¶1Em setembro de 2026, o noticiário sobre ciência e tecnologia tá mais apocalíptico do que nunca. E a protagonista da nova onda de pânico é mais uma vez a inteligência artificial. Uma pessoa que trabalha bem no centro da segurança de inteligência artificial acabou de dizer em público uma coisa que a indústria normalmente evita falar em voz alta, que a inteligência artificial pode matar toda a humanidade. >> Impossível deixar de notar que a origem desse alerta é apresentada de maneira meio vaga. No caso da Exame, foi uma pessoa que trabalha bem no centro da segurança de inteligência artificial.
¶2A pessoa em questão é Jacob Coxin, que pediu demissão da Antropic, escreveu um post nas redes sociais explicando que tava pedindo demissão para não matar uns sete ou 8 bilhões de pessoas. E aí virou herói, o postalizou, o alerta se disseminou pela mídia dos Estados Unidos e até encontrou eco em português brasileiro. Só que nem todo mundo aqui no Brasil ficou com medo, não? Tá aí, ó. A pedidos.
¶3Amanhã vai ter novo vídeo para desmontar a lorota. Eita, já pegou pesado. Do incel nerd. Precisava, rapaz, com complexo de Darth Vader. Tá falando do David Coxon que emitiu o tal do alerta lá.
¶4Jedi Univos. Quem escreveu isso? Será que foi o camaradinha teclas? Não, rapaz, foi o Miguel Nicoleles >> levar em conta todos esses fatores. Uma conta do nada do Twitter de um Zé Mané que ninguém sabia quem era e continua ninguém sabendo quem é, consegue em menos de um dia alcançar 160 milhões de visualizações no Twitter.
¶5Ou seja, essa conta foi impulsionada, um plano de marketing e o medo funciona muito bem. O medo faz com que sociedades inteiras aceitem ser policiadas, controladas, aceitem medidas excepcionais e aceitem até que o, por exemplo, um governo proteja suas empresas, no caso essas em questão da competição de outras empresas de outros países, como por exemplo da China, que apostou no modelo open source dos seus modelos de inteligência artificial e tá destruindo o plano de negócios da Open AI e Tropic. O que é que teria feito o ex-funcionário da Antropic? Sair por aí dizendo que a inteligência artificial tem 10% de chance de exterminar toda a humanidade nos próximos 10 anos. De onde saíram esses números?
¶610 daqui, 10 de lá. O post dele não diz. E naturalmente quando ele dá entrevistas, essa é a primeira pergunta que alguém vai fazer. Beleza? O cenário exato vai soar um pouco como ficção científica.
¶7Parece irreal, mas acho que é assustadoramente real. E é mais fácil de entender se você pensar em coisas reais que aconteceram dois meses atrás. Faz dois meses, agentes da Open AI invadiram a infraestrutura de terceiros de forma totalmente autônoma. Isso foi uma série concentrada de ataques cibernéticos que eles realizaram por vontade própria. Eu acredito que se a gente extrapolar isso pro futuro, o nível de capacidade dessas inteligências artificiais, mesmo agindo de maneira independente, pode causar um caos extremo, incluindo armas biológicas, níveis de extinção, sabe?
¶8Tem muitas maneiras pelas quais isso pode acontecer. Na imprensa dos Estados Unidos não é muito difícil de encontrar comparações entre o Jacob agora e o Edward Snowden uns anos atrás. Snowden, você deve lembrar, é aquele que expôs os métodos antiéticos, para dizer o mínimo, da NSA, uma agência do governo dos Estados Unidos. E o Jacob agora, da mesma forma estaria expondo os podres das Big Techs. Acontece que essa comparação tem lá as suas limitações, né?
¶9O Snowden teve que sair se escondendo pelo mundo. O Jacob foi até elogiado por um ex-chefe dele na Antropic, um sujeito chamado Evan, que acrescentou que o problema não tá na capacidade atual dos modelos, mas sim na velocidade em que esses modelos aí estão se aprimorando. Você concorda que o risco é baixo e o problema na verdade é a velocidade com que os modelos estão evoluindo? Sim, eu concordo. Nesse momento não tem risco de extinção.
¶10O pior que os modelos atuais podem fazer é talvez hackear alguma coisa e causar muitos danos na infraestrutura, mas não são inteligentes o suficiente para nos superar a um nível que levaria extinção. Acho que que é uma loucura aqui é observar o ritmo de progresso. Há uma possibilidade muito real de que num futuro imediato, tipo ano que vem ou no outro, a automelhoria recursiva aconteça. E aí a gente vai entrar numa fase que o Evan mencionou. Todas as entrevistas do Jacob seguem a mesma agenda.
¶11O que começa com alerta sobre os riscos de extinção da humanidade termina, claro, na necessidade de uma regulamentação pra inteligência artificial. E aí vem todo um discurso sobre como as bigtechs estariam mais do que dispostas a aceitar regras. Muitos CEOs dessas empresas estão vindo a público para dizer que, na verdade, querem sim regulamentação. A Antropic tá dizendo agora que se beneficiaria essa indústria adotasse uma maneira legal e verificável de trabalhar um conjunto de regras para esses lançamentos. Você acredita que essas empresas realmente querem regulamentação ou isso é um show eh da boca para fora?
¶12Eu pergunto se você acredita que isso é para valer. Eles querem, eles querem regulamentação. Isso é honesto. Assim como a resposta à postagem de Evan, de certa forma foi uma surpresa para mim, sabe? Eu ficava, pô, esse cara reconhece esse nível de perigo.
¶13Isso é bom, isso é genuíno. Eles se encontram nesse cenário em que eles são obrigados a correr para construir uma tecnologia mortal e adorariam que algum tipo de órgão internacional lhes permitisse avançar num ritmo mais razoável e seguro. Eles só não confiam que os outros ao redor do mundo vão chegar lá de maneira segura. Então eles correm para ver quem ganha. Sem dúvida que é importante discutir a regulamentação, mas tem um problema aí, né?
¶14A conversa vai se afastando do principal. De onde é que saíram aqueles números? Ninguém sabe de onde ele tirou aquela história de 10% de risco de extinção em 10 anos. Também tem as motivações dele para sair por aí dizendo isso, né? Isso ele até que tenta explicar.
¶15Tá, você, eu acho que você podia ter ficado calado, né? Você tinha um bom emprego, ganhava bem. Por que que você fez isso? Inicialmente eu pensei que tinha que ir embora. Achei que não podia mais fazer parte daquilo, né?
¶16Mas eu não achava que a minha demissão ia se tornar um fenômeno viral viral. Então o que eu fiz foi escrever uma traduvi no Google Docs. Eu criei um rascunho com um amigo. Escrevemos muito. Discuti com alguns amigos.
¶17A melhor maneira de me expressar depois que eu decidi sair, só na entrevista pra CNN Internacional que a gente tá acompanhando aqui, o Jacob repete três vezes em 9 minutos que ele não é parte de um plano de marketing. Aqui no Brasil, o Miguel Nicolelles acusa esse jovem de ser exatamente isso, uma engrenagem numa máquina de propaganda. E eu recomendo que a gente ouça o Nicolelles com calma. Antes eu vou fazer uma pausa para checar se você tá seguindo as outras recomendações que eu andei dando aí recentemente. Assinei a fmica por causa do árvore.
¶18Valeu. E sinceramente amei. Lá tem filmes que outros lugares eu não encontraria. Me sinto entrando numa daquelas videolocadoras de outrora em que os corredores me levavam a pérolas do cinema. é por aí com um adendo.
¶19É como se essa videolocadora fosse gerenciada por gente que é apaixonada, que é tarada por cinema, a ponto de pesquisar, de dissertar sobre essa arte e, claro, né, de fazer uma curadoria muito cuidadosa. Então, na fílmica você fica muito menos propenso ao chamado streaming scrolling, que é esse hábito chato, né, de ficar vendo capa sem nunca escolher nada. Na minha experiência, na minha experiência, na medida em que você vai acumulando horas nesse acervo, você vai aprendendo a confiar na qualidade do que tá ali. E aí você vai aprendendo a dar uma chance sincera para aquele filme que você botou para rodar. A longo prazo, é como se a capacidade de prestar atenção, a capacidade de ter prazer com um conteúdo longo e complexo fosse sendo retomada dentro da gente, sabe?
¶20Tem sido assim para mim. Usa o meu cupom Pix Árvor e vai no passe anual. R$ 99,90. R 100 de desconto. É diante da fmica que o seu tempo de tela pode ser mais saudável e mais digno.
¶21Esse transí de ficar vendo um monte de vídeo na vertical e depois nem se lembrar de nada que viu, isso aí não pode ser bom para você. Então vamos analisar os fatos concretamente. Primeiro, é muito estranho que um indivíduo que trabalhou seis semanas numa empresa saia falando toda sorte de bobagens, aludindo a riscos existenciais, sendo que todos nós sabemos que essas são as empresas mais secretas do planeta nesse momento, que não permitem o vazamento de nenhum dado estratégico do seu business plan e de como seus modelos funcionam. Provavelmente todo funcionário dessas empresas assina um termo de confidencialidade que não permite que ele fale nada sobre o emprego dele, nem das tecnologias com as quais ele trabalhou. Se ele fala, ele perde até a cueca na justiça americana, porque esses contratos são absolutamente respeitados pelos juízes americanos.
¶22Então, é muito estranho que esse indivíduo saia falando bobagem e que o chefe dele na Antropic venha falar que concorda com ele. >> Não é novidade ver ou ouvir o Miguel Nicolelles fazendo um discurso crítico contra a indústria da tecnologia. Novidade mesmo é ver esse que é um homem das evidências se permitindo fazer uma acusação tão frontal. Ele não diz não com essas palavras que é um golpe, mas explica que é mais ou menos por aí. Afinal de contas, a gente tá falando da Antropic, a empresa que no começo de setembro lançou uma IPO, uma oferta inicial de ações, não deu o hype que os caras esperavam e aí surgiu esse boato.
¶23É um boato, um pequeno boato, assim, consequente. Vamos todos morrer. Acontece. Curiosamente, Antropec está tentando lançar a sua a primeira IPO, né, a sua inícia, a oferta inicial na bolsa de valores americanos, buscando levantar 100 bilhões de dólares, porque ela não consegue dar lucro, como nenhuma outra empresa de eh inteligência artificial, como a Open AI, por exemplo. E ela precisa levantar dinheiro ou no mercado de ações de trouxas que vão comprar suas ações com promessas de que ela vai ter uma receita maior do que o PIB americano no futuro, ou a vendendo dívida ou vendendo equity da sua empresa, porque eles não conseguem dar conta das despesas que eles precisam e incluir, né, no seu no seu projeto para continuar sobrevivendo.
¶24com investimentos de quase 1 trilhão de dólares esse ano em data centers, em GPUs, em formas de produzir treinamento dos seus modelos, elas estão desesperadas por dinheiro. Então, ah, uma notícia dessas tem que se levar em conta dentro desse contexto da tentativa da Open Ey de levantar dinheiro no mercado de ações e da Antropic também, da onde ele foi o último emprego do nosso querido Coxon. Ah, que basicamente pode ser totalmente engendrada como um plano de marketing. >> Um plano de marketing embasado em mais uma história sobre o fim do mundo, uma distopia. Há dúvidas sobre o lugar que os Estados Unidos ainda ocupam na vanguarda do desenvolvimento tecnológico?
¶25Não se sabe se esse país ainda é a potência que já foi. Só não resta nenhuma dúvida de que a distopia é hoje o principal produto de exportação dos Estados Unidos. Ponto final em mais um testão. E nas considerações finais, eu considero que você deveria dar uma chance a Trauma Zone, série documental sobre a derrocada da União Soviética. No sétimo episódio já disponível pros apoiadores desse canal, a gente chega num momento em que a derrocada da União Soviética começa a se parecer com o Brasil do Fernando Color.
¶26Olha isso. >> No dia seguinte, pessoas correram aos bancos para sacar as economias. Elas descobriram que não havia nada guardado. >> Os oligarcas transferiram a maior parte do dinheiro para paraísos fiscais estrangeiros com a ajuda de respeitáveis conselheiros ocidentais. O sétimo episódio já tá disponível.
¶27É parte do nosso projeto Arvo.doc, que tenta trazer documentários semanalmente pros apoiadores do canal. Em breve, Nostalgia da Luz. Ah, vai rolar, tenho certeza. Tudo dito, bora ouvir. É o nosso PS.
¶28>> É um tema urgente, muito interessante e urgente, né? Eu achei o post original do ex-funcionário lá da Antrop e relevante. Não sei se vai chegar esse ponto. Talvez chegue daqui a uns 10, 15 anos, 20 anos, mas eu sei que atualmente eu já acho preocupante a questão da I, porque eu acho que vai impactar muito a vida da das novas gerações, né? Assim como o TikTok, essas coisas, esses vícios digitais já impactaram muito, né?
¶29Então, será que as as crianças que estão indo pra escola agora, né, de três a 5 anos, vão aprender a a ler um livro normalmente ou o livro vai ficar obsoleto, né? Como que vai afetar o raciocínio, como o Nicolele sempre fala, né? Como que qual é o impacto dessa disponibilidade de A para crianças, para jovens no raciocínio das pessoas? Será que vai cair em desuso um certo raciocínio mais criativo, mais eh espontâneo, complexo? Vai ser delegado tudo para Iá?
¶30Eu acho muito preocupante. >> Muitos vão falar que é mais uma teoria da conspiração, mas eu acho que a humanidade tá jogando um jogo do tigrinho perigoso e muitos sem perceberem que é. A gente tá apostando em qual catástrofe vai acabar com a humanidade, se vai ser as IAS, se vai ser as mudanças climáticas, se vai ser a bomba atômica ou se vai ser o próprio corts. Fica aí o questionamento, né? >> Uma boa arma de verdade é você espalhar o caos, né?
¶31As pessoas ficam desesperadas. E fazendo a lincagem, o que eu consigo raciocinar nesse momento aqui de pronto é que desde que a evolução, desde que as coisas foram evoluindo e a cada passo que se dá, a cada piscar de olhos, as coisas vão mudando mesmo e o medo é arrepiante, né? Portanto, eu acho que não é o caso de ter mais da gente ficar com mais medo, não, ainda não agora já temos o medo suficiente. >> Muito obrigado por ficar comigo até o final, o finalzinho e o finalzinho inho inho. Eu já fui criticado por usar IA aqui e ali para cobrir as minhas deficiências como criador de conteúdo.
¶32Minha formação é orientada pro texto, então andei usando inteligência artificial para fazer um trabalhinho ou outro ali em termos de design, de programação visual. Fui muito criticado a ocasião, mas nunca mudei de ideia a respeito disso que eu faço. Para mim continua sendo algum tipo de artesanato digital que eu ofereço aí pelas esquinas da internet. Inclusive, tá ali a chave Pix, se o patrão quiser deixar uma gorgeta. Um beijo e como sempre, valeu.