¶1เฮ Olá, boa tarde. Seja muito bem-vinda. Seja muito bem-vindo ao Central Meio. Hoje é segunda-feira, 10 de agosto de 2026. Eu sou Pedro Dó e comigo estão Christian Lint lá em São Paulo.
¶2Flávia Tavares. Boa tarde, Flávia. >> Boa tarde. Oi, Cristian. Que bom tá aqui com vocês.
¶3>> Tudo bom? Estamos >> tudo bem. >> A gente sobrevive ao dia >> a segunda-feira ou >> sobrevive? Oxe, filão. É >> que isso agora?
¶4Agora que eu tô turbinadaça aí para cobrir eleições e tudo. Vamos que vamos. Oxe. >> Ai ai. >> Vem, vem que eu seguro.
¶5Quer mandar para cá? >> Não. Tá todo mundo pronto para mais um central meio porque vamos vencer mais essa semana de agosto. Esse meu tom entusiasmado aqui na abertura é só uma referência aos slogans de Lula e Flávio Bolsonaro. O de Lula é o Brasil pronto para mais.
¶6E o de Flávio é: "O Brasil vai vencer". Hoje a gente fala dessa guerra de slogans e das promessas eleitorais dos candidatos. E tem ainda os debates estaduais. Sabe aquele convidado que não vai na festa e vira assunto? Foi uma debandada dos líderes das pesquisas, Geduardo Pais Sérgio Moro.
¶7O Moro desistiu de participar 2 horas antes do início. Alegou que o debate se transformaria numa rinha de galo. Aliás, rinha de galo é crime de maus tratos aos animais. Ainda bem que o nosso central meio é um espaço seguro, livre de esporas e bicadas, né, Cristian? Um >> espaço seguro, safe space.
¶8>> Safe space, exatamente. Então, puxa aí a sua cadeira, se acomoda, deixa o like, se inscreve no canal, manda sua mensagem pra gente, porque o central no meio tá no ar. O Brasil pronto para mais de Lula versus O Brasil vai vencer de Flávio Bolsonaro. Como é que você vê esses slogans, Cristian Link? >> Ah, o slogan do Lula não podia ser muito diferente, né?
¶9Você tem que vender que as coisas vão bem e que vão ficar melhores no mesmo na mesma linha, né? É claro que você pode fazer uma sacanagem dizer como é que é preparado para pronto para mais do mesmo. Para quem não gosta só pode dizer isso, né? Agora o do Flávio, o que ele faz é tentar de novo encarnar o pai, né? E aí o Brasil é ele, o Brasil é a camisa amarela, o Brasil eh a ideia e que é que me que me chateia que é essa história da apropriação da nacionalidade por por uma facção, entendeu?
¶10>> Uhum. O Brasil vai vencer, porque ele vai vencer, porque quem não tá com o Bolsonaro é o antibrasil, entendeu? Quem é anti é são que são os que não são, entre aspas patriotas aí, como pessoal já sabe aí que eu já falei 300 milhões de vezes, né? Patriota é o sujeito que tá lá com a camisa do Brasil, que é Jair Bolsonaro, que é Trump, que é não sei quê. E aqui entre nós, eu acho que isso aí também é muito mais do mesmo.
¶11E no caso e no caso eu acho do dos Bolsonaro é ainda mais do mesmo do que do Lula, porque eles não têm literalmente nada para mostrar, entendeu? A gente tá vendo as dificuldades do Flávio e a insistência cada vez mais de ficar colando no pai a choradeira do dia dos pais, sabe? Você tá tentando fazer essa identificação. Então é assim que eu li, né, o slogan quando eu vi hoje de manhã na no no nos jornais, né? Eu eu tomei um susto, confesso, quando eu vi o Não sei se o susto é uma eh eh é a expressão correta.
¶12Provavelmente não é. Talvez a UNI ocorra. Mas quando eu vi o o vídeo do Flávio Bolsonaro eh no no domingo de Dia dos Pais, né, eu eu não sei se quem tá nos acompanhando assistiu ao vídeo, mas é o Flávio se sentando perante uma folha de papel, eh abre uma canetinha bic, dá um suspiro longo e aí começa aquela coisa de filme de sessão da tarde. É em que ele escreve à mão uma carta e a voz dele fala em off a carta enquanto imagens do passado vão aparecendo sobrepostas. Querido pai, soube agora que a justiça não nos permitiu eh eh visitá-lo nesse dia dos pais.
¶13Eh, nossa candidatura está cada vez mais forte. escolhemos o vice-presidente. Eh, não conseguimos as alianças que queríamos com os partidos de centro, mas sabemos que os primeiros principais nomes do eu fiquei aí num determinado momento ele cai aos prantos, tal e e eu fiquei assim, cara, com uma é é é aquela sensação de eu eu num passado, diferentemente da Flávia, num passado bem remoto, eu estudei interpretação. É diferentemente da Flávia, porque a Flávia estudou muito mais a sério do que eu. Eu quando vi a possibilidade de, quando eu vi ali os caminhos se bifurcando com 20 anos de idade, ou você mergulha no teatro, ou você mergulha no jornalismo.
¶14Eu fui pro jornalismo. Flávia não foi para Londres, estudou direitinho e tal, mas dessa dessa minha experiência adolescente e e quase eh tipo cheguei ao ponto de da decisão, vou me profissionalizar ou não, eh eu estudei com muito fascínio eh Constantin Stanislavski, que é que é o é é o pai da interpretação moderna, né? um diretor de teatro russo que era o diretor do TKOV e ele meio que inventa a forma moderna, eh, a forma que o cinema vai adotar de de interpretação. Eh, e e isso me deixou numa coisa em particular, tipo, a única coisa que eu acho que o teatro me deixou é uma hipers sensibilidade com a interpretação. Eh, qualquer ato de canastrice me dói profundamente por dentro da pele.
¶15E aquele vídeo do Flávio é de uma canastrice, entendeu? É, cara, não faz, não faz, não faz, entendeu? Se não vai ser, porque já é uma coisa artificial, entendeu, querido Papai Noel, né? Aquela coisa, já é uma coisa artificial. A pessoa que tá vendo sabe que ele está interpretando, que ele não está naquele momento sentado perante uma folha.
¶16Quem é que escreve a mão carta hoje em dia? Pelo amor de Deus, entende? Com caneta BC. Quer dizer, é aquela coisa ali de eu sou um homem do povo, né? Uma folha branco e uma caneta BC.
¶17Só faltava ser uma folha de caderno que você rasga assim para ser uma coisa mais do povo. Eh, >> isso não. Naquele homem do povo não, Pedro. Pior, ele é filho do homem do povo que tá chorando a falta do papai. >> É, >> entendeu?
¶18Ele se coloca nessa posição, entendeu? >> Eu eu eu fiquei teatro teatro infantil, claro, né? >> É, pois é. Porque porque é um teatro muito ruim. É é é é uma representação de uma coisa.
¶19O que eles a men, qual é a mensagem que o político Flávio Bolsonaro tá tentando passar paraas pessoas ali? Eh, eu estou sentindo falta do meu pai no dia dos pais. Meu pai é o grande líder desse Brasil. Quero lembrar a todos que eu aqui sou o filhinho daquele grande líder do Brasil. Eh, eh, eh, e o o Pleno Salgado usava chefe nacional, né?
¶20Eu sou filho do chefe nacional, então eu sou chefinho nacional e e estou aqui para lembrar chef poderoso chefinho. >> Exatamente. É exatamente isso. E e cara, é o problema é que o problema daquilo como peça a propaganda no fim das contas é o seguinte, com exceção de quem tá muito comprado na ideia bolsonarista, todo mundo sabe que aquilo é o que meus filhos chamariam de cringe. Flávia Tavares >> perdeu a aula.
¶21>> Eu acho que nossos filhos não usam mais o termo cringe, tá? Eu acho que cringe. Já ficou cringe. >> É, não é que a sua filha é jovem. Os meus filhos já são senhores ali de 15, 16 anos, entendeu?
¶22Os jovens olham paraa turma de 15, 16 anos. Se essa turma é tão demodê, mas isso é porque são os jovens, entende? É. >> Eh, >> é caf mesmo, né? É, depois disso tudo, deste vídeo do da cartinha e tal, eu acho assim, ela carrega um pouco mais de mensagens, né?
¶23A caneta B ela se tornou eh o um dos símbolos, né, do Jair e o leite condensado deve estar deve aparecer no próximos vídeos, nos próximos vídeos. Aí a farofa, Luencial da Far tem todo um, tem a sequência muito em breve, eu não sei em que momento da campanha do Flávio vai ser adequado ele se declarar embrochável, porque tem questões aí ainda de vídeos a aparecer, mas é possível que ele também recorra a isso. Eh, tem a questão de que ele não pode mandar por zap, né, Pedro, ou por nada eletrônico. Então, a cartinha Ser escrita à mão, eh, tem a mensagem, né? Eu não sei nem se ele pode mandar a cartinha, na verdade, eh, juridicamente eles estão proibidos de se comunicar no que eu entenda, eh, quer dizer, eu não sei se a proibição do Alexandre de Moraes inclui a troca de correspondências ou se é só a visita, tá?
¶24Eu confesso que eu não me lembro deste grau de detalhe da decisão do Moraes que impediu as visitas. Eh, mas o que me chocou além disso é que o vídeo seguinte a esse da carta é ele chorando no ombro do Valdemiro Valdomiro Santiago de uma igreja evangélica que é um pastor particularmente enrolado com denúncias na justiça. Eh, é o Valdomiro, ele é da da eh da mundial, né, da Igreja Mundial do Poder de Deus, se eu não me engano. essa esse nome completo da denominação. E ele é um desses dessas lideranças religiosas que já esteve bastante envolvido em denúncias policiais, então de desvio de recurso, de coisa desse tipo.
¶25Então ele tem feito assim uma eh uma sequência, né, eh de escolhas assim, enfim, que são realmente eh arriscadas. Aí você soma isso ao ao slogan que foi anunciado hoje de manhã, quem deu foi o Lauro Jardim num papo com o Duda Lima, que é o novo marqueteiro, né, da campanha do Flávio. E aí ele fala que a justificativa do do Duda é a de que o Brasil vai vencer, tem o V de Flávio e permite o e o V de é o mesmo V de vitória e permite o verde amarelo. Eh, então em cada em cada vértice ali da palavra da do da letra. Então ele é, ó, o Rodrigo Varig me corrige que o Valdomiro não é um pastor, ele é um apóstolo.
¶26Eu, eu realmente eu não sei a diferença. Eh, Rodrigo, me perdoe a a falha e eu não sei, não saberia dizer. >> Mas o Flávio tá fácil, me tira uma dúvida. O nome do candidato é Vlávio. É, é Vláfio >> que tem V de Flávio.
¶27Como é que é o nome? De >> é Vláfio. É o Flávio >> do I. Afinal tem um V. Ah, tem o V ali.
¶28Tá certo. >> É. E aí, então assim, não é exatamente uma ideia com muita com muita substância. Ela elas ela é estética, ela é uma ideia estética. A importância desse slogan está no verde amarelo e no V de vitória.
¶29E no no meio da da palavra Flávio tem um um V ali. Então é uma coisa que realmente ainda pelo menos não está muito eh de pé, né? Eh, e isso diz sobre o que você falou, Cristian, sobre a falta de ideias, sobre o que que o Flávio ainda não protocolou seu programa de governo, seu plano de governo. O presidente, a campanha do presidente Lula protocolou na sexta noite um documento de 84 páginas, eh, que traz, enfim, algumas já algumas direções, alguns temas principais. E aí eu quero, eu sei que você falou que já falou isso mil vezes e tal, mas eu acho que vai ser importante a gente debater isso aqui um pouco mais a fundo, porque o documento do PT, eh, a palavra que é mais mencionada é soberania e suas variáveis, né?
¶30Soberano, soberana, soberania. Eh, ah, do o programa do Flávio a gente não sabe ainda porque ainda não foi protocolado, mas esta escolha de slogan nos dá a entender que o patriotismo vai seguir sendo uma tônica, né, do discurso. Então, eu acho que é importante a gente entender em que o quanto isso é um ativo de cada um em 2026, de fato, pro cidadão mesmo, pros que pro cidadão que importa, pro que tá indeciso, pro que não tá fechado com seu candidato ainda. O quanto estes são temas, a soberania e o patriotismo e suas distinções, né, ainda são eh podem ser relevantes, né? O presidente Lula disse no final de semana que vai voltar a tentar se reaproximar de Donald Trump.
¶31E ele escolheu uma estratégia já, não só neste fim de semana, ele já vinha fazendo isso antes, de tentar, pelo menos pro paraa opinião pública, de tentar distinguir, separar Donald Trump de Marco Rúbio. >> Então, o inimigo, na verdade, do Brasil, quem é contra o Brasil, quem é um latino-americano ressentido, né, e tudo mais, é o Rúbio. E o Trump, esse é um amigo do Brasil que tá sendo eh mal influenciado pelo Rúbio. E eu acho essa uma estratégia que pode ter até colar no curtíssimo prazo, mas ela é arriscada no médio e longo prazo, porque o Marco Rub inclusive cada vez mais vem sendo se colocando e sendo colocado por outros como o potencial sucessor do próprio Trump, né? Enfim, a eleição de lá ainda é só daqui a dois anos.
¶32Este ano ainda tem uma eleição muito importante lá que é a do de midterms, né? Mas eu queria te ouvir um pouco sobre o Muito bem. A gente entendeu que cada um vai tentar eh eh contorcer as palav o verde e amarelo, a a sua as pro seu lado na campanha, né? Mas o o quanto isso é assunto, o quanto isso é importante, é relevante pro eleitor que tá indeciso, na sua opinião? a gente, bom, eu faço uma distinção entre nacionalismo e patriotismo, né?
¶33Nacionalismo é uma, >> é o sentimento de pertencimento, eh, que é dado por aquilo que o país tem de particular. Eh, e ele é próprio de ideologias particularistas, né? Ideologias particularistas são aquelas que você olha pro mundo e você vê o mundo diferente, com alguma coisa em comum depois, né? No segundo momento, você vê o que o que o que é de semelhante. de patriotismo é o contrário, né?
¶34Você gosta, você tem uma aderência ao lugar, mas a aderência é em relação ao valor que é geral. Então, você gosta do lugar porque ele tem aquele valor que é geral. O liberal ele é patriota porque ele tem, porque a terra dele tem liberdade, entende? Então, o socialista é porque os trabalhadores >> sofrem uma opressão que também os os outros, o resto do proletariado trabalhadores sentem, né? Eh, o reacionário é patriota, porque o o país é cristão, que Cristo é universal, né?
¶35Então são então o que acontece e o o pelo menos eu tô falando aqui no Brasil, né? É claro que nos países que são cêntricos, que não são periféricos, é diferente. Patriotismo e daionarismo acaba virando a mesma coisa, né? Eh, frequentemente. Não, não nosso caso.
¶36Porque aqui, por exemplo, você quando você pensa o o o eh os valores universais, eles têm um lugar de onde eles vêm. E aí você tem uma uma referência externa que serve de grádio, né, de de horizonte regulatório, digamos assim, do que que tá certo, tá errado. A democracia britânica, o o parlamentarismo britânico, eh a República Americana, entende que são coisas que estão que estão fora e servem para ficar guiando a gente aqui. Claro que, né, eh, no eh então tem essas duas diferenças. o que o Lula e e a pelo menos o PT ou a coalizão governamental tá eh buscando é um discurso que é nacionalista e por isso que ele fala muito em soberania.
¶37>> Uhum. >> E o patriotismo é outra coisa. O patriotismo é adesão ao a ao valor de direita da família, né, cristã. eh eh o sacerdote ess o papo da ultradireita que tem um centro que tá em Washington, né? Eh, e aí você tem uma espécie de irmandade geral, né?
¶38Aqui supostamente o o o continente inteiro, né? O o subcontinente, não sei, a América América do Sul estaria se alinhando e o Brasil tem que se alinhar essa onda patriótica, né? Aí é uma coisa engraçada. Se você se fazer um paralelismo com os liberais do século XIX, era uma coisa assim, o Brasil é a a América para os americanos e o Brasil é América. Então você tem que ser republicano, né?
¶39América da América para os americanos, América é republicano. É um pouco essa ideia, só que agora no registro reacionário, né? Então são duas formas de se sentir adesão a isso, né? Agora, eh, o a conversa da soberania, ela é essencial porque, de fato, se você pegar objetivamente a forma como o poder tá dividido no mundo, ele tá dividido em estados soberanos. O que tá acontecendo agora objetivamente, quer dizer, fora das das ideologias, é um ataque geral de uma superpotência contra através dessa interpretação da da doutrina eh Monro, entendeu?
¶40Da soberania dos outros países do continente. Então você tem um ataque à soberania mesmo. Aí não importa quem quem é o governo, você quer ter governos alinhados, né? A invasão de Cuba, ela já tá precificada, pelo que eu tô olhando no jornal, tá precificada já. estão procurando já quem é que vai fazer o papel dessa que essa senhora que eu nome esqueci tá fazendo na Venezuela.
¶41Quer dizer, um líder mais ou menos eh pragmático dentro do próprio sistema para assumir o poder. E aí tinha uma coisa meio maluca. Se era, se esse é o neto do Raul Castro, se é o neto do Fidel, sei lá, sei lá, entendeu? Mas já tá precificado esse negócio. Então, a gente tem as eleições desse ano, o último grande país do da da América eh do Sul, né, que não tá alinhado direito e tal com os Estados Unidos, são o Brasil, né?
¶42Eh, aí você vai vender que o governo social-democrata do Lula é um governo terrorista de extrema esquerda, né? Já tem um cara que um deputado americano que já tava falando isso no fim de semana, né? Aí que acontece, essa é uma variável relevante nesta eleição pro pro PT. Então ele vai fazer a defesa do projeto dele como defesa da democracia, vai colar isso junto com a defesa da soberania e vai, né? E aí você repara que quando você abre o programa de governo do PT, a a primeira coisa que aparece é a soberania.
¶43A segunda é o eh >> é o programa normal de esquerda, né? É reduzir as desigualdades, blá blá blá blá blá blá, né? falar em soberania é transformar eh também eh a não interferência nas eleições contra o governo no tema de estado. Quer dizer, as eleições, né, da defesa da soberania é defender também a democracia, defender que o povo possa eleger um governo de esquerda, né? Então eu acho que é assim que o governo tá lidando com isso.
¶44No caso específico do Trump, a gente eh o governo tem um problema sério, que é o fato de que os Estados Unidos são uma superpotência, eles são irresistíveis. Eles são irresistíveis. Você pode tentar manter a cara, manter a aparência, manter a decência, manter a honra, manter a honra, né? Que é isso que eu acho que o governo tenta, tenta fazer. Mas você sabe que no limite se não não dá, a gente não é China, né?
¶45E isso não é algo só do Brasil. Isso aí é de qualquer país do mundo, porque o único país que se mede com os Estados Unidos são a China, né? E os Estados Unidos estão dispostos a fazer perder os escrúpulos. Não existe mais internacional, não existe mais diplomacia, não existe mais nada, entendeu? Então o que que você vai ter que fazer?
¶46E eu acho que também é uma é uma até uma estratégia astuta, entendeu? Você essa tese de que o não é o rei que age mal, o rei é mal aconselhado é uma coisa velhíssima. É você pode botar a culpa no ministro, você botar a culpa no conselheiro, né? Eh, por exemplo, na Inglaterra você tem um princípio antigo que chama the king does not do wrong. O rei não erra.
¶47Por que que não erra, né? Porque você transfere a culpa pros ministros. Então, no caso, o que que você tá fazendo? eh, provavelmente aconselhado no Itamarati. Eh, ele tá apostando que eventualmente ele pode ter uma conversa direta com o Trump ali, porque o Trump seria mais pragmático do que o Rúbio, né?
¶48E aí você consegue ficar numa situação em que você fica de porta aberta e você pode procurar o Trump sem parecer que tá passando vergonha, porque você tá atribuindo, na verdade o mal ao ao aos ao ministro das relações exteriores, que é o Rúbio. Aí e aí fica uma porta meio aberta para você tentar evitar eh uma uma violência maior durante a campanha, né? Então, eu acho que isso isso mostra uma diferença com com a reação mais tradicional que a gente vê, seja dos países que eram ditaduras de esquerda, já tô falando de Cuba no passado, Venezuela e Cuba, né? Ou eh de um de um líder realmente populista de esquerda como era o Petro e que fica blazonando muito gargantão, entendeu? Acho que eu tenho a impressão de que essa essa essa técnica é para tentar eh ela mantém a a face, digamos assim, a aparência de honra do do país.
¶49Você ataca o subsecretário, deixa a porta aberta com o presidente e e eventualmente aposta na famosa química para ganhar tempo, né? Porque a eleição tá ali. Aí depois que você ganha a eleição e é outra coisa. Eh, tem, eu, eu assisti um vídeo muito interessante hoje de manhã no Instagram, eh, um meme desses, esses filmetes feitos com inteligência artificial. Eh, e, e, o que que tem nesse, o que que é Eu vejo muito vídeo político e eh eu vejo muito meme de inteligência artificial, de política.
¶50o o Instagram deve ter entendido que eu queria ver aquilo e ele estava absolutamente correto porque exatamente o tipo de coisa que eu iria querer ver. E e é o seguinte, dois superheróis de azul, branco e vermelho com estrelas vermelhas assim. >> E não, talvez capitão Havana, uma coisa assim. Ah, entendi. >> Eh, eles aparecem de repente numa daquelas salas neoclássicas com mesão de governo americano, né?
¶51Eh, eh, uma coisa que uma sala que meio que remete a Casa Branca, mas você não tem certeza, não é exatamente o salão oval, tal. Aí aparece o Marco Rúbio. E o Marco Rúbio faz uma cara assim de assustado. E aí você acha que ele vai ser atacado por dois superheróis cubanos, mas na verdade eles apresentam para ele um passaporte cubano e o Rúbio de repente abre um sorriso daqui até aqui, tipo, muito feliz porque e e ele se emociona porque depois de muitas décadas lutando eles conseguiram. E assim o Rúbio é teleportado para uma praça em Havana.
¶52E por que que esse vídeo é interessante? Eh, é aquele hiper realismo de inteligência artificial que tem uma coisa que é quase desenho animado, mas ao mesmo tempo é filme, né? É é é uma é um hiperrealismo de inteligência artificial. E aí o Rúbio é transportado para para uma praça principal Ivana. Eu não conheço o nome da praça, mas é uma praça que todo mundo sabe o que que é quando vê aqueles monumentos comunistas gigantescos.
¶53Tudo deve ser a Praça da Revolução. Eu não sei se tem a Praça da Revolução, mas tem que ter uma praça da revolução. >> É. Ou então tem o nome do Martim ou tem, sei lá. É, é.
¶54Mas tem uma foto tão linda lá. Não acredito. >> Eu tá, eu era tão jovem e tão magra e tão cheia de colágeno. Ai, que são tão gata quanto é hoje. Duvido.
¶55>> Obrigada. Eu estive lá em 2004 e, portanto, eu não tô lembrando o nome da praça. Pera aí que eu tô pegando aqui. Você mart ou qualquer coisa assim. Flávio, isso aqui era só que eu tava cantando no fundo musical, vendo você 20 anos atrás, andando em Cuba, caminhando contra o vento.
¶56>> Praça central, >> praça central. Poxa, eu podia ser também ao lado da Praça da Revolução. Vocês não quiserem. Bingo. >> Bem, aparece lá, aparece lá o Rúbio, só que evidentemente ao invés dos de símbolos comunistas, tem uns bandeirões eh eh nacionalistas cubanos e o e e é um troço meio confuso porque eh no vídeo e você não entende muito a história que o vídeo tá contando, não, tá?
¶57Eh, eh, e, e fica aquela, veja, de fato, o, o, os pais do Rúbio foram pro, pros Estados Unidos, crianças muito crianças, tá, com menos de 5 anos de idade. Então, o teoricamente o Rúbio é filho de cubanos e, portanto, deveria ter direito à cidadania cubana eh eh num mundo normal. Eh, ele é também secretário de Estado americano, que é o número três na tipo depois do presidente, depois do vice quem assume a resolute desk lá no salão oval é ele, né? E e essa é a ordem. Não tá muito claro se o Rúbio vai ser o líder de Cuba enquanto secretário de estado, se aquilo é um futuro imaginado em que o Rúbio é presidente dos Estados Unidos, porque ele não tá exatamente no salão oval, mas poderia estar.
¶58Se é uma coisa de um interventor americano em Cuba, se é uma coisa de um novo presidente cubano, o filho pródigo, a terra torna, quem quer ser presidente em Washington, quando eu posso ser presidente em Havana. Eh, eu, eu não sei o que que era aquilo, mas o, quais são as coisas que me chamaram atenção? Primeiro, é o dia da semiótica, né? Hoje é o dia da semiótica. >> Não, mas essas coisas querem dizer coisas.
¶59Essas coisas querem dizer. Flávio agora está tentando interpretar o >> Não, mas por que que eu tô falando disso? É, primeiro é exatamente a mesma estética daqueles dois vídeos do Flávio Bolsonaro, eh, pilotando caça tipo Top Gun. exatamente a mesma estética, o mesmo tipo de hiperrealismo com aquela roupa tipo você botar o político meio de superherói com uma roupa de superherói, no caso é o Flávio de verde amarelo, eh eh é o é o Milei de Blanco Celeste, é e são os superheróis cubanos e o Marco Rúbio. É muito a mesma estética demais de você transformar em um filme da Marvel político de extrema direita.
¶60Essa é a primeira coisa que me eh eu acho que a gente tá assistindo com o IA vídeo de IA ao nascimento de uma nova estética de extrema direita. Eh, depois dos oclinhos pixelizados de Lacrei, entra o esses filmes, tal. Agora, a segunda coisa que me impressionou é o seguinte, veja, eh, quando eu fui a a a Caracas, a coisa que mais me chamou atenção eh é como eu me sentia simultaneamente no Brasil, porque é muito parecido com o Brasil. Sempre numa favela em Caracas, eu me sinto numa favela no Rio de Janeiro. A diferença é que as coisas estão escritas em espanhol, porque é a mesma vegetação tropical ou mesmo tijolo de buraquinho exposto eh eh sem reboco.
¶61Eh, são as mesmas roupas, as mesmas a a pobreza tem a mesma cara. Eh, a arquitetura parece a arquitetura de Caracas parece arquitetura da Barrata de Juca aqui no Rio de Janeiro. Eh, eh, ou então do Itaim Bibbi em São Paulo, sabe? Eu tipo, é, é tudo. Agora, se você desconta a arquitetura e a paisagem as pessoas, que ali você se sente na América Latina, se você desconta tudo isso, você se sente num filme passado na Europa do Leste Europeu, na segunda metade do século XX.
¶62Porque a estética comunista, essa coisa de você ter um e eh foto gigante do Gotávez e foto gigante de Simon Bolívar por toda parte, essa essa essa estética quase que é literalmente opressora, né? Em cada quarteirão você precisa lembrar de quem manda. Eh, eh, e isto não é essa estética desse hiperrealismo soviético, porque é de lá que nasce, ela não é diferente da estética fascista. Eu não tô dizendo que comunismo e fascismo sejam a mesma coisa, porque são radicalmente diferentes. Fal uma estética totalitária, >> mas na estética é baixa aqui é Han Har, né?
¶63Eh, na estética de lembrar a todo mundo, quem manda é é igual. É igual o você olha, se você tira suástica, se você tira foice e martelo, bota preto e branco de forma que você não consiga ter claro, você vê uma manifestação estalinista, você vê uma manifestação nazista, você não sabe dizer qual é qual. Eh, eh, porque esteticamente é a mesma coisa. E esse troço foi aparecer em Caracas. E por que que eu tô falando isso?
¶64Porque eu tenho certeza que Cuba, eu nunca fui a Cuba, mas eu tenho certeza de que e Cuba, eu conheço monumentos, tudo mais, fotografias, eh a mesma estética tá ali, que é aquela estética da da ditadura de ditador único, é, e é aquela coisa quase que do passa de pai para filho, é partido único, ditador Único e dura para sempre. O que me impressiona da imaginação de quem fez esse esse filme com Marco Rúbio, que eu não sei se é um fã, eu não sei se é um cubano, não sei se é, não sei quem é, é se é alguém de campanha do Marco Rubio para presidente, não importa. O interessante é que ele põe o Marco Rúbio em Havana e ele não tira a estética totalitária, ele mantém, ele só troca Fidel Castro por Marco Rúbio, entendeu? Ele não imagina uma estética americana democrática. Ele imagina trocar os bandeirões eh da revolução eh de vamos descer a Sierra Maestra por uns bandeirões rubioistas.
¶65eh eh ou o que for. E quando esse troço remete a a ao Flávio Bolsonaro olhando o Pacaembu, Pacaembu que que é um estado lindo, tá? Um estádio lindo, só que é RC, né? E é eh desculpa, Arnovô. Aí você olha para aquele para aquele negócio Arnovô e e começa.
¶66Não é hardcor? Ardecorde, né? Desculpa, eu ode o Arnov é todo e o o Arnov é o bonito, o o Ardec todo floreado. Eh eh >> é o Ardec já é moderno, já vai vindo para >> Isso, isso. O aquela estética meio buhouse do do do Pacaiambu >> já, cara, se você >> já bons tempos, >> tipo, já vai encostando ali naquela Alemanha, coitados dos arquitetos da Bauhous, já vai encostando ali naquela Alemanha dos anos 30, entendeu?
¶67Sei. >> E, e, e, e se você bota os bandeirões errados, e o ponto fundamentalmente é, gente, é é é impressionante. É, é. Tão reeditando uma estética fascista. E, e olha, alguém assistiu a convenção do do Renan Santos presidente com retrato gigante do Renan atrás?
¶68Posso só fazer um comentário muito breve, obção, por favor, por favor. Eu só tô eu só tô puramente na semiótica aqui hoje, Flávia. Eh, >> porque não, mas é que justo eu até fui checar isso enquanto você falava e e eu não sei o quanto o Alex foi ágil de mutar aqui o meu tuc aqui no teclado. >> Super. A gente não viu mais.
¶69>> Foi super. Que bom. Ótimo. Cuba não tem essa eh essa coisa imagética com o Fidel, porque o Fidel mesmo proibiu >> tem com o Tier. >> Isso.
¶70Mas eh então que é, né, um dos líderes revolucionários, mas o Fidel ele próprio proibiu que que fizessem monumentos a ele. Não tem rua com o nome dele, não tem eh nem monumento, nem rua, nem nada. E sim, nessa praça central tem essa imagem gigante do Tier. Eh, os e as pessoas faziam eh os apoiadores de Fidel faziam sim pinturas de rua. Então você, gente, eu tô falando de 22 anos atrás, é possível que isso tenha mudado com o tempo, >> mas eh essa lei existe da questão que depois da morte do Fidel não foram construídos monumentos a ele e tal, mas sim, as pessoas eh pintavam e pichavam a imagem dele, porque assim tem o culto à persona, né?
¶71É um, é, é tudo isso existe, mas só quis fazer essa, essa pequena observação porque eu achei que é, é uma curiosidade interessante, é bem diferente. Por exemplo, eu acho que, quer dizer, eu não chequei esse Caracas, se eu acho que o Chaves podia, permitia tudo isso e gostava, incentivava, provavelmente. Eh, isso é uma coisa, mas sim, tem uma coisa e de um personalismo exacerbado em muitas das dessas dessas manifestações. Eu não vi esse vídeo que você tá falando do Rúbio e desses superheróis. Eu acho que e tem uma essa estética ela tá ela tá muito forte.
¶72Inclusive a decisão sobre nas eleições a partir da do vídeo do Jair, que é um uma aplicação específica, tá? deve andar esta semana. O Nunes Marques tá convocando os outros ministros para ver se chega um consenso de uma decisão ali. Eh, agora eu insisto, Pedro, e quero ouvir você e o Cristian sobre isso, em tentar entender o quanto essa escolha do presidente Lula, eh, de se manter com um foco bem bem de confronto com o Marco Rúbio, né? O, a gente sabe que quase tudo em política internacional tem um pedaço que é voltado paraa relação bilateral em si, tem um pedaço que é recado interno, ainda mais em ano eleitoral, né?
¶73O Lula tá tá fazendo um jogo com olho lá, um olho cá. eh o quanto essa estratégia de de centralizar no Marco Rúbio pode ser vitoriosa, porque ele de fato parece ser o principal responsável pela elaboração dessa política e essa aproximação com a família Bolsonaro me parece muito mais sólida com o Rúbio do que com o próprio Trump. Eh, mas o Trump se beneficia, é o principal beneficiário dessa onda, né? pelo menos enquanto ele estiver no poder. Ele é pragmático, ele é um homem de negócios, mas enquanto ele está no poder, ele é o líder eh da internacional reacionária, né?
¶74Eh, Trump ou Trump ou Christian. >> Cristian, é isso. Lembrei, lembrei que você é o Cristian. Eh, então assim, eu queria eu queria entender um pouco melhor assim o o efeito que isso tem de você pegar um cara que é um símbolo dessa interlocução com a América do Sul e ao mesmo tempo com esse desse confronto e partir eh pro ataque da maneira que o presidente Lula escolheu fazer. >> Mas eu acho que não tem muita opção, porque o o Rúbio está identificado com a família Bolsonaro diretamente.
¶75>> Uhum. todos os dias ele diz barbaridades, entendeu? Que são que são contrárias à autonomia eh dos dos A gente tem eu tava ouvindo vocês dois falando, me passou pela cabeça um negócio falando de semiótica. O Rúbio é assim, se ele for candidato, imaginando, é assim, eu acho que toda essa estratégia do Lula tá pressupondo uma eventual derrota nas midterms, então é uma coisa de ganhar tempo, né? As as eleições são quando, Pedro?
¶76As midterms? É novembro, de setembro, >> primeira primeira terça-feira de novembro. Então, que eu não sei quando é, mas é quando >> quase que coincide, quase que coincide, né? Uhum. >> Porque se o se o partido republicano leva as eleições, a o tempo vai ficar muito mais feio aqui.
¶77Tem é que é claro que você tem que imaginar, se no caso do PT, que você tá você tá contando que vai acontecer alguma coisa perto da eleição >> e que você vai ter um cenário que vai desanuviar, né, com a com a perda da pelo pelo pela pelo partido republicano da maioria no no Congresso, que vai tornar a situação deles mais complicada e vai acabar com esse >> com esse com esse com esse governo de aspecto ditatorial exercido pelo pelo Trump, né? Quando tô falando de ditadura aqui é a ditadura no sentido estrito. Ditatorial é é o governo de salvação pública, né? Que fala em nome da segurança nacional, em que o presidente manda sozinho e não tem praticamente contraste nenhum. Você tem só a Suprema Corte fazendo um contraste muito tímido ali, que demora muito lá nos Estados Unidos, no modelo americano paraa decisão chegar na Suprema Corte, né?
¶78E o e o você tem hoje um congresso que diz amém pro pro presidente. Então os frees contrapesos estão >> meio que foram pro Belelu nos Estados Unidos, né? Agora eu tava pensando, sabe o quê, menino? Eu o Rúbio, se ele se candidata como Olha que coisa interessante, você tem uma extrema direita que reivindica a eh fazer a América grande de novo. Ela quer fechar-se aos imigrantes.
¶79Aí você vai dizer: "Mas o Rúbio é imigrante? Mas tem uma coisa curiosa que é o seguinte, quem já entrou o vir americano, né, nessa nessa cabeça, então os latinos que estão regulares, que já t filhos, etc e tal, né? Quem são os símbolos dos dos dos latinos nos Estados Unidos? mexicano e cubano. Marco Rubiel, né, de origem, ele é cubano.
¶80Ele como sucessor do Trump, ele ao mesmo tempo ele ele poderia incorporar a ideia dos Estados Unidos puro e ao mesmo tempo uns Estados Unidos também latino que, não sei se vou conseguir me explicar, que coincide com o projeto de tentar transformar a América Latina no quintal dos Estados Unidos, entendeu? E a figura do Rúbio como como vice-rei da América Latina que se se tudo se casa nesse projeto de de sucessão do Rúbio, porque ao mesmo tempo em que ele qu que a América grande de volta, ele simboliza a o poder imperial da América tradicional, ele também é um descendente de latino, né? É, quando você falou dele sendo recebido em Cuba, ele tá sendo recebido como verdadeiro cubano que foi exilado. E esse patriotismo reacionário é o patriotismo que se coaduna perfeitamente com esse plano de você que criar uma espécie de grande continente americano. É uma espécie de pan-americanismo de extrema direita em que o modelo de governança dos demais países é Porto Rico, funciona como se fosse protetorado.
¶81Então você imagina que em cada lugar vai ter um Rubiozinho, que aqui são os Bolsonaro, é o cast no Chile, é o Mil Argentina. Você tá tão entendendo? Porque pensa o seguinte, vamos tentar juntar de novo eh eh como é que os os Estados Unidos da extrema direita pensam o mundo. A globalização foi ruim, nós não temos perna para ficarmos no mundo inteiro. A gente tem que fazer um recu estratégico.
¶82O recuo estratégico, o que que é? É voltar pro sistema de dominação por por de influências regionais, né? Então, a Ásia mais ou menos é é assunto da Índia e da China, né? Você tem a Europa, você tem a área que é da União Soviética, que é que é Rússia, né? E você tem a o continente americano, que são que são a área dos Estados Unidos.
¶83Então você tem que subordinar todos os governos, toda a política da da América. Não é só América Latina, não, tá? Tem que lembrar, tem Canadá, tem não sei quê, mas enfim, o continente quase todo América Latina. de acordo com esses ditames, você quer dizer, eh eh a produção industrial, as economias têm que ser economias suplementares da dos Estados Unidos, né? Minerais críticos eh eh você não pode ter China aqui, você tem que, né?
¶84Ao mesmo tempo você não pode entrar lá. Então não é questão de anexação. Quando você vê o que eles fizeram na Venezuela, foi exatamente isso. Você não precisa ser, não tem que ser democracia. A democracia até um desagradável.
¶85Tem que ser uns governos meio ditaduras, patriotas, reacionárias submetidas a ao a ao partido republicano identificado com esse movimento maga, com esse pessoal lá, né? Esse é o projeto imperial desse desse pessoal. E o Rúbio encaixa maravilhosamente bem, porque ele dá a impressão de que e ele ele ele meio que encarna essa esse pano-americanismo de extrema direita, entendeu? Quando ele chega em Cuba, ele é recebido em Cuba como se assim ele ao mesmo tempo é americano, mas ele não é americano, ele é cubano, ele tá libertando, na verdade Cuba de volta a esse Grêmio, esse grande grêmio americano, entendeu? Em que todos, todos se tornam, eh, tradicionais, famílias, todo mundo vai fazer parte de um mesmo conjunto e homogeneamente cultural, cultural do ponto de vista homogêneo, entendeu?
¶86Ele encarna isso muito melhor do que o próprio do que o próprio Trump. É claro que o >> Sim, sem dúvida. E e deixa, eu ia complementar, mas eu achei que você tinha terminado. Desculpa. Não, >> não é assim, ele encarna isso muito melhor, porque o Trump ele é um para raio de um empresário popular, de midiático, etc e tal, que aparece até em filme, em filme de Hollywood que fez não sei que e tal.
¶87E ele reú muita gente. Eu não sei se o Rúbio reúne tanta gente, mas ele eh sucedendo o Trump na Casa Branca, eles ganhando tem, eu eu falando, eu consegui ver. Eu consegui ver o negócio daqui daqui a 10 anos, entendeu? Daqui a 5 anos. Se isso aconteceu, o que que eu consegui ver o que que eles estão imaginando pro contente, entendeu?
¶88Eu fiquei maravilhoso de ficar. Eu acho também, Cristian, que você que essa essa tua explicação eu achei eu achei muito interessante, porque se eu entendi bem, e aí você me corrija se eu tiver colocando palavras erradas na sua boca, tem uma coisa que é o o Donald Trump, ele é aquele novor, aquele eh bilionário novai-orquino eh puramente americano, né? tem uma linguagem de, né, muito de o taun norte-americano, o Marco Rio que é fils, né? É isso. >> Marco R.
¶89Isso. O Marco Rúbio não. O Marco Rúbio, ele é uma imagem inclusive aspiracional para muitas elites da América do Sul, daquela coisa de nos Estados Unidos é que a coisa funciona, lá nos Estados Unidos é que dá certo, o Brasil tem que virar um Estados Unidos. E mas ele faz isso, claro, sob o ponto de vista da política americana, dos interesses americanos, mas com muito mais simpatia, com muito mais, eu sou um de vocês trazendo vocês para dentro do clube, que é na verdade um orientado pelos interesses norte-americanos. E o Flávio Bolsonaro, a família Bolsonaro, mas o Flávio Bolsonaro em particular já deu todos os sinais de que topa.
¶90A onda azul como um todo topa para entrar no clube eh do reacionarismo trampista e e no escudo, né, que tem tem essa questão do escudo eh da defesa que então você se tornando um protetorado, você teria esse tipo de vantagem, por exemplo, militar. Só que em troca você tem que eh também ceder muita coisa pros Estados Unidos. E o Flávio Bolsonaro quando escreve carta dizendo que está disposto inclusive a fazer um um governo de transição com membros do governo americano, eh, interlocução direta e tudo mais, está sinalizando que olha, eu ganhando tô dentro do clube, estamos junto. Eh, agora eleitoralmente explicar tudo isso só falando de soberania é muito difícil, eu acho, né? Então, é um cenário bastante complexo, a meu ver, para ser traduzido em pouco.
¶91A palavra soberania me parece muito distante da rotina das pessoas. Eh, este que é o meu ponto, o a campanha do presidente Lula tá passando por uma chacoalhada que tá bem menos ruidosa do que a chacoalhada da campanha de Flávio Bolsonaro, mas que é tão relevante quanto. Hoje os jornais deram, se não me engano, foi o o Globo que deu primeiro. O Sidônio Palmeira está afastado da campanha oficialmente. Ele não está mais no núcleo da campanha.
¶92O marqueteiro que assumiu é sócio do Sidônio, então de alguma forma ele segue presente, né, indiretamente presente. Mas essa saída do Sidônio é uma derrota pra visão de campanha que ele tinha, que era uma visão que tá vinha incomodando o presidente Lula num tom um pouco mais festivo e que se contrapõe à visão da turma do Ricardo Stookert e do da Nicole, eu esqueci o sobrenome dela, já checo aqui, que vem a ser mulher do Marcola, o ex-assessor de Lula, que tá agora agora afastado de tudo. Então, venceu um uma turma de comunicação. A comunicação do PT e do Lula sempre esteve em disputa. Então, se a gente lembrar quando o Sidôio chega, ele já chega num momento de muita disputa do Paulo Pimenta com outros grupos, tinha briga para ver quem ia mandar no Instagram, tinha turma que era da Janja, a turma que era de Então, sempre foi assim.
¶93E o Sidôio havia acalmado isso e dado um norte para campanha de governo e a meu ver com bastante eficiência até eh pelo menos em vários momentos conseguiu estancar crises, redirecionar o papo e tal. Agora não voltou a ter essa cisão e o Sidôneo sai porque o Lula tava incomodado com um tom festivo que Sidôio queria impor a campanha. Eu ainda não sei o o plano de governo fala base eh o norte do plano é continuidade e soberania. São esses dois nordes. Não me parecem e eu quero insistir nisso porque é a grande novidade da, né, do lado presidencial é é o programa, né, >> apareceu ali a segurança pública também, Flávia, apareceu outra que eu achei também >> eram três coisas, né?
¶94soberania, desigualdade. Aí apareceu a segurança pública. >> Isso. >> Mas a segurança pública, o tudo que ele que o programa fala de segurança pública é condicionado à PEC, basicamente a PEC da segurança pública. Não traz nada muito, não tem novidade.
¶95>> Uhum. Nenhum nenhum dos temas apresenta grandes novidades. Eh, e isso é uma tônica, né, que já vem que a gente já vem sentindo. E aí, se você pega um tema que é o da continuidade, quando todas as pesquisas dão a entender que há um cansaço, há um desgaste, a aprovação do governo não decola, a avaliação do governo não decola, embora como a pesquisa meio ideia da semana passada tenha mostrado, melhorou, vem melhorando. sutilmente, paulatinamente, mas não ainda não tem margem, não tá confortável a margem do Lula.
¶96Você pega um tema que é complexo, como é a soberania, e o outro tema que dá um ar de cansaço, que é o da continuidade, me parece que eh o plano, a meu ver, pode talvez esteja patinando. Eu não sei o quanto a comunicação vai seguir o mesmo ritmo. >> Acho, mas você acha mesmo? Eu acho, eu acho que você vender o negócio como, eh, estão tentando colonizar o Brasil é uma coisa que todo mundo entende. A coisa do tarifá é uma coisa que todo mundo entendeu.
¶97Você não precisa vender que a soberania porque a paz de vestalha criou os estados da nação no século X7, porque o tratado não sei que você não precisa dizer isso, as pessoas entendem. Não saiu, não sai uma pesquisa agora também do, eu, eu que eu acho que quando você coloca nesses termos é uma coisa de fácil compreensão e e aqui entre nós é até um bom entre outros motivos, né? É até um negócio bom para abafar os problemas internos, abafar talvez inclusive essa falta da de muitas novidades, né? Pronto para mais, eventualmente do mesmo, né? E essas confusões que estão aparecendo na na mídia de Lulinha, de não sei que, não sei que lá, entende?
¶98Porque isso é tipo um tema maior, né? Eu tava vendo esse negócio da Ucrânia que a Ucrânia bombardeou agora, matou a 16 Russia, assim, eu fiquei pensando, cara, lembra da guerra Irã Irak quando a gente era garoto, quando acabava nunca? Que coisa maravilhosa, uma guerra que não termina nunca para você ter um para abafar os problemas internos, entendeu? Eu acho que isso isso pode ser usado também. >> Eh, isso não é inventado, o problema existe, que isso é inventado também para para colocar uma questão de de segurança nacional, só que pra esquerda, não é não é não é pra direita, que se a o o PT perder a eleição, quer dizer, pelo menos pro pro Bolsonaro, eh a independência nacional tá tá tá em risco.
¶99Eu acho que isso é acho que isso é compreens, eu acho isso compreensível. É muito >> sim. Eu concordo que o problema existe e ele é sério. Eu só a minha questão é é a eficácia eleitoral dele. É só isso.
¶100>> Pois é. Os Estados Unidos não estão ficando mais impopulares. >> Flávio, de acordo com as pesquisas de um ano para cá, >> a impopularidade do do Trump, do Trump, a imagem dos Estados Unidos tá ficando mais impopular. A imagem do Trump vai ficando impopular. Hoje eu vi que se, como é que foi o negó agora foi o negócio do ME, 34% dos brasileiros diz que se o Milei apoiar Flávio Bolsonaro e isso isso influencia na decisão do voto.
¶101Eu eu não acho que é irrelevante, não. >> É, deixa eu deixa eu, deixa eu >> eu não sei quanto relevante, quão relevante é, entendeu? Eh, eu eu queria primeiro responder um comentário que foi feito lá no início, eh, porque esse debate me interessa e e deveria interessar todo mundo. O Henrique DF19 entrou aqui e disse o seguinte: "Ou a meia Ideia vai se consolidar como a melhor pesquisa do país ou vai passar vergonha, desconexa das demais". Eh, ô Henrique, eu puxei aqui a as as duas pesquisas que já saíram esse mês além da nossa, eh, que são a quest e anexos, tá bom?
¶102Eh, primeiro turno estimulado, a anexos dá uma diferença eh entre Lula e Flávio Bolsonaro de quatro pontos. A Meia Ideia dá uma diferença de oito pontos, a quest dá uma diferença de nove pontos. Eh, segundo turno estimulado anexos dá uma diferença deve pon, desculpa, de um ponto entre Lula e Flávio Bolsonaro. A meia ideia dá uma diferença de 5.5 pontos entre Lula e Flávio Bolsonaro. A quest dá uma diferença de cinco pontos entre Lula e Flávio Bolsonaro.
¶103Eh, >> você pegou o anexos de hoje? Não, não. Tô usando as duas que são comparáveis, que é anexos da primeira semana de agosto. Isso, exatamente. >> Eh, na verdade, anexos de hoje se aproximou da da meia ideia e da questa, né?
¶104Eh, >> exatamente. >> Então, o o ponto que eu tô fazendo é, eu tenho prestado muita atenção nisso. Quest data folha, meio ideia tem vindo todas muito parecidas mês a mês. E, e eu faço isso essa comparação, eh, principalmente pelas diferenças, né, a distância que você vê um, um, um candidato do outro, que é uma coisa, é, é mais importante, na verdade, do que do que a pontuação específica de cada um. Eh, por que que eu por que que eu vejo isso?
¶105Você vê, eh, só para vocês não dizerem, tá? A a a Meia Ideia Quest de agosto agora, eh, 53 a 47 em votos válidos, meia ideia. 53 a 47 votos válidos. Quer dizer, exatamente a mesma coisa quest e meia ideia. Eh, é importante você comparar pesquisas.
¶106Eu sei que a gente tem a nossa pesquisa com uma turma com a na qual confiamos imensamente, mas pesquisas são particularmente úteis para quem tá tentando entender eleição quando você tem muita pesquisa e pode comparar uma com a outra, porque ali com pesquisas com metodologias diferentes que você começa a entender, pô, se tantas estão vendo mais ou menos o mesmo retrato de país, deve ser isso que a sociedade tá dizendo. E eu sou o tipo de jornalista de política que acha mais importante o que que a sociedade tá enxergando do que o que os políticos estão achando. Porque numa democracia costuma ter importância, sabe, a opinião da sociedade. E político, um bicho, principalmente os bons políticos, eles são particularmente bons de faro. Eles vão na direção de onde a sociedade tá, porque eles precisam de voto.
¶107Eh, de quatro em 4 anos, eles precisam de voto. A não ser que você seja senador e aí você só precisa de oito em oito. Eh, eu queria só responder a isso, porque acrescentar uma coisa? Pode. Claro.
¶108>> Quem quiser saber mais, a nossa queridíssima Sila Schuman, que é a CEO do Ideia, que são os nossos parceiros na pesquisa, estará no centro do Roda Viva hoje à noite. >> É isso. >> Então, eh lá vai dar, claro, ela é uma eh excelente analista política, vai falar sobre cenário e tudo, mas provavelmente vai ser bastante questionada sobre pesquisas em si. Então, no caso particular do do Instituto Ideia, dá para conhecer ainda melhor esse trabalho assistindo a Roda Viva de hoje. Então, por favor, eh, aí deixa eu voltar aqui.
¶109essa conversa que vocês estavam tendo, eu a única coisa que eu pensava era no raio do Mimar, eh, porque num determinado momento, 4 anos atrás, a esquerda latina-americana se encantou com Mia Schimer. Absolutamente do tipo, ah, para você entender o que está acontecendo entre Rússia e Ucrânia, você precisa ler Mirar Schimer. Esses liberais com essa ideia de globalização, o que as sociedades na o que os países são, na verdade são esses impérios com vocação de ter o controle sobre a vizinhança. E você tem que entender que isso é ordem natural das coisas. >> Ah, tá.
¶110Eu mim tava aqui perguntando. Já entendi o argumento. >> Não, o M Shimer. O Mir Shimer. >> Você não sabe que é o Mor Shimer?
¶111>> Não, não. Mas eu já peguei o argumento. O argumento é assim: "Ah, deixa a Rússia porque a Rússia aquilo ali é a área da União Soviética". John Meheimer é professor de ciência política da Universidade de Chicago e ele é o maior expoente americano da escola que o pessoal de políticas internacionais chama de realismo. E e realismo para eles é a compreensão de que eh o mundo é dividido entre nações poderosas e nações não poderosas.
¶112e as nações poderosas, por natureza própria, vão estender seu poder sobre áreas de influência, que são as vizinhanças. Eh, a esquerda latino-americana não foi só brasileira, não se encantou com John Mimer 4, 5 anos atrás, quando, aliás, exatos 4 anos atrás, porque foi em 2022, eh, teve esse encantamento profundo. É, é, era um tal de defender o Putin, entendeu? Porque a OTAN era uma ameaça eh globalista. A OTAN era uma ameaça neoliberal, a a paz e soberania da pobre Rússia.
¶113Então era natural que a Rússia quisesse invadir a soberania da Ucrânia, entendeu? Eh, dane-se, porque a Ucrânia não tem direito de escolher em que clube, a que clube ela pertence. Eh, eh, a Rússia sim que tem direito a garantir a sua defesa. E só o que eu vejo é realismo dos outros é refresco. >> É, pois é.
¶114Aí vem um presidente americano, entendeu? Porque John Mir Schimer. E a coisa que eu ficava falando é vocês enlouqueceram. Vocês não estão entendendo que John Meer Schimer é o é o filho do do Kissinger, entendeu? Mas que diabo passa os anos 70 e 80 falando mal do Kissenter?
¶115Aí se encanta com o filho dele. Tipo, vocês estão entendendo o que vocês estão falando? Querem ter, pelo amor de Deus um mínimo de de compostura? >> Aí vem um presidente americano que lê Mir Schimer e o que o presidente americano, na verdade é mais o secretário de estado dele do que o presidente americano, né? Eu ia falar, eu acho que o Trump não lê não.
¶116Tudo bem. Mas aí vem a esse governo americano e, opa, precisamos cuidar da nossa vizinhança. Doutrina Donro, entendeu? Don Mon Monro, né, irmãozinhos? E olha pra América Latina e vamos lá.
¶117É onde que tem a United Fruit Company e do século XX pra gente controlar América Latina, porque a América Latina, o hemisfério ocidental é o nosso quintal, tudo mais. Então toma na cabeça, entendeu? Vai querer explicar o mundo. >> Mas mas é o candidato da direita que tá oferecendo a porta de entrada, não é o da esquerda, né, Pedro? É, eu sei disso.
¶118Eu sei perfeitamente disso. Até porque um candidato de de esquerda com potencial fascista, eh eh com potencial ditatorial não chegaria o governo americano. Eh eh então é isso mesmo. >> Nem ao brasileiro, >> hã >> ao brasileiro, ao governo brasileiro, no caso, >> não. Ao governo brasileiro também.
¶119E eu ia dizer que isso seria o Aldo Rabelo, mas não mais porque agora ele tá na extrema direita. Mas enfim, eh, o >> tá na campanha do tá na campanha do Caiado. >> É, segue estando na extrema direita. O o o cara é dugnista. >> O cara é dugnista, entendeu?
¶120É, é, eu vou fazer o quê? É o que é o o ponto aqui e eh o o ponto que eu tô fazendo aqui é o seguinte. Não existe uma leitura de mundo que esteja correta. Existem leituras de mundo que você pode usar como ferramentas de interpretação. E, evidentemente, as leituras ideológicas que cada leitura que você escola, escolhe, cada escola que você escolhe, eh, tá indicando a a as características que você vai realçar e as características que você vai esconder.
¶121Todas as leituras são possíveis. Agora você tem que, pelo amor de Deus, entender que você tem que assumir uma leitura de mundo que beneficia a o seu país. Você abraçar e justificar ações internacionais de outras nações com base numa doutrina que vai ser sempre prejudical, prejudicial ao seu país, é burrice. Se você, se, quando a esquerda começa a considerar que a leitura realista do mundo é a maneira correta de entender a maneira como as relações se entendem, entendeu? Por quê?
¶122Porque tem nojinho de liberal globalista, o que que acontece? O que acontece é o seguinte, você vai justificar que o Putin tem razão. Aí você precisa lidar com o fato de que o Trump tenha razão pelos mesmos critérios. Posso, >> por favor, >> contar uma historinha que achei super interessante, que é exatamente sobre isso. >> Você pode discordar de mim, inclusive.
¶123Não, >> não tô discordando não. Eu eu acho interessante pensar o que que era o realismo brasileiro, porque a gente teve numa circunstância, sei lá, >> só um minutinho, só um minutinho, só um minutinho. Rafael Petinat, eu não chamei de Ronaldo Caiado de extrema direita. Eu não acho que o Ronaldo Caiado seja de extrema direita. Eu disse que o Rebelo é, porque o Rebelo é, entende?
¶124Agora tem 300.000 pessoas na campanha do Caiado. A maior parte é aquela direita tradicional brasileira, não tem nada de eh eh algumas inclusive no centro eh eh não tem absolutamente nada de extrema direita. Agora, um dos sujeitos que eles puxaram para dentro da campanha é porque a do Rabelo é perdão, Cristian. >> Não, não, não é assim, é porque o o nascimento da política internacional brasileira de forma sistemática parece muito com uma coisa que a gente tá vendo agora. Em 1850 a gente tinha, a gente tava quase na beira de uma guerra contra a Inglaterra, que eram os Estados Unidos da época, que era o império britânico, né?
¶125Eh, por conta do tráfico de escravizados. E a gente tava com à beira de uma guerra com a Argentina. Por isso que eu tô achando engraçado, porque a gente tá com uma situação semelhante. E foi ali que você desenvolveu uma espécie de uma doutrina de uma espécie de realismo brasileiro, né? E e o e aí eu quero pegar um umas expressões do embaixador Rubenson Cooper, que ele fala o seguinte: a política externa brasileira tem dois eixos, um simétrico e o outro assimétrico o eixo simétrico é são os países que você dá para enfrentar, é Uruguai, Peru, Venezuela, Argentina, entendeu?
¶126Então, o problema que a gente tava tendo naquele tempo é que tinha um ditador na Argentina e e a gente tinha que a gente tinha que resolver o problema com a Inglaterra para resolver o problema com a Argentina. Aí o problema com a Inglaterra a gente teve que ir lá se antecipar e estiguir o tráfico de escravizados. Por quê? Pra gente poder enfrentar o problema na Argentina sem que a Inglaterra ficasse do lado da Argentina. Como é que você faz isso?
¶127Eh, qual o Visconde do Uruguai dizer assim: "Eh, a gente não pode ficar em dois focos. Nem Hércules conseguiu ficar entre dois fogos, né? Buscando do Uruguai era o ministro das relações exteriores. O cara o cara que inventou não foi o Rio Branco que inventou a política est brasileira, foi foi o Visco do Uruguai. E o e se você perguntar pro barão do Rio Branco, tá escrito lá quem inventou foi Viscão do Uruguai.
¶128>> Isso é o quê? Gabinete Ouro Preto, >> não foi o grande gabinete Saquarema de de 1848 1850 1853, né? Da trindade Saquarema, Itaboraí, eh, Uruguai, eh, Eusbo de Queiroz, né? Ou seja, quando os conservadores estavam no comando. >> Sim, mas eram conservadores tipo Goberi, né?
¶129Era tipo era barra, era, era dá para valer. >> Isso é um consolo. >> É, não tô falando que eles eram estratégica, eram, tinha uma coisa de Kissinger, não era um Não era >> tinha, tinha uma inteligência inteligência, >> super inteligente. Ele que montar, eles puseram, terminaram de botar o estado brasileiro em pé naquela confusão, né? Então ele diz o seguinte: "A gente pode com os com os vizinhos, a gente consegue enfrentar, a gente pode até entrar em guerra se for necessário.
¶130O país é pobre, é melhor não entrar em guerra porque é melhor botar dinheiro para, né? Mas se tiver que entrar, entra". Agora, com as grandes potências, você tem que dar uma enrolada, você tem que usar o direito em primeiro lugar, porque as grandes potências não eh eh tem esse negócio, esse negócio de direito internacional tem tratado, mas essas grandes potências interpretam eh os tratados como lhes convém, dão interpretação que elhes convém e depois cobram impõe pela força. Só que o fraco precisa do do direito. É por isso lá que o Lula eh vai na OMC.
¶131O MC não vale mais uns R$ 10 de mel coado, mas ele vai porque você tem que contar com a ideia de uma justiça geral, entendeu? Então você tem que contar com o direito. Mas eu tô contando essa história especificamente pelo que você falou, porque a situação era muito parecida um pouco depois que aconteceu o seguinte, a política do Brasil era abrir o prata e fechar o Amazonas, os rios. Você tem que, vocês tem que, o pessoal que tá ouvindo aqui tem que lembrar que naquele tempo não tinha estrada. Para chegar no Mato Grosso, você tinha que subir o rio da Prata.
¶132Não tinha. Você demorava para chegar em Goiás 5 se meses. Então você tinha que para você conseguir proteger o Mato Grosso, você tinha que você tinha que subir subir o Rio, né? Então você tinha que ter, o Brasil defendia a liberdade de de navegação no Prata, né? E no rio, no rio Paraná.
¶133Mas a gente tinha medo que os americanos entrassem na Amazônia. Então a gente dizia que que não tinha liberdade de navegação do Amazonas, entendeu? E os Estados Unidos começaram a chegar a época daqueles do imperialismo que a gente tá vendo de novo com os bucaneiros, aquela invasão do Ncaragua com aquele Walker, não sei mais o quê. E o o o Uruguai já tava com olho desse tamanho. >> United Freed Company.
¶134>> E aí sabe o que que ele disse? Ele disse o seguinte, a gente tem que fazer, não dá pra gente ter uma política para cada rio. A gente tem que ter uma política só, entendeu? Então a gente vai ter que abrir o Amazonas porque não tem como, a gente é mais fraco, a gente não tem como fazer o que, não tem como fazer como o Trump faz, que é uma regra para cá, para cá, para cá, tudo é casístico e imposto pela, pelo entendeu? Então ele fala assim, com esses países ricos a a gente vai ter que abrir, só que a gente vai fazer o seguinte, a gente vai tomar a iniciativa de abrir.
¶135A gente não vai deixar as canhoneiras chegarem aqui como chegaram no Japão, tinham acabado de chegar lá. Eles abriram o Japão na base do canhão, né? A gente, a gente diz que a gente vai abrir, a gente ganha tempo, a gente abre do nosso jeito, do nosso ritmo. E ele, aí o que que ele fez? Ele chamou o Mauá e disse o seguinte: "Olha, a gente vai abrir uma estatal aqui de navegação.
¶136A gente vai dar para você, você vai navegar, a gente vai fundar um monte de vila na beira do do rio Amazonas". Entendeu? Para quê? Porque quando porque aí você já preparou, não tem outra maneira. O meu ponto é, não tem outra maneira.
¶137você tem que ter a a o mais fraco e que hoje em dia 98% dos países tem que adotar uma política comum que seja defensável dentro e fora do país para todo mundo, entendeu? O o que que o que que vamos para um outro exemplo que eu acho que aí par e é claro que dentro desse realismo também tinha o seguinte plano. Os americanos ficam lá com a América Central com o lago deles, mas a América do Sul é do Brasil sem coisas de expansionismo. >> Mas assim, a nossa área. Então então tem um realismo que é que assim a gente tentar manter a nossa influência hegemônica na América do Sul, eh aproveitando quando os Estados Unidos estão estão mais preocupados com com a Guerra Fria, estão mais preocupados com a guerra não sei aonde.
¶138E quando eles não estão fazer a aliança com Estados Unidos contra a Argentina, que foi o que o Bara do Rio Branco fez, entendeu? Tem tem um tem um momento eh eh tem tem um momento um pouco antes da Guerra da Primeira Guerra Mundial, no qual Rui Barbosa ganha o apelido de Águia de Aia, eh, que que eu entendo perfeitamente que olhando olhando de hoje, um século depois, eh, 110 anos depois, soa um pouco como é é uma coisa meio kit, meio cafona, né, tipo águia de aia, tal. Mas, mas o que que o Rui Barbosa fez ali é que foi da maior importância e e que realmente é definidor da maneira como a gente pensa a política internacional e eh tá por trás dos princípios que vão levar pra Fundação da ONU e tudo mais. O que ele defende ali é a soberania das nações. É, é uma coisa de tem um determinado momento quando eh os países começam a ficar muito próximos um do outro, que é quando tá começando a surgir na a aviação, eh eh quando navio eh se torna muito eficiente e faz o percurso transatlântico muito rápido, as nações estão se aproximando muito e a partir daí é óbvio que o comércio entre as nações vai ficar muito mais estreito, que as relações entre as nações vão ficar ficar muito mais estreitas.
¶139E tinha uma um debate ali, uma discussão ali que fundamentalmente era eh eh tudo bem eh como é que a gente pensa essa coisa do Estado nação internacionalmente e o que as nações ricas do mundo, Estados Unidos, Inglaterra, principalmente Inglaterra, eh eh pensavam na época era o seguinte, ó, eh a gente tem que ter uma hierarquia de nações e o que o Rui Barbosa foi lá defender, não dá para ter hierarquia de nações. Tem a nação pequena, tem a nação grande. Tem um país com muito habitante, tem um país com pouco habitante. Tem um país com muito território, tem um país com pouco território. Tem um país com muito recurso natural, tem um país com pouco recurso natural.
¶140Tem um país com muito dinheiro, tem país com pouco dinheiro. Mas entre as nações não é possível a gente ter uma conversa que não seja nos termos uma nação igual a outra nação. Elas têm o mesmo tamanho perante a comunidade de nações. E o Rui ganha. esse debate, ele ganha esse debate e isso estabelece no século XX no mundo.
¶141P Rui foi um cara >> no mundo, >> o Rui foi um cara extraordinário e as pessoas não têm muita noção disso porque ele é o cara que encampa esse debate, que vence esse debate. Ele traz a África, ele traz meia Europa, ele traz as Américas, ele traz um pedaço da Ásia e de repente os a turma que queria ser fazer uma relação entre nações, eh os poderosos aqui, os outros ali, perde a briga. E e isso é um dos marcos fundadores da diplomacia brasileira, >> direito internacional, >> não? Sim, do do direito internacional, mas da diplomacia brasileira, porque é quando o o mundo também começa a olhar pra diplomacia brasileira e fala: "Putz, esses caras aqui puxam debate". Não é à toa que é o que é que é o Osvaldo Aranha que vai abrir a ONU.
¶142Não é à toa. É, tem um lugar ali do Brasil que o Brasil conseguiu conquistar por causa do Rui, por causa de Joaquim Nabuco, por causa e de do Barão do Rio Branco, por causa de Osvaldo Aranhã. O o Brasil foi construindo um um lugar na diplomacia mundial, que é aquele país que não é fraquinho, pobrinho, coitadinho, ao mesmo tempo, não é grandão, fortão. E eh o o o tô disputando o comando do mundo. é aquele país ali que tá entre os países, digamos assim, intermediários e que meio que todo mundo é que nem seleção brasileira, é a seleção pela qual sua torce quando a sua nação saiu do jogo.
¶143>> Eh, o Brasil é meio que aquele país que é o é o país que fala pelo mundo que não é mundo poderoso e no qual todo mundo confia. A gente não pode perder esse lugar. >> Posso fazer o adendo? >> Claro. >> Que eu acho mais interessante que que você tá dizendo que é o seguinte.
¶144O Brasil percebeu cedo que é realista ser idealista. Em outras palavras, um país que é periférico, que não tem força para se impor as grandes potências, ele tem que falar a linguagem da liberdade e da igualdade no exterior. Entendeu? É isso que o Brasil percebeu. Porque, por exemplo, o o que o Barão do Rio Branco queria quando mandou o Rui para lá era para tentar achar o lugar de prestígio no Brasil, nos países que eram mais poderosos.
¶145Quando eles viram, quando o Rio Branco e quando o Rui falou pro Rio Branco que eles iam botar a gente na como país de terceira categoria, no tal do tribunal que estavam querendo montar, é, ele foi defendeu a igualdade de todos, porque é a igualdade, o idealismo, são os valores, digamos, liberais, democráticos, que nos protegem, que protegem os fracos, porque no mundo, porque o mundo que reconhece as simetrias é o mundo que só favorece as superpotências. Então a gente precisa ter esse esse discurso sempre, entendeu? Então não é assim, ah, porque o liberalismo é bobo, não é? É é o hiper realista quando você é fraco, você poder ter uma ordem multilateral, por exemplo. >> Olha aqui, o o Mateus Brasil se vira e fala, faz o seguinte comentário: "Legal, legal, mas na prática isso só funciona quando existem forças militares fortes e equivalentes que preferem manter algum nível de regra para não precisarem se preocupar com micro".
¶146Não, não, Mateus, a gente não vai ter um exército para enfrentar o exército americano, né? Não, não vai acontecer. Não vai acontecer. Você quer o quê? Ter um exército mais poderoso que o da Argentina para evitar a invasão Argentina.
¶147Isso que eu acho que a gente, se a gente não tem, a gente consegue ter. Mas a gente quer investir, jura num exército, eh. Olha a quantidade de coisa que tem que fazer no Brasil. A, a gente não tem guerra, entendeu? E o Peru não vai nos invadir e a gente não vai invadir o Peru, entendeu?
¶148A gente tá no lugar mais pacífico do mundo. A gente tá rigorosamente no lugar que menos precisa de exército no mundo. A gente não tem que ter exército, a gente tem que ganhar na diplomacia. a gente sempre vai perder no exército. E e esse eu acho que é o ponto fundamental, que é a coisa que o Rui entendia há um século atrás e que o Brasil sempre compreendeu muito e que é o meu ponto fundamental com quando alguém do Itamarati ou com alguém de que tem chance de chegar ao governo brasileiro, entendeu?
¶149Como consultor, como pensador eh eh de uma futura eh administração, começa a justificar o raciocínio realista do Mimer, entendeu? Que era do Kissinger, entendeu? É uma maneira de ver o mundo. É, você consegue entender o mundo através do realismo, consegue. Você consegue através do liberalismo, você consegue através, cara, você consegue fazer extrair uma compreensão de mundo usando muitas filosofias e ideologias diferentes.
¶150O ponto é, e eu insisto, o Brasil só tem um caminho. O caminho brasileiro é na política externa o liberalismo. E é o liberalismo por uma única razão. Você tá defendendo que todo mundo é igual, você tá defendendo que é eh o mais poderoso não manda em você. Cara, liberalismo é bom para fraco, tá?
¶151Não é para forte. Eh, eh, eh, e nesse caso, o lugar que bota o Brasil na melhor posição para nós que somos uma nação exportadora, a quem interessa ter mercados abertos eh eh pelo mundo, não é tarifação que nos interessa, não é defender que a Rússia tem o direito de invadir a Ucrânia, Dane Otan, isso é problema deles lá no norte, entendeu? É, isso não é problema nosso. A gente não vai ganhar nas armas. É, é uma loucura começar a a investir pesadamente em exército, em armamento, em temíciil.
¶152Para quê? Para que a Argentina, para que o Chile comecem a olhar pro Brasil como uma ameaça e comecem eles a querer defender. A gente a gente quer promover uma corrida armamentista nos no lugar mais pacífico do mundo. A gente precisa de polícia. A gente não precisa de exército, de polícia a gente precisa.
¶153Um último comentário que eu queria responder, porque essas coisas são importantes, entendeu? conceitos são importantes. Eh, é o o o D Greg eh Tendler Gonçalves, Dog Gregard Tendler Gonçalves. Eu consegui destacar que o seu sobrenome é Tendler Gonçalves. Eu não consegui entender exatamente.
¶154É, é Douglas Gregório o o nome. Enfim, Aldo Rebelo, extrema direita. K k. Por isso que a população não leva mais o jornalismo a sério. Cara, eu eu escrevi um livro sobre fascismo.
¶155Eh eh o o Christian é cientista político cuja especialidade em ideologias políticas. Eh, você não precisa >> hão, >> perdão, Flávio, >> acabou de ganhar um prêmio. Ele acabou de ganhar um prêmio, Cristian L. Pois é, vamos falar já do prêmio do Cristian. Eh, o o intelectual no qual Aldo Rebelo, é o que o Aldo diz, tá?
¶156Eh, desenha a maneira pela qual ele compreende o mundo. É um intelectual russo, um pensador russo, eh, chamado Alexander Dugin, que na Rússia fundou o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Russos, viu? É socialista. Tem gente que fala isso, né? Né?
¶157Hitler era de direita, era de esquerda, era tipo, o Dinalmente fundou um partido chamado Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Russ e eh vocês sabe que nacional socialista é nazista, né? >> Nim, né? Eh, enfim. E aí a gente volta só fazer uma só observação assim, uma coisa, gente, assim, quando você fala que tem uma teoria realista das relações tradicionais, assim, uma teoria uma coisa que explica as coisas como elas são. Ponto.
¶158Isso não significa que a tomada de a nossa tomada de posição tenha tem tenha que a teoria sozinha não indica que você tem que fazer. É isso que eu tô querendo dizer. essa coisa de que os estados são assim, que tem que tem eh eh assimetria, que tem os ricos que são são que tem os fortes que querem dominar os Isso é óbvio, mas isso é o mundo inteiro é assim. O que você não pode é depreender necessariamente uma uma uma eh ideologia disso. Por exemplo, o e uma teoria realista como essa serve pra gente adotar exatamente a posição do Rui Barbosa.
¶159É realista por um país fraco, num mundo visto assim ser idealista. Entendeu? tem uma retórica idealista. Eles chamam de escola realista, né? >> Isso.
¶160O problema é a confusão da teoria com a ideologia, entendeu? Que você usa, você transforma a teoria numa numa justificativa que, na verdade é uma decisão que você toma a partir de um determinado valor. É assim, o mundo é assim, aí você diz: "É, então é isso aí mesmo, não vão fazer nada porque é a lei do mais forte". E quando você diz isso, isso não tem nada a ver com a teoria. Essa é uma decisão que você está tomando de política pública baseada numa numa numa teoria de como as coisas são.
¶161Aí é claro, é o governo americano faz, é, os fortes mandam. O Trump vive dizendo isso, né? Mas mas se a gente entrar nisso sendo fraco, a gente tá ferrado. Esse que é o ponto. Isso teoria, ideologia.
¶162O >> o Vax Vida faz o seguinte comentário: Pedro, o país com bomba atômica não é tratado como quintal de escravistas colonizadores, como somos tratados. todos os países contra bomba atômica pros outros a sua bomba atômica para si, né? Tem a sua bomba atômica para si, né? Eh, Vox Vida, você não deve ter entender, você não deve acompanhar a política do Paquistão. O Paquistão tem uma bomba atômica há 300 anos e é tratado como quintal.
¶163Eh, os iranianos estão a um cisco de ter uma bomba atômica e são tratados como quintal. América, Coreia do Norte tem uma bomba atômica tratada como quintal, entendeu? E eh essa ilusão de Guerra Fria de que país que tem bomba atômica não é tratado como quintal, desculpa, é só uma ilusão. >> Posso colocar as pitadinhas aí nisso tudo? >> Pode, por favor.
¶164Não, a Flávia hoje tá atacada. Vamos lá. >> Não, foi sem querer as duas vezes. É porque eu tô com delay. >> Ah, não, tá bem.
¶165Não sabia. >> Foi sem querer. >> Não sabia. Aí tá um delayzinho. E aí eu eu entro achando que você que vocês deram dizendo.
¶166>> Pode falar, pode falar. >> Não, eu ia dar só uma pitadinha, eh, que é o seguinte, eu acho que eu, como eu falei, né, eu tô me debruçando sobre o o plano de governo do presidente Lula para fazer o cai entre nós de amanhã. Eu tô também lendo do Renan. É uma coisa que eu pretendo fazer eh com todos os programas. Inclusive o Caiado anunciou hoje um ped o Caiado, pelo que eu entendi, a assessoria não soube me garantir com certeza, mas eu tô entendendo que o Caiado decidiu eh apresentar o programa de governo dele por pedaços.
¶167Então, hoje apresentou só o pedaço da segurança pública. Aí eu acionei a assessoria para entender se vai ser assim com todo o resto ou se agora vem a íntegra. eles não souberam confirmar ainda, mas eh então eu tô olhando isso com bastante atenção. Eu acho que na questão da diplomacia eh e na questão como em tudo, na verdade, esse Lula três, a gente pode debater se já se sempre foi assim, mas eu acho que neste caso específico eh tá mais recente, mais fresco na nossa memória, né? O o Lula ele ele ele carrega muita ambiguidade em muitas coisas que ele faz.
¶168né? Eu vejo ele, neste caso, nessa questão da diplomacia, eh exatamente carregando essa ambiguidade de, eh, incorporar o que a diplomacia brasileira tem de mais tradicional e, a meu ver, louvável, que é tudo isso que vocês traçaram até aqui. Então, um discurso em sua, na maioria das vezes, mais pacifista, um discurso de não tomar lados e isso é da tradição diplomática brasileira. Eh, então veja, eu vou entrar nas exceções, tá? Só tô falando no plano geral, é que as exceções são bastante relevantes.
¶169Então, primeiro eu tô falando o plano geral. Eu acho que o Lula ele tem uma visão de do papel do Brasil no mundo, eh, que é a de ele ajudar a levar o Brasil, eh, pro mundo num lugar de de ser mais respeitável, de não ser justamente esse coitadinho. para muitos países, seja pelo carisma do próprio Lula, seja pela história dele, ele consegue. Então, essa piada que se formou em torno da relação dele com o Macron, né, do Brown, dos dois, eh, o que ele tinha com o Bush e com Obama, que também era uma relação eh aparentemente boa e de troca respeitosa e tudo mais. E essa questão dele com os bricks e com o sul global, que é algo que eu entendo que ele enxerga como um legado, uma missão dele, ele insiste muito nisso e atua muito em torno disso.
¶170Isso é uma coisa. a outra, a parte da ambiguidade, e eu não tô falando que é porque ele não acredite, que é que é involuntário, é porque eu acho que ele tem mesmo essa essa essa dupla interpretação que atrapalha inclusive a adesão de liberais à candidatura dele desde 2022, pelo menos acho e mesmo antes, né? eh, que é essa questão de enxergar no Vladimir Putin, por exemplo, alguém eh respeitável e um aliado. Isso passa pelo BRIC, mas passa pela história eh da esquerda, né, de você entender a mãe Rússia como tudo que vem da mãe Rússia como algo eh positivo, principalmente quando é na chave do anti-imperialismo americano. Isso é algo que assim não vai se arrancar dele, não.
¶171Não vai se tirar dele nem do entorno dele. E eu estive na Ucrânia, eu vi o tanto que isso machucou as relações, por exemplo, eh, do Lula com a própria Ucrânia e com parte da União Europeia, que se ressentiu dele não ter feito uma defesa mais imediata e mais clara da Ucrânia. Ele diplomaticamente, muitas vezes depois, ele tentou dar um passinho atrás, mas no geral a a relação ficou estremecida porque faltou sim o apoio. Recentemente num discurso, não me lembro para qual público, mas agora já na pré-campanha, ele falou disso, foi, se eu não me engano, com a bancada do PSOL na semana passada. Ele falou de Ucrânia, falou de ter que eh defender os ucranianos, mas também ele voltou a repisar Mirimer Purinho.
¶172Não acho que ele leia Mirimer também, mas a gente sabe que o Celso Amorim lê e gosta. Então é parte sim da interpretação do governo Lula passar por isso. Eu só tô querendo eh pontuar que eu acho que as coisas não necessariamente caminham separados. Eu não acho que o Lula só se seja Mirshimer puro e não acho que ele seja Rui Barbosa puro. Eu acho que ele mistura as coisas e isso fecha algumas portas e abre outras.
¶173E e isso é um problema para quem tem critica um uma um desses pedaços. Tem parte da esquerda que acha que o Lula errou ao romper com Caracas, ao deixar o Maduro sozinho. É uma parte mais radical da esquerda. e enfim, porque ele abriu mão um pouco da sua zona de influência, que quem acabou negociando a captura eh do Maduro foi o irmãos irmãos Batista e não o Lula. >> Mas isso também é um caminho de duas vias, né, Pedro?
¶174Eh, isso também é parte de o de a pessoa que tá lá é o Donald Trump, não é uma pessoa que você vai tentar racionalizar muita coisa, né? >> Vamos lá. Eh, qual o ponto que eu tô que eu tô tentando fazer aqui? Eh, primeiro, eu sinceramente acho que é um problema a gente ter presidente, tá? Eh, eu sei que vai ter gente que vai achar que eu tô sendo eh eh preconceito em relação à à idade.
¶175Eh, gente, infelizmente não dá para você tá em 2026 com cabeça de Guerra Fria do século XX. Eh, você simplesmente tá vivendo num mundo que não é o mundo de hoje. Eh, é como você tá em 1950 com cabeça de guerra franco-prciana e entende? Eh, mudaram algumas coisas desde então. Estamos vivendo em uma outra ordem mundial com uma outra lógica.
¶176Deixa eu pegar aqui, Flávia, que eu acho que tem a ver um pouco com eh porque eu acho que reflete um pouco esse esse esse tem um comentário aqui que eu acho que reflete um pouco isso que você tá descrevendo como essa cabeça dentro do governo Lula eh do Gustavo Toniato. Pedro, eu acho que a questão é que a gente precisa se preparar para quem não é liberal nas relações internacionais. Não é para ganhar dos Estados Unidos militarmente, é só para, se eles quiserem algo aqui, eh, machucar. Eu, enfim, eu acho que o ponto dele é, tá tudo bem. E no mundo que não é no liberal, eh, de novo, quem defende o liberalismo é o fraco.
¶177Quem defende o liberalismo é aquele que tem receio de ser oprimido, entendeu? Se você tá numa posição forte e você defende eh eh uma postura liberal perante o mundo, meus parabéns, você é uma pessoa boa e generosa, mas quem precisa de liberalismo é quem vive o risco de opressão. E quando existe um vizinho de 2 toneladas, que é um gorila de 2 toneladas, como os Estados Unidos, você vive o risco de opressão. Eh, o o o qual é o meu ponto aqui? A Rússia invadiu a Ucrânia.
¶178Exatamente isso que você descreveu, Flávia. A Rússia invadiu a Ucrânia, a União Europeia olhou para aquilo. Se eles se derem bem, nós somos os próximos. A Rússia é uma ameaça porque pode cortar e eh gás natural e petróleo. A Rússia é uma ameaça porque pode e eh e eh porque pode invadir um país da União Europeia, pode invadir depois da Ucrânia, o quê?
¶179A Polônia. Pode. Se invade a Polônia. A gente precisa vir e via a União Europeia partir em defesa. Opa, estamos a União Europeia se apavorou porque aquilo é um literalmente um risco de início de uma terceira guerra mundial.
¶180Eh, e e quando você tem um inconsequente como Putin no comando de um país com a a incapacidade de ser uma potência econômica, mas ainda uma baita de uma potência militar, mesmo sucateado com uma quantidade imensa de armas nucleares, a gente tá falando de um risco grande. O que que naquele momento a União Europeia precisava? O que a União Europeia precisava de um país como o Brasil, que se pretende uma voz daqueles que não são poderosos, que sempre teve como característica da sua diplomacia se a voz sensata e responsável daqueles que não são poderosos. O que o que a União Europeia precisava do Brasil ali era: "Precisamos seguir as regras internacionais. Não se faz guerra de anexação de território.
¶181Ponto. A soberania de um país é sempre defendida, sempre defendida, sempre defendida. é a sua coerência em em deixar essa mensagem clara o tempo todo, que por um lado permite como que nações muito mais fracas e tem umas 150 nações, tem 170, 180 nações mais fracas que o Brasil no mundo, eh, venham para trás do Brasil porque isso interessa a quem é fraco. Aí você se une à com a União Europeia, aí no dia seguinte vem o o seu vizinho de 2 toneladas e você tem o discurso pronto e você tem os aliados alinhados. Agora, quando o Brasil olha pro quintal do outro, quando não é consigo, porque guerra na Polônia, guerra na Ucrânia vai nos atingir só ali na frente, quando a guerra de fato acontecer.
¶182A gente não precisa conviver com o meio. O Putin não é nosso vizinho territorial. Então isso não nos afeta, isso não nos ameaça. Aí, cara, aí você vacila, aí você se vira e fala: "Veja bem, o o Putin até que tem alguma razão". Não.
¶183Então, de novo, eu insisto, a única maneira de o Brasil se defender de iliberais como Putin, como Trump, a única maneira de o Brasil se defender é ser é é ser coerente. É dizer guerra de tomada de território, não, de conquista de território, não. A soberania das nações sempre. Porque se você é coerente sempre com esse discurso, todo mundo tá ao seu lado. O mundo tá ao seu lado.
¶184Sim. Um Estados Unidos da vida de vez em quando vai agir é é de uma forma absolutamente maluca. Acontece. você tem 180 países que estão do seu lado. Agora, isso depende fundamentalmente de uma coerência constante com o mesmo discurso.
¶185E aí tem um aspecto que eu acho muito perigoso que este governo Lula derrapou, que é o vacilo nisso que foi uma sempre uma tradição brasileira, entende? Porque olha, tudo bem, de fato, o o as relações exteriores de Jair Bolsonaro e eh bagunçaram por completo a tradiç a tradu a tradição do Itamarati. É isso que a gente espera de um populista reacionário como o Bolsonaro e eh que é um cara que pensa por ideologia de uma forma absolutamente abestalhada. Agora, não é disso que a gente esperaria de um diplomata experiente como Celso Amorinho e não é isso que a gente esperaria de um presidente experiente como Lula. No entanto, é isso que a gente recebeu, entendeu?
¶186essa essa defesa, porque é uma defesa disfarçada do Putin, é o que como o mundo inteiro entendeu e foi um erro diplomático crasso. E parte do preço que a gente tá pagando agora por esse erro diplomático crasso é o fato de que tá acontecendo com a gente. E tá acontecendo com a gente porque o Putin e o Trump são iguais. Eles pensam o mundo da mesma maneira. Eles pensam o mundo com cabeça de primeira metade do século XIX.
¶187Pelo amor de Deus, a gente tá em 2026. Não dá pra gente eh abrir o flanco para dizer que existem alguns que podem pensar desse jeito. Entende? Eu só queria fazer um último comentário antes de passar pro Cristian. A gente já tá terminando, mas eu preciso responder este comentário eh do Dian Pemelo.
¶188Pedro, te conheci através do livro 1789, vendo sua foto lá e você aqui hoje parece que fez harmonização. Só uma brincadeira. É. E você acha que a harmonização ficou bem feita? Acho que a harmonização é essa luz aqui, né?
¶189Que que esconde aí os traços. É uma luz harmonizadora aqui do L forte. Ai, >> seu Cristian, >> eu tô muito antilulista hoje, eu sei. >> Ah, o ponto que eu acho que o Gustavo tava falando, só eu acho que era assim que a gente tem que aumentar os cursos, porque bomba atômica a gente não tem mais como fazer. Quando a gente podia fazer não precisava, agora que precisa não dá mais para fazer.
¶190Pode esquecer a tal da bomba atômica, entendeu? Mas certamente todos os países tem que estar minimamente equipados para elevar assim o custo, né, de ameaças. >> Eu não acho que os Estados Unidos vão invadir o Brasil, >> não. Mas tem que ter, né? O país do tamanho do Brasil também não.
¶191A gente tem um exército que 300000 300.000 militares. Bom, enfim, não tem como discutir isso não. Vocês não iam fal, vocês não iam jogar confete em mim porque eu ganhei o prêmio da da BCP. Tô assim. >> Ah, é, é verdade.
¶192Fala, conta aí do teu prêmio antes de eu falar do meio da, eu ia, eu ia jogar o Confet fazendo propaganda, porque na verdade o o livro que ganhou o prêmio Víor Nunes, Leo de melhor obra da, da Associação Brasileira de Ciência Política no último biênio foi exatamente fundações do pensamento político brasileiro, que você que tá aí nos ouvindo, que eventualmente não consegue enfrentar 700 páginas, pode fazer o nosso, né, assistir o nosso nosso streaming aqui, o curso, porque existe um curso que se chama, >> acho que é Não sei se o nome foi esse, era da formação do Brasil, o curso do livro vencedor. Ai meu Deus do cé que vchame fazer propaganda. É, tá aqui no meio. >> Não é nada ver chame, não é nada ver chame. Bem direitinho.
¶193>> Deixa, deixa eu entender. Um prêmio bianual da Associação dos Cientistas Políticos Brasileiros quer dizer que os cientistas políticos do Brasil escolhem a cada dois anos o melhor livro daqueles do anos. E foi o seu, Cristian? Pois é, aconteceu, virou manchete. O mais, o mais contente é que o primeiro prêmio eu vi que quem ganhou foi o Vanderlei, Guilherme dos Santos, que foi, né, o pai, o pai, o pai de todos, >> o Papa.
¶194>> É bom lembrar também que Otávio Amorim também ganhou, que Leonardo Vritzer também ganhou, entendeu? Isso aqui, então isso aqui eu fiquei contente porque virou assim uma resposta a todo mundo que diz assim: "Ah, esse cara não é cedita política, esse cara é historiador, esse cara é jurista, esse cara é". E ultimamente, sem nenhuma deshonra, jornalista, entendeu? Aham. Deus, como diria o Tuti, ô raça.
¶195Ô, meu querido, deixa eu fazer a propaganda completa. Então, olha aí que oportunidade que você, querido espectador, tem de, se você não é assinante do meio ainda, ser, né? Assine o meio. O Christian Lint, além de estar aqui eh as segundas-feiras, ele escreve também no meio político, que é exclusivo para assinantes premium. Eh, e enfim, você fica com acesso, por exemplo, à nossa edição de sábado, que o povo aí se empolgou falando de Rui Barbosa, Merchimer, etc.
¶196Mas não deu tempo da gente falar das chapas que estão formadas, né? Porque eu, por exemplo, adoraria ouvir o Christian Lint explicando Alfredo Gaspar pra gente, mas se você quer saber, no último sábado a gente explicou esta eleição que pela primeira vez desde a redemocratização tem eh só uma das chapas competitivas com coligação. O resto é tudo chapa puro sangue. A Júlia Kequia fez uma baita de uma reportagem contando por, como chegamos aqui e o que que isso quer dizer de 2026. Mas se você já é assinante premium, não se sinta excluído dessa propaganda, porque você pode fazer aquele upgrade gostosinho e virar premium mais cursos, que aí você além de acesso a tudo de especial que a gente produz no conteúdo premium, você fica com acesso integral aos cursos que a gente já fez, já produziu e aos que os aos vindouros, inclusive ao curso do nosso queridíssimo Cristian Lint, ao Clube Mailo, que que é o nosso clube de eleições, que nesta quinta-feira, inclusive o encontro às 19 horas é com euzinho aqui, né?
¶197Então, olha aí, é o pacote completo, assine ou upgrade, faça seu upgrade, viu? E é isso, Pedro Dória, recadinho dado. >> Nos vemos amanhã, Flávia Tavares. >> Nos vemos amanhã, meu caro. Estarei por aqui.
¶198>> Então, maravilha, pessoal. Ó, Central Meio de hoje. >> Até lá. >> Até lá. Ah, tem >> central meio de hoje termina aqui, mas amanhã tem mais.
¶199Pessoal, >> elas estão se aproximando as eleições e aqui no meio você acompanha com dados de verdade sem depender de conteúdos pouco confiáveis das redes sociais. Você sabe, né? A pesquisa meio ideia é uma das nossas bússulas. A nossa pesquisa independente registrada no TSE, feita todo mês em parceria com o Instituto Ideia. A edição de agosto traz o retrato mais atual da corrida.
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