a tese
H.G. Roberts, ex-cristão de 25 anos que hoje milita contra o "trauma religioso", reage à reconversão de Joe Schmid pelo "argumento do trauma": se emoções e "vibes" levaram Schmid de volta a Deus, ele deveria encarar com o mesmo peso as emoções de milhões que descrevem o Deus cristão como abusador.
aprofundar
não
É militância anticristã emocional, sem argumento novo: recicla o problema do mal e a psicologia da desconstrução em chave terapêutica, e a metade final é divulgação de documentário e livro. Serve só como amostra da recepção hostil ao caso Schmid no campo da desconversão.
O que foi dito
- Roberts se apresenta como autor de “On Monsters and Phantoms”, ex-líder de louvor que saiu por “trauma religioso” severo, e distingue trauma religioso de “church hurt” (mágoa de igreja), remetendo à definição acadêmica.
- Acusa Schmid de incoerência: um filósofo que endossou fortes argumentos ateus (destaca que a harmonia psicofísica, o “primeiro dominó” da virada, não era argumento dele, e sim de terceiros) agora descartaria tudo isso, e ironiza que o canal deveria chamar-se “Beyond Reason” em vez de “Majesty of Reason”.
- O núcleo é retórico-psicológico, não filosófico: se testemunhos pessoais e emoção valem a favor do cristianismo, valem contra; despeja uma lista de conceitos (coping religioso negativo de Pargament, escrupulosidade, trauma bonding, síndrome de Estocolmo, pecado original e inutilidade inerente, TOC, apego infantil, limerência por Jesus) que Schmid saberia explicar melhor que ele, e pergunta por que não os aplica ao próprio cristianismo.
- Responde a trechos do vídeo de conversão: contra o argumento de ajuste fino (“fixed values”) diz que um Deus projetista saberia que mentes traumatizadas se desregulam e ainda assim as expõe às doutrinas do inferno e do pecado; contra os relatos de milagres, exorcismos e Our Lady of Zeitoun (levantados por Cameron Bertuzzi), desafia Schmid a cumprir João 14:12 e Marcos 16:17-18 literalmente (beber veneno, pegar serpentes, ressuscitar mortos) para “provar” a conversão.
- Enquadra a atração de Schmid por Santa Maria Goretti e Maximiliano Kolbe (perdão e pureza radicais) como pura emoção, e contrapõe o “Jesus radical” da condenação, violência e exclusão, além da lista padrão de objeções morais ao AT (escravidão, genocídio, morte dos primogênitos do Egito, apedrejamento).
- Deixa claro que não quer debater (“você me mataria num debate”), que Schmid não deve nada aos traumatizados, mas que se sente traído porque Schmid antes parecia validar a experiência deles.
- O vídeo é menos análise de Schmid do que peça de militância dirigida a quem está “desconstruindo”: não abandone o pensamento crítico só porque um agnóstico popular reconverteu.
- Fecha com longa divulgação do documentário “Heathens” (selecionado para o festival da UN Association em Stanford, entre ~600 inscritos) em que ele é um dos cinco protagonistas, e do próprio livro.