¶1Débora, o Caiado ontem falou na sabatina que vai rever a reforma tributária. O Nicolas Ferreira soltou um vídeo que já tá com mais de 1 milhão de likes, pegando alguns trechos da reforma tributária e debulhando, eh, e destruindo. >> Então, debulhando não é bem a palavra. Ele falou de seis seis tópicos em 3 minutos. Isso não é um fenômeno.
¶2[risadas] É um fenômeno. Mas eu quero te ouvir do ponto de vista econômico, fazendo um breve eh epílogo, não, prólogo, sobre a parte política, porque na no meu ponto de vista eh tanto o Caiado quanto o Nicolas, cada um partindo do, né, do seu ângulo de eleitoral, convenientemente deixaram o papel do Congresso de fora, né, no que foi a a reforma tributária final aprovada e tal. Mas eu quero te ouvir do ponto de vista econômico, das críticas que o o Nicolas faz. E aí, se você quiser também falar da eficiência eleitoral, fique à vontade. >> É, é, é difícil, né?
¶3Porque a reforma tributária é um tema bem complexo. Mas o que eu acho curioso, né, fazendo esse gancho com a política, é que eles escolheram a uma das coisas que eu acho que é mais unânime, né, entre especialistas a melhor coisa do do governo Lula para bater com tanto problema e o pessoal escolher a reforma tributária para bater, eu acho que é, não sei se é um sintoma do nossa falência técnica, mas eu vou explicar porque que isso é importante. Vale dizer que o Nicolas ele tá se comunicando de forma legítima, né, com um eleitorado que tá preocupado com reforma tributária e tem razão de estar preocupado. Por quê? a gente sai do sistema eh tributário mais complexo do planeta Terra.
¶4Isso tem dados para embasar. E claro, dado que é um sistema super complexo e a gente vai mudar para um sistema novo e se espera que a transição seja suave, seja previsível, essa transição vai ser bastante complexa, né? Então, várias das reclamações do Nicolas, elas vão nessa direção de tipo, ah, [roncando] eh, vai mudar já em janeiro, né? Que ele fala do splitment. Explitei, vai mudar em janeiro para grandes empresas do lucro nacional, lucro resumir, que é é o parêntese que ele não coloca no vídeo, né?
¶5Uhum. >> Eh, e é voluntária, uma adão voluntária, eh, começa com uma porcentagem muito baixa de taxação, que é para testar o sistema, pra gente no futuro, daqui há bastante tempo, se encaminhar para um sistema que seja mais automático. Porque o que as pessoas não sabem é que no sistema tributário atual do Brasil ou antigo, enfim, eh, não tem só, porque quando a gente pensa em imposto, o cidadão tende a pensar no no volume, que sim, o Brasil cobra muito imposto pro nível de renda que a gente tem comparado com os países de renda média. Só que tem um outro custo de sistema que não é que é o custo indireto, que é por ele ser muito complexo, ele gera distorões na economia. Então, em vez de eu ter um regime tributário, porque é o que faz sentido eh pro meu negócio, né, pro pro cliente, né, pro pra estrutura, eu tenho um sistema tributário porque eu recebi um benefício fiscal um lugar X, >> porque eu, enfim, né, você fatia as empresas que são maiores, menores para poder ficar todo mundo no simples nacional.
¶6Enfim, tem um gênero de distorões que em vez de o cara tá focando eh tá focado no negócio, ele tá pensando em como ganhar alguma vantagem de tributária. Então essa é a primeira omissão, vamos dizer, estratégica do do Nicolas, eh que é a questão do split payment, que ele fala: "Olha, dia 1 de janeiro vai entrar e você vai, você pessoa que tá falando com ele já vai ter que pagar, não é você, né? Grandes empresas vão optar por participar para testar o sistema". Eu até anotei aqui que foram seis seis tópicos >> e eu e eu te obrigando a falar em cinco e eu te obrigando a rebater em ceber em cinco. É.
¶7Eh, a outra coisa que é, ele fala, vai entrar em vigor o CBS, que é o novo imposto, que é nesse formado do IBA, vai entrar para começar a substituir os outros impostos que a gente tem, né, que ele também não fala segunda parte, é quase como se fosse assim: "Ah, tá taxando, então vai aumentar mais um imposto, então a gente vai pagar mais imposto". E não é exatamente isso. E outra crítica que ele faz é que, ah, a gente não sabe a eh a alíquota e quem tá no simples nacional vai ter que decidir se fica no simples, vou vai pro sistema híbrido. Só que eh sem saber a alíquota. Só que a decisão para ser tomada, se você fica no simples ou não.
¶8Não sei se o man já recebeu o e-mail dele da da contabilidade, eu já recebi o meu. >> Uhum. >> E em que medida ela importa? Como eu falei, é uma questão de estrutura do que de alíquota. E e essa é é a coisa.
¶9[roncando] Eh, como eu sou uma pessoa que fornece análises, né, para mim faz muito sentido ficar no simples, porque eu não tô participando de uma grande indústria, então não tem ninguém que me contrate receber crédito tributário. E aí para uma pessoa tão simples nacional, independentemente de alíquota, eh se ela faz, por exemplo, eh tem uma fábrica de alfinetes e ela vai fornecer para indústria confecção e a indústria de confecção, o tipo de cliente dela é da indústria, então faz sentido pra indústria vai receber crédito tributário do simples nesse sistema híbrido novo. Então faz sentido para essa pessoa migrar, né? Esse fornecedor migrar, esse pequeno fornecedor. [roncando] Então não é que ah, a pessoa não vai saber qual o melhor sistema para ela porque não tem alíquota.
¶10Não. O o melhor sistema para ela depende de que tipo de cliente ela tem, de que tipo de negócio ela tem e depende da alíquota. >> E essa alíquota tá sendo discutida muito ainda, porque eles querem fazer uma transição que seja suave, que pelo menos em tese, né, eh, não aumente a carga tributária total do sistema. não vai aumentar para algumas pessoas. do varejo se queixa muito, mas é porque historicamente quem tá arcando realmente com o ônus do sistema do da tributação sobre consumo era eh eh a indústria, né, que tem cadeias mais longas e aí a complexidade tributária fica muito grande.
¶11Então, assim, tentando resumir muito, eh, ele fala de várias coisas trazendo informações meio que pela metade, eh, que que sim são preocupações legítimas, né, da população de não entender o sistema, não entender direito transição. Acho que o governo Mula deveria talvez ter feito um esforço mais robusto na parte de comunicação. Eh, cara, se tem um pessoal bom de comunicação na esquerda, tinha que ter acionado a galera para tá explicando pros pequenos empreendedores para eles não caírem em armadilhas e tudo. Mas eu acho que a minha maior preocupação é que a gente tem um pedaço muito grande de direita brasileira e até de um pessoal que é mais liberal, eh, eh, de não compreender, de que tem um custo do sistema, das distorções históricas que a gente tem no sistema atual e de, claro, tem muitas exceções do sistema novo, tem coisas que dá para criticar, que dá para ajustar, dá para dizer: "Olha, vamos fazer uma transição mais longa pro pessoal do simples, dá para ajustar". Mas ao invés de de nesse caminho do ajuste da reforma, né, de uma reforma que foi debatida desde que antes eu nascer, eu acho, eh, de destruir tudo foi feito, sabe?
¶12E e não entender que existe esse ganho de eficiência. Outra coisa que pouca gente, eu vi pouca gente falando é que com a reforma tributária a gente não vai ter mais guerra fiscal. E por que que isso é bom? Em vez de você ter uma indústria que vai lá para Pernambuco para falar do estado do porque ai conseguir o benefício fiscal que é dinheiro de de abrindo mão de de recurso que pode passar de educação. e o governador vai ter que fazer assim: "Nossa, como é que eu posso fazer um bom ambiente de negócio para todas as empresas conseguirem empreender aqui, pros pequenos, pros grandes, um sistema que seja fácil, eh, desburocratização de de licenças, tem coisas que fazam sentido, né, que [risadas] infraestrutura, né, segurança pública, né, tem uma demanda das indústrias da Bahia, por exemplo, por segurança pública o trabalhador não consegue chegar na fábrica >> aí de ficar nessa briga fiscal, porque não vai poder fazer isso, porque agora a tributação passa a ser do do, né, no destino, né, no consumidor, diferente loucura que é hoje, os estados vão ter que brigar por ambiente de negócio, vão ter que brigar por reforma.
¶13E essa é o maior, é, acho que é um dos maiores ganhos da reforma tributária e que essa direita, não sei se porque, ah, foi PT que propôs, então deve ser ruim, eu não sei, não sei de onde é que vem a motivação para ir atrás disso, eh, conveniência política, fisiologismo, enfim, em vez de de bater nisso, e dizer, cara, vamos, né, vamos fazer com que isso seja melhor paraos nossos eleitores, vamos já começar a fazer reforma para melhorar nosso mite negócio, não fica nessa conversa de, ai, não, vamos fazer a reforma tributária. Eu sinceramente não entendo, né, que direito tá preocupada com fica falando do Lula com razão, tá, na questão macroeconômica, na questão fiscal, mas nessa que é uma questão importante de produtividade, redução do custo de vida e de melhoria do instental das pessoas, eu acho, né, que tem que lidar com com tributação brasileira, eh, não parece que eu nem sei, né? Não sei de onde é que vem isso, mas resumindo muito é essa questão, né? Ouvídev do Nicolas não fala nenhuma inverdade assim de forma explícita, mas eu mente muitas coisas verdades. Inclusive o papel do Congresso, do quanto foi discutido, do quanto foi proposto.
¶14Ele poderia dizer: "Olha, a gente tentou discutir, meu grupo político tentou discutir não mandou justo, né?" Mas isso não entrou na no vídeo. Então, eh, ele é um ótimo comunicador. O vídeo é muito assim, né? e e pela, eu acho que para preocupações são legítimas, vale dizer também, na população. Mas eh eu se fosse, né, se fosse eu querendo ganhar do Lula alguma coisa, eu ia bater numa coisa eh ou em detalhes da reforma que poderiam realmente ser melhorados, né, de forma propositiva, ou então eh nas coisas que são realmente ruins do governo.
¶15Agora, e na grande reforma que vai trazer crescimento, né, eh, que que vai distensionar vários várias partes do setor produtivo desse jeito, eu acho ruim pro país. Na real, eu não esperava nada menos do que você conseguir rebater e comentar e debater esse vídeo >> eh da forma brilhante e suscinta como você fez. Muito obrigada. >> Ninguém aqui vai dizer em quem você deve votar. Na verdade, aqui centro, esquerda e direita, todos têm espaço.
¶16Mas nas próximas semanas muita gente vai tentar dizer em quem você deve votar. Então, como não se perder em meio a tanta notícia, promessas vazias e fragmentação de conteúdos? Ele 2026, a [música] escolha pode ser o seu material de apoio para escolher quem vai assumir a presidência do país. O documentário parte dos cinco principais candidatos, quem são o que fizeram até aqui. [música] Mas eleição não se explica só por candidato.
¶17O filme também olha pro país que o próximo presidente vai encontrar. já tá no streaming do meio com outras produções originais que trazem base para votar sabendo exatamente os motivos. Assina no meio premium, assiste agora.