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O escândalo da IA na literatura | Pedro+Cora

¶1Cora Ron de que falaremos hoje em Pedricora. >> Um texto escrito por Iá pode ou não pode concorrer a um prêmio literário? >> Porque porque tá acontecendo, tá? Ou não vem. >> [música] >> Quara, você levantou uma [suspirando] uma discussão bacana pra gente.

¶2Bem, antes de tudo, seja bem-vinda de volta ao nosso estúdio. >> Muito obrigada. [risadas] >> Eu vejo que você ainda tá de óculos escuros. >> Ficarei por mais um bom tempo, porque eu estou com endema de córnea terrível. >> [roncando] >> É, a conjuntivite passou, agora são as consequências.

¶3>> Agora são as consequências. É como se eu tivesse com vidro fosco. >> Vocês ainda não pode ler. >> Não posso ler. >> Que sofrimento.

¶4>> Uma pilha do Globo desse tamanho, se acumulando cada dia mais. Os livros nem me falam. >> Vamos falar de livros. >> Vamos. [risadas] >> Vamos falar de Telisson ou relian.

¶5Você saberá pronunciar melhor do que eu. >> Telisson ou relian. Isso mesmo. >> Tá certo. Que ele foi vencedor do prêmio Medus, do prêmio de novela da FNAC, ganhou o Premier Plum e era candidato ao Gonkur, que é o principal >> principal prêmio europeu >> francês, né?

¶6O principal prêmio francês de literatura. >> Nosso amigo Terisson Orelan, ele escreveu um livro Setass Omorri. Eh, era isso, morrer, né? Eh, e escritor artiano de língua francesa e repentinamente foi desclassificado do concurriu-se Horror dos Horrores, usou IA para escrever parte ou todo seu romance. Foi esse esse esse caso tá sendo um terremoto no meio intelectual francês que não é pequeno [roncando] >> não.

¶7Talvez seja o único último lugar que ainda tem um meio ex extenso, né? >> Tem e tem discussões enormes e tem programas de livros. Então a França, eu a gente pode dizer sem sem muito exagero, com algum que a França está em povoa. [risadas] E o que eu achei foi o seguinte, OK? Passaram esse texto dele no como é que foi essa história?

¶8Esse livro dele é um livro [roncando] como você falou muito bem recebido, recebeu vários prêmios, primeiro romance extraordinário, isso, aquilo, tal. Bom, e aí uma conta anônima afirmou que aquele e uma conta anônima pequena afirmou que aquele livro era escrito por Iá. E aí alguém jogou aquilo no Pangran que é uma >> Pangran é um software, né, que >> é que que reconhece escr escrita por Iá com bastante acuidade, sabe? E e aí o Goncur retirou esse romance da lista dos finalistas em prol da boa literatura francesa, disso, daquilo e dos bons costumes e da moral e tal. Bom, e eu fiquei pensando porque aí se criou também uma coisa muito muito perigosa de interpretar isso como uma coisa racista também, porque você é um é um autor negro do Haiti.

¶9E ai tem sempre gente para dizer se submeteriam o romance de um autor branco ao mesmo escrutínio. Eu acho que a discussão nem é essa. Eu acho que a discussão é a seguinte. Eu acho que a gente recusar um livro hoje, porque usou inteligência artificial vai ser daqui a pouco como a gente recusar o uso de calculadora nas provas de matemática, desclassificar os alunos porque usaram. >> Sabe o que que eu tô usando?

¶10Eu tô lembrando, eh, tem um momento da carreira do Bob Dylan, que ele tá no maior festival de folk. O, o Bob Dylan é o maior artista folk da segunda metade do século XX. >> É isso. É. Eh, FC um estilo de música americano.

¶11>> Sim. >> E, e, e não tem nome maior do que Robert Simmerman, >> não. >> Eh, ele é o grande gênio. E num determinado momento ali, 68, 69, ele me aparece nesse festival que é o maior festival de música folk que existia, tal, com uma guitarra elétrica e e a maior parte das pessoas que estavam lá ficaram ofendidíssimas. Lembro disso lembro.

¶12>> Como assim? Porque a partir do momento que entra uma guitarra elétrica, não é mais fog e plá blá blá blá blá blá. >> É o Caetano fez coisa similar, né? O Caetano e o Gil é e no festival da Record, né? E eh acho que com alegria alegria.

¶13Não lembro qual foi a música, mas >> o Bob Dylan inspirou uma das músicas mais bonitas do mundo, >> que é Diamond Diamond, >> Diamonds and [risadas] Rust, que eu acho sempre, >> não exatamente uma homenagem, né? Não é uma homenagem, mas é linda, linda da João Pailosa. >> Eu eu acho o Juan Ba >> uma das vozes mais incríveis da música americana. É uma influência da nossa geração. >> É bem, não sei se da minha é mas, não é nossa geração.

¶14Não, >> eu digo isso, mas de geração é completamente diferente. Mas eu >> Mas a minha geração foi um >> Você é da geração do do da minha mãe, né? E e ouvia-se muito o Juan Ba lá em casa. >> É, lá em casa tinha furo, [risadas] mas essa essa figura, essa imagem >> muito ba. >> Olha que essa imagem não existe mais.

¶15Existe pouquíssimo que tem muito pouca gente que tem play e tinha uma agulha que para quem não se lembra mais desses tempos, tinha uma agulha que ficava girando e a gente brincava dizendo que tava fazendo um furo. >> É, eu eu tenho >> de tanto rodar, >> eu tenho vitrola. Mas olha, tem esse esse negócio. A questão é que o Orelian foi também acusado de plágio nesse no meio dessa confusão toda. E eu acho que são duas coisas muito diferentes.

¶16As pessoas juntaram tudo num Eu acho que uma pessoa acusada de plágio tem mais é que sair da lista de >> Uhum. >> de finalistas, porque o plágio é um defeito de caráter, >> não? Pláio é cópia. É, é pláio é cópia. O >> o plágio, você, eu sempre fico imaginando que a questão do plágio, o camarada tem que ir na estante, tem que pegar o livro, tem que abrir o livro aqui do lado.

¶17Hoje até pode recortar no computador, mas a imagem que eu sempre fiz era do cara deliberadamente pegando um texto e copiando. >> É, mas aí eu acho outra coisa isso, né? >> Aí aí eu acho que >> aí eu acho que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. >> Sim. O o o que que eu quero dizer com isso?

¶18Eh, uma acusação de plágio comprovada tem mais é que desclassificado de concurso mesmo. >> A a Mas ele não foi desclassificado do concurso? >> Não, ele foi por causa da inteligência. >> Só depois que apareceu a história do plágio. >> Eh, ele foi desclassificado por causa de IA.

¶19Aliás, uma coisa pode estar ligada à outra, né? Porque um dos riscos da I é ela, >> sim, como ela tá, ela tá lendo tudo, >> é, é ela pegar sem que você saiba, >> informação de algum lugar e botar ali no seu texto. E >> e aí é um plágio que você nem sabia que tinha cometido um plágio, né? Eh, mas a gente não pode. Ponto.

¶20E >> a minha a minha visão disso é a seguinte e que é uma ferramenta que já faz parte do nosso mundo. >> É, >> você daqui a pouco você não vai distinguir mais o que foi escrito com inteligência artificial e inteligência natural, digamos. A orator tocar tocou nesse assunto, foi praticamente linchada, queriam que devolvesse Nobel e não sei mais o quê. A questão é a seguinte, você não detém as tecnologias, a questão é a seguinte, é como usar, porque você vê que o uso indiscriminado é cansativo e enche o saco. Hoje você entra em qualquer rede social, você não aguenta mais.

¶21Eu não aguento ver o programa eleitoral por causa da quantidade de músicas escritas por Iá, que me incomodam num grau horroroso. Do mesmo jeito que a arte feita por Ia hoje já tá também me dando nos nervos porque é tudo igual, é o mesmo tom de sépia e as as mesmas tipologias. É sempre universalmente medíocre. Aí quando você tinha coisas ruins, as coisas eram ruins, mas diferentes entre si. E agora você tem coisas mediocres iguais entre si.

¶22Então isso é muito complicado. Agora tem pessoa que sabe usar. Um bom artista usa aíá muito bem. Uma pessoa que tem olho, que tem bom gosto, que sabe o que que ela quer, que sabe qual é a imagem que ela quer gerar ou qual é o texto que ela quer produzir. A Iá é uma ferramenta poderosa.

¶23Eu contei aqui como é que o chat PT me ajudou a escrever na outra semana, porque eu não, eu tava incapacitada, sempre tive uma prova de que é possível você usar a teu favor. Agora é preciso saber usar. Então, se uma pessoa usou a IA para produzir um texto que te dá prazer, que é tão bom, que o júri de vários prêmios se sente instigado a dar o prêmio, é esse texto, esse texto é válido. Desculpa. >> Eh, eu acho que eu tendo a concordar com você.

¶24Uma coisa que eu sempre falo em palestra, quando eh ah, pode usar IA, não pode usar IA, a coisa que eu sempre falo é o seguinte, ó, eh, um humano tem que assinar. O que, o que eu quero dizer? >> Tem que ter a responsabilidade, >> alguém tem que ser responsável. Numa redação de jornal, o usar iá, não usar iá no texto, isso não é uma coisa que me perturba. Eu quero saber quem é o ser humano que é responsável pelas informações que estão ali.

¶25>> Isso. >> Então, por exemplo, se a I cometeu um plágio, >> você é responsável, não é? Iá, a Iá >> vai fazer coisas que as fazem. Agora, eh, eu tenho feito muito experimento com com texto em Iá. Dá muito trabalho produzir texto de qualidade com Iá, mas é possível.

¶26>> Dá, dá mais trabalho do que escrever direto. >> Ah, muito mais. Esse esse que é o ponto pra gente que escreve. >> Muito mais. >> É mais difícil escrever com do que escrever sem a, porque >> quando você escreve, você sempre escreve.

¶27E quando você escreve com iá, é complicadíssimo, porque você tem que perguntar, dialogar, conversar. Quer dizer, >> é, não você tem que aí você lê o parágrafo, não, não tá bom por causa disso, faz de novo, faz. >> É muito mais trabalhoso. >> Enquanto que eu escrevo um parágrafo em 30 segundos. Sim, pois é, >> né?

¶28Vai um minuto. Eh, eh, >> você que digita muito rápido, eu levo mais tempo, mas a gente basicamente a gente senta e escreve, né? >> É que quando eu sento e escrevo, já sai como eu quero de primeira. [risadas] I é muito travado para quem é do ramo, Iá é mais complicado. Como eu tenho certeza que para quem desenha muito bem, por exemplo, fazer uma caricatura ou uma coisa assim é mais simples do que pedir para ir a fazer.

¶29Claro, >> porque não tem intermediário, é o teu cérebro direto no >> Claro, claro. Mas >> no papel, >> mas tem uma hora, tem uma hora. >> A gente a gente sabe exatamente o que que vai acontecer. Estamos numa fase de adaptação da humanidade e e daqui a x anos, que eu não sei quando é, todo mundo vai achar engraçado esse negócio de você >> eh eh rejeitar porque foi feito por iá. Quando o critério não é esse, o critério é >> as pessoas gostam, >> é >> tipo, as pessoas assistem >> porque o pessoal fica reclamando nas redes sociais de AI Slop, né?

¶30lixo feito por Iá. Mas é porque 99% das pessoas que estão produzindo com Iá estão produzindo lixo. >> Estão produzindo lixo, não estão sabendo avariar a qualidade da coisa. acha que qualquer coisa serve, >> mas cada mudança de paradigma gera essa confusão toda, porque a gente pode até ir ir lá pro Sócrates, que reclamava da escrita, porque não vai memorizar mais nada, mas a fotografia quando apareceu foi uma um revolução, um de debate de confusão, que que é coisa horrível e vai tomar lugar os pintores, enfim, houve todo esse debate que a gente tá vendo agora. >> As pintores viraram Picasso em Miró.

¶31>> É, exatamente, [limpando a garganta] >> né? Foram fazer outras coisas. >> E a fotografia é essa coisa apaixonante, maravilhosa que ela é. E a máquina de calcular, porque a questão é a seguinte, não é você usar a máquina de calcular na prova, é você saber qual é a operação que você tem que fazer. Se você não souber, você não vai chegar lá.

¶32Agora a gente tem que registrar que os matemáticos no agora no dia 11 de setembro uma instituição de matemática não foi uma instituição, foram 25 ganhadores daquela medalha >> medalha fields >> da medalha Fields fizeram abaixo assinado contra a IA porque a Iá tá resolvendo equações e e problemas que tavam séculos para serem resolvidos. Eu entendo a dor. Eu entendo a dor porque era um desafio. É muito chato você ter um desafio secular e aquilo é um desafio. Aquilo é uma coisa que te estimula a se pendurar sobre aquele problema, tentar resolver os teoremas.

¶33Olha, isso é emocionante. E de repente vem um software e rouba tua emoção. Como assim? É, não, mas é a aí isso nasce de uma de uma situação que é uma situação muito curiosa. Eh, um desses tiveram dois dois matemáticos americanos que resolveram um desses problemas seculares dificílimos.

¶34E na mesma semana o Peni anunciou que o GPT tinha resolvido o mesmo problema. Aí os matemáticos foram olhar e e a solução que o GPT tinha trazido era muito parecida com a que eles tinham apresentado. E eles perguntaram oficialmente a Openai: "Olha, a gente checou várias das nossas contas usando chat GPT. Existe alguma possibilidade do chat GPT terrouado? Pior >> a E o pessoal da Open Ai, [suspirando] veja bem, não temos como afirmar.

¶35Ah, não sabia que tinha >> porque tem uma situação que é a seguinte, as pessoas não entendem. Eh, eh, é uma coisa, quando você tem uma conta PJ de pessoa jurídica direto na API da Open AI, ali você assina um contrato com a Open AI para usar o GPT direto na boca. Não é usar o chat GPT, é usar um modelo GPT via uma API e você tem um um contrato no qual o PNI se compromete a não usar as informações que passam pelo GPT como base de treinamento. Agora, quando você tem a conta que nós temos, que é aquela conta de chat PT de R$ 100 por mês, aquela conta de pessoa física, tudo que a gente põe ali, >> ele usa como base de treinamento dos modelos seguintes. Então os caras checavam as contas deles usando uma conta pessoal de chatt e e natural, tipo, precisa checar, vamos usar essa tecnologia.

¶36E tudo aquilo que eles estavam fazendo foi paraa base de treinamento do modelo seguinte do GPT. >> Ah, >> que aí resolveu o problema. >> Resolveu o problema por causa >> muito provavelmente porque alguém já tinha colocado a solução lá dentro. Eh, e aí o GPT aparece e resolve o negócio. Quando você pergunta para Openi, vem cá, eh, foi usando o nosso material, a Open sequer tem como afirmar que sim ou que não, mas provavelmente sim.

¶37>> É, com certeza. A I não cria, né? E a matemática tem muito de criação, por incrível que pareça, porque >> é, não acho nada incrível. Bem, eu sou filho de matemático, né? >> É.

¶38Pois é, mas mas é verdade, porque é preciso imaginação para você para você resolver um problema desse. >> É, é um tipo de imaginação muito particular, >> muito particular, mas é imaginação. >> É, >> é [limpando a garganta] um é um salto mortal que o cérebro dá lá em certo momento. E eu acho limpo. >> É, é uma capacidade de de abstração.

¶39>> É, >> é uma capacidade de abstração. É uma coisa muito curiosa, eh, quem tem Asperger, né, que é aquele autismo de alto rendimento, e, e o meu pai e e e meu irmão Caçula tem, eh, quem tem Asperger costuma ser muito talentoso em matemática ou música ou ambos. >> São parecidos, >> porque é é o mesmo lugar no cérebro. Abstração da matemática, abstração da música tão no mesmo lugar no cérebro. Cara, eu já te falei isso.

¶40A minha maior tristeza na vida é não ter gostado de matemática. É, é uma dor assim, tipo, perguntar que o que que você lamenta na tua vida é isso. Uma das coisas é essa que eu não consegui gostar de matemática. A culpa não foi minha, eu tive péssimos professores. Eu eu infelizmente não eu tive excelentes professores de história e geografia e peguei um amor por essas disciplinas enormes, mas matemática, lamentavelmente não.

¶41E nunca consegui. Foi quando eu entendi que matemática era uma maravilha, eu já era tarde demais, porque é uma das aquelas coisas que você aprende até certa idade. >> Eu eu tenho sincera dificuldade com matemática. Sim, eu fiquei com coisa e eh não é que eu não seja capaz de aprender, eu fiz eu e fiz os início da faculdade de engenharia, estudei cálculo. Eh, eu entendo, mas é um esforço mental para mim imenso.

¶42>> Eu tirava exatamente cinco. >> Não, eu tirava notas melhores do que isso. >> Eu eu tirava cinco. Eu estudava o necessário para passar. Eh, o o meu problema à vontade, >> o meu problema na escola é que eu ia fazer a prova de história e e eu não estudava nada, eu tirava nove.

¶43Eu ia fazer porta prova de português, eu não estudava nada, eu tirava nove. Redação era 10, era aquela coisa. Em matemática eu conseguia tirar sete, oito, mas eu tinha que passar semana estudando, fazendo exercício, tipo, era um esforço imenso. E eu não me conformava que era tipo literalmente a coisa >> e eh eu não precisava estudar nada, entendeu? >> Porque a gente gostava tanto, quer dizer, no meu caso, eu gostava tanto de ler sobre história.

¶44>> Ah, eu também. e geografia que em geral eu estava diante do que a classe ia quando quando a classe chegava em algum ponto aquilo, eu já tinha lido aquilo há meses, senão no ano passado ou qualquer coisa. >> É, não, mas é a mesma coisa para mim. Eu euente gostava daquilo. E agora meus meus filhos meninos e eh eles são bons de matemática.

¶45Eu acho que o talento saltou eh saltou uma geração. E >> geração, >> o o outro avô deles é engenheiro, né? O o pai da mãe. Então tem uma coisa ali de tem o tá no DNA. >> Tá no DNA.

¶46Tá no DNA. Exatamente. >> Mas olha aqui, mas eu acho que é isso. Eu acho que cada vez mais nós vamos ver as pessoas usando a IA para tudo. Olha aqui, máquina de escrever deve ter dado uma certa confusão também quando apareceu.

¶47Eu eu não me lembro porque sobre isso eu não cheguei a ler nada com que me chamasse muito atenção, mas você se lembra que havia aqueles calígrafos maravilhosos, aquelas pessoas em cartórios que tinham letras lindas e aquilo era uma profissão. A a boa caligrafia era um >> não, a crítica que fazia a máquina de escrever é que acelerava demais e e a o processo de escrita e que, portanto, você não pensava o suficiente quando você estava escrevendo. Eh, que é aquela coisa do datilógrafo, né? Você sabe que algum alguma razão tem por trás disso? Porque se você for escrever poema, você não consegue, quer dizer, você, eu tô falando uma coisa, tô generalizando uma coisa que me acontece.

¶48Eu não escrevo poemas. Em geral, escrevi dois livrinhos de poemas para crianças quando meus filhos eram pequenos, mas eu descobri que era impossível escrever a máquina, que era preciso o ritmo do cérebro. >> É possível. É o que eu acho que dependia. >> Isso, isso era a mão engraçada.

¶49Então, não vou dizer que escrever a mão seja, mas há um tempo diferente mesmo. Sim. >> É que eu acho, Cora, que até nisso depende, entende? Um um João Cabral de Melo Neto ficava meses no mesmo poema, Manuel Bandeira sentava escrever. >> É.

¶50>> Aí tipo um é superior ao outro. Não, né? >> Não, cada um é cada um é cada qual. São dois poetas excepcionais que tinham métodos de produzir poesia muito diferente. Eu acho que até eu eu eu >> eu sou muito mais encantado com bandeira do que Jo Cabral.

¶51Eu gosto do lirismo e da delicadeza, né? Bandeir bandeira é muito terno, né? >> É, é. Eu gosto. Cabelo é muito cerebrino, né?

¶52É aquela coisa cartesiana, tal. >> É. Eh, o matemático dos nossos poetas. É isso, [risadas] >> né? Mas e e ainda assim que coisas bonitas que ele escreveu.

¶53Meu Deus do céu, que coisas bonitas. Então, >> momento ostentação. Conheci os dois. >> Ah, bem. Eu não conheci nenhum deles.

¶54Eu não conheci nenhum [risadas] deles. >> Eh, quem eu conheci apenas uma vez, eh, eh, que é o, o outro dos quatro, eu acho que tem dois, eu tenho quatro nomes gigantes, né? Eu conheci o Drumon, >> esse era padrinho da minha irmã. Outro momento da ostentação. Fecha o parente.

¶55>> Eu, eu quarto é o Vinícius. >> Ah, eu nem vou dizer nada. >> É, pois é. Pois é. O negócio da gente ficar velho é esse, tá vendo?

¶56É que a gente conheceu muita gente. >> É, eu eu acho que dos quatro Vinícius é por por ele ter feito música popular, muita gente eh tem uma impressão de que ele é um poeta menor quando eu acho que ele tá no tamanho dos grandes. >> Ele tá no tamanho dos grandes. Para não dizer que é o melhor sonetista em língua portuguesa deste cão hoje, né? igual.

¶57É, [limpando a garganta] >> eh, e, e, e, e, e, eu acho, voltando paraa coisa de escrever com inteligência artificial ou ou produzir filme com inteligência artificial ou produzir >> fazer arte, >> é, é, não acho que não é nem nem apenas a arte, é porque eu acho que pode ter o livro técnico também pode ter, >> mas o livro técnico ninguém vai reclamar que foi feito com inteligência artificial, >> ele não vai sair da lista. que eu que o o livro de não ficção, não apenas livro técnico, eu concordo. O livro técnico serve para ter informação e você consultar, mas o livro de não ficção é uma coisa que você precisa ter eh eh uma reportagem, uma coisa assim. Eh, a a única coisa realmente relevante, me parece, é interessante dar prazer de ler. >> É isso, é isso.

¶58>> É, é, talvez nem prazer de ler seja, é, é uma coisa que te leva à leitura, né? Às vezes uma coisa não precisa ser necessariamente prazerosa, >> não. E às vezes não te leva necessariamente à leitura, porque tem uns livros cabeçudos que você que meio que nem te deixam entrar, você tem que lutar muito para conseguir ler, mas você percebe que é uma grande escrita. Então, a questão só é a seguinte: é bom ou não é? >> E aí eu me pergunto porque >> que também é uma coisa subjetiva, mas a gente sabe quando vê um bom livro.

¶59>> É. E e olha, deixa eu falar uma coisa que eu acho que as pessoas não tão eh eu acho que na cabeça de muita gente eh tem uma tem uma ideia ali de o que é produzido por Iá não dá trabalho, gente. Para ser bom dá muito trabalho, >> tá? Tanto que é isso que você estava dizendo. A a gente >> a gente escreve mais rápido.

¶60a gente vai preferir escrever por conta própria do que usar I, porque dá menos trabalho pra gente, porque somos profissionais disso, eh escrever do que fazer com a agora eu eu tenho usado muito Iá e tem algumas coisas que me dão um prazer particular. Eu tenho feito muito esses vídeos de de história de o que que é Brasil, tudo mais. >> Estão ótimos. Deixa eu repetir. Já falei no outro programa.

¶61Mas gente, se vocês não estão acompanhando o Instagram do Pedro, vocês têm que acompanhar porque é a melhor coisa que tem no Instagram. Não, não é >> pronto. Falei, >> tem muita coisa interessante, mas eu eu tenho me divertido muito fazendo esses vídeos. Agora, uma das coisas que mais me diverte fazer é pegar o rosto dessas figuras que a gente não conhece e transformar em filme, entendeu? É, é, >> é isso, isso é muito divertido, >> tipo ver o Marechal Deodoro respirando, ver o padre Manuel da Nóbrega, porque a gente tem >> imagens e eh de época e >> entendeu?

¶62De desenhos ou pinturas ou ou coisas assim. Você junta umas cinco, seis, você tem uma consistência de rosto ali, entende? Eu [limpando a garganta] eu quero ver essa pessoa. >> Sim. >> Esses dias eu tava construindo o Machado de Assis, eh, com inteligência artificial.

¶63É, é muito legal. É, é muito legal olhar pra cara do Machado, entendeu? Ainda mais essas figuras do século XIX, século XX, que você tem três retratos. >> Eh, eh, portanto, você tem, você sabe como é que o rosto da pessoa era, mas você só vê aqueles três retratos, >> entendeu? Porque as pessoas tiravam três retratos da vida.

¶64Eh, e e meu pai me mandou uma foto de do irmão do meu bisavô. Ele não tem retrato do meu bisavô. Mas tem o o meu bisavô tinha um irmão que era o Diocleciano da Costa Dora. >> Esse nome era muito comum, né? Deocleciano.

¶65Eu conheci o Dr. Decleciano Red de Campos. >> É, pois é. O o o o meu tio bisavô se chamava Diocleciano e ele não teve filhos. Ele morreu com 26 anos de tuberculose.

¶66Eh, >> também era uma coisa que acontecia. >> É, é. eh, tipo, no início da República, morreu em eh e alguma coisa e era irmão do pai do meu avô, que é um cara chamado Rui Moutinho da Costa Dória, e o irmão do Rui era o Diocleciano e tem uma foto dele, é uma foto deliciosa porque ele como meu bisavô eram mulatos, né? Eh, e e é aquela foto preciosa que é uma foto dele com 24 anos de idade, 2 anos antes de morrer, engenheiro já formado. E coran.

¶67Aí eu olhei para aquela foto, ah, eu vou transformar esse negócio no retrato como se fosse hoje. E tá lá. E aí eu botei para animar. >> Ah, sensacional. É aquela coisa assim de cara, que coisa espetacular.

¶68Eu consigo olhar pra cara do irmão do meu bisavor. >> Ah, isso é muito legal, né? >> Eh, é uma pena que eu não tenho retrato do outro que do meu bisavô que morreu muito depois. Afinal de contas, foi pai do meu avô, né? Eh, eh, e, e isso é uma das coisas que eu acho mais preciosas na inteligência artificial.

¶69Tem tem uma turma nos comentários lá no Instagram que reclama, eh, que dá uma reclamada. Ah, seria muito mais legal se fosse só você falando sem ah tá tudo bem, mas eu gosto de ver as imagens. [risadas] Olha, >> eu eu gosto de recriar o mundo como o mundo era para olhar para ele como ele era. >> É, eu gosto muito dessas reconstruções. É uma das coisas que eu gosto que a Ia faz e eu adoro fazer ilustrações paraas minhas colunas com as tenho nem conseguido fazer isso porque eu não tô conseguindo >> ver >> ficar na tela e ver.

¶70E cara, como isso enche o saco, viu? Ah, qua imagino. >> É engraçado porque quando a gente pensa em doença, a gente sempre pensa numa coisa muito debilitante, num estado geral muito caído. H, e é que você tem uma coisa que o meu estado geral está relativamente bom na na conjuntivity tava pior, era como se fosse uma gripe, doía tudo e tal, mas agora nada dói. Mas eu não enxergo e é como se tivesse grão de areia no olho.

¶71Não é uma dor. >> Uhum. >> Qual o prognóstico? >> Demora. O o meu oftalmologista é meu amigo há 30 anos [risadas] e eu tinha postado há umas duas semanas quando isso começou.

¶72postei uma foto no meu olho no no Instagram e no Facebook para avisar os amigos. Eu postei pelo seguinte, porque eu não estava acessando o WhatsApp nem nada. Então as pessoas para as pessoas intuírem, olha, tá fora do ar porque tá tá com esse olho assim, tudo bem. Mas eu tenho muitos amigos em comum com o André Sechinel, que é o meu oftalmo. E aí ele, ontem eu tive lá, você ter uma ideia, ontem tive lá e vou ter que voltar a segunda.

¶73É esse tipo de situação. Ele me disse: "Olha, pelo amor de Deus, publica um negócio dizendo que você tá melhor, porque os nossos amigos estão me ligando direto e é como se eu fosse responsável ou como se eu fosse culpado." Então, ainda tem isso. Até agora postei um update do olho. A gente ri, mas cara, é uma miséria, porque eu vivo disso, né? Eu não eu consigo ler as manchetes, eu consigo com o celular muito perto do olho decifrat def esse texto da orelhante, inclusive vcour, você vai ler, enfim, coisa assim.

¶74Mas mas é muito ruim. É, >> eu eu tentei assistir vídeo, olha que eu tenho um telãozão na sala e tal e o Fábio Daneto passou lá, ele é muito bonitinho, ele é preocupado com a voz, sabe? E ele dis, ah, vamos assistir o Homem-Aranha. E aí começamos a assistir o Homem-Aranha, mas no meio eu já não aguentava mais, já tava com a dor de cabeça enorme. >> Eu sinto muito, mas uma semana por vez >> vai passar, vai passar.

¶75O o André garante que vai passar, mas ele mesmo ele disse assim: "Cara, nem vou te dizer quanto isso pode durar, porque olha, quando oologista diz isso, >> muitas pessoas têm me dito: "Ó, desejos melhoras agora". >> Ah, que fofos. Bonitinho. >> Nos vemos na quinta-feira. >> Então, até quinta-feira.

¶761989. Desde então, nunca uma eleição presidencial despertou tão pouco interesse no brasileiro quanto essa também, né? Segundo nossa pesquisa Meia Ideia, 42% dos brasileiros vem os grupos de Lula e Flávio Bolsonaro como igualmente corruptos, quase metade do país. O resultado é cansaço, desesperança e muita gente simplesmente deixando de prestar atenção. Mas a gente está remando contra corrente.

¶77O meio acompanha pesquisas, entrevista especialistas, debate pontos de vista e mantém ativa uma produção que inclui newsletters, programas ao vivo, podcasts, documentários e análises para tentar entender [música] o país que vai sair dessa eleição. Olha, sem escolher candidato por você, tá? Sem transformar jornalismo em torcida. Mas um jornalismo que se recusa a entrar na torcida também precisa de quem acredite nele. Assine o meio premium.

¶78São R$ 15 por mês para apoiar o meio a continuar fazendo esse trabalho todos os dias. [música] เฮ [música]