Joe Schmid, filósofo da religião (PhD em Princeton, canal Majesty of Reason) e por anos um agnóstico crítico dos argumentos teístas, explica a conversão ao catolicismo como resultado de um caso cumulativo lento (harmonia psicofísica, harmonia nomológica, conhecimento moral a priori, ajuste fino) coroado pelo argumento dos milagres modernos, sobretudo aparições marianas e a estigmatização de Padre Pio. A live é do InspiringPhilosophy (Michael Jones e coanfitriões), formato de bate-papo com muitas superchats.
talvez
É a explicação da própria boca de Schmid sobre o caso que o Bruno já acompanha, mas a live é diluída por banter e superchats; a argumentação séria está nos vídeos dele (best ever argument, milagres, objeções ao catolicismo respondidas), que seriam o material a fichar de fato se o Bruno quiser ir a fundo.
O que foi dito
- Schmid narra o arco: cresceu católico, desconverteu no 9º ano pelo problema do sofrimento animal evolutivo e objeções à Bíblia, passou por uma fase naturalista sofisticada (Paul Draper, Jeffery Lowder) e virou agnóstico ao ler Josh Rasmussen e Alexander Pruss.
- Descreve como argumentos foram minando o agnosticismo ao longo de anos (a metáfora do dique que transborda): harmonia psicofísica, harmonia nomológica, conhecimento moral a priori e a reavaliação do ajuste fino, que ele passou a considerar forte após destrinchar 17 objeções no vídeo “best ever argument for God”.
- Diz que mudou de modelo de Deus: antes preferia um Deus temporal, passível e não simples; agora sustenta teísmo clássico (atemporal, impassível, simplicidade divina), admitindo respostas às suas próprias objeções.
- O empurrão final foram os milagres: cita Lourdes, Fátima, São Charbel e, como “cereja do bolo”, Padre Pio; afirma ter 11h de conteúdo só sobre milagres e 25h no total sobre a conversão.
- Detalha dois casos que lhe são caros: Nossa Senhora de Zeitoun (Cairo, 1968-1971), com milhares de testemunhos convergentes, curas documentadas e fotos, defendida por Travis Dumsday como milagre “ecumênico”; e Padre Pio, cujos estigmas foram palpados e examinados por médicos (Romanelli) descrevendo perfuração real, ausência de inflamação e odor das feridas, o que Schmid diz não conseguir explicar sem uma conspiração implausível.
- Sobre por que catolicismo e não ortodoxia, argumenta que Fátima vindica distintivos católicos (pedido de consagração da Rússia pelo papa fora de sua jurisdição, Imaculado Coração, primado petrino) e que a ortodoxia, com seu “fora da Igreja não há salvação”, não permitiria conversões católicas legítimas.
- Comenta o modelo de “ocultamento divino” (inspirado em Ethan Muse e Pascal): Deus pareia milagres epistemicamente fortes com uma Bíblia não perspicuamente inerrante, para que a evidência não seja psicologicamente coercitiva; por isso aceita uma inerrância que leva em conta gênero, contexto e recursos literários.
- Responde a uma crítica agnóstica (mulher no Instagram) que reduzia sua conversão a necessidades existenciais: admite que nenhuma conversão ou desconversão é puramente intelectual, mas insiste que estava confortável como agnóstico (carreira, prestígio acadêmico, aceitação) e que converter-se lhe trouxe desconforto e possível prejuízo profissional, invertendo a psicologização.
- Toca em vários pontos de bastidor: luta com escrupulosidade e ansiedade (TOC religioso), pede orações, defende o valor tátil do rosário e da corporeidade na oração, e comenta a tese sentido/referência (mesmo Deus de judeus e muçulmanos com “conceitos” divergentes, analogia com “Donald Trump”).
- Admite lacunas com franqueza: não estudou o Sudário de Turim nem a tilma de Guadalupe (diz haver desacordo entre especialistas), não leu o livro de Joshua Sijuwade, não domina filosofia antiga (Platão) nem metafísica das “cinco vias”, preferindo argumentos bayesianos que julga mais minimalistas.