a tese
O catolicismo que Joe Schmid abraçou introduz em Deus exatamente o tipo de limite arbitrário que o argumento da contingência usado por ele rejeita nas constantes físicas, e as teodiceias com que ele responde ao problema do mal explicam demais, de modo que a conversão ao teísmo genérico seria defensável mas o salto ao catolicismo não.
aprofundar
talvez
o vídeo é amador e curto, mas a objeção de simetria (o critério antiarbitrariedade do argumento da contingência cobrado contra a Trindade e os milagres) e a acusação de infalsificabilidade da teodiceia da omissão são as duas réplicas que o Bruno vai querer ver Schmid responder no caso em acompanhamento.
O que foi dito
- Atheist Ryan abre dizendo que responde a dois pontos dos vídeos recentes de Joe Schmid sobre a conversão ao catolicismo: o caso pelo teísmo e a resposta ao problema do mal.
- Reconhece força no argumento da contingência de Josh Rasmussen, que Schmid usa: há algo necessário, e esse algo necessário provavelmente não carrega limites arbitrários, ao contrário das constantes físicas (por que 3,478 e não 3,479?).
- Diz que por isso não se surpreende com a conversão ao teísmo, mas se surpreende com o catolicismo, porque este reintroduz arbitrariedade no próprio Deus que deveria eliminá-la.
- Dá como exemplo os milagres católicos do dossiê de Schmid: por que Deus cura Billy e não Bobby, por que trinta e sete milagres e não trinta e oito, e cobra qual seria o princípio consistente e não arbitrário que governa a concessão deles.
- Estende a objeção à Trindade: por que três pessoas e não quatro ou cinquenta e sete, tratando o número como mais uma qualidade arbitrária que deveria contar contra a hipótese teísta pelo mesmo critério aplicado às constantes.
- Passa ao problema do mal, que considera a melhor evidência pelo ateísmo, e acusa as teodiceias de Schmid de terem implicações morais contraditórias, explicarem demais, minarem o conhecimento moral e serem ad hoc.
- Resume a teodiceia da omissão atribuída a Schmid: Deus deu aos anjos a obrigação de dirigir a evolução para o bem, eles falharam, e a intervenção divina esvaziaria a diferença real que a decisão deles faz.
- Contra-exemplo moral: se os pais abandonam uma criança à beira da fome e o vizinho vê o carro partindo, a obrigação recai sobre o vizinho; a teodiceia implicaria que não intervir é melhor, para preservar a decisão genuína dos pais.
- Sobre a defesa de Schmid de que a teodiceia não é ad hoc porque se encaixa num quadro maior (Deus dá a humanos decisões moralmente arriscadas), responde que encaixar num quadro reduz a arbitrariedade sem eliminá-la, e compara com o terraplanista que justifica “a NASA falsificou” apelando às mentiras da indústria do tabaco.
- Critica o teísmo cético invocado por Schmid: se há razões morais que não conhecemos, então a possibilidade de o assassinato ser bom por razão oculta também entra na conta, e o conhecimento moral ordinário se dissolve.
- Vira contra Schmid o próprio critério dele: se o naturalista que acomodasse átomos gravados com “feito por Deus com amor” tivesse errado em algum lugar, então uma teodiceia que acomodaria até um mundo cheio de sofrimento até a borda também errou, porque nenhum dado poderia refutá-la.
- Fecha dizendo que Schmid faz bons pontos mas não os aplica com igual rigor ao próprio teísmo, que suas objeções atingem o catolicismo e o cristianismo mais do que o teísmo genérico, e pede resposta ou correção caso tenha omitido algo.