¶1Pedro, vou começar com esse comentário do Neiur Pascoto que diz assim: "Pedro, eu creio que a república apodreceu porque a sociedade apodreceu, gente furando fila, estacionando em vaga de idoso, recebendo troco a mais e não devolvendo, passando cruzamento com a sinaleira no vermelho ou qualquer outra malandragem. Viramos o país em que as regras são somente para os outros, mesmo as mais banais. Só muda a escala, conforme a posição de cada um na pirâmide social. E aqueles que seguem as regras são taxados de otários. Não será esta a verdadeira tragédia?
¶2Eu eu não sei responder. Sabe isso que eh nós somos corruptos, nós passamos a perna eh de que o brasileiro é assim mesmo, que aquilo que vale a lei do Gerson. Isso é uma coisa que eu ouço desde pequenininho. Eh, eu não acho que seja verdade. Na verdade, no meu, [limpando a garganta] na minha experiência no dia a dia, quando você para para pensar, entendeu?
¶3Quando você entra no meu supermercado, sei lá, vai fazer uma compra. Eh, cara, a minha experiência é de que as pessoas são fundamentalmente honestas. Fundamentalmente honestas. Eu acho que tem algumas áreas específicas em que em que a gente tem a gente tem hábitos ruins no Brasil. Eh, [suspirando] a gente joga mais lixo na rua do que jogaria, embora eu acho que isso tenha melhorado muito.
¶4Eh, eu lembro de que o os cachorros faziam um cocô na rua e as pessoas, os donos dos cachorros, eh, não colhiam uma impressão de que essa cultura mudou muito. Aqui no Rio a gente tem uma uma cultura de uma certa agressividade no trânsito, mas na maior parte dos estados do Brasil não é assim. Em São Paulo é muito menos. Em Brasília o o o trânsito é uma coisa de uma civilidade. Você bota o pé na rua em Brasília, os carros vão parando já.
¶5tipo, eh, é, e, e, e, e, e, é, é introjetado. Quer dizer, eu não acho que a gente seja por natureza corrupta ou que a gente tem algum tipo de deficiência cultural. Eh, eu acho que a gente pensa isso a nosso respeito. >> Uhum. Sabe?
¶6E nós temos um problema, Yasmin, que é um problema recente de uma baixíssima eh confiança, um baixíssimo índice de confiança interpessoal. O pessoal da Quest fez essa medida eh de o quanto que as pessoas confiam umas nas outras fora da família, né? E o índice de confiança interpessoal no Brasil é de 6%, um dos países com menor nível de confiança. O brasileiro não confia no brasileiro, mas isso é uma questão de percepção. >> Hum.
¶7>> Entendeu? Isso não é, isso não é uma corrupção natural e atávica pelo fato de sermos desta nossa cultura e desse nosso país. Essa é a maneira como nós nos percebemos e isso não tem nada a ver com a realidade necessariamente. É curioso porque muitas vezes a gente tá apontando, como ele mesmo diz, né, o Neu, o erro dos outros, as regras dos outros. >> É, a gente acha isso mesmo dos outros.
¶8Eh, eh, eu eu não acho que a maior parte das pessoas sejam desonestas. Na verdade, a impressão de que a maior parte das pessoas, em geral, tendem a ser honestas. Você tá cansado, né, dessa disputa que parece ficar só entre dois lados. Mas e se eu te contasse que o Brasil que chega às urnas é muito mais complexo do que isso? Bom, o meio existe para quem quer fugir da polarização, [música] do extremismo e formar a própria opinião.
¶9Aqui a gente apura, ouve diferentes perspectivas, faz as perguntas que precisam ser feitas [música] e coloca os fatos em contexto, sem transformar discordância em guerra. É esse olhar que atravessa tudo que fazemos, das notícias do dia, às entrevistas, das análises profundas às [música] pesquisas e as nossas produções originais no streaming. Porque nosso trabalho não é simplificar o Brasil para caber em [música] lados, é dar você mais elementos para enxergá-lo por inteiro e formar o seu próprio juízo de valor. Com a assinatura premium, você acessa [música] a edição de sábado, meio político, a pesquisa meio ideia e o streaming completo. [música] Se esse é o tipo de jornalismo que você procura, assina o meio premium.
¶10Ah.