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AS NOVAS AMEAÇAS DOS EUA CONTRA O GOVERNO DO BRASIL

¶1Em julho de 2026, a Casa Branca resolveu ignorar as negociações com o Brasil e taxar novamente quase tudo que o nosso país tenta vender pros Estados Unidos. Quando você vai fazer negócio com o país rico ou aqueles países habituado a serem colonizadores, é uma espécie de de autoritarismo nas negociações, não levando em conta a especificidade de cada nação, sempre querendo que prevaleça a lei do mais forte. Ato contínuo, começa um esforço coordenado de propaganda. Primeiro, a Casa Branca publica um vídeo com linguagem e estética de documentário, mostrando como os Estados Unidos e suas valorosas forças armadas ao longo dos séculos protegeram a nossa região dos comunistas, dos narcoterroristas e de outras ameaças. O apanhado histórico da peça de propaganda termina com o que poderia ser interpretado como uma ameaça.

¶2Dizem eles que o domínio dos Estados Unidos por aqui jamais será questionado novamente. Esse vídeo foi publicado pelo Departamento de Estado, aquele do Marco Rúbio. Então é propaganda oficial e junto com ele, quase que simultaneamente surgiu uma outra montagem, uma outra peça de propaganda, essa aqui que mostra o presidente do Brasil sendo basicamente sequestrado. Essa não foi postada pela Casa Branca, mas também não é coisa de um Zé ninguém. Saiu de um deputado da base aliada do governo Trump.

¶3Não é uma publicação, uma posição oficial do governo Trump, óbvio, não tem que ser tratada dessa forma, mas tampouco é uma manifestação irrelevante. A montagem é cortesia do Carlos Gimenez, um deputado do partido republicano muito próximo ao chefe do Departamento de Estado, Marco Rúbio, e também muito íntimo de certas organizações que o Departamento de Estado dos Estados Unidos acaba usando para fazer valer os seus interesses na América Latina. Eh, ele tá na Câmara desde 2021 e ele representando esses distritos que são uma espécie de reduto da comunidade conservadora cubano-americana, ele fala em nome dos interesses eh desse pessoal. Ele é membro de vários grupos de representação de interesses nesse sentido, né? A gente tá falando aqui da imagem de Maduro, ele é membro do chamado Venezuela Democracy Cous, né?

¶4Então, aquele grupo que se interessa pelas questões democráticas da Venezuela e já participou de várias iniciativas relacionadas ao que ele entende como ameaças democráticas na região. >> Seria ingênuo descartar a hipótese de que as duas publicações tenham sido coordenadas. A Casa Branca falando em Doutrina Monroe e ao mesmo tempo o deputado falando em sequestrar o presidente do Brasil. É só uma hipótese, né? Mas mesmo que ela pudesse ser descartada e não pode, essa imagem ela precisa ser vista como um alerta pelo Brasil, porque é isso aqui que tá na imaginação da base aliada do Donald Trump, >> deputado, ele fala assim: "O que o espera aqui?" Ele fala: "O que o espera?

¶5que vai acontecer, ó. Você vai est assim. A imagem de Lula sendo levado com uma garrafa de 51 é claramente uma ameaça. E ela é feita por gente que tem poder e disposição para usar esse poder. Não é uma ameaça que vem de um lugar inofensivo.

¶6>> É isso. É uma verdadeira declaração de guerra. É isso, né? >> E se é assim, o que é que o Brasil tem a dizer? Conversei com o assessor especial de assuntos internacionais da presidência e braço direito do presidente Lula nos assuntos internacionais.

¶7Tô falando do embaixador Celso Amorim. Eu procurei o embaixador e perguntei: "Vocês veem, qual leitura vocês fazem disso?" Como uma ameaça, uma chacota. E aí ele me respondeu o seguinte: "Entre a ameaça e a loucura, mas de qualquer forma inteiramente descabido." As peças de propaganda da Casa Branca e do deputado republicano estão contidas dentro de um contexto muito mais amplo. Nos Estados Unidos, a postagem de Lula com a cachaça precisaria dividir as atenções do público com uma reportagem do Wall Street Journal. Uma reportagem fazendo um balanço dos 2000 ataques realizados pelo Irã, que tornaram mais de 20 instalações militares dos Estados Unidos inabitáveis em oito países diferentes.

¶8Prejuízo estimado de 13 bilhões. As consequências da guerra no Irã são dramáticas e estão chegando cada vez mais perto. A imprensa americana revelou que Donald Trump fez um voo secreto para escapar de uma ameaça de ataque do Irã contra o avião presidencial dos Estados Unidos. Durante a operação, Trump se escondeu num caminhão de comida. >> Isso aconteceu quando Trump tava saindo de Ancara na Turquia.

¶9O serviço secreto detectou a ameaça e avisou que precisava mudar os planos de voo. Nos bastidores, a agência de inteligência americana detectou um plano do Irã para atacar o avião presidencial e matar Donald Trump. A Turquia faz fronteira com o território iraniano. >> Aí a segurança disse que era para ser discreto, não era para contar para ninguém que o homem mais poderoso do mundo iria sair da Turquia escondido junto com a comida. Aí o Trump foi lá e fez um discurso e disse assim com todas as letras: "Voltaremos para casa usando meios normais".

¶10Ah, então tá. >> Depois da cúpula da OTAN, a aliança militar do ocidente, na capital turca, o presidente americano sobe às escadas do Air Force One. Ele se vira pras câmeras, acena e entra no avião presidencial. A câmera se afasta e dá para ver um caminhão atrás da aeronave. É um veículo que geralmente entrega a comida do serviço de bordo para os passageiros.

¶11Poucos minutos depois, os jornalistas embarcam e o caminhão se afasta. Lá dentro estava Donald Trump. threat. I guess there was a threat out there. I didn't really ask much about it.

¶12I get a lot of threats. No, not surprised. I have a lot of threats. I have a lot of threats that you don't know about. Será que o declínio do poder dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, esse que agora revela o presidente tão vulnerável, até mesmo na sua fortaleza voadora?

¶13Será que esse declínio não tá ligado diretamente à necessidade da Casa Branca de projetar poder aqui na América Latina? É uma grande dúvida, né? E a gente até pode falar dela, antes eu abro um parêntese pra gente falar de uma outra dúvida pequenininha do cotidiano. Pedro pergunta: "Amigos, uma dúvida sobre a fmica. Eu consigo transmitir a imagem pra TV?" Tá aí, Pedro.

¶14Esse é o meu quarto. Não sei se eu devo pedir perdão aí pela intimidade, até porque a parede precisa de um pouco aí de capricho, de um trato. Esse móvel era vermelho, eu envelopei para ficar azulzinho. Tá ruim, dá para ver que fui eu que fiz. A TV tá muito alta, tem que baixar.

¶15Vou fazer isso nesse final de semana, se Deus quiser. Mas o que interessa, tá aí a fica, ó, na minha TV Samsung, grandona, graças a Deus. Porém, avariada, né, tadinha. Isso aqui é com fita isolante, não tem jeito. A fímica não vai resolver.

¶16Mas de resto, Pedro, dá para colocar em cinco dispositivos, dá para dividir com quem bem entender, não tem comercial e dá para usar na televisão, no celular, no tablet. Eu tô sempre falando do acervo, das seleções, da curadoria da fímica, porque essas são as coisas que definem a fímica, o projeto, a plataforma. Mas acredite, se eu te disser que essa plataforma brasileira também é um primor técnico que faz muita plataforma gringa parecer assim um experimento de vibe coding. É, e tem os preços da fmica, né, que estão para o mercado de streaming, assim como os preços dos carros chineses estão para o mercado automotivo. São preços disruptivos, o que nos leva aos planos.

¶17O mensal sai por R$ 19,90 e o anual por R$ 199,90. Só que com o cupom Pixro você paga R$99,90 e ganha um desconto de R$ 100. Muito obrigado, Filmic. E agora de volta ao nosso tema principal. A propaganda de julho de 2026, citando a doutrina Monroe cumpre algumas das promessas de um documento que os Estados Unidos divulgaram alguns meses antes.

¶18>> Em dezembro do ano passado, o governo Trump já tinha divulgado o seu documento pra estratégia de segurança nacional em dezembro e que que é o documento que foi chamado de corolário Trump. E nessa ocasião, o governo Trump já tinha falado sobre uma restauração da doutrina Monroy como um norte para as ações dos Estados Unidos na América e no Caribe. Lembrando que a doutrina Monroy é muito resumida com aquela frase da América pros americanos. >> América para os americanos ou então para os estadunidenses, como hoje se diz. Seja como for, no passado, doutrina Monroe significou expulsar da América Latina os europeus para que só os Estados Unidos pudessem ganhar dinheiro por aqui.

¶19No presente, a ideia parece ser a de afugentar os chineses. É claro que isso não está no documento, né, afugentar os chineses. Fala-se apenas em tirar daqui potências estrangeiras, inclusive com suas potenciais obras de infraestrutura. E aí, para interpretar uma leitura, nada como ajuda de outra, né? Deixo aqui uma sugestão.

¶20Autocracia Made in USA da Gisele Aneli. A Gisele vem dando mais atenção à figura do Elbridge Kby. Se é a primeira vez que você ouve esse nome, guarde. Ele é o fundador de uma tal Marathon Initiative. Se aí é um instituto que foi criado para alertar gente dos Estados Unidos na política, nos negócios.

¶21paraa necessidade do país ser mais agressivo contra as outras potências. >> Eh, ele abriu um instituto que chama Marathon e esse instituto eh o a política externa dos Estados Unidos tá muito calcado nele e e nas falas dele, né? Ele é o segundo ali no Departamento de Estado norte-americano e ele e ele coloca como a China como grande competidora atual dos Estados Unidos. Acho que tem isso, tem, se a gente for voltar lá nas razões do conflito de dessa guerra contra o Irã, a gente chega de novo na China, no novo posicionamento dos Estados Unidos, de não deixar mais a China expandir, de negar qualquer expansão e e principalmente na América Latina, né, que eles voltaram a usar o termo eh quintal da América Latina aqui, ã, ocupar todos os espaços, restringir os espaços da China. Acho que a eh os metais raros e o petróleo são muito importantes nessa discussão pra gente ter.

¶22Welbridge Kobe seria essa influência decisiva num talvo jeito aí dos Estados Unidos expressar seu imperialismo pelo mundo. Um velho novo jeito, algo assim. E ele é casado com a Susana Cordeiro, uma mulher que presidiu o IBGE na gestão Bolsonaro e que hoje atua no Banco Mundial. A Susana seria ela mesma parte dessa estratégia aí de dominação. Uma estratégia que até passa sim pela defesa dos interesses econômicos dos aliados do Donald Trump aqui no nosso continente, mas que tem como objetivo final uma outra coisa.

¶23Não é o domínio dos Estados Unidos diante do mundo. Parece que não é só isso, porque muito mais importante seria o domínio de Trump sobre os Estados Unidos. Daí a necessidade de se perguntar se o país ainda é uma democracia. A gente teve há pouco tempo atrás um instituto que eu gosto muito de análise das democracias no mundo, que é o Instituto Vedém, eh, em Gotenberg, na Suíça, e colocou os Estados Unidos como um processo de autocratização das mais aceleradas que eles já viram, né, muito mais rápido do que foi com Orban, do que foi eh na Turquia, na Hungria. Então, ainda não se colocou ali autocracia, mas num processo de autocratização, eles tiveram uma postura mais conservadora para esperar as eleições de meio de mandato, né, para cvarcracia.

¶24Eh, então é uma deterioração rápida da da eh nos Estados Unidos da qualidade democrática e mas ainda consideram uma democracia eleitoral. Ainda, mas não se sabe até quando. Tudo depende daquele novo mandato sobre o qual Trump primeiro não falava nada, depois passou a brincar e agora já começou a falar sério. >> Ponto final em mais um testão. E eu uso o espaço das considerações finais para citar uma outra frase.

¶25Isso aqui, ó. Tudo aquilo que for economicamente eficiente é moralmente justificável. E o que isso significa, hein? Significa que tudo que faz alguém ganhar dinheiro é bom. Eu não quero julgar esse tipo de raciocínio que prioriza o lucro sobre todas as coisas, mas quero mostrar de onde ele vem e que resultados ele pode trazer.

¶26Os apoiadores desse canal estão vendo comigo uma série sobre os últimos anos da União Soviética e é de lá que vem esse lema. Essa frase foi atribuída a Igor Geider, um jovem economista a quem foi confiada a transição, uma transição econômica que não era apenas em direção ao capitalismo, não, era em direção a um tipo especial, radicalmente liberal de capitalismo. E olhando em retrospecto, é claro que deu tudo errado. Mas volta para essa frase, tudo aquilo que for economicamente eficiente é moralmente justificável. Essa frase definitivamente soa como uma confissão do neoliberalismo sobre o quão amargo seus ditos remédios podem ser.

¶27>> Esse sofrimento seria como um mal necessário para que eh a economia, né, esse ser místico que a gente conhece, o mercado, eh funcionasse da forma com que eles acreditavam que deveria ser. E essa é a Gisélia Morim. Ela é responsável pelo complexo trabalho de providenciar as legendas pra série documental que a gente vem acompanhando aqui. Esse quarto episódio é possivelmente o clímax dessa história de derrocada e os três anteriores já tão disponíveis pros apoiadores desse canal. Além desse conteúdo aí que é localizado pro glorioso português brasileiro, com muito capricho, que é analisado para além das reações impensadas, às vezes preguiçosas, do mero React, os apoiadores, eles também têm voz.

¶28Aliás, muitos consideraram que essa série poderia ter um viés anticomunista explícito em função do recorte histórico, né? A derrocada da União Soviética. E esse quarto episódio que trata justamente das privatizações, dos milagreiros neoliberais que apareceram como oportunistas, esse tem tudo para surpreender alguns de vocês, meus amigos. Tudo dito, bora ouvir. É o PS.

¶29Oi, Álvaro. Boa noite. Eu preciso falar eh até onde o ser humano vai por poder e dinheiro. até onde vai abandonar um povo inteiro, vários povos inteiros por dinheiro e por poder. Dinheiro, né?

¶30Ali foi dinheiro. Foi dinheiro. É, isso me arrasou porque me veio tanta coisa na cabeça, porque me veio o fim da aspas escravidão no Brasil, veio confisco de poupança, veio, veio tanta coisa, às vezes precisa precisa ter empatia com as pessoas que resultam das suas experiências e empatia com povos que passaram por experiências tão tristes. E aí a gente tem um zilhão de histórias mundo afora. Por mais que doa para uma humanista ver essas coisas, eu sei que é necessário.

¶31Grande beijo no seu coração. Fica com Deus. >> Fiquemos com Deus, né? E sejamos nós as bênçãos nas vidas uns dos outros. Muito obrigado pelo apoio, Sandra, e pela reação da Sandra.

¶32Você já percebe aí que é um conteúdo forte que provoca reações emocionais idem. É por isso que de fato fica na memória. Deixo aí o meu convite. Um beijo e como sempre, valeu.