¶1O excesso da elevação do desempenho leva a um infarto da alma. Quem disse isso foi Bill Chuan no que talvez seja o seu livro mais conhecido, A sociedade do cansaço. O livro discute como a mentalidade que baseia o nosso valor naquilo que a gente faz, especialmente naquilo que a gente produz, leva a um estado de exaustão existencial. Daí vem o título do livro Sociedade do cansaço. Peter Parker, no mais recente Homem-Aranha, Um novo Diave justamente isso.
¶2Ser herói não é um trabalho CLT muito menos PJ, mas ele vive como se fosse. E talvez, como o heroísmo não oferece seguro desemprego e nem auxílio doença e não pode ser exercido em home office, talvez seja ainda mais difícil lidar com ele, porque exige responsabilidades cada vez maiores. Pude assistir o filme com minha esposa e os amigos ontem à noite. E eu quero te convidar a se balançar comigo pelos céus enquanto atravessamos os detalhes desse filme no mundo cópia de hoje. O que é que Homem-Aranha tem para nos ensinar sobre a vida com Deus?
¶3É isso que a gente faz nesse programa. O Mundo Cópia o nosso programa de resenhas cristãs de filmes, séries e outros produtos da cultura pobre. Se você quiser apoiar o nosso canal, você sabe sempre o que fazer. É usando cupom Jesus lá na Grove Suplementos. Melhor custob benefício no Prot no pré-treino, na creatina, nas roupas aí para você ir pra academia que você vai encontrar na internet que vende para você pro preço que se vende pra logista.
¶4Vai aproveitar o cupom Jesus na Grof Suplementos para dizer para si mesmo e pro pessoal da Grof que você cuida da sua saúde pra glória do Deus vivo. E a esse vídeo vai ter lá alguns spoilers de Homem-Aranha. Então seja edificado por sua conta e risco. Todo mundo sabe quem é o Homem-Aranha, mas ninguém conhece Peter Park. Para poupar aqueles que ele ama de novos perigos, o Peter decidiu pedir ao Drutor Estranho que fizesse um feitiço para que as pessoas se esquecessem dele.
¶5O chamado para ser o herói de Nova York toma a vida do Peter, já que não sobra mais Peter para ter uma vida. Ele acompanha as atualizações do Ned, da MJ nas redes sociais, quase como aquele tipo de web amigo que só se conhece pelo Instagram e não na vida real. Bom, na verdade, um negócio meio stalk mesmo, assim, eu acho que pior é pior que o web amigo. Bom, é o Homem-Aranha e não o Peter Parker, que é uma celebridade, mas são Ned e MJ. E Peter segue e está OK, até porque eu acho que o Homem-Aranha não teria TikTok ou teria.
¶6A cena de abertura de um filme diz muito sobre ele e é por meio dela que o diretor nos mostra o que é que ele deseja que a gente saiba logo de início sobre a vida comum daquele universo ou estabelece o ponto de partida para pensarmos sobre a temática do filme. E logo de cara, o filme nos mostra Peter na sua casa diante de uma mesa de criação, de monitoramento dos perigos da cidade. Em seguida, ele aparece uniformizado para salvar Nova York. Mais uma vez, ele coloca a máscara para agir como aranha, como se apagasse Peter da existência no dia a dia. O que é bastante interessante se a gente parar para pensar.
¶7Os heróis se mascaram em parte, porque os criminosos e vilões, ao descobrirem quem eles são, vão atacar ou ameaçar aqueles que ele amam. Mas o Peter tá sozinho, ele não tem mais família, ele sequer tem amigos, ele não tem ninguém, então por que que ele precisa de uma máscara? A verdade é que o Peter também estava se mascarando para si mesmo, apagando a sua identidade de pessoa comum, se afundando no trabalho ao ponto da delegada, delegada comissária de polícia. Eu não entendi exatamente qual era o cargo daquela daquela senhora, mas ela tá preocupada que ele trabalha demais, ele tem que dar uma descansada. O cara tem um burntinho de herói.
¶8Que que é isso? Peter não só se apagou da memória dos outros, Peter se apaga por trás da máscara do herói. Ele não tá tentando proteger ninguém com aquela máscara, ele tá tentando desaparecer de si mesmo com aquela máscara. Em filme de herói, é muito comum que a vida do herói e a vida da pessoa que tá por trás do herói sejam estabelecidas em justa posição. Mas não tem isso aqui.
¶9Em sua grande maioria, as interações do Peter são cenas de passagem. Ele interage com vizinhos somente naquelas conversas de elevador. Opa, bom dia, boa noite, tá quente aqui, cachorrinho bonito, ele morde. Até mesmo quando ele tá sem a máscara, ele age como aranha ao conversar no telefone com a chefe de polícia. Embora ficasse voltado pra janela, a mesa do Peter era pouco iluminada.
¶10Ou seja, quando a gente vê o Peter na sua casa, ele há uma penumbra, como se houvesse pouco dele para se ver, porque foi nisso que ele se transformou, em um ser que se esconde numa toca e que, apesar da luz lá fora, permanece no escuro. Ele é o aranha quando tá com máscara e quando tá sem ela. Quando ele põe a máscara, ele é querido, ele é amado, tem cartazes sobre ele, mas sem a máscara ele não existe, ele é esquecido, ele sequer tem um nome. O pior, ele deseja sequer ser lembrado. Mesmo quando vizinha puxa assunto, ele desconversa.
¶11Na cabeça do Peter, estabelecer qualquer vínculo seria perigoso para outra pessoa e por isso ele se isola, ainda que ao colocar a máscara ele ele seja amado pela multidão. E aí o Homem-Aranha derrota vilões. O filme o mostra vencendo vários deles ainda no primeiro ato para deixar claro que aquela era a sua rotina e o lugar que ele se sentia confortável. e faz isso de forma muito criativa, a reproduzir as capas das HQs do aranha nas cenas e que ele derrota os vilões, garantindo assim um fun service bem legal aí para quem para quem é fã e quer serves como nós que que cresceu lendo padrinho. Mas ao mesmo tempo o filme nos mostra que o desejo do Homem-Aranha é o bem de Nova York, acima de qualquer coisa.
¶12Ele encarna o arquétipo do cuidador, alguém cujas ações são guiadas por uma empatia que coloca a necessidade dos outros acima das suas. É alguém que sustenta, é alguém generoso, que se move por um grande senso de responsabilidade, mas o cuidador geralmente se esquece de si mesmo por causa dos outros. E aqui não é diferente. Peter está o tempo todo sendo o Homem-Aranha. Mesmo com as advertências da chefe de polícia, ele não reserva tempo para descansar, porque o seu desejo de salvar os demais o tem cegado paraa sua necessidade de conexão e descanso, bem como pro fato de que ele também é Peter Parker, alguém que precisa de amigos.
¶13O cuidado do aranha é ainda mais enfatizado quando contraposto a rebeldia do justiceiro. Frank Castle é colocado na narrativa para que a gente veja diferentes formas como cada um lida com os problemas que surgem e para que os valores de ambos sejam reforçados. O rebelde não é necessariamente alguém mau, mas alguém que se cansou dos meios convencionais de estabelecer justiça e que escolheu os próprios métodos para si. Ele tem uma causa e adota métodos que destoam do que é comum a um herói, especialmente é um herói como aranha, mas que fazem o espectador pensar, bom, é o jeito. [risadas] O justiceiro choca, mas resolve.
¶14Ele cheira a anarquia e violência, mas ele carrega nobreza e justiça ao mesmo tempo. Agora, a justa posição entre o justiceiro e o Homem-Aranha não se dá simplesmente pela diferença. Se eles não tivessem nada em comum, não seria possível estabelecer uma comparação justa entre eles. É tipo comparar uma cadeira e uma asa delta. Não tem jeito.
¶15O justiceiro também luta por justiça. Ele também sofreu perdas familiares. Ele também tá só, mas ele responde a isso de forma muito diferente no modo como Peter Parker [música] responde. Ele não usa máscara. Ele se expõe porque na visão dele ele não tem nada a perder.
¶16Ele não tem ninguém a perder. O justiceiro é Fun Castle. O Frank Cessel é o justiceiro. Não há fronteiras, não há divisões de personalidade ou distinções de ações. Mas ele também se esconde.
¶17Assim como Peter se esconde, ele ainda possui um impulso de autopreservação. A instalação onde ele se abriga é cheio de armadilhas para matar invasores. O Frank Castle não usa máscaras, mas ele se esconde do mesmo jeito que o Peter Park se esconde. A diferença é que o Peter não coloca bombas no seu quarto para matar os intrometidos. Seria um evento um pouco catastrófico em, né, ali no no no Queens.
¶18É no Queens é que ele mora no Harley. Acho que é no Queens, né? Seria complicado. Essa fusão vivida pelo Frank Castle é justamente o que o Peter não pode viver. O Castle, por não ter poderes, por ser Castle e o Justiceiro ao mesmo tempo.
¶19O Peter, porém, não pode ser Peter e o aranha ao mesmo tempo. Caso contrário, ele se transformaria num tipo de monstro. O aranha o engoliria. Se antes ele não tinha tempo para ser Peter, agora ele vai ter que lidar com o lado aranha super estimulado, que deseja assumir o controle. E assim como na famosa história de Robert Leise Stevenson, o médico e o monstro, em que o monstro assume gradativamente o controle do médico, aqui a aranha também tenta aos poucos controlar o Peter, o que é uma metáfora muito literal daquilo que tá acontecendo na história.
¶20O DNA aranha tá se sobrepondo ao DNA humano do Peter. Assim como o trabalho de superherói veio para levar toda a vida pessoal do Peter, agora o DNA do aranha tá vindo para levar todo o DNA humano do Peter. As mudanças no corpo são dificuldades com as quais ele tem que lidar depois de cruzar esse limiar e então entrar ou melhor se balançar em um território muito desconhecido. Os prédios pelos quais ele passava com facilidade agora se tornam um grande desafio. Então ele busca novas formas de conter esse monstro.
¶21E quem seria a melhor pessoa para ensiná-lo a conter um monstro interno senão Bruce Benner? Ele vai até o Benner, nosso querido incrível Hul. E com a tranquilidade de quem tira uma dúvida sobre uma equação do primeiro grau, ele descobre o meio de criar um dispositivo para manipular o seu DNA e conter o monstro. E é sempre cansativo, né, nos filminhos de herói. Deixa eu fazer aqui esse pequeno parêntese.
¶22A, o modo como se retrata alguém inteligente, né, quando uma pessoa super forte retratada, a gente vê o esforço que faz para segurar uma coisa muito pesada. Soga com muita força, resiste a um peso e tal, tal. Como ninguém consegue empurrar um carro com a mão só, então a gente imagina que o superherói talvez consiga e a gente entende que ele não escolhe como ele é forte, ele faz coisas incríveis. Aí você bota ele para parar um treino de governado e tal, mas quando você quer demonstrar a super inteligência de alguém, é muito estranho, sabe? muito esquisito.
¶23É, aparece uma inventividade quase instantânea, como se não houvesse numa necessidade de esforço, de pensamento, de raciocínio sobre as coisas. As pessoas super inteligentes no nos filmes são só pessoas que sabem de tudo de forma imediata e absoluta, né? É maluquí aquela cena ali. [risadas] É duas conversas, é, é uma conversinha e o cara já resolve todos os problemas malucos da de DNA, de RNA, de não sei o quê, de de radiação. Calma lá, calma lá, meu povo.
¶24Mas bom, é muito difícil retratar gente inteligente. O mais difícil de retratar gente super inteligente é porque quem escreve roteiro não é normalmente alguém super inteligente, né? Então, bom, mas aí já é outra crítica aí ao mundo do cinema e dos seriados. Eu tô me passando já. Se a gente deixar de lado aí o fato do Peter ter sido capaz de mapear o genoma humano e criar um inibidor universal de DNA mutante com mais facilidade do que do que eu resolvo polinômio de segundo grau, a gente consegue entender pelo menos o fluxo da história ali, né?
¶25O Peter encontra ou pelo menos pensa que encontrou a solução. Enquanto Benner lhe pergunta: "Como é que você vai saber se está suprimindo o que é mal ou algo o que faz de você quem você é?" O Peter não sabe responder e nós também não sabemos responder. Às vezes, muito do que queremos suprimir é justamente o que nos faz ser quem nós somos. enquanto muito daquilo que nós gostamos em nós é o que mais nos tornaria desumanos. Nem sempre sabemos distinguir.
¶26E esse é um questionamento que é muito comum aos quadrinhos de X-Men. Se você já leu os quadrinhos de X-Men, você sabe que todo esse debate sobre ser mutante, não ser mutante, a identidade mutante é um debate muito forte. Aqui a gente já tem um pequeno gatilho do que vai vir mais à frente na história. A presença de Bruce Benny aqui é mais uma forma da narrativa realçar a luta interna do Peter consigo mesmo. O Bruce desenvolveu um supressor para si, porque o Hulk é uma enorme ameaça.
¶27Quando o Hulk finalmente desperta, garantindo uma boa sequência de ação, a gente entende que aquilo é o que Peter não quer se tornar. Peter quer evitar se transformar em um monstro, mas ainda não sabe como. Paralelamente a isso, ele tem que lidar com a ameaça de uma antagonista misteriosa que manipula a mente das pessoas. Então, ó, ó o spoiler. Agora chegou a hora do spoiler.
¶28Assista por sua conta risco, que eu acho que é basicamente o único grande spoiler. Tem, tem, deve ter pouquíssimos twists na história. Esse talvez seja o mais interessante, mas só é interessante para quem assiste, leu, lia quadrinhos ou assistir fã de X-Men, que é quando a gente descobre que a vilã, na verdade, é a Jean Grey. Quando Jean é introduzida na história, ela não representa uma ameaça direta ao Peter, porque o sentido aranha dele funciona como um firewall contra um controle mental dela. Ela é uma ameaça a cidade e as pessoas que Peter ama pro outro lado.
¶29E a narrativa vai farecendo várias pistas falsas sobre as motivações da J até a gente descobrir finalmente junto com a Homem-Aranha o que é que ela realmente quer. A gente pensa que ela é pura e simplesmente um agente do caos, a destruição, mas na verdade ela causava toda aquela destruição na tentativa de reaver a sua irmã, a Sara, que foi sequestrada por aqueles que diziam fazer o bem e controlar as ameaças metaumanas. O problema é que se Peter está com o inibidor, ele não consegue sentir de logo ela se torna mais perigosa. Foi o que aconteceu quando ela assumiu o controle da MJ. Então o Peter percebe o grande perigo aqui.
¶30Sem o inibidor ele consegue sentir a Jan Grey para evitar o seu controle mental, mas ele tá perdendo o controle de si mesmo pro seu lado aranha. Com o inibidor, ele consegue lutar contra seus impulsos internos, mas Jin pode controlar seus amigos e a se manipular e controlar o próprio Peter. O que mostra que o Peter ainda não encontrou a solução. E é somente quando o vestido de Homem-Aranha ele interage com a MJ, com Ned como se fosse Peter que ele começa a recuperar o controle de quem ele realmente é. É uma sacada muito legal do roteiro, tá?
¶31Justamente porque se opõe à maneira como a história começou. No início, o Peter tá sozinho e sem o disfarce, tentando melhorar o seu desempenho como Homem-Aranha. Ele tá no escuro e tá recluso. Ao tentar salvar MJ da ameaça de Jean, ele acaba sendo manipulado pela vilã que assume o controle da MJ. Jean força Peter a salvar a amiga e o homem-aranha a leva pro esconderizo do Frank Castle a fim de mantê-la em segurança.
¶32A interação entre os dois, né, entre a MJ e o Peter acontece ou seja separado por uma cortina ou ele usando a máscara. O Peter ainda tenta se esconder dela como pode, porque pensa que assim protege ela, mas já percebeu que isso não funciona porque a Jean se apresentou como ameaça direta para ele. É aí que a MJ o ajuda a superar o problema do supraaquecimento do inibidor. Novamente aquela história de personagens inteligentes que encontram soluções geniais em momentos de eureca é a parte mais chata desses desses. Eu sou muito chato, desculpa aí.
¶33Mas veja, ela adverte, tá? E isso é manipulação de DNA. Isso é perigoso. Não mexam nos seus DNA, amiguinhos. Há sempre um risco intrínsecu.
¶34E é somente quando a MJ encontra a carta que o Peter havia escrito para ela e descobre quem ele é, que ela o convida a conversar com o Ned e a partir daí o Peter começa a perceber a sua verdadeira necessidade. Vestido de Homem-Aranha, ele brinca de Lego com o Ned enquanto a MJ rabisca algo num caderno. Ao contrário do começo do filme, o Homem-Aranha está agora em um ambiente claro, tomado pela luz do sol, conversando e fazendo as coisas que Peter Parker faria. O rabisco de MJ era um desenho dele sem a máscara, mas ainda com a roupa do aranha para mostrar que ele continuava sendo um homem, justamente porque eram outros humanos, outros outras pessoas, os amigos, as pessoas que ele amava, que o fazia permanecer humano. E aí que no confronto final com Jing Ray, Peter tem que abrir mão do controle artificial do inibidor para vencer aqueles que ela está controlando.
¶35Mas agora que ele restabeleceu a conexão com o MJ e interagiu com Ned, ele consegue retomar o controle sobre o aranha e sobre o seu monstro interior. Eu achei piegas pra caramba. Mas é uma metáfora que vale a pena ser ser guardada. É por meio dos relacionamentos, da amizade, do amor que ele volta a ser humano. É que ele consegue vencer a sua identidade de superherói para voltar a ser simplesmente uma pessoa.
¶36É aí que ele consegue controlar o seu lado monstro. É aí que ele consegue, depois de se machucar, deixar para lá um assalto a banco para poder descansar pelo menos uma vez. Ele vence os inimigos que estavam sob o controle da Jin e a enfrenta. E uma vez que a Jin é uma telepata, o embate não podia ser outro senão um embate mental. permitindo que Jin acesse suas memórias, que ele ajuda ela.
¶37E novamente nós vemos o contraste entre as formas como Peter e Frank resolvem o problema. Enquanto Peter permite que Gan entre sua mente, sonhe suas memórias e conheça suas vulnerabilidades para que ela veja como ele encontrou forças para agir com responsabilidade com relação aos outros, o Frank mostra um rifle de precisão do alto de um prédio para bater a Jingray. A tensão cresce à medida que a gente imagina o que vai acontecer, né? Será que o Peter vai conseguir convencê-la antes do disparo? Será que o Frank vai matar ela antes que o Peter a convença?
¶38E o que acontece é leva o caráter do Peter ao máximo. Ele se sacrifica por din. Esse é o ato que a convence definitivamente, porque alguém já disse no passado que não há prova de amor maior do que dá a sua vida pelos seus amigos. Não foi isso que Jesus disse? Não existe prova de amor maior do que o sacrifício por aqueles que se ama.
¶39Peter Parker está disposto a morrer para salvar um desconhecido. Peter é levar as pressas pro hospital, é claro, tem que tirar a roupa de aranha dele, tira sua máscara, o que se opõe ao começo da história, porque ele iniciou o filme como desconhecido e agora pelo menos a equipe que o socorreu conhece algo da sua identidade. Ele sai do hospital com o Frank Castle lá em cima vestido de homem-aranha e ele no meio da multidão disfaçado de si mesmo. As coisas se invertem, não é? Ele vê o Homem-Aranha de fora, ele ele finalmente é ele, sabe?
¶40É de novo, essa metáfora para mim é menos piegas. E só nos meus momentos favoritos do filme, ele vê o homem-aranha de fora, finalmente tem outra pessoa assumindo aquele alterego por ele para que ele, sendo ele, possa misturar na multidão, ser visto por uma criança, interagir com uma criança que tá no ombro de alguém. É de novo o médico e o monstro, é de novo a identidade sendo construída a partir de quem você é e não a partir daquilo que você faz. E o final não podia ser melhor, né? A saída definitiva do Peter Park do buraco ocorre quando ele vê o seu grande amigo Ned cafeteria e se aproxima.
¶41O Nédio reconhece como o cara das flores do apartamento, porque foi assim que Peter se apresentou ali no no meio do filme, ainda se disfaçando. E o Peter o cumprimenta e faz o aperto de mãos secretos, né, aquele toque de mãos que ele era característico e de o seu nome. Ned já tinha ouvido a MJ falar que o nome do homem-aranha era Peter, o que é muito legal porque o Ned esqueceu o Peter Parker, mas o Ned ainda lembrava do aperto de mão secreto. É igual aquela senha que você esqueceu, mas se você tem que pegar um teclado e e pegando um teclado, você lembra qual é a senha, mas você não lembra se você tiver que dizer a memória muscular do aper de mão tava lá. Ainda que ele não lembrasse do Peter Park.
¶42Legal, né? É muito. Eu achei uma sacada muito legal. O Peter sempre admirou o Homem de Ferro. Isso tornou icônico o encerramento do filme que deu origem a todo o boom do MCU com Tony Sark dizendo: "I am Iron Man, eu sou o Homem de Ferro".
¶43Aqui o filme termina com uma tomada de consciência das pessoas que o Peter ama, talvez dele próprio, talvez do público, né? Ele era Peter. Tony Stark era o Iron Man. I am Iron Man, eu sou Homem de Ferro. o Homem-Aranha, ele só o cabeça de teia, o amigo da vizinhança, ele só queria ser Peter.
¶44E a semelhança dele, todos nós estamos sujeitos a crises existenciais e a perda da noção de quem nós somos. O nosso trabalho pode nos consumir ao ponto de nos tornarmos simplesmente um enfermeiro. Eu sou um motorista, eu sou uma professora, eu sou um médico, eu sou um pastor. Cuidar dos outros é bom, produzir coisas boas é bom. Mas se nós não atentarmos pra nossa própria condição, a gente pode adorcer, adoecer fisicamente, a gente pode adoecer mentalmente, a gente pode adoecer espiritualmente.
¶45E aí, o que será daqueles de quem lutamos para cuidar? Se acaba sendo a gente que precisa ser cuidado no fim das contas. E aí a gente vai pra depressão, vai pra ansiedade, vai para doenças psicossomáticas, tudo que pode surgir como consequência de uma vida marcada por comportamentos desalinhados. Os comportamentos pecaminosos, né? Embora o pecado esteja dentro de nós, eles podem surgir de práticas pontuais e de pequenas concessões que se tornam hábitos.
¶46E aí, quem vai poder nos salvar? Esse filme do Homem-Aranha nos ensina que nós não vencemos nossas batalhas sozinhos. As batalhas que travamos internamente nunca são vencidas de forma solitária. Nós precisamos de pessoas que nos amem para nos apoiar, que nos ajudem e até mesmo confrontem nossos erros, se for preciso. Nós não fomos criados para viver isoladamente, reclusos num quarto ou em uma casa, na penumbra.
¶47Nós não fomos criados para sermos definidos simplesmente pelo que fazemos, embora o que a gente faça diga muito sobre nós. Nós fomos criados por Deus para viver em comunidade, porque também é nela que nós aprendemos quem nós somos. É em comunidade que nós passamos a aprender, a amar e a desfrutar do amor ao próximo. É em comunidade que nós juntamos forças para vencer desafios, crises e problemas. É em comunidade que nós descobrimos a nossa verdadeira identidade.
¶48O filme do Homem-Aranha nos lembra o que disse o autor da epístola aos Hebreus. Cuidemos também de nos animar uns aos outros no amor e na prática de boas obras. Não deixemos de nos congregar como é costume de alguns. Pelo contrário, façamos de maior estações. Ainda mais agora que vocês veem que o dia se aproxima.
¶49A Bíblia me ensina que eu não sou suficiente, que eu preciso viver em comunidade, que eu preciso ser confrontado dos meus pecados, que eu preciso admoestar os outros quando for necessário. A Bíblia me lembra que eu não me basto e que eu preciso de pessoas com quem caminhar. Também me lembra que, embora eu tenha grandes responsabilidades, o grande poder para lidar com elas vem da comunhão amorosa com o próximo e especialmente da união com Cristo por meio do seu sacrifício. Ninguém ama mais quando se anula totalmente pelo outro, mas sim quando encontra uma forma de amar com humildade, sem se colocar acima dos outros, nem sem ter em vista somente os próprios interesses, mas também os interesses dos outros. Ninguém cuida melhor dos outros quando age como se não precisasse de cuidados, mas sim quando entende que nós precisamos suportar uns aos outros em amor.
¶50No fim das contas, por maiores que sejam nossas responsabilidades, precisamos de alguém que nos cumprimente de maneira particular e nos chame pelo nome, assim como nosso Senhor chama cada um de nós para si. Quem se importa com filminho de herói? Você pode perguntar. Bom, se a gente olhar com cuidado, tem muita coisa importante ali que a gente pode encontrar. E o que é que você achou do filme do Homem-Aranha?
¶51Você tem críticas aí cinematográficas? Também tenho as minhas aqui. A gente tá mais preocupado com a mensagem que tá por trás da obra. É isso que a gente faz aqui no mundo cópia. Se você gosta desse tipo de programa, não deixa de clicar em gostei, de mandar aí no seus amigos.
¶52Manda aí no grupo da igreja, no grupo dos jovens, manda para seus colegas nerdes e deixa um comentário pra gente continuar encontrando boas mensagens por trás daquilo que a gente encontra na cultura. Não esquece de Grove Suplementos e usar o cupom Jesus para apoiar a produção de conteúdo teológico aqui no canal e de se inscrever e assinar as notificações para ficar sabendo sempre que houver vídeo novo. Um cheiro no seu cangote e até a próxima. M.