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A Buddhist's Critique of Joe Schmid's Miracle Arguments

a tese

Jeff, apologista reformado do canal a Goy for Jesus, entrevista Kyle Alander (Syncretic Idealism), ex-católico tradicionalista hoje budista, para ouvir de dentro de uma tradição não cristã por que os argumentos de milagre de Joe Schmid e Ethan Muse não entregam o catolicismo. A resposta de Alander é que a anomalia pode ser concedida sem custo algum, porque budismo e hinduísmo têm molduras próprias que preveem exatamente os mesmos fenômenos, e os dois convergem no fim em que a disputa precisa correr no nível da visão de mundo.

aprofundar

talvez

é conversa derivada e mais rasa do que a terceira parte da série do Alander, que o Bruno já tem resumida, mas rende duas peças novas que valem a pena: a contradição interna entre milagre eucarístico e transubstanciação, e o descompasso entre o estigma de Padre Pio e a crucificação histórica.

O que foi dito

  • Alander situa a genealogia dos argumentos: o que Schmid apresenta vem originalmente de Ethan Muse, e ele registra que derivar argumentos de quem o convenceu não é defeito, tanto que ele mesmo teve uma série construída sobre Richard Swinburne, de modo que a objeção dele é ao funcionamento do argumento, não à procedência.
  • Ele oferece duas vias de concessão. Na acomodacionista teísta, Deus age através dos símbolos pelos quais cada comunidade o adora, e um milagre eucarístico seria presença divina dentro daquele quadro, não endosso do quadro; ele cita um hindu do canal Theology Unleashed que respondeu a Schmid por escrito, e lembra que no vaishnavismo Krishna aparece como Jesus ou como Maria para acomodar o devoto.
  • Na via budista ele chama de hipótese do amadurecimento (ripening hypothesis): um Buda aparece na forma do karma de quem o vê, logo um grupo católico vê Maria, e a aparição ainda encoraja a continuar na própria tradição por acúmulo de mérito. A pedido de Jeff ele define karma como causação mental, da ordem daquilo a que a atenção se dirige, sem conteúdo moral, com o sonho noturno como caso ordinário do mesmo mecanismo.
  • A objeção interna mais afiada é contra os milagres eucarísticos: a doutrina da transubstanciação afirma que os acidentes permanecem pão e vinho em todo caso, de modo que a hóstia que vira carne e sangue contradiz a doutrina que deveria provar, e Alander estranha que apologistas usem como prova algo que a própria teoria proíbe.
  • Sobre os estigmas, ele nota que o Jesus histórico foi provavelmente cravado no punho, abaixo da palma, enquanto Padre Pio trazia as marcas nas mãos, o que indica reprodução da iconografia popular católica e não do evento histórico; mesmo concedendo o fenômeno, diz ele, basta um evento cármico de alguém com mérito católico suficiente, sem hipótese de Deus.
  • No exorcismo os dois desmontam o argumento implícito (só o sacerdote católico tem poder, só a Igreja confere esse poder, e a Igreja foi fundada por Cristo) lembrando exorcismo protestante, judeu em Atos, xamânico e mesopotâmico; Jeff acrescenta que no Sermão do Monte há quem expulse demônios em nome de Jesus e ainda assim seja rejeitado, e conta a anedota de católicos tradicionalistas no Twitter afirmando que o exorcismo católico médio leva ano e meio.
  • Alander faz uma observação sociológica que ele próprio considera decisiva: o Vaticano não divulga milagres como argumento de conversão e os peritos católicos que conhecem esses casos melhor que Muse não constroem esse argumento, o que torna a coisa fenômeno de apologética católica online; ele acrescenta que um padre católico investigou casos de corpo de arco-íris e os considerou plausíveis.
  • Do lado budista ele explica por que milagre não é moeda de prova: corpo de arco-íris (o corpo do monge encolhe ou desaparece ao morrer) é consequência da prática, e no Dzogchen há quatro visões tögal em textos restritos que ele diz não ter consultado; a validação se dá pela prática replicável, não por inferência a partir do prodígio. Ele menciona ainda corpo ilusório, dream yoga e práticas de invocação de entidades, que diz existirem e não recomenda.
  • Perguntado o que o converteria, Alander descreve um procedimento, não um milagre: Maria aparecer, ele interrogá-la ponto por ponto sobre as objeções filosóficas dele, obter respostas e verificar com outras pessoas que não houve alucinação; o ponto é que aparição não interrogada nada estabelece. Jeff responde que nem isso o moveria, porque a Escritura manda provar os espíritos e adverte contra sinais enganosos, e assume franco o seu pressuposicionalismo reformado.
  • O fecho repete a parábola de Garblo da terceira parte da série (o sortudo da loteria cujos números vêm de uma entidade em sonhos, e a teologia que se desenvolve depois sem conexão alguma com a anomalia inicial), e os dois concordam que o salto da anomalia para a cosmologia é largo demais para qualquer milagre fechar. Jeff também traz os milagres jansenistas que os jesuítas ignoraram no século XVIII e o milagre solar budista no século passado como casos de milagre que ninguém trata como vindicatório.