a tese
O evangélico Glen Scrivener assistiu às 25 horas de material com que Joe Schmid anunciou a conversão ao catolicismo e argumenta que Schmid tomou a bifurcação errada: buscou no acúmulo de evidência empírica de milagres a certeza que C.S. Lewis encontrou na história de Cristo, e que "teísmo filosófico mais aparições marianas não é o evangelho".
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sim
É a peça mais densa e teologicamente arrumada do lote, no ponto exato que interessa ao Bruno (evidência de milagre versus fé, cristocentrismo contra exclusivismo romano, teísmo clássico), e renderia análise avulsa ou pauta de conversa.
O que foi dito
- Scrivener mapeia num gráfico a ênfase de Schmid: cerca de 7h20 de argumentos teístas, 13h de milagres católicos (Padre Pio, cura da perna amputada em Calanda, aparições de Zeitoun e Fátima, milagre eucarístico de Lanciano, exorcismos), 5h de objeções, e apenas 7 minutos sobre a ressurreição mais 4 de meditação na cruz, ou seja, 0,7% do total sobre a pessoa e obra de Cristo.
- Elogia com sinceridade a meditação de 4 minutos na paixão, em que Schmid chama “Cristo e ele crucificado” de a manifestação divina e o centro pelo qual tudo faz sentido, e usa isso como apelo: Joe já disse o que é central, mas o deslocou para a margem.
- Constrói o paralelo Joe/Jack (C.S. Lewis): ambos saíram de um naturalismo árido e tiveram longa conversa noturna com um amigo católico (Tolkien para Lewis, Ethan Muse para Schmid), mas Lewis transcendeu a incerteza filosófica pela história de Cristo (o mito que virou fato) e Schmid a transcende por evidência empírica, atrás de certeza e de unidade institucional.
- Mostra a gravação real da virada de Schmid conversando com Muse: “o mundo está gritando que você é péssimo em filosofia”, logo submeta o intelecto aos milagres; Schmid diz que Roma “esmaga” todos em unidade e que o protestantismo “surge do nada depois de 1500 anos”.
- Contextualiza historicamente (com o livro “They Flew”, de Carlos Eire) a polarização católico-protestante: Roma não multiplica denominações, multiplica dogmas (Ludwig Ott contava 255), e católicos e protestantes radicalizaram mutuamente dogmas e milagres desde a Reforma.
- Ataque central: Schmid precisa fechar quatro rotas de fuga (explicação natural, milagre divino mas não vindicatório de Roma, aceitação protestante do milagre sem submissão, explicação demoníaca), e para fechá-las tem que usar exatamente o raciocínio falível que dizia desprezar; a evidência empírica sozinha não decide o significado do milagre.
- Vira contra Schmid os quatro testes de discernimento (frutos de Mt 7, Dt 13, casa dividida, magos do Faraó): Jesus e Moisés dizem que falsos mestres fazem muitos milagres e que a doutrina se julga por outro critério, não pelo milagre; e exorcismos “funcionam” também entre ortodoxos, anglicanos e pentecostais, cada um com seus distintivos.
- Usa Lewis contra o “submeta-se a Roma”: o que Lewis recusava não era este ou aquele dogma, mas o direito do bispo de Roma de ser o dogmatizador (“concordar não só com o que um homem disse, mas com o que ainda vai dizer”); a unidade da igreja é do Espírito (Jo 17), não da submissão ao papa, e a certeza da salvação em Cristo é trocada por “reforços de santidade” e insegurança.