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Lula e Flávio Bolsonaro: a corrupção virou pó na conta das eleições 2026? | Central Meio

¶1[música] เฮ [música] [música] เฮ [música] Olá, [música] boa tarde. Tarde. Sejam muito bem-vindos. Sejam muito bem-vindas ao Central Meio. Hoje é terça-feira, dia 18 de agosto de 2026.

¶2Eu sou Pedro Dori. Comigo está aqui ao meu lado a grande, a inigualável Yasmin Ron. >> Uau! Grande de tamanho não, né? Aqui o pessoal dá uma disfarçada no meu tamanho, mas >> é.

¶3Pois é. Eu eu eu abaixo aqui a cadeira um pouquinho. >> Ah, olha como ele é gentil. Mas também foi demais. Aí você tá com se complicando.

¶4>> Aqui eu já tô fazendo agachamento com joelhos assim. Tipo batendo. [risadas] >> Tudo bem, Pedro? >> Tudo bem, dona Yasm. >> Tudo certo, Pedro.

¶5>> Quais são as suas ordens hoje? >> Não, eu vou vou ser tranquila hoje que o tema tá fácil, >> tá? >> Tá muito fácil. Mas primeiro eu preciso cumprimentar o nosso público. Boa tarde você que tá nos assistindo.

¶6E, ó, para acompanhar a gente também estão lá em São Paulo, a editora chefe do meio, Flávia Tavares, e o analista político com o melhor nome de todos, Magno Carl. Tudo bem com vocês? Tudo bem, pessoal? Já estamos aqui. Oi, querido, bem-vindo.

¶7>> Obrigado, sempre um prazer. >> Ótimo, pessoal. Vamos falar um pouquinho do assunto do dia. Pois é. Houve um tempo em que o combate à corrupção, ele definia as eleições, né?

¶8Mudava o voto, derrubava um candidato, por exemplo. Mas hoje essa pauta parece que virou pó. De um lado tem o Lula com Lulinha, Marcola, boletos pagos e joias presenteadas no Planalto. E do outro lado tem Flávio Bolsonaro com loja de chocolate, Dark Horse, Daniel Vorcaro, Escandalo Master e por aí vai. As denúncias contra os dois lados não param de viratona, mas é tanta maquiagem que a cara de Paulo nem mexe, né, Pedro?

¶9É, não mexe, porque enquanto isso os eleitores estão no modo torcida, com fótono no ataque, sem se importarem com próprio calo apertado pela corrupção. A pauta parece ter sido enterrada pela conveniência política. Hoje a gente fala sobre isso e conta as novidades sobre o nosso streaming. Logo mais vocês vão saber. Então, puxa aí sua cadeira, se acomoda, deixa o like, se inscreve no canal porque olha, o central meio tá no ar.

¶10[música] Pessoal, a gente inclusive abriu a newsletter do meio de hoje e vamos também abrir abrir o central meio com isso. A polícia federal, ela descobriu que a amiga do Lulinha, a lobista do careca, do não, perdão, aliás, a Polícia Federal descobriu que a amiga do Lulinha e também lobista do careca do INSS, a Loberta Luxinger, ela comprou joias pro Marcola, que é ex-chefe de gabinete do Lula. Marcola também recebeu pagamentos da Roberta, viu? Bem generosa essa moça, né, gente? >> É, pois é.

¶11Chama aí, chama aí nossa galera. Vamos lá, Felipe. Excelências, eu que eu acho que tá acontecendo? Eu acho que tem fases. Eh, minha análise aqui o seguinte, tem fases no processo.

¶12Eh, primeiro você aceita, depois você resigna, depois você ressignifica. Você vê o Brizola quando eu já era adulto e eu vi muito Brizola chamando o PT de UDN de macacão. Por quê? Porque o o PT era o partido da moral dos bons costumes. O PT era o partido que ficava procurando o caso de corrupção até em exageros, tá?

¶13Teve gente que foi profundamente injustiçada, como por exemplo, um ex-presidente da Câmara de Deputados, o deputado Ibinheiro, que por conta de um erro de um zero a mais cometido pelo Banco do Brasil num extrato, ficou parecendo que tinha uma fortuna no É, literalmente e eh as coisas aconteciam antigamente e bancos conseguiam produzir extratos que tinham um zero a mais por erro e isso fez fez parecer com que o sem pinheiro tava tinha uma fortuna, tal. Nossa, como foi massacrado por deputados do PT. E tudo bem, tinha uma prova que era uma prova que era um erro do Banco do Brasil, tudo mais, tal, mas era o partido que tava procurando corrupção em em cada rodapé de Brasília. E tudo era denunciado aos berros, horrorizados, como podem o horário, o horário público para cá, estão vendendo o patrimônio da União para lá, tudo mais, tal. foi só chegar no Palácio do Planalto e virou.

¶14Veio o mensalão, veio o petrolão. A gente não pode esquecer que o petrolão foi um escândalo de corrupção gigante. Não é possível. E é 90% dos petistas não fazem essa afirmação. Todo mundo eh costura as palavras e as frases de um jeito que você nunca nega que o governo Lula um e dois foi corrupto pacas.

¶15Porque não dá para factualmente negar que o governo Lula um ou dois tenham sido governos profundamente corruptos. Você pode entrar no mérito de se o Lula é pessoalmente corrupto ou não, isso aí é uma outra discussão, mas de que ele presidiu um governo muito corrupto, é o próprio governo dele, na verdade, o próprio governo Dilma que admitiu ao reconhecer que foram desviados 42 bilhões de reais da Petrobras. Então veja, o PT ré confesso, o governo Dilma reconheceu que o governo Lula foi um governo muito corrupto. Tudo bem. Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República fazendo o discurso da moralidade pública.

¶16Estão roubando, tipo, é é a mesma coisa, entende? Claro que a essa altura os petistas já diziam: "Esse negócio de moralismo vai destruir a democracia". é ficar fazendo discurso contra a corrupção é puro moralismo. É [risadas] eh essa gente que se finge pura e não e olha eles não estavam de todo errados, era moralismo mesmo, entendeu? É, tinha um tom ali do tipo, ainda mais vindo de bolsonarista, pelo amor de Deus.

¶17Os caras já tinham loja da Copenhagen, já tinha Fabrício Queiroz, já tinha Rachadinha que não acabava mais, já tinha não sei quantos imóveis comprados em dinheiro vivo. Jogo jogado. Chegaram na presidência da República, agora a gente tá numa situação, é tipo o Flávio literalmente de todos na família Bolsonaro, ele é possivelmente o mais sensato, o mais razoável e o mais corrupto. A gente sabe que o Flávio, a aquilo que a gente sabe da família Bolsonaro nos garante, nos permite afirmar que o mais corrupto dos Bolsonaros e o mais moderado e o mais sensato é Flávio Bolsonaro. É tudo em um, é o melhor da família Bolsonaro em muitos aspectos.

¶18É profundamente corrupto. A gente tem literalmente um áudio dele na voz dele que ele sequer mandou aquela. Não foi a não. Ele nem mandou isso. Ele reconhece.

¶19É um áudio dele pedindo pro sujeito que é responsável pelo maior pela maior fraude eh financeira da história do Brasil documentada. É o caso do Banco Master. A gente tem um áudio dele pedindo 25 milhões de dólares pro Daniel Vorcaro, que ele diz que foi para fazer o filme do pai dele, que é um filme que a gente já viu algumas cenas, né? É um sujeito com uma peruca óbvia, é mais óbvia que a peruca do Silvio Santos, né? É um baita num canastrão e ele quer nos Ah, me perdo sos usava peruca.

¶20[risadas] Pera aí, não matem os da minha >> sem um careca aqui na bancada. Eu achei desrespeitoso. >> Não, mas é um careca digno. Ou então você pode usar uma peruca como eu, que é digna. Ninguém diz que eu tô [risadas] de peruca.

¶21Eu eu eu usaria uma peruca mais bonita do que aquela peruca do Bolsonaro do filme. Eu desses 24 aí eu eu resolveria na Turquia e ainda compraria uma peruquinha melhor. Aí o Flávio manda essa de que o dinheiro era um investimento do Daniel Vorcaro, né? Porque nós sabemos que o Daniel Varcaro dava dinheiro para políticos, para investimentos, porque ele achava que ele ia recuperar todo o dinheiro no filme, sendo que esse filme com esse orçamento dá para fazer dois, eu ainda não estou aqui, mas dois é o agente secreto e sobra troco. E a gente tá falando de dois filmes brasileiros que foram candidatos ao carcar, gente.

¶22Um deles foi candidato ao ócar de melhor filme, não é? Não é, não é melhor filme estrangeiro, melhor filme. Então, tudo bem. É, é literalmente aquela assim, você tem que fazer muito esforço para fingir que acredita que o dinheiro não é dinheiro de corrupção, que alguma coisa estava sendo comprada ali e não era um investimento para um filme. Jogo jogado.

¶23A coisa com a qual eu não me conformo é, gente, quando o chefe de gabinete da presidência da República ganha diamante, tem boletos pagos. Aí ele manda que não era parte de um empréstimo, na verdade era aquilo, era um presente de dia das Você quer acreditar? Não veja, é seu direito, caro espectador, acreditar, não, né? Agora, por que que complica aqui? Eu entendo o conceito de tráfego de influência.

¶24o chefe de gabinete do presidente da República, ele tem acesso à agenda do presidente da República. Então, ele pode facilitar reuniões e encontros com o presidente da República, pode inclusive por estar com o presidente da República diariamente até influenciar nas decisões do presidente da República. Mas por que que alguém que tá todo dia conversando com o filho do presidente da República precisa fazer tráfego de influência com o chefe de gabinete do presidente da República? Porque quando a gente começa a mergulhar nessas perguntas, a coisa vai ficando mais complicada. Não é sempre.

¶25E eu não estou afirmando que é o caso, mas às vezes uma das maneiras de você passar dinheiro para deputado é passar dinheiro pra gente que tá no arredor do deputado. Veja, os governos Lula 1 e do foram corruptos. O governo Lula 3 é um governo corrupto. O chefe de gabinete dele recebia dinheiro. Por que que você recebe joias?

¶26Porque não aparece na conta bancária, gente? Porque aí o cara pega aquele negócio que vale uma grana e ali na frente, quando ninguém tiver prestando atenção, ele transforma em dinheiro. Mas ele já recebe o pagamento na forma de joia porque não aparece. A Receita Federal não vai saber. Esse é o truque, o Banco Central não vai saber.

¶27Esse é o truque. Agora, por que que isso complica? Eu juro para vocês que até ontem eu tinha certeza de que o escândalo do INSS não chegava no presidente da República. O que que estão Roberta Luxinger e Lulinha celebrando? A indicação do presidente da data prévia.

¶28A data prévórgão que cuida dos dados da previdência. Para quem como eu achava que o escândalo do INSS era um troço que tinha meio que nascido no governo Temer, ganhado o corpo no governo Bolsonaro e virou uma coisa de felicidade do PDT quando o PDT estava no comando do Ministério da Previdência, porque às vezes escândalo de corrupção não são necessariamente do presidente, são de de aliados. Quando se tá trocando favor com o chefe de gabinete do presidente da República e o motivo de comemoração é a nomeação do sujeito que é responsável pelo banco de dados do INSS. E a gente tá falando com escândalo que, veja, não é um escândalo de fortunas, é um escândalo de roubo de velhinho. E é particularmente feio que seja num governo do PT que você esteja roubando justamente dinheiro do caixa que vai pra gente pobre, né?

¶29Enfim, eh, o o lance é, estamos numa eleição para presidente da República, em que temos um escândalo de presidente de corrupção dentro do Palácio do Planalto e temos um escândalo de corrupção no principal candidato da direita e não tá ninguém nem aí. O eleitorado tá super confortável com isso. Eu imagino, ainda não parei para ler seus os comentários de vocês e imagino que você já tem um bando de gente, não dá para comparar isso com aquilo, não dá para comparar isso com aquilo, gente, é tudo corrupto. Para com isso, né? Eu juro que eu não tô tentando, Magno Flávia, eh, eu tem uma coisa que eu sempre tive horror e eh que era a aquele aquela demagogia Boris Casói, entendees?

¶30Que fica ali no tipo qualquer coisa. É uma vergonha. Não, para. A gente pode conversar sobre política com adultos, mas a gente precisa fingir que isso é aceitável, a gente precisa fingir que isso é normal. A gente precisa fingir que a gente tá bem quando os principais dois candidatos que juntos somam mais de 80, quase 90% dos votos totais no segundo turno, eh estão envolvidos simultaneamente em casos muito complicados de corrupção.

¶31Senhores, senhora, >> por favor, não. Vamos lá. Bom, eu tem dois duas questões sobre sobre esse caso. Acho que o primeiro a primeira questão é sobre a corrupção. É difícil de exagerar a importância, a proximidade e o papel de um chefe de gabinete em relação a um político, seja um deputado, presidente da República.

¶32Não, se alguém assistiu Westwing, aquela série sobre, né, a Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, o chefe de gabinete é uma das pessoas mais importantes na série, porque ele está sempre ao redor do presidente. E é uma posição muito importante, muito próxima, para que coisas grotescas, como essas eh relatadas nas investigações aconteçam. Um chefe de gabinete do presidente da República que precisa pedir dinheiro emprestado para uma lobista ao invés do Banco do Brasil, no Bank, outros bancos, já é absolutamente esquisito. E que recebe presentes em joias, que tem um volume de movimentação financeira bastante significativo, é um é um sinal complicado de ser negado. é um batom na cueca, é um cara muito próximo do presidente, é um cara que foi enviado para [roncando] pra campanha depois.

¶33E é muito difícil pro pro PT sair dessa. No entanto, a gente sabe como é que é o escândalo de corrupção. A gente ouviu a voz do Flávio, a gente sabe que o que o chefe de gabinete do Lula recebeu joias e é isso aí. Um cancela o outro, a bola paraa frente, a gente tem dois candidatos que disputam e que seus torcedores, seus eleitores, não estão prestando muita atenção. E como que a gente vê a naturalização de certas coisas?

¶34Eh, primeiro pela comparação. O outro cara também é corrupto, então como é que a gente vai fazer isso? O segundo é por uma explicação de que é isso ou então as coisas não funcionam. No caso do filme, é: "Ah, mas eh todo filme precisa de patrocínio. Ah, se você não vai pedir ao Vorcaro, vai ter que pedir a outro empresário.

¶35Ah, mas era dinheiro privado. Do outro lado, você tinha o Lula dizendo: "Ai, mas eu não, se eu não pedir dinheiro para, se eu não pedir favor para construtora, eu vou pedir favor para pobre". Ah, mas todo governo tem lobby. Eh, é isso. O o Bolsonaro na campanha de 2018 deu o mapa ao comentar o apoio ou não do Centrão à candidatura dele.

¶36Começou com ele dizendo que era membro do Centrão. Ele era um político do Centrão. Depois, quando o Centrão resolveu apoiar oficialmente Geraldo Alkemin, o general Heleno aparece no evento lá cantando: "Se gritar pega centrão, sei lá, Se gritar pega ladrão." fazendo essa analogia. Depois que vários membros do Centrão passaram a apoiar Jair Bolsonaro, Bolsonaro fala: "Ué, vocês queriam que eu ficasse sem apoio vocês?" E imediatamente todo mundo, ah, ok, é isso aí mesmo. Então, há uma fase moral da nossa relação com a corrupção.

¶37E nessa fase moral e é a fase dos ratinhos lá pegando a bandeira do Brasil na campanha que o Duda Mendonça fez pro PT. é a fase em que escândalos de corrupção com o dinheiro público, eh, com o dinheiro dos aposentados, imagina, o INSS já foi centro de milhares de escândalos. eh é o dinheiro do dos aposentados é uma postura moralista, moralizante de quem está do lado de fora do poder. Uma vez que você está dentro, você tem que fazer o trabalho de convencer eh os seus eleitores de que a corrupção ou o contato próximo à corrupção é apenas parte do jogo. Não me surpreende que os eleitores do Flávio conseguiram ouvir a voz dele falando com o Vorcário e dizer que a vida é assim mesmo.

¶38paraa frente e arrumaram as justificativas e putz, chegou no chefe de gabinete do Lula, pode chegar no Lulinha e nada vai mudar. as pessoas vão encontrar uma forma de racionalizar isso e bola paraa frente. A política é como o futebol, as pessoas têm o seu sentimento, independentemente das evidências, elas vão seguir eh caminhando como se nada tivesse acontecido ou como se o que o que aconteceu fosse muito bem justificado. >> Eu concordo com o que vocês estão apontando, sim. E eu eu queria acrescentar algumas eh algumas ideias assim que me ocorreram enquanto eu ouvi a vocês.

¶39Eh, eu acho que tem uma tem uma parte também disso que é dessa não de não acreditar no escândalo ou de não de não colocar isso como central na própria decisão eh de voto que passa pela, tem uma parte que passa pela torcida e tem uma parte que passa pelo filtro próprio, que é o de que todo mundo é corrupto. Então eu prefiro esse fulano. Tem o fato de que as pessoas, inclusive elas próprias são corruptas, eh, e que, eh, dificilmente admitem, né? É verdade, porque afinal eu só nego meus impostos porque esse estado abusa e não investe direito. E se eu não fizer isso, eu não sou capaz de manter a minha empresa funcionando.

¶40Ou, eh, gente, é óbvio que eu vou pagar pro meu filho eh conseguir tirar a carta logo, porque a gente sabe que despachante e autoescola é mero esquema de desvio de do meu dinheiro do contribuinte. E e assim, eu tô citando dois exemplos bem banais, mas gente, a gente assim, [risadas] eh, da hora que a gente acorda, a hora que a gente dorme, a gente tem oportunidades culturais [risadas] de ser corruptos e é na maioria das vezes e as abraça. E isso vai da pessoa mais assim correta do mundo ao canalha, entendeu? Eh, e eu acho que as pessoas podem não admitir isso candândidamente, mas assimilam isso a no entorno, assimilam que é assim que o Brasil funciona. Então você pega, por exemplo, vou citar um público que tem o norte moral, né, eh, como inclusive orientação de escolha política, que é o público religioso.

¶41>> Uhum. e que é muito consciente de que parte de suas lideranças é corrupta. Alguns dos maiores escândalos de corrupção do Brasil envolveram, por exemplo, lideranças de eh de de denominações religiosas. Eh, eu lembro do sangue suga, se eu não me engano, era um delesão, >> do próprio mensalão, bispo Rodriguez. ou eh você pega, [risadas] eu não queria citar assim nominalmente cada um, porque eu não quero ofender uma denominação em específico, mas a gente tá adiante.

¶42Teve recentemente caso de escândalo do banco do Edir Macedo, Valdomiro Santiago já foi preso, bispa Sônia, não sei, já evasão de divisas e e por aí vai. E ainda assim, então o que que eu acho que acontece? Eu acho que não estou querendo dizer com isso, que esses casos não precisam ser investigados, eh, devidamente, eh, processados, né, no devido processo legal e eventualmente as pessoas punidas. Eu sigo achando que tudo isso tem que acontecer. corrupção é crime, é ficar, é grave, é importante.

¶43O que eu acho é que politicamente e eleitoralmente as pessoas usam a corrupção como pretexto para não votar em alguém que já não votariam de qualquer jeito, porque é aquilo, né? Eh, a gente não, ninguém vai, ninguém vai defender corrupção abertamente, né? não é uma bandeira, sou a favor da corrupção. Então, também é muito fácil politicamente você se colocar como contrário à corrupção e fingir que no seu campo não há corrupção ou fazer vista grossa paraa corrupção do seu campo ou taxar tudo que é investigado no seu campo como perseguição política. Eh, e o que acontece também com frequência dos dois lados.

¶44O fato é que você já não gosta de determinado campo ou de determinado candidato, você já não votaria nele por uma série de questões. Eh, a corrupção entra na conta como mais um, às vezes discursivamente como o principal, mas não é, não acho que seja fator decisivo para para não se votar em alguém no Brasil. honestamente, acho que pode até já ter sido. Acho que tá muito claro que nesta eleição não vai ser >> mesmo, né? Agora, eh, deveria ser, eu também me pergunto isso, porque nós estamos de assim decisivo, o fator decisivo, é essa que é a minha pergunta, porque a gente tá diante de uma campanha com dois candidatos que já se descolaram precipitadamente do resto, >> que tendem a eh seguir com com esse grau de consolidação, tudo indica.

¶45Então assim, a gente já teve dois ou três episódios grandes de corrupção ou não, porque Michele, Tarifasto, por exemplo, não são, né? e eles seguem sólidos nas suas intenções de voto. Tem uma oscilação aqui, outra ali, ou logo recupera um pouquinho e tal, mas [roncando] eh e a gente ou a gente vai lidar com isso e eh deixar a parte criminal acontecer e tentar ir debater no Brasil enquanto isso, porque assim, não me parece que nenhum deles vá ser preso imediatamente a ponto de impedir as suas candidaturas. e etc. E enquanto isso não tem ninguém debatendo Brasil também.

¶46Vai ficar as candidaturas estão evitando o assunto corrupção porque cada uma tem o seu telhado de vidro, né? Hoje saiu uma nota no Lauro Jardim que é sobre o quanto a campanha do Lula está sim preocupada com o caso do Marcola e do Lulinha, porque entende que isso vai pode sim afetá-lo, eh, afetá-lo ali na margem que ele precisa manter de liderança. Eu entendo, entendo que ninguém tá achando que ele vai cair 20 pontos, a não ser que apareça algo ainda muito eh apocalíptico. Eh, e o fato é que assim, eh, essas coisas estão aparecendo, estão aparecendo, eh, tá, tá vazando, né? Tá, tá, tá, tá profico o que tá vazando do car do caso do do INSS.

¶47Aí o lado do eh da militância da do PT da esquerda tá falando, tá? E e por que que só cadê as coisas do do Flávio no do Vorcaro? Não v parou de vazar, mudou, mudou o foco do vazamento. Eh, cada hora vaza de um lado e não sei quê. Aí >> invertendo a questão do master, né?

¶48Vazou o Flávio. Isso vazou o Flávio. Cadê as coisas do Lulinha? Tá tudo parado e tal. Eh, e a gente fica nesse ram ram e que assim é óbvio, a imprensa vai cobrir, tem que cobrir, não tô não tô criticando a gente estar discutindo, eu tô falando pro eleitor, o eleitor já, já sabe, já tem essa, essa noção de que, ó, esses dois, cada um, né, a seu modo representa tal.

¶49Eu acho que tem uma parte do eleitorado que vai escolher eh decidir com base em outras outros critérios que considere mais relevantes. Então, né, para quem tá mais pendendo pro lado eh do Lula, vai eh colocar o critério da tentativa de golpe ou da pandemia ou enfim, não sei, do do Trump, né, do próprio Trump ainda pode aparecer. Quem tá olhando mais pro lado do Flávio, eh, vai pensar talvez na economia, no caminho que ele não gosta, que o Lula oferece da, né, de juros, de de não sei. O fato é que não me parece que o eleitor esteja realmente preocupado com isso neste momento. E eu não sei se deveria este ser o critério da escolha de voto mesmo.

¶50É essa minha minha dúvida. a se honestidade não é mais um critério de voto, porque não é, eu concordo que não é, e a a me parece, eu eu não consigo entrar ness nesse lugar eh eh mental em que exigir a honestidade do candidato e e do governo do candidato não seja um critério. Eu eu não consigo entrar. Eu eu eu compreendo que a sociedade coletivamente discorda de mim. Sério?

¶51O meu ponto é que pode ser um critério, mas tô falando que não, não me parece que vai ser outro critério. >> O o problema o problema é o seguinte, pode não ser o o critério que determina, mas é aquela coisa assim do mínimo, olha, quem não passa dessa régua tá fora. A partir de agora vamos ver. Eh, tipo, é o critério de pré-seleção, não é o critério de seleção. E entende?

¶52Honestidade existência. Se, eu acho que você tá, desculpa, eu eu te interrompi de novo e não era minha intenção. Pode >> deixa eu deixa eu trazer aqui eh porque é uma coisa que eu ouço muito, tá? Sempre que eu falo isso, eu quero trazer dois comentários. Eh, arte do alê, a diferença é que nos governos do PT se investigam.

¶53casos já no governo do Bolsonaro influenciou no COAF, na PF, pro filho não ser investigado. O PT, de certo modo, corta a própria carne. Eh, Rodrigo Varg, esquerda, investiga aí e manda prender, mesmo que seja meu filho. Direita, troca o comando da PF para proteger meu filho. Pedro Dores, os dois são iguais.

¶54Uma escolha muito difícil, gente. Não, >> os milhões da oi pro pra empresa do Lulinha lá, não me deixam mentir. >> Não, não. Vamos lá. Eh, primeiro é é que nem essa discussão.

¶55Honestidade do candidato deveria ser um critério, tipo, ah, mas ele deixa que o estado brasileiro funcione. E, e o mínimo não devia sequer estar em discussão. Isso não devia ser fazer o mínimo não é mérito. O mínimo não é mérito. Agora, independente disso, gente, pelo amor de Deus, uma coisa é o que o presidente fala numa sala fechada, outra coisa é que o presidente fala numa sala aberta com o microfone na cara.

¶56O Bolsonaro também ia falar: "Não, mesmo que seja filho meu, tenho que investigar com o microfone na cara". Numa sala fechada. É porque que ele gravou uma reunião fechada em que ele deciu falar? Porque ele é burro. Mas essa é uma outra discussão.

¶57O ponto essencial é o seguinte. Em maio deste ano, Andrei Rodrigues, diretorgeral da Polícia Federal, tirou da investigação do INSS o delegado que quis investigar o Lulinha. Não acreditem que o PT não está, que o governo não está influenciando e tentando mexer os pauzinhos para impedir a investigação do Lulinha. Porque não é verdade. Por que que vocês acham que o Lulinha tá morando na Espanha?

¶58É para dificultar dificultar a investigação. Vocês acham que ele tá na Espanha por quê? Entende? Por que que o filho do presidente da República não mora no Brasil? Sempre morou, tá?

¶59E sempre teve envolvido em rolo. Não é verdade que o governo não esteja protegendo ele, que o pai não esteja protegendo ele. Agora e e se é aquela coisa, entende? Eh, [suspirando] eu eu tô tentando procurar a a as palavras porque eu entendo e conheço a cartada do escolha muito difícil. Ah, mas o meu é democrata.

¶60É, mas o seu é corrupto, entendeu? Jura que a gente tem que escolher entre o corrupto que tenta um golpe e o corrupto que não tenta um golpe? Eh, eh, eh, é, é essa a proposta, entendeu? Ah, mas a investigação acontece. A investigação não aconteceu no governo Lula.

¶61A investigação aconteceu com Cardosão e com a Dilma. Eu eu eu acho que nós temos uma eh eh eleitores de esquerda, o a gente tem dois fenômenos simultâneos que são fenômenos diferentes. Eleitores de esquerda eh tem na cabeça tão introgitada a ideia de que os meus valores são bons e puros porque eu quero o bem de todos. É uma coisa meio cristã, sabe? Eh, como eu quero o bem de todos.

¶62Eu estou certo e o outro tá errado sempre. Eu sou existe dentro da cabe dentro da cabeça de cada eleitor de esquerda, uma certa e certeza de que ele representa o melhor de todas as virtudes e e que nada pode me abalar. Na cabeça de eleitor de direita existe fundamentalmente ressentimento, entendeu? E sim, muito moralismo. E e os dois se tribalizaram.

¶63O que que decide essa eleição? É esse sentimento tribal, esse sentimento de brasileiros que odeiam brasileiros e e que acham que um determinado tipo de brasileiro, tipo, é, é, eh, sabe, isso isso é preconceito do Pedro. Me prova errado, cara. Entende? Eh, e podemos chegar ao consenso mínimo de que dois, os representantes de dois governos profundamente corruptos estão liderando as pesquisas e que isso diz algo a respeito de nós como Brasil, como povo, como sociedade.

¶64Isso é um problema, tá? A gente abriu mão do mínimo. Isso é um problema. Pedro, deixa eu ler aqui alguns outros comentários da audiência pra gente jogar para São Paulo, que eu tô sentindo que o Magno quer muito falar. >> É, [risadas] >> ele já até tinha começado.

¶65Só um minutinho. Deixa eu falar aqui o comentário do Fred Maquenz. Ele falou assim: "Os eleitores não estão conformados. Eles eles apenas blindaram os seus pares. Lulistas blindam o PT e bolsonaristas blindam o clã." É isso.

¶66O inconformismo tem duplo padrão. Vale para você, não para mim. O Rafael Proça já traz uma piada. Ele diz assim que tem uma piada de português que o cara pegava a mulher no sofá com o vizinho e resolvia o problema jogando o sofá fora para não ser mais traído lá. Brasileiro fã de político, na opinião do Rafael, é igual com corrupção.

¶67O @ ninguém corre. Muito bom. Diz assim que é irônico que o discurso anticorrupção tenha conquistado centralidade no debate público graças ao PT para turbinar décadas depois a Lava-Jato. Quem pari o Mateus que o crie. O Rafael Bacildo fala assim: "O fato dos eleitores não estarem se importando é porque a cultura do Brasil é de corrupção.

¶68Aqui é o país do Gerson. Ser honesto no Brasil é fazer papel de otário. Como é que a gente quer que a corrupção acabe assim? E para fechar, o Denis diz assim: "Se a corrupção não é importante pro eleitorado em geral, eu pergunto: "O que que é importante?" Então, aí eu te devolvo, Magno. >> Bom, Yasmin, primeiro que o Marcola do Lula não foi demitido para que a Polícia Federal investigasse.

¶69Ele saiu a pedido para ir trabalhar na campanha presidência do Lula. Então, eh, calma aí, né? O, o presidente estava muito confortável com o Marcola. eh, saindo para trabalhar na sua campanha. O presidente poderia não saber, claro, mas aí é outra uma outra história.

¶70E eu quero resgatar o ponto do de um de um comentário que você leu, Yasm, que é sobre a é sobre a coisa que me fugiu nesse momento, obviamente. >> Então, posso pode ir lembra? [risadas] Foram muitos, né? Eu vou começar a lendo. Não, então por favor, >> já passa aí a vez.

¶71Não, não, não pode. >> É sobre eh o que, como a corrupção não importa, o que que vai importar. E é verdade. É verdade. Assim, ó, se fazer as coisas certas não importa.

¶72Se fazer o que é certo, se seguir a lei, se seguir as regras, não importa. O que que vai importar? E aí a gente cai no que falou um outro comentário que você leu antes. No Brasil ser honesto é coisa de otário. E é isso.

¶73Seguir as regras no Brasil é coisa de otário. Parar no sinal vermelho no Brasil é coisa de otário. Todo mundo tá com pressa queria ir antes. E assim você destrói uma sociedade. Tem um livro do Eduardo Janet em que ele pergunta como que dois países que foram absolutamente destruídos no século 20, a Alemanha e o Japão, conseguiram enriquecer de novo no mesmo século.

¶74Tem muito dessa questão de regra, da questão de diminuir os custos do relacionamento entre pessoas. Há uma forma de fazer as coisas. Vamos fazer, porque isso diminui o custo para todo mundo. As pessoas vamos só seguir o que está determinado no Brasil. A gente tem muita dificuldade de fazer isso porque não vale a pena.

¶75Porque não vale a pena. Você vai se prejudicar e seguir a regra enquanto todos os outros estão burlando a regra. Você vai se prejudicar e ter um custo a mais. Você vai se prejudicar e demorar um tempo a mais. Não vai.

¶76E isso se revela em todas as escalas. Se a gente fosse um país bem que se importa mais com a lisura no serviço público, com certeza o chefe de gabinete do presidente da República pensaria duas vezes antes de aceitar R$ 240.000 por uma lobista. Eh, centenas de milhares de reais de uma lobista. Sei lá quantos quantos meses de salário isso representa pro Marcola, mas é uma quantia significativa e ok, a vida segue, o seu chefe está numa campanha para reeleição, mas tudo bem, eh, é impressionante. E de novo, enquanto seguir as regras, enquanto fazer a coisa certa, enquanto eh fazer com que seu comportamento na sociedade seja baseado naquilo em que a gente concordou, a gente acordou, que seriam as normas, ninguém vai puxar o bonde sozinho, ninguém vai levantar o dedo, nenhum partido político vai levantar o dedo, pelo menos um partido político relevante de dizer: "Olha, nós Vamos expulsar sumariamente pessoas que estão ligadas à corrupção ou qualquer investigação.

¶77Não vai, porque bem, o eleitor não tá ligando, o cara lá do partido que vai ligar. Não adianta. É uma um problema social que a gente tem, não é um problema da política. Eh, eu queria acrescentar só eh para deixar claro que eu não estava dizendo na minha fala, primeiro que eu concordo e segundo que eh tá certo eh que os eleitores não se importem. Eu estou colocando que a essa altura é o que tem para hoje também, porque assim, o cenário que o Pedro eh traça ali, ele neste momento ele é uma idealização neste momento, não da gente, tá?

¶78Então, se se é o critério mínimo, eh, a gente os dois principais talvez não estivessem na concorrência. >> Uhum. E eles estão, isso não é um cenário, é é hipotético e a gente já chegou até aqui e investigações ainda estão correndo e coisas estão acontecendo. E também tem isso. Eu acho que assim, eu eu tenho poucas dúvidas sobre a idoneidade dos políticos eh que a gente noticia, porque eu cubro política já há bastante tempo, porque eu sou realista e porque eu não tenho torcida.

¶79Eu tenho minhas preferências eleitorais particulares como cidadã, como jornalista e como, né, política. Eu não tenho analista política, eu não tenho. Então eu não tenho ilusão quanto a isso. Agora o fato é nenhum dos dois está condenado. Nenhum dos os dois estão com denúncias acontecendo, com coisas acontecendo no Supremo Tribunal Federal.

¶80É esse o estágio que estamos agora. A justiça não os condenou. Eles estão elegíveis. O o Lula voltou a ficar elegível. O Flávio sempre esteve elegível.

¶81Eles são os candidatos e eles têm cada um perto de 40% de eleição de intenções de voto. A esta altura, o que que o eleitor está pensando? Eu entendo que ele olha para tudo isso e ou ele está plenamente desalentado e aí está num modo >> hum >> ou que aliás é o tema da minha coluna do K entre nós de hoje ou ele está apaixonado e está em modo negação sobre o próprio candidato e é tudo o outro, é tudo outro. É, é, é essa a minha análise, Pedro. Não é uma análise de, é isso mesmo, corrupção não é importante, azar, que pena.

¶82É esse, é este o cenário. É, é diante disso que o eleitor está. Eh, existem outras coisas acontecendo na cabeça desse eleitor, a meu ver, existe um eleitor de esquerda e centroesquerda que por conta do que do que aconteceu na Lava-Jato, mesmo o eleitor não negacionista da corrupção que aconteceu na no Petrolão >> e ele existe, embora ele seja minoritário na militância, ele é raro. A maioria da militância acha que a Vasa Jato magicamente transformou tudo que aconteceu no petrolão uma grande mentira. E não é, e assim a pessoa minimamente honesta consigo mesma, com, né, que não é não seja negacionista política, sabe que não é isso.

¶83Sabe que o que a Vasajato revela é uma eh condução absolutamente inaceitável de um processo judicial contra o Lula. >> [risadas] >> De resto, a corrupção que aconteceu no petrolão, como Pedro descreveu muito bem, é um fato. Mas essa existe uma percepção na na esquerda como um todo de que toda denúncia contra o Lula ou que chegue perto do Lula seja eh armação para tirá-lo, para enfraquecê-lo e tudo mais. E neste nesta chave entra inclusive o Lulinha. O Lulinha é um caso muito interessante da política nacional, >> porque ele tem mentiras tão absurdas sobre ele quanto tem coisas muito críveis.

¶84>> E o que que isso, o que que esse tipo de de figura eh incita na militância de esquerda? Hum. Ah, nada nunca foi provado. Eh, ou você acha que ele é dono da FBO? >> Isso, exatamente.

¶85>> Aí você vai falar: "Tá, mas eh OK, eu entendo esse argumento, mas veja isto posto tem e ele fazendo lobby na antesala do Planalto neste momento. Isso, isso que tá ah, mas isso é vazamento seletivo. Uhum. Tá, mas é, mas tá lá. Então, assim, as argumentações vão ficando todas muito difíceis.

¶86a centralidade que esse tema vai ganhando no nas bolhas engajadas é muito diferente das bolhas não engajadas. Este é o meu ponto, entendeu? É, o meu ponto não é que se isso devia ou não ser central e em termos do que é mais importante para o Brasil ou do critério mínimo. Meu ponto é que quem é muito engajado já tá ignorando o caso alheio ou na verdade usando só o caso alheio e ignorando o próprio. E quem não é muito engajado não tá preocupado com isso.

¶87tá preocupado com ou com a economia ou com a segurança pública ou com não sei quê, ou em onde que vai para onde que vai viajar no dia 4 de outubro, entendeu? Eu eu realmente acho que as pessoas não têm mais essa aderência ao tema corrupção que já teve em outros momentos por essas duas razões. Ou porque não tá engajado ou porque é tão engajado que já que ignora que a coisa passa por aqui assim. Eh, é, é. Então, eu queria só fazer esse esclarecimento que não não passa por defender ou por achar que isso tá certo ou não.

¶88É a minha análise bem fria do que eu tô enxergando neste momento. >> Fic, eu fico pensando no pós-eleição, se o tema da corrupção vai voltar, porque a esquerda vai viver uma mudança de de geração inevitavelmente. Se o Flávio perder, imagino que outras lideranças da direita também se colocarão num papel de liderança. E e eu imagino se o tema da corrupção vai voltar uma vez que a gente retire de cena eh o Lula, principalmente na esquerda, né? Eh, o, a esquerda tem essa renovação e a direita supere porventura o Flávio, a família Bolsonaro.

¶89Se isso, porque esse é um tema que deveria ser importante no Brasil, né? já que a a corrupção é uma coisa tão prevalente, eh, que a gente lida com ela diretamente ou eh pelas notícias de uma forma tão, eh, forte, tão frequente, se esse tema voltará, uma vez que as gerações, que a geração seja renovada na política brasileira. >> Eh, o o Alê Tataúga faz o seguinte comentário ou pergunta: "Qual a escolha, Pedro? Vamos todos anular, inclusive pro legislativo. Talvez eu consiga pensar um ou dois partidos muito pequenos em que poderíamos votar se o critério mínimo fosse honestidade.

¶90Cara, muito candidato a deputado honesto, muito. Eh, [limpando a garganta] eh, inclusive grandes, inclusive nomes grandes, entendeu? Inclusive, eu não vou citar eh eh porque eu acho que não é meu papel citar, mas eu consigo citar dois, três eh eh candidatos a deputado federal e candidatas a deputado federal eh em todo o Brasil que devem ter votações desproporcionalmente grandes porque já tiveram no passado e são pessoas honestas, candidatos ao Senado também, entendeu? É, é o o tem uma tem uma frase que eu já citei algumas vezes e, e, e, e vou seguir citando, eh, que é uma frase que eu ouvi construída de formas ligeiramente diferentes, mas complementares, de duas pessoas diferentes, com muito poder em Brasília. Eh, uma das maneiras de construir a frase é o seguinte: todo mundo que era comprável, todo mundo que era à venda, que tava à venda, foi comprado por Daniel Vorcaro, inclusive quem a gente nem sabia que tava à venda.

¶91Isso foi para um ministro, tá? Não foi ministro de estado não, mas eu também não vou mais dar detalhe porque é uma pessoa cujo título é ministro. A outra formulação da mesma frase, 30% de Brasília foi comprada por Daniel Vorcaro, junto às duas. 2/3 de Brasília não foi comprado pelo Daniel Vorcaro. Temos uma maioria eh eh que é íntegra.

¶92A gente tem ministro de Estado que é íntegro. No governo Lula a gente tem gente trabalhando dentro do Palácio do Planalto que é é que é íntegra. A gente tem gente a gente tem no Congresso Nacional na direita, gente íntegra. Entendeu? Eh, eh, temos alguns senadores da República de Direita que são super íntegros, super íntegros, entende?

¶93Eh, e, e isso não devia ser o o qual é a escolha? Há escolhas. Agora, eh, eu acho também que a gente tem que compreender que parte disso são escolhas coletivas, entende? O Lula não precisava ser em 2026 o principal líder da esquerda brasileira. Isso é uma aposta coletiva da esquerda.

¶94Eh, que veja, faz um sentido eleitoral, ele tem potencialmente, por causa de um voto conservador pobre no Nordeste, no Norte, um uma capacidade eleitoral mais alta do que provavelmente boa parte dos líderes de esquerda. Eh, o Lula tem mais chances de se eleger presidente da República do que qualquer outro livro líder de esquerda. Mas isso tem também a ver com o fato de que o o PT não tem uma liderança relevante com menos de 50 anos. O PT não tem uma liderança relevante com menos de 50 anos, gente. Manuela Dávila tá tá fora do PT.

¶95Eh, Guilherme Bolos tá fora do PT. Eric Hilton tá Taba Tamaral tá. João Campos tá. Todos os todos os nomes políticos de esquerda relevantes estão fora do PT. Isso diz algo sobre o partido, tá?

¶96Eu não tô fazendo juízo de valor. É, Hilton e Tabatamaral são políticas que eu estou botando à esquerda do espectro, que são entre si muito diferentes. Eu eu eu só tô mostrando que liderança importante de esquerda tá fora do PT. Então, existe uma escolha por parte desse que é o partido dominante da esquerda brasileira. É uma escolha ativa de não se renovar e é uma escolha ativa de sustentar na liderança um líder popular, que é um líder extraordinário na história do Brasil, mas que é um líder que tem problemas éticos, entendeu?

¶97Existe uma escolha que é uma escolha da intelectualidade brasileira. A gente não fala sobre isso, entende? e e intelectuais e jornalistas tendem a ser pensadores. Quem pensa o Brasil eh eh aí eu tô botando nesse jogo cientistas políticos, sociólogos, eh eh antropólogos, entendeu? Filósofos, jornalistas eh eh gente da área do direito que também pens tem muitas muitos caminhos para você pensar o Brasil.

¶98Como boa parte desse grupo é progressista, a gente fez coletivamente uma escolha de não falar sobre ética, entendeu? Ah, não, porque senão o Bolsonaro volta. Ah, não, porque senão isso. Ah, não, que senão aquilo. Ah, entendeu?

¶99uma cresteria de golpe da Dilma que nunca aconteceu. Eh, e então a gente vai criando esse ambiente em que essa conversa não é relevante. Eu acho, sinceramente, o que que aconteceu aqui? O que que aconteceu com o colapso da operação Lava-Jato. O centrão assumiu o poder no Brasil.

¶100O centrão o centrão tinha poder no Brasil na primeira república. O que que é o centrão? esse conjunto de lideranças regionais que se aliam usando por critério unicamente o fato de que cada uma quer se manter como a liderança naquela região. Tipo, a disputa não é ideológica, a disputa é de poder local, cada um no seu. Eu protejo o meu, você protege o seu, a gente junta é mais forte e vamos nos juntando.

¶101Esse esse tipo de maneira de agir politicamente existe desde o império. se tornou a a base constituinte de poder da primeira república. Desde o final da primeira república era uma base existente, porém auxiliar dos presidentes da República. Na República de na no durante o Estado Novo era auxiliar do ditador Getúlio Vargas. Na República de 46 era auxiliar de todos os presidentes da República.

¶102Durante a ditadura militar era subserviente aos ditadores. Durante quase toda a Nova República era a base de presidentes como Itamar, como color, como Fernando Henrique, como Lula, como aí a partida Dilma começa a desandar e hoje, novamente este grupo político é o grupo político que tem poder. Lula não é um presidente com poder. O Lula é um presidente fraco, não por culpa dele, mas dadas as circunstâncias, ele é um presidente fraco. Em grande parte, o centrão tem assumido, é um fracasso também de nós que estamos no debate público, que escolhemos não falar sobre ética.

¶103Entende? O que eu percebo, o que eu acho, Flávia, e aí eu tô apenas encostando no no nessa conversa, mas eu acho que a boa parte da conversa que a gente tem que ter parte da apatia da sociedade. Eu acho que tem a ver com o fato de que você olha pras principais forças políticas do Brasil e todas fazem o jogo da corrupção, todas demonstram aceitar o jogo da corrupção, todas fazem um discurso público demagógico em relação à corrupção. Porque me perdoem, quando o Lula se vira e fala: "Não, se tiver que investigar meu filho e prender meu filho, que investigue e que prenda". Isso é pura demagogia.

¶104O Lula não acredita nisso, nunca acreditou. Eh, eh, tanto que, eu insisto, tentou o o Andrei Rodrigues tentou eh mudar o delegado da Polícia Federal que ordenou a investigação do Lulinha, tanto que o Lulinha tá morando na Espanha para se proteger, entendeu? Porque lá ele tá longe da Polícia Federal. lá ele consegue se deslocar para qualquer lugar da Europa que esteja eh eh longe inclusive de um mandato. Enfim, gente, eu tô eu tô muito inconformado com isso.

¶105Eu tô muito inconformado com isso mesmo, entende? Porque eu acho que isso é um fracasso coletivo gigante. As duas principais forças políticas brasileiras, que são o bolsonarismo e o lulismo, e me permitam chamar de lulismo porque não é o PT que ganha a eleição ou Lula. A força é o Lula no PT. Então, o Lulismo e o bolsonarismo são forças que pactuaram com corrupção, que jogam o jogo da corrupção, que sequer se preocupam.

¶106Eu tô muito chocado com o fato de você, de a gente ter chegado na véspera da eleição e localizado uma uma ligação entre o filho do presidente da República, o chefe de gabinete do presidente da República e o escândalo do INSS e todo mundo lidando com isso como como é só mais uma coisa que tá acontecendo. Pedro, >> nós já tínhamos o vice vice-líder das pesquisas empatado tecnicamente com o presidente da República, com a voz dele pedindo dinheiro para o dono do banco, que é o protagonista do maior escândalo de fraude bancária da história do Brasil. E esse cara perdeu três pontos na pesquisa, sei lá. Mas gente, eu eu entendo essa tua indignação, Pedro, mas eu honestamente eu fico pensando na eu eu tô realmente aqui tentando fazer um exercício de pensar com a cabeça do eleitor médio e não com a minha. uma pessoa que mora numa cidade pequena, por exemplo, do Brasil, não prec não não tô pensando ou um morador do próprio Rio de Janeiro, de São Paulo, eh, isso que você tá descrevendo, isso não é um fenômeno necessariamente novo ou exclusivo deste momento da eleição.

¶107As pessoas convivem com a noção de corrupção na política e convivem de uma maneira passiva, eu diria, há muito tempo, desde sempre. A gente a gente teve o lema do Paulo Maluf, que no fim não era dele, mas que ficou colado nele, que é o rouba mais faz. >> Adem Barros. Sim, eu sei que é do demorar de basos, mas ficou em São Paulo na no imaginário popular ficou colado. Isso ficou colado a uma Luff.

¶108E isso eu tô falando só de 30, 40 anos para cá. >> Eu eu não tô agora vamos sair das grandes cidades, vamos pensar numa cidade pequena. a a ideia de que um prefeito da cidade, na verdade, eh, olha a gente, casa de prefeito em cidade pequena é ponto turístico, porque é a melhor casa da cidade sempre. E as pessoas associam isso a uma noção de que entrou paraa política, ficou rico. Eu, longe de mim achar que isso é bonito, é bom, olha que confortável.

¶109Eu não tô dizendo isso. Eu tô falando como que as pessoas lidam com isso na hora de fazer as suas escolhas políticas. Aí o que que mudou? Então o que que é mais recente? O que que é mais fresco nessa história toda?

¶110é que a partir de 2014, particularmente, eh, já tinha tido mensalão, mas a partir de 2014 consolidou-se a noção de que PT com o Lava-Jato e depois mais paraa frente com as denúncias também contra o próprio Aécio que aí, né, porque eh acabou contaminando outro nome grande presidencial, né, e tal. Mas, ó, o color foi preso por Elba. E então assim, nem isso, nem o fato de que chegou no nível presidencial era novo. O que foi novo é que contaminou a esquerda, é que chegou no Lula, é que chegou nos governos do PT. E a partir, a meu ver, Pedro, eu acho que discursivamente há uma virada sobre indignação com corrupção quando chega ao aos governos de esquerda, que, como você mesmo falou, sempre tiveram sim um discurso super moralista sobre corrupção.

¶111Eh, e isso eh vira rastilho. a gente, o governo Bolsonaro, o próprio Jair Bolsonaro se blindou de corrupção pra opinião pública de uma maneira eh que a gente ainda não compreende, que é parecida com o que o Trump consegue fazer. eh que o Trump é uma das pessoas eh uma das figuras da política americana mais corruptas de que se teve notícia na história e isso não cola nele. É é algo que ele passa completamente ileso aparentemente até aqui, né? Vamos ver, vai ter midtermes, mas não me parece que esse vai vá ser o tema central eh do combate.

¶112Existem alguns políticos da esquerda americana que usam o fato de que ele tá fazendo 1 bilhão por dia, sei lá quanto, a cada movimentação. outro dia fizeram um gráfico, que é a coisa mais linda, eh, em termos de interesse público, da oscilação, eh, da fortuna do Trump com as eh na verdade da oscilação dos preços da de algumas ações com os discursos dele sobre o fim da guerra no Irã, né? Então, assim, é uma coisa, você fala: "Bom, eu desconfio que o nome disso aqui é corrupção". E a coisa segue caminhando. Então eu entendo a sua indignação.

¶113Eu não tô menosprezando ela, nem falando que a gente não devia se indignar, mas eu acho que existe muito brasileiro, muito eleitor brasileiro que que não tem esse mesmo tipo de relacionamento com esse assunto que você tem e que computa esses escândalos de maneira diferente. E eu não tô falando n dos engajados, não dos militantes. Tô falando da pessoa mais que vai tocando ali a vida até ali aquela semana antes da eleição, que é quando vai decidir. Ela tem esse sentimento de que é não, política igual corrupção, ela tá errada. Não é todo, não é todo mundo corrupto.

¶114Não é verdade que seja todo mundo corrupto. Existem sim, como você mesmo falou, políticos que não são corruptos. Agora você virar essa chave na cabeça das pessoas, principalmente diante do fato de que os casos de corrupção, né, são bastante importantes, são numerosos, são eh eh com números escandalosos, envolvem figuras tão proeminentes da política. Putz, aí como é que você vai dissolver essa percepção? É muito difícil.

¶115É, é realmente muito difícil. >> E a polarização deu uma capa de proteção a mais para os políticos, né? essa identificação eh extremada que eh e que vai, né, sendo dividida. Claro que tem pessoas muito extremas, muito identificadas, muito ligadas nisso, mas isso se espalha também na identificação do eleitor com o Lula, com o Bolsonaro, com a família do Bolsonaro. E isso faz com que a pessoa relativize certas atitudes e relativiza de forma mais criativa possível, é que o outro também faz, é que pelo menos ele não é golpista, mas é que pelo menos tá investigando, mas é tudo é possível.

¶116O Garotinho costumava falar que os episódios de violência no Rio de Janeiro, quando o Garotinho era governador e acontecia algum episódio de violência grotesco desses do Rio de Janeiro, o garotinho falava que isso era era resultado do bom trabalho da polícia, que a polícia era tão boa que os bandidos faziam essas demonstrações de força, eles faziam essas ações como uma demonstração de força. E é um pouco disso. eh nos condenam pelas nossas virtudes, mesmo quando o caso é de corrupção. E é a a identificação política faz com que as pessoas passem por cima disso e acreditem em mim que eu torcia pro Vasco do Eurico Miranda. A gente encontra formas de [risadas] encontrar jeitos de conciliar essas duas coisas eh e seguir adiante.

¶117>> É, você você pode, eu torci pelo Flamengo do Márcio Braga. E e não estou comparando o Márcio Braga com Eurico Miranda, porque eu acho que o Eurico só seria comparado com ca d'água. >> Exatamente. [risadas] [suspirando] >> É uma escolha muito difícil, né? Ô, ô ô, seria comparável talvez ao caixa d'Água.

¶118A Flávia tem a sorte de não saber quem é caixa d'água. Eu e Magnum sabemos. Você sabe? >> Eu sei quem é o caixa d'água. Eu sei quem é o caixa d'água.

¶119>> Pois é. Eu [risadas] queria só aproveitar esse >> Era tão jovem e acompanhava até o futebol do Rio de Janeiro. >> Exatamente. >> Casada com cartola, né? >> Casada com Cartol a futebolista da mesa aqui, na verdade, é Flávia.

¶120Não é nenhum de nós aqui, não. >> Eh, mas gente, só queria mandar um beijinho pro Rafael Petinat, viu? Brinde para você, Rafael Petinate. Agora posso fazer um convite breve aqui? por favor.

¶121>> Eh, tem um monte de gente me falando que eu tô passando pano. Eu eu realmente não enxergo isso porque e eu enfim, depois eu eu quero depois fazer uma autocrítica aqui no ar, porque até gente que que eu considero para caramba, tá falando que eu tô passando pano e eu não tô enxergando uma maneira de passar pano, mas enfim. Mas sabe o que que eu queria dizer para vocês? Sabe essa discussão que a gente tá tendo aqui e esse essa sensação que a gente tem que a gente precisa dar uma aterriçada no que que afinal vai ser essa eleição e quem são esses candidatos e a diferença entre eles, né? Para além desse sentimento de que é tudo igual, existem diferenças, né?

¶122Eh, a gente tem uma novidade para vocês. Não sei se vocês estão sabendo, não sei se vocês já deram uma navegadinha aí nas nossas redes sociais ou se para quem viu o >> o ponto de partida de ontem já apareceu, foi a estreia do trailer do nosso novo documentário, gente. Eleições 2026, a escolha. O trailer já tá no ar. O documentário está chegando, chega dia 22 de agosto, que é sábado agora.

¶123>> É, já é tipo daqui, né? Piscou sábado, você sabe, né? E é um documentário que tá muito incrível, que eu, a passadora de pano oficial do canal meio, tenho a honra de apresentar com a o nosso líder Pedro Dória, e é um é um documentário que tá tá ele tá muito interessante porque ele apresenta os nossos os candidatos à corrida presidencial, os cinco principais, as suas trajetórias, eh ouvindo gente que conhece cada um deles, os dois principais, principalmente, eh, a fundo, para entender quem que Brasil é esse que vai estar na urna em 2026. Então, tanto do ponto de vista dos candidatos quanto dos eleitores, eh, o roteiro é assinado pelo Sérgio Rodrigues, a direção do Ricardo Rangel. Eh, é um produto que tá assim, o trailer já dá um gostinho e ele tem a imensa qualidade de ser exclusivo e original do streaming do meio.

¶124E você que ainda tava esperando um pretexto para ser assinante premium do meio, tá aqui. É esse, é agora. It's now or never. Então, Code está na tela. Eh, e eu convido você a ser assinante premium, porque a nossa cobertura de eleições está apenas começando com os debates aqui ao vivo, sim, todos os dias, gratuitamente, mas com muito, muito conteúdo premium para você aprofundar, formar sua própria opinião, eh questionar.

¶125Eh, a gente no clube tá tendo debates incríveis, então assim, de repente você até já é premium, mas percebeu que perdeu, né, essa onda e aí você vai ver o doc, vai falar: "Putz, eu devia ter entrado no clube para poder comentar isso aqui. Dá tempo, é só virar premium mais cursos". Mas enfim, o Doc chega sábado, o trailer já está no ar, é exclusivo para assinante premium. Assim, >> Flávia, inclusive importante dizer que depois no final do central, quem ficar com a gente até o final vai poder assistir o trailer, vai rodar aqui direto. É só continuar na transmissão e aproveita, obviamente, segue a recomendação da Flávia e já se torna assinante para não perder.

¶126É sábado, dia 22, a estreia tá muito perto. Ainda dá tempo de você se tornar assinante e poder assistir a esse documentário. Eleições 2026, a escolha. Um super nome, né? Eu achei esse nome tão, tão forte quando chegou para mim.

¶127Mas, ó, deixa eu trazer aqui duas perguntas da audiência. Aproveitando, Flá, que você citou o o caro presidente norte-americano Donald Trump, >> eu vou trazer aqui uma aporação eh da nossa da nossa editora Maria Paula, que trouxe aqui a pesquisa Reuters Ipsus, que saiu ontem e que tá dizendo que a taxa de aprovação do presidente norte-americano Donald Trump caiu pro nível mais baixo do seu segundo mandato. De acordo com essa pesquisa, Reuters Ipsus. Bom, a maioria dos norte-americanos, portanto, tá bastante preocupada com a duração da guerra com o Irã. E agora, seguindo aqui nos comentários, gente, o Israel Braga diz que o eleitor não acredita mais em punição para corrupção e que é simples assim.

¶128Agora, o Thiago Sarro, eu gostei da do comentário dele, ele traz uma pergunta pra gente. Nos anos 90 o PT, >> pera aí, segura, segura, Yasmin, segura. Thiago, Sarro é o próximo, pessoal. Roteiro Sérgio Rodrigues e Víor Sá, com apoio do Ricardo Rangel. Eh, o Sérgio Rodrigues é o nosso roteirista de todos os documentários e eu acabei cometendo essa falha de não atribuir também ao Víor e ao próprio Rangel que colaborou.

¶129Roteiristas do nosso doocções 2026 à escolha. Desculpa. E tá feita aqui a correção. Foi hábito, força do hábito de só falar do Sérgio. Tá feita a correção.

¶130Segue com Thago. >> Imagina. Vamos então à pergunta do Thago. Ele diz assim, gente, que nos anos 90 o PT foi a voz contra a corrupção. Depois, nos anos 2018, Bolsonaro emergiu como essa voz contra a corrupção.

¶131Será que pode surgir uma nova força política com essa bandeira? Resta saber se essa bandeira ainda tem essa força toda. Tá aí minha pergunta para você, Pedro. Eu eu acho que eh eu eu sei que é tentador a gente a gente ficar repetindo isso de ah o Brasil sempre foi corrupto, tudo mais tal. E e isso primeiro, eu eu primeiro acho que é importante a gente estabelecer uma coisa, isso não é verdade.

¶132Eh, se a gente está falando de desvio de dinheiro público para enriquecimento pessoal, para campanha política, isso simplesmente não é verdade. Eh, políticos não enriqueciam na política. era, aliás, visto uma eh visto como uma coisa de profundo mau tom eh eh até a primeira república não tem um presidente da primeira república que tenha eh eh veja, república oligárquica, entendeu? É cheio de problemas, cheio de problemas. E super elitista.

¶133Eh, no final da primeira república, algo tipo 6% da população tinha direito ao voto. Um monte de problemas naquela república. Não era uma república na qual o político enriquecia. E simplesmente não é verdade. Uma das razões, inclusive você pode argumentar, é era uma república elitista.

¶134A a maior parte das pessoas chegavam eh eh lá ricas, entende? Mas tem um exemplo que eu gosto de citar e e porque é uma história que eu conheço de família, mas existem 300 histórias eh do tipo Prudente Moraes, que foi o primeiro presidente civil, eh, quando deixou o o governo em 1898, se eu não me engano, eh para ser substituído pelo Campo Sales, eh cumprimentou o Campo Sales no Palácio do Catetinho, que é o Itamaratizinho na época, ainda não era o Palácio do Catete, a sede da presidência da República. cumprimentou o campo sales, chamou um táxi que era um táxi já, só que era puxado a cavalo, chamou um táxi, um um um carro de coxa, a bagagem dele já tava pronta, foi pra central do Brasil, que era estação de trem, pegou um trem pro interior de São Paulo, que era a terra dele, e no dia seguinte reabriu o escritório de advocacia dele. Por quê? Porque ele precisava trabalhar para viver.

¶135E e isso é o Prudente, é o Campos Sanes, Rodrigues Alves, você vai subindo, todo mundo trabalhava para viver. Ninguém, ah, claro, de vez em quando pintava o Hermes da Fonseca, cuja mulher era rica para É, aí não precisava trabalhar e entende? E tudo bem, a mulher era rica para tinha dinheiro. Eh, e o o não se roubava para enriquecer a Isso começa a acontecer no governo Getúlio Vargas, na ditadura do Estado Novo, em que o Getúlio bota eh nomeia interventores para cada estado que faziam o papel de governadores. que o sujeito que vai parar em São Paulo é o sujeito que cria o apelido que ganha o apelido rouba mais faz e que é o Ademar de Barros, né?

¶136E que é o sujeito que meio que inventa, não é que ele estivesse inventando sozinho, mas a percepção brasileira de que políticos roubam nasce com a demar de barros entre os anos 30 e os anos 40. Ainda assim, é um troço que é raro. Qual é o grande escândalo de corrupção do governo Vargas? Eh, já o governo civil do Vargas em 52, que o Carlos Lacerda cunha a expressão: "Existe um mar de lama nos porões do catete." O João Gular, que era ministro do trabalho, tinha assinado uma ordem pro diretor do Banco do Brasil conceder ao Maneco Vargas um empréstimo que ele ia ter que pagar a juros menores. Esse é o grande escândalo de corrupção que o Carlos Lacerda denuncia e que o Brizola amargurado fica com o negócio entalado na garganta pro resto da vida, entendeu?

¶137Ficar denunciando o escândalo de corrupção e é e é moralismo. Esse era o escândalo de corrupção terrível. O Banco do Brasil concedeu ao Maneco Vargas, que é filho, que era filho do presidente da República, um empréstimo com juro subsidiado. Tipo, ele ia ter que pagar o empréstimo, tá? Não era uma coisa assim.

¶138Aí, cara, no governo JK explode com a construção de Brasília uma pancada de empreiteiro. Agora, olha o que que o JK faz. É porque as pessoas não conhecem essas histórias, sabe, Flávia? O que que o JK faz? Ele cria uma empresa chamada Nova CAP.

¶139E essa empresa é a empresa que toma conta da construção de Brasília. Por que que ele faz isso? Porque o Jcelino entendia que ia ser impossível construir com aquela velocidade uma cidade no centro do país, ainda mais uma cidade de concreto armado que a arquitetura modernista e e exigia sem haver corrupção, que ia ter muita mão molhada no meio. Então o que que ele faz? Ele isola a construção de Brasília do governo dele.

¶140Não tinha um único ministro que assinava um único cheque que tinha a ver com a construção de Brasília. A corrupção explode no governo de JK, mas tá numa empresa, numa empresa estatal, mas tá numa empresa. Aí vem a ditadura [limpando a garganta] militar. E na ditadura do militar, a coisa vira uma esculhabação só, porque é a Transamazônica, é Ponte Rio Niterói, é Itaipu, é é é é Angra dos Reis, a Usina de Angra dos Reis. Você começa a ter obras todas megalomaníacas, simultâneas, caríssimas e começa a ter gente fazendo fortuna a torto é direito.

¶141Escândalo Delfim, escândalo coroa Brastel. Ali a gente começa a conviver com o mundo de escândalos e tudo mais. Patrimonialismo, gente que usa o poder para si, sempre existiu no Brasil. Eh, se beneficiar do poder, né? Pegar uma carona em exato em avião presidencial e eh conseguir uma decisão de juiz, isso sempre teve.

¶142Agora, esse tipo de corrupção não teve. E durante boa parte da Nova República, Flávia, a gente chegou a um ponto de bastante eficiência do governo federal. A gente conseguiu ter governos federais, governo Fernando Henrique e governo Lula, que entregaram muito pro brasileiro. A gente chegou a ter um tipo de padrão de governo que o Brasil jamais tinha tido. Acho que existe uma coisa que mudou fundamentalmente e que não era assim, que é o centrão assumiu o poder e e o centrão ter assumido o poder é o que permite, por exemplo, casos como Daniel Vorcaro.

¶143A gente nunca teve, como a gente tem, dois, possivelmente três ministros do STF, tendo sido corrompidos por um cara como Daniel Vorcaro, entendeu? Ministro ministro da STV. O ponto que eu tô fazendo é, a gente não pode tratar, eu discordo de a gente tratar esse troço como: "Ah, mas sempre foi assim, o eleitor tá acostumado, tal". Eu sei que o eleitor tem a impressão de que sempre foi assim, mas um não é verdade que sempre foi assim. E dois, não só, não é verdade que sempre foi assim, como a gente precisa muito compreender que nunca foi como está agora.

¶144A gente tá num ponto de normalização de corrupção no Brasil que que é muito sustentado por essa percepção de que sempre foi assim. E isso não corresponde aos fatos, isso não corresponde à história e e a gente tá num buraco. E sim, eu acho que a polarização eleitoral é a principal força motriz dessa máquina geradora de corrupção. E o que eu quero dizer com a principal força motriz dessa máquina geradora de corrupção é uma coisa muito simples. É justamente a polarização afetiva que faz com que honestidade comece a ser aparecer ao olho do eleitor uma coisa de gente ingênuo.

¶145Ah, pelo amor de Deus, você também tá sendo. Tem algumas pessoas aqui estão dizendo que você tá passando pano. Tem um bando de gente aqui dizendo que eu sou ingênuo, que no fim das contas é a confirmação. Desculpa, eu não sou ingêno. Eu conheço a história do Brasil, eu conheço esse troço, como é que funciona.

¶146Eu sei que não precisa ser assim porque nunca foi do jeito que está no Brasil. Desculpa, Fábio. E >> tem muito político honesto, né? Respondendo a pergunta feita pela Yasmin, acho que nenhuma força política quer fazer o investimento na honestidade, porque é um investimento, é uma, é uma decisão estrutural no seu partido. Olha, nós somos intolerantes com a corrupção, nós somos como qualquer lugar.

¶147Olha, você tá numa empresa, você tá num trabalho, alguém está sendo corrompido ao problema ali, mas isso requer um investimento, requer que em 2026 eu vou abrir mão de alguns votos, eu vou abrir mão de algumas lideranças e alguns estados, mas eu eu estou convicto de que esse é o caminho. Nenhuma força política no Brasil quer fazer esse investimento, como nenhuma força política quer fazer um investimento fora da polarização, que tenha mais de 6 meses de vida. Eh, a gente não consegue, enquanto sociedade refletida na nossa política, se é que a política reflete alguma coisa da sociedade nesse momento, não consegue tomar uma decisão que seja de médio prazo, que seja, olha, nós temos que iniciar um processo para que a política brasileira seja depurada para o bem da própria política. A pior coisa que você pode ser no Brasil é um político honesto, porque você não vai participar do esquema de ganhar grana e todo mundo vai achar que tá bandido de qualquer forma. Então você tá só levando a fama e não tá levando eh nenhum dos benefícios.

¶148E aí, um candidato nessa eleição, a vice-presidente, a lei eleitoral, provavelmente não deixa a gente falar o nome, a se candidatou à presidência, perdeu a eleição, arrumou um emprego e foi trabalhar de médico. Ele foi trabalhar de médico, dirigindo no próprio carro e foi arrumou um emprego. O Dr. Geraldo arrumou um emprego, foi viver a vida dele. Não é impossível, não é que e muitos e muitos políticos fazem isso o tempo todo.

¶149Magno, desculpa só interromper, eu só quero sublinhar o que você tá falando. O o o Geraldo é um excelente exemplo exatamente desse comportamento que você tá que você tá citando, né, Dr. Geraldo? É isso. Foi lá, cara, foi trabalhar no programa do Ronivon >> de tarde na Gazeta.

¶150>> De tarde na TV Gazeta de Jaleco dando o conselho médico. Ele foi trabalhar, entendeu? Ele foi trabalhar porque ele precisava trabalhar para se me ver. É, o cara foi governador do estado mais rico do Brasil algumas vezes, tem uma vida política super longa e foi arrumar um emprego. Então, há muitos outros políticos que simplesmente decidem sair da política ou perdem a eleição e vão arrumar um emprego.

¶151Eh, eu faço da minha missão. Toda vez que a o assunto corrupção aparece, eu tento eh traficar para qualquer coisa que eu fale uma defesa dos políticos honestos, porque eles são ganham muito bem. É verdade, mas também aturam certas coisas que poucos entre nós topariam aturar. Eu e gente, eu não sei se ficou parecendo que eu acho que corrupção é legal. Eh, e que e >> tá, porque assim, eu não acho, tá, eu acho bastante sério.

¶152Eu acho que as pessoas e eu queria frisar inclusive uma coisa que eu falei, eu acho que criminalmente essas pessoas têm que ser investigadas e processadas e eventualmente punidas. Todas, todas, todos os casos em que eventualmente ficar comprovado que houve corrupção passiva ou ativa, porque existem dois tipos de corrupção, o dos que são corrompidos e o dos que corrompem. Os dois tipos são passíveis de cadeia, inclusive devem ser todos os envolvidos punidos. Eh, o Lulinha é culpado, tem que ser preso. O Flávio Bolsonaro é culpado, tem que ser preso.

¶153O próprio Lula é culpado, tem que ser preso. Eu eu não acho de maneira alguma. E eu não acho, inclusive, que as pessoas olham para isso e não querem exatamente o que eu estou dizendo. >> Hum. >> Não é isso que eu estou falando.

¶154E eu tentei também na minha fala localizar que sempre houve corrupção a partir da Nova República, né, que foi ali a partir do color. Eu me lembro, eu tenho muito essa memória viva assim física, CPI dos anões do orçamento e do sangue sugas, das duas. E eu me lembro de ouvir assim comentários na minha casa, no ambiente doméstico, na coisa, né? Eu era muito, era uma jovenzinha, [risadas] uma bebê. É.

¶155E aí eu me lembro assim de leve, né? era muito bebezinha ainda, mas das pessoas assim, eu ficava assistindo a CPI do orçamento. Mas eu me lembro muito de começar a ouvir esse tipo de coisa de é político, né, gente? Político é isso aí, político e também tenho vivência de férias e de família no interior. E essa essa cena que eu descrevi de eh de eh como é que se chama isso?

¶156de excursão pra casa do prefeito. Isso daí é a coisa mais comum. E aí você fala: "Ah, bom, é também o prefeito, né? Você sabe que o filho dele, aliás, é vereador e olha, >> tá ali com a empresa do não sei que e assim vai. Isso é muito ruim pra gente.

¶157Eu concordo com vocês que é muito ruim. Eu então assim, [risadas] se é por aí que as pessoas estão achando que eu passei pano para alguém, não é bem por aí a minha defesa da coisa. Eh, agora eu sigo dizendo, vou, né, vou então talvez passar o pano na outra ponta que é a gente está lidando com uma eleição em que claramente isso não está central pro eleitor. Aí alguém perguntou ali, não vou me lembrar o nome do do espectador que colocou no comentário: "Por que que vocês têm tanta certeza?" E a minha resposta é porque o ponteiro das das pesquisas não se mexe mesmo diante de um noticiário que aponta indícios de corrupção dos dois principais candidatos. Mexe um pouco, aí tem um refluxo, volta aí mexe mais um pouco, aí tem outro refluxo.

¶158A gente ainda não sabe o que vai vir após essa nova rodada eh de de vazamentos e de denúncias contra o Lulinha e o Marcola. não foi sondado desta desta semana, né, mas até sexta-feira, que é a última quest, não estava mexendo drasticamente. O número do Lula segue praticamente imexível para lembrar um >> lembrando já que a gente está já que estamos viajando no tempo, >> viajando no tempo. >> Eh, e o do Flávio, que havia tido um recu logo após a o o áudio do Vorcaro, eh, já vem voltando a encostar. Então, o indício que a gente tem de que isso não é uma preocupação do eleitor neste momento é este, é que as pesquisas não estão eh capturando ou captando uma uma preocupação central com esse noticiário, não estão.

¶159E aí eu acrescento o o a isso o fato de que eh eu não sei também o quanto isso não reflete uma e e novamente não tô falando que isso é positivo ou negativo, mas eu não sei o quanto isso não reflete uma contaminação permanente de denuncismo >> em campanha, [roncando] >> eh, que é, enfim, toda campanha política você vai sempre tentar apontar o ponto fraco do outro, o ponto fraco do outro é natural. Campanha política tem isso como como vetor, né? Mas as pessoas estão todas muito cansadas e as pessoas estão querendo eh eventualmente talvez uma um frescor, uma proposta, uma discussão nova e tá beleza, tá, o filho é é bandido ou tá loja de chocolate, todo mundo já sabe. E aí e e que vai ser? Porque um dos dois vai ganhar.

¶160E que que eu faço com isso? Eu acho que tem um sentimento de desalento, de falta de perspectiva que eh esse tipo de de noticiário, por mais grave que seja, e é grave, então se ainda ficou claro que eu acho que é grave, é grave, eh não alcança, não alcança o o desalento. na verdade, talvez só aumente esse desalento. E as pessoas estão olhando para tudo isso. Bom, de qualquer jeito é um dos dois que vai ganhar.

¶161>> Eh, eu vou continuar sem nenhuma solução aqui pros meus problemas do dia a dia. E aí, então, qual é o critério? E voltando à minha fala inicial, talvez as pessoas estejam pensando em outros critérios. Isso não é bom para nós. Eh, mas eu acho que é o que é.

¶162Neste momento eu tenho essa percepção de que é o que está acontecendo. E aí, bom, agora já do tanto que eu já falei o termo passar pano neste dia, eh, agora eu encerro a minha a minha participação, a minha faxina, >> aliás, que é um dos termos eh populistas mais comuns de falar que o Janil Quares já falava em faxina, em vassourinha, era teve uma a faxina da Dilma. Isso. Teve a fascina da Dilma, que aliás ele rendeu o pico de popularidade. >> Exatamente.

¶163Desbancou a popularidade do Lula e levou na faxina o Lup >> e foi embora nessa faxina de novo. >> Exato. E que e que demorou e que o Lula demorou para demitir, porque o Lula Sim, ele demora, ele demora para atuar quando tem caso de corrupção no no governo dele, muito mais do que a Dilma demorava. >> A Dilma passou, a Dilma foi no atacado, né? Porque a Dilma, porque aliás em parte porque a Dilma não queria fazer nem nada com o centrão, né?

¶164É que ela tentou fazer de um jeito que [risadas] que não não combinou com todo mundo. O papel o papel que ela ela era ela era daquele jeito, mas ela ainda era presidente do Brasil e ela esqueceu dessa parte. >> Então, >> mas talvez a gente esteja vivendo a ressaca da super politização de 18 e 22. Talvez seja cedo demais. Eh, talvez poucos de nós brasileiros estejamos pensando e e prestando atenção em eleição em em agosto, mas talvez a gente esteja vivendo essa ressaca da hiperpolitização e as pessoas estejam meio cansadas, já escolheram e vida que sai.

¶165Ah, e você a superpolitização também da polícia, da das investigações. >> Isso mesmo. da justiça, >> da justiça. A a o Pedro falou muito bem sobre o como o centrão protagoniza essa eh, né, essa mudança de chave da corrupção na política, mas muita gente se esquece do tanto de gente que foi presa na Lava-Jato, do central. Teve muit O Eduardo Cunha preso na Lava-Jato, gente.

¶166[risadas] O Valdemar não, né? Foi no meio salão, né? foi no meio salão. Mas assim, eh, eu eu vou eu eu vou até pegar esse número, mas eu cobri Lava-Jato, mas a minha cabeça, né, também vai derretendo, né, o com o tempo o volume de informação. Eh, mas assim, teve muita gente, >> pô.

¶167Se a gente pegar aqui Sérgio Cabral, Pezão, Michel Temer, eh, Eduardo Cunha, a gente pode ficar aqui. >> O Michel Temer chegou a ser preso. >> Foi preso. Ele, ele diz que foi sequestrado. Ele foi, disse que foi sequestrado, >> mas ele foi preso.

¶168Ficou pouco tempo. Uma noite, saiu uma noite. >> É, foi bem, mas ele não chegou a ser condenado, não foi. Teve uma teve uma, agora tô lembrando da lista do Janô. Eh, nossa senhora, gente, parece que faz três encarnações.

¶169Eu juro para vocês, [risadas] eu não sei se o espectador tem essa mesma impressão, parece que faz tipo 50 anos que eu comprei esta parece que foi há muito tempo atrás. Loucura isso. Mas é isso. Então assim, eh eh teve PT eh o núcleo duro ali todo do PT, mas teve muita gente do do da base, porque naquela época o PT construí a base, né, mais ampla. Então e e de partidos do centrão que acabaram envolvidos, que estavam envolvidos eh no no desvio de verbaas, algumas das diretorias eram do PP, algumas eram do MDB, >> né?

¶170Então, eh, essa essa turma Ciro Nogueira, eh, tudo passou pelo mesmo escândalo. Todo mundo passou pelo mesmo escândalo, né? Era era um consórcio. [risadas] Então, enfim, >> era um [roncando] consórcio. As pessoas não lembram.

¶171Eu eu adora isso, né? Valdemar Costa Neto e Zé deceu dividiram cela. >> É isso. Não falão, né? O Zé ainda reclama do Valdemar.

¶172>> Reclama, [risadas] reclama. Você sabe quando o Zé Dirceu esteve aqui no estúdio na entrevista que ele nos concedeu pro Conversas Especial, ele que também foi em primeira mão exclusivo na íntegra para Assinantes Premium, Assinem, eh, na hora que a gente tava saindo, porque para quem não sabe, eh, nós jornalistas temos muito isso, né, Pedro, de algumas das melhores conversas com fonte a gente tem na hora de despedir, né, na porta, assim, porque aí a pessoa já relaxou. já tá à vontade, tal. Algumas depois a pessoa pede off quando é, mas nesse caso não era off, então eu posso falar mesmo porque não tinha nada de muito de muito quente assim. Mas eu perguntei pro Zé Dirceu a hora que a gente tava indo embora, descendo a escada aqui do estúdio, falei: "Eh, então, ministro, né, que é como a gente se refere sempre ao político pelo se não se ele não está com cargo atualmente, pelo último cargo maior que ele ocupou".

¶173Eh, então, ministro, como é que é a sua relação com Valdemar? Porque hoje o Valdemar está exatamente diametralmente oposto. >> Ele falou: "Não, eu converso muito com o Valdemar ainda". Aí eu falei: "Vocês foram colegas de cela, né?" Aí ele falou: "Fomos, fomos". Ixe, conversamos muito aquele tempo lá, aquele comar [risadas] com bem, conversamos muito aquele tempo.

¶174Até hoje eu ligo pro Valdemar, a gente conversa muito e não sei quê. Então você vê, né? Tem gente que se esfalfando aí na rua, mas político profissional não segue fazendo política, né? [risadas] >> Segue fazendo política. E gente, enfim, eu eu temo ter parecido um lacerdista o programa todo.

¶175Eh, e e parte desse é melhor aparecer lacedista do que Boris Casoia, né? Cá entre nós. Eh, eh, eu não sei nem se Boris Casói é uma referência para quem tá nos assistindo, mas eh espero que não seja. >> [risadas] >> O, eu acho que principalmente a gente tem, é, é muito importante a gente entender que não foi sempre assim. Eh, eh, que corrupção tem uma história recente no Brasil e que possivelmente a gente tá no pico de de corrupção e isso tem que ser uma coisa com algum tipo de valor.

¶176Eh, eu a impressão que eu tenho é que o que o que tá movendo o voto do eleitor é fundamentalmente raiva do outro lado. É, é, é o desejo de excluir o outro lado de algum jeito. Eh, a esquerda quer excluir do debate público toda e qualquer voz da direita que esteja e que toque em qualquer calo da esquerda, eh, de da direita, perdão. E a esquerda eh se tornou a principal sensora do Brasil. Para quem viveu os anos 80, vê essa esquerda como a esquerda é hoje é um troço inacreditável.

¶177Eu tenho certeza se você pegasse qualquer líder político de esquerda dos anos 80 e pusesse no Brasil de hoje ficar estupefato com ação sensora por por parte da esquerda no Brasil hoje a direita eh tem uma tolerância com gente antidemocrática, que é um troço antidemocrática no sentido do de gente que leva pouco a sério o regime democrático. entendeu? Eh, a passada de pano que dão paraa tentativa de golpe militar pelo pelo pelo Bolsonaro, a passada de pano que dão que que fazem para eh gente, tipo, eh, levar a sério gente medíocre como Sérgio Moro, entendeu? É um sujeito sem nenhuma espinha dorsal, né? Um sujeito que deixa um governo, primeiro aceita um ministério nas condições que aceitou depois de ter prestado toda sorte de favores ao candidato Jair Bolsonaro.

¶178Isso, isso é corrupção, gente. Isso é profunda corrupção. É usar o seu poder dado pelo Estado brasileiro em favor de uma das partes num processo, numa corrida eleitoral. Aí deixa o governo acusando de corrupção aquele governo. E aí vem abraçar o candidato que representa aquele governo dizendo: "Tá, tudo passou, é tudo política".

¶179Nenhum no espinha doçal. Então, enquanto a gente tem essa esquerda sensora do lado e é eh que são os floquinhos de neve que não conseguem lidar com qualquer palavra um pouquinho mais dura. E do outro lado você tem eh eh essa máquina de passagem de pano para golpista e vê isso como as duas forças fundamentais que tocam a a política brasileira hoje. É muito deprimente. Agora, isso acontece porque as pessoas decidiram se odiar ou se decidiram, enfim, faz parte da máquina de comunicação que a gente tá usando.

¶180E enquanto a sociedade não cair na real, entendeu? Não parar para olhar e falar: "Somos todos brasileiros, o barco é um só. Se vai bem para todo mundo, vai ser bom. Se vai mal para todo mundo, vai ser ruim. Vamos chegar a um acordo aqui, porque a ideia de uma democracia é essa, né?

¶181Vamos chegar a um acordo aqui. Vamos lidar com as nossas diferenças. As diferenças não vão embora. Metade do país tá de um lado, metade do país tá do outro. Eh, é, é um pouco, é, é um pouco a sensação que eu tenho em que se por um lado isso é um momento em que a gente tá no pior buraco do ponto de vista de integridade do Estado, eh, dos homens públicos, eh, que a gente jamais teve, por outro, a gente também tá, né, com uma sociedade que de alguma forma eh decidiu achar, decidiu age como se o ódio que uns sentem pelos outros, o o ódio que se existe essencialmente pela discordância, né?

¶182Eh, é uma sociedade que permitiu que esse ódio tomasse as rédias como se nós fôssemos bichos, né? Como se nós fôssemos animais. Enfim, é é uma é uma situação é uma situação toda muito ruim. E a cada político que eu vejo incitando mais o ódio ao outro lado, é é mais desânimo que me dá, sabe? Desculpa, eu não tô no bom dia.

¶183>> Magno, fala >> só uma coisa, Pedro, >> por favor, >> antes da gente terminar, eh, a a gente falou a vindo da da pergunta de um espectador sobre a a questão da eu, >> tá ouvindo ainda, o Magno, só um momento. >> Pera aí, pera aí. >> Alô. >> Ah, pronto, voltou, >> voltou. Diga, Magn.

¶184Não, não. >> Ih, >> é o microfone >> agora caiu de novo. >> É o microfone do Magno. >> Só porque ele ia trazer uma mensagem de esperança. Encerrar >> a gente, oi, gente.

¶185aqui no meu stories, a gente falou muito sobre eh forças políticas e a bandeira da corrupção, como essa bandeira foi abandonada no Brasil, mas a gente precisa prestar atenção no que está acontecendo pelo mundo, porque o Brasil não tem nenhum motivo para acreditar que é diferente. Talvez uma circunstância tenha nos tornado diferente, que é a circunstância do bolsonarismo e do lulismo nesse período histórico que nós estamos vivendo. Porque há muito grandes, há movimentos e movimentos muito grandes em outros países do mundo, em outros países da nossa região, crescendo, ganhando popularidade, se focando em alguns poucos temas. Um é o combate à corrupção, o outro é a segurança pública. São dois problemas que o Brasil tem, são dois problemas que tocam no cidadão brasileiro de forma geral, independentemente de renda, de escolaridade.

¶186Eh, esse é um fenômeno que os toca também. E não há motivo algum para um fenômeno desses não aparecer no Brasil pós lulismo e bolsonarismo. Acho que o lulismo e bolsonarismo, a polarização afetiva, como o Pedro disse, é um fato. As pessoas se identificam com esses lados e isso acaba isolando o Brasil dessas outras possibilidades, mas não acho que a gente seja melhor do que os outros países que estejam ao nosso redor, onde essas coisas estão acontecendo. O risco da gente ter o risco, entre muitas aspas, a gosto do freguês, da gente ter um movimento muito focado na segurança pública e na corrupção e usando isso como trampolim para voto, porque tem muito voto aí, não deve ser descartado.

¶187Eh, isso elege deputado federal hoje, mas nada impede que eleja presidente daqui paraa frente. >> E para que vou também ser blogueirinha, tá? Pera aí. ou SMF, [risadas] >> não resisti, [suspirando] sorry. Eh, para quem assina a nossa newsletter gratuita diária, eh, [roncando] a gente indicou ali na curadoria a leitura de uma entrevista do João, do João não, do Batista Júnior, ex comandante da Marinha, que tá lançando livro.

¶188Não, calma. Ele era da Marinha, não era da Aeronáutica. Olha aí a mente da mãe cansada. >> Eh, falando sobre o quão próximo a gente realmente esteve de uma de um golpe militar em 2022. Eu recomendo, eu vou comprar o livro, inclusive e acho que é uma leitura bem interessante.

¶189Beijo. Tchau. >> Adorei. Terminamos com recomendação literária. Teve um pouquinho de depressão aqui da parte do Pedro.

¶190Aí o Magno já trouxe o clima lá pro alto de novo. Eu vou [risadas] >> eu vou fechar, gente, rapidinho. O meu clima o meu clima lá no alto foi alertar pra possibilidade do fascismo. >> Vem aqui, ó. Vem aqui do meu ladinho.

¶191Vem, vem. Pra gente dividir aqui o microfoninho. Tipo, Lenon e Macarnei aqui. Pera aí. >> Não deu, não deu.

¶192[risadas] >> Não deu. Ah, agora sim. Agora sim. >> Tipo dividindo os microfones assim. É, eu eu alertei pra possibilidade do fascismo aparecer, mas é que eu sou uma pessoa alegre.

¶193Então parece que eu estou sempre >> Não, eu achei que teve um uma vibe otimista em alto, como eu gosto de dizer, em alto baixo astral, >> a gente pode encerrar o central meio. Inclusive eu vou vi que eu vi que na dúvida que se se eu arrastar assim para para um dos lados, eu também apareço lá. Como é que funciona isso? Como é que eu [risadas] vem vindo, vem vindo. >> Ai, vamos fazer todo mundo juntinho.

¶194>> Vem, vem, vem pra gente despedir, >> gente. [risadas] O que que é isso? >> Tchau, gente. Vai, vai lá. Pedro, calma aí, mais um pouquinho.

¶195>> Pera aí que agora eu fiquei [risadas] agora sumindo. Aí, aí, aí, aí, assim, assim. >> Tchau, gente. Até amanhã. Central meio termina aqui.

¶196Até amanhã. Bebam água e [risadas] de olho nos nossos lançamentos. Em assim nem o meio. [limpando a garganta] >> Essa campanha tem que começar a verdade derrotando a mentira. O filho mais velho do capitão segue aqui de pé, firme e forte ao lado do povo brasileiro.

¶197[música] Os dois estão jogando o mesmo jogo, cada um preocupado com a sua eleição. Ninguém tá preocupado com o Brasil. Tudo que dá certo nesse país parece que o Pedro não gosta. Nós não precisamos ser refém de um debate [música] político construído entre um mongoloide como Flávio Bolsonaro e um cachaceiro senil como o Lula. >> [música]