Live de Jonathan MS Pearce com Derek Lambert (MythVision) e Aaron Adair sobre a conversão de Joe Schmid ao catolicismo: a tese dos três é que o motor real foi psicológico e social (retorno à fé da família, círculo católico próximo), e que os milagres, sobre os quais Schmid apoiou a maior parte do caso, são a base evidencial mais fraca que ele poderia ter escolhido.
talvez
é a resposta cética mais articulada até agora ao caso Schmid, com argumentos aproveitáveis (lei de Littlewood, circularidade hermenêutica, distribuição culturalmente fechada dos milagres) e com a crítica a Keener que interessa diretamente ao Bruno; mas é live de duas horas, muito psicologização especulativa e autopromoção, então serve como fonte de argumentos, não como sessão inteira.
O que foi dito
- Os anfitriões admitem de saída que estão fazendo psicologia de poltrona sobre alguém que não está presente para se defender, e insistem no crédito filosófico de Schmid, que ainda na graduação coescreveu com Daniel Linford um livro pela Springer sobre inércia existencial contra as provas teístas clássicas.
- Lambert relata que Schmid recusou, alegando falta de tempo, avaliar um roteiro sobre livre-arbítrio poucas semanas antes de aparecer em uma série coordenada de gravações em canais católicos, o que ele lê como conversão planejada e lançada com data marcada.
- Um clipe de uma ex-mórmon do canal Nonsense Spirituality (grafia incerta) fornece o modelo interpretativo central: quem foi criado religioso e sai deixa um vácuo de sentido, comunidade e ritual, e basta um limiar intelectual mínimo de respeitabilidade para que o retorno à fé da infância se torne emocionalmente irresistível; Schmid vem de família católica praticante e fala de si como filho pródigo.
- Lambert estende o diagnóstico a si mesmo: diz que há um buraco nele enquanto a mãe cristã quiser vê-lo voltar, e lista as duas únicas coisas que o converteriam, um milagre presenciado por ele mesmo ou o cansaço psicológico de nadar contra a corrente.
- Pearce levanta o problema do enquadramento: quem não teve infância religiosa nunca sente esse retorno, e o ateísmo, por ser só a resposta negativa a uma pergunta, não oferece narrativa, ritual nem promessa de vida após a morte com que competir; Adair responde que a história cósmica da poeira estelar até hoje é uma narrativa comparável, mas difícil de transformar em hinário.
- Estranham sobretudo o destino: esperavam que Schmid, caso mudasse, parasse no deísmo ou num catolicismo liberal, e não no catolicismo tradicional com inferno de tormento consciente eterno, que ele defende dizendo que suas intuições morais é que devem estar erradas; Lambert devolve o contragolpe de que, desconfiando das próprias intuições a esse ponto, ele perde o direito de confiar na intuição que o fez julgar aquela religião verdadeira.
- No bloco sobre milagres, empilham objeções: milagres “vindicatórios” (o católico prova o catolicismo, o hindu também prova o catolicismo) como expediente arbitrário; a lei de Littlewood, segundo a qual eventos de uma em um milhão são quase certos numa amostra de bilhões de pessoas ao longo de séculos; a circularidade hermenêutica, em que a crença em Deus eleva a probabilidade do milagre que por sua vez sustenta a crença; e o fato de ninguém receber visão milagrosa de uma religião que ainda não conhecia.
- Adair ataca a base documental: diz que Craig Keener, nos dois volumes sobre milagres, salta de caso em caso sem esgotar nenhum, e cita o milagre de chuva relatado 40 anos depois por um missionário sem verificação de aldeias vizinhas nem de frequência de previsões; acrescenta o caso de Mary Toft, a mulher de Surrey que em 1726 “dava à luz coelhos” com o aval do médico do rei, até confessar a fraude.
- Lambert antecipa o documentário que prepara sobre Padre Pio, com base em Sergio Luzzatto: em 1919, testemunho arquivado no Vaticano registra que ele obteve em segredo quatro gramas de ácido carbólico puro e, num segundo pedido, veratrina, ambos cáusticos, o que o farmacêutico achou grave o bastante para denunciar; Pearce acrescenta que o milagre de Calanda (1640), central para Caleb Jackson, é inteiramente refutável.
- Discutem a purga de conteúdo: Schmid teria apagado gravações sobre universalismo com Ryan Mullins e Eric Reitan, vídeos críticos da lei natural católica e um debate sobre aborto, justificando que não quer deixar no ar material que leve alguém ao pecado; os três tratam isso como abandono da investigação intelectual e o comparam a censura.
- Fecham com o prognóstico de que refutar milagres não moverá Schmid, pela lei de Brandolini (desmontar leva muito mais trabalho do que afirmar) e porque ele já rebaixou fraude, engano e memória falha a hipóteses de última linha; Lambert anuncia documentários caso a caso (Zeitoun, Lourdes, Padre Pio) para responder à produção católica de Cameron Bertuzzi no Capturing Catholicism.