Radar

radar · Política & notícias

Conversa sobre a formação de jogadores no Brasil | Meio de Campo

¶1O que está acontecendo com a formação de jogadores no Brasil? Os estrangeiros devem ser expulsos? Os jogadores da base devem ser proibidos de sair pro exterior? Por que o Brasil não tá formando mais meiocampistas? Esses e outros temas relacionados aos gargalos e aos problemas da formação de jogadores na base são o tema do meio de campo de hoje.

¶2Vem com a gente. >> Bom dia, boa tarde, boa noite. Eu sou Idéber Avelar. Este é o meio de campo, futebol e sua história. E o nosso tema de hoje é a formação de jogadores, porque é um tema que tá ocupando muita gente nessa ressaca póscopa do mundo.

¶3Vários comentaristas, jornalistas, estudiosos t tratado desse tema e a gente resolveu encarar esse problema hoje. É isso aí, Diego. >> É isso aí, Delber. Bom dia, boa tarde, boa noite para todo mundo que nos acompanha aqui no meio de campo. E acho que hoje a gente vai ter um bate-papo, né, sobre um diagnóstico mais geral do que que tá rolando com o futebol brasileiro, né?

¶4Eh, acho que isso vem bem a calhar, né, nessa ressaca pós Copa do Mundo. O fato, alguns dos problemas que apareceram com a seleção brasileira nos colocaram, primeira essa primeira pergunta ampla, né, que você já falou aí, será que como é que tá sendo a formação dos jogadores? Será que a gente tá formando muito jogador numa determinada posição e menos em outra? Mas não dá para encarar essa questão sem também pensar um pouquinho mais amplamente no que que tá rolando no futebol brasileiro, né? Por exemplo, esse fim de semana a gente teve uma rodada tenebrosa do Brasileirão com vários jogos ruins, eh muita, muito pouca bola bola rolando, eh os jogadores sempre usando ali os artemanhas de catimba, né?

¶5Bolinho em volta do juiz. Eh, mergulho quando não foi falta de verdade, forçando o cartão, né, buscando os jogos estavam muito pouco bonitos, né, pouco bonitos, vamos dizer assim. Eh, então isso traz toda uma cultura mais ampla do futebol brasileiro, que é a forma como a gente encara o jogo em termos competitivos, no que a única vitória possível é o título. Tem muita gente precisando fazer, né, ser campeão. Tem muito pouco título para muito clube e também os técnicos têm uma tendência a fazer o jogo mais enrolado possível.

¶6se agarrar um empate, uma vitória por 1 a 0, evitar perder de qualquer maneira. E isso traz toda uma cultura que do topo para toda a base eh de certa forma, [roncando] talvez a gente possa dizer contamine ou eh forma de alguma maneira o a moldura do futebol brasileiro. Então vamos começar por [risadas] aí. Como é que tá esse mal-estar pós Copa do Mundo para você aí, Delber? É, eu queria começar com esse gancho porque a rodada do dia 8, dia 9 de agosto de 2026, foi um dos piores fins de semana de futebol que eu já vi na minha vida.

¶7Eh, nessa semana que a gente tá gravando agora, a gente tá gravando dia 10, vocês vão ver esse programa no dia 14, sexta-feira. Eh, todo mundo tá comentando na internet, né? Os jogos tenebrosos que aconteceram nesse fim de semana. Eu assisti quatro jogos. Palmeiras e Inter foi um espetáculo tenebroso.

¶8E aqui a gente tem que sublinhar uma coisa. No campeonato brasileiro sempre vai haver uma equipe que não quer jogar. Às vezes as duas não querem jogar, mas sempre vai haver pelo menos uma que não quer jogar. E aí, no caso de ontem era o Inter que tava segurando um 0 a 0 contra o Palmeiras em São Paulo depois de eliminar o Corinthians da Copa do Brasil, né, na mesma cidade de São Paulo. Então o Inter teve uma viagem muito produtiva e levar um pontinho de São Paulo era muito produtivo.

¶9E o Inter usou de todas as artemanhas possíveis, eh, simulação, bolinho em volta do árbitro, ah, faz uma falta, o juiz marca a falta e reúne-se de novo o bolinho em volta do árbitro para protestar não sei o quê, porque a falta tinha sido óbvia. goleiro se jogando no chão para pedir atendimento. E antes que a torcida colorada fique brava comigo nos comentários, eu vou já me antecipar e dizer: "Esse é um recurso, esses são recursos que todos os clubes brasileiros usam, inclusive o meu. Quando o Galo tá ganhando, o Everson se joga no chão, pede atendimento. Essa é uma uma prática que vem, eu acho, de uma cultura muito mais ampla que é muito difícil de se você de você corrigir, porque eu costumo dizer, é uma frase meio polêmica, mas eu tenho argumentos para defendê-la, que brasileiro não gosta realmente de futebol.

¶10Se você quiser um país que gosta de futebol, você visita a Inglaterra, você visita a Argentina, você vai ver um outro jeito de lidar com o futebol que tem a ver com o amor ao jogo em si. Na minha opinião, o brasileiro gosta sobretudo de ganhar e gosta muito da gregariedade, gosta muito de estar em grupo, em bando, defendendo uma mesma coisa contra um inimigo exterior. E ganhar no Brasil, por causa do histórico do futebol brasileiro, significa ganhar título. não significa, por exemplo, eh, ganhar um número significativo de jogos durante a temporada e manter-se consistentemente disputando o título ali no top três, por exemplo. Isso para os clubes do G12, pelo menos, não basta.

¶11Os clubes do G12 são criados com aquela cultura de que eles precisam ganhar a a vocação deles é ser campeão. E obviamente, como a gente passou nos últimos 25, 30 anos por um processo de desvalorização dos campeonatos estaduais para os clubes do G12 já é um um clichê dizer que o título estadual não vale nada. Chegamos então à situação em que só há dois títulos por ano para ser dividido entre 12 clubes. Obviamente ninguém pode ganhar todo ano. O resultado é que sempre vai haver seis ou sete clubes em crise e os treinadores sabem que eles são o bod expiatório e que, portanto, estão a duas ou três derrotas de serem demitidos.

¶12O resultado é que os treinadores armam os seus times para não perder em primeiro lugar e para manter o resultado a qualquer custo, no caso de conseguir o 1 a 0. Então, você conseguir o 1 a 0, você passa a utilizar todas aquelas artimanhas de simulação de falta, bolinho em volta do árbitro, etc, etc, etc. Isso torna o Campeonato Brasileiro um espetáculo muito penoso de se assistir. Se você não está torcendo por uma daquelas duas equipes, não tem muito sentido assistir aos jogos. Eu assisti ontem a Palmeiras e Inter e assisti eh Bragantino e Corinthians.

¶13Bragantino e Corinthians foi um jogo horroroso durante uma hora até o momento em que o Thiago Volp cometeu uma das prezepadas mais grotescas que eu já vi um goleiro cometer que levou ao gol do Garro. Quer dizer, para o jogo melhorar, a gente precisa de uma grande prezepada do goleiro, né? Eh, esse é um um fenômeno que me ocupa muito, que me preocupa muito, porque o meu grande desejo é que a gente possa vender o campeonato brasileiro para outros mercados. Isso faz uma grande diferença. Significa mais dinheiro entrando, significa uma diferente cultura de arbitragem, porque a gente sabe que determinadas coisas são marcadas no campeonato brasileiro, mas não são marcadas nas outras ligas.

¶14E o resultado disso é que quando chega na Copa do Mundo, você tem aquela avalanche de brasileiros dizendo que, por exemplo, ah, a Argentina tá sendo beneficiada, os árbitros estão roubando pra Argentina. Não, gente, é o campeonato brasileiro que é arbitrado de uma forma diferente. Agora, recentemente, um jogo do campeonato escocês teve um gol, eu tô esquecendo de quem foi, eu acho que foi do High Burnian, em que foi uma bola cruzada na área, a bola ficou quicando na pequena área, uma série de jogadores do ataque da defesa estavam lutando por aquela bola e o gol foi marcado. Gol! Gol legítimo.

¶15Não teve falta, não teve empurrão no goleiro, não teve nada. Teve um monte de gente lutando por uma bola que tava quicando na pequena área. No nosso grupo de zap, eu coloquei o vídeo do gol e perguntei: "Esse gol seria validado no Brasil?" E todo mundo concordou que no Brasil iriam encontrar alguma forma de se anular o gol. Então esse é o primeiro problema assim cultural geral que a gente tem que considerar quando a gente vai falar das categorias de base. Se os treinadores estão sempre a duas ou três derrotas de serem demitidos, é claro que vai haver muito menos paciência com a garotada pra garotada se firmar, não é isso, Diego?

¶16É, essa cultura, ela acaba meio que destilando, né, desde o profissional para também paraas paraas categorias de base, sem dúvida nenhuma. [roncando] Eh, e aí sempre aparecem aquelas soluções meio mirabolantes que eh [limpando a garganta] representam tão bem a veia autoritária do brasileiro, que também é bastante pronunciada, né? Eh, então, por exemplo, dois pontos que sempre aparecem são, tem muito estrangeiro no campeonato brasileiro e isso tira minutagem dos jogadores mais jovens. Mais para frente a gente pode até falar mais de minutagem, porque realmente é um ponto importante, mas será que os estrangeiros, né, os sul-americanos que vêm jogar aqui, eh, ou o fato simplesmente de se ter ou não ter jogador estrangeiro, eh, é, é a solução, né, nesse ponto? Eh, e do outro lado sempre aparece alguém que vai dizer: "Não, tem que proibir o o clube de vender o jogador antes dos 21 anos ou sei lá que idade, porque na verdade essa proibição já existe até até os 18 anos, mas de fato o jogador acaba saindo daqui com 18 anos.

¶17Eh, então, qual seria a idade de eh de eh maioridade futebolística pro jogador poder simplesmente viver a vida dele como ele quiser e morar no país que ele quiser e receber o salário que ele quiser, né? Então, essas duas soluções, eh, de alguma maneira representam mesmo o autoritarismo escondido dentro de cada brasileirinho. Você não acha, Delber? >> [roncando] >> É, eu acho que essa essa questão dos estrangeiros e a questão da autorização para para os garotos ah saírem eh são duas dessas soluções fáceis. h, proibir estrangeiro, por exemplo, ou reduzir o número de estrangeiros por decreto.

¶18São duas dessas soluções fáceis que as pessoas às vezes fazem, eh, sem prestar atenção na Constituição Brasileira, né? Tem certas coisas que a Constituição brasileira não permite. Você não pode, segundo a Constituição Brasileira, proibir um ser humano adulto de sair para trabalhar onde ele quiser. Ponto. Isso não é a lei Pelé.

¶19A lei Pelé simplesmente regulamenta uma situação que já era mundial desde o acordão Bosman, que é um ponto de inflexão na história do futebol contemporâneo que a gente já referiu aqui muitas vezes e que não vamos parar para explicar de novo, mas em 1995 os jogadores recebem a liberdade laboral que eu e o Diego e vocês já têm desde sempre, certo? Diego é professor universitário. Se amanhã ele receber uma proposta de outra universidade ou fizer um concurso para outra universidade, ele sai livremente, sem precisar da autorização da universidade para a qual ele trabalha agora. É assim que funciona. Não tem jeito de proibir os meninos de saírem.

¶20Não pode proibir um adulto de mais de 18 anos de idade de sair para trabalhar onde ele quiser. A constituição brasileira não permite isso e também não permite que você proíba os pais de autorizarem um adolescente a sair para trabalhar em outro lugar se ele quiser. Então vamos já de cara eliminar essas soluções mágicas, tipo proibir os meninos de saírem ou proibir os estrangeiros de entrarem. A questão dos estrangeiros, ela é mais complicada porque aí sim, dentro da legislação futebolística, você pode estabelecer um número máximo de estrangeiros. Esse número atualmente é nove.

¶21Você pode ter até nove jogadores estrangeiros relacionados para uma partida. Você pode ter quantos você quiser no seu elenco, mas você pode ter nove jogadores relacionados para uma partida, estrangeiros. O Brasil tem nos últimos anos deixado de ser um mercado apenas exportador para ser também um mercado importador, certo? a gente exporta muito jogador e importa muito jogador. Vamos aos números então pra galera ter uma noção do que a gente tá falando.

¶22Na Série A nós temos 600 e pera aí, deixa eu pegar os números diretinho aqui. 664 jogadores inscritos na Série A, 160 são estrangeiros. Isso dá 24,2%. Tá? Então, 24,2% dos jogadores da série A são estrangeiros.

¶23Eu reconheço que esse número não é muito baixo, ele é um número >> também não me parece absoluto, é um quarto dos jogadores da Série A hoje são estrangeiros. >> Quando a gente vai pra série B, os números mudam de figura. Há 640 jogadores inscritos na Série B, 48 são estrangeiros. Isso dá 7,5% do total. Na série C é menos ainda.

¶24São 479 jogadores inscritos e 17 estrangeiros. Isso dá 3,5%. Então existe um padrão que é claro, né? Os clubes maiores importam jogadores ah em geral dos países sul-americanos, né? Tem tem vindo alguns europeus, mas em geral são jogadores sul-americanos que vem jogar no Brasil.

¶25Uma coisa que é necessário a gente levantar também é o seguinte. O Brasil continua sendo um grande polo exportador de jogadores. A ideia de que o Brasil não produz mais jogadores é falsa. A gente continua produzindo muito jogador bom. E eu tenho para você dois números que provam isso.

¶26O primeiro é nos últimos 20 anos, todas as finais da Champions League tiveram pelo menos um brasileiro em campo. E o Brasil é o único país que pode dizer isso. Não é impressionante? O Brasil é o único país que esteve presente nas últimas 20 finais da Champions League com pelo menos um jogador em campo. Na final do ano passado, por exemplo, foram três pelo menos, né?

¶27O Marquinhos, zagueiro central do time campeão da Europa, Paris Saint-Germain, brasileiro, Gabriel Magalhães, o melhor zagueiro central da Premier League, campeão da Premier League e vice-campeão da Europa, é brasileiro. Martinelli, ponta meia do time campeão da Premier League e vice-campeão europeu, o Arsenal é brasileiro. Isso a gente pode ir voltando no tempo, nós vamos encontrar um brasileiro em todas as finais da Champions League. O outro número é a quantidade de jogadores brasileiros jogando no exterior. O Brasil é o país que mais exportou jogadores, é o é o país que mais tem jogadores atuando fora de suas fronteiras.

¶28São 1200 brasileiros jogando fora do Brasil. Essa é a situação. Formar jogadores a gente forma. tem que ver qual que é o perfil. >> Beleza.

¶29Eh, eu acho que você, o, esse ponto que você coloca já é já começa a apontar pra gente que tem toda uma estrutura econômica que, de certa forma, eh, acaba eh constrangendo a formação de jogadores que a gente tem no país. Primeiro que a formação de jogador no Brasil, ela é completamente descentralizada. né, em clubes e outros eh eh base clubes formadores de base eh particulares, né? Eh, mas as federações têm pouca influência a não ser regulamentar, né? Mas não tem não tem nenhum tipo de centro de formação da CBF.

¶30a gente pode até conversar sobre isso mais adiante, mas a partir disso, né, a economia do futebol tem um um peso muito grande, né, e os clubes brasileiros, eh, e o Brasil, né, é o maior país exportador, tanto no topo, como você citou aí o exemplo da Champions League, com os melhores jogadores, mas também no grosso, né, no atacado, é, exportando o jogador, por exemplo, pro pra segunda divisão do Vietnã ou, né, Tailândia, países como esses, né? Eh, e aí essa o o a o lugar do Brasil como eh eh fornecedora de pé de obra, uma economia fornecedora de pé de obra há muito tempo, já pelo menos 30 anos, de certa forma foi criando toda uma cultura com relação a que tipo de jogador a gente eh acabou dando prioridade. Por um lado, por outro lado também influencia nisso aquilo que a gente abriu, né, que é toda a a cultura do futebol brasileiro que pensa em vencer, vencer sempre, né, eh, o tempo inteiro. Essa é a única, a única métrica possível, né? E na base, eh, a ideia de formação, o processo deveria ser muito mais eh importante do que simplesmente amealhar títulos, né?

¶31Eh, para você ter uma ideia, por exemplo, a CBF eh organiza campeonatos, o Brasileirão, sub-20, né, e para cada categoria e a Copa do Brasil. E no Brasileirão tem rebaixamento, então chega um momento da disputa >> no sub-20, claro. Eh, o juiz, o o técnico tem todo o incentivo para tentar fechar a casinha, né? A não ser que haja uma diretriz do clube em outro sentido, que também pode acontecer, mas é raro, né? como a gente sabe.

¶32[roncando] Eh, então são alguns fatores, né, estruturais que vão orientando a formação que a gente faz e a isso dentro de um uma moldura que é bastante descentralizada e que, portanto, não tem muito direcionamento sobre eh uma ideia única, né, de como fazer. Outros países são muito mais, a gente podia pensar no exemplo da França, que sempre é trazido, eh, da Inglaterra também, apesar de ser um projeto mais recente, de Marrocos, que conseguiu crescer o o eh a estatura da seleção nacional, né, nos últimos anos, mas eh uma centralização como ocorre nesses nesses país, a Inglaterra bem mais centralizada que os outros dois, é difícil de operacionalizar no Brasil, né? Então a gente acaba ficando com alguns fatores pra gente pensar, né, fatores estruturais e propostas tem que levar isso em consideração, não é isso, Delber? [roncando] >> É, eu >> qualquer tipo de proposta centralizadora. >> A gente tem um problema que é o seguinte, vamos mencionar aqui, a gente ainda vai fazer um programa sobre formação de jogadores na França, na Inglaterra e Marrocos, que são os casos que a gente tem olhado com mais com mais vagar, né?

¶33Mas só para dar um uma ideia pra galera de quais são as diferenças, tanto na França como na Inglaterra, como em Marrocos, os clubes ah cumprem um papel formador. A diferença é que nesses países a federação tem um projeto centralizado nacional de formação de jogadores, né? No caso da França, da famosíssima escola eh de Claire Fontain, que atua numa [limpando a garganta] espécie de pré-formação dos jogadores que depois são encaminhados pros clubes, né? Eh, é aquela estrutura formal da da formação do do garoto. Pegam garotos até 8, 9, 10 anos de idade em centros regionalizados, mas conectados com com a direção eh nacional e mantém um contínuo diálogo com os clubes, não é o caso do Brasil, né?

¶34Eh, no caso de Marrocos, por exemplo, tem um centro de de formação nacional, né, a FRMF, eh, [gemido] Federação Real Marroquina de Futebol, que não só mantém um centro Maomé 6, Mohammed 6 em Marrocos, como também explora a garotada que tem a dupla nacionalidade. que em muitos casos mora na França ou mora na Espanha, mas que pode optar pela nacionalidade marroquina e jogar pela seleção marroquina, né? Esse sucesso recente do Marrocos nas Copas do Mundo não é o acaso, né? não caiu do céu, tem um projeto de formação ali. Acho importante destacar, eh, Diego, que a situação da formação de de jogadores na na nas categorias de base do Brasil não é uma terra arrasada, né?

¶35Não é uma terra arrasada. Nós temos aí exemplos >> muito muito contundentes. O principal deles, eu acho que todo mundo concordaria, é o Palmeiras, né? O Palmeiras tem um centro eh muito bem dirigido pelo JP Sampaio, né? >> Em que combinam-se a o ensinamento tático com a liberdade de a garotada criar e errar, né?

¶36Eh, o Palmeiras eh reporta, eu acho que um investimento nos últimos 5 anos, nos últimos 10 anos, perdão, nos últimos 10 anos, o Palmeiras investiu e deixa eu pegar o número exato aqui, eu não sei se é 160 ou se é 260, mas em todo caso teve 1,8 bilhão de reais de lucro com as transações geradas pelas categorias de base. né, Stevan, Hendrick, etc, etc. Então, tem alguns modelos, inclusive o Palmeiras tem o campo de barro, né, que a gente viu o JP comentar no outro dia no no podcast do do Charla, né? >> É, exato. Só só um comentário.

¶37Eh, você tá ah trazendo Palmeiras, né? Tem uma um mecanismo muito interessante que eles usam porque eles têm noção de que nem sempre eles vão ter um Hendrick ou um Stevão para negociar, né? Muita, a maior parte dos jogadores formados na base acaba sendo um jogador mais mediano. Claro que pode jogar eh nos times menores, no numa Série B e também times menores do exterior, né? Então eles costumam fazer muito na primeira negociação, acabar vendendo até por um valor mais em conta, quando não é um jogador, né, claro, dessas desses que são or concur, né, são mais raros.

¶38eh e mantendo sempre uma algum percentual ali da de uma futura negociação. E com isso eles têm uma um mecanismo que tá girando o tempo inteiro ali, pingando algum tipo de recurso eh de um jogador que às vezes eles já venderam há 2, 3, 4 anos antes, né? Então, eh, e também em vários níveis, né? cada jogador acaba atingindo um determinado nível e é um um mercado diferente, mas tem que girar em todos os mercados, em todos os níveis, né? [roncando] Eh, e Delber, e aí essa pergunta que todo mundo faz, né?

¶39Por que que a gente não tá formando meia? A gente só tá formando ponta, será que isso não é uma simplificação, né? Eh, sei, acabou de trazer o exemplo do Palmeiras, né? Mas isso tem uma certa tendência geral econômica também, né? um incentivo econômico para isso >> tem.

¶40>> Mas será que não é? >> Incentivo econômico? >> Eu acho que tem um incentivo econômico que dá para entender, né? Eh, se você pensar, por exemplo, que quando você forma pontas, você tá formando jogadores que podem acumular stats muito mais facilmente. Basicamente, jogador que pode acumular gols e assistências, né?

¶41Gols e passes para gol. Então, é, tem sido apontado por muita gente que acompanha categorias de base no Brasil, que quando aparece um um canhoto talentoso no meio de campo, ele logo logo é jogado pra ponta, por ponta ele vai poder aparecer mais no sentido de aparecer mais na hora do gol, né? ele vai poder, ele vai estar em situações em que ele não erra, porque no meio de campo você tem que ter a possibilidade de errar, certo? Eh, essa esse é essa é a parte, digamos, do aprendizado que muitas vezes as pessoas não param para pensar, né? em uma competição sub-15 com os pais ali ao lado do campo gritando que tem que ganhar, tem que ganhar, tem que ganhar.

¶42Obviamente o garoto do meio de campo, ele não vai se arriscar em uma jogada mais ousada, porque se ele se arriscar em uma jogada mais ousada, a possibilidade de errar e dar um contra-ataque pro adversário é grande. Se você não tem a possibilidade ou não tem o estímulo para experimentar e errar, obviamente o seu jogo vai ficar mais medíocre mesmo, né? O JP falou disso outro dia e ele falou muito bem do assunto, assim, ele falou: "Olha, a gente aqui no Palmeiras está tentando implementar a mentalidade de que pode errar. Se ganhar o título, tudo bem, mas o objetivo não é ganhar o título a qualquer custo, né? O objetivo aqui é formar jogadores, formar cidadãos, formar ah atletas no sentido completo da palavra.

¶43E aí, eh, você cria um outro tipo de jogador, mas esse não tem sido o padrão. O padrão no Brasil tem sido a gente forma pontas, a gente forma zagueiro central, a gente até forma meiocampista, mas é sempre cabeça de área. O estilo Casemiro, Fabinho, a gente tem formado esse tipo de jogador. A gente não forma mais meiocampistas criativos e laterais. Esse essas duas posições, camisa oito, camisa 10 e lateral esquerdo, lateral direito, né?

¶44a gente não tem formado e é um problema econômico, é o gargalo econômico imposto sobre os clubes, porque como tudo fica na mão dos clubes, evidentemente eh os clubes vão optar pelo tipo de jogador que dá mais lucro. Só um exemplozinho antes de eu te passar a palavra, que é a Inglaterra. A Inglaterra tem um projeto nacional de formação de jogadores. Os clubes, as academias dos clubes cumprem o seu papel. Mas eles estão em direta comunicação com a Efei.

¶45Faz uns 15 anos, 20 anos, a Inglaterra começou a determinadamente buscar a formação de camisas 10. Eles queriam formar camisas 10. A FI procurou isso, ela investiu nisso. É uma coisa eh direcionada. E o resultado tá aí.

¶46Phil Cole Palmer são jogadores que t cara de brasileiro. Quer dizer, a cara não, né? Porque é aquela carinha eh nórdica de de de Europa do Norte, Olinho Azul, etc. Mas o jeito de jogar é um jeito brasileiro, assim, que a gente tradicionalmente associaria ao Brasil, né? o drible, a inventividade, a jinga.

¶47Cole Palmer é um tipo de jogador que tem a cara do Brasil e que a gente não encontra hoje no Brasil, né? >> É, então esse realmente é um [roncando] eh os vários fatores que são independentes, né, na cultura e na estrutura do futebol brasileiro acabam apontando para essa não formação desses meios meios campistas criativos, né? Eh, e é interessante é porque a ideia da da do o estereótipo do jogador brasileiro é justamente esse camisa 10, esse esse jogador criador no meio de campo e ponta de lança para chegar junto e ser artilheiro também, né? [suspirando] Eh, até o time a gente tá dando o eh estamos [limpando a garganta] citando aqui essa entrevista do João Paulo Sampaio no Charla, né? Então, mand um abraço aí pro pessoal do Charla, que realmente é um podcast muito bom e essa entrevista tá excelente, já é antiga já no canal.

¶48E agora também vou citar o Team Vicary, porque eu acho que tem tem uma explicação que ele vem repisando sempre sobre essa cerca de meias que acho que talvez possa ter a ver também eh em termas em termos táticos e futebolísticos, que é [roncando] uma ideia eh tática que se cristalizou no Brasil eh na década de 90, que separa o meia eh volante, né, cabeça de área do meia eh criador. E esse meia criador, quando a gente sai do 442 para o 4231 ou pro, né, para outras formações, acaba virando ponta. E por isso que agora a gente tá tendo que jogar com 4, sem ter tanto eh meio campista para fazer pelo menos um 433, né? Eh, então acho que essa é é algo interessante também pra gente pensar no nível da seleção, né? E acho que isso se de alguma maneira se replica nos clubes também.

¶49Eh, agora vou puxar outra linha. Eh, é, é verdade que a a estrutura formadora do futebol brasileiro é extremamente descentralizada, né? Eh, mas a CBF ela vem eh de alguma ela também tem um papel, né? E aí a gente até pode conversar se o papel às vezes é benéfico ou não, né? Eh, por exemplo, ela tem a CBF Academy, que aí eu acho que também valeria um eh um programa específico só sobre isso, porque é a estrutura de formação da CBF, forma todo mundo que trabalha com futebol no Brasil, né, nos níveis, né, de comissão técnica em todos os as categorias, né?

¶50Então, claro que tem um papel que de ajuda a direcionar aí, embora não seja eh eh obrigatório necessariamente, né? eh os clubes depois vão colocar isso em funcionamento da maneira como acharem melhor. [roncando] Eh, e tem também o famigerado certificado de formação de clube formador, né, que é em teoria algo adequado e e necessário, porque tem uma uma fiscalização da CBF e os clubes precisam eh admitir certos eh requerimentos, né, para conseguir acessar o certificado. O certificado é muito importante porque ele significa basicamente o direito de eh recolher o aquela percentagem de clube formador que a FIFA eh coloca e que é muito importante, principalmente para clubes de de pequeno porte, né? Eh, mas tem um grande porém que o certificado ele tem que ser eh renovado anualmente, né?

¶51Então, eh, conhecendo a tendência brasileira de cartoralizar tudo, eh, às vezes acontece que o clube que tinha deixa de ter e depois sem muito, né, motivo volta a ter novamente. Eh, então não não garante uma continuidade do trabalho dos clubes, pelo menos nesse nessa parte mais importante que é o como monetizar a a formação, né? Eh, e aí vem as competições também, porque a CBF acaba juntamente com as eh as federações estaduais, eh, estabelecendo o calendário que aqui a gente, a a forma como os clubes, eh, disputam, né? E isso teria que ser pensado, me parece, de uma maneira específica para as categorias de base, porque não faz sentido você ter uma série A com 20 clubes e rebaixamento de quatro, como acontece, né, simplesmente espelhando o brasileirão profissional, né? Eh, e no fim, né?

¶52Quer dizer, eh, se fosse possível a CBF, a, inclusive, vale notar que, eh, lembrar a notícia, né, que a CBF organizou um GT em fevereiro desse ano, então, antes mesmo da Copa, já eh que envolve a própria CBF, as representantes das federações e dos clubes formadores para repensar toda a estrutura do futebol de da de base no Brasil. E mas isso ainda é uma grande caixa de Pandora, né? O que que vai sair dessa desse debate? Não, não dá para saber muito bem, né? Eh, então vamos lá.

¶53Vamos pegar esse papel da >> É, deixa eu pegar essas coisas que você citou aí da da do certificado de clube formador. Eu tô com a camisa do Santa Cruz hoje. O Santa Cruz não tem o certificado, >> né? Quem tem o certificado em Pernambuco são esporte, Náutico, Retrô e o Porto. São esses quatro clubes que tem, né?

¶54O Santa já tá há algum tempo sem o certificado eh de clube formador. Esse certificado, como você mencionou, né, ele é o que permite, por exemplo, que os clubes acessem o mecanismo de solidariedade da FIFA, né? Quando o jogador vai ser vendido, ele na segunda venda, o clube formador tem direito a um percentual e esse percentual tá vinculado no Brasil ao certificado de clube formador. Há vários clubes importantes no cenário brasileiro, né, que não tem o certificado de clube formador. A Ponte Preta, por exemplo, não tem, né?

¶55Eh, no Rio Grande do Sul só o Grêmio, o Inter e o Juventude tem. O Caxias não tem. Ah, enfim, o Brasil de Pelotas não tem. Esse é um mecanismo burocrático que, digamos, como quase todos esses mecanismos burocráticos no Brasil estão sempre envolvidos em uma névoa de suspeita, né? Eh, a gente pode concordar aqui.

¶56>> Diga >> só um comentário rápido, porque você tava mencionando os clubes importantes e tradicionais do futebol brasileiro que não tem o certificado. E ao lado disso tem um outro fenômeno que tem, existem muitos clubes que t o certificado e que são, a gente poderia chamar de clubes de empresário mais vulgarmente, né? Mas são clubes especificamente para formação de base, né? Então, isso é >> tem, né? o o Boston City, o Coimbra, o eh o Tirol em Fortaleza, em São Paulo tem um monte, o Nação em Santa Catarina.

¶57Então são alguns exemplos, né? Então tem esses dois fenômenos, na verdade, tanto os clubes, alguns clubes tradicionais que não estão conseguindo eh eh fazer parte do do mecanismo e muitos clubes que são eh formados para serem simplesmente formadores de jogador para futura venda, não é isso? >> Exato. É a futura [limpando a garganta] transferência que vai gerar, enfim, a comissão para empresário, etc. que é, digamos, o mecanismo do o mecanismo do da circulação de de pé de obra hoje, que é, digamos, mais ou menos inevitável.

¶58Só uma observação, o Brasileirão, paraa gente deixar clarinha aí a informação correta pro pessoal, o Brasileirão sub-20, ele começou com rebaixamento em 2025 e nesse ano foram rebaixados dois clubes, dois Atléticos, o Atlético Mineiro e o Atlético Goianiense. O Galo >> voltou agora. O Galo vai jogar o Brasileirão sub-20 da Série A de novo em 2027. Subiu agora este ano. Este ano de 2026 e foram três clubes rebaixados, tá?

¶59Caíram Crissuma, Havaí e Fortaleza pra Série B. E da Série B subiram três. Além do Galo, subiram o Goiás e o Ceará. Esse mecanismo eu acho muito daninho, muito, muito, muito daninho. A Inglaterra não tem, a Alemanha não tem, outros países tem, tá?

¶60Não tô não tô dizendo que é só no Brasil que tem. Nesse caso é um uma mescla, né? na Espanha, por exemplo, tem, mas na Espanha é um um rebaixamento um pouquinho diferente. Depois a gente pode entrar nesse caso. O rebaixamento no Brasileirão sub-20 é daninho, eu acho, especialmente porque o Brasileirão sub-20 não é jogado na na fórmula dos pontos corridos.

¶61O Brasileirão sub-20, ele é jogado naquela fórmula do Campeonato Brasileiro dos anos 90. Classificam-se oito clubes para as quartas de final. Aí o que que acontece? Chega nas quartas de final, o o objetivo é o título a qualquer custo, certo? O objetivo vai ser o título a qualquer custo.

¶62E para o >> o rebaixamento, então >> é o rebaixamento acontece em um turno só. É isso, né? >> Isso acontece. Bom, enfim, eh, >> no no Brasileirão de pontos corridos, é, enfim, no no campeonato de pontos corridos, determina o rebaixamento, mas não determina o título, né? Ele vai pros pros play-offs, como era no Brasileirão profissional dos anos 90.

¶63para os clubes que estão disputando no na parte de baixo da tabela, é evidente que isso vai gerar um tipo de incentivo para que os treinadores armem os seus clubes, os seus times para fechar a casinha, para conquistar um ponto, para não perder, porque assim você escapa do rebaixamento, né? Eh, importante assinalar isso porque h isso é muito decisivo na formação, né, da garotada. Eles já começam com aquela pressão de não pode experimentar, não pode errar, etc. [roncando] Então, pra gente ir encaminhando, né, vamos fazer um resumão sem soluções mágicas. Proibir estrangeiro não vai resolver o problema.

¶64Um detalhe sobre estrangeiros que eu quero dizer e já te passo a palavra. Eh, existe o argumento de que a presença de jogadores estrangeiros faz com que as torcidas queim os jogadores da base, porque eles, a torcida sabe que tem um estrangeiro que pode pegar o lugar dele. Esse argumento não se sustenta, gente, porque as torcidas brasileiras queimam estrangeiros também, né? E as torcidas brasileiras já queimavam os garotos 15 anos atrás, quando não havia nem 2% de jogadores estrangeiros na Série A. Então, é muito importante a gente não estabelecer causalidade onde apenas existe correlação.

¶65O exemplo clássico é o exemplo do sorvete do afogamento. Você conhece, né? Sorvetes causam afogamento na praia. Por quê? Chega o verão, o consumo de sorvete aumenta, o número de afogamentos na praia aumenta, aí acaba o verão, o consumo de sorvete cai e o número de afogamentos na praia também cai.

¶66Ou seja, não é o sorvete que tá causando o afogamento, certo? São dois fenômenos correlacionados no tempo. O garoto que subiu, >> correlação não significa causa, né? não significa causalidade. O garoto que subiu do sub-20 do Flamengo >> e não consegue disputar posição com a Arrascaeta, ele não vai abandonar a profissão.

¶67A taxa de abandono de profissão de garotos que subiram do sub-20 para o profissional é uma negligência estatística, é coisa de menos de 0,1%. O garoto que subiu do sub-20 do Flamengo e não conseguiu disputar a posição com Arrascaeta, ele não vai abandonar a profissão, ele vai jogar no Miraçol. Então é verdade que a presença de estrangeiros qualificados aumenta o gargalo para que o garoto suba, mas isso só melhora a qualidade dos jogadores que estão sendo formados. A presença de mão de obra internacional qualificada aumenta a qualidade da mão de obra local. Nós temos muita evidência empírica disso, né?

¶68Então vamos esquecer as soluções fáceis, vamos olhar o que tá dando certo, né? Eu acho que tem aí, Diego, cinco clubes, tá? Que a gente repetidamente vê nos ranks internacionais de formação de jogadores. Palmeiras, o Fluminense é o grande rival. Eh, continua sendo um belo centro de formação e [roncando] São Paulo, Corinthians e Flamengo logo ali também.

¶69Aí depois o Santos, claro, tem muita tradição, o Grêmio tem tradição, mas esses cinco tem muita coisa que pode ser observada, tem muita coisa que pode ser copiada. Eh, o o JP é um cara para ser ouvido, ele realmente sabe do que ele tá falando, né? >> [roncando] >> e quem sabe a gente possa superar os obstáculos da grandeza geográfica do Brasil e montar algo minimamente centralizado, com mínima conversa entre os clubes e a CBF, para que a gente possa direcionar a formação de jogadores para determinadas posições, né? >> Eh, algo interessante que você até citou, mas que vale talvez eh trazer de novo, né? é o fato de que a a estrutura francesa eh o que que é responsabilidade da federação é só a primeira parte da formação, né?

¶70Então até a idade de 14 anos. Depois obviamente os jogadores vão se desenvolver nos clubes, né? Para se desenvolver eh aquelas potencialidades mais próximas do do da categoria de profissional, né? Eh, então acho que o Brasil eventualmente pode pensar em algo teria, obviamente que teria que ser centralizado, ô, desculpa, regionalizado, não centralizado pelas condições geográficas, não fariam sentido. Mesmo caso francês também tem uma eh um uma instalação central em Claire Fontene, mas tem instalações eh regionais também.

¶71E isso no Brasil teria que acontecer, né? Teria que ser uma espécie de SUS do futebol, né? com eh centros espalhados pelo país e que te desse alguma orientação em termo da formação de base, mas isso teria que acontecer em apoio e sustentação com os clubes, né? Não dá para tirar os clubes da equação. Eh, agora sempre vai ter muito o que pensar com cada clube, porque cada clube é uma realidade.

¶72Você você falou bastante sobre os clubes de top, né? Mas também os os mais abaixo na na cadeia também precisam ter uma estrutura que seja beneficiente para o que eles têm que fazer, né? Para o que para que a função deles eh produzir, que é jogadores mais, né? Não não necessariamente os grandes craques. Eventualmente um ou outro vai surgir alguma joia ali, né?

¶73Eh, então é isso, Delberia. Vamos fechando por aqui. >> Vamos encaminhar >> e a gente pode conversar mais em outros momentos aí mais pra frente, voltar nesse assunto, porque é um assunto que tem muita coisa para desencavar, né? O o que a gente pode fixar aqui no final é não tem solução fácil, nem solução única. E não dá pra gente pensar em uma em uma conversa só em eh pegar todo o tema, né?

¶74Esgotar todo o tema. Beleza? [roncando] Então, >> combinados? Então vamos pedir o pessoal para deixar o like, o comentário. Circule o link nos seus grupos de futebol que em que haja interesse sobre esse tema.

¶75Avalie a gente no Spotify, no Apple Podcast, em qualquer distribuidor de podcast que você usa e a gente se vê na semana que vem com mais um meio de campo futebol e sua história. Bom dia, boa tarde, boa noite, >> um abraço. >> O meio começou com a newsletter que chega na sua caixa de entrada com as principais notícias do dia. Sabe qual é, né? Aquela que você lê em 8 minutos.

¶76Depois, [música] depois a gente evoluiu pros vídeos aqui no canal do YouTube. São as análises e programas que mais tarde foram adaptados para áudio, com os podcasts que você pode ouvir lavando louça na academia, [música] na fila do mercado, cozinhando. E a barra ficou mais alta porque chegamos às produções audiovisuais com qualidade de cinema e um swimming próprio. São séries e documentários originais [música] e um catálogo exclusivo para eles, os nossos assinantes premium. É assim que o jornalismo do meio vem [música] crescendo para caber no seu dia, do jeito que fizer sentido para cada um dos nossos leitores se informar.

¶77Conheça o nosso acervo premium [música] e faça parte de uma comunidade que não apenas consome notícia, mas analisa o que tá lendo, ouvindo e assistindo. Assina o [música] meio premium. [música] Ah.