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“Lula me ofereceu cargo”, diz lobista amiga de Lulinha | Central Meio

¶1[música] Oh. >> [música] [música] >> เฮ [música] >> [música] [música] >> Oh. เฮ [música] [música] เฮ [música] >> [música] [música] >> Olá, [música] boa tarde. Sejam muito bem-vindos e sejam muito bem-vindas ao Central Meio. Hoje é sexta-feira, dia 21 de agosto de 2026.

¶2Eu sou o Iasmin Restum e aqui comigo está o analista político Alexandre Borges. Oi Alexandre, tudo bem? >> Tudo bom. Sexou, Yasmin? >> Seestou.

¶3Boa tarde. Hoje a gente tem muito assunto, hein? >> Hoje tá quente. >> É que bom que você tá aqui com a gente. >> Obrigado.

¶4>> E ó, lá de São Paulo, a gente tem também a nossa querida Flávia Tavares. Tudo bem com você, querida? Tudo certo, já apostos aqui. Oi, Alexandre. Faz tempo que a gente não se encontra nessa [risadas] nessa bancada.

¶5>> Pois é, minha sexta-feira agora começou bem. Vamos com tudo. [risadas] >> Vamos nessa. Vamos nessa. >> Deixa só passar aqui para quem tá nos assistindo qual que é o assunto, a pauta da semana.

¶6Vamos lá, gente. Você já pensou em receber assim do presidente da República um convite? Tipo, escolhe onde você quer ficar? Pois é, tentador. Foi isso que a que a lobista Roberta Luxinger disse ter ouvido do Lula.

¶7Em mensagens obtidas pela Polícia Federal, a Roberta conta que o presidente deu carta branca para ela escolher qualquer cargo no governo, mas ela diz que recusou, tá? A lobista falou que preferiu continuar na sociedade com Lulinha e o Fernando Bitar, né, para, segundo a Polícia Federal, facilitar os acessos privados ao Planalto. Esse é aquele tipo de convite que muda o jogo, né? Mas se é para falar de convite recusável numa sexta-feira, eu penso que o bom é mesmo uma festinha íntima assim com a Penelope Cruz e o Edward Norton, as estrelas do filme de O convite, né? Ui ui.

¶8Será que é por aí? Puxe então a sua cadeira, se acomoda, deixa o like, manda sua pergunta no chat que eu tô de olho e aproveita e já se inscreve no canal porque o central meio tá no ar. [música] Bom, vou começar direcionando uma pergunta aqui pro Alexandre, né? Nessas novas mensagens divulgadas pela Polícia Federal, a gente viu que a Roberta Luxinger, ela projetava receber 100 milhões de reais em 2024 e ainda completou que ela estava sendo modesta. Alexandre, que que você achou dessas mensagens?

¶9Assim, esse dinheiro faria diferença na vida de muita gente, né? >> Uma parte desse dinheiro, né? Já ajudava um pouquinho, né? >> Só 1 milhão. >> Opa, já >> milhões pr quê?

¶10É muita ambição. >> Já dava para pedir a torta de maçã depois do Big Mac, né? Já dava [risadas] para >> Que que você achou dessas mensagens, cara? >> Vamos lá. Bom, >> deixa eu aproveitar e também chamar a Flávia pra conversa, né?

¶11>> Venha. >> Chega, Flávia, chega mais, Flávia, para você escutar a gente. Pode, pode então começar. F. >> Não temos 100 milhões, mas temos a Flávia, eu acho melhor.

¶12>> Cara, vale muito [risadas] mais. Vale muito mais. >> Vamos lá, então. O seguinte, a a Roberta ela produz frases muito interessantes, né? Por exemplo, eu e o eu sou o Fábio, não é isso que ela falou?

¶13Nós somos basicamente nós somos a mesma pessoa, né? Vai saber o que a gente tem que entender dessa frase, né? Eh, e ela também eh eh disse que o destino deles é a Suíça, né? Eh, que é outra frase interessante também, porque vamos lembrar, para quem não lembra, Roberta Lutzinger é ex-esposa do delegado protógeno, ex-deputado, ex-delegado Protógeno Queiroz, que atualmente mora na Suíça. >> Uhum.

¶14>> Né? Então, ela tem relações com o país, né? Eh, eh, ela, ela tem uma filha com protógenos. O protógio foi uma figura que que foi muito conhecida no Brasil quando ele era delegado da Polícia Federal, né, naqueles naquelas operações Satiagarra que prenderam na Ginarras, eh, Daniel Tantas, enfim, foram foram operações assim muito eh eh espetaculosas, né? Uma das primeiras, né, que dessa depois do que veio essa grande época da das grandes operações da da Polícia Federal, ele também acabou na política e desenvolveu em alguns escândalos, acabou indo embora do Brasil, enfim.

¶15E ele era casado com a Roberta. E a eh eh e a gente começa, isso eu acho interessante. Eu tava reparando eh eh quando eu vi o o a a alguns lugares aí na imprensa saírem algumas frases do Lula, eh que ele tava se sentindo traído, que ele tava irritado, né? Irritado, então é um clássico, eh, que ele, eh, que mais? que ele que a Polícia Federal trabalha com liberdade no governo dele.

¶16Que mais? que que todo mundo que for investigado, que tiver algo a responder, que responda e que vai ser eh eh investigado com toda liberdade, que ele não vai eh interferir. E a para assim, eu eu tô em 2026, num ano de reeleição do Lula e eu tô me sentindo em 2006, ano de reeleição do Lula, onde ele estava também envolvido numa série de escândalos na época do mensalão. E as manchetes também eram muito parecidas. Ele também dizia que se sentia traído, ele também dizia que não sabia de nada.

¶17Ele também e se o seu olhar, passam 20 anos, as frases são as mesmas, os vazamentos são os mesmos, as, vamos chamar de desculpas são as mesmas. E também tem outra coincidência muito interessante que é o quê? Nós estamos discutindo negócios de Fábio Lula da Silva, o Lulinha, o que para quem eh eh como a minha querida Yasm não era nascida na época. [risadas] Olha gente, olha como você tá contribuindo para um ambiente de desinformação desse programa. Gente, >> eu sou publicitário, eu sou hiperbólico, lembra disso?

¶18Entendeu? intenso. Escorpiano não, aquariano com ascendente escorpião, que eu já descobri, portanto, uma pessoa intensa. Eu aumento, mas não invento. >> Então, assim, eh, >> lá em 2001, >> então, e o que eu ia, não, eu ia lembrar de 2005, 2006, que era essa época onde o Fábio Lulinha também estava nas manchetes, porque ele tinha uma empresa com quem?

¶19com o Bitar, com o Fernando Bitar, que é o mesmo que tá aqui envolvido no grupo. Eles têm um grupo eh eh eh quem faz negócio de novo é Roberta Luzinha com o o Fernando, né, Bitar, >> isso. E e o Fábio Lulinha, passados 20 anos, há 20 anos era Game Corp, foi uma empresa que ficou muito conhecida na época porque fez um negócio para lá de estranho com a Telemar, numa época onde um era um mercado regulado que precisava de uma série de mudanças legais que aconteceram. Eh, e eh houve aportes nessa empresa do Fábio Lulinha com o Fernando Bitá, Fernando Bitar, que também era dono do sítio de Atibaia. Enfim, essas histórias elas vão se eh eh conflagrando, né?

¶20E agora eles têm esse grupo, eles trabalham juntos e inclusive tem o nome de um animalzinho, né? E o nome do grupo deles do Zap é meu Deus, é Musaranho, não é isso? É ai musaranhos musaranhos. É isso. Eles são os musos.

¶21Eles se tratam como musos, né? Eh, eh, o importante ter autoestima, né, elevada. >> E o e os o que que é o musaranho? E eu entendo ter uma referência dessa, porque por de formação acadêmica, Fábio Lulinha é biólogo, inclusive ele trabalhou como monitor num zoológico. Então, de bicho ele entende, eu não tenho dúvida.

¶22Eh, e aí tem essa referência no no grupo, porque é um bicho que trabalha nas é um rato que é parece um rato que trabalha nas sombras. E eh eu até fui dar uma pesquisadinha para entender esse bicho. É um bicho muito pequenininho, que ele é um dos poucos mamíferos que tem veneno. Ele ele quando morde ele envenena igual cobra, o que é uma coisa raríssima entre os mamíferos. Trabalha [roncando] nas sombras.

¶23Eh, é um é um bicho ataca com muita ferocidade os inimigos, ele consegue devorar e matar em briga inimigos muito maiores do do que ele no em tamanho. Então, >> não só analista político, mas também biólogo, >> não é? O Fábio, né? Eu dei uma olhadinha no Google para aprender um pouquinho sobre os musos, então, e é o nome que eles escolheram para o grupo deles. É tudo muito curioso, né?

¶24Eu acho que a gente tem que destacar o seguinte, tá ficando cada vez mais claro que havia tráfico de influência, inclusive a a as defesas já correram para dizer que diferente lá do caso eh eh do do da lá da Telemar e da Gamecorp, agora não há o ato de ofício, não há ia motivo desse lobby seria facilitar um negócio de 1 bilhão deais na compra de canabidol pelo ministro. Ministério da Saúde e esse negócio acabou não acontecendo. Então eles estão indo muito por esse lado. O que é o problema é que no Brasil a a atividade de lobby ela não é regulamentada. Então, o tráfego de influência no Brasil é crime.

¶25Se você conseguir vender influência na eh na máquina pública e isso gerar atos, mesmo que seja marcar reunião, mesmo que seja abrir portas, você já está incorrendo em crime. Eh, você já pode ser investigado. Independente do negócio ter sido fechado ou não. vai variar a dosimetria, vai variar, claro, a gravidade que no no na investigação pode eventualmente ser encontrada. Mas é bom que você que tá assistindo a gente saiba que tráfico de influência no Brasil, só o tráfego já é crime.

¶26Eu até acho que a op a a a atividade de lobby, ela poderia ser regulamentada. existe um lobby que não é criminoso, que e eh existe uma maneira que de certa forma até já é feita muito por outros profissionais que chamam de relações governamentais, né, ou no apelido no jargão real, enfim, isso não tá errado, né? Você eh contratar pessoas que tenham boas relações com o poder para apresentar as suas ideias, a sua empresa. Isso eu não acho que seja nada errado não. Mas aqui nós estamos falando de outra coisa.

¶27Nós estamos falando de pessoas que não entendem do negócio, não são do ramo, não tem a menor relação com canabidiol, com plantação de maconha, até onde se sabe. Eh, eh, eles são, na verdade, representantes do careca do INSS, que é outra parte importantíssima dessa história também. É alguém que movimentou uma quantidade de dinheiro enorme, descontando lá dos aposentados 30 de um, 50 de outro. Qual é? é um escândalo que pode ter envolvido 4 milhões de pessoas, pode ter envolvido algumas dezenas de bilhões de reais, tá se calculando ainda a cifra, mas esse o o careca do INSS, não confundir com o careca do meio, tá?

¶28É o careca do INSS. Eh, >> porque o meio tem mais de um, >> tem mais de um, inclusive >> o meio tem mais de um, galera. Então, teria que ser no plural. >> Eu dei esse fora com o Magno, né? Eu brinquei e o Magno me, Opa, eu falei, então, desculpa.

¶29amigo Magno, um grande abraço, entendeu? >> Ele lida muito bem. >> Nós nós nós careca somos muito bem representados. Existe diversidade e representatividade no meio. >> Muito bom.

¶30>> Não é isso? >> Eu queria antes de passar pra Flávia para ouvir as o comentário dela, só ler dois comentários aqui da nossa audiência que eu achei divertido. O primeiro é o do @ssiriussofistes, que tá sugerindo aqui, por exemplo, um cargo que a Roberta Luxinger poderia assumir seria o de ministra chefe da Casa Civil. Se ela quisesse mirar alto, né, se ela pudesse escolher um cargo, >> enfim, sessão de humor do meio. >> É, para quem quer ganhar 100 milhões e morar na Suíça, acho que mirar alto não é o problema dela.

¶31>> Sim. Perfeito, perfeito. [limpando a garganta] Uma estrategista. E o Diogo, >> eu acho que depois dela só o Elon Musk mesmo, né? Assim, de de morar realmente.

¶32Mas já vai, [risadas] já segue home aí um plano extraterrestre. O Diogo Maed para fechar, Flávia, ele diz assim que enquanto o PT permitir que em seus governos coisas assim aconteçam, as eleições vão ser um sofrimento. Queria te ouvir um pouco sobre isso. Obrigada, Alexandre, por todo esse bastidor muito bacana. Eh, não, eu eu a gente ainda tem, né, vários pedacinhos para destrinchar.

¶33Com certeza o Alexandre, né, que sempre consegue fazer esse apanhado muito bem e e decantando, né, cada pedaço. Eu queria [risadas] eh começar pelo convite mesmo, que é o que tá na nossa tamb e aproveitando a fala do próprio Alexandre, né, que é a atividade do tráfico de influência implica você realmente ter influência ou e ou [risadas] jactar-se da influência que de que você em tese tem, né? Então, eh, isso com certeza a pelo perfil da Roberta, que a gente já sabe qual é até aqui, eh, a coisa que ela mais deve ter feito nos últimos anos é justamente eh exibir de todos os jeitos possíveis eh o acesso que ela tinha ao Fábio Luiz, acima de tudo. que quem contratava os serviços dela não estava interessado no no Fábio Luiz e sim nas portas que o Fábio Luiz Lulinha da Silva pode abrir, inclusive a da presidência. E não é à toa que ela se tornou uma figura tão importante na nos três inquéritos, porque ela é essa peça que liga eh os interesses eh, né, de variados empresários, incluindo o careca do INSS, eh, ao Lulinha, mas principalmente a ao governo do presidente Lula, né?

¶34Eh, também não é à toa que mais do que o Lulinha, o que causa eh mais preocupação internamente nas na campanha do Lula seja o caso do Marcola, que é o quem de fato tinha o acesso direto à agenda do presidente Lula, que é acaba sendo a maneira >> o Mauro Cid do Lula, né? Ô Mauro, exatamente a analogia que eu pensei em fazer, que é isso, é uma espécie de ajudante de ordem. Imagina, imagina. Mas [risadas] é isso, >> é um é um civil. >> Hã, >> mentes brilhantes pensam igual.

¶35>> O meu TDH não tomei o remedinho antes de vir para cá. Perdão. [risadas] >> Imagina, meu querido, não teve nenhum problema. Eh, mas é isso. O oh, ele é um civil, né?

¶36Ele não é um ajudante de ordens porque ele é um civil, mas ele tem justamente essa esse controle da agenda e tudo mais. Agora, o caso do Lulinha preocupa igualmente ou talvez até mais no em outro aspecto, no no na memória, no recall, porque eh é isso assim, eh o quando você explicar pro eleitor o que é o filho do presidente, o Lulinha, já tem um imaginário eh não gratuito em torno do que ele representa de ameaça ou de, enfim, de eh pilantragem. em torno do Lula. Agora o Marcol até você explicar o que que é um chefe de gabinete, o que exatamente foi que ele recebeu, o que que não foi, que não voltou, eh, eleitoralmente é é mais difícil você trazer isso para dentro da campanha. É muito mais fácil você falar assim: "Ah, é tudo amigo do Lulinha".

¶37Foi o Lulinha, é os amigos do Lulinha, a namorada do Lulinha, é a amiga do Lulinha, por aí vai, né? Então isso é uma coisa. Eh, a outra coisa que eu acho eh que é interessante assim a gente destacar é que eh são três os inquéritos, né? Então, são três as frentes de atuação que a Polícia Federal já detectou até aqui. Eh, hoje eu tava ouvindo no assunto, que é aquele podcast da Nataneri com eh do G1, né?

¶38Eh, é uma entrevista que ela tava, na verdade, entrevistando o jornalista que cobre o caso, né? Então, e aí a cronologia disso vai ficando muito cristalina e e na verdade até o organograma, né, do do escândalo de como que ele tá se desenhando, né? E eu quero trazer isso aqui porque eu acho que a gente tem que debater inclusive o que que é o papel da PGR neste momento, né, da procuradoria Geral da República, eh, nos pedidos mais recentes que fez no caso. Então, eh, o que que aconteceu quando começaram a investigar o escândalo do INSS, eh, no celular do Careca, do INSS, foi detectada a conversa com a Roberta Luxinger. Então, é, não é uma coisa que foi que a investigação nasce via essa relação ali, nasce vias, mas segundo a própria Polícia Federal relata, isso foi uma o que eles chamam de descoberta fortuita.

¶39E por conta disso, quando eles pediram a instalação do inquérito para entender o que que era essa essa segunda essa relação paralela ali de Luxinger e e do filho do do homem, né, enfim, que aparecia ali na conversa e tudo mais, eles pedem para ser aberto um novo inquérito e não para que seja investigado dentro do caso do INSS. E ao pedir isso, a a o Supremo Tribunal Federal, como era um novo inquérito, teve que passar por um sorteio, né? E aí, por essas coisas que esses sorteios do Supremo Tribunal Federal oferecem aos roteiristas de Brasil, eh o sorteado para este inquérito foi o mesmo do caso do INSS, que é o ministro André Mendonça. Conforme eles continuaram olhando o celular da Roberta Luxinger, encontraram um novo eh um uma nova aste aí de relacionamento dela com o Lulinha, que envolve uma outra empresa, a Structure. E aí pedem a abertura de um segundo inquérito.

¶40Então também novamente não a no mesmo guarda-chuva. novamente o sorteio da relatoria para André Mendonça. E por fim, para quando começa a aparecer que o Marcola estava envolvido e que então era preciso entender o a extensão do tráfico de influência, então assim, não tava mais restrito ali a um pedacinho da previdência e a um pedacinho da saúde. Então, o o inquérito passa a ser sobre uma um esquema maior de mais órgãos, né, incluindo o chefe de gabinete da presidência. Aí sim, numa numo sorteio, este inquérito cai nas mãos de Flávio Dino.

¶41Então são esses três inquéritos, dois com André Mendonça, um com Flávio Dino. E ontem a a defesa já vinha argumentando isso, a defesa do Lulinha, né, que foi o advogado que se encontrou com o Lula na antevéspera, né, mas eles já vinham pedindo isso antes desse encontro, eh falando que olha, nenhum desses três inquéritos até aqui aponta ninguém com foro privilegiado. Então, a gente solicita que isso seja enviado paraa primeira instância. a gente sabe o que que essa eh essa esse recurso jurídico quer dizer quando envolve pessoas deste gabarito político, né? Tem uma questão eh que é procedimental mesmo de origem e inclusive que pode depois anular processos lá na frente.

¶42Eh, foi o que aconteceu com parte dos casos do presidente Lula na Lava-Jato, quando ficou parte da decisão do Supremo era essa. Olha, não devia estar com Moro, né? Então, eh, tinha uma parte que era da suspeção, mas tinha uma parte que era da origem do caso, né? Então, eh, eh, eh, é nessa, nesse espaço de questionamento da defesa que a a PGR manifestou que acha que realmente tem que ir paraa primeira instância. É claro que isso politicamente tem efeitos também, porque você tira de dentro do Supremo Tribunal Federal pelo menos dois dos inquéritos nas mãos de um ministro que vem eh se confrontando com a Polícia Federal, que vem dando sinais de que eh não vai eh enfim, que não tá pegando leve mesmo, ou dependendo do interlocutor que tá até pegando pesado demais e dependendo do interlocutor que tá que não está pegando leve.

¶43Aí depende de quem você ouve, mas os efeitos políticos são esses. Mas o próprio Flávio Dino já falou nos bastidores que votará para que permaneça o dele também eh no Supremo, que não vá paraa primeira instância, né? Então, isso é uma uma das coisas que tão aí em debate neste momento. E eu acho eu achei importante fazer essa essa cronologia mais, né, do jurídica da coisa, porque o efeito político disso tudo é que hoje o nosso ministro André Mendonça do Supremo aceitou um pedido paraa abertura de inquérito sobre os vazamentos do caso Lulinha. é algo que sobre o qual ele vinha sendo pressionado, sobre o qual o presidente Lula vinha falando, a defesa do Lulinha vinha falando que olha, tá demais, tava, né, que eh que a gente já debateu aqui ontem, né, sobre tem uma parte jornalística disso legítima e tem uma parte da defesa que tá questionando, poxa, não tá com sigilo [risadas] a coisa toda então por que que tá vazando sem parar?

¶44O ministro André André Mendonça, então, eh eh aceitou o pedido para abertura de um inquérito sobre isso. Eh, e isso deve começar agora. Agora, eh, não há nenhuma garantia ou sinalização paraa campanha do presidente Lula de que ao se detectar quem vazou, eventualmente até se punirse não pudesse ter vazado, qualquer coisa assim, que vá diminuir o tamanho do estrago, porque o estrago político está sendo feito. O datafolha de hoje vai ter um Datafolha hoje, né? eh os o acho que foi o Lauro Jardim no Globo que antecipou que deve já apontar novamente empate técnico e a gente tá indo nesta campanha assim de escândalo de um lado de para escândalo do outro em que esses dois candidatos que consolidaram a liderança vão se alternando nos escândalos da vez e aí o cálculo acaba sendo de qual vai ser o escândalo que vai est na manchete eh na semana da eleição, certo?

¶45se assim e e com que tamanho e com que e com que potencial explosivo, né? >> [limpando a garganta] >> Eh, o Lula sabe o potencial explosivo que esse tipo de caso eh apresenta paraas suas campanhas. Ele sabe do passivo que ele tem eh de déficit de das pessoas acharem que o governo do PT é corrupto, que o Lulinha é isso, que é aquilo, tanto pelo que de fato o Lulinha fez, quanto pelo pelo pelo enfim, pelo pelo pela mística em torno do personagem que foi se criando. ele sabe. E eu só não tá muito claro para mim, Alexandre e eu quero te ouvir sobre isso.

¶46É o quanto essa proximidade dos dois nas pesquisas, né, que às vezes amplia um pouquinho, logo volta, amplia um pouquinho, logo volta a depender do escândalo da semana. eh o quanto isso é de fato um efeito desses escândalos ou para esses escândalos há uma uma espécie de dormência do eleitor eh que tá mais interessado é se eh eh em no plano de segurança pública ou é se a Michele tá mais próxima ou não ou se é, enfim, no desenrola. Eh, isso que para mim ainda tá, porque eu tenho a impressão de que este tipo de notícia abala, mas talvez já em 2026 já não mude muito o rumo do eleitor. >> Bom, [limpando a garganta] só pergunta boa, né? Dava pra gente ficar 5 horas falando disso.

¶47Então, vamos lá. Eh, basicamente a dinâmica que a gente tá vendo das pesquisas é essa que parece uma corrida de Fórmula 1. Alguém anda um segundo na frente, o outro passa um segundo. É uma corrida onde você tem os carros que estão no primeiro pilotão, esses dois carros basicamente, o do Flávio Bolsonaro e do Lula, eles não, nenhum abre uma volta de vantagem no outro, né? você tem, você teve o escândalo do Dark Horse que tirou 10 pontos do Flávio, mas já voltou, né?

¶48A gente viu isso. [roncando] Então, eh eu acho que todos esses fenômenos merecem ser olhados. Eh, em primeiro lugar, eu acho que o a população brasileira, ela entendeu ou aceitou a ideia que corrupção você vai achar em todos os lados. Não é que o brasileiro parou de se incomodar com corrupção, é que ele começou a acreditar que corrupção é uma coisa inerente à política e todos os lados, se você cutucar um pouquinho, se você chacoalhar um pouquinho, você vai encontrar alguma coisa. Então isso tira um pouco eh da da eh eh vamos dizer dessa variável nas a gente quando tinha aulinha de matemática no a gente aprendia isso, né, que duas variáveis iguais do lado da você corta as duas, né, da equação.

¶49Então as pessoas estão entrando um pouco nisso. No caso específico do Dark Hoss, que que foi interessante? Saiu o porque é uma coisa muito grave. Eu tenho dentro das das ideias que eu defendo, uma é que o escândalo abstrato normalmente não tem muito impacto. Agora, quando tem áudio, quando tem vídeo, a coisa muda totalmente de figura.

¶50[roncando] Eh, eu até tenho uma teoria em relação às manifestações de 2013, que por eu, eu aquilo para mim aconteceu por causa dos estádios, entendeu? Eh, eh, a construção, os estádios da Copa começaram a ser construídos ali em 2011, em 2013 eles já tavam praticamente prontos. E o brasileiro que pode não entender de muita coisa, mas de futebol entende quando o brasileiro viu viu aqueles dinossauros de concreto em Manaus, em Natal, em Cuiabá, em Brasília, em lugares que não não justificariam obras de mais de 1 bilhão de reais, né? E e todo mundo entendeu a a a corrupção saiu da discussão abstrata, bilhão para cá, bilhão para lá, e o cara viu que não, pera aí, os caras fizeram um estádio em Manaus, né? Você fala: "Pera aí, né?" Então, e você deixa a coisa mais tangível aqui para para quem é do Rio de Janeiro, nós aqui do Rio de Janeiro, isso aconteceu um pouco com o César Maia, com aquela cidade da música, entendeu?

¶51O pessoal falava um monte de coisa cmaia, mas no dia que ele construiu aquela cidade da música ali na Barra da Tijuca, as pessoas olharam e falaram: "Hum, né? Deram aquela aquele olhar de cachorro, hum". Né? e falaram, tem alguma coisa estranha aqui. Então assim, eh eh quando a coisa fica concreta e um áudio é uma coisa muito concreta e muito forte, aquilo realmente foi bateu muito forte no Flávio a ponto de se especular que ele ia abandonar, que ele não ia acabar sendo o candidato escolhido.

¶52A gente lembra disso em maio, foi uma coisa realmente muito forte ali, maio, junho, foi uma coisa e ele teve uma queda rápida e também outras coisas aconteceram juntos, né? eh eh no aquelas coisas em relação a a mulheres, voto feminino, um monte de coisa que também tirou muito voto feminino do bolsonarismo. Foi foi uma foi >> foi foi uma uma tempestade perfeita aquela época. Só que na minha visão, o que que aconteceu? O eleitor de direita, o eleitor antipetista, ele não gostou do que ele viu quando aquilo aconteceu.

¶53Então ele deu um passo atrás e falou: "Olha, o meu voto tá no jogo". Entendeu? Aquele [risadas] aquele Oi, >> eu falei junto, falei junto. Tá para jogo. >> Tá para jogo.

¶54Meu voto tá para jogo. Aquele aquele voto consolidado e cristalizado no Flávio, pelo menos eu tô falando daqueles 10% ali, eh, eles falaram: "Não, tá para jogo". Então, o que aconteceu? Esse cara olhou as opções, olhou o o leque de opções na direita, basicamente Caiado, Zema, Renan, e ele falou: "Olha, ou ele não gostou ou ele achou que esses candidatos não eram suficientemente competitivos para derrubar e derrotar o Lula." E aos poucos eles foram voltando. >> Então, e eu acho que hoje é mais difícil você tirar esse cara de novo.

¶55Eh, eh, e aí sim a gente caminhando a 40 e poucos dias da eleição, do primeiro turno, claro que ninguém tá cravando nada, sempre tudo pode acontecer e tal. Hoje, por exemplo, a fofoca que vai estourar uma bomba na campanha do Flávio. Tem uma conversa, né, que eh tem mais uma bomba para estourar em relação ao Dark Hosse. E tem sempre uma nuvem que tem um que tem um escândalo para para explodir em relação a refit, que é uma coisa que a gente nem fala, mas refit é um outro máster, né? uma coisa de bilhões também e tem muito rolo com o governo Cláudio Cast, enfim, coisas que potencialmente poderiam chegar no Flávio.

¶56Mas enfim, e o que eu ve, o que a gente está vendo hoje no momento é o eleitor de direita, ele quer derrotar o Lula, ele ele ele é antipetista e ele claramente, você viu, por exemplo, que o Flávio foi fazer uma manifestação em Copacabana, basicamente pareceu um bingo. Eh, eh, foram, sei lá, algumas dezenas de aposentados e tal, enfim, eh eh [risadas] parecia um bingo, né? um ving >> enfim eh eh mais do que um comício. Então assim, mas mas não quer dizer que o Flávio tá sem voto. O Flávio tá sem militância.

¶57O o o a pessoa que vai votar no Flávio, muita gente não tá empolgada. Você não vê, por exemplo, esses caras fazendo questão que o Flávio participe de debate? Hoje a gente tá comentando sobre o Valdemar, pedir pro Flávio participar de debate, o que é uma coisa bem questionável, se isso vai ser bom para ele ou não, inclusive para o eleitor eleitor antipetista. Se você conversar com >> Mas aí, >> se você conversar com esse, >> mas sabe o que que eu acho que >> Fábio, >> vá vá vai >> não. Se você conversar com esse eleitor, esse eleitor não tá fazendo questão que o Flávio participe de elei de de debate, >> entendeu?

¶58Na verdade, esse cara já tá meio ó, quer saber? Eu quero que o Lula perca. Eu não quero que o Lula tenha um quarto mandato. Então, quanto menos ele ouvi o Flávio, melhor nesse sentido, entendeu? Porque você tem uma massa de gente que não [risadas] se empolga com o Flávio, que que não acha que ele é nada além do do filho primogênito do Jair Bolsonaro.

¶59>> Aí se ficar em silêncio é um poeta e tem menos chance de se decepcionar. Entendi. >> Isso. Isso. Então, de certa forma esse eleitor ele quer que o primeiro turno chegue logo, chegue amanhã, entendeu?

¶60e e o eleitor petista de certa forma também, entendeu? O o o Fábio Lulinha, eh eh que eu tenho dito que é o Hunter Biden dele, né? eh eh não só pela pelo por ser um filho problema que arruma um monte de escândalo pro pai, como também o Joe Biden tentou ser reeleito com 80 anos e e e muita muitos setores da imprensa muito ligados a a ao Partido Democrata, fizeram de tudo para abafar a história do laptop, aquelas coisas todas que a gente sabe. É, é aqui também eu vejo muita gente com muita dificuldade tratar o caso e eh do Lulinha, o que não tem sido o caso em geral da imprensa brasileira. A gente inclusive tem que dar esse crédito, tá todo mundo falando, tem ninguém abafando, tá a gente tá cobrindo, tá todo mundo falando, enfim, >> mas o eleitor eh de esquerda também tem menos opção ainda, porque o eleitor de direita ainda, em tese, ele tem Roma, eh, Romeuzema, Caiado e Renan.

¶61Ele tem opção, se ele quiser, no primeiro turno, né? Agora, e o Lula, entendeu? Quem é a a opção? Eh, tem uma moça da unidade, como é que chama? Popular.

¶62>> Popular. >> Unidade popular. >> Como é que é o nome dela? >> Samara. >> Samara Martins.

¶63>> Pois é. Entendeu? Então, assim, eh eh não tem não tem opção na esquerda não ser o Lula. Então eu acho que a gente tá vivendo uma certa situação onde o que tá valendo é a rejeição, as pessoas estão votando contra. Eu estou indo o metade do país votando contra o Lula, metade do país votando contra o Flávio Bolsonaro.

¶64Então, [roncando] nessa nesse caldo onde há a impressão que em maior ou menor grau todo mundo é corrupto, eh que não tem grandes novidades que vão mudar essa história. E eu inclusive eu escuto umas coisas da esquerda. Ah, ah, e se aparecer o o Flávio pulando a cerca num vídeo íntimo? Eh, isso não vai pegar mal pra família? Não sei, entendeu?

¶65esse cara, ele ele eh entre você olhar o negócio e achar que aquilo é ruim e votar no Lula, vai uma distância tão grande, entendeu? Eu até tava contando eh eh meus colegas aqui hoje mais cedo, tava brincando aqui no grupo da da família lá das tias e tal, [roncando] eh tem um monte de tia bolsonarista e aí teve uma briga lá porque é uma família grande, nem todo mundo é bolsonarista, aliás tem petista também, tem de tudo, como qualquer família, né? E aí rolou um strress e aí o pessoal não, então vamos parar de falar de política. A partir de agora ninguém fala de política. Qual é o primeiro post que veio depois?

¶66E Vermectina. [risadas] >> É, >> então assim, é >> impossível, né? A política é inerente a todos os temas que, né? Sobre os quais a gente poderia debater. >> Se você falar com a minha, com a tia que postou e verm que tia.

¶67Não, não tô falando de política, tô falando de vacina e remédio. >> Diga, Flávia. >> Enfim. Então, eh eh [risadas] não sei se eu te respondi agora. Coisa >> de tudo que você falou, tem um ponto que eu queria eh dar uma aprofundada que eu acho que é interessante, que é sobre o o por exemplo o Flávio ir ou não a debates e sobre como eh o Valdemar defendendo a possibilidade de ele ir, né?

¶68E >> o e esse voto que a gente sabe que é uma parcela pequena, mas ainda existe uma parcela pequena de voto volátil. eh eh aí em busca de abrigo. Este, como você muito bem descreveu, uma parte importante desse voto volátil é guiada pelo antipetismo, mas tem uma parte que não que simplesmente está mais guiada por um cansaço de tudo, né? por uma coisa, eu acho que tem tem componentes diferentes do desânimo do voto. O antipetismo mobiliza, eu acho que mais gente, mais votos, mas ainda também tem um pedaço de pessoas procurando eh alternativas e que também não se entusiasma só em votar contra o Lula.

¶69E aí, o que uma das coisas que eh tem me martelado e eu eh inclusive fiz uma entrevista com o queridíssimo Sérgio Abrches, que vai ser eh publicada amanhã na nossa edição de sábado e é, para quem não sabe, o Sérgio Abrches é um dos maiores cientistas políticos e sociólogos do Brasil, uma autoridade. E ele é dessas, eu eu brinquei aqui ontem, né, que algumas das melhores conversas acontecem depois que a câmera tá desligada. Não necessariamente porque era off, é só porque >> é porque relaxa e aí fala: "Ah, e aí não sei qu". E aí? E uma das coisas que ele me falou já depois da câmera ter sido desligada, mas que eu já vinha também acho que meio tentando formular, é que o o Caiado e o Renan, eles eles são muito desconhecidos ainda, muito.

¶70E o espaço para crescer é curto, é bem pequeno, é o tempo da campanha e depende muito da habilidade deles de se nacionalizar minimamente, >> né? Eh, pro Sérgio Abranges, inclusive, o Zema é é um produto não nacionalizável na nas na palavra que usou comigo, mas >> eu sempre disse, eu chamo ele de Nerso da Capitinga. É, e ele acha que o Caiado e o e o Renan tem um pouco mais de chance. Sim, >> não tô falando de crescer, de tirar o Flávio, não necessariamente isso, mas de aí o raciocínio dele vai no seguinte sentido, eles crescendo um pouco, não precisa ser muito, um pouco, eh, já começa e e o Flávio causando tão pouco ânimo e entusiasmo no próprio campo, porque essa é uma diferença importante para outros candidatos do antipetismo, do antilulismo, né? A gente, pela primeira vez desde 2018 está num cenário em que o os candidatos do antipetismo não entusiasmam de imediato.

¶71Então, o Flávio tem um telhado de vidro com corrupção e não tem uma plataforma política própria. O Caiado e o Renan tem um tem, ele não quer dar celular de graça pras mulheres. Como é que é? Mari. >> [risadas] >> ele tá tentando, ele tá tentando muito criar essa plataforma própria, essa identidade própria, mas ainda não conseguiu.

¶72Eh, mas enfim, e aí esse raciocínio é o seguinte, bom, se isso, se eles, se os outros dois realmente crescem um pouco e desgastam o Flávio, eh isso pode significar, na visão do Sérgio, uma vitória do Lula no primeiro turno. Em contrapartida, o nosso Maurício Moura do Ideia acha que, ao contrário, que se eles não crescem muito, crescem só um pouquinho, o antipetismo de chegada, que é como o Maurício eh eh elaborou, né, vai minguar esses outros dois e todo mundo na no dia da votação fecha com Flávio mesmo e vamos que vamos. De qualquer maneira, a gente tá diante de uma de uma situação em que eh o primeiro a referência segue sendo o Lula e o antilulismo >> e o Flávio com dificuldades de se apresentar como este catalisador do antilulismo, né? Eh, você acha que as chances do Flávio? Eu acho que é daí que vem a coisa do Valdemar, tá?

¶73Eu acho que o Valdemar quer que ele vá pro combate com os outros dois. para desgastar os outros dois. Traz o Pablo Marçal para fazer bagunça, porque senão, porque eu acho que o Valdemar tem medo justamente desse cenário, em que esses outros dois cresçam um pouco e o Flávio fique sob ameaça, né? Então, eh, o que que o que que você acha que tá qual é esse qual o jogo que a gente deve ver nos próximos 45 dias? É o Flávio mais, é um Flávio mais Eduardo, mas partindo pra guerra, pro mais Pablo Marçal, partindo pro, né, para ou é um Flávio tentando se mostrar confiável para esse voto volátil.

¶74>> Vamos lá. Bom, o primeiro, o Valdemar é esse mistério, né? Porque o Valdemar, vira e mexe, ele dá uma declaração que a gente nunca sabe se ele é fã ou hater, né? a gente nunca sabe se ele tá eh [risadas] eh o que tipo de acordo ele pode ter feito, que enfim, né? Eh, a gente ainda tá tentando entender essas esfinge que é o Valdemar e o quanto ele tá ajudando ou não.

¶75E o jogo do Valdemar, como dos caciques do centrão, a gente sabe, o jogo deles é eleger bancada, é é conseguir muito senador, é conseguir muito >> eh eh deputado. Se vier governador, maravilha. Eh, eh, é lucro literalmente, né? Eh, eh, é, é poder. E se puder também eh ter algum tipo de acordo paraa justiça não encher muito o saco deles, melhor ainda, né?

¶76Isso é uma coisa, eu tenho batido nessa tecla há muitos dias, fiz artigo sobre isso, achei muito grave a denúncia que o Caio Junqueira fez em relação à pressão do STF para que os partidos central não coligassem com o Flávio. Vou voltar esse assunto só para ser chato, inclusive na nas minhas colunas. pode voltar. >> Enfim, eh eh >> pode voltar aqui também. >> Não, estou voltando.

¶77[risadas] Eh eh tô voltando porque eu acho que foi uma coisa grave, né? Eh eh por mais que se saiba que essas coisas acontecem, mas quando você tem uma denúncia, né? e de um jornalista da do calibre do Caio, um colega maravilhoso. Nós trabalhamos juntos na CNN, é um cara incrível, um dos grandes repórteres e jornalistas do país e tal, todo respeito ao Caio. >> E vou dizer mais e vou dizer mais, vou fazer igual Fausto Silva, meu amigo pessoal, >> o Caio é maravilhoso.

¶78Caio é um grande cara. [risadas] >> Eu eu adoraria poder dizer isso, mas assim, o tempo que nós trabalhamos juntos na CNN, a gente se dava muito bem. >> [roncando] >> eh eh é um cara que eu realmente gosto muito, tenho tenho um grande apreço e um grande respeito profissional, claro, né? E o e e esse e o e o Caio, ele não só falou naquele programa, não foi um ato falho, como ele fez colunas também, voltando a esse assunto, o Merval repercutiu no Globo, aqui ali saiu uma coisa, ali aqui, mas a gente, mas não, não foi um assunto que pegou muita atração e o conê então se mexer para pedir uma investigação, aí esquece, né? Nesse nesse país que eu chamo de abençoado por Xangô, né, que é Xandão e Gonê, né?

¶79Eh, eh, a gente realmente tá numa numa situação onde as coisas não acontecem a não ser dentro de uma de uma banda muito restrita. Então, nesse caso agora, indo diretamente ao que você falou, é muito difícil numa numa eleição tão apertada a gente fazer esse tipo de previsão, né? quem vai ganhar no primeiro turno, se vai ter, se não vai ter, vai crescer, não vai, porque quando a coisa é muito ali no 1% para cá ou para lá, mesmo na intenção de voto, se você vai para as intenções espontâneas de primeiro turno, que são as a a os números mais, vamos chamar de consolidados, é aquele eleitor que no primeiro contato que você tem com ele, você fala em quem que você vai votar e não apresenta uma cartela de nomes e de opções. e ele fala espontaneamente, é Bolsonaro, é Lula. A gente tende a acreditar que é um voto mais consolidado, né?

¶80E esse voto espontâneo nos dois tá ali na casa dos 25 a 30%. >> Que já é um índice bem alto. Então a gente pode dizer que algo entre 50 e 60% dos eleitores já estão espontaneamente declarando voto, né, no no nesses dois, né? O que mostra uma cristalização muito interessante em relação às opções de direita, me parece que realmente eles eles tiveram muito pouco tempo por motivos diferentes, tá? o Caiado e o e o Zema me parece que tem o mesmo problema de outros governadores, como o Eduardo Leite, como o Ratinho Júnior, vários governadores que pareceram ter alguma aspiração a disputar a presidência da República, mas acharam que isso se faz eh eh se meses, um ano antes e não é, entendeu?

¶81Presidência da República é um negócio muito complexo. Você tem que você tem que começar agora a pensar na eleição de 2030, entendeu? Então você achar que você vai consolidar um nome se meses antes da eleição, é, a não ser que você receba uma facada em Juiz de Fora, enfim, eh eh mas tirando uma externalidade bombástica no na nas condições normais de temperatura e pressão, é muito difícil você construir do zero uma candidatura presencial em meses, né, num país desse tamanho. Enfim, no caso do Renan, eu dou um benefício porque o partido é novo, né? Meu partido não tem um ano, se não me engano.

¶82Então não teria não teria dado tempo. E e no eleitorado onde o o MBL sempre trabalhou, que é o eleitorado jovem, ele tá até bem posicionado, né, ali no no target ali no público alvo histórico do MBL, né? Eh eh eh eh jovens urbanos com um curso superior e tal. é onde o o Renan tá indo muito bem, né, para uma candidatura fora eh dessas grandes de um partido que acabou de ser montado. Eh, tem levantamento que bate 10%, mas ali pelo menos sete eh eh quando você faz esse recorte de homem jovem eh eh com curso superior, né?

¶83Enfim, então eh é eh é um é um é um recorte muito específico. >> Eu lembrei do eu lembrei do vídeo do Porta dos Fundos essa semana. Você viu chá? Muito engraçado. É muito engraçado.

¶84[risadas] É só eu que tô atrasada. >> Não, é o é o é o Fábio Pois já e porchá. Eh eh o Fábio Porchá e eh falando de pesquisas como se ele fosse um jornalista apresentando pesquisa num telejornal. Só que ele vai tirando esse sarro de recortes de públicos recortes. Vai recortando, recortando, recortando.

¶85Exatamente isso. Vai recortando, recortando, recortando. >> Isso. E aí ele e aí ele vai falando assim, sei lá, por exemplo, como é que é o nome da Samara, né? É como se ele falasse, ele não fala dela, mas como se fosse assim, olha, nos moradores da rua tal com não sei que, ah, a Samara está com 80%, aí ele vai brincando com isso, aí vai fazer o [limpando a garganta] recorte do recorte.

¶86Aí no fim ele aí no aí no fim ele fala no na mostra de um, eu não lembro qual que é o nome que ele usa, Caio Fernando, não sei das quantas que é ele, né? >> É 100% de voto nulo, mas por causa disso é 100% de voto no próprio Caio Fernando, então e aí ele se candidata para votar nele mesmo. É muito engraçado. É, é uma formulação engraçada. Enfim, então a a a assim, sendo sendo bem objetivo, a gente está ainda muito refém do ciclo de notícias.

¶87Por quê? Porque aí eu acho que a gente tem que conectar os assuntos que a gente tá falando. A gente vive numa época onde investigação significa vazamento, né? Então eh eh a gente o Brasil meio que normalizou isso, né? Eh, eh, aliás, desde o tempo do protógeno, desde o tempo da satiagarra, que foi quando isso aconteceu bastante e a partir dali depois aí veio outros escândalos, depois veio mensalão, depois petrolão, Lava-Jato, enfim, mas a gente meio que se acostumou com isso, né?

¶88Aliás, eu queria eh eh agradecer o ministro André Mendonça por ter colocado na última decisão dele que ele manda investigar os os vazamentos da do processo do da investigação do Lulinha. Ele manda um recado pros outros, né, muito claro, né, onde ele diz que eh eh eh a investigação ela tem que respeitar o sigilo de fonte. Ela não pode chegar nos jornalistas que deram a os vazamentos, porque esse é o trabalho do jornalista. O o André Mendonça põe e ele ainda põe assim, com diploma ou não, >> é maravilhoso. Então assim, eh eh o craque é >> até parece outra história aí que a gente falou recentemente, [risadas] né?

¶89>> Mas assim, então, André Mendonça, nessa foi o craque da rodada e >> camisa 10, [risadas] >> enfim, mas eh eh eh eh é porque alguém tem que dizer, né, eh essas coisas, né? Enfim, >> Flávia, não sei se você quer tecer algum comentário, eu queria ler alguns do chat que tá divertido. >> Traz, [risadas] pode trazer, pode trazer. >> Vamos lá. Primeiramente só queria confirmar a informação dada pelo Alexandre, né, de que o o MB, o MBL, não, perdão, né, formado por integrantes do MBL, mas o Partido Missão foi fundado no dia 4 de novembro de 2025.

¶90Um baby, um baby partido. >> Isso não tem um >> E o @animosanimoron falou assim que ele é contra o tráfico de influência porque tem coisas muito melhores para se traficar. [risadas] O Cândido Moura diz assim: "Flávia, >> essa galera sexta-feira é uma coisa". >> Pessoal animado. Ele diz assim, o Cândido, Flávia, nesses sorteios aí de onde caem os inquéritos do STF, foi a mão de Deus.

¶91A gente não pode esquecer de que Deus é brasileiro, portanto, um excelente roteirista. E o André terrivelmente evangélico. >> Perfeito. [risadas] Agora o @ nem o tal nem o qual. Muito bom esse nome.

¶92Ele diz que assim: "Hoje é aquele dia que os lulistas vão reclamar da pauta. No dia que o meio faz o mesmo com o Bolsonaro, rola a mesma reclamação e aí reclamam que são pesos e medidas diferentes na profundidade da pauta." >> Eu recebo essa reclamação das tias da do grupo o tempo inteiro. Você só fala do Flávio, você não bate no Lula. Eu vou pegar e vou esfregar esse programa de hoje no grupo lá do Z. >> Ó, você vai arrumar a inimizade lá na sua família porque eles já falaram que ia para parar de falar de política.

¶93>> Ah, mas aí botaram vermectina. Então eu vou dizer que o programa de hoje foi sobre coroquina. Agora seguindo aqui para fechar, Flávia, para passar para você o @sriussofistes de novo, ele diz assim que a PGR que tem acesso aos autos, não apenas a fragmentos do chat, ela acha que não existem elementos suficientes que o grupo tenha efetivamente produzido resultados dentro do governo. De um lado, existem provas concretas, áudio do cara pedindo milhões e comprovação de transferência de 61 milhões. Agora do outro lado tem esses vazamentos diários de conversa de chat e não tem nada concreto.

¶94Aí eu fico me perguntando, tudo bem, pode não ter nada concreto, mas aí não vale investigação. A gente já falou disso outro dia aqui, abrimos até falando, poxa, tem orelha de porco, tem nariz de porco. >> É, >> vale, vale, vale ficar de olho, né? >> E a gente se deu ao trabalho de explicar que no Brasil tráfico de influência é crime, entendeu? Você acha que o que apareceu até agora não caracteriza tráfico de influência?

¶95Conta aí pra gente. Ah, >> diga, Flávia. [risadas] É, não, deixa. Eu eu acho que essa pergunta ela é importante, assim como a anterior, sobre como é que a gente, por que que a gente fala tanto de um assunto e não tanto do outro ou só fica revesando. Eh, eu tenho variadas [limpando a garganta] formas de responder isso.

¶96A, uma delas é a de que o canal meio é multiplataforma e trata de todos os assuntos humanamente possíveis pro tamanho da nossa equipe de variadas maneiras. Então, por exemplo, aqui no central é o nosso programa mais quente, né? É em vídeo, né? É onde a gente vai sim tratar do noticiário mais quente. Claro que pelo perfil do nosso canal, tentando dar profundidade, trazer análise, botar contexto, ouvir pessoas e etc.

¶97Mas sim, o que tiver nas manchetes é o que vai ser trazido aqui da mesma forma que da nossa newsletter diária, do podcast apresentado pela Yasmin e tudo mais, mas a gente tem o o material onde a gente aprofunda e e olha para coisas além eh disso. [limpando a garganta] Essa entrevista que eu fiz com o Sérgio Abranges para essas este sábado, por exemplo, é um desses produtos, eh, que é a edição de sábado, que é onde a gente aprofunda o meio político, é outro lugar onde a gente aprofunda questões com artigos dos nossos analistas. E aí pode eventualmente ser a corrupção, pode ser eventualmente a questão do Donald Trump, do tarifaz, pode ser, enfim, eh eh linguagem política. tem há várias maneiras de tratar uma corrida eleitoral e e com várias abordagens. É por isso que a gente faz jornalismo em tantas frentes.

¶98E existe, por exemplo, o nosso streaming que vai ter um lançamento espetacular amanhã, que é justamente eh apresentando quem são esses candidatos, a trajetória eh política de cada um. E aí um pouco de capivara, um pouco de feitos, né? Então, eh, ninguém é uma coisa só, né? Bom, tem um ou outro que é, mas enfim, eh, é um documentário, inclusive o tem depoimento do Alexandre e Borges, tem eu apresento junto com o Pedro Dora, a gente ouviu muita gente legal, assim, tanto dos da nossa casa, dos nossos analistas, quanto do entorno dos candidatos, das pessoas que conhecem essas trajetórias bem e sabem contar pro eleitor e pro espectador e pro assinante premium do meio, eh, quem são essas figuras para ajudar essa o espectador a tomar as decisões de maneira mais informada e tudo mais. Mas, por exemplo, a gente vai, a gente, eu tô montando uma, uma cobertura especial sobre os planos de governo.

¶99Isso não tá, eu promessa é dívida. Ela só ainda não começamos porque inclusive algumas candidaturas protocolaram eh quando protocolam suas candidaturas, protocolam também um plano de governo ainda em construção. Então, nem sempre é o produto que realmente ele vai ser trabalhado ao longo da campanha. Então, eh, tem também um tempinho aí de amadurecer, mas semana que vem já vai ter material sobre isso, sobre um dos aspectos, né, do dos planos de governo. Então, eh, isso é um jeito de eu responder ao meio tal meio qual, eu acho.

¶100Eh, e aí é claro que o o noticiário ele vai hierarquizando algumas coisas. Então, quando tá eh um foco maior eh em denúncias sobre um personagem, a tendência é que o noticiário acompanhe isso. E a gente já discutiu isso aqui no Central Meio sobre como esses vazamentos que acontecem de investigações eh não raro fazem esse tipo de jogo de jogar o holofote eh nos interesses de acordo com os interesses de quem vaza. né? Foi assim no caso master, eu não sei se vocês se lembram, mas a gente passou algumas longas semanas debatendo a conduta dos ministros do Supremo Tribunal Federal, porque por algumas longas semanas o foco dos vazamentos e das investigações estava em Dias Toffol e em Alexandre de Moraes, particularmente.

¶101Depois também Cio Nunes Marques na questão do filho dele. A gente faz muito tempo que não tem nenhum vazamento nesse sentido. Viraram a chavinha pro Cío Nogueira. Aí foi todo o noticiário atrás. Isso é parte da dinâmica do noticiário natural e isso já seria fora de um ano eleitoral.

¶102E isso é parte também da dinâmica do noticiário em ano eleitoral. Conforme as pesquisas vão indicando quem são os principais candidatos, os mais viáveis, os mais competitivos, o noticiário vai tende a esquecendo eh um pouco os demais. Isso eh é o mundo ideal, não? O mundo ideal é todo mundo cobrir a fundo, todo mundo e etc. Por que que isso não acontece?

¶103Primeiro porque ninguém tem esse grau de atenção disponível para tudo do ponto de vista do leitor e do espectador. Segundo porque do ponto de vista da notícia existe sim hierarquia. É parte do que a gente estuda na faculdade. Eu não sou a favor da obrigatoriedade do diploma, mas eu valorizo demais o que a gente estuda na faculdade, que é inclusive como hierarquizar notícia. Então, >> ainda bem, porque eu não tenho diploma, então ainda bem.

¶104Essa essa missão foi. >> É, não, eu eu acho que eh o o o exercício do jornalismo, ele tem muitas maneiras de ser praticado e ele eh eh comporta pessoas sem diploma também. Agora tem valor também em jornalismo profissional e treinado. E esse treinamento não precisa ser da faculdade necessariamente. Antigamente as redações treinavam os jornalistas muito mais do que treinam hoje.

¶105Hoje, infelizmente, porque o jornalismo está em crise financeira, inclusive não é à toa que a gente pede assinatura todo dia que eh assinem. está no nosso QR code aqui. Não é à toa. Fazer jornalismo profissional é caro. E quando eu falo jornalismo profissional, não é um jornalismo feito só por diplomados.

¶106É um jornalismo que respeita as regras do jornalismo, o código do jornalismo, a eh o que que tem que ser feito corretamente para para priorizar o que é interesse público, para não ser contaminado por outros tipos de interesses que pioram o ambiente democrático e tudo mais. Então isso isso é caro, isso não é barato. E por que é caro? E por que tá em crise de se de se autofinanciar? O jornalismo passa por uma crise de financiamento.

¶107As redações em geral se juniorizaram demais. E eu não tenho nada contra o sangue jovem dentro das redações. Ao contrário, eu estimulo ao máximo que eu posso. Mas cabeças brancas, eu não tenho cabelo branco porque eu tinjo, viu, gente? Mas aqui por baixo tem.

¶108Eh, cabelos brancos importam hashtag porque a o repertório, a maturidade, o jog você saber ler se você tá sendo manipulado, se se quem tá jogando com o seu com a sua voz, né? Tudo isso exige um pouco de rodagem e eh essa troca entre o gás, né? esse sangue nos olhos da juventude com essa maturidade eh dos mais experientes, é que faz azeita a máquina jornalística e isso está eh em declínio, tá em falta, né? Então é difícil mesmo, é um exercício muito delicado. E vocês, meus queridos espectadores, estão certos em nos cobrar.

¶109vocês devem nos cobrar mesmo, porque a imprensa brasileira já teve bons e maus momentos de cobertura jornalística, de política. E a gente e e nós não estamos isentos de escrutínio, ao contrário, né? Agora, também, eh, a cobrança tem que vir de um lugar honesto, de um lugar de você entender que, olha, eh, aí a notícia se impõe, esse é um dos lemas eh do jornalismo, a notícia se impõe. Um chefe de gabinete de um presidente da República estar envolvido num esquema de tráfico de influência com o filho do presidente da República é notícia. A gente vai poder questionar aqui se o vazamento devia ter ocorrido, >> investigado, né?

¶110Sendo formalmente investigado, né? Isso. Da mesma maneira, não é que a gente acordou de manhã, é >> da mesma maneira que um áudio de um presidenciável pedindo 25 milhões de dólares para supostamente financiar um filme e até hoje não apresentando um documento de prova de como esse filme foi eh financiado. Vamos lembrar que isso tá prometido desde maio e não apareceu um também é notícia. A gente tratou disso aqui intensamente nesta bancada, intensamente diariamente por duas semanas que eu me lembre.

¶111Pode ser um pouco mais, um pouco menos, mas foi por aí que foi o tempo que o escândalo ficou. E eu acho, Alexandre, que é justo sim a gente tratar aqui do fato de que hoje existe um conflito que está acontecendo entre o gabinete do ministro André Mendonça, a Polícia Federal, parte da Polícia Federal e parte e aparentemente não tá muito claro para mim o papel que o Paulo Gonê e a PGR estão desempenhando neste conflito. Eu vou te devolver a palavra, mas eu quero só narrar uma apuração que eu fiz, né, com fontes, eh, que eu, né, enfim, que eu que eu acionei nos últimos dias. Existe uma questão que é a Polícia Federal, ela ela ela vem vem do bolsonarismo, dos anos Bolson do de Jair Bolsonaro muito mais rachada do que ela era pré Jair Bolsonaro. A Polícia Federal como qualquer instituição >> isso.

¶112Exato. E e como qualquer instituição, a Polícia Federal é feita por gente. Então, as pessoas têm interesses diferentes, tem eh se [limpando a garganta] associam em torno de de interesses diferentes, mas assim como outras instituições, existem algumas alguns códigos internos da Polícia Federal que vão mantendo alguma coesão, que vão mantendo alguma, né, uma forma da instituição se manter atuante, eh, profissional. Então eu não tô colocando aqui em dúvida o profissionalismo da instituição Polícia Federal de forma algum, ao contrário, eu é só olhar o C entre nós que eu fiz poucos meses atrás defendendo a institucionalidade da Polícia Federal e a competência da Polícia Federal. Então assim, jamais faria isso levianamente, de forma alguma.

¶113Mas o que é um fato é que há grupos dentro da Polícia Federal já havia uma divisão anterior ao a eleição de Jair Bolsonaro, a gestão de Jair Bolsonaro. E eles se aprofundaram esse e esse racha se aprofundou muito por conta da atuação do próprio Jair, mas principalmente pela atuação do Anderson Torres, que eh acelerou essa divisão e e uma espécie de guerra interna entre Brasília e as divisões regionais. Parte dessa divisão está no fato de que as divisões regionais se sentem preteridas em termos de recursos, em termos de carreira, em termos de visibilidade. Por é claro que um caso envolvendo um filho de presidente ou uma tentativa de golpe ganha muito mais visibilidade e recursos do que uma apreensão de toneladas de droga eh na fronteira ali meio, né, ou uma investigação longa. eh, de um crime organizado, de um, né, de uma facção de crime organizado que não que não seja conhecida do grande público e etc.

¶114Então, seja mediático, >> veja que gente, é, e veja que nós estamos tratando de coisas mundanas. Qualquer empresa onde você já trabalhou na sua vida tem disputa de poder, tem disputa por recurso, por carreira, por por eh visibilidade e etc. Muito bem. O ministro André Mendonça, quando assume o caso do master, ele pega um um legado de conflagração da do Toófoli com a Polícia Federal que já tá já vinha eh acontecendo. Então tudo isso é contexto, gente.

¶115E essas coisas não desaparecem de um dia pro outro. E o que que ele faz? ele traz para dentro do o a relação de ministros do Supremo com delegados específicos acontece dentro do Supremo de maneira já natural há algum tempo. Quase todos os ministros têm uma uma espécie de uma equipe de delegados da Polícia Federal com os quais prefere trabalhar. E isso tá e é é é regular.

¶116É assim, olha, eu já trabalhei com a equipe do delegado X, a gente se deu super bem no inquérito, tal, traz ele para para esse esse coiso aqui agora e tal. Isso é uma coisa que acontece já desde a Lava-Jato, antes da Lava-Jato, já acontecia e foi se intensificando. O ministro André Mendonça trouxe para si uma parte desses delegados, né, e enfim, e aí começou a, ele não cria nada, mas ficou evidente e se intensificou esse conflito com o resto de delegados, com o próprio Andrei Rodrigues. O Andrei Rodrigues, por sua vez, que é o diretor geral da Polícia Federal, segundo as minhas fontes me contaram, eh não tem o respaldo da corporação inteira, porque muita gente na corporação sente que ele furou furofila, que não era a vez dele ser o DG, né? Então, e isso foi uma escolha personalista do Lula, que teria escolhido ele pelo histórico de serviços prestados já no governo Dilma e tudo mais, pela proximidade e que tinha outros delegados eh regionais ou, né, de de subsessões que é que já estavam na fila, que era a vez deles serem eh o o diretor geral.

¶117Então, tem um sentimento também de distanciamento e de falta de de controle do Andrei com a com a sua equipe. Então, é uma situação que institucionalmente está eh fraturada. E isso agora com eh essa questão dos vazamentos, o eu entendo que o ministro André Mendonça ao aceitar abrir este inquérito, ele tá tentando, a meu ver, ele sinaliza que ele quer eh pacificar, que ele quer, ó, eh não pode vazar tanto assim, vazou demais, vamos ver. Eh, mas manda esse recado, como você mesmo apontou, um recado muito importante pro Alexandre de Moraes e pro Flávio Dino, que estão absolutamente, eh, enfim, extrapolando, né, nessa questão do do sigilo de fonte no caso do Maranhão, e depois querendo redebater e o Gilmar junto, né, o o diploma e tudo mais, mas ele, a meu ver, ele tá sinalizando que eh tá demais, que tá demais. Então eu acho que a gente tá diante de um momento em que o caso Lulinha, os inquéritos Lulinha e ou vão conflagrar de vez ou e essa relação ou a depender da conduta do próprio André Mendonça e do escuta dos delegados e do Andrei pacificar um pouco porque tá conflagrado já pelo menos desde do meio do ano passado.

¶118Flávia, eu acho que a gente também não pode descartar um certo ânimo do André Mendonça, moralizante, até pelo perfil dele de pessoa, enfim, dele olhar pro lado, achar que ele tá num meio muito complicado, onde coisas não muito republicanas estão acontecendo, e ele quer dar o exemplo, ele quer mostrar como se faz, como se fosse uma parte do legado dele para o país e para a corte. Eu acho que isso, esse componente tem que tá lá também. Ah, tá passando pano, tá sei quê. Não, eu tô analisando pelo que a gente conhece da história do André Mendonça, pelo personagem, como ele tem atuado. Até agora eu não vi uma única pessoa levantar qualquer tipo de crítica com mínimo de base em relação ao que o André Mendonça tem feito até hoje.

¶119E ele quando ele manda esse recado pro pros pares em relação ao sigilo de fonte e ao trabalho do jornalista, me parece que vem desse lugar onde o André diz assim: "Olha, cada um aqui pode entender de direito constitucional, disto, daquilo outro, mas o guardião moral sou eu. Eu sou o religioso, eu sou o que tem perfil de pastor, eu sou o que quer deixar um legado moral e ético." Então esse recado que ele manda, que ele não precisava dar, é um, é o Mas ainda bem que deu eh eh é um é me parece que revela um pouco da personalidade dele. Então, nesse sentido, não é que ele se furta a discutir a os vazamentos, ele quer dizer o seguinte: "Ah, é, vai todo mundo vazar, então deixa eu botar regra nisso, deixa eu investigar, deixa eu entender como esse negócio tá acontecendo." E a partir daí eu quero gerar para o Brasil eh eh um uma um entendimento da raiz desse problema e de como resolver. Então eu eu acho que isso não pode estar descartado dentro do do que poderia estar animando as decisões do André Mendon. Eh, porque o que acontece nesse os vazamentos hoje, é claro que eles têm um apelo no debate político muito forte, a 40 dias da eleição, nem se fala, enfim, mas para o policial federal envolvido diretamente na investigação, a gente pode identificar também uma questão de sobrevivência.

¶120Muitos desses eh eh agentes, eles acham que se o que ele tiver fazendo não tiver sob os holofotes da sociedade, ele pode começar a receber pressão de todo lado e isso comprometer o trabalho dele investigativo. Então você vê também no no e eu não tô dizendo que isso tá certo, não tá? Eu tô tentando entender a cabeça do vazador, >> né? E isso não é justificar, isso é entender. Isso, na verdade, hoje é um dos grandes problemas eh que a gente tem no debate político.

¶121Eh, eh, que é quando você descreve algo, as pessoas acham que você tá torcendo, apoiando, você tá do lado, você fala: "Não, eu tô fazendo uma anamnese, eu tô, entendeu? Eu tô eu tô descrevendo, eu tô entendendo, tô fazendo um diagnóstico, entendeu? o teu médico faz um diagnóstico, ele não tá torcendo pro vírus, ele tá olhando e entendendo o que tá acontecendo até para poder fazer o tratamento. >> Então aqui eh eh eu tô tentando entender a cabeça de um vazador dentro da Polícia Federal, porque da onde essas coisas vêm, né? Eh, e eu acho que a gente tem que considerar a possibilidade desse investigador não se sentir seguro de trabalhar nas sombras, né, e sem o apoio, a pressão da política, da opinião pública para que aquela investigação continue e que ele tenha liberdade, independência e autonomia para seguir com aquela investigação.

¶122Eh, no momento que as luzes da sociedade se apagam e ele começa sozinho no escritório trabalhar, eu acho que ele se sente um pouco mais e eh fragilizado em relação a resistir a pressões políticas, troca de advogado, ameaça, ameaça funcional, que essas coisas a gente sabe que acontecem. é uma forma de defesa, mas também é é muito ruim a a instituição como a Polícia Federal está refém de uma métrica de sucesso também como essa. >> É, não, isso isso isso é fora da lei. A quem não pode sair da lei é justamente a polícia. Então a gente não quer que a polícia cometa crime.

¶123Mesmo que o cara diga que é o Lot NES e tá contra o Alcapone e por causa disso ele tá cruzando as linhas e tal. Eh eh tem tem essa coisa do senso de missão. Tudo bem. Eh, eh, eh, vou fazer uma referência pros fãs do Game of Thrones. Você, você, não sei se você assistiu essa série, mas na primeira temporada tem isso, né?

¶124Eu tenho o cara lá que é o, é o sujeito do dos, dos segredos e que é o é o Veris. E, e aí ele tá na, na, na na catacumba lá com o Ned Stark antes de perder a cabeça. E o Ned Stark vira para ele e fala assim: "A quem você serve?" E ele responde: "Ao reino". Eh, eu adoro isso, acho lindo. Eh, eh, que tem esse lado do do sujeito, do idealista.

¶125Eu não tô servindo a ninguém específico, a um rei específico. Estou servindo ao reino, né? Então tem essas pessoas que têm um pouco essa ideia de que tem uma missão além das pessoas, além do dia a dia e tal. Então você pode ter, nós estamos botando na mesa aqui possibilidades, gente que acha que ao cruzar essa linha e vazar informações, por exemplo, o sujeito tá investigando o filho do presidente da República, então no há 40 dias da eleição, ele fala: "Bom, tô sofrendo aqui pressão de todo lado". Então, a sociedade brasileira precisa saber do que se trata isso aqui.

¶126Não estou justificando, tá? Não tô dizendo que tá certo. Tô dizendo que pode passar na cabeça do sujeito que fala: "O Brasil precisa saber quem é Roberta Lutzinger. O precisa saber quais são as relações que ela tem com o Fábio e com o Fernando Bitar. Precisa [limpando a garganta] saber quais são a relação dessas pessoas com o careca do INSS, qual é o dinheiro envolvido, quais são as transações envolvidas.

¶127Porque se o Brasil não entender, vai cair naquela coisa de que, ah, estão falando mal do Lula para causar problemas eleitorais. porque a polícia é bolsonarista, blá blá blá, e aí a coisa cai no limbo e aí longe eh eh do escrutínio da sociedade, o sujeito perde verba, perde ali prestígio dentro da pode ser tirado da investigação, pode ter, enfim. Então, eh eh eu acho que é é uma maneira também da gente entender nesse país complexo que a gente vive, onde eh eh eh muito da disputa política tá sendo resolvida no judiciário, eh que é uma coisa muito complicada também. Aliás, se eu vou fazer um parênteses aqui em relação ao STF, a gente só tá tendo essa conversa e diversas outras conversas desse sentido. Por quê?

¶128Porque o a Constituição de 88 do Brasil, que tem um monte de problemas, foi feita por um outro mundo, um mundo antes da queda do mundo de Berlim, feito em parte meio no fígado, porque tinha acabado de sair da ditadura e tal, uma série de problemas que a nossa Constituição tem. cumpra-se a Constituição, mas ela tem problemas, a gente tem direito de debater. Eh, eh, ela colocou na Suprema Corte, diferente de muitas das grandes democracias do mundo, diferente dos Estados Unidos, diferente da Itália, diferente da Alemanha, diferente de vários outros países, onde a Suprema Corte ela é 100% constitucional e ela só discute casos muito específicos de preceitos constitucionais. Aqui ela é a quarta instância que discute basicamente tudo. Todos os casos criminais, comerciais, tributário, qualquer coisa acaba no Supremo e isso gera esse tipo de distorção.

¶129Então, eh eh é até um, eu acho que não há dúvida que deveria est no debate nacional eh eh pro ano que vem. É claro que nós estamos na na eleição, mas repensar isso, se se realmente não é hora da gente olhar para experiências como da Alemanha, dos Estados Unidos, da Itália e tirar do Supremo Tribunal Federal, casos que não sejam estritamente de discussão de preceito constitucional. Feito parênteses, >> é uma das coisas, é uma das coisas que o Sérgio Abranges defende na entrevista, viu? >> É, nesse ponto vocês estão, eles estão, vocês estão alinhados. Não sabia.

¶130Então, Serjão, parabéns, tamos junto. [risadas] Mas enfim, mas então assim, a gente eh tá vivendo esse momento onde a gente normalizou, Flávia, que Supremo Tribunal Federal tem ala política. A gente fala isso como se a gente tivesse falando o resultado do jogo de ontem, entendeu? Mas a Suprema Corte do Brasil, que é cada vez mais um poder moderador, que é muito mais do que o Senado romano, né? pelo menos antes do Júlio César, eh eh você tem a normalização da ideia em que eles são mesmo agentes políticos, legislam, dão palpite o dia inteiro sobre questões da política nacional, eh constrangem os agentes políticos, entendeu?

¶131Dizem que vão investigar e vão fazer, vão acontecer com qualquer um que questiona qualquer coisa em relação à Suprema Corte. numa canetada, acabam com leis votadas no parlamento, em diversas votações, numa canetada acabaram com a Lavajato. Quer dizer, assim, tem tem uma série de coisas que acontecem ali nesse que eu tô chamando de poder moderador, que é muito mais do que a função do judiciário. É, e mas virou esse VAR da democracia brasileira, essa última instância de tudo e às vezes na caneta de uma pessoa, né, ou de uma pequena primeira turma, segunda turma, enfim, isso precisa ser revisto. E isso é uma anomalia.

¶132E os agentes da sociedade brasileira, eles resistem da maneira que eles acham melhor. Eh, vocês vão lembrar logo logo quando eu entrei aqui, uma acho que a primeira semana que eu tava aqui eh eh no no meio, [roncando] eh foi uma semana depois de uma discussão do Pedro com a Lia Maria em relação a a se o Supremo tava extrapolando ou não. Eu acho que você aí, Flávia, recebeu em São Paulo a Ligia Maria, que ela tinha recebido uma uma ela tinha escrito uma coluna na folha que que era nisso. Aí o o Pedro deu o contraponto dele. Foi, foi uma grande semana, aliás, foi uma daquelas que que eu falei, pô, tô começando num lugar maravilhoso mesmo, porque foi uma discussão que eu achei de muito alto nível, muito bacana, eh, eh, eh, e e uma discussão sobre até onde você aceita que algumas regras sejam flexibilizadas em nome de um suposto bem maior, né?

¶133Então o debate era porque se os dois lados, tanto Pedro quanto a Líja, reconhecendo que o Supremo deu umas extrapoladas na época do da do golpe, na época da da da tentativa de golpe da intentona bolsonarista. E se isso eh foi eh eh se isso é justificável para evitar um golpe de estado, porque um golpe de estado não é não é um crime qualquer, é um crime que tira a própria ordem constitucional e a própria ordem do Estado democrático de direito. E aí, enfim, a gente entra no num num terreno onde ali o que foi feito foi feito para preservar e o país inteiro, a democracia brasileira. Então tem uma tinha uma discussão muito interessante. A gente hoje volta a isso, entendeu?

¶134Quando você tem o Supremo como esse poder absoluto, inquestionável, que você não pode investigar nada, ninguém, entendeu? Quando a menor eh eh suspeita sobre alguém já dá busca e apreensão, já você acaba estupra os direitos constitucionais do sujeito. Em compensação, um dos ministros, a esposa dele tem um contrato de 80 de 130 milhões com com Daniel Vorcar, você não pode nem tocar no assunto. A a procuradoria geral da República acha que não é para investigar. Eu nem tô dizendo que tem problema.

¶135Pode ter, pode não ter. Eu tô falando isso para eh não ter problemas jurídicos, entendeu? Mas assim, não investigar, não investigar a relação do Tof com Taiayá, não investigar, entendeu? Então, eh eh quando você tá nesse ponto, eh eh você tem os agentes eh que que transitam com e e que tem algum tipo de interação com o poder no Brasil, tomando atitudes às vezes que eles consideram que se o pessoal cruza a linha de cá, a gente cruza a linha de lá. É uma situação muito triste, porque todo mundo tinha que ficar dentro das linhas, né, para não usar a expressão do Bolsonaro.

¶136Mas >> eh eh quando um dos lados acha que o outro não está jogando dentro das regras, ele se sente à vontade para sair das regras. E é aquela situação onde tá todo mundo errado. >> Flávia, >> muito bem. Diga que >> só antes da gente, a gente tem que chamar Gui, né? Mas enfim, >> ele já tá aqui do meu ladinho, já tá aqui do quer trazer dicas culturais.

¶137Mas antes, deixa eu só ler aqui eh um comentário da Adelina que eu achei uma graça, que ela diz assim: "Puxa, deve ser uma delícia tomar um café ou comer uma pizza com Alexandre". O papo dele é tão gostoso, adoro as referências que ele traz. Que cultura ampla e multifacética. Nossa, muito >> obrigado. Ganhei sexta-feira.

¶138Obrigado. >> Achei chique. Achei muito chique. Alexandre Flávia não se >> eu já tomei café. Já tomei café com Alexandre e atesto.

¶139É bom. >> Maravilhoso. E eu adorei também. Gentileza gera gentileza, não é isso? [risadas] >> É isso.

¶140Quer comentar alguma coisa? Então, neste espírito, eu ia neste espírito gentil eh agradecer a presença do nosso queridíssimo Alexandre todas as sextas-feiras aqui. Não é sempre que eu estou por aqui, porque eu normalmente as sextas estou ali trabalhando na edição de sábado e aí eu aproveito e que você tá aqui e você e o Pedro engrenam no papo e eu vou eh editar, mas hoje eu eh quis vir aqui, estar aqui com você e é sempre um prazer quando eu venho. Muito obrigada, querido, pela sua >> pela sua presença todas as sextas. >> Obrigado.

¶141Obrigado, >> obrigada, Alexandre, por nos brindar aí com a sua análise. Até semana que vem. >> Até semana que vem. [risadas] >> Tchau. Tchau.

¶142>> A, até. Posso trazer para cá já, minha querida? Já trouxe, sim. Já veio. Ó, o Gui já tá aqui do meu ladinho.

¶143Bem-vindo, meu querido. >> Tudo bem? Obrigado. >> Muito bom te aqui. Então, deixa eu aproveitar e contar pras pessoas que além na edição de sábado, além da entrevista que eu fiz com Sérgio Abrches, que é eh parte da nossa cobertura especial de eleições, então eu convidei o Sérgio Abrandes para fazer eh essa primeira entrevista e ele também topou o nosso convite para ser a nossa última entrevista do período eleitoral, já com o vencedor escolhido nas urnas.

¶144Então vai ser um jeito da gente abrir e encerrar o ciclo eleitoral de 2026 oficial, né? Porque a gente tá falando de eleição faz tempo já, mas oficialmente. Eh, a gente também tá com esse lançamento imperdível amanhã no nosso streaming. Gente, eleições 2026, a escolha é o nosso documentário novo que estreia amanhã, dia 22. O pessoal que aderiu ao Clube Meio Eleições 2026 já assistiu um pedacinho, uma espécie de um making off com pedaços do Doc.

¶145Eh, teve esse esse privilégio, esse coisa de clube, né, gente? De membro de clube VIP. É isso. Eh, se você se arrependeu, é só fazer o upgrade lá, tá? Premium mais cursos.

¶146Eh, você entra no clube, ainda tem aí algumas semaninhas de conversas juntos, hein? Vamos junto. Enfim, mas a edição de sábado tem mais material, não é assim, não é só essa entrevista que tá excelente. Tem mais coisa, por exemplo, Yabochá e Caio Melo vão explicar um pouco o que que é essa Petrobras com a descoberta eh de petróleo lá na no Foz do Amazonas. E já antes dessa descoberta, já távamos caminhando para ser o quinto maior produtor de petróleo do mundo, eh, que é um marco inédito da nossa produção e que eh pode mudar aí o o patamar eh de como a gente faz dinheiro com petróleo, gente, porque, né, ainda estamos neste planeta em que se faz dinheiro com petróleo e a Petrobras está descobrindo mais coisa, está produzindo, está no auge da sua produção.

¶147eles vão explicar o que que isso quer dizer. E eh o Guilherme Vernec, nosso queridíssimo, além de trazer o conteúdo da Ladrilho Hidráulico eh na nossa edição de da newsletter gratuita das sextas-feiras, eh toda sexta e aí traz também aqui a Agenda Cultural de Rio e São Paulo, eh escreve nas edições de sábado e esta semana fez uma um papo com o Marcelo Quintanilha, >> ou seja, falando justamente da das pessoas que não vão ser impactadas por esse petróleo todo. >> [risadas] >> que não tem dinheiro para pagar a gasolina do carro. >> Pronto. Exatamente.

¶148[risadas] Conta um pouquinho o que que é essa grafica. >> Não, o Quintanilha é o maior quadrinista brasileiro. Ele ele ganhou o maior prêmio dos quadrinhos. É um prêmio francês, eh, que é dado no festival de Gulem. Ele ganhou em 2022 esse prêmio.

¶149Foi o primeiro latino-americano a ganhar esse prêmio. >> Aham. Eh, ele tem uma obra super extensa, não só de de novelas gráficas, mas também tem um romance. Ele também fez filme com, quer dizer, na verdade, um quadrinho dele virou filme doord, ele fez o roteiro. Eh, e é um cara que tem um olhar pro Brasil, assim, embora ele more em Barcelona desde 2002, eh, ele não perdeu o expulso do que quer ser Brasil, entendeu?

¶150Os personagens dele são riquíssimos, >> eh, seja na favela, seja no asfalto, entendeu? é muito rio, né? Rio Niterói, porque ele é neroense. >> Eh, e ele tá lançando um livro muito legal agora, que é é quase que um complemento de um primeiro livro dele que chamava Luzes de Niterói, em que ele contava um pouco da juventude do pai. >> Uhum.

¶151>> Em Niterói, pai que é um jogador de futebol e etc. E agora ele cria um outro livro que chama Eldorado, em que ele volta essa história do pai, o pai como um jogador de futebol, só que ele faz um espelho, ele cria um irmão fictício que o pai nunca teve. E aí é um irmão que entra pro caminho dos pequenos furtos, delinquência, tráfico de droga, entra no crime organizado. >> Uhum. >> Então são essas duas realidades que se encontram.

¶152E a gente fala, eu peguei esse gancho pra gente falar de tudo, né? Falar de escrita, falar de de como ele olha o Brasil, principalmente, entendeu? Ainda mais neste momento que a gente tá, né, eh, com a classe média sendo tão crucial dentro do processo eleitoral, não tinha como escapar também de falar disso um pouquinho. >> Muito muito bom. Então assim, deu para entender, né, gente?

¶153Se assinante premium do meio é é assim e tem muitas frentes de conteúdo incríveis que a gente rala, rala mesmo para trazer para vocês e que a gente faz fala de política, fala de economia, fala de cultura, eh fala de comportamento, eh traz abordagens de política que não são as mesmas que a gente traz aqui, que a gente tenta ampliar ou aprofundar os assuntos. Assinem o meio, são R$ 15 por mês que Arcode tá na tela. E que que a gente vai fazer nesse final de semana no Rio e em São Paulo para quem tá na no Saçarico? Porque eu sei que que eu vou fazer esse final de [risadas] semana. >> Ah, eu quero saber o que que tem de bom no Rio.

¶154>> Puxa aí, puxa na saber no Rio. >> Olha, no Rio hoje tem show da Carminho que eu amo. A Carminho é é uma das modernizadoras do fado português, né? Não sei se vocês conhecem o trabalho dela, mas ela já tem sete discos. Ela vai fazer o show do sétimo disco.

¶155>> Eh, nesse disco, por exemplo, tem uma música que eu amo, quer saber que ela fez uma parceria com a Lori Anderson, que é uma das deusas da minha vida, ex-mulher do L Reed, eh, uma poeta violinista dessas da da música maluca. Eh, mas também ela tem coisas mais pops, por exemplo, ela fez uma, ela tá numa música do disco da Rosalia, do último, que é super pop. E eu acho muito chique. Inclusive vai ter show segunda e terça dela aqui no no Cultura Artística, mas daí foge da ladrilha pro meio porque não tá no fim de semana. [risadas] >> Ah, e fora que sair de segunda e terça é coisa de jovem, né?

¶156>> É, eu sou jovem, né? Você então jovens como você [risadas] >> claramente >> é, eu vou na segunda ver Carminho, por exemplo. >> Excelente. Vá, curta por mim. >> Aí eu achei bom.

¶157Aí assim, finalmente tá estreando no Rio uma peça que eu vi aqui em São Paulo que é tipo >> sensacional, eh, que é o fim de partida do Becket, Marcos Nanini no palco ao lado do Guilherme Weber, são os dois principais. A peça tem quatro personagens, mas ela é basicamente em cima desses dois personagens, né? O Ham e o Clove. Eh, é uma peça que foi escrita na na esteira ali da Segunda Guerra Mundial. Então, os dois estão tipo num espécie de bunker e como nas peças do Becket, eles não têm muito para onde ir, o que fazer, então é um jogo sobre o nada assim, eh, mas é um jogo sobre o nada que revela muito sobre a humanidade, né?

¶158Então, vai tá lá no no Teatro Total Energies até 30 de agosto só. Então tem que correr, vale a pena ver muito. Se você gosta de backet, você gosta desses grandes atores que são o Nanini e o Give Weber, eh, vale muito a pena. sempre de quinta a domingo. Eh, é um pouco salgado, R$ 180, mas eh é um dinheiro bem empregado.

¶159Eh, e para quem quer com uma coisa mais pop, tem Gabi Amarantos na Fundição Progresso com Rock Doido. que doido foi o disco do ano da PCA e é um disco em que a Gabi, de uma certa maneira volta ao começo da carreira dela do Tecnobrega dando um duplo twist carpado, porque ela traz todo esse começo de carreira pro pro som de hoje assim e e daí mistura várias correntes guitarrada com rock, com é uma loucura assim. E a Gabi virou essa coisa televisiva, ela virou um um grande personagem, né? Agora tem um outro showzinho que que esse eu nem coloquei no na newsletter, mas eh que foi o show mais legal que eu vi nesse ano, nessa terça no Bona, vai ter no sábado no Rio na Casa Painel, que é a Joana Queiroz com a Maname Cacudo. A Maname é uma cantora japonesa multiinstrumentista.

¶160A Joana também multiinstrumentista do quarta B. As duas juntas é um show de 2 horas. O começo é todo de improvisação livre, uma coisa bem climática assim. depois entra nas canções da da Maname e assim é uma coisa mega afinada, canções lindas. Foi foi assim, eu saí na terça-feira de alma lavada [risadas] do Boa.

¶161Boa. >> Então eu recomendo essa essa é uma recomendação extra para quem tá no Rio e é certamente que eu faria amanhã nessa na Glória. Iria pra Glória ver as duas meninas. >> É, fica perto para mim. Bom para você, Yasmin.

¶162>> Fica perto para mim. É, >> agora só tenho que ver porque tem que equilibrar com a rotina do no pé do ouvido, gente, que sai muito cedo. Então, é uma dinâmica aí que, né, eu preciso ver. Mas eu sou muito fã de Gabi Amarantes, eu acho ela ela bomba na minha playlist de academia. [risadas] Ah, Gabi demais, né?

¶163É demais. >> E em São Paulo, o que que a gente faz? >> Bom, em São Paulo a gente tem o maior festival de velharia do mundo. [risadas] >> Velharia aí é minha língua. que é o C6 no rock.

¶164>> É bom. É, é, é a cabeça dinossauro, não é? Como é que >> exatamente? Eles pegaram todos os grandes discos dos anos 80 e é isso. >> Resolveram juntar a galera.

¶165>> E quando não tinha as bandas originais, porque, né, sei lá, Paralão, fazendo selvagem, titãs, eles juntaram a Blitz com a Fernanda Breu, entendeu? de novo para fazer as aventuras da blit, que é aquele disco delicioso. >> Tem Marina ali, mas por exemplo, no caso Casuso, eles vão lá e juntam um timaço para cantar casuza. Então, então é isso. Você sábado e domingo lá na Mirapuera.

¶166>> Eh, é bem o rolê tiozão assim, mas né, [risadas] que é quem tem dinheiro para para pagar esses ingressos também caros. >> Mas tiozão também é gente, eu que que eu fui que falei assim: "Cabelos brancos importam". Sim, >> foi o movimento que eu lancei hoje. >> É, eu não tenho ainda, >> só tenho barba. >> Então é isso que eu ia falar.

¶167Tem sim, meu bem. [risadas] Desculpa, desculpa, pô. É, mas é cabelo. É, meu amor. É pelo >> Não, barba não é cabelo.

¶168>> É pelo. É pelo. É pelo. Eu também não tenho, ó. Zero.

¶169Que eu vou a cada mês e meio [risadas] me da Flávia pr pra presidência vai ser essa. Cabelos brancos importam. Diga não ao etarismo. E ela com essa carinha de menina que ela tem, né? Vai ser OK.

¶170OK. >> Isso é isso. >> É isso. >> Mas é cara, mas a verdade é que ficar mais velho é mais legal. >> Ah, >> eu acho.

¶171>> Ai, depende. Gente, olha, eu sou super a favor da gente fazer um programa só sobre isso, as dores e as delícias de envelhecer. Tem delícias e mas >> dores tem bastante, [risadas] >> principalmente as da lombara. Aqui, aí você vai reunir com as amigas e os amigos. Aí a hora que você vê, você passou a primeira uma hora do encontro debatendo todo mundo qual é o medicamento que tá tomando pro quê.

¶172Aí você aí e aí a outra meia hora sobre que plano de saúde que tá valendo mais a pena >> aí [risadas] vai ser um programa que vai ser que saúde >> aquele programa aquele rios do Evaristo Costa apresentador da Globo que ele diz que ele vai só fazer conteúdo adulto agora. Aí vai falar qual é o remédio que toma de manhã, qual que é a dor no joelho, qual causas do colesterol alto, como evitar. [risadas] >> Exatamente. Exatamente. Não, mas >> isso faz parte da realidade.

¶173Mas também tem um monte de outras coisas. Você já tá mais safo, você sabe um monte de coisa, você já não se assusta tanto com as, né? >> Isso tem. >> Então não é não é tudo ruim. Tem.

¶174Agora custa caro, porque o remédio custa caro, p custa [risadas] caro. >> Uhum. Por isso que tem que ralar muito quando é jovem. >> É, [risadas] >> ralem, jovens ralem, como diria o Nelson Rodrigues falava, né? Jovens envelheçam, eh, porque é bom para amadurecer, mas jovens ralem porque senão não consegue pagar >> enquanto tem emprego ainda, né?

¶175Porque daqui a pouco nem para jovem vai ser mais. >> Ah, não, não. Vamos não, não. Vamos ter uma autostrala. >> Aí a gente já volta pro longo da previdência.

¶176Porque [risadas] no fórum eh que no fórum é o é o festival de curta mais legal da cidade. Ele tá em 500 cinemas, entendeu? Tudo que que é cinema legal da cidade vai tá passando curto do que no fórum. >> Uhum. >> São 260 filmes de 58 países.

¶177É um festival internacional. Eu acho curta a linguagem mais legal do cinema, porque é quando o curta te dá aquela possibilidade de experimentação que nem sempre um longa te dá, porque o curta você faz com menos dinheiro, você tem ainda mais agora no centro de a tal, você tem muitas ferramentas para usar criativamente o cinema, né? >> Uhum. Então é muito legal e e para quem não tá em São Paulo, porque o KP não vai se espalhar toda essa semana ali, Cicissesc, Cinematecas, Espo, Petrobras, Miss, Sinusp, mas ele tá em quatro plataformas também para você ver as coisas. Então você pode ver na plataforma do Sesc, do Itaú Cultural, do IMS.

¶178É, é assim, é uma delícia, entendeu? Você po, >> só a pessoa que quer passar o fim de semana na horizontal, por exemplo. Exatamente. Você pode ver. >> Ah, olha aí.

¶179Aí sim. Aí vi vantagem. [risadas] E aí, mas aí para entrar nessas plataformas, eh, tem que comprar o de graça. Olha isso, por exemplo, o o CES que eu não sei o que aconteceu, eles mudaram alguma coisa lá, por exemplo, eu não consigo mais entrar >> porque ele pede CPF, pede a manha. É uma é uma tragédia, mas tá o cultural tem até na Samsung da TV, você baixa o app e vê, entendeu?

¶180É só se cadastrar, >> é, você vai dar seu CPF, uma coisa assim que indolor, entendeu? Pros dias de hoje, [risadas] >> não é? e e ver. >> Pronto, adorei. >> Dá até para ver na TV >> essa essa dica falou fundo comigo.

¶181>> E tá rolando também, começou no meio da semana o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, File, que é um festival que eu amo, assim, eu acompanho File, putz, desde o começo do ano 2000. Eu acho que eu fui em todas as as edições que que é uma grande amra de arte e tecnologia, né? De arte digital, de arte que e sempre com uma curadoria muito bom, porque >> arte [roncando] digital é aquela coisa, né? Às vezes o cara fica tão deslumbrado com a tecnologia que a parte arte ele esquece. [risadas] Sim, entendi.

¶182>> Então é, e aí você vê coisas que são muito pirotécnicas, mas que não t muita sustância conteúdo. E e o FA tem uma boa curadoria de >> não acabar com isso, mas minimizar isso, né? E esse ano o tema é intercrireatividade, ou seja, que o que que eles querem dizer com intercriatividade em tiar de tecnologia? Basicamente é a gente criando com IA. >> Uhum.

¶183>> Usando a IA de forma criativa, usando IA dentro dos seus processos >> e que é o tema da vez, né? é a coisa que que tá todo mundo pensando eh para em todos os setores, né? Não só na cultura, mas eh na arte digital é um salto assim tremendo. E tem muita coisa legal que é é melhor do que deep fake de campanha política. [risadas] >> Ó, mas aí também você botou o sarrafo muito baixo também, né, pô?

¶184Aí vamos >> fazer o que a gente tá vendo todo dia, né? >> Too much, too much. Mas sim, é isso. Eh, eh, não, perfeito. Adorei todas as dicas.

¶185Eh, já me inspirei, eh, porque neste fim de semana em particular, até a eleição, eu acho que eu vou estar meio caseirinha, >> entendo. >> Mas, eh, tem, para você, espectador que não está caseirinho, tem bastante opção também, como vocês viram. Gui, muitíssimo obrigada. É sempre um prazer te receber aqui para ouvir >> sobre cultura. Muito bom, bem-vindo sempre.

¶186Muito obrigada. >> Beijo para todo mundo. >> Yasmin querida, um beijo para você. Bom fim de semana. >> Obrigada, Flávia.

¶187Aproveite aí sua casa. Ainda não decidi o que eu vou fazer no final de semana, mas já tô aí munida de opções, o que está ótimo. Obrigada, pessoal, aí pela por essa conexão Rio São Paulo. E para você que tá nos assistindo, o central meio de hoje termina aqui. A gente volta na segunda-feira.

¶188Um final de semana espetacular, ó. Beijo. Fui. Essa campanha tem que começar a verdade, derrotando a mentira. O filho mais velho [música] do capitão segue aqui de pé, firme e forte ao lado do povo brasileiro.

¶189Os dois estão jogando o mesmo jogo, cada um preocupado com a [música] sua eleição. Ninguém tá preocupado com o Brasil. Tudo que dá certo nesse país parece que [música] o Pedena não gosta. Nós não precisamos ser refém de um debate [música] político construído entre um mongoloide como Flávio Bolsonaro e um cachaceiro senil como o Lula. >> [música]