Radar

radar · Outros

Randal Rauser - The Tentative Apologist

Joe Schmid, Catholic anti-gay apologist?

27/08/2026 · ~29 min · YouTube ↗ · transcrição

a tese

Segunda parte da resposta de Randal Rauser a Joe Schmid, agora sobre o ensino católico da homossexualidade na conversa Schmid/Matt Fradd. Rauser argumenta que a moldura "todos temos desejos desordenados" é pandering e que Schmid comete straw man ao reduzir a alternativa a "ou aceitar o ensino da Igreja, ou escolher a dedo o que agrada em Jesus".

aprofundar

talvez

É crítica externa (protestante afirmativa) ao caso Schmid, mais interessante ao Bruno pelo método (fruto a posteriori vs. lei natural, o argumento da penetração cognitiva devolvido ao remetente) do que pelo tema da sexualidade em si.

  • Rauser situa o vídeo como parte 2 (a parte 1 tratou do inferno) e indica seu livro sobre ser evangélico e afirmativo, dizendo-o diretamente relevante ao tema.
  • Matt Fradd sustenta que a Igreja é caricaturada como odiadora de gays quando o ensino seria “belo”, já que todos temos desejos sexuais desordenados a refrear; Rauser responde que, no banco das igrejas não-afirmativas, há homofobia real, lembrando a associação histórica gay=predador de meninos corrente dos anos 1970 aos 2000.
  • Rauser equipara o “desordenado, mas todos somos” ao antigo ensino protestante contra casamentos inter-raciais (miscigenação), citando Bob Jones University, que proibiu relações inter-raciais em seu código até 2000; a moldura “todos desordenados” não tornaria bela aquela proibição, nem torna esta.
  • Schmid define “desordenado” como não orientado ao bem, categoria moral e não médica; Rauser rebate que o teste cristão de orientação ao bem é o fruto (juízo a posteriori), e há farto material anedótico e de ciência social sobre estabilidade, autodoação e fruto espiritual em relações homossexuais.
  • Schmid apela ao “eu tomaria uma bala por qualquer pessoa LGBT” e à cena de estar diante do Cristo ressuscitado: quem viu os milagres seria irracional em questionar o ensino moral dele; Rauser objeta que ninguém está nessa situação epistêmica e que testemunhar milagres não fixa a interpretação correta do ensino.
  • Rauser usa a mulher cananeia (Mc 7 / Mt 15, “não é justo dar o pão dos filhos aos cães”, que a legenda troca por “mulher de Caná”) para mostrar que se reinterpreta uma fala dura de Jesus sem rejeitá-la; o mesmo valeria para Mc 10 / Mt 19 sobre casamento, o mais perto que Jesus chega do tema.
  • Vira contra Schmid o próprio argumento da penetração cognitiva: a repulsa a gays, o “ick factor”, é que pode ser a intuição cognitivamente corrompida e falível, não a afirmação.
  • Fecha convidando a considerar a evidência empírica a posteriori de que casamentos gays exibem o mesmo fruto espiritual dos heterossexuais, como razão para rever o ensino tradicional da Igreja.

From atheist to Catholic hell apologist? A response to Joe Schmid

26/08/2026 · ~31 min · YouTube ↗ · transcrição

a tese

Randal Rauser, respondendo à entrevista de Joe Schmid com Matt Fradd, ataca não a conversão de Schmid em si, mas o método epistêmico que a sustenta: a ideia de que, uma vez estabelecida a autoridade da Igreja pelos milagres, o convertido deve submeter o intelecto e engolir qualquer doutrina, inclusive o tormento consciente eterno no inferno.

aprofundar

sim

Toca de frente o incômodo do Bruno com o exclusivismo e o fideísmo, oferece munição exegética real (aionios em Mt 25, uso de Dt 13, Balthasar e Hart) e é a contraparte crítica direta do vídeo de Schmid; rende análise avulsa ou conversa sobre método teológico e o problema do inferno.

  • Rauser concede que os fenômenos marianos e as alegações de milagre são fascinantes e não se descartam facilmente (cita o livro do amigo ortodoxo Travis Dumsday sobre a aparição de Zeitoun), mas nega que daí se siga aceitar o inferno eterno.
  • Contra a versão “suave” de Matt Fradd (inferno como mera retirada da presença de Deus), Rauser argumenta que isso é pior, não melhor: se Deus é a fonte da vida como “oxigênio vezes um milhão”, retirá-lo é como sufocar alguém para sempre, agonia consciente sem fim.
  • Acusa Schmid de petição de princípio: Schmid faz um longo discurso emotivo sobre encontrar o Cristo ressuscitado e depois “enfia” a premissa de que Cristo ensinou o tormento eterno, quando é exatamente essa interpretação que está em disputa.
  • Levanta a exegese de Mateus 25:46: se a punição é “aionios” (pertencente a uma era), não necessariamente eterna, e o propósito do texto pode ser ético (tratar os marginalizados) e não um mapa do juízo póstumo; invoca David Bentley Hart e o universalismo esperançoso de Balthasar como opções católicas.
  • Opõe à postura de “docilidade” de Schmid o motivo judaico-cristão de lutar com Deus: Israel significa “aquele que luta com Deus”, como Jacó, Moisés e Abraão, que questionaram e desafiaram; piedade não é submissão passiva a uma doutrina que a consciência grita ser abominável.
  • Usa o argumento das intuições de Eleonore Stump e Peter Singer: assim como nenhuma argumentação filosófica venceria a intuição de que os experimentos de Mengele ou a zoofilia são intrinsecamente errados, a intuição contra torturar alguém para sempre pode funcionar como “derrotador de derrotadores” mesmo diante dos milagres.
  • Trata como autoengano as tentativas de Schmid de amenizar o inferno (sofrimento que decai pela metade a cada ano mas nunca acaba), porque não engajam a seriedade das imagens de fogo, ranger de dentes e lago de fogo do Novo Testamento e do Apocalipse.
  • Conclui que preferiria um Schmid que dissesse “sou católico, mas não estou convencido do tormento eterno” e mantivesse ceticismo sobre essa doutrina, em vez de espiritualizar sua obediência total ao estilo do “creio que branco é preto” de Inácio de Loyola.