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Is Song of Songs About Sex—or God?

a tese

Gavin Ortlund defende que Cânticos dos Cânticos não é "ou sexo ou Deus", mas as duas coisas: é primária e literalmente sobre o amor sexual dentro do casamento e, lido canonicamente, aponta para o amor de Deus, numa relação que ele chama de sacramental (não competitiva) entre amor humano e divino.

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Ortlund modela exatamente o que interessa ao Bruno, hermenêutica que costura leitura histórica pré-moderna e crítica moderna sem cair no exclusivismo de nenhuma, com farta ancoragem em fontes (Bernardo, Owen, Keil-Delitzsch, Kapic-Kieser); rende conversa sobre alegoria, tipologia e a categoria prosopológica.

O que foi dito

  • Ortlund abre situando Cânticos como talvez o livro mais difícil da Bíblia (empatado com Levítico), pela obscuridade e pelo conteúdo erótico gráfico que escandaliza, e nota o abandono homilético atual (contrasta com os 86 sermões de Bernardo de Claraval, que mesmo assim só chegou ao fim do capítulo 2).
  • Rejeita a alegoria estrita por dois motivos: os paralelos com a poesia amorosa egípcia e mesopotâmica descobertos no século XIX, que classificam o gênero, e a arbitrariedade interpretativa (por que os dois seios seriam o AT e o NT, e não Moisés e Elias, ou os dois sacramentos?), já que o texto não fornece chave hermenêutica.
  • Cita Keil e Delitzsch (comentário luterano que recomenda) mostrando que uma alegoria estrita deixa detalhes inexplicáveis (as 60 rainhas, os 80 concubinas, os 60 heróis), mas que ainda assim “o grande mistério de Efésios 5.32 se espelha no cântico”.
  • Sustenta que o sexo retratado é conjugal e idealizado (uma mulher, um homem, aliança), lendo o livro inclusive como possível polêmica contra a poligamia (6.8) e ecoando o Éden; o motivo recorrente “não desperteis o amor até o tempo certo” mostra que o livro não abole limites.
  • Faz uma seção pastoral longa: o problema da Igreja não é o sexo, é o pecado que distorce o dom bom de Deus; critica tanto o moralismo baseado só em vergonha quanto a pregação imatura que explora os versos mais provocativos por choque, e usa 1Timóteo 4 e As Cartas de Screwtape (Lewis) para atacar o falso ensino que proíbe o que é bom.
  • Reconhece que Orígenes, Agostinho e Jerônimo influenciaram a visão de que a virgindade é “A+” e o sexo conjugal um “B+”, e adverte contra ser mais pudico que Deus; ao mesmo tempo afirma que o celibato (1Coríntios 7) não faz ninguém perder a realidade última para a qual o casamento aponta.
  • Defende a leitura canônica (de Gênesis 2 a Apocalipse 21 o casamento aponta para o amor redentor de Deus): Efésios 5, Cristo como noivo em Marcos 2 e João 3, Deus como marido de Israel, e o adultério espiritual em Ezequiel 16 e Oseias.
  • Introduz, via o livro “Owen Among the Theologians” (Kapic e Kieser), a categoria de exegese prosopológica e o clímax de 8.6 (“o amor é forte como a morte… a própria chama do Senhor”) como a ponte com o evangelho: o amor forte como a morte encontra no evangelho um amor que atravessa a morte e é mais forte que ela.
  • Fecha com cinco modos em que o amor conjugal (incluindo o sexual) espelha o amor divino, na chave de comunhão com Cristo de John Owen: afeição, intimidade, ciúme, saudade e autossacrifício, ilustrando com Richard Wurmbrand, que na tortura em prisão comunista descreveu a experiência do amor de Cristo em linguagem nupcial.

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