¶1Você conhece essa mulher? Ana Lena Bayerbock é uma parlamentar verde na Alemanha e ela escondeu 25.000€ de bônus do seu partido entre 2018 e 2020. Quando esse caso veio à tona, em 2021, ela quase perdeu a corrida para virar Chanceller por R.000€ pouco mais de R$ 100.000 na época. O erro dela foi não declarar a tempo. Ela devolveu o dinheiro, mas a sua popularidade já tinha despencado.
¶2No Brasil, a Polícia Federal investiga somas bem maiores. A Lava-Jato, depois de 10 anos, já não tem mais nenhum político preso. A operação Compliance Zero, por exemplo, apura R 12 bilhões de reais desviados do Banco Master, com ex-presidentes, senadores e esposas de ministros do Supremo, entre os que receberam recursos. Já a operação sem desconto encontrou mais de 6 bilhões desviados de aposentados. Essas duas últimas estão em curso.
¶3E olha, eu não vou entrar nem no mérito aqui das investigações, é que mesmo que mais de 73% dos brasileiros considerem a corrupção algo grave, ela chegou a patamares nunca antes vistos por aqui. A corrupção, ela danifica as instituições democráticas, deteriora o desenvolvimento econômico e contribui pra instabilidade de um governo. Mas e o brasileiro nessa história? brasileiro é um cara para lá de desconfiado. O índice de confiança social do ipsus de 2026 mostra que nós confiamos muito mais nas pessoas próximas do que nas nossas instituições.
¶4Então parece que a nossa régua de escolha entortou de vez, né? A filósofa Marilena Shawi diz que a ideia de um mito fundador de que o Brasil nasceu abençoado como um povo cordial, ela acaba funcionando como uma espécie de bloqueio, porque trata cada escândalo como exceção e não como uma repetição. Já o sociólogo Jess Souza diz que uma elite financeira opera em favor de si própria, enquanto a antropóloga Lilia Schwarz argumenta que a gente tem quase 400 anos de um sistema que naturalizou hierarquias de raça, cor e poder. E mesmo depois da abolição, ele foi substituído por novas formas de desigualdade. Isso quando ele deveria ter sido desmontado, né?
¶5A isso a gente soma o patriarcalismo que molda as relações de poder e se replica depois na política via o coronelismo nas bancadas de parentes no Congresso. Mesmo depois da redemocratização, o patrimonialismo, a corrupção e a violência seletiva se adaptam e persistem, porque a desigualdade ela foi naturalizada como se fosse a ordem natural das coisas e não uma escolha política. E isso é o que sustenta privilégios de elites independentemente do regime, seja numa monarquia, numa ditadura ou numa república democrática. Olha, tem muita coisa em jogo nessas eleições e se a nossa régua ética não mede mais quem rouba, eu te conto que ela tem poder sim para mudar as regras que deixam esse jogo continuar. E isso também se decide na urna.
¶6Se em meio a tanta desconfiança você quer ter mais elementos para decidir em quem depositar o seu voto, eu te convido a assistir ao documentário eleições 2026 a escolha. Tá disponível no streaming do meio para assinantes premium.