¶1que a gente quer falar um pouquinho também de Pernambuco. Eh, as campanhas começaram para valer, as propagandas começaram para valer e Pernambuco teve dois momentos muito importantes nos últimos dias. Um com relação à propaganda, que foi uma propaganda muito marcante da governadora Raquel Lira, candidata à reeleição, e um outro que é de uma campanha muito suja, que ainda tá sendo apurado, quem é o responsável e tudo mais, mas de distribuição de panfletos e cartazes apócrifos absolutamente nojentos e grotescos, com acusações seríssimas. E na verdade não chega nem a ser uma acusação, não dá nem para levar a sério aquilo. É uma é uma agressão, né?
¶2Não chega a ser uma acusação, não é uma formalidade. Olha as suspeitas. Não, não, não. É um, é uma ofensa, é uma realmente uma agressão contra a Raquel. foram distribuídos eh panfletos e colados cartazes por pelo Recife eh por Pernambuco, eh dizendo que a Raquel matou o marido, que o ela perdeu o marido durante a campanha de 2022, >> no dia do primeiro turno.
¶3>> É. E no dia do primeiro turno, exatamente, e seguiu candidata e foi eleita e, enfim, governou esses 4 anos e é candidata à reeleição e agora vieram com essa sugerada para cima dela. Conta para mim como é que você tá acompanhando esse caso. Pode, vamos começar pelo pela peça de propaganda que eu acho que eh tem muitas coisas ali que eu acho que nos rendem, inclusive para entender porque ela tá sofrendo esse tipo de ataque. Você tá falando da Raquel sem cortes, né?
¶4aquele comercial que começa com um silêncio de 30 segundos, que é uma coisa é assim, em termos de marketing político, eh uma um uma atividade que eu já exerci na vida, [roncando] eh eu acho que foi um comercial marcante, muito marcante, que toda, quando se for falar da história do marketing político do Brasil, se alguém escrever sobre isso daqui a 10, 20 anos, esse comercial tem que ser citado, né? Eh, por quê? Porque o marketing político no Brasil tem uma história, mas tem sempre aqueles momentos, né? Então você tem um primeiro momento em 89 da campanha que o Colo realmente ele ele mexeu, ele tinha um super um logotipo e aquela coisa do sujeito jovem, ele tinha acho que 42 anos quando ele fez a a ele em 89, né? ele fez a campanha vitoriosa, que ele acabou sendo eleito presidente da República [roncando] e e e foi uma campanha muito inovadora, muito personalista, mas muito inovadora.
¶5Eh, eh, essa coisa de mostrar a juventude, de sair correndo e, e fazendo esportes e jet ski, parecia parecia uma coisa até de propaganda naquela época. Tinha as propagandas da Hollywood que tinha, né, o jet ski, a asa delta e tal e ele ele tinha muito essa pegada. Agora o coitado, o o Douglas Ru aqui no Rio tenta fazer isso um pouco andando de bicicleta, correndo também, tentando eh passar essa coisa da juventude e tal, mas sem a a força e e como a coisa foi pioneira e colou com o color lá em 89. E ele tinha aquele logotipo que o LL era um verde amarelo, foi uma coisa muito marcante também. Então, foi uma campanha muito competente, fez história.
¶6Depois, 2002, talvez a grande campanha de marketing político da história do Brasil foi a campanha do Lula eh de 2002, porque foi uma soma de alguns fatores. Era a quarta eleição presidencial que o Lula disputava, ele já tinha perdido três e ele falou: "Olha, ou é do meu jeito ou muda tudo". E ele era meio que um Guilherme Bolos, ele era aquele cara meio radical e tal. E aí ele falou: "Ó, isso aqui não tá funcionando, eu quero fazer uma coisa totalmente diferente." E ele mandou, e foi uma coisa muito chocante, surpreendente na época, ele mandou contratar o marqueteiro do Paulo Maluf, que era o Duda Mendonça, isso, >> né? E e aí ele traz e o braço direito do Duda Mendonça era o João Santana.
¶7Então também foi a grande campanha feita pelos dois, né? É como se o Messi e o Cristiano Ronaldo jogando no mesmo time, vamos dizer assim, porque depois eles se separaram. né? Mas aquela campanha de 2002 era o Duda Mendonça e o João Santana, dois craques. O Duda Mendonça já morreu e o João já talvez não esteja no seu pico profissional, mas naquela época lá em 2002 os dois estavam no eh eh jogando o melhor eh eh que eles jogavam.
¶8E foi uma campanha com comerciais muito marcantes. E tem um que eu destaco, que é um que chama João, que eles contrataram um menino que era um ator e o garoto fala: "Eu sou João, eu sou brasileiro e não sei que e tal e vou votar no Lula e tal". É um comercial, acho que se não me engano tem um minuto, minuto e pouco, mas é um comercial que pegou muito. Foi, foi uma coisa tão forte que na convenção eles chamaram o menino, o menino fez o comercial ao vivo no palco ao lado do Lula, foi abraçado. Foi também uma campanha muito marcante, mas era uma campanha muito publicitária, né?
¶9Eram atores, super produção e tal. Depois você vem a era das redes sociais, onde o João Campos, que é o adversário da Raquel, ele aproveitou muito bem. Ele é o prefeito tiktoker, ele é chamado de prefeito tiktoker, o prefeito eleito lá em Nova York, o Mandame, tinha muito isso de TikTok também. Então a gente passou por uma época onde o marketing político foi muito pr pra rede social e a dancinha e o 67 não sei qu e tal. E a Raquel virou essa página e a Raquel falou: "Olha, OK, já tivemos o Colo, já tivemos o Lula de 2002, já tivemos o TikTok".
¶10Ela virou uma página e ela abriu uma câmera e ela emocionada ficou 30 segundos em silêncio. Que é uma coisa inimaginável. Se se você pega um roteiro e fala 30 segundos em silêncio, ninguém ia entender aquele roteiro, né? Então também tem um outro ponto que é a coisa da mágica. Teve uma mágica ali que aconteceu.
¶11Ela ela parecia realmente emocionada. Eh, e foi uma coisa muito autêntica. Enquanto o o aparecia autêntica. Eu tenho que sempre botar essa aspa, né? Eu até o o comentário que eu faço é enquanto um tá fazendo uma coisa honestamente falsa, o outro pode estar fazendo uma coisa falsamente honesta, né?
¶12Então são dois universos diferentes, né? Enquanto você tem um que é claramente publicitário, marqueteiro, como é o João Campos, né? E super produção, música, dancinha, corte, né? É uma coisa que você assiste e é marqueteiro na veia, né? Ninguém tá sendo enganado, né?
¶13A Raquel vem com uma com uma com uma coisa que parece gravada em casa, [limpando a garganta] liga a câmera e sem produção, sem não sei quê, micro, sem marquetagem aparente. E onde ela fala olhando [limpando a garganta] no olho como alguém que passou pelo trauma pessoal, que divide com as pessoas, se coloca humana, se emociona. Ela faz uma coisa que eu achei particularmente brilhante nesse comercial, que ela é é a coisa da troca. Ela fala: "Olha, eh, eu dei para para Pernambuco, Pernambuco deu de volta e Pernambuco me ajudou a passar por esse período." Eu achei aquilo por particularmente brilhante, porque você faz um contrato com a audiência, você explica, ué, por que que você tá fazendo isso? Eu tô fazendo isso porque vocês me ajudam e eu ajudo vocês.
¶14É uma troca. Enfim, então, eh eh é uma é uma comunicação que foi muito forte e a gente comentou isso muito quando saiu. Era um, a gente tava pensando já em falar eh eh dessa do que eu acho realmente um marco em termos de marketing político, mas [roncando] aí vem eh esses cartazes e essa baixaria. E eu olha, eu não tô aqui para acusar o João Campos de nada. O João Campos, como era de se imaginar, ele gravou um vídeo dizendo que não tem nada a ver com isso e não tô muito forte, dizendo que inclusive vai processar quem falar que a campanha dele tem alguma coisa a ver com isso.
¶15Eh, mas ao mesmo tempo a gente não pode mentir. Nós temos inclusive contatos e pessoas de Pernambuco que falaram com a gente que tem uma história desse grupo político do João Campos, que é um grupo que é associado a campanhas com muita baixaria, com com muito chute na canela, com muito golpe abaixo da linha de cintura. Ninguém é que está acusando o João Campos de ter feito esses cartazes específicos e vai se investigar, tem que investigar e tem que chegar em quem fez. Mas também nós não podemos fingir que nós não sabemos, não ouvimos de pessoas de Pernambuco que é um grupo político associado a caneladas e a ataques, como desde o tempo, por exemplo, quando concorreram com a Marília, né, a campanha paraa prefeitura que teve tiveram ataques também muito pesados à Marília e tal. >> Uhum.
¶16Enfim, então, [roncando] eh eh é uma é uma é uma associação que você não pode fazer diretamente, mas a Raquel vem e e de uma maneira muito forte, muito efetiva. E a e a campanha do João Campos foi pega muito de surpresa de 2 tr meses para cá, porque o João entrou nessa disputa como franco favorito. em dezembro, na virada do ano, ele dava mais do que 50% de de preferência e agora ele tá bem atrás dela, bem atrás, tipo 10 pontos atrás dela. Ela de 2 tr meses para cá, ela virou completamente o jogo. Então, eh eh você poderia também, >> deixa eu acrescentar a esse, eu concordo com tudo isso que você falou, enfim, tua análise eh tenho muito pouco a acrescentar, eh inclusive porque não nunca trabalhei com marketing político, mas como espectadora e eleitora fez completo sentido para mim tudo isso que você tá falando e como atriz de formação também, >> porque você sabe que eh ver alguém sendo autêntico diante das câmeras Eh, pode ser um talento da pessoa de de realmente atuar, mas é muito raro que esse talento eh venha assim eh seja nato, né?
¶17Tem uma técnica, tem uma coisa que você desenvolve, né? Então, realmente, eh, quando um político consegue transmitir autenticidade diante das câmeras, é porque normalmente tem alguma coisa ali, ou um talento para atuação que devia ser mais bem aplicado ou ou realmente uma autenticidade motivando o discurso ali. Então, de fato, >> e só uma coisinha, uma expressão que eu usei no meu comentário que eu queria só repetir, é a coisa da mágica. Mágica é uma coisa que existe. Às vezes, é mágica.
¶18Às vezes ela tava no dia, tava emocionada e a câmera pegou aquele momento e enfim, se mandasse gravar de novo talvez não ficasse tão bom. Vai saber, tá? >> Tão bom. Exato. E agora, mas tem uma questão que eu queria eh apontar e e inclusive isso, esse esse ponto de que sim, o grupo político do PSB, em outras campanhas eh no em Pernambuco já foi associado a a ações eh muito suspeitas de baixaria, de tudo mais.
¶19Neste ciclo em particular, o que tá acontecendo oficialmente, formalmente, é uma troca de acusações, né? Então, tanto o eh a campanha do João Campos acusa Raquel Lira de ter um gabinete de do ódio, quanto o contrário. E o Metrópolis eh na coluna da Andressa Mata, que é uma jornalista investigativa também, que dificilmente dá dá para associar ela a qualquer campo político, porque ela é investigativa, que investiga quem vier, de qual [risadas] >> de qual cor ideológica for, né? eh realmente uma jornalista investigativa eh que vai para cima mesmo. Ela tá acompanhando o caso eh de Pernambuco, mas com denúncias do gabinete do ódio da Raquel Lira, inclusive.
¶20Então é um é um momento muito tenso da campanha lá. A a denúncia da Andresa é não é não tem nada do tipo Eduard eh João Campos tentou matar o pai, nada disso, tá? Mas tem ataques em redes sociais e tem um suposto operador desse gabinete do ódio, eh, cujo nome, eu vou até pegar aqui porque é um nome que não é dos mais comuns, é a Missadai Andrade Silva, que teria sido contratado pelo governo de Pernambuco, não é nem pela campanha, e recebido entre 2023 e 2026, eh, se quase R$ 650.000. E o mapeamento que a Andressa faz junto com o Eduardo Militão, que é outro grande jornalista investigativo de Brasília, é o de que a cada onda de ataques eh do que o João Campos recebia eh um eh eles eles mapearam a cronologia dos depósitos para essa empresa eh do deste operador eh que tá sendo apontado como operador do gabinete do ódio. É uma é um momento muito sensível, é um campo muito sensível ali, porque a Raquel Lira ela é do PSD e ela conseguiu, claro, naturalmente, né, o Cassab não é bobo, e ela é uma das governadoras que conseguiu a neutralidade, né, poder se apresentar neutra, na verdade mais próxima até de Lula do que de do que de Caiado, nem se fale, mas de qualquer outro.
¶21Então o os dois ali disputam palanque, o Lula espertamente também não, ele é veja, o PSB é coligado via Alkmin, né, com o PT. Então não tô falando que ele vai preterir o João Campos pela Raquel, nada disso. Mas diante da popularidade, campanha do João Campos é imagem do Lula o tempo inteiro, né? >> É isso. E sim, mas o a a o contrário não é verdadeiro, [risadas] né?
¶22Então o Lula também chama o João Campos para perto sempre que pode, né? O João Campos, se eu não me engano, é presidente do partido neste momento ou foi até muito recentemente, mas enfim. Então a interlocução é muito direta ali. Eh, mas ele também não cortou as pontes com Raquel, porque ele entende que ela tem, tá com grandes chances de ser reeleita, inclusive, e como ela não é uma adversária, se não é adversário, é aliado na eleição, né? Então, eh, alguém, para alguém como Lula em Pernambuco, é meio que assim que funciona, né?
¶23Onde é um estado onde ele onde ele tem muita popularidade. >> É terra natal dele. >> Terra natal, exatamente de tudo isso. Então, é um momento sensível ali de disputa. >> Ninguém aqui vai dizer em quem você deve votar.
¶24Na verdade, aqui centro, esquerda e direita, todos têm espaço, mas nas próximas semanas muita gente vai tentar dizer em quem você deve votar. Então, como não se perder em meio a tanta notícia, promessas vazias e fragmentação de conteúdos? Eleições 2026. A escolha pode ser o seu material de apoio para escolher quem vai assumir a presidência do país. O documentário parte dos cinco principais candidatos, quem são o que fizeram até aqui.
¶25Mas eleição não se explica só por candidato. O filme também olha pro país que o próximo presidente vai encontrar. Já tá no swimming do meio com outras produções originais que trazem base para votar sabendo exatamente os motivos. Assina o meio premium. Assiste agora.