por exemplo, manipular adistrações autônomas e criar os sistemas lógicos.
¶373Ah, desculpa, gente, mas essa pessoa aqui no chat que tá falando isso daqui vai levar a ban, tá? Desculpa, não vou conseguir. Tentou tá dizendo que a gente é desonesto por causa do que a gente tá fazendo, mas a gente tá literalmente às vezes só reproduzindo, falando de novo que o Gustavo já falou. Desculpa, a gente não tá fazendo nenhum espantalho, nenhum estereótipo aqui. Perdão, mas eu não vou ficar com debatendo com essa pessoa aqui, não vai levar a banco.
¶374Pronto. Nos permitiu eh manipular categorias autônomas e diz que criar e desenvolver a matemática. nos permitiu um monte de coisa e e transformar, por exemplo, a língua que todos já tinham sistematizado uma gramática sobre aquela língua, uma retórica sobre os modos de falar, de se portar nos mais distintos ambientes, nos permitiu o desenvolvimento, eh, a formalização das técnicas que antes existiam como técnicas particulares, puderam agora elas serem englobadas em sistemas mais gerais que nos permitissem entender que aquilo que foi feito no caso poderia servir pro outro, né? que aquele cálculo lá que os egípcios faziam para construir uma pirâmide poderia servir para fazer outra coisa completamente diferente, se lá na agricultura, por exemplo. Então sim, essa essa sociedade greco-romana ocidental permitiu fazer coisas em certo sentido, nesse sentido técnico, instrumental e tudo mais, de um alcance mais amplo do que outras sociedades anteriores, mas ao mesmo tempo que hou lateralismos que também não existiam nas sociedades anteriores, porque agora nós passamos a ver a diversidade das coisas pela ótica do universal, o mundo, pela autonomia do conceito, todos os fenômenos do mundo pelaomia do conceito, a abstração passa agora a nos reger, porque a gente tá na sociedade, >> ó, viu como a gente não tá fazendo nenhum estereótipo?
¶375Ele tá falando que a partir de agora a gente vê como, ó, vou até repetir o que ele fala aqui, ó, >> dados anteriores, porque agora nós passamos a ver a diversidade das coisas pela ótica do universal, o mundo. >> Agora a gente vê a diversidade das coisas pelo ângulo do universal. Não é exatamente isso que a gente tava falando? >> Pela autonomia do conceito. Todos os fenômenos.
¶376autonomia do conceito, porque agora existe o conceito, antes era o fenômeno dado na realidade. É isso que ele tá falando >> do mundo pelaomia do conceito, abstração passa agora a nos reger, porque a gente tá numa sociedade que parte dessas abstrações, o nosso vínculo com ela agora, o formal é anterior do para nós indivíduos, não do ponto de vista do seu desenvolvimento histórico. Ó, >> preciso entender, >> ó, lembrando, lembrando que ele e tá ignorando o principal, o quando fala que tem vários elefantes, né? Quando falamos de abstração, a gente não pode esquecer de Aristóteles, que foi quem melhor tocou, quem melhor desenvolveu, quem melhor se debruçou. ninguém na Grécia a época, a os contemporâneos de de Aristótele, ninguém chegou perto do nível que que ele chega na sua conceitualização de abstração.
¶377Na conceitualização de Aristóteles, que é aqui predomina durante muitos séculos no Ocidente, não existe essa simplesmente não existe essa coisa da abstração autônoma. Essa palavra abstração e autonomia é tipo assim, é quadrado redondo, é a lua feita de queijo, são coisas ininteligíveis. A abstração, ela sempre tem um produto que, na verdade, se encontra no real, não só na mente. Não é que primeiro é o formal e depois é o que está é o que está na fora da mente. Não, na verdade, é o contrário.
¶378Na ordem do conhecimento, né? >> Uhum. ordem do conhecer. Primeiro você tem o contato com as coisas e depois você a partir dela faz a partir delas faz abstração. Agora, uma coisa é a ordem do conhecer, outra coisa é a ordem do ser.
¶379Eh, não existe esse contraste entre entre Agora nós estamos na era dos conceitos, antes não na perspectiva aristotélica, nunca foi o caso que nós não estivéssemos sempre utilizando, nos valendo de conceitos mais ou menos universais, até mesmo para explicar as as nossas condições mais individuais, né? nunca nunca foi o caso que isso deixou de acontecer, né? O que aconteceu é que Aristóteles explicitou isso, sistematizou isso, um um fenômeno que na verdade é geral, universal, é como é uma condição nativa da natureza a abstração, né? Não existe abstração autônoma. A abstração sempre depende de um conteúdo que, na verdade, encontra fundamento num próprio real.
¶380Ah, assim como para o platônico não existe o Uno etéreo, o Uno que está por aí, o Uno e o Uno etéreo. Não, o Uno na verdade ele se presentifica nas coisas, assim como o Belo se presenta, nas coisas que são concretas, particulares, são materiais também, né? Eh, então esses exemplos do Gustavo Machado, ele pode ser um excelente comentador de Marques, mas como o comentador da metafísica péssimo até agora, pelo menos. >> Sim, certamente. É, ele tá tentando colocar essa imagem do do abstrato ligado só assim esse aspecto universal, né?
¶381Um campo desse lado assim, mas como você falou, né? Tá abstraindo da onde? De um particular. Mas enfim, vamos lá >> a lei para saber o que eu posso, o que eu sou ou não capaz de fazer, o que eu posso ou não fazer. Eu sou um sujeito de direito antes de ser uma pessoa que de fato atua no mundo.
¶382A justiça se antepõe, as categorias se colocam antes, não é? Eh, então é uma sociedade que nos unilateraliza também, é nos fomenta modos de se pensar que são cada vez mais unilaterais, que tende a apagar a diversidade do mundo na universidade do conceito, tá? Então vai surgir desde o começo e mas elas vão ter forças diferentes ao longo da nossa história, essas duas perspectivas metafísicas, tá? Que uma delas é que eu chamo de metafísica analógica. >> Opa, entrou agora o que a gente, eu não sabia se ele ia entrar nisso ou não.
¶383Vamos ver >> que é que vai ser muito característica de Aristóteles, por exemplo. >> Há uma suposição de que Aristóteles tenha falado isso, né, no na lógica dele, mas é desenvolvido mais diretamente pelos medievais, né? >> Sim. Vamos lá. >> Dominante.
¶384Dominante até o período moderno, quando o capitalismo se desenvolve, mas não quer dizer que ela tenha sido a única. A outra que eu vou dizer já existia desde o começo, ela só passa a ser dominante. E essa aqui analógica continua existindo até hoje, tá? Ela quer então responder a pergunta que irremediavelmente tá colocado na sociedade, como eu fundamento esses universais. Ela procura aí, essa perspectiva analógica é aquela que procura ir da terra aos céus.
¶385Que que significa da terra aos céus? Ela procura fundamental universal a partir do concreto. Então ela parte do que é sensível particular rumo ao universal. Tá? Eh, não sem razão, né?
¶386Aristóteles. As pessoas conhecem muito a metafísica de Aristóteles, a física de Aristóteles, mas ele foi antes de tudo que hoje nós chamaríamos de um biólogo. Eh, Alexandre Grande, inclusive durante as suas primeiras conquistas, ele encontrava espécies novas de animais, de vegetais e mandava para Aristóteles. Sabiam disso? Tem relatos posteriores que que contam isso, embora a gente não possa ter comprovação cabal, mas tem toda a possibilidade de ser verdadeira.
¶387Estudava as espécies de plantas, de animais, de minerais diferentes, de rochas, eh, olhava o que era em comum, tentava categorizá-las. Vende de Aristóteles, essa estrutura em árvore que hoje é tão famosa, né? que depois vai ela vai se consolidar com Porfího, com outros autores que vão vir depois, que parte de uma categoria mais geral, que se divide em outras duas, que divide cada uma delas em outras três, em outras quatro, como por exemplo essa estrutura de gênero e espécie que caracteriza espécies vivas na biologia. Isso tudo descende diretamente, Aristóteles, tá? Eh, e claro que todas elas traziam um problema.
¶388Todas elas traziam um problema, eh, que era o seguinte: se é assim, se eu parto da Terra, se eu parto do que é sensível, do que é particular, eh, para o conceito, para, né, eu parto aqui da diferença paraa identidade, do outro pro mesmo, do heterogêneo pro homogêneo, do múltiplo pro um, do concreto pro abstrato, do fenômeno, do preconceito e assim sucessivamente. Significa que esse conceito, esse universal, eh essa identidade, ela é sempre um produto do nosso pensar, não é isso? Universal é construção da nossa mente. Ou se quiser, até sou um pouquinho mais rigoroso com Aristóteles, mas aqui não é Aristóteles, não, tá gente? É toda uma vertente de pensamento que eu tô pegando aqui nas suas orientações mais gerais, por gente chamar de intelecto, não é?
¶389Intelecto, a gente parte função do nosso intelecto, significa que esses universais não é substância, não são substanciais, tá? Eh, são produtos da nossa cognição, da nossa capacidade de do do nosso pensamento, que cria esses universais, que cria essas categorias, que criam esses conceitos, não é isso? Eh, criando uma contradição sem saída dentro dessa dentro do pensamento de Aristóteles, por exemplo, mas que os aristotélicos depois vão dar uma uma saída para isso aí, tá? que a ideia de que olha, se só existe ciência do universal, ou seja, a ciência é exatamente o que aspira a conhecer a pergunta dada da identidade, o mesmo, homogêneo, um, tá? O abstrato, o conceito universal, a essência, necessário, gente, isso aqui é tudo sinônimo, alguém podiaar, claro que não, mas são aspectos de um mesmo problema, tá?
¶390Por isso que eu botei tantos aqui para ficar claro para quem tá assistindo, né? Que vis atingir o universal, a essência, o necessário, o ser. Veja que aqui há uma duplicação do mundo inteiro. Tudo que é diferente passa a ter um outro conteúdo dado pra identidade. Tudo que é um outro passa a ser identificado com o mesmo.
¶391Tudo que é heterogêneo pode ser considerado como algo homogêneo sobre alguma perspectiva. É a mais essencial dada pelo conceito que é universal, que é abstrato, que é necessário. Então o contingente tá aqui no nosso nos ponto. >> Não é assim que se não não é assim que se entende esses binômios. Não, não é que eh tudo que é particular se entende a partir do que é do que é universal.
¶392o múltipo, o múltiplo se entende a partir do que é um. Não é bem assim que se entende esses binômios, não. E ali, por exemplo, quando ele fala de metafísica analógica, eu quero entender o porquê do analógico. Bom, quero ver se ele explica essa parte, mas a explicação dele em relação aos universais, primeiro, existem vários tipos de universais em Aristóteles. Você tem universal, você tem um universal de de alguma coisa que é universal lógico, que de fato é só produto da mente, mas o universal não se reduz só ao universal lógico.
¶393Existem outros tipos de universal que não são os universais que só dependem da mente, que são os universais de segunda intenção. Existe o que nós chamamos de universais de primeira intenção em Aristóteles, que na verdade vem das coisas e não da mente. É produto e fundamental. >> Tem universal fundamental que está que não está nem no intelecto, está extramente mesmo, né? está nas coisas mesmo.
¶394Então, eh, em Aristóteles tem vários tipos de universal e não é só universal lógico, não, tá? Existem vários universais, vários tipos de universal. Todo uma a tipologia dos universais vai ser vai ser melhor desenvolvida pela segunda escolástica. >> Exato. >> Mas enfim, eu quero entender ainda o porquê do analógica.
¶395>> Agora, agora que você chamou atenção para isso, né? Olha só, imagina se a gente vai encontrar alguém que consegue explicar a essência pelo individual. Carlos, você já pensou? É, é difícil, hein? Se a essência pelo individual, ou seja, você tem uma certa uma uma certa, como eu posso dizer, um certo princípio que faz você pertencer a uma determinada espécie, né?
¶396Mais ou menos uma definição de essência, sei o que é. E você explica isso pelo que é individual, você não tá explicando nada, né? não tá explicando absolutamente nada com isso, [risadas] mas enfim. >> Exato. >> Mas eu também tô eu também achei interessante isso aqui porque ele tá dizendo que a analogia é de certa maneira vai fundamentar os universais.
¶397Eu acho que ele falou uma coisa assim, né? Eu quero entender isso. Vamos lá. >> Nosso mundinho, né? Eh, sublunar, marcado pela acidentalidade, pela contingência, pela dor, pelo pecado.
¶398Nesse mundo transcendente, supralunar, nesse mundo, eh, na esfera do além e não aqui no a, né? Eh, podemos até pôr mais uma aqui, ó. Aqui para ficar aqui até ao infinito, né? >> Ao infinito, caras. Dá para encontrar infinitos binômes aí para Vamos lá.
¶399Vamos, >> vamos lá. Podemos colocar aqui também, ó. Essa aí o o Jadir Antunos usa muito, né? O o Aken, o aqui agora, né? Nesse instante, nesse momento, >> pelo além.
¶400>> Aquem pelo além, [risadas] >> tá? Eh, então vamos. >> Muito bom. >> [risadas] >> essa eu previ. Essa daí eu consegui prever o a quem pelo além.
¶401[risadas] Ai, vamos lá. Vamos >> lá pra gente não perder a nossa o nosso fio da meada. Então se essa se a ciência procura da fundamentação a essa identidade a esse mesmo, né? Eh, é por isso que vai ter a ciência buscada para Aristóteles, que é a ciência primeira, a ciência que dá dá conta de todos os seres, mas tem a ciência específica, que são aqueles recortes da realidade, que dão seres de certo âmbito dos seres, certas categorias de seres, tá? Eh, então daí vem as ciências particulares.
¶402Então, se o universal é uma construção da nossa mente, né, e ele não é substancial, não é substância, porque a substância são seres concretos, individuais, numericamente uno, é eu, Gustavo, você que tá assistindo, o cavalo, o gato e os universais são predicados, são atributos dessas coisas. Então, olha que loucura a ciência. Lembrando que também tem todo um debate sobre isso no que a gente chama deologia, né, como Giovan Reali ele menciona, né? Eh, é claro que depois se estabeleceu que o sínolo que é a união da matéria e da forma já concrecionado, ele é o a substância por excelência. Mas a substância também, Aristóteles, ele já chamou na metafísica a matéria de eh de substância, o universal de substância.
¶403Eh, só que eles são menos propriamente substância do que o sínolo, que é a conjunção das duas coisas, né? >> E aí [roncando] tem vários argumentos para se demonstrar porque que eles são eh substância por excelência. Mas, enfim, tem um debate sobre isso. >> Exato. Eh, eu acho interessante e até agora ele não entou na parte do analógica, porque se eh ele primeiro tem uma tem várias confusões aí em relação a Aristóteles, né?
¶404Mas ele falou que, na verdade, não tá falando de Aristóteles, tá? Tá falando de uma concepção aí que abarca aí várias concepções, algo muito específico e passível de ser analisado por algum crivo, né, eh, objetivo. Tem vários problemas. Eh, primeiro, em relação ao intelecto, em relação aos universais, a gente em relação aos universais, nós já nós já eh falamos aqui, né? >> Até porque ele tá ele tá partindo de uma análise meio nominalista assim, né?
¶405Pelo que eu entendi antes, né? >> Exato. Eh, existem vários tipos de universal. A tipologia dos universais vai ser desenvolvida inclusive pelos nominalistas, mas de fato para Aristóteles o universal não é substância. Agora, isso não significa que ele não tenha uma realidade extrentes.
¶406E existem várias várias interpretações não deflacionárias de Aristóteles, como, por exemplo, a interpretação esotista e interpretação do Lúlio, que entendem que para Aristóteles universal não é substância como é como é a interpretação medieval, porém é ele é algo positivo nas coisas antes do intelecto, inclusive, ou seja, é algo quem do nosso intelecto. Então tem que ter, >> então pode ir além, né? [risadas] >> Exato. >> Desculpa, eu não aguentei. [risadas] Eu não aguentei.
¶407Desculpa, amigo. Pode continuar que você ia dizendo. Ai, ai, ai. >> Pois, pois é. E aí tem essa parte aí da ciência.
¶408A ciência existe a mas apenas existe a ciência do universal, né? >> Mas você é singular. Eu quero que ele desenvolvam esses dois pontos, porque a depender de como ele desenvolver, tem um grande erro já bem flagrante. >> Vamos lá. Vamos lá.
¶409>> Ela diz sempre do universal, mas todo ser. Então é como se a ciência e a realidade, a realidade dos seres singulares permanecesse sempre separada dessa ciência que só fala dos universais, que procuram os universais, que atingem os universais. Como é que a gente pode fazer as duas coisas coincidir, né? Isso vai levar no interior dessa tradição a todos os movimentos históricos, nem de longe eu quero aqui comentar, que vai procurar resolver essas essas contradições do Aristóteles, né, do singular que do qual não se tem ciência. E eh a ciência é só do universal, mas que por sua vez nunca é enquanto tal, percebe o tamanho do pepino, o tamanho da contradição, eh que é a via analógica.
¶410Ou seja, existem seres aí superiores, né, onde o maior de todos são deuses. Então são seres singulares, particulares, que são eles próprios possuidores desses atributos universais. Mas como a minha via metafísica aí da terra aos céus, eu só chego a eles por meio da analogia. Então, por meio da analogia, eh, eu vou analogando, tá? E o que que é analogia, gente?
¶411A analogia é A está para B como C está para D, tá? Então, eu vou a eh Deus está para os homens como os homens estão para os animais. Sei lá, você pegar famosa analogia de Platão, né, que tá lá na república, eh, o, o o bem, ele está para o mundo inteligível como o sol está para o mundo sensível. Então, o sol que ilumina tudo, que tudo abarca, né, que tudo banha, que tudo atingem, que fornece vida, o sol está para o nosso mundo sensível, palpável, como o bem está para o mundo inteligível. Ora, eu crio uma conexão interna entre as duas coisas, não, mas por analogia eu posso analogar e dos seres particulares ao ser mais geral.
¶412Então, essa via metafísica, ela vai conduzir a toda uma hierarquia dos seres, tá? Obtida por analogia, onde se a metafísica é uma duplicação do mundo, e veja que aqui tudo são duplicações, não é isso? Eh, e é uma duplicação do mundo, esse segundo mundo aqui, eu atinjo ele por analogia. E esse segundo mundo, esse mundo mais perfeito, esse mundo que é melhor, que é marcado pelo bem, que é marcado pela pelo pelo simples, pelo qualitativamente indiferenciado, esse mundo é mais ser do que o nosso. Ele tem mais dignidade onológica, tá?
¶413Entendam isso como que, tá? Já já deu para entender, olha, tá tá errado por vários fatores. Vamos lá, vamos começar pelo básico. Não, não é o a via analógica inaugurada no século XI. Eh, vamos tentar entender que ele tá falando da analogia doente tomista mesmo, no sentido clássico.
¶414A via analógica não tem nada a ver, por exemplo, com >> eh [risadas] >> Lucas mandou R$ 5. Deus me perdoe, mas toda vez que vejo um marxista querendo falar de metafísica, já tampo os ouvidos e falo lala. [risadas] >> Ai, ai, ai. Muito bom, Lucas. Tá, vai lá, Carlos.
¶415Desculpa. >> É, [risadas] eh, existe vários pontos aí. Eh, primeiro, primeiro, né, supondo que ele esteja falando da analogia doente de São Tomás de Jaquino. >> Uhum. >> Vamos, vamos colocar escoto aí também.
¶416Vamos colocar Henrique Gigante, que foram autores que também falaram de analogia. >> A universidade grau de analogia também, né? É, na tradição. Sim, exato. Existem graus de universidade.
¶417Eh, agora vamos pensar que isso não tem nada a ver. Não existe relação alguma entre adotar uma concepção analógica de ente, não é nem de ser, é ente, porque ente não é ser. Ser é um faz parte do sínolo a ao qual a noção de ente eh evoca, né? Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Não tem nada a ver você defender uma hierarquia de seres com a defesa de uma analogia do ser.
¶418Nada a ver. Uma coisa não se relaciona com outra. Eu posso defender a tese oposta e ainda se e ainda assim defender uma hierarquia de seres que tem dignidades ontológicas distintas, como ele colocou ali. >> Eh, >> e enfim, todos os prejudicados ali e os atributos que ele tá colocando nessa a nessa ciência que é a metafísica, né? Em segundo lugar, >> mesmo ficavocista, Carlos, aquele, né?
¶419[risadas] >> Pois é. O que é o que é estranho ele chamar isso de metafísica analógica, porque o universal, como definido pelo Porfiro, ele é ele é uma ele é um atributo predicado de de como uno para muitos, né, e de muitos. Então, o universal ele é claramente unívoco, mas a metafísica ela não lida propriamente com a universal. >> Uhum. Ela lida, na verdade com uma noção que supera o universal, que é justamente o ser.
¶420O ser ele extrapola o que é universal. O ser está acima do universal, né? Então, o ser não pode ser universal porque aí aí sim ele não poderia ser analógico. Se o ser fosse fosse um um simples universal, ele não poderia ser analógico. Então, ele ele extrapola de certa forma os os universais.
¶421E é por isso que ele pode receber esse tipo de contração analógica que ele tentou explicar com com alguns exemplos. Eh, mas o que é analogia? A analogia é um misto de equivocidade e unoscidade segundo Quid, né? Como vai dizer o cardeal Caetano nos seus comentários, audiente essência. Então, eh, uma coisa não tem nada a ver com a outra.
¶422O fato de existir uma metafísica analógica não tem a ver necessariamente com hierarquia de seres, tá? >> Uhum. >> Hierarquia, uma hierarquia prototipal, onde os seres eles vão tendo graus distintos daquela mesma perfeição, como por exemplo, para os platônicos, o uno, o ser, para os aristotélicos, não tem nada a ver uma coisa com a outra. você pode defender o contrário disso e continuar defendendo uma hierarquia de seres. Em segundo lugar, eh, a ciência, de fato, ela ela busca o unívoco.
¶423Eh, ela busca o unívoco. A o ideal da ciência em Aristóteles é a universidade. De fato, isso é isso é isso é verdade. Mas é justamente por isso que surgem concepções como a escutista, entendendo que o ideal da ciência é buscar sempre a universidade, que é o sentido perfeito dos do termo, é a contração mais perfeita do termo, é justamente daí que surgem as analogias, eh, as universidades que se misturam de alguma forma com a a predicação analógica que vai de alguma forma se se juntando eh por de por diferenças extrínsecas que de alguma forma se adicionam com a universidade e vão tornando aquele conceito de ser que era um conceito unívoco, eh, em um conceito que também é analógico. Então, a questão é muito mais complexa do que ele tá colocando aí, tá?
¶424Primeiro, o ser, o ser, o ser não é universal, o ser ele extrapola em Aristóteles, o universal. E se o ser é universal para ele, aí que ele não pode ser analógico, porque o universal ele é unívoco, por definição, ele é unívoco. Então, tem algumas coisas erradas nessa descrição aí ou tentativa de descrição de algo parecido com a metafísica de Aristóteles, tá? >> [roncando] >> Perfeito. É, até agora ele não falou nada que justificasse de fato ser analógico.
¶425Bora ver o que que ele continua dizendo, né? Deixa eu ver que que o pessoal tá comentando no chat. O Samad falou assim: "Que cardeal é esse, Carlos, que você mencionou? Cardial Caetano. [risadas] Vamos lá.
¶426>> A gente cria aqui uma hierarquia dos seres obtidas por analogia, né, com distintas dignidades ontológicas. Eh, e por vezes eu atingjo isso aí também por uma relação de causalidade que vai dos seres mais simples até o ser mais geral, até o ser primeiro de todos, né? A causalidade leva sempre uma uma cadeia infinita, né? Eu tenho um efeito que gera uma causa, eh, que por sua vez tem outra causa, por sua vez tem outra causa, por sua vez, porque que essa causa é efeito de outra causa, de outra causa e assim infinitamente. Isso para isso acabar, eu tenho que ter um ser primeiro, um motor primeiro que é responsável pelo movimento no sentido amplo de todas as coisas.
¶427Então, veja que essa perspectiva analógica, seja por causalidade, seja por analogia, novo e de novo, não é bem assim. Quando você fala de causalidade ocidental, você tem de fato essa essa precedência que já que sempre supõe eh sempre sempre é suposta, né? Ou seja, se você pegar, por exemplo, uma série de homens, um homem pressupõe os seus pais, esses pais pressupõe outros pais que pressupõe outros pais e assim você vai indefinidamente ao passado. Aí você tem uma cadeia acidental de causas acidentalmente subordinadas. Agora, quando nós falamos de de uma cadeia essencial, que é justamente onde ele quer falar, eh, que se subdivide em dois tipos, no ser ou no operar, aí que vai entrar a questão do motor imóvel, aí que vai entrar a questão da causalidade ter que se reduzir de alguma forma, neste caso, a um motor primeiro.
¶428Eh, então são dois tipos de causalidade que Aristóteles fala. Uma uma conduz à infinitude eh ao [roncando] passado, né? Ou pode conduzir a uma infinitude no passado. A outra não. A outra, na verdade, a outra ela é indiferente a acidentalidades de tempo e de movimento.
¶429>> Para quem quer para quem quer um resumo sobre isso, lá no curso, o Resgate das cinco vias que vocês podem encontrar aí nos, eu vou deixar nos links aqui também para quem quiser depois, mas vocês encontram no meu Instagram, a gente fala isso na primeira via. Ou seja, que o Carlos está dizendo é basicamente que se a gente tivesse falando meramente de uma causalidade acidental, poderia regressar ao infinito, né? Deus poderia fazer com que isso acontecesse desde todo o infinito passado, assim, enquanto que a gente tá dizendo que uma causa primeira ela se torna mais evidente enquanto essencialmente uma cadeia essencialmente ordenada, né, subordinada, porque aí você precisa, mesmo que você congele o tempo neste exato momento, precisa de uma coisa que sustente toda a atualização da cadeia, né, que vai meio que transmitindo essa atualização até a ponta mais eh contingente, digamos, da cadeia, né, que tá mais na ponta. Então é é basicamente isso. Mas é e assim é interessante porque o Gustavo Machado, ele olha só o caminho que ele tá dizendo, né?
¶430Metafísica analógica aí da terra e os céus, parte do que é sensível particular rumo ao universal. Eh, universal é uma construção do nosso intelecto. Assim, e novamente, né? partir do que é sensível. Pode partir do que é sensível, mas também [roncando] poderia haver analogia, né, aqui do ente mesmo com, sei lá, que que o universo sensível não existisse, né, com os anjos, por exemplo, né?
¶431Eh, ele fala assim: "Parte do que é sensível particular arruma ao universal". Universal é uma construção do nosso intelecto, não é substância, mas apenas existe, mas como que é? Mas apenas existe ciência do universal. A ciência é universal, mas o ser é singular. Aí ele como ambos podem coincidir, ou seja, a ciência ser universal, mas o ser singular.
¶432Aí ele conduz a uma hierarquia dos seres obtidas por analogias, seres com dignidade ontológica distintas, relações entre os seres tendem assim obtidas por causalidade ou indução. Quero só vir de novo o que que ele falou. Ele falou aqui antes, rapidinho. Tem um negócio interessante aqui para ele. Asta lógicas.
¶433Eh, e por vezes eu atingjo isso aí também por uma relação de causalidade que vai dos seres mais simples até o ser mais geral, até o ser primeiro de todos, né? A causalidade leva sempre uma uma cadeia infinita, né? Eu tenho um efeito que gera uma causa eh que por sua vez tem outra causa, por sua vez tem outra causa, por sua vez, porque que essa causa é efeito de outra causa, de outra causa e assim infinitamente. Isso para isso acabar, eu tenho que ter um ser primeiro, um motor primeiro que é responsável pelo movimento no sentido amplo de todas as coisas. Então, veja que essa perspectiva analógica, seja por causalidade, seja por analogia, ela chega a tentar fundamentar essa metafísica.
¶434>> Perspectiva analógica que começa seja por causalidade, seja por o quê? Por analogia. Foi isso que ele falou? É, seja por causalidade, seja por analogia. Veja que depois ele coloca ali causalidade junto com indução.
¶435>> Pois é. >> Hã hã >> é uso, né? >> Um negócio que não faz menor sentido aqui, né? >> E outra, e outra coisa, a metafísica não precisa ser analógica para ela partir do sensível, do singular. E a toda a metafísica, se ela é aristotélica, ela vai partir do singular, do sensível e ela vai abstrair >> do >> do do que é sensível, do fantasma, né, que é a espécie sensível, vai abstrair-se ou inteligível, que vai ser justamente objeto do intelecto, agente, depois vai ser reduzido do intelecto possível, depois existe todo um debate entre os aristotélicos para saber se ambos os intelectos são o mesmo.
¶436mesmo ou se são intelectos distintos ou se o intelecto, na verdade, a gente, né, é uma substância, etc. Enfim, tá errado porque ele mistura teses distintas, né? Eh, ele começa afirmando, olha, eh, é, é uma é uma metafísica que vai eh da terra aos céus, né? Por quê? Porque ela vai do sensível e aí chega ao universal.
¶437fora. Isso não é não é uma característica determinante da metafísica analógica. >> Sim, >> não precisa ser analógica para ser analógica para ter isso, né? inclusive metafísicas extremamente univocistas, como o caso da da metafísica eh dos do e dos eh nominalistas, elas têm isso também, t essa essa relação. Isso não diz nada sobre o caráter da metafísica, se ela vai ser analógica ou não.
¶438E depois ele mistura conceitos como hierarquia de seres, que não tem nada a ver também. eh não é uma um qualificativo exclusivo, né, da da metafísica analógica. E aí ele mistura no final eh relações entre os seres por causalidade e indução. >> Causalidade ou indução. >> É, vai entender.
¶439[risadas] >> É, pois é. Se se a gente tá interpretando por esse ponto de vista, né, de que como é a ordem do caminho, dos dos sentidos até você produzir o universal e tal, >> eh todo mundo começa do sensível, né? Todo mundo começa do sensível, do particular e não sei o quê. Mas [roncando] enfim, vamos lá. Vamos ver se ele se ele explica um pouco mais, né?
¶440Vamos. Eh, sempre indo do que é sensível, concreto, particular, até o que é universal. É isso que me interessa aqui. Não interessa analisar nenhuma filosofia internamente, tá gente? O vídeo já tá longo aí, já tem mais de uma hora e eu nem acabei ainda tudo que eu dei para falar.
¶441Eu tenho uma outra perspectiva metafísica que eu chamo de mística. Por que que essa aqui eu chamo de analógica, tá? Eu chamo de analógica porque esses seres diversos, como eu parto da Terra aos céus, como eu parto do fenômeno ao conceito, eles só podem ser conceituados, eles podem ser identificados formalmente por meio de analogias, buscando as características incomuns, buscando a o os elementos incomuns e tentando construir uma forma que seja comum a todos. E para isso eu só posso fazer analogando-os, tá? Pegando duas coisas que estão externas umas à outras.
¶442a minha cabeça que unifica as duas por meio de um conceito mais geral. Por isso que o Aristóteles universal que unifica as coisas diferentes, >> eit car [risadas] >> que chega de fato a ciência, nunca pode ser ou nunca pode ser substância. Substância são os indivíduos, tá? E eu analogo, os unifico os em relações aos outros até chegar no na formulação do ser mais geral, que é a fundamentação, a ciência primeira, a metafísica base de todas as ciências particulares. O que que tem nessa metafísica mais geral?
¶443O que é comum a todas ciências particulares. Afinal de contas, a metafísica mais geral é a ciência primeira. É contraditório chamá-lo de ciência, mas não vem aqui ao caso, tá? Eh, o que que vai ter então nessa metafísica mais geral, para Aristótes? Aquelas coisas que todas ciências particulares têm que ter obrigatoriamente.
¶444Obrigatoriamente, como, por exemplo, o princípio de identidade, os famosos princípios de identidade de não contradição. Todo ser é igual a si mesmo, né? Eh, e por aí vai. Eh, então os princípios de identidade, contradição, terceiro excluído são características gerais de todos os seres. É por isso que nessa concepção, segundo a linha aristotélica, eu posso ter uma lógica geral da realidade.
¶445Não significa, no caso de Aristóteles, sabe gente, que essa lógica seja o esqueleto da armadura lógica da realidade. Não, mas eu posso aplicar tudo, porque toda a realidade se submete a essas regras. Então, eu posso aplicá-la tudo de alguma forma. Precisa entender um monte de coisa que tá por trás disso aí, tá? E aí para isso vai ter toda uma discussão sobre axiomas, né, que são princípios irrefutáveis, né, a partir do qual deduz os teoremas e por aí vai.
¶446Eita! Você quer comentar essa salada doida aqui agora que até a lógica é tem car são características propriedades do real, né? >> É difícil, ele mistura muitos conceitos, né? Eh, é complicado porque ele diz que ele não tá analisando um um tipo específico de metafísica, mas claramente ele faz referências à metafísica aristotélica nesse caso. Ah, e ele faz de uma forma totalmente equivocada.
¶447Ele diz, por exemplo, que você tem que, para você fazer uma ciência, você tem que de alguma forma, você precisa analogar os seres, né? De alguma forma, a essa estrutura hierárquica precisa de uma analogia, ou seja, que você encontre similaridade entre os seres e aí você vai os analogando. Aí ele fala que a que a analogia, veja só o que ele diz, que absurdo, ele fala que a analogia, na verdade, é uma operação que tá na que está na nossa mente e que junta os seres. [risadas] >> Sim. >> Que que junta, pega assim, ó, e junta.
¶448Então vai juntando, juntando, juntando, >> vai juntando e vai chegar a não ser perfeito, né? É isso que ele falou, assim, né? Não foi isso que ele disse. >> É exato. Então, tem que explicar para ele o léxico da analogia, que existe analogia metafísica que não depende da operação mental.
¶449Porque o que é analogia? é uma forma de contração, é uma forma contrátil de algo. A analógica, ela ela busca, na verdade, a similitude, né? não busca o idêntico, que seria a característica do unívoco, nem o totalmente diverso, que seria a característica do equívoco. Ela busca o intermediário.
¶450Então, é uma característica, é uma característica contrátil que para que a metafísica rode, ela não pode ser só uma coisa da mente humana. Ela precisa encontrar uma instanciação no real, de fato, senão não tem metafísica. Porque metafísica é uma ciência real. Então tem que apresentar para ele todo o léxico da da analogia, né, e mostrar que existem analogias que de fato são meramente produtos da mente, né, que são as analogias extrínsecas, tem a de atribuição, de proporção. >> Sim.
¶451>> E tem as e tem as analogias analogias que são reais, que de fato não dependem da da nossa mente, entre aspas, no sentido fundacional. não é o intelecto que fundaciona essas analogias, elas já se encontram eh com algum fundamento para além para além do intelecto. >> Lembrando que a gente tem ah vai ter uma aula sobre isso no curso A formação da Opinião. Quem quiser entrar aí, estamos eh falando, vamos falar um pouquinho sobre analogia também, os as formas de predicação. Agora, o que eu acho engraçado é que ele tá falando assim, eu não vi ainda, né?
¶452Eu tô me surpreendendo assim ao vivo contigo, né? Porque ele vai, em tese dizer que existe essa maneira de analogar na metafísica. Ele falou assim, tem dois tipos de metafísicas, a analógica e a mística, assim, sabe? Então, [risadas] assim, eu quero ver como que vai ser esse contraste que ele quer fazer, né? Eh, [risadas] tem uma metafísica analógica e tem a mística.
¶453Eu pensando, não, caramba, talvez ele, talvez ele vai falar sobre os equivocistas, talvez ele vai falar sobre a universidade, né? Mas não, ele vai falar sobre os místicos, Carlos, como a como como uma contrafação ou como outro tipo de metafísica, né? Mas vamos lá. >> Hum. >> Mas vai ter uma outra perspectiva que eu vou chamar de mística, que foi historicamente atribuída a Platão.
¶454Eu truco isso aqui, tá? Mas eu não vou. >> Ah, vamos ver. Então é Platão, vou entrar nessa discussão aqui nesse vídeo, não, não é o objetivo. Aí se a ideia da metafísica analógica é partir da terra aos céus, a da metafísica mística é partir dos céus para a terra.
¶455Aqui eu já procuro atingir, ainda que eu parta da Terra de alguma forma, mas eu procuro atingir essas categorias mais gerais e a partir delas explicar todo mundo. E a validade ou não dessas categorias mais gerais, eu voltei na medida que elas se mostrarem efetivas para explicar todo mundo. Então eu vou aqui do universal pro particular. Por que que é místico? Porque eu não posso de fato deduzir essa o fenômeno, chegar nos conceitos a partir dos fenômenos, o parto dos conceitos para explicar os fenômenos.
¶456Então eu não posso de fato fazer essa dedução. Eh, essa categoria ela tem uma característica mística. Ela me, essas categorias do metametafísica dessa vertente, elas aparecem a mim diretamente, elas são o que são. Tá entendendo? Eu posso eh ir para algum viés eh mais eh esotérico no sentido de que eh o protestantismo tem essa característica.
¶457É a palavra revelada. Essa é a palavra revelada. Não cabe a mim questioná-la. Eu tenho que agora enquadrar todo mundo nela, tá? Eu posso >> ol, tá vendo?
¶458Ol aí, ó. É culpa nossa aí. Tá, tá, tá feliz, Luté? [risadas] [suspirando] >> Tá feliz, Lutero. Agora todo mundo é místico por sua causa, [risadas] entendeu?
¶459Caramba, né? É, ele ele tá tentando, talvez assim, eu tô fazendo algumas vou vou vou dar uma hipótese aqui, talvez ele esteja falando, atribuindo o raciocínio assimâneo a Platão e tentar entender essa forma descendente de ver o que está contido dentro de uma definição para ir entendendo o que se deriva dela. Talvez seja isso que ele queira fazer. Não sei. Sei lá.
¶460Eu vamos ver o que que ele vai querer e vai extrair disso aqui, né? Aí tá falando que tô falando é tipo uma caricatura da caricatura de que Platão parte de cima para baixo, Aristóteles de baixo para cima, toma fugita, tá feliz, Lutéo. Pois é, não vamos ver, vamos ver o que que ele vai dizer. >> O eh por isso que aqui vai se misturar com várias correntes místicas de fato que t acesso a esse universo, por assim dizer. Não sem razão, essas correntes desde a Grécia antiga, os óficos, os pitagóricos tendem a ter a se reunir em seitas mesmo.
¶461São as pessoas que de alguma forma tiveram acesso a esse aparato conceitual. ou eu posso recorrer a uma via meio intermediária, onde eu sou meio que metafísico analógico no começo para tentar chegar nessas categorias e depois explicar o mundo inteiro, tá? Mas aqui e ou então eu formulo as categorias, eu parto das categorias. Aqui universal ele é substância, ele existe enquanto tal, seja esse universal, ideal ou real, isso aqui vai ser muito diferente, tá? an antes da modernidade, do capitalismo, esses universais tendiam a ser real mesmo.
¶462Aqu eles tendem a ser ideal, categorias do conhecimento. Eh, e aqui é uma coisa interessante, porque se filósofos, principalmente do do período pré-moderno, onde a metafísica que dominava era essa aqui analógica, que é onde vai est as ontologias, né, que vão criar as hierarquias de seres, as coisas que são menos seres que as outras, até chegar no serm geral, eh essa aqui vai se tornar majoritária com capitalismo, mas com uma diferença curiosa aqui, sobretudo a partir de Kant, mas não somente Kant, não somente Kant, eh, esse universal, ele tende a uma característica do nosso aparato cognitivo para canto. Pera, pausa, pausa. Ó, vou vou adiantar aqui, vou prever o futuro. Ó, ele vai falar que a que as categorias cantianas são as ideias a priori que nós tomamos as coisas depois nós eh depois é que nós nos inclinamos aos particulares e aos indivídu aos seres individuais.
¶463Essa vai, esse vai ser o espantalho. E aí, Fugito, eu quero que você qualifique [risadas] que nível de interpretação [risadas] Não, pera aí, pera aí. Bora primeiro. Bora antes de Não, vamos espantalhar o espantalho dele. Eu quero ouvir qual que vai ser o espantalho.
¶464Bora ver. Ai, ai, ai. Pera aí, [risadas] vamos ver. Vamos ver. Vamos ver.
¶465A lógica, a matemática, ela é a forma como a nossa cabeça organiza o que tá fora. Se o que tá lá fora corresponde de fato à maneira como a nossa cabeça organiza, nós não queremos saber, porque a gente sempre se relaciona com o mundo segundo cant de forma mediada, mediada por esse nosso aparato cognitivo. Nós organizamos os fenômenos que nos aparecem dessa forma. O que eles são em si mesmo, nós não sabemos, tá? Mas se nós organizamos dessa forma, você significa que as categorias da lógica, por exemplo, da da matemática ou o que mais quisermos, ela constitui o nosso aparato cognitivo.
¶466É a partir delas que nós ressignificamos todo mundo. >> Toma, fugito. Toma aí. >> [risadas] >> certinho. Interpretou Kant corretamente.
¶467Olha, >> é, então, então é, tem, a gente tem as categorias do entendimento, né? Na verdade, aí tem a distinção do Kant, né? Do do entendimento, da razão. São coisas distintas aqui, né? Será que ele vai entrar nesse detalhe?
¶468Bora ver, bora ver. Pera aí, deixa eu ver um pouquinho mais. Vamos, vamos, vamos ver, vamos ver. É aí que vai abrir mão na modernidade para todo um conjunto de de correntes que vão autonomizar o conceito mesmo, porque eh eles ele vai meio que se livrar da reflexão e da pergunta do que é a realidade em si mesmo, porque nós não sabemos exatamente, mas nós sabemos como nós organizamos isso. Então é por meio dessa lógica, ausemos, é por meio dessa matemática, ausemos.
¶469E aqui eu queria só chamar a atenção para vocês, sem desenvolver muito o tema, como isso vai se vincular ao capitalismo, porque o capitalismo não vai ser só as relações entre os >> É porque, tá, só uma coisa, né? Porque assim, ele começou associando a Platão e depois a Kant assim, né? Porque uma coisa é você ter de fato raciocínios a simultâneos, né? Eh, ou coisas que partam de do mais geral pro particular, porque isso também existem raciocínios assim, né? Outra coisa são as formas a priori, né, assim, cantianas, que, né, literalmente outro outro rolê assim, né, outra discussão, mas realmente ele meio que equiparou uma coisa a outra, né, ainda disse que isso é uma característica meio protestante, né?
¶470Então, sei lá, do da coisa já revelada, comudada assim, né? Então, sei lá, ao mesmo tempo vejo complicações nisso do mito categorial, ao mesmo tempo que tem uma confusão aí da das formas com o com o com o universal platônico, com essa tentativa de de parecer dizer alguma coisa sobre o universal platônico. Então, é uma realmente uma grande mistura e um contraste disso com ar com sei lá, com analogia, né? Eh, ele foi foi longe, né? Foi longe, foi longe.
¶471>> Isso, isso que segundo o amigo, o amigo aí que tava objetando, nós precisamos espantalhar o Gustavo. O vídeo precisou ser espantalhado para que o que ele estivesse falando, né, no tenha não não possuísse sentido algum, né? Isso aí não depende do próprio Gustavo. Gente que está espantareando, projetando nele. >> É.
¶472>> É isso. >> É. A gente ouviu com todas as letras aqui ele falando, né? É difícil salvar, né? É difícil salvar.
¶473Mas tem um pessoal que tá falando o seguinte aqui, ó. Aposta das profecias. Ó, o mistério, o perigo aqui. Pessoal fugir. Então, faz uma profecia também [risadas] aqui, ó.
¶474Tudo culpa de Lutero. Lembrei até da citação de um certo pai da igreja, acredito que Tertuliano, onde ele diz, ele diz que seja eh seja qualquer que ocorra é culpa dos cristãos, neste caso é sempre dos protestantes. Exato. Exato. A culpa é nossa, que todo mundo agora é místico, né?
¶475Assim, ó, complementando o vídeo do Benites assim, caramba, saí de casa e perdi toda a discussão sobre Platão. Azarado sou aí. Assim, o Gustavo não é burro, mas ele vai numas piras que não tem domínio e sai voando. É, não é essa salada aqui. Ele falou assim, não é porque eu não tenho tempo para explicar, não sei o que não.
¶476Mas mesmo uma pessoa sem tempo não falaria uma uma coisa tão uma uma salada tão grande aqui, né? Deixa até, deixa eu voltar aqui um, um trechinho aqui de novo disso aqui. >> Eh, e aqui é uma coisa interessante, porque se filósofos, principalmente do período pré-moderno, onde a metafísica que dominava era essa aqui analógica, [tosse] que é onde vai est as ontologias, né, que vão criar as hierarquias de seres, as coisas que são menos seres que as outras, até chegar no serma geral, eh essa aqui vai se tornar majoritária com capitalismo, mas com uma diferença curiosa aqui, sobretudo a partir de Kant, mas não somente Kant. Olha só, isso aqui ele diz que vai ser majoritário no capitalismo, uma metafísica mística. Eh, o o ponto que ele quer chegar é que, de certa maneira o capitalismo tá operando também.
¶477Acho que é por causa dessa mediação, né, em que tudo é mediado pelo Olha só, olha só. Então, aqui, Carlos, a tese que ele tá construindo, que antigamente não havia essas coisas de mediação. Nós tínhamos um contato mais imediato com a natureza, com os fenômenos e tal. E com o tempo nós fomos migrando para certas formas de conceituação das coisas que atuam como intermediários. E isso vai alcançar o ápice de cante paraa frente depois no capitalismo, porque toda a sociedade é mediada pelo mercado, pelas relações de trabalho, de de exploração, de não sei o quê.
¶478Ou seja, ele tá, de certa maneira eh vinculando toda a nossa teorização, que é uma coisa que os marxistas fazem, né, a partir da da análise, sei lá, da das formas de de reprodução do capital, da de subsistência material que tem na sociedade. Ou seja, tudo isso é, ou seja, ele tá, ele vai falar que vai se popularizar e se vai se intensificar no no capitalismo, porque é assim que supostamente acontece na realidade também, na realidade material, como se antes eh no caso essa mística, se essa parte mais neoplatônica também não tivesse contribuído, como a gente falou, né, paraa hierarquização dos seres, como se ali, ó, por exemplo, eh, quando ele fala aqui, cadê, ah, cadê, universo escrito tem caracteres matemáticos, né? como se a gente também não tivesse na na Idade Média, né, tentativas assim como como o próprio Lúlio, né, de da de ter uma espécie de expressão matemática, né, das coisas. Ah, se bem que ele tá falando de uma certa tendência, né, aí ele fala sobre direito natural, economia natural, é um negócio meio esquisito. Deixa eu até ver o que que ele fala aqui de novo.
¶479Pera aí. Não somente Cant. Eh, esse universal ele tende a ser uma característica do nosso aparato cognitivo. Para Cant, a lógica, a matemática, ela é a forma como a nossa cabeça organiza o que tá lá fora. Se o que tá lá fora corresponde de fato à maneira como a nossa cabeça organiza, nós nunca queremos saber, porque a gente sempre se relaciona com o mundo, segundo canto, de forma mediada, mediada por esse nosso aparato cognitivo.
¶480Nós organizamos os fenômenos que nos aparecem dessa forma, o que eles são em si mesmo, nós não sabemos, tá? Mas se nós organizamos dessa forma, segas da lógica, por exemplo, da da matemática ou que mais quisermos, ela constitui o nosso aparato cognitivo. É a partir delas que nós ressignificamos todo mundo. É aí que vai abrir mão na modernidade para todo um conjunto de de correntes que vão autonomizar o conceito mesmo, porque eh eles ele vai meio que se livrar da reflexão e da pergunta do que é a realidade em si mesmo, porque nós não sabemos exatamente, mas nós sabemos como nós organizamos isso. Então é por meio dessa lógica, ausemos, é por meio dessa matemática, [roncando] aqui eu queria só chamar >> Ah, entendi.
¶481Ele tá querendo dizer o seguinte: ah, o Cantic ele fala que tudo é mais uma questão de o que que a gente percebe, é capaz de perceber e como a coisa em si é inacessível, a gente tá deixando mais autônomo ainda essa essa, sei lá, essa abstração, porque a gente sequer precisa saber exatamente o que que é a realidade. Eu acho que é esse o ponto que ele quer chegar, né? Entendi certo? Acho que é isso que ele quis dizer, né? sequer sequer >> sequer precisa saber, né, que é isso.
¶482E ele acha que mas e ele acha que isso aqui é é de certa maneira alcança o seu ápice no na nessa época capitalista e pós-protestantismo, né? Perdão, você que falar muito >> supost supostamente encante essa inversão do o do par antes era o particular universal, agora é universal particular. Isso. >> Eh, assim, não dá nem para qualificar essa leitura de Kant. Tá, tá completamente equivocada, né?
¶483>> Sim. Exato. Exato. Porque lembrando, se a gente tá falando, é porque assim, o universal a gente diz que é uma coisa que é uma que tem uma aptidão para estar em muitos, né? Para estar em muitos.
¶484Isso é totalmente diverso ao que a gente entende como uma forma pura, por exemplo, da sensibilidade, como tempo, espaço, como as categorias do entendimento, que são, que é uma coisa que o entendimento aplica aos fenômenos de fato, né? Eh, eh, realmente é é uma é uma é uma colisão de categorias assim bizarra, né? >> Sim. E e é uma colisão de novo, a gente volta para eh concepções dinasiais, porque essa a concepção de que encante de alguma forma matemática, os conceitos os universais eh de alguma forma fazem parte do nosso do nosso aparato eh cognocitivo. [roncando] É, é uma crítica, é uma crítica que você vê na verdade em muitos manuais assim que eu que eu falo que são meetref, né, que são bem borrabotas e que não buscam entender de fato o significado para cante do que significam as categorias que não é, por exemplo, correlato ao significado de Aristóteles, as as categorias, né?
¶485E e mais, eh, essa inversão dos céus à terra de fato, existe até na na na chamada metafísica analógica que ele tá falando, né? Então, eu não entendo o qual seria o qualificativo para você eh distinguir essa metafísica dos céus à terra, porque esse movimento dos céus à Terra, isso é muito totalmente possível na na metafísica que ele descreveu antes, né? Eh, >> é, eu posso eu posso descrever isso, por exemplo, porque, por exemplo, uma coisa é a via de Tomás Jaquino, de sei lá, do cardeal Caetano, em que da analogia a gente chega, tá tudo bem, aí você pensa em Deus, mas e depois pela doutrina dos transcendentais, você vai dos céus à terra, porque você vai descendo o caminho que você subiu, certo? >> Exato. >> Inclusive, isso isso tem nome, né?
¶486Chamos de via ascendente e via descendente. Isso tem nome. Não, não são metafísicas contrastantes, são metafísicas complementares, na verdade. Mas enfim, ele ele >> era as mesmas é as mesmas pessoas que defendiam uma coisa, defendiu a outra ao mesmo tempo. É o mesmo autor, Tomás Jaquino, se baseou no mesmo autor e era a mesma tradição, né?
¶487Exato. >> Porque novamente, né, para quem quer entender isso também tem uma aula no curso da formação da opinião que a gente fala sobre a quarta via, a gente mostra o que que é um transcendental, enfim, existe um léxico das perfeições e que a gente entende o que que são os transcendentais e, enfim, perfeições transcendentais, perfeições que são analógicas, tudo isso está lá. Tá bom? >> [roncando] >> Mas vamos lá >> chamar atenção para vocês, sem desenvolver muito o tema, como isso vai se vincular ao capitalismo, porque o capitalismo não vai ser só as relações entre os indivíduos que vai ser subjugado a essa paraceia metafísica toda, a essa separação do concreto, do abstrato, do real pelo formal, do fenômeno do conceito. Não.
¶488O capitalismo submete até as coisas a essa separação. Faz do produto do trabalho uma categoria, mercadoria, que por sua vez se transforme em outra mercadoria, dinheiro. Faz da riqueza na sua diversidade, na sua concretude, capital. eh, submete tudo a universais, de maneira que todo o nosso vínculo com a sociedade se dá por meio de universais. Aqui, meu amigo, no capitalismo, a perspectiva mística domina completamente.
¶489As pessoas começam a ver uma lógica por trás de tudo. É aqui que vai surgir o deísmo. >> Olha aí, ó. Olha aí, ó. Olha aí, Carlos.
¶490Vamos [risadas] lá, >> né? Eh, é aqui que vai surgir o deísmo, por exemplo. Ou seja, a ideia, olha, se aparentemente existe essa lógica que abarca tudo e aparentemente existe, porque agora a forma de sociedade elevou universalidade que foi para muito além da sociedade grega, agora eu me relaciono não é só com os outros indivíduos, por meio de uma categoria, de uma máscara de personagem estabelecida juridicamente, que existe uma uma ética que fundamenta, que por sua vez está sentada numa lógica mais geral. Não, agora eu me relaciono com o copo, com o que eu como, com o que eu visto por meio de categorias universais. E é pior, essas categorias no capitalismo se movimentam.
¶491O capital é o valor que se valoriza a si mesmo. É o movimento, é o movimento do mercado a qual eu me submeto, a qual eu não tenho nenhum controle. Está aí a metafísica no mundo, está mesmo. A sociedade tem uma aparência metafísica. Então agora, eh, eu posso ir dos céus pra terra sem nenhum problema.
¶492Isso tem mais credibilidade agora do que tinha o pitagorismo no mundo grego, do que tinha o orfismo no mundo greco romano, do que tinha as correntes místicas dentro da Igreja Católica, como eh a de São Boaventura, por exemplo, em relação à escolástica tradicional, tá? Então, o misticismo que vinha que procurava ir direto do conceito à Terra. Agora é a era do protestantismo que parte direto do logos, da palavra revelada. E pronto. >> O aventura queria sair do da dos céus à terra, Carlos.
¶493Do do como é que é? Do do universal particular. Isso que ele tava querendo dizer. Isso. Perfeito.
¶494Descrição perfeita do que pensava o São Boentura. >> Ponto. A partir daqui eu >> você ia falar alguma coisa. Desculpa. >> Não.
¶495É, [risadas] é impressionante, né? O nível de conexões que ele vai fazendo. Ele vai misturando e adiciona essa boa aventura. [risadas] >> Ele pega essa palavra mística assim, né? Ele hum ele ele vai ele vai fazer as conexões do que ele acha que significa palavra místico assim, né?
¶496Pois é. >> Vamos lá. >> Explico tudo. Agora, eh, eu posso entender a física como sendo toda ela regida por um conjunto, por uma lógica, por um conjunto de leis universais. Dirá Galileu, o universo foi escrito em caracteres matemáticos.
¶497Se se lá o Mesopotâmico não tinha nem como pensar, formular justiça em algo universal, porque essa justiça universal simplesmente não existia na sua realidade. Essa ideia do universo escrito em caracteres matemáticos, ela podia ser até concebível no período grego, porque a matemática tava lá, porque eles assustavam com a regularidade matemática presente em várias coisas, mas em muitas, muitas, muitas coisas. Você não via regularidade matemática. Você não via regularidade matemática em todo esse nosso mundinho ordinário. Aqui tinha pouca credibilidade, só grupos muito restrito de pessoas acreditavam nisso.
¶498Agora não, isso pode se tornar a visão dominante. O mundo é escrito em caracteres matemáticos. Existe um direito natural, as leis naturais do direito dadas desde sempre. Existe as leis naturais da economia. Existe uma lógica universal, né?
¶499Que atal pode criar umainha, um axiomazinho merda lá e a partir dali deduzir uma ética inteira e dali uma economia inteira. >> Eu conto ou você conta que direito natural tem desde a idade média também? [risadas] >> Pois é. >> Ah, que louco, né? Porque esse pessoal todo que se que vai desenvolver isso que ficou, sei lá, mais conhecido no séculos X, 17, 18, é tudo é tudo discussão que se desenvolveu do século XI, XI pra frente, né?
¶500Então, [roncando] eh, a ideia de você ter um direito natural, é claro, direito das gentes, dos povos, como alguns falavam também, que é desdobramento disso, eh, sei lá. Mas tudo isso se coaduna com a sociedade capitalista. Tudo agora tá reduzido à universalidade, está sujeito à universalidade, né? Eu até fiz, vou até mostrar para vocês rapidamente aqui no curso para membros aqui no canal do curso Mar >> porque porque pensa só, se ele tá falando que isso aqui é resultado de você tá agora em um momento em que tudo é mediado, tudo que tem agora tem uma grande participação desse do universal particular, eh isso não combina com o fato de isso ser muito presente na Idade Média, de você ter a ideia, por exemplo, de mediação, de você também já ter uma ideia de de universal, de você poder já descer dos céus à terra, né, de de várias formas. Então, vê, vê que essa teoria dele é furada, porque o qual que é o principal ponto dele aqui?
¶501A conexão entre a forma de produção material da sociedade e a teorização que está acontecendo naquele momento. O problema é que você tem uma antecipação de tudo isso e na verdade talvez até no seu primor durante a Idade Média e não ter essa mediação toda que ele tá falando do mercado capitalista, né? >> Pois é. E fora, [limpando a garganta] eh, existe várias referências, é claro, a a Kant, eh, agora é é um problema do protestantismo. A, quando ele fala ali que o universal é substância, é claramente uma referência à teoria.
¶502Sim, vamos, vamos retornar. é a teoria medieval, a leitura que se massificou a partir do século XI, de que de que Platão acreditava que o universal era uma substância fora fora da mente, né? Ou seja, existia a animalidade, existia a humanidade, como se existisse esses universais em si, né? Isso é um espantalho. Já desde Santo Agostinho isso já era combatido, essa leitura de Platão, né?
¶503>> Mas enfim, eh, hoje em dia essa leitura não tem nenhum espaço acadêmico, mas como ele tá sendo o mais genérico possível, ele não se filia nenhum filósofo, ele fala assim: "Olha, na verdade, isso aqui que eu tô dizendo, na verdade, eh se aplica a não só a um filósofo, mas a a muitos filósofos, né? Ou seja, ele tenta extrair aparentemente de um conjunto de filósofos várias proposições que não tem a menor a menor a menor conexão. Por exemplo, do fato do universal ser substância ou não. O que se segue daí, por exemplo, em relação ao deísmo? [risadas] >> [risadas] >> Ai, ai, muito bom isso aí.
¶504Pera aí. Ele coloca aqui o deísmo. Eh, e daí do universal ser substância também tem aí a ideia do universo escrito em caracteres matemáticos. Eh, direito, direito natural, economia natural também se segue disso, né? >> Pois é.
¶505O que que tem a ver? E aí ele vai est Galileu. Ele vai est Galileu [limpando a garganta] e aí ele mistura São Boavent Joga São vai jogando Sambaventura no meio. Aí joga Kant, São Boaventura, Galileu, daqui a pouco joga Newton, joga Lutero, todo mundo junto e misturado. E aí fazem parte dessa metafísica mística que se que se contrasta com a metafísica analógica, né?
¶506>> É. É. >> É. Pera aí. Vamos ver se ele fala mais alguma coisa.
¶507Tá acabando já o vídeo. Vamos lá. Arques da história. Eu para discriminar forças produtivas e relações de produção, não vou entrar aqui nesse tema, tá? Eu fiz uma listinha só para dar um exemplo aqui para vocês.
¶508Vamos adicionar mais esse ingrediente aqui do capitalismo pra gente ver como é que as coisas são curiosas, né? Eh, uma só tirar esse esse verde aqui, OK? Olha, a sociedade onde o valor de uso na sua diversidade se submete ao valor, onde o produto nas suas diversidades diferentes material, tecnicamente são todos mercadoria. trabalho concreto se submete a universal trabalho abstrato, os homens, a universal, indivíduos, sujeito de direitos, a tal ponto que agora você pode escrever uma constituição que se aplica uniformemente a todos os indivíduos, um grau de universalidade muito maior do que o que existia na no Grécia, que só poderia ser aplicado aos aos aos gregos proprietários de terra, ainda que por direito. Agora não esquece isso.
¶509Você pode vender sua subjetividade, a capacidade para trabalhar ser um vendedor de força de trabalho, né? Agora, eh, o meio de troca submete a universal dinheiro, processo de trabalho, o processo de valorização, a riqueza ao universal capital, os meios de produção ao capital constante, as máquinas ao capital fixo, o trabalho excedente a mais valia ou ao lucro, se você preferir, a categoria mais imediata, né, ou ao juros, a a a cooperação nas suas formas simples, industrial, eh, a mais valia relativa, reprodução social, acumulação de capital e assim sucessivamente, tá? Então, não é por sem razão que aqui vai dominar uma metafísica mística mística. E para concluir, meus amigos, porque esse vídeo já extrapolou muito, >> pois é. Aí para você ver, né?
¶510É isso que ele queria provar, tá? Aí ele queria provar que isso que ele entende de Marx muito bem tem alguma coisa a ver com a história da humanidade e da filosofia assim, né? Mas essas coisas não estão necessariamente correlatas, né? Elas não têm essa correlação rígida que ele tá dizendo. Mesmo que tivesse, tá totalmente errada a descrição, né, de cada etapa.
¶511>> Exato. E como ele erra na descrição da das etapas, erra na correlação dos conceitos. Bom, vamos lá. Ele erra na definição dos conceitos, na correlação dos conceitos, na estruturação dos conceitos, na exposição dos conceitos, em tudo. Ele erra em tudo.
¶512Ele consegue errar em tudo. Basicamente ele mete ele meteu Sambaventura com Galileu, eh, Kant, Metafísica mística com contrastada com metafísica analógica. Pois. >> Pois é. Então, é é uma bizarrice.
¶513Eh, é estranho, é muito, muito esquisito que eu espero espero que a tese de mestrado dele seja um pouco melhor e um pouco mais objetiva, porque >> a tese dele tenta ser, na verdade, uma grande crítica, uma crítica massiva ao que se entende por metafísica e ele não conseguiu explicar um conceito metafísico. um >> exato. A parte da analogia tá toda toda esquisita jogada. É, enfim, realmente não tem. Mas bora ver, porque assim, tem gente ainda que tem gente que tá falando assim: "Ah, mas ele não tá criticando a metafísica".
¶514Ele tá, na verdade, só dizendo que cada etapa da sua, do desenvolvimento humano conseguiu gerar dadas suas circunstâncias. Ué, mas eu vi ali na no na capa do livro dele é como crítica metafísica. Tá escrito isso na capa do livro dele. É Marx e a história e a crítica metafísica. Uma coisa assim.
¶515Então parece que ele tá tentando contrastar justamente porque o Marx tá criticando justamente aquela forma. Quer dizer, dizem, né, que Marx na verdade não critica, né, só analisa forma de sociedade, mas para mim em vários momentos do capital ele tá sendo bem bem duro com as consequências ali dele também, né? mostrando, por exemplo, a exploração do trabalho infantil, do trabalho das mulheres, que não havia direitos disso, daquilo. Marx critica-se, né, né? Acho que é meio ingênuo pensar que ele não critica ali, né, que ele não tá de certa maneira se opondo até pelo menos moralmente algumas coisas que são fruto do capitalismo.
¶516E obviamente ele tá dizendo que isso está pautado em um certo sistema que legitima, em um certo sistema que tenta, que que emerge desse tipo de forma de sociedade também, que vai eh de certa maneira contribuir de alguma maneira eh retroalimentando talvez as formas como as pessoas vem isso, né? Então, obviamente é uma crítica sim à metafísica de alguma forma, né? Mas enfim, vamos lá. muito mais do que eu pretendia no começo. A concepção do Marx, ela acaba com esse dualismo de uma forma muito mais simples do que a maioria das pessoas acreditam, muito mais simples.
¶517Primeira coisa que Marx vai mostrar falar: "Não, esse âmbito aí do pensamento, da consciência, né, e é um atributo do homem. Vou até botar aqui então da subjetividade. É um atributo do homem. O homem, o pensamento não é abertura para um outro âmbito da existência, que é o âmbito mais essencial, necessário, universal, conceitual, que está no além, abstrato, eh, marcado pela unidade, pela homogeneidade, pelo mesmo, pela identidade, que é o âmbito, né, o outro âmbito da do inteligível, da ideia, do espírito, da forma, do infinito, do eterno, da natureza. Não, Marx fala o que é o pensamento, a consciência, a subjetividade é só um atributo nosso, enquanto indivíduos, homens.
¶518Então, a gente pode criar coisas por meio da nossa subjetividade? Claro que podemos. Claro que podemos criar coisas por meio da nossa subjetividade. Agora, claro, a nossa subjetividade vai pensar, vai refletir, vai criar em cima do que nós vivenciamos, do que existe. Isso é óbvio.
¶519Mas ela pode criar o novo? Claro que ela pode criar o novo. Isso pode intervir de novo sobre o mundo e mudar o mundo. Claro que pode, mas a nosso pensamento, a nossa consciência, a nossa subjetividade não é uma abertura para transcendência, não é o aspecto que se liga a uma outra esfera da existência que está para além dos seres concretos, sensíveis, particulares, individuais do mundo, do qual nós som nós, seja enquanto indivíduos, seja como sociedade, só somos mais um. Datados particularidades de especificidades, OK?
¶520Valore como você quer. Simples assim. vocês vão ver o vínculo do que eu tô falando. Então, tem gente que pensa o seguinte, ó, para um marxista, ele tem que mostrar que a matemática, >> lembrando que eu acho que quando ele coloca assim atributo do homem, ele quer dizer que essas coisas todas são materiais, né? De alguma forma, eu acho que é isso que ele tá querendo dizer assim implicitamente, né?
¶521Mas na visão ilemórfica, não tem problema essas coisas emergirem de maneira imaterial e ao mesmo tempo serem atribuídas a um homem concreto, né? Substância, enfim. >> Uhum. está contida, vamos chamar assim, ontologicamente na realidade para ele ser materialista. Não, cabeça oca.
¶522Claro que não, meu filho. Se a matemática está contida ontologicamente na realidade, então significa que o que tem o que é real de fato é essa metafísica mística aqui. Significa que a matemática já estava contida lá desde os primórdios dos tempos, feita sabe-se lá por quem, escrita sabe-se lá por quem. >> Você conseguiu captar isso aqui? Eh, eu entendi.
¶523Ele quis dizer que, tipo, se a gente eh supõe que a matemática on está contida ontologicamente na realidade, então >> essa metafísica ela ela já ela já estava dada como universal desde sempre. Então é a metafísica, entre aspas, mística, né? Porque ela já estava no seu fundamento ideal, formal, etc. esses vários prejudicados que ele vai adicionando desde sempre. Eh, tem um problema, né?
¶524Porque, por exemplo, eh, e existe existe uma distinção em você dizer que a matemática já estava formalmente dada desde todo sempre. E existe um uma outra afirmação que é a afirmação que ele fez, que a matemática já estava contida eh na realidade. >> E aí nós podemos pensar em vários tipos de contenção. >> Eh, como a matemática ela também é abstraída da realidade e ela, portanto, faz parte de faz parte como uma ciência real, ela tem o seu fundamento desde sempre na realidade. Isso não implica de nenhuma de nenhuma forma você pensar num realismo dos universais ao estilo entre aspas platônico, onde os números já existem desde sempre, para todo sempre.
¶525Não, só implica dizer que o fundamento para que a matemática seja eh seja o que ela é, seja a matemática que opera a partir do contínuo, como a geometria, seja a matemática que opera a partir do discreto. Ah, isso não significa que o os números ou que os as figuras platônicas existem existem desde sempre. É só que o universal fundamental, o universal fundamental elit já está lá, já está fora da mente e disponível para o intelecto desde sempre. Então, eh, é uma afirmação completamente possível e que é ao mesmo tempo e que não leva ao mesmo tempo as as conclusões que ele quer, né, que essa metafísica que vai dos céus à terra, que é um que é uma metafísica que reifica os números, etc. Então, >> sim, >> eu vejo, >> entendi.
¶526>> Sim, >> sim. e que nós agora misticamente podemos pegar ela e desvelar todo mundo, conforme a maioria dos físicos acreditavam de forma majoritária até poucas décadas atrás. Agora que estão começando a questionar isso. Ah, não, eu tenho que mostrar que a matemática está no mundo para ser materialista. Não é ser materialista.
¶527Ora, no mundo, como é que a matemática surgiu? Nós a criamos. Nós a criamos. Ah, tem um contexto social que fomentou isso. Claro que tem.
¶528A gente viu. A gente só conseguiu pensar em abstrações autônomas quando a abstração passou a fazer parte do nosso próprio mundo. Isso não deixa que ela seja uma criação nossa. Mas a partir dessa criação da nossa que é matemática, eu posso utilizá-la para fazer coisas que antes eu não era capaz de fazer. Por exemplo, utilizar matemática ciência autônica autônoma nas engenharias, na construção civil.
¶529Claro que posso. Então, a nossa criação matemática, ela pode retroagir sobre o mundo e mudá-lo de alguma forma? Claro que pode. A matemática é algo real. Ela não existia antes da gente criar.
¶530Ela não existia. Quando a gente criou, ela passou a existir. Agora, um metafísico místico acho que não. Acha que são leis? >> Eh, a matemática só começou a existir depois que a abstração ficou autônoma, né?
¶531Né? E mas aí existia engenharia entre os egípcios, né, construções civis, eles conseguiam aplicar isso naquela época lá também. Meio meio esquisito, né? Uma coisa depender da outra que se é o caso, né? >> Sei lá, >> que existem desde os primóos de tempo.
¶532Aí eles falam assim: "2 mais do sempre foi dois". [risadas] >> 2 mais 2 sempre foi dois. Tá, Carlos? 2 mais 2 sempre foi dois. É que obviamente foi um ato falho dele aqui, mas eu como a gente diz na marinha plotei, né?
¶533Peguei aqui. >> Alguém já encontrou um dois aí? Na realidade você já foi almoçar, tava lá o número cinco na mesa ao lado almoçando. Você tava andando aí pela rua e de repente no cruzamento assim da rua você viu o número sete chegando e se multiplicando com cinco. Você você percebe, ah, mas Gustavo, tem coisas no mundo que se adequam a essas relações formais matemáticas.
¶534Tem. Até por isso ela é muito útil. Até por isso ela é muito potente. Agora, será que todo o mundo se adequa de alguma forma às vezes ainda não descoberta matemática? Essa é a hipótese que o metafísico mítico parte, seja matemática, seja lógica ou qualquer outro sistema formal, né?
¶535Seja as analítica do princípio, as analítica dos do princípio de Kante, né? Analítica transcendental que se sucede a estética transcendental. Ou seja, existe um sistema formal, existe algum tipo de construção formal que é anterior a toda a existência material e que a rege e que a determina. O que Marx tá falando, não. O pensamento, a consciência, a subjetividade é um atributo do ser material, homem que se organiza de forma social e que, portanto, o seu pensamento pode intervir no mundo, mas ele se estabelece a partir dessa vida social, comunitária que já está dada pra gente desde o nosso nascimento em toda a existência do homem na terra.
¶536Porque a gente só constata isso estudando como é. Então, tem gente que acha que isso aqui é materialismo, defender que existe uma lógica imanente às coisas, uma matemática imanente às coisas. Enquanto para um materialista, a matemática é o que ela é, uma coisa que o homem desenvolveu e que se adequa a certas relações, algumas relações que existem aqui no mundo e por isso tem alguma utilidade e outras nem se adequam. Portanto, nós temos mais de uma matemática, né? Nós temos, eu já falei antes, você tinha e essa matemática nessa notação algébrica, né?
¶537Uma coisa que foi a data dos árabes aí uma toda discussão, mas a a gente calculava com figuras mesmo. Então você tinha geometria euclidiana, hoje você tem geometrias não euclidianas de Lobevski, por exemplo, né? geometrias hiperbólicas, elípticas e que tem seu âmbito de validade. A relatividade geral, a gente viu, na verdade, ela se explica com a geometria hiperbólica. Então, nós temos mais de uma matemática, vocês estão entendendo, embora tenha uma que é amplamente mais utilizada, nós temos matemática modal.
¶538Eu estudei, por exemplo, iniciação científica, matemática modal, eh, onde, eh, as operações matemáticas que nós conhecemos de multiplicação e divisão dão outros resultados completamente diferentes. É o resto que é considerado matemática modal, tá? Eh, então tem gente que acha que isso aqui é sem materialista. Não é tampouco é ser materialista. Eh, você partida.
¶539Opa, >> Lucas mandou R$ 5. Somente cristãos são aceitos nos cos do Carlos. O que não é mais tem interesse em estudar os escolásticos também são? >> Ah, você pode participar sim. Pode participar dos cursos que ele te dá sim, que o Carlos dá.
¶540Não tem problema nenhum, né? Eu tenho vários alunos, por exemplo, na formação da opinião que são ateus, agnósticos, céticos. Carlos, talvez [roncando] tenha algum, não sei, tem algum Carlos que tu conheço, agnóstico, não sei. >> Tem, tem sim. >> Ah, eu também tenho alunos que agnósticos.
¶541>> Não precisa ser, não precisa ser cristal, não. A gente, a gente busca estudar a escolástica ou o lulismo de forma objetiva, eh, e acessível a qualquer pessoa que tenha interesse, né? >> Sim. Se quiser participar de algum dos cursos que a gente mencionou hoje, entra em contato comigo pelo Instagram ou pelo meu número do WhatsApp, se você tiver, que a gente adiciona você lá, tá? Vamos lá.
¶542>> Da hipótese, né, que que a matemática está contida onttologicamente na realidade. Aí você fala assim: "Mas, Gustavo, isso que você tá falando não é idealismo?" A ideia de que então a matemática mera criação? Claro que não. Idealismo é exatamente eu acreditar que uma uma lógica, uma matemática, eh uma seja essa lógica qual for, não importa se eu achamo de dialética e a face ela de a face de forma não formal, ela precede toda a estrutura e a explica. É exatamente isso aqui.
¶543Não é negar a importância das nossas ideias no mundo. Então quando a gente analisa as nossas ideias, tem um duplo âmbito. Primeiro, claro, elas só podem ser realizadas a partir do que existe. Eu só posso pensar o que existe. Eu posso pensar o que existe de forma errada, de forma equivocada, mas eu só posso pensar o que existe.
¶544Se um se um dado fenômeno não tá dado na realidade, eu não consigo pensá-lo. Tanto que há fenômenos que as análises teóricas nossas conseguem indicar, mas que nós não conseguimos concebê-los direito porque tá além do nosso âmbito de experiência, tá? Então, por exemplo, a inexistência do espaço. Hoje a gente sabe que o espaço é uma entidade material. Espaço, >> é, lembrando que tem várias formas de idealismo, né?
¶545Então, também se você pensa no idealismo do Kant é um idealismo transcendental. tem idealismos que é basicamente pensar que a existência tá ligada à percepção, tem idealismo de que tudo é mental, tem depende também, né, do que, enfim, sei lá, >> se curva, não é linear. O Big Bang criou a origem do universo, criou o próprio espaço, que é o não espaço. Nós não conseguimos conceber isso, não está no nosso amâo de experiência. Nós sabemos que o tempo teve uma origem, que o tempo pode se acelerar, pode se desacelerar.
¶546A a inexistência do tempo, nós não sabemos o que é isso, consegu pensar, com tá? Agora, uma gente pode, à luz do que existe, pensar algo novo, combinando coisas novas, articulando coisas novas que interferem ativamente no mundo. Então, tem um monte de marxista que acha que ser marxista é defender que eh o pensamento tem que ser deduzido da matéria. Mas veja, a matéria homem, homens, sociedade é feito por indivíduos que têm pensamento. Essa cisão tá errada, ela não faz sentido, porque o pensamento constitui os seres materiais homem.
¶547Eu tenho que deduzir igual um sistema lógico a subjetividade da objetividade. Veja, eu posso estudar a sociedade grega e falar: "Olha, eu sei porque faz sentido Platão ter pensado isso, mas eu não deduzo os diálogos de Platão estudando a sociedade grega. Se Platão não tivesse existido, aquela teoria não existiria. Pode ser que alguém teria à luz dos mesmos problemas pensado algo parecido. Pode ser, mas nós não sabemos.
¶548Pode ser que não. Então a ideia de que o pensamento tem que ser deduzido da matéria. Como assim? O pensamento é um atributo do ser material homem. É, mas pelo menos metodologicamente falando, vocês dizem que tem que partir da realidade ah dada, né, materialmente dada e a partir dali extrair o que é possível, ver quais são as relações de produção, o que que elas implicam, o que que tá ali, enfim, subjacente, enfim.
¶549É, agora, é claro, a gente também não tá dizendo que eu acho que ele acharia e eu estou dizendo, né, defendendo que o Gustavo acharia possível deduzir isso que ele acabou de falar de Platão aqui, né, mas pelo menos o método ali é partindo do que eles falam do material, né, partindo da matéria. >> Então não existe essa matéria aqui totalmente outra em relação a esse pensamento, né? Não existe essa subjetividade aqui totalmente separada da objetividade, porque a subjetividade é um atributo do ser objetivo homem. E o ser objetivo homem, ele faz as coisas a partir do que ele pensa, das ideias que ele tem antes. Não tem como você pôr a objetividade aqui e a subjetividade aqui.
¶550Só que essas essas visões, elas concebem que a nossa subjetividade é o aparato, que é ser por via, quer seja por via analógica, quer seja por via mística, que nos permitem ter acesso a esse outro âmbito de existência de uma realidade que foi metafisicamente duplicada. É por isso que a crítica de Marx não é as teorias metafísicas, é a sociedade que duplicou em aparência metafisicamente o mundo. Por que em aparência? Porque gente, desculpa, só existe o diferente, só existe o outro, né? Claro que esse outro ele é o mesmo sobre alguma perspectiva, mas não existe o mesmo em relação aos outros.
¶551As coisas são todas heterogêneas, são todas múltiplas, concretas, né? estão todas situadas aqui no a, tá? Só os fenômenos existem, só o particular existe, só o individual existe, só o contente, tudo é contingente, tá sujeito ao devir, ao movimento, a mudança, ao sensível, à experiência, ao corpo, à matéria, ao infinito, ao temporal, à história. A tentativa, as formas de sociedade que passam a ter uma dimensão metafísica, elas tentam submeter tudo isso à identidade ao mesmo, homogênea, a um, obstrato, a além, ao conceito universal, a essência necessária, ao ser. E fracassam e fracassam.
¶552E aí, Carlos, você é um fracassado. [risadas] >> O pior, o pior de tudo é que então no final a gente tava certo. Ele de fato ele conclui que a metafísica ela duplica, ela faz uma duplicação do mundo em do em duas em duas versões, né? >> Uhum. >> Em dois mundos.
¶553Eh, então, eh, é muito pior do que aquela leitura ginasial de Platão, onde Platão defenderia o mundo das ideias. Aí você aí você tem um mundo eh particular que é, na verdade, só eh um retrato, uma imagem desse dos protótipos que existem desde sempre, né, as ideias universais. é muito pior do que essa essa leitura de Platão, porque [roncando] eh ele de alguma forma aplica isso a toda metafísica, né? Então é uma tese que intelectualmente é cheia de furos e intelectual e que veja tem pretensões grandes, né? Que é uma crítica à metafísica supostamente juntar o que a metafísica silu, né?
¶554O que metafísica separou, o Marx vai lá e une com algumas afirmações assim com grand com algumas afirmações assim muito complexas, né? por exemplo, dizer que o pensamento é produto do homem, algo que nunca pensaram antes de Marx, só Marx pensou isso. Eh, [risadas] então é muito pior. Na verdade, o resultado aqui final do da análise do Gustavo é muito pior do que eu achava, porque eu achava que no máximo ele ia, sei lá, focar na na metafísica de Platão e tentar demonstrar a partir dela que ah existe essa duplicação do mundo, né? >> Na verdade, ele pega isso e aplica todas as metafísicas.
¶555Eu eu tinha visto o comecinho da resposta dele, né, como eu falei da live lá, não sei como é que ele desenvolve, mas ele falou assim: "Não, nós marxistas não estamos fazendo isso que essas outras metas físicas fazem. Abram lá no começo do capital para ver se ele começa a fazer alguma teorização sobre as ideias, para ver se ele aplica a realidade." Ele começa partindo da mercadoria, né? E da mercadoria ele vai construindo tudo, ou seja, caindo no mito do dado categorial. ele pensa, né, na cabeça dele assim de de materialista marxista, que essa que a que essa coisa da mercadoria lá no na sociedade capitalista, ela tá dada também, que ela tá dada, que a gente simplesmente assimila aquilo, né? Ou seja, que esse essa categoria a mercadoria ela não tá justificada inferencialmente também por uma outra reia, uma outra rede de teias, eh, de conceitos, né, que a gente, perdão, por uma cadeia inferencial que a gente pode ver.
¶556Então, eh, que não tem uma mediação conceitual nesse caso, assim, na verdade, ele tá partindo direto, né, assim, ingenuamente, né, na visão dele, eh, da, da realidade, né, ou seja, a realidade já se apresenta assim e tá tudo dado, né? Ou seja, na visão do marxista, ele não tá partindo por essas lentes como como os místicos estão partindo impondo da categoria a realidade, né? Mas ele não percebe que a mercadoria também funciona como algo assim, né? Então, é cair no mito do dado e não perceber e acusar os outros de coisas parecidas, né? Então, é é estranho, né?
¶557Esquisito isso. >> Uhum. >> Mas vamos ver que e ele inclusive fala que não, os protestantes t um pouco desse negócio que a a revelação já fala o que é e você tem que partir lá, mas para ele também tem uma espécie de revelação, né? Para ele esse que ele fala, na é a diferença o outro heterogêneo, o múltiplo, né? Na verdade, assim, o o fenômeno, o contingente, isso daí já tá dado, é a realidade.
¶558Ele fala: "Não, tudo é contingente, tudo é assim", né? Ou seja, para ele, ele já parte desse pressuposto assim e ele já tá partindo de forma não inferencial, então vai cair no mito do dado. Ou seja, ele ele não justifica, na verdade, né? Ele não tá ele não tá ele não tá eh o usando dos meios disponíveis para não cair no mito do dado, né? Mas enfim, >> porque não dá para fazer isso.
¶559Então existem regularidades no nosso mundo, existem algumas regularidades no nosso mundo, mas nem as leis da física são universais. Nenhuma delas, nenhum dos postulados da relatividade geral tinha validade nos começos do universo, segundo o estado de conhecimento da física no geral. Nem a física tem esse estatuto de universalidade. Agora, algum âmbito nós podemos organizar as coisas baseadas em aspectos incomuns, claro que pode, mas a aparência metafísica da sociedade é as coisas, o âmbito formal que se sobrepõe à nossa ação, que predetermina o âmbito de ação que nós podemos ter. é a identidade se antepondo a diferença e não sendo produzida pela análise das coisas que são diferentes.
¶560Então, há há conhecimento científico legítimo? Claro que há. A a eu posso buscar o mesmo no outro para poder nós fazermos isso como produto da nossa ação, do nosso planejamento, nossa planificação. Claro que podemos. E aí pode ser bom ou pode ser ruim, nós vamos ter que analisar cada caso.
¶561Agora, uma forma de organização de sociedade que procura fazer isso de maneira previamente dada, formalmente dada, é uma forma de sociedade que tá a serviço de interesses privados. >> Aí, ó, olha aí, olha aí, olha aí. Vamos lá. Olha só como é que surgiu isso daqui. >> Justificados por uma legislação em comum que os justifica, com uma fundamentação ética que fundamenta esse direito, com a ontologia ou com o que mais se queira que dá os liames, os fundamentos gerais, >> viu como eu falei, ele ele diz que parte da própria concepção da realidade como ela tá socialmente dada e se autojustifica depois, né?
¶562Então, a metafísica ela emerge dessas relações materiais, como ele diz, e é utilizada para justificar o próprio sistema, né, de onde ela veio emergir. Então, de certa maneira, ele tem que ser crítico, sim, à metafísica, né, dado o projeto marxista que ele disse aqui, não tem para onde correr. >> Exato. >> A com que essa é >> e esse final, [limpando a garganta] na verdade, é um bojo que ele tá fazendo de proposições, né? Um bojo de afirmações, é um bojo de sentenças que nem são justificadas, né?
¶563Ele tá falando, não existe a diferença eh pela identidade, só existe a diferença. Não existe outro pelo mesmo, só existe outro. Tá beleza? Mas eh é preciso que haja algum âmbito de algum âmbito inferencial a partir do qual ele justifique essas afirmações. Do contrário, isso não passa de um bojo de proposições e só isso é o que é >> exato.
¶564Ele ele, por exemplo, afirma, ah, tudo é contingente. Será que ele tá disposto a sustentar essa ideia, as últimas consequências que tudo é contingente? Eu acho que eu conseguiria provar para ele que nem tudo é contingente. A gente força rapidinho ele entrar em contradição, né? Mas enfim, construída e todas as outras formulações possíveis.
¶565Se vocês entenderem isso aqui, vocês vão entender que a superação do dualismo de Espinosa, eu não vou entrar em detalhes aqui, tá? Na verdade, Espinosa procura, na verdade, dizer o seguinte, ó, que é só esse segundo âmbito aqui, que é o duplicado que existe, assim que ele elimina o dualismo, tá? É só esse âmbito duplicado que tem legitimidade. Todo esse aqui é esse, esse aqui é esse. Tudo é substância.
¶566Não vou entrar aqui em mais detalhes, tá? É por isso que Marx, a crítica >> queria que ele entrasse, mas que pena que ele não vai falar sobre Espinosa, mas vamos lá. Metafísica que ele faz é procurar destruir essa forma de organização social que fomentou todas essas formas de pensamento que legitimamente procuraram respondê-las, mas aí acabaram cristalizando essa dimensão dessas formas de sociedade que procura fazer toda essa metafísica do mundo e sistemas metafísicos e que, portanto, justificam essa forma de sociedade. Percebe? Eh, então, gente, a concepção do Marx, tá?
¶567Ah, Gustavo, mas cadê a luta de classe? Não, a concepção no seu sentido mais geral, meu amigo. A concepção marxista permite se olhar inclusive paraas sociedades anteriores existência das classes sociais. Vocês não se ligaram nisso que as classes tiveram origem. Vocês acham que a concepção do Marx surge quando surgiu as classes sociais?
¶568Então, com base na concepção do Marx, como é que eu vou analisar uma sociedades mais primordiais que nem classe tinha? Baseado na luta de classe? Não, a luta de classe é princípio do capitalismo e também em partes de outras sociedades já com a propriedade privada foi universalizada. Essa concepção do Marx permite analisar as coisas internamente para entender como elas se desenvolveram a partir da sua particularidade. Por isso que não é um sistema geral.
¶569Marx é o fim dos sistemas filosóficos universais. Por isso que é tão revolucionário. Eu não vou agora a partir da subjetividade humana criar nenhum âmbito formal marcado por todos esses elementos que eu já repeti mil vezes aqui, que é dessa duplicação, dessa distorção da realidade, criar nenhum sistema filosófico universal, fazendo as coisas como elas são. E o âmbito da subjetividade, do pensamento, da consciência, é visto como atributo interno nosso, que tem que ser analisado enquanto tal. Então, ser marxista, tá, eh, significa que as ideias podem mudar o mundo, mas é óbvio que as ideias podem mudar o mundo.
¶570É evidente que as ideias podem mudar o mundo, mas eu não analiso as ideias a partir de si mesmas. Ou não. Se Marx desenvolveu tantas ideias e ele tá querendo mudar o mundo, então as ideias dele vem de onde? Agora, outra coisa é que mesmo as ideias que mudam o mundo, ela parte de um contexto, de uma forma de organização social, onde essas ideias fazem ou não sentido e aí determina inclusive se elas vão intervir ativamente no mundo ou não. Essas ideias não são tomadas autonomamente, elas são criadas, tomadas como criação nossa.
¶571Vou dar um último exemplo para vocês. Eu encerr esse vídeo. Tem uma obra aqui que alguns marxistas detestam. Eu acho maior legal. >> Maió legal.
¶572>> Erro em Panolski. Panovsk escreveu vários livros. Eu tenho vários deles aqui, tá? Vou mostrar só dois. Arquitetura gótica e escolástica.
¶573Adoro a tese dele aqui é que foi graças à escolástica que a arquitetura gótica existiu tal como ela foi, porque o pessoal ali na baixa idade média se baseavam nas características da escolástica que já eram amplamente disseminadas e todos eram educados, segundo expressei para construir a arquitetura gótica. Os marxistas ficam nervosinhos com isso aqui porque eles falam: "Ah, que absurdo, né? Uma ideia não pode intervir ativamente no mundo". E eu coloco lá no início do meu livro a pergunta: "Por que não?" Eu não tenho bagagem histórica para dizer se essa testa tá correta ou errada. Pode ser que esteja errado, mas por que não?
¶574Agora, a escolástica, ela só existiu porque tinha um mundo onde as questões colocadas pelo por esse mundo, por essa forma de sociedade faziam sentido. Senão jamais ela teria proliferado. E como a gente viu em sociedades pé gregas, onde a a abstração nem se autonomizou, não seria nem possível concebê-las, não é porque os indivíduos não eram capazes, é porque não faziam sentido essas questões. Tem até outro aqui. Esse aqui é o que eu mais gosto do Panovski, a perspectiva como forma simbólica, né?
¶575Veja que o desenvolvimento da metafísica ocidental permite com que as ideias humanas ganhem profundidade, saiam da superfície. Por trás dos fenômenos há uma essência. perfite a gente pensar a profundidade. E o que é a perspectiva? São só indicações aí para vocês refletirem, tá?
¶576Então sim, por exemplo, o mundo vai se transformar, nós vamos construir, conseguir construir uma sociedade socialista, vai depender da nossa capacidade de fazer com que partindo do óbvio, da objetividade dada, da circunstância existência, da forma social capitalista, das suas incongruências, das suas contradições que permitem sim que as ideias dos maxistas periferem, permitem, mas vai depender que diante dessa base objetivamente dada, nós indivíduos objetivos dotados de subjetividade conseguimos fazê-la para liar, convencer. >> Ah, tá bom. Acho que já deu, né? Acho que já deu para entender já, né? O que ele quer fazer, né?
¶577Ah, >> sim. Deu. >> Tá, tá bom, tá bom, tá bom. Já entendi. Entendi.
¶578Tá errado. [risadas] >> Exato. >> Ai, tá. Eh, bem, supostamente algumas das coisas que ele falou aqui, ele melhorou, corrigiu na live que ele fez hoje, né? Não sei se o Carlos topa outro dia a gente fazer, mas eu já não aguento mais ouvir isso.
¶579São 4 horas de live aqui, né? Acho que tá bom, né? Deixa eu ver se o pessoal tem ficou alguma dúvida, pessoal, de que não faz sentido? Falaram assim, eh, engraçado que ele sempre reconhece esse problema de conteúdo mental sempre presente, mas só ignoram. Tudo é contingente, é uma bela frase aí.
¶580Universal não é não. E, portanto, tudo é contingente. Não entendi que tudo é particular. É uma frase gostosinha. Isso é empirismo ingênuo.
¶581Aqui, ó, marxismo ortodoxo. Não, não, não, bicho. Marx falando que a história da humanidade é a história da luta de classes, mas é do manifesto. Mas é no manifesto, então deixa abaixo ali. Marxismo pré-sup, é pressuposcionalista.
¶582É quase, quase isso, né? O marxismo vantiliano. Enfim. >> [risadas] >> Mas enfim, pessoal, eh agradeço aí pela presença de todo mundo. Se alguém quiser mandar uma mensagem aqui agora, um Pix aí de despedida para ajudar, olha, a gente arrecadou pouquíssimo hoje, teve uma audiência grande, ó, tem ainda 40 pessoas aqui com a gente e não teve um, a gente não chegou nem a, cadê?
¶583R$ 35 a gente conseguiu hoje. Não tem ninguém para fazer um agrado, não. Olha as o nível de resposta e comentário que vocês tiveram hoje. Merecia aí um um agrado pro Urubu e pro seu convidado de honra, né? Né?
¶584Mas a gente vai ver, eu vou ver algum dia aqui na semana pra gente entrar em live de novo. Eh, deixa eu ver aqui os outros comentários que estão chegando. Marx foi revolucionário mesmo. Até hoje ele multiplica fome. Eita, esse pessoal pega pesado.
¶585Douglas aqui. Valeu. Pois é, pô. Se alguém tiver a boa vontade de colaborar. Tivemos hoje aqui o o comentário ao então ao Thales, ao Gustavo Machado.
¶586Quem sabe essa semana aí talvez na quarta ou quinta-feira, vou ver com Carlos, a gente consegue fazer uma reação a à live dele que ele fez hoje, né? A gente talvez só pega e vá assistindo que nem a gente fez hoje aqui. Acho que não precisa ver não para pra gente não demorar tanto. >> Uhum. >> Aí o o Douglas falou: "Tô curtindo as lives com Carlos".
¶587É engraçado, né? [risadas] Em breve aqui com mais convidados também que a gente vai trazer para aqui, ó. Aqui ó, o urubu e seu amigo Corvo. [risadas] Carlos aí o meu amigo o Corvo. Tem o urubu e o Corvo >> aqui, ó.
¶588Qual o Instagram do Carlos? O Carlos não tem Instagram, gente. O Carlos ele é um é um bicho do mato. >> Exato. Não, não gosto.
¶589>> Aqui, ó, [limpando a garganta] a nossa querida culta acadêmica falou: "Obrigada pela live". Eu tenho mais perguntas, mas vocês precisam descansar. 4 horas foi bastante. Vou me organizar para a próxima. Manda lá no grupo da formação da opinião, tá bom?
¶590Que a gente a gente conversa. Ó, onde estão os donos do canal? Pois é, né? Thago não apareceu. O, qual o nome dele?
¶591O Samuel não apareceu. Esse pessoal tá tá de folga aí, né? O quem mais que não apareceu? Enfim, mas o Grot não apareceu. Acho que o buscador da verdade tá aqui ainda.
¶592O buscador, você tá por aqui? Cadê ele? Se o buscador não falar nada, é porque ele já foi dormir e vai levar levar falta hoje aqui no final da aula. Tem aqueles professores que são malvados, né? Eles só fazem frequência no final da aula, né?
¶593Mas de repente aparece algum patrocinador e paga, sei lá, sei lá, se alguém mandar uns quatro centinos do nada, a gente reage à live do Gustavo agora mesmo. [risadas] [suspirando] Mas eh acho que não vai aparecer ninguém com essa bondade não. Ou maldade, né? Porque poderia ser maldade também, fazer a gente pagar para pra gente reagir agora seria muita maldade. Ó, mas o buscador não falou nada, então que ele foi dormir, ele foi um traidor.
¶594Sempre diz: "Não, fico com fugito até o fim e tal, não sei o quê". O Davi, ótima live. Verdade, gostei muito. Carlos aqui enobrece muito e leva muito nível aqui pra gente reagir ao povo. Eh, deixa eu ver aqui.
¶595Acho que é isso. Carlos quer se despedir aí do pessoal, dar uma palavra final. >> Valeu, pessoal. Eh, foi muito bom participar da live. Eh, lembrando que eu não quis ensinuar em nenhum momento que o Gustavo é burro.
¶596Eu só acho que ele tem. >> Nick mandou R$ 20. Quero sobre o segundo vídeo. >> Ah, o segundo vídeo é o que? A live, gente, não, por R$ 20 a gente não consegue ficar aqui mais 4 horas, não, porque vai, vai ter mais comentários, né?
¶597Mas agradeço pelos vintão, Nick. Fico muito feliz aí pela ajuda. Pelo menos a gente não ficou com menos de R$ 50 hoje. Só tá mais pra maldade mesmo. Pois é.
¶598Não concordo com Carlos. O Gustavo Machado tá longe de ser burro. Para mim, o marxista mais bem preparado da internet é o Gustavo. Mas eu queria muito debater com ele sobre esse tema aí da metafísica. Acho que daria um bom debate.
¶599Acho que seria bem interessante aí eh explorar algumas fragilidades dessa tese dele aí que é importante, né, e tal. [roncando] Mas eu não sei se ele estaria disposto a um debate desses, né? a gente a gente eh particularmente a gente nós nos atentamos a aos detalhes porque a tese dele se atenta aos detalhes, né, de cada pensamento, de onde vem, para onde vai e a quem, além, como ele coloca ali. Então, [risadas] [suspirando] >> Carlos pegou na ferida. Fala, >> a gente precisava comentar sobre alguns detalhes, né?
¶600Detalhes, eu sei que parece ser que que a gente tá sendo chato, ah, tem tá se apegando a detalhes específicos, mas uma crítica metafísica, alguém que se pretende a isso, a fazer uma crítica global a à metafísica em si, especialmente a metafísica ocidental, precisa articular os conceitos melhor do que isso, gente. Não dá para ser esse nível, não. é um nível muito baixo, ele pode ser um grande marxista, mas a forma como ele articula os conceitos para fazer uma crítica metafísica como um todo é baixa, é ginasial, é horrível. Então [risadas] isso não desmerece ele como marxista, mas eu acho que para ele ser um crítico da metafísica, ele precisa comer muito arroz com feijão, mas comer muito mesmo. >> Ó, o São Boaventura veio se vingar aqui, falou assim, ó, ao infinito e além.
¶601>> [risadas] >> Ai, ai, muito bom, gente. Muito bom. Obrigado então para todo mundo que participou. Lembrando que vocês têm também aqui eh a gente vai fazer uma outra imersão no final do mês e muito possivelmente, gente, vai ser sobre eh o vai ser sobre eu vou fazer sobre o problema do ocultamento divino. Então, se programem para participar.
¶602Vai ser que nem essa última que a gente fez. Se vocês quiserem entrar nesse último curso que agora a gente tá lançando, que a gente vai relançar também no final do mês, mais incluindo a aula do ocultamento divino, falem comigo em PV, mandem mensagem no Instagram, comenta aqui no vídeo, me dá e manda um e-mail para mim que eu vou dar uma forma de conseguir isso daí. Vocês podem também pegar pela pela minha bi, tá disponível lá para vocês comprarem, tá bom? Então, só mandar mensagem que a gente dá um jeito de colocar vocês dentro do curso. Carlos também é professor dentro do meu curso.
¶603A Gabi, eu dou aula lá direto. Tem o Pedro Ivan também, que é aquele que participou recentemente do da formação da opinião falando sobre análise de conjuntura política. Já participou aqui de um vídeo meu respondendo a Brasil Paralelo e outro falando sobre a tese de doutorado dele. Vai aparecer de novo com a gente criticando o José Guilherme Merquió naquele livro que ele fez do Foucaultilismo de cátedra. Então, a equipe é muito boa.
¶604A gente tá esperando vocês entrarem, tá bom? Espero que eh você possa fazer planos aí de ser nosso aluno em breve, seja em cursos meus ou no cursos do Carlos, mas a gente tá nos dois aí, tá bom? Para ajudar. Então, qualquer coisa, estamos aí, gente. Boa noite e até a próxima.
¶605>> Até. >> Eita, Carlos. Esse até foi muito louco. [risadas] Desculpa. Tá rouco já.
¶606[risadas] Rouco. >> Tá bom. Tchau, amigo. Boa noite.