a tese
Randal Rauser, respondendo à entrevista de Joe Schmid com Matt Fradd, ataca não a conversão de Schmid em si, mas o método epistêmico que a sustenta: a ideia de que, uma vez estabelecida a autoridade da Igreja pelos milagres, o convertido deve submeter o intelecto e engolir qualquer doutrina, inclusive o tormento consciente eterno no inferno.
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Toca de frente o incômodo do Bruno com o exclusivismo e o fideísmo, oferece munição exegética real (aionios em Mt 25, uso de Dt 13, Balthasar e Hart) e é a contraparte crítica direta do vídeo de Schmid; rende análise avulsa ou conversa sobre método teológico e o problema do inferno.
O que foi dito
- Rauser concede que os fenômenos marianos e as alegações de milagre são fascinantes e não se descartam facilmente (cita o livro do amigo ortodoxo Travis Dumsday sobre a aparição de Zeitoun), mas nega que daí se siga aceitar o inferno eterno.
- Contra a versão “suave” de Matt Fradd (inferno como mera retirada da presença de Deus), Rauser argumenta que isso é pior, não melhor: se Deus é a fonte da vida como “oxigênio vezes um milhão”, retirá-lo é como sufocar alguém para sempre, agonia consciente sem fim.
- Acusa Schmid de petição de princípio: Schmid faz um longo discurso emotivo sobre encontrar o Cristo ressuscitado e depois “enfia” a premissa de que Cristo ensinou o tormento eterno, quando é exatamente essa interpretação que está em disputa.
- Levanta a exegese de Mateus 25:46: se a punição é “aionios” (pertencente a uma era), não necessariamente eterna, e o propósito do texto pode ser ético (tratar os marginalizados) e não um mapa do juízo póstumo; invoca David Bentley Hart e o universalismo esperançoso de Balthasar como opções católicas.
- Opõe à postura de “docilidade” de Schmid o motivo judaico-cristão de lutar com Deus: Israel significa “aquele que luta com Deus”, como Jacó, Moisés e Abraão, que questionaram e desafiaram; piedade não é submissão passiva a uma doutrina que a consciência grita ser abominável.
- Usa o argumento das intuições de Eleonore Stump e Peter Singer: assim como nenhuma argumentação filosófica venceria a intuição de que os experimentos de Mengele ou a zoofilia são intrinsecamente errados, a intuição contra torturar alguém para sempre pode funcionar como “derrotador de derrotadores” mesmo diante dos milagres.
- Trata como autoengano as tentativas de Schmid de amenizar o inferno (sofrimento que decai pela metade a cada ano mas nunca acaba), porque não engajam a seriedade das imagens de fogo, ranger de dentes e lago de fogo do Novo Testamento e do Apocalipse.
- Conclui que preferiria um Schmid que dissesse “sou católico, mas não estou convencido do tormento eterno” e mantivesse ceticismo sobre essa doutrina, em vez de espiritualizar sua obediência total ao estilo do “creio que branco é preto” de Inácio de Loyola.