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Polêmicas do STF, Nossa Senhora e Master desviam atenção do eleitor

¶1É fundamental numa sociedade democrática que a gente seja capaz de concordar com um método de se chegar a um fato, entendeu? A gente precisa ter um acordo a respeito de o que que constitui um fato com o qual todos podemos concordar. E quando você se vira e fala: "Olha, o pastor do Flávio não gosta de santa, nenhum pastor gosta. eh um deputado que foi assessor o o 300 ex-deputados foram assessores de Bolsonaro. 300 e eles fizeram legislação de tudo quanto é tipo.

¶2E diga-se de passagem, 300 ex-deputados e atuais deputados foram assessoras do Lula, como de qualquer presidente da República. Bem, um teve um projeto que quis fazer isso. Eu ten um grupo protestante que gostaria mesmo de tirar toda a parte institucionalizada do Brasil que tem uma ligação com com a Igreja Católica. O ponto é quando você começa a juntar todos esses negócios para se virar e falar, não é fake news porque é plausível. A gente abandonou a ideia de que podemos chegar de alguma forma com algum tipo de método fato.

¶3E e não é complicado esse critério. O critério é simples. O Flávio já falou em algum momento que ele vai mudar no o o feriado de Nossa Senhora Aparecida. Existe algum documento de campanha? Existe a algum sinal de algum Não, não tem, não tem.

¶4Não é verdade. Este plano não existe e este esta é a verdade que nós conseguimos alcançar até que se prove o contrário. E no momento que alguém chegar e aparecer com documento que acabou de sair da campanha dizendo: "Opá, não, esse plano tava realmente em discussão". Aí, opa, mudou. Mudou por quê?

¶5Porque as informações públicas as quais nós temos eh alcance, elas mudaram. No momento que as informações mudam, como dizia o grande John Myard Kanes, a nossa opinião muda, mas a gente precisa ter algum tipo de conceito básico a respeito de como a gente chega à verdade. O o toda a história do Iluminismo, toda a história da modernidade é a busca essencialmente por um método que nos permite nos aproximar da verdade e e que nos permite não abraçar dogmas, porque perante evidências poderemos mudar a nossa opinião, mas que possamos até ali dizer isso. que é a verdade que conseguimos estabelecer nesse momento. Quando a gente começa a topar instrumentos retóricos que começam a permitir que plausibilidade e verdade se confundam, a gente abandonou a possibilidade de discutir a respeito de fatos.

¶6Se a gente não consegue ter um acordo a respeito de quais são os fatos na nossa sociedade, uma democracia não é sustentável. E e a minha preocupação é o seguinte, muita gente da esquerda pode não tá percebendo, mas no momento que troca plausibilidade por fato, tá fazendo exatamente o que a extrema direita faz no Brasil faz 10 anos. Porque o método do Nicolas, o o método do Bolsonaro sempre foi esse. Sempre foi esse. Ah, não é, é mentira.

¶7Mas veja bem, olha quem tá no [risadas] se se o se o truque é diga-me com quem andas e te direi quem és, o Lula é um potencial de ditador de esquerda, tá? Agora veja, enquanto essencialmente a esquerda abraçou o método de direit da direita da extrema direita de brincar com a verdade, a extrema direita abraçou o método da esquerda de lidar com censura nas redes sociais, porque eles estão fazendo com os ministros deles do Supremo Tribunal Federal, exatamente a mesma coisa que eles passaram os últimos 10 anos criticando. Exatamente a mesma coisa, entendeu? Vamos passar o rodo geral, proibir geral nas redes sociais. Você não vai reclamar daqui a pouco do que o Alan dos Santos não pode falar, que o Monarca não pode falar.

¶8Não, não tá valendo mais essa brincadeira, tá? Porque vocês estão fazendo a mesma coisa. E e o Magno tava falando das ilusões que a gente tem que abandonar, cara. >> [suspirando] >> Tem outra linha que a gente cruzou nesse último mês e meio dois. Eu eu não sei exatamente em que momento, mas que ela foi cruzada.

¶9Foi. A gente não pode mais viver com a ilusão de que juiz do Supremo não tem partido porque eles têm. Porque eu sei exatamente em que time o Mendonça tá, em que time o Fux tá. Eu sei exatamente em que time o o Alexandre tá, o Dino tá e o Gilmar tá. Vocês sabem por que a CBF, diferentemente de todos os clubes de futebol, não tá fazendo críticas ao fim das betes?

¶10Embora tenha exatamente a mesma opinião a respeito do fim das betes que todos os clubes de futebol, porque quem manda na CBF gilmarmente, gente. Juiz tem time, juiz tem lado na política. juiz. Hoje no Brasil, os juízes do Supremo Tribunal Federal tem partido. A gente tá lascado, tá?

¶11A a o o problema aumentou. Eu eu eu realmente achava que o problema ia diminuir depois dessa eleição. Magno Flávia, a a impressão que eu tenho é que o problema aumentou. Pedro, >> só antes da gente seguir lá para São Paulo, eu queria só ler três comentáriiozinhos que tem tudo a ver com isso que o Pedro acabou de falar para vocês poderem trazer [limpando a garganta] suas reflexões e também comentar por cima. Primeiro, o Danilo Porto, ele diz assim: "Os bolsonaristas espalham fake news há muito tempo, mas nunca apareceu um ministro do STF invadindo competência de outro tribunal para chancelar uma fake news?

¶12Isso é novidade, fake news oficial. E o Fred McKenzie diz assim: "O STF virou um ring de box onde ocorre uma pancadaria generalizada". Eu assisto isso do meu canto com um balde de pipoca para ver qual ministro vai para as cordas primeiro. A pizza tá guardada, mas a gente sempre viveu numa lama de fake news. Isso não as torna menos nocivas.

¶13A pergunta é: por que essa da Nossa Senhora ganhou tanta relevância? Seria pelo caráter religioso. E para fechar, Rafael Simanelli diz assim que o problema da nossa democracia foi combater fogo com fogo. Aplaudiu-se Morais por extrapolar juridicamente contra o Bolsonaro e agora temos ministros do STF e do TSE usando a jurisprudência de Morais. Eu >> eu vou jogar pro Flávio, pro Magno, mas desculpa, pelo amor de Deus.

¶14a quantidade de prova de que Jair Bolsonaro tentou um golpe militar entre eh eh o novembro e dezembro de 2022 é é um relatório de 1000 páginas eh da Polícia Federal que começa com testemunho do comandante do exército e do comandante da aeronáutica que foram pressionados a dar esse golpe militar. Aliás, o Batista Júnior, que era o comandante da Aeronáutica, acaba de publicar um livro cujo livro cujo no título é Eu disse não, Diário da Trincheira, antigolpista. Flávia Magno, >> eh, posso? Pode. Claro.

¶15>> Primeiro eu queria eh pegar essa fala do Pedro e contraargumentar pontualmente, porque a gente teve um debate longo sobre isso na nossa reunião de pauta e a gente converge mais do que diverge. Eu inclusive tô há mais ou menos 24 horas tendo esse debate com pessoas de esquerda do meu entorno e, enfim, tenho vários pontos de convergência com o Pedro, alguns pontos eh de convergência com os argumentos que foram construídos dessa forma que o Pedro descreveu. Eh, eu acho que tem as coisas foram feitas em gradações diferentes por atores diferentes, atores públicos com voz pública, né? Eh, nessa questão da da Nossa Senhora. Então, eh, eu acho que dá para separar e talvez seja interessante a gente separar.

¶16Eh, primeiro [limpando a garganta] que, como eu já defendi aqui, eu não acho que o que a jornalista Maria Cristina Fernandes falou fosse fake news, porque ela parte [suspirando] TV, gente, tem uma dinâmica muito cruel, sabe? [risadas] Eh, esses programas noticiosos assim, eh, nem sempre eles aprofundam o debate das coisas como a gente tem a oportunidade de fazer aqui, por exemplo, que é um dos méritos, eu vejo no canal meio e algum em algumas outras bancadas que conseguem pegar os assuntos e destrinchar a fundo. na TV, nas TVs, nas emissoras, isso não é só Globo News, enfim, no rádio também muitas vezes existe esse essa limitação de tempo em que vez ou outra um jornalista traz uma informação e não destrincha. Mas a informação objetiva da Maria Cristina Fernandes não era de que a campanha de Flávio Bolsonaro tinha um plano para destituir a padroeira do Brasil, tá? Eh, se você ouvir lá, você não vai ouvir a palavra Flávia Flávio Bolsonaro, eh, em nenhum momento.

¶17Ela fala de uma reação da Igreja Católica. Há uma parcela de evangélicos que tenta mobilizar um projeto neste sentido e que isso pode ajudar a campanha de Lula. Foi isso. Então, isso é uma coisa. A segunda coisa é que eh existe uma militância de redes sociais que pega isso, pega na verdade um movimento que antecede a fala da Maria Cristina, mas turbina com a fala da Maria Cristina para fazer fake news, para falar, é a campanha do Flávio, o Flávio vai destituir.

¶18E aí existe um terceiro momento em que vozes da esquerda, por exemplo, como a candidata Tabat Tamamaral, mas não só. eh, tentam aterriçar a bola, né, o assunto, parar a bola, ela faz, ela é candidata, então ela explora o assunto eleitoralmente e aí a gente pode entrar no debate se devia fazer isso ou não, mas ela faz um vídeo um pouco mais longo, explicando um pouco melhor. Inclusive, a certa altura ela fala: "Isso quer dizer que Flávio tem um projeto para fazer tal coisa?" Não, mas e aí usa esse contexto todo que o Pedro falou. E por fim, por último, existe ainda a figura de um humorista como Antônio Tabet, que é claramente antibolsonarista, mas que jamais me pareceu lulista. Então, é uma figura que tá acostumada a fazer crítica social com humor, inclusive com usando qualquer recurso para isso, como outros humoristas já fizeram com outros assuntos.

¶19Então são muitas camadas de como esse assunto é usado. Eh, e eu acho que entre todas essas camadas, uma parcela grande e a que espalhou é o é a fake news, é a de que Flávio Bolsonaro vai destituir, né? Eh, que há um plano dentro da campanha para destituir. Eu, particularmente, não concordo com esta metodologia que a militância da esquerda eh optou por usar. Eu acho que tem muita gente falando desse movimento de parte dos evangélicos e dessa disputa com o campo católico há muito mais tempo.

¶20E isso não viralizava. Por que que não viralizava? porque não tinha força de uma notícia de que um candidato vai agir a esse respeito. Então, eh, você pega eh estudiosos, pesquisadores sérios, você pega gente mesmo da internet que tá falando de teologia de teoria do domínio já faz muito tempo e mas que isso não explodia como notícia porque não tinha uma notícia, tinha o a descrição de um fenômeno, certo? Então, eh, e a descrição de um fenômeno dificilmente viraliza, é outro tipo de dinâmica, né?

¶21Eh, muito bem, eu discordo da metodologia, mas é uma metodologia que tá sendo eh empregada ou pelo menos que tem uma parte do da militância da esquerda que diz que deve ser empregada, pelo menos desde 2022. Eh, quando Janones, André Janones entra na campanha do Lula em 2022, ele entra porque uma parte importante da campanha e da militância sentia falta de alguém no campo da esquerda que usasse as mesmas armas do campo da extrema direita, certo? E ele falava isso abertamente. Isso isso nunca foi tabu, isso era, ó, eles querem fazer dessa forma, a gente vai fazer dessa forma, então vamos pro embate com as mesmas armas, tá? Eh, [roncando] eu acho que é o que está acontecendo neste momento.

¶22Acho que com eh com este caso, sim. Ah, eu eu não gosto da comparação, Pedro, que você faz com o Lula com ditadores de outros países, porque tem um uma um componente de diplomacia. Não acho que seja só por diplomacia que o Lula fosse próximo do Nicolas Maduro. Não é isso. Eu só só tô dizendo que eu acho que isso é um filtro.

¶23Eu acho do o exemplo que a gente comentou na na reunião de pauta do MST, por exemplo, mais eh olhando para dentro e mais concreto, mais próximo do momento, né? Eh, agora eu eu também acho que no caso do Nicolas em particular, eh, quando o Nicolas fez o vídeo do Pix, [roncando] eh, quando você fez o ponto de partida, o você não falou só que não era mentira, você falou que o vídeo era muito bom e [limpando a garganta] o era bom. >> Hã, >> sim, é bem construído. >> Sim, sim. Então, e tudo bem [risadas] e e você falou que o vídeo era muito bom, que tinha argumentos.

¶24você fala, ó, ele constrói argumentos, tem exageros típicos da demagogia política, mas tem um argumento político sendo feito ali. E eu acho que eh por isso que eu acho que tem um pedaço do que tá acontecendo nas redes sobre isso que a parte da militância da esquerda enxerga como argumento político e não como como mentira. E e eu acho que é o que fez a o Tabet defender essa linha, o que fez alguns outros jornalistas defenderem essa linha, que não enxerga como uma mentira quando existe um argumento político. Ó, ele é parte de um movimento que tem essa eh esse objetivo, que pensa essas coisas e tudo mais. Então tem uma tem algumas nuances entre cada pedaço do que tá sendo feito.

¶25O fato é que o estrago político eleitoral já está feito, a meu ver, assim, pode ser ainda mais aprofundado. Eh, a gente não sabe ainda, eh, as pesquisas, na verdade, ainda não captaram a extensão, né, desse desse caso. Eh, é possível, inclusive, que esteja sendo subestimada a extensão dele, né? Eu ainda não vi os números todos da nossa pesquisa, então a eh a nossa pesquisa foi a campo a ponto de pegar a polêmica, né? Eh, não vi, não posso também dar spoiler que é contra a lei.

¶26Mesmo que eu tivesse visto, não poderia trazer. Eh, mas o fato é que eh o a o barulho que ele fez na campanha, a energia que foi gasta com isso, né, tanto pela campanha de um quanto pela campanha de outro, já tá, isso já foi mobilizado, isso já já estamos gastando. Hoje é o quê? Terça-feira, já faz cinco dias que o Brasil só fala de Nossa Senhora e de CNBB e de eh padroeira do Brasil. eh como como se não houvesse outro assunto relevante para ser debatido.

¶27E veja, eu tenho muito apreço pela fé das pessoas, mas assim eh não é sobre isso essa eleição, não é isso que tá em cheque nessa eleição. Existem muitas outras coisas em cheque nessa eleição. E o sequestro da eleição, por a gente teve vários sequestros, né? A gente teve um sequestro do STF, a gente teve um sequestro caso master, a gente teve um sequestro agora Nossa Senhora e assim, eh, e a gente vai chegar ao domingo sem ter debatido coisas muito importantes pro país, pro futuro do país. Isso é parte do que tem me incomodado.

¶28>> 1989, desde então, nunca uma eleição presidencial despertou tão pouco interesse no brasileiro quanto essa também, né? Segundo nossa pesquisa, Meia Ideia, 42% dos brasileiros vem os grupos de Lula e Flávio Bolsonaro como igualmente corruptos, quase metade do país. O resultado é cansaço, desesperança e muita gente simplesmente deixando de prestar atenção. Mas a gente está remando contra corrente. O meio acompanha pesquisas, entrevista especialistas, debate pontos de vista e mantém ativa uma produção que inclui newsletters, programas ao vivo, podcasts, documentários e análises para tentar entender o país [música] que vai sair dessa eleição.

¶29Olha, sem escolher candidato por você, tá? Sem transformar jornalismo em torcida. Mas um jornalismo que se recusa a entrar na torcida também precisa de quem acredite nele. Assine o meio premium. São R$ 15 por mês para apoiar o meio a continuar fazendo esse trabalho todos os dias.