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Mais escolarizada, conectada e empreendedora, classe C vai escolher o presidente | Central Meio

¶1[música] เฮ [música] Olá, boa tarde. Seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda ao Central Meio. Hoje é quinta-feira, 30 de julho de 2026. Eu sou Pedro Dó e comigo está Luía Silvest. Oi, Lu.

¶2>> Olá, tudo bem? >> Como vai pr você? >> Nossa, Júlio foi rápido, né? Vou bem em você. >> É por qu?

¶3Eu disse que acabou julho. >> Não, dis, mas o mês passou rápido. >> Acabou julho? >> É, pois é. >> Foi, >> acaba amanhã, na verdade, né?

¶4>> Assim eu fico mais tranquila. [risadas] Eu ainda posso aproveitar. >> Uhu! Boa tarde também pra Flávia Tavares em São Paulo. Oi, Flá.

¶5>> Oi, tudo bem? Nem sei se vazou eu aqui sussurrando. Ainda tem amanhã. Ainda tem não, gente, calma. A dia.

¶6É, pois é. É que tem mês que parece que demora dois, né? Julho foi mais rápido, >> foi. E agora assim, e eu já tô combinando eh reveon, gente. Quem não tá combinando reveon tá atrasado.

¶7Queria informar isso. >> É quando [risadas] menos espera já é Natal, né? >> Até porque os os nossos aniversários vão passar em branco esse ano porque tá no meio da eleição, né, Flávia? Então, [risadas] >> exatamente. Então, já tô, já pulei, já tô olhando lá em dezembro.

¶8>> Exatamente. É, é o meu plano também. [risadas] >> [suspirando] >> Bom, gente, por falar em eleição, hoje a gente vai falar de metade da população brasileira que pode decidir o pleito, né? Mais precisamente sobre os 49,3% que, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa tão na classe C. E é claro que quando a gente fala de quase 106 milhões de brasileiros, a gente não tá falando de um perfil único, né?

¶9São eleitores diferentes, com demandas diferentes sobre serviços públicos, saúde, educação, trabalho e renda. Mas talvez uma coisa una a todos os integrantes desse grupo, que é a necessidade de pagar as contas >> da cozinha apertada, onde o boleto fica em cima da geladeira, ao salão da periferia, em nome de noite de formatura, do motoboy que virou MEI, a mãe que comanda o orçamento no celular, é o grupo que move o ponteiro do consumo e decide o resultado das urnas. A classe C é objeto do livro Brasil da Maioria, 25 anos de classe C, do nosso convidado de hoje, o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meireres. Tudo bom, Renato? O Renato não está, não entrou ainda.

¶10>> Ainda não. Calma. [risadas] Hoje o Renato conversa com a gente sobre o retrato da classe C no presente, que é mais escolarizada, mais conectada, mais empreendedora e mais exigente, tá? um grupo que recusa rótulos ideológicos, transita entre conservador e progressista e quer um estado que funcione, um mercado que respeite. >> Esse é o nosso assunto de hoje.

¶11Então, puxa aí a sua cadeira, se acomoda, deixa o like, se inscreve no canal, manda sua mensagem pra gente, porque deixa eu explicar uma coisa para vocês, a decisão dessa eleição é dessa turma e o central meio tá no ar. >> [música] >> Agora pode chamar o Renato, chefe. >> Salve, Renato. [risadas] [suspirando] >> Que prazer gigante tá aqui com vocês. Que carinho que respeito eu tenho o canal meio eh, Pedro.

¶12Meninas, é um privilégio est dividindo com vocês um pouco do que eu tenho estudado aí nos 25 anos da classe C brasileira. E Renato, eu tinha aqui uma uma pergunta para iniciar, porque a gente acabou de dizer na nossa abertura que não dá para traçar um perfil dessa classe C, porque a classe C é muita gente, mas o seu livro traça uma linha de como a classe C de hoje se tornou a classe C de hoje, né? Então, para todo mundo ficar na mesma página, queria que você começasse contando pra gente o que trouxe a classe C até aqui, o que fez dela essa massa heteterogênea que ela é hoje. >> Opa, que vamos lá. Eh, vamos voltar um pouquinho no tempo, né?

¶13Vamos entender quando, eh, a classe C era bastante invisível eh do mercado, dos políticos, eh dos políticos menos, né? Porque o voto, o voto do Brasil eh sempre foi obrigatório. Então a CL sempre teve uma, uma participação grande, mas há 25, 30 anos atrás a classe sentia algo como 39% da população brasileira. Muitas vezes entrava no mesmo eh bojo analítico dos mais pobres, das classes D, daquele quarto mais pobre eh do Brasil. não estavam eh não eram protagonistas efetivamente.

¶14Eh, isso acontecia por quê? Porque os sonhos deles eram sonhos muito parecidos com os sonhos das classes eh de, né? Era um sonho de de o longo prazo era um longo prazo de uma semana, um longo prazo de até o final do mês. Você não conseguia fazer aquele planejamento tão grande. Quando a gente passou a ter a estabilização da economia a partir do do plano real, a ideia do longo prazo eh começou a mudar.

¶15É, vamos lembrar que até o Plano Real, eh, você tinha uma categoria profissional que hoje não existe mais, era os remarcadores de preço. Vocês lembram os remarcadores de preço? [risadas] Aquelas pessoas falam pá pá pá pá pá. Eh, a única aplicação financeira eh eh que eh que que de alguma forma existia não ia pra classe C, né? Ou a grande aplicação financeira que era o overnight.

¶16O pessoal mais velho vai lembrar o que que era o tal do overnight. Então, o que que acontecia? A galera pegava aquela grana que recebia do salário dela e saía correndo no supermercado. Ela não conseguia nem comparar preço entre os supermercados, coisa que hoje é banal pra gente, né? A gente sabe qual é o dia da carne, o dia eh da frutas legumes e verduras no supermercado, o dia da cerveja que [risadas] que antecede aí que normalmente é na sexta-feira, que são aqueles dias que tem aquelas promoções pontuais no supermercado.

¶17Isso não existia porque a não existia aplicação financeira melhor paraa classe C do que estocar alimento, né? você tinha aqueles freezers enormes, né, que guardavam aqueles pedaços de carne gigantescos, porque eles tocavam alimento, o dinheiro não valia mais. Então essa mudança começou com o controle da inflação, mas até aí não existia uma política clara de distribuição de renda no Brasil. >> Uhum. >> E o Bolsa Família foi bastante importante para pra classe Crescer.

¶18Ah, Renato, mas a classe C não tem renda pro Bolsa Família? Não tinha mesmo. Só que o cara da classe D que recebeu Bolsa Família e passou a receber o Bolsa Família gastava o dinheiro aonde? Gastava o dinheiro na no mercadinho do bairro. Quem é o dono do mercadinho do bairro?

¶19O cara da classe [risadas] C, que contratava mais gente para trabalhar e atender essa população, que era da classe C. E se o mercadinho [risadas] vendia mais, ele pedia mais da indústria que contratava mais gente para produzir. Quem eram essas pessoas? Era a classe C. Então, o Bolsa Família teve um efeito na economia eh de virar eh um, como é que eu vou dizer assim?

¶20E eh era um ciclo virtuoso de na prática que vinha de baixo para cima. Tá? Eh, então, muitas vezes as pessoas avaliam o Bolsa Família pela lógica eh das pessoas que pararam de eh de não ter o que comer. O Bolsa Família pela lógica de quem saiu do mapa da F e não do papel econômico que o Bolsa Família tem. >> Uhum.

¶21Teve um outro fator que também fez com que eh a classe Crescesse muito. Bom, nós falamos da do controle da inflação, nós falamos do Bolsa Família colocando dinheiro na base da economia e girando, mas teve o que talvez tenha sido o mais importante fator paraa classe C virar essa potência econômica e política que é hoje, que foi o aumento real do salário mínimo. o aumento real do salário mínimo e bota o dinheiro diretamente na na economia. Então, você passou a ter eh eh um pedreiro casado como empregada doméstica, que passava a fazer parte efetivamente da classe C, uma renda efetiva de eh de classe C. Então essa [risadas] classe C foi asendo, foiendo aí eh durante os anos 2000 até 2012, 2013.

¶22Eh, ela e o que que mudou nessa classe C? A perspectiva de futuro. É uma classe C que aprendeu a sonhar, a sonhar com o filho na universidade, a realizar a ideia do filho na universidade, eh a viajar de avião pela primeira vez. Quem não lembra da classe A falando este aeroporto virou uma rodoviária? [risadas] Quantas vezes assim eu eu fiz grupos de pesquisa para companhias aéreas com pessoas da classe A e que chegavam essas pessoas.

¶23Falou: "Mas como é que você sabe que essa pessoa é de baixa renda?" Ah, é só ver, tá de camiseta, fica socando as coisas com todo aquele preconceito que vinha eh eh desse processo de de ascensão econômica de uma parcela importante da sociedade. Aí foi chegando em 2013. 2013 começou a acontecer um fenômeno interessante para a jornada de 2013. Talvez tenha sido a grande virada aí desse eh desse processo, porque ela não queria mais saber, a classe C eh não queria mais saber de viajar de avião pela primeira vez. O filho já tava na na faculdade, ele queria saber de pagar boleto e as contas foram chegando.

¶24[risadas] Vamos lembrar que teve uma expansão de crédito muito grande também. E e se ela eh tinha certeza que ela melhorou de vida por conta dela, do seu trabalho, do seu esforço, ela também tinha certeza que ela piorou de vida por causa do Estado, por causa dos governos e não necessariamente do governo do PT, de todos os governos. Vamos lembrar que depois da eleição de 2014 [risadas] a gente teve uma rapa aí, um monte de senador, ex-governador, não foi eleito senador. Nós tivemos grande nesse nesse 2014 foi um processo aí de de mudança grande de quem ocupava cargos eh nas eleições majoritárias. Bom, eh, e aí ela foi cair, foi diminuindo a renda, foi diminuindo a perspectiva.

¶25E se tem uma coisa que eu aprendi nesse 1/4 de séculos, tô tô me sentindo velho, mas nesse 1/4º de século estudando a classe C, é que perder dói muito mais que deixar de ganhar. Aí ela começou a perder e ela começou a sofrer. Porque alguma coisa é você viajar de avião pela primeira vez. Você conheceu, você conheceu o aeroporto, amigo, você não quer voltar pra rodoviária, [risadas] você você começou a, a, a a perder potencial de compra, não conseguir comprar as marcas nobres e tudo mais. E isso foi caindo e veio a pandemia.

¶26E a pandemia foi o auge do problema da classe C, porque o desemprego aumentou e boa parte das profissões da classe C eram profissões que não pararam na da pandemia, né? Então você você tinha o cara do o caixa de supermercado, eh você tinha os trabalhadores de correio, você tinha uma série de pessoas que que [risadas] passaram aí a a a a tá na rua, tá botando a cara tapa no no processo de pandemia e e com isso se frustrou e agora começa uma retomada. Desculpa, foi longo, eu sei. Mas a pergunta também, né? O que que aconteceu na classe C dos últimos [risadas] 25 anos?

¶27Exigia essa essa linha do tempo aí contando [risadas] essa essa história? >> Mas fica à vontade, por favor. >> Eh, Renato, vamos lá. Eu eu gosto muito dessa separação que você faz, que é uma história em duas partes, né? Eh, a grande o grande processo de ascensão, na qual os principais marcadores são o Plano Real e o Bolsa Família.

¶28Eh, e aí uma segunda parte que é o choque de realidade e e o marco di devisor é 2013. E acho que fica muito claro, óbvio, o país entrou em convulsão. A gente, evidentemente, tem várias questões econômicas aí, né? A a crise de 2008, enfim, a gente não precisa entrar na na economia, mas eu quero entrar na política. Eh, existe um choque, me parece.

¶29Eh, vamos, vamos começar, tipo, vamos pegar esquerda e direita, né? O o que se chamava de direita até até 2014, até a eleição 1 de 2014, era a aliança do PSDB, que é um partido que nasce socialdemocrata, com um pedaço do antigo PSD, do PSD lá dos tempos do Jcili no Cubcheque e tal, que é a turma que desemboca na Arena, depois no PDS e depois vai fazer o PFL. aquilo ali faz um grupo super tradicional político brasileiro, eh, que é esse grupo representado por chefes políticos regionais, mais um um grupo de intelectuais da USP. Eh, eh, essencialmente isso era a direita brasileira. Aí tem aquela coisa de o o Alkmin e o Aécio sendo vaiados nas passeatas do impeachment da Dilma.

¶30Ali tem um corte 2015 e virada para 2016. O impeachment da Dilma meio que marca um corte e aí a partir dali vem a ascensão do Bolsonaro. Quando eu falo com pessoas de esquerda, eh, políticos e, e militantes informados e, e instruídos, gente que entende, não é apenas a turma da militância, eh, eu sempre sinto um certo, eh, ressentimento de a gente deu tanto para eles, por que que eles não gostam mais da gente? Às vezes eu ouço quando a pessoa é mais marxista, aquela explicação marxista mesmo, entendeu? Não, isso é alienação política, que é o sujeito que vota contra os interesses da sua própria classe.

¶31Isso é falta de consciência de classe por marxismo. E tá tudo bem. É, é uma é uma explicação, tá há dois séculos aí no no vocabulário de um pedaço da esquerda. eh, mas fundamentalmente não conseguem entender como o sujeito pode ser pobre e ter preocupações, que são essencialmente preocupações para seguir no vocabulário marxista burguesas. Agora, ao mesmo tempo, eh, de fato, houve um encontro ali de um pedaço da direita, que é um pedaço radicalizado da direita em 18, representado pelo bolsonarismo.

¶32Não sei se tá tanto lá quanto já teve, mas esse troço, evidentemente, é um fenômeno que existiu. E e a maneira como o bolsonarismo trabalhou eh esse apoio e buscou esse apoio foi literalmente ensuflar o ressentimento. A culpa é deles, é, é tudo que vocês perderam, tudo que vocês não ganharam. Eh, mas não tem uma tese a respeito do que que a classe C é. O bolsonarismo sabe vender o inimigo, não sabe vender um sonho.

¶33E e a descrição que você faz no livro essencialmente é, cara, não existe classe no Brasil. E a gente tá falando de metade da população, não existe grupo de brasileiros mais em busca de uma aspiração, eh, mais em busca de um sonho, mais em busca de por que que a gente tá com uma política tão negativa quando essencialmente essas pessoas querem sonhar, sonhar com ascensão burguesa, tá? Mas é sonhar, >> cara. Que que legal. Eh, vamos vamos por partes aqui.

¶34Eh, primeiro, [limpando a garganta] eh, o que a gente teve foi uma direita que, eh, que é uma aglutinadora desse ressentimento, uma aglutinadora do do do ódio, uma extrema direita que fez isso e que puxou a direita, né? A direita deixou de existir. Ela foi, aliás, eu, eu particularmente tenho uma tese de que falta direita no Brasil. É, o pessoal fica meio puto quando eu falo isso, mas falta uma direita que que que dê para ter algum tipo de debate racional nesse [risadas] nesse processo, né? Não é?

¶35Mas mas vamos lá. A a partir do ressentimento, a extrema direita puxou isso. Nós vamos entender o porquê foi, vamos lembrar das frases que algumas personalidades de esquerda históricas do movimento sindical inclusive falam. Nossa, eles não foram gratos. Acho que tem alguns problemas com isso.

¶36Primeiro problema é uma posição vanguardista, né? Tipo, eu fiz tal. O segundo é chamar a população de eles, quando a função do governo é representar todos. Se se você cria uma distância que sempre foi a característica do Lula, o Lula era um deles. Você você fazia pesquisa sobre eh sobre a ascensão do Lula?

¶37Não, o Lula é dos nossos. O Lula passou pelo que a gente passou. O Lula sabe das coisas. Quando você passa a colocar as pessoas e e os mais pobres como eles, você dá a chance da extrema direita chamar os outros gênes, né? Porque [risadas] você se tem um cara aqui que me chama de de e eh eh eu sou outro, então ele também é o outro.

¶38Então [risadas] alguém que fale aqui para mim, olha, eh eles são responsáveis por você tá assim hoje? é um discurso que tem bastante eco. É um discurso que tem bastante eco. Eh, acho que faltou também e e e a direita, a extrema direita, cresceu na classe C, inclusive, não apenas como o o aglutinador do descontentamento. Ela cresceu como na ausência de uma venda de perspectiva, de sonho.

¶39A noção de tempo que fez a classe que mudou a classe C no começo da década, assim no no no nos anos 2000, ela foi perdendo a força depois. E vamos entender o que é o tempo. E é isso que eh eh a direita não, desculpa, a esquerda não consegue entender. O tempo é o grande ativo econômico da classe C. é o tempo que decide, faz a classe C.

¶40Eh, eh, eh, dividir assim, o que eu ganho na CLT faz sentido aqui ou não faz sentido aqui? O o custa, [risadas] o preço de não ter a minha filha trabalhando é não ver eh, desculpa, de eu não conseguir sair do trabalho para dar almoço paraa minha filha ou para ir na conversa da escola, porque eu trabalho de 8 horas de uma forma engessada, mais uma hora para ir, mais uma hora para voltar, que aliás é um trabalho não pago. esse tempo. Dá tudo isso para te responder, Pedro, de que eh a esquerda não sabe hoje oferecer perspectiva e não entende que o tempo virou o grande ativo econômico dessas. E se você não entendeu o que é o tempo, você não entende o empreendedor, você não entende o o trabalhador plataformizado, você não entende a lógica da economia de atribção das redes sociais.

¶41Então, como a esquerda ou o governo não entendeu o tempo, ela não consegue entender em que tempo vivemos e com isso ela se distancia eh eh um pouco dessa nova eh dessa nova classe C. Agora, eh, Renato, nesse sentido, eh, embora atinja um pedaço pequeno relativo a essa classe C, me parece que a pauta da escala 6x1 eh encosta neste aspecto, né? Então, ela não afeta diretamente todos os trabalhadores, porque não é não são todos que estão numa numa num regime CLT, mas simbolicamente e até aspiracionalmente a conversa passa a ser sobre tempo, sobre tempo de trabalho e tal, não é exatamente sobre o tempo da do empreendedor e nem resolve o problema, por exemplo, da perda de tempo em transporte público, eh, da perda de tempo em fila de hospital, esse tipo de coisa. Mas de tudo isso que a gente tratou até aqui, me parece que eh é a única, é o único respiro que a esquerda vem apresentando eh de interlocução direta com uma demanda deste pedaço da população. Eu queria te ouvir um pouco sobre o que que você acha que esta pauta pode fazer simbólica e politicamente e depois na prática, porque eu acho que são dimensões bem diferentes, inclusive porque na prática ela não tá nem aprovada ainda, né?

¶42O o fim da escala 6 por1 não foi não avançou ainda porque tem entraves de outros interesses e tudo mais. E e a outra coisa que eu ia dizer, muito bem, a esquerda tem consegue tratar desse tempo, mas e a direita consegue? Em onde que a direita, a direita trata desse ressentimento na chave do tempo ou em que outras chaves? Eh, a gente tem estudado muito a questão eh da do fim da jornada 6x1. eh >> fizer uma pesquisa para FIESP, para um monte de cliente privado para para tentar entender mesmo o que tá por trás desse sentimento, não apenas pela lógica da política, tá?

¶43Mas pela lógica do que [risadas] isso interfere na vida das pessoas, porque eh tem uma coisa que que alguns analistas políticos esquecem, é que o o o eleitor não é uma célula. O o eleitor é um formado por um conjunto de pessoas que tem sonhos, que tem medos, que tem boletos, que tem e se você não entende essa lógica, dificilmente você consegue dialogar com esse eleitor. Eu tenho feito um movimento lá na minha coluna do Globo de tentar mostrar sempre pela lógica das pessoas o como que que que esse debate eleitoral tá tá sendo feito. Então, a jornada 6 por1 é a principal arma eh que o governo tem para buscar a reeleição do presidente Lula. E para vou dizer algo que talvez chove um pouco, mas é melhor pro presidente Lula que a jornada não seja aprovada agora.

¶44É melhor pro presidente Lula que isso seja um tema de desf. Se eu fosse marqueteiro do do Lula, eu falaria: "Faça um uma um projeto de lei de iniciativa popular ou um projeto de referendo para depois das eleições as pessoas poderem eh votar e transforma isso numa campanha eh assinatura na rua, forcimento dos caras, porque aí a esquerda vai, desculpa, a direita vai eh vai falar que também apoia, mas não é muito crível, né? as pessoas não não acham muito crível depois das declarações as declarações de de tanta gente eh falando isso. Isso é um um uma forma de tentar botar a eleição no campo, o tema da eleição, o campo de batalha da eleição, eh, em algo que favorece o governo. historicamente, se se o campo da da eleição fica no terreno dos costumes, isso favorece direito.

¶45>> Uhum. >> Se fica no terreno da função do Estado eh e de uma economia a partir do Estado, isso favorece eh, a esquerda, né? Então, eu acho que o movimento do governo é colocar e eh traçar o campo de batalha para isso. E aí já soltando a bola para pro outro papo, vamos, quando você fala do fim da jornada 6 por um, vamos lá, assim, eu [limpando a garganta] tenho 1/3ç de pessoas que aconteçam o que acontecer vão votar no Lula e 1/ç de pessoas que aconteçam o que acontecer vão votar no Bolsonaro. É, eu sou eu sou adepto da política de que a calcificação é de areia, que nós temos mais gente com mais eleitores do que 3 ou 4% que estão efetivamente em disputa nisso.

¶46Mas então, se a gente for pegar esse 1/3, o que que a gente tem? Você a favor ou contra o fim da jornada 6 por1? 2/3 são a favor do fim da jornada 6 por1. Bom, tudo bem. e e e a direita não tem por onde caminhar, tem a redução da maioridade penal.

¶472/3 dos defendem a redução da maioridade penal. Então, eh essa essa e são duas bandeiras possíveis de se colocar no campo eleitoral em que você acena para esse meio que tá em disputa. Eh, inclusive na classe C, inclusive na classe C, tá? Então, eh, só para, só para entender, é uma disputa do tempo, de um lado, e uma disputa eh eh de uma visão sem juízo de valor aqui, não tô entrando no mérito, tá, da disputa, mas mais punitivista, na falta de palavra melhor pro fim da da jornada seis, desculpa, pro fim da pela redução da maioridade penal. Mas aí, mas só para retomar o, é porque faltou um pedaço da resposta que eu queria eh eh insistir com você, porque >> embora a eh a redução da jornada seja algo que eh como eu falei, simbolicamente afete [roncando] muita gente, na prática não afeta eh 2/3, três eh toda a população da classe C.

¶48Tem muita gente na classe C que não é CLT. Por que que você acha que este é um tema que mobiliza ainda assim? De que maneira quem tá plataformizado ou tá empreendendo eh eh, né, os microempreendedores se relacionam com esse tema? Porque uma das um dos consensos que foi se formando ao longo que foram se formando ao longo desse debate é o de que bom, eh, mas isso isso só conversa com quem é CLT de fato e ainda assim tem uma um apoio amplo eh na população. Então, na prática, o que que isso significa para essas pessoas de classe C que não necessariamente tem carteira assinada?

¶49Eu vou vou vou responder, Flavinha, e depois falar um pouquinho do plataformizado, do >> Todo mundo, todo mundo, todo mundo é muita gente, né? Assim, boa parte da classe C, >> ela tem e alguém da família que trabalha de C. >> Uhum. >> E o tempo é um ativo familiar também. Ela ele não é só um ativo individual, >> tá certo?

¶50Então, quando você passa a ter alguém que e estamos falando de um casal, por exemplo, >> Uhum. >> Eh, que um dos dois trabalha com CLT e o outro não, alguém tem mais mobilidade e o outro tem menos mobilidade. Eh, você tem uma outra questão do fim da jornada eh eh 6 por1, que é a possibilidade, o que que as pessoas vão fazer com tempo? E aí é muito engraçado a diferença de pesquisa quantitativa para pesquisa qualitativa. Na pesquisa quantitativa, a pessoa diz o que vai fazer.

¶51Ai, vou cuidar mais da minha família, eu vou ficar [risadas] eh quando você vai para uma quale, a pessoa eh eh começa a falar o que ela pensa que vai fazer. Uma coisa assim, o legal da pesquisa é quando você consegue sair do que a pessoa diz que faz, pro que ela pensa que faz e daquilo que ela realmente faz. São três dimensões muito diferentes na hora de analisar uma pesquisa. É por isso que é muito importante juntar métodos diferentes eh no processo eh analítico. >> Quando nós estamos lá, eu quando eu tô na casa das pessoas, tô conversando com eh eh com o o o dono de casa, a dona de casa, com a chefe de família ou com o chefe de família.

¶52Eh, e aí não tem jeito, né? você achar que vai resolver numa planeja Excel, o entendimento da população brasileira é o maior erro que que existe. [limpando a garganta] Por isso que eu escrevi o livro em primeira pessoa, inclusive, para contando um pouco das minhas histórias eh eh com com as pessoas. Quando você vai conversar com ele, você vê que o cara vai trabalhar, ele vai fazer o corre dele num mês, ele vai fazer um corre maior, no outro mês, ele vai fazer um corre menor, mas ele vai tá dando um jeito de de eh de conseguir ter uma renda a mais dentro do tempo que tá sobrando. Se você desce um pouquinho pro Bolsa Família, pro cara da classe de e daí fala: "Ah, eu não aguento mais empresário falando para mim, não, porque eu não consigo empregar pessoas porque elas recebem bolsa família".

¶53Aí eu vi, amigo, não sei se você sabe, mas o capitalismo venceu. No capitalismo vale a lei da oferta e da procura. Se eu tenho, se eu tenho muita vaga e pouca gente quer ocupar essas vagas, paga mais, senão não vai fazer sentido para esse cara. Parece que os empresários esquecem que o capitalismo venceu. Mas voltando um pouquinho, a pessoa pode receber um salário mínimo, um emprego de um salário mínimo.

¶54Aí como ela pode receber 600 fal do Bolsa Família se tiver o número de filhos aumenta um pouquinho, só que com tempo para poder ter o outro bico dela, para vender bolo, para fazer entrega, pro E daí o cara fala: "Bom, eu vou trabalhar de quase de uma forma escrava aqui, pegando ônibus para ir, ônibus para voltar ou nem precisa se for no interior do Nordeste, que é o grosso do Bolsa Família. >> [risadas] >> Mas eh por que que eu vou trabalhar 8 horas preso se eu tenho uma segurança mínima aqui e tempo suficiente para conseguir uma renda mais? E se bobear eu vou ganhar um pouco mais até do que um salário mínimo que querem me pagar? Então nós estamos falando de decisões racionais, economicamente racionais, só que tanto [risadas] a classe política quanto os empresários acham que só eles são racionais, né? >> Uhum.

¶55>> Então eles acham que a decisão econômica racional são deles, não? amigo, vai passar uma semana morando na casa das pessoas para você conseguir entender um pouquinho como que funciona o dia a dia. >> Pois é, essa >> desculpa, Renato, pode concluir, eu achei que você tinha terminado. >> Não, acabei, acabei, acabei. [risadas] Eh, não é que essa essa questão da da precarização dos salários é uma coisa que eu eh sempre penso quando a gente fala da pessoa que quer empreender, né, para eu tenho a impressão de que essas vagas CLT tiveram uma redução salarial muito grande ao longo do tempo e com essa questão de jornadas mais engessadas também, assim, eu tenho a impressão de que mesmo que se fosse um emprego das 8 às 5 eh com que tem um horário engessado, mas a pessoa conseguisse ter uma renda para ter um fim de semana minimamente confortável para pagar as contas sem ter que fazer eh os bicos, a gente não teria essa debandada do CLT eh pro empreendedorismo pela segurança da CLT, mas eu sou uma pessoa velha.

¶56Os jovens hoje eles falam da CLT eh já com um certo desdém, mas eu queria trazer essa essa questão prática da classe C, porque eu acho que é o eleitor que vota mesmo de maneira mais prática hoje, como você tá explicando aí, né? Inclusive, o nosso chat tá em chamas eh discutindo isso. O Rafael Petin diz aqui: "Ah, se essas forem, se esses forem fatores, os fatores decisivos dessa eleição, o Lula tá ferrado." Ao mesmo tempo em que a Luciana diz: "Quem fez a classe C foi o Lula". E aí eu queria trazer alguns elementos das suas falas pra gente trazer essa discussão de porque esses são os dois nomes que estão disputando tão fortemente esse voto. Porque você mencionou o Bolsa Família e o aumento real do salário mínimo que vieram em gestões eh do Lula.

¶57E aí o bolsonarismo vendeu essa essa perda como uma culpa do governo Lula, uma culpa deles, né, como você disse. Mas ao mesmo tempo, durante o governo Bolsonaro não entregou soluções práticas para essa população, não entregou políticas públicas, pelo contrário, a gestão da pandemia foi aquilo que a gente acompanhou, né? Eh, para as mulheres da periferia pegou muito a questão das armas também, né, da violência, que para elas é um problema. Aliás, as mulheres da classe C talvez sejam as eleitoras que tomam as decisões mais práticas, né, porque elas vão querer saber eh da creche da escola, do posto de saúde, enfim, é uma uma categoria que tem uma preocupação muito grande com políticas públicas. Ao mesmo tempo tem esse distanciamento do tempo, porque a gente tá falando aí de 25 anos, então a gente já tem eleitoras, mulheres, jovens votando que não vão lembrar de como era quando eh o antes do aumento real do salário mínimo ou antes do Bolsa Família.

¶58Isso eh são direitos adquiridos mesmo e e elas estão completamente certas. Eh, concordo que a esquerda não oferece perspectiva, mas a direita também não oferece. E e a partir dessa desilusão que você mencionou também de 16 e 18, né, que foi aquela coisa da eleição dos outsiders, que a gente teve até o o Bolsonaro eh virando presidente um pouco nessa esteira de a culpa é deles, então vamos escolher alguém que é de fora e que vai resolver o problema. E a gente não tem nenhum dos dois lados. A a esquerda não oferece mais esse sonho, a direita não oferece soluções para essas pessoas.

¶59E ao mesmo tempo a gente tá discutindo esses dois candidatos, né? que você acha que tá acontecendo aí? >> Bom, eh, quando eu comecei a estudar a classe C lá atrás, eh, eu ouvi muito, muitas mães, eh, falando: "Filho, leva carteira de trabalho quando você sair". Eh, se algum policial for te abordar, você mostra a carteira de trabalho e fala que você é trabalhador. Hoje você entra na internet, vê memes mais ou menos assim, CLT, corno, loser [risadas] e trouxa, né?

¶60CLT corno, loser e trouxa. Piadas como o Ah, você sabe o que é eh uma tábua de passar roupa? Ah, claro que eu sei. Então, não, não. Uma tábua de tábua de tábua de passar roupa é uma prancha de surf que virou CLT.

¶61Eh, eu eu tô falando isso porque eh é um erro achar que o empreendedorismo cresceu só ou que o trabalho é precarizado só porque eh eh olhando só para eles, sem olhar a precarização da CLT que se deu nos últimos anos e que também afastou esses trabalhadores da eh do mercado formal. Então esse esse é um ponto. O território contra a CLT ou ou crítico a esse modelo de trabalho é um território historicamente ocupado pela direita, porque é por a extrema direita que é antissistema, não pela direita tradicional. Antisistema não é só antigoverno, é antes a sua vida depender de outras pessoas, é de empresas, não, não os grandes empresários. Mas cara, você vai lá, você vai vencer.

¶62E aí você foi o crescimento dos coaches. Os [risadas] coaches começaram a a crescer no espaço. Tudo isso para contar ou para dividir. O por que que não tem uma terceira via? tem uma terceira via.

¶63Primeiro porque tanto tanto eh e aí longe de equipar os dois lados, mas ambos não sufocam o crescimento de terceiro. Sufocam o crescimento de terceiro. Dois, porque a terceira via é ruim para burro. [risadas] Quem é a terceira via assim? Que qual é a proposta que eles têm?

¶64É uma tese desse tamanho para fazer qual o discurso de futuro que a terceira via tem. Se a gente for pegar o histórico das terceiras vias, ela tentava falar pro mercado financeiro, quando para eleitora de classe C, o mercado, o mercado é o Carrefuro, não tem esse tal de mercado [risadas] financeiro. Ah, não, mas nós vamos deixar as contas em dia. E desde quando o leitor da classe quer saber se ele quer um não é um ponto isso para ele. Quando se fala em estado mínimo, você vai falar para alguém que mora numa favela e e e 60% dos moradores de favela são de classe C, tá?

¶65Eh, você vai falar para alguém que mora numa favela para defender o estado mínimo, o estado mínimo tá na favela, que não tem creche em número suficiente, que não tem escola em número suficiente, que não tem saneamento básico, número suficiente. Na favela, o estado não tem nenhum monopólio da força. >> Uhum. Então, as terceiras vias que foram surgindo surgiram com essa narrativa. Quem é o Luiz Felipe Dava?

¶66Assim, o que eu tô tentando dizer é o Zema que deu todas as declarações que ele que ele deu com relação a isso. Eh, eu não tô não tô desmerecendo essas candidaturas. Eu tô dizendo que essas candidaturas, esse modelo de proposta não é um modelo de proposta que aglutine isso. Eh, eu não acredito sinceramente em terceira via hoje que não parta de alguém que já tem um território próprio. Então, o Luciano Hul seria uma terceira vez, por exemplo, poderia crescer no cenário.

¶67Outro Lula é mais difícil porque eles tem eleitores muito muito comuns, mas ele tem uma característica de alguém que tem personalidade própria. Agora, falar igual o os meus clientes do mercado financeiro, que o Renan Santos vai crescer e vai ganhar do Lula como uma grande terceira via, porque ele vão eh eh [risadas] não me parece muito crível, não. >> Deixa eu levantar uma deixa eu levantar uma tese aqui, Renato. Eh, e como eu leio, você sabe que eu sou liberal e eh que, portanto, extremamente simpático a terceira via que surgiu nos anos 90, aquele encontro entre a socialdemocracia europeia e e o liberalismo. Eh, o como é que eu leio essa situação?

¶68E por favor, me corrija se você achar que eu tô vendo alguma coisa eh quebrada nesse jogo. >> Vou pensar. >> A a CLT, ela não é só tá aqui trabalhador, tome seus direitos, tal. Claro, a propaganda do Vargas vendeu isso, mas era todo um modelo e e é um modelo essencialmente calcado na indústria de manufatura. Eh, ela foi feita para gerar emprego de massa para classe média baixa, ou seja, para pobre que acender a classe média baixa na indústria de manufatura.

¶69Então, você tá falando daquele bando de gente, todo mundo num mesmo chão de fábrica, todo mundo mais ou menos com o mesmo salário, que é um salário muito melhor do que você naqueles anos 40, naqueles anos 50 conseguia no Brasil rural. E é um salário que te permitiria ter uma casinha eh eh na periferia, eh uma uma coisa assim, tipo, é certamente uma vida digna e vinha junto com um sistema S que te dá um clube, te dá uma colônia de férias, te dá pro Brasil dos anos 50 era um modelo muito redondinho. Agora tem um monte de premissas ali e eh nesse jogo, principalmente para esse mundo da classe média baixa. Ele traz um monte de premissas que é o seguinte. Primeiro é de 9 a 5.

¶70Com 30 dias é muito travado, né? É de 9 a 5, todo dia da semana, mais metade do sábado. Eh, e 30 dias de férias e uma aposentadoria no final do jogo. A gente começou a ter alguns problemas. O primeiro problema é que a pirâmide demográfica virou.

¶71Quando você tem muito mais jovem do que velho trabalhando, junta um pouquinho de cada um dos jovens que estão trabalhando, você paga aposentadoria para todo mundo e nenhum estado tem problema com isso. Quando você tem mais velho do que jovem trabalhando, pagar essa aposentadoria vai ficando cada vez mais caro. Cada vez mais caro. E aí você tem que apertar o sistema, apertar o sistema. Isso vai fazendo com que o salário, o o emprego dentro do sistema CLT fique mais caro pro empregador.

¶72Então ele consegue cada vez menos pagar salários que sejam competitivos quando você tem essa coisa no Brasil, que é o um mercado informal. Esse trabalho informal, entre aspas, é uma coisa que na maior parte dos países não existe. Mas como a gente diz que o trabalho informal é CLT, aí você tem aquele negócio todo. Aí entram as plataformas e as plataformas que são sim uma escravidão, por um lado, a gente tá acostumado demais a pensar em transporte e entrega, mas vamos pensar, por exemplo, as plataformas para bombeiro hidráulico, para eletricista e tudo mais. Isso é um baita de um desintermediador.

¶73Eu preciso de um bombeiro hidráulico na minha casa, eu encontro 1 e 10 minutos. Eu não preciso abrir o catálogo telefônico, procurar nas páginas amarelas um anúncio de uma empresa de bombeiro hidráulico e não, eu contrato o bombeiro diretamente e eu ainda pago pro cara com Pix. a quantidade de destraves que tem é gigante. Então, antes, pro cara que era bombeiro hidráulico, a única maneira dele ter trabalho era trabalhar como CLT numa empresa que fornecia serviço de bombeiro hidráulico. Agora ele pula o patrão e oferece o serviço dele direto.

¶74Tem um monte de camadas de dinheiros que eram perdidos na hora dos de e a de o valor pago pelo cliente e o valor recebido por quem fez o serviço. Toda uma cascata de valores sumiram. Ele ganha mais. É claro que ele ganha mais, cobrando menos. Eh, eh, então tem um problema ali de modelo que é ele começa de fato a ter um controle sobre o dia dele.

¶75Ele de fato, é claro que ele não pode trabalhar, é claro que ele não tem um seguro de saúde, é claro que tem uma precariedade ali na vida, mas tem mais dinheiro e tem um controle sobre a sua vida e não tem bronca de patrão. E bronca de patrão é um troço que é de é tão humilhante, cara. principalmente nesse nível, é muito humilhante, eles botam capatás para cuidar, é tudo na base da grosseria, tal. Quer dizer, eu eu acho que com muita eu eu entendo o discurso eh eh que vem da esquerda, que é a dignidade, isso e aquilo, mas tem uma hora que tem uma parte prática que é o seguinte: o salário de CLT custa muito caro e você tá concorrendo com um mercado cada vez mais disputado, [suspirando] não dá para você pagar via CLT, com todas as cargas que você tem em cima, um salário equivalente ao que a maior parte dessas pessoas conseguem eh eh [risadas] ganhar fora desse jogo. [roncando] E como você tava falando, essas pessoas sabem perfeitamente fazer conta.

¶76Talvez se você vá trabalhar numa farmácia, você não tem escolha. Farmácia é um negócio regulamentado, só tem um caminho ali para via numa farmácia, no supermercado, né? Só existe o mercado formal. Agora, para boa parte dos serviços, existe o mercado informal. Você em 4 meses já é um eletricista bastante decente, já era um bombeiro hidráulico bastante decente.

¶77Não é muito que você precisa investir para aprender a fazer aquilo, para pegar uma motocicleta e fazer uma entrega, para pegar um carro e dirigir pras pessoas, para começar a fazer conta, putz, se eu sair do PO e for para um Corolla, eu já vou para Black. Isso quer dizer tanto dinheiro a mais, eu posso começar alugando. E você começa a encontrar aquelas histórias que não são muitas, mas que existem do cara que já tá com dois carros, já tá com três carros. [suspirando] Jogar por fora da CLT é a perspectiva de crescimento. >> Vocêó, só deixa só terminar o raciocínio eh jogar fora da CLT quer dizer, eu tenho uma chance de crescer, enquanto que se você for trabalhar no supermercado, o máximo que você chega gerente, você vai ficar na mesma faixa de renda pelo resto da sua vida.

¶78Se você tá na CLT e não tem um diploma eh superior, muito provavelmente a sua vida é uma vida de não crescimento. Talvez segurança, eu não sei se segurança vem, não, acho que cada vez menos, mas é não crescimento. E quando você dá o gosto, como boa parte desses brasileiros tiveram, de o que que é acender socialmente, você não quer perder aquilo. Você quer voltar a acender? Você quer acender mais?

¶79Você quer ter casa no campo? Você tem quer ter carro bacana? Você quer ter empregados em casa, você quer ser doutor, né? Eh, como é que faz para encontrar isso? Para me pare a mim parece tão evidente que a CLT deixou de ser atraente, sabe?

¶80Lu, vai lá. Eh, primeiro, desculpa que você fez uma pausa, eu achei que você tinha terminado, mas eu ia dizer que, na verdade, essa categoria de profissionais que você descreveu do bombeiro hidráulico, desses serviços de reparos, eu lembro, sei lá, desde que eu me lembro de de fazer as contratações, eu sempre fiz assim por indicação e contratando direto para com a pessoa e pagando para ela. E e quando eu era criança em casa também, muitas vezes era o um funcionário do condomínio que fazia um serviço por fora e recebia esse dinheiro por fora. Eh, em relação às plataformas, tem um contraponto também que é a falta de transparência do quanto esses profissionais têm que deixar pras plataformas, né? Porque mais de uma vez eu já ouvi motoristas de Uber, por exemplo, reclamando que eu paguei R$ 40 numa corrida e eles receberam 15, receberam 20, porque a gente não tem acesso a esses números também para saber o quanto daquele dinheiro que a gente paga para essas plataformas tá realmente indo para esses profissionais.

¶81Então também não é um dinheiro que eles tiram limpo e falta muita transparência nisso, né? Eh, eu não tô sugerindo que seja uma panaceia não, mas é uma sensação importantíssima de que você tem controle sobre o jogo. E só quanto a a coisa dos outros serviços, eh, é claro que a recomendação existe, mas quando você soma o WhatsApp com Pix, com plataforma, é, é, é, é o mundo ao limite, tem muito mais oferta de trabalho do que existia antes. é, você não precisa construir necessariamente uma reputação e numa numa quadra, num quarteirão, num prédio, numa coisa assim, entendeu? Você consegue eh fazer capturar um um mercado muito mais amplo.

¶82>> Mas eu acho que isso tá muito mais no WhatsApp do que na plataforma. Por exemplo, se eu precisar de um bombeiro hidráulico hoje, eu vou jogar no grupo das minhas amigas, falar: "Gente, alguém tem alguém para indicar e vai chegar um contato e eu vou pagar por Pix também". Funciona igualmente. Funciona igualmente, Renato. >> Amigos da classe média, vamos lá.

¶83[risadas] Eh, o livro tem algumas teses, né? E e uma das teses é eh de novo tudo que a gente tá falando tem a ver com tempo e e tá falando de que o poder mudou de mão. Então você tem uma primeira década que foi a década de ascensão, mas que o poder tava nas políticas públicas que levavam essas pessoas a acender. essas políticas públicas não eh dialogam com os novos anseios e não resolveram um overpromise que a fase anterior deu. O overpromise eh eh de um futuro garantido, overpromise eh eh do salário ser a resolução da da vida dessas pessoas, o overpromise de uma aposentadoria digna que fosse capaz [risadas] de resolver isso.

¶84E nós temos, na verdade, a a aquela aquela eh menina próunista que foi que foi a primeira universitária da família, achando que ia virar doutor e virou balculista de farmácia, tá? Então, [risadas] a gente dessa dessa realidade e e à medida em que você não resolveu novas demandas ou ou deixou de dialogar com o futuro, você o o o estado, não tô falando de governal, é o estado perdeu eh perdeu o poder. Então, acho essa essa uma questão. A outra tese é a questão do tempo. Vamos pensar o que era empreender há 25 anos atrás.

¶85Era vendedora da Natura e da Avon. Porque eles não tinham dinheiro, eles não tinham dinheiro para comprar ou alugar um espaço. Naquela época se vendia o ponto, o pessoal mais velho vai lembrar disso. O ponto comercial era algo vendido nesse [risadas] processo. Eh, você não tinha dinheiro para montar aqui e se você montasse um pequeno negócio, você ia vender pro entorno.

¶86Isso deixou de existir necessariamente se você quiser empreender. Esse é o esse é o o o primeiro papel. Dois, o que que as plataformas prometeram? Dizem intermediar mercado. Você depende de você para eh eh para conseguir uma grana a mais, para rolar mais e você passar também a ser dono do próprio tempo.

¶87Isso ganhou uma força muito maior durante o processo de pandemia. E quando a gente vai falar das plataformas, a tendência natural é a gente olhar para aquilo que bate na nossa porta, que é o entregador, ou para aquele transporte que a gente usa, que é o Uber. A gente poucas vezes pensa no que é aquela vendedora de bolo que passou a vender pelo iFood. a quantidade de dark kit assim de de cozinhas e f que a pessoa cozinha na casa dela e passa a vender para todo mundo e faz um logomarca no Canva. A filha dela mais nova faz, bota essa logomarca lá no cara e essas pessoas não faliram durante a pandemia por causa das plataformas.

¶88Então, a pandemia e foi na pandemia que o Pixy surgiu também, que aliás vamos lembrar que o auxílio emergencial só era pago para quem tinha conta bancária e você recebia o auxílio emergencial, você só podia sacar o dinheiro um mês depois. Se você quisesse tirar o dinheiro antes, você tinha que fazer um Pix. Então, obviamente que isso forçou a barra para ter o crescimento eh gigante do do Pix, tá? >> A gente vai pensar hoje no e-commerce. Quem você acha que entrega uma compra do Mercado Livre na tua casa?

¶89Você acha que é um caminão do Mercado Livre? Só você comprar uma televisão. Porque se você comprar uma pilha, é um microoperador logístico. Sabe o que que é uma microoperador logístico? O cara tem um quarto sobrando na casa dele, ele entulha de coisa, vira um estoque e vende para um raio assim, entrega a compra num raio de 3 km.

¶90Esse cara muitas vezes tem duas motos fazendo essa entrega, três motos fazendo essa entrega. Que é um pouquinho maior é o é o carro do cara. Então não é só o bombeiro hidráulico. O bombeiro hidráulico é o que fala pra gente, mas assim, você tem um uma economia que tá sendo colocada aí gigantesca. A parte de entrega vai começar a ser cada vez mais questionada.

¶91E não é só questionada pela parcela do do dinheiro que fica com as pessoas eh que fica com a empresa, vai ser questionada porque a pessoa só recebe mais se ela fica em determinado horário ou se ela fica em determinada região. Então aquele ativo que era o controle do tempo, que foi uma das coisas que levou a plataforma, deixa de existir. Se a plataforma só te paga mais se você trabalha no horário pedir pico, né? no horário que ela tem eh eh ela tem demanda. Aí o governo, ao invés de virar para esse cara e falar: "Meu amigo, você que tá ganhando a vida, você é um precarizado, você não entende nada da sua vida, quem entende sou eu, que é o que o governo fala, né?

¶92Ô, você é um precarizado, você não entende nada da sua vida". Eh, ao invés de falar isso, ele podia falar: "Olha, eu tô ao seu lado para cobrar das plataformas que ela não faça diferenciação do que ela te paga através dos horários para financiar veículo pro cara do Uber, que hoje tem que pagar aluguel e que se fosse um veículo elétrico, não só pela questão da sustentabilidade, é porque assim, em 3 anos a economia que esse cara faz de combustível, mais o carro dele de entrada, ele compra um carro novo." Então assim, eh eh tem como falar pro empreendedor, você tem como falar pro empreendedor por crédito? Você tem falar falar como um um um processo de de defendê-lo contra alguns eh algumas práticas eh da das plataformas. São todas minhas clientes, tá? Então, falo com falo com outra qualidade, são todas minhas clientes, mas eh tem formas de começar a a lidar com isso de uma forma bacana.

¶93E última coisa eh vamos entender qual foi por que o sonho da universidade era o grande sonho da classe C, porque era garantia que ia ter dinheiro. >> Uhum. >> Ninguém sonhava. Porque assim, o cara da classe A que tem um pai universitário, uma mãe universitária, ele já sabia que ia fazer a faculdade. Aí ele entra em turismo porque ele acha bacana.

¶94Aí ele muda paraa gastronomia e no final acaba em administração. Assim, a lógica do universitário da classe A é muito diferente da lógica em que eh o diploma significava um acesso ao mercado de trabalho. Muitas vezes era um era um um sinônimo da carteira assinada que tinha eh que tinha para isso. O que que a gente começou a a a entender isso? A barreira de entrada para você trabalhar como plataformizado é muito menor do que a barreira de entrada para você trabalhar numa fábrica.

¶95Você pega sua moto e entrega. Você abre a porta da sua casa e começa a fazer. Você você você abre a sua cozinha e começa a cozinhar e a e e e a vender. Você não precisa e desse esforço todo de educação. Isso é uma parte.

¶96A outra parte é que a diferença salarial entre quem tem diploma e quem não tem começou a cair, a ficar cada vez menor nesse nesse processo. Então você você olha os números de IBGE, eles eh eh vai fechando, vai afunilando eh por causa disso. Agora é um erro e aí a direita erra em achar que esse cara não quer direitos. Porque se esse cara eh eh eh fica doente e fica duas semanas sem trabalhar, você ferrou o orçamento do mês. Não tô falando só da aposentadoria, não.

¶97Tô falando de coisas [risadas] correnteiras, do do trabalho autônomo, de quem recebe, literalmente recebe por dia. o microsseguro não pode resolver isso. O microseguro resolve isso. O microseguro que cada um arca um pouquinho, Você pode ter um microeguro de acidentes pessoais, você pode ter modelos de previdência privada que dialogam com esse cara, esse cara vai ter noção do que ele vai receber. Então, eh, não é só uma questão de eh o maior erro, acho que da esquerda e da direita, é colocar a CLT como salvadora da pátria ou como vilão.

¶98A classe C não pensa assim. A classe C não pensa em estado mínimo ou estado máximo. Ela quer um estado que funcione. E e essa busca para um estado que funcione é o que acaba orientando o voto eh da classe C. Isso é um pouco do que a gente tem aprendido aí nos últimos 25 anos.

¶99Flávia, >> diante disso, Renato, eh me pergunto um pouco eh o que que o que que significa em 2026 o Estado funcionar diante de uma dicotomia que eh parte da parte da academia já superou, mas que foi consenso por um tempo de entender que as políticas do sociais, principalmente dos governos do PT, foram de inclusão via consulto. que é algo sobre o qual inclusive o Lula fala muito abertamente. Eh, enfim, eh, mas falhou em não incluir eh via educação. Já há eh papers debatendo isso, não é não é uma coisa tão fechada, não é? Mas eu eu resgatei um pouco essa ideia antiga [limpando a garganta] porque eu acho que tem a gente isso isso sendo superado, a gente hoje tá falando eh de que tipo de estado, de que tipo de política pública.

¶100A gente sabe que quando a gente fala principalmente de mulher aqui eh de classe C, né? Porque sempre que se fazem os recortes de quem vai decidir eleição, um dos que mais eh aparecem é a mulher de classe C, né? Então, é a classe C um todo, mas particularmente a mulher, porque as mulheres são maioria do eleitorado em primeiro lugar. Em segundo lugar porque as mulheres eh estariam mais antenadas com o que o que é a política pública que atende eh a sua família. E aí isso inclui o homem, a criança, o idoso da casa, enfim, todas as as faixas eh etárias ali presentes e eh os gêneros.

¶101E aí eh uma das coisas que eh ficam sempre eh no ar é bom, a mulher quer ver o filho na escola e não quer ver o filho ou ela própria sofrendo e a filha, né, os filhos e e ela própria sofrendo assalto na rua. Então, é uma perna da educação, uma perna da segurança pública, eh, e fila de hospital, né? Fila de atendimento médico e tudo mais. faz para mim um pouco essa essa esse desenho do que que você entende que nesses 25 anos é principalmente com o foco na mulher, mas se você quiser ampliar, o que que é esse estado eficiente para pra classe C? Eu vou eu vou mergulhar na mulher daqui a pouco, Fláviã, mas vou tentar resumir um pouco a questão do do estado.

¶102H, o livro defende uma tese eh de que nós temos que ter uma escuta radical. >> Uhum. >> Uma escuta radical das pessoas. E o que que [risadas] significa eh ter uma escuta radical? essa pessoa, mulher, homem, esse brasileiro, eh, ou esse pagador de impostos, como alguns gostam de dizer, que mas ele se esquece que todos pagam impostos, né?

¶103Que o imposto do Brasil é de consumo. Então, [risadas] e a empregada doméstica que trabalha para ele é tão pagadora de impostos quanto quanto ele. Mas vamos entender esse esse eh esse processo. Que que é uma escuta radical? Ela pede um uma pizza.

¶104E eu tenho no Brasil hoje mais de 100 milhões de pessoas que pedem pizza por um aplicativo. Recebe a pizza dela aqui e avalia se a pizza foi boa ou ruim. Avalia se a se a a a entrega foi boa ou ruim. Quando ela chega num num posto de saúde ou numa repartição pública, qual é a primeira coisa que ela encontra? uma placa escrito: "Agredir funcionário público é crime previsto em lei." Ela não vê uma placa, o direito à saúde é o direito garantido por lei.

¶105Ela vê o estado sido contra ela. Ela podia encontrar um Qode em que ela colocava o QR code na porta da repartição e falou: "Olha, aqui devia ter quatro médicos". e ela dizer se tem ou não os quatro médicos enquanto tá tendo tempo de de [risadas] solução do problema ou não. E isso ser um grande diagnóstico, um grande mapa pro governo federal, pro governo estadual e pros governos municipais avaliarem efetivamente se a política pública tá chegando a quem mais precisa. >> No Recife tem isso, né?

¶106>> Se a ambulância tá chegando não. Oi? >> No Recife tem isso, né? >> O João Campos implementou isso. >> O Recife tá mandando bem para Assim, tá super bem.

¶107Recife tá mandando Superman. No Recife, você avisa no Recife eles recebem pro pelo aplicativo. Se você para, ó, isso é vacinação. Você recebe pelo aplicativo. A a a Natólio, agora você pode eh você cumpriu, você fez aniversário, parabéns, agora você pode andar de graça de ônibus por ônibus.

¶108Então é assim, é uma é uma política ativa do governo, porque nós não vamos romper eh eh com o distanciamento entre governantes ou governados. Se você não chamar os governados paraa participação do Estado e das políticas públicas, você tem que chamar o cara para avaliar, mas para fazer orçamento participativo, para ter poder. O empoderamento que é um outro fator das plataformas, tá? Tanto pro usuário quanto para quem para quem trabalha pelas plataformas. Você teve empoderamento, empoderamento de votar, empoderamento de escolher.

¶109Esse poder não tá chegando nas decisões do dia a dia do Estado. Então você sente [risadas] que você tá indo para um lugar que a pessoa tá prestando um favor para você e ninguém quer mais favor para isso. Então isso é uma lógica do do de um estado eficiente a um estado que passe por uma escuta radical da população brasileira. Essa população precisa sentir que o estado é dela, se apoderar desse estado, fiscalizar. Imagina se se as emendas Pixs ou se o orçamento secreto fosse dito e que o as pessoas pudessem ir lá e falar: "Ó, isso essa obra chegou aqui não chegou ou não.

¶110Esse [risadas] dinheiro chegou aqui ou não chegou?" Pessoal, as redes sociais cresceram, o o Mercado Livre cresceu em cima de avaliação. Você sabe se um produto é bom ou não? Ou se uma loja é confiável ou não? Pela recomendação que as pessoas fazem. Então você, isso é o século XX, isso eu vi a população no século XX.

¶111>> Muito bom. >> Acontece que boa parte das políticas públicas são analógicas com o eleitor que passou a ser digital e aí você não consegue trabalhar com isso. Bom, isso é uma coisa. Qual outra coisa é as mulheres, tá? Eh, vamos entender o papel que essas mulheres têm.

¶112>> Posso Posso interromper? >> As mulheres? >> Claro, claro, claro. Por favor, >> desculpa, é que eu quero eu quero injetar aqui uma um botar um enxerto na pergunta da Flávia. Eh, talvez, Flávia, me perdoe, mas eu acho que não não só é muito interessante entender a cabeça das mulheres da classe C, mas é igualmente interessante entender a tensão entre os gêneros na classe C, porque obviamente existe uma tensão, o que que é o lugar do homem?

¶113O que que é o lugar da mulher? Se por um lado o discurso feminista tradicional bate mal na classe C, as lutas me parece que obviamente estão lá. A a o o o desejo por que desde coisas básicas como fim de violência doméstica, etc. Mas eh compartilhar trabalho em casa, tudo mais. Quer dizer, se o vocabulário feminista bate mal, as lutas ou a ou os objetivos das lutas me parece que tão lá.

¶114Agora, ao mesmo tempo, eu sinto que nos homens tem isso, eu ouço muito, Renato, uma coisa de putz, eu tô me ferrando aqui e todo mundo acha que eu sou bandido, né? Eh, tipo, não existe mais política pública para homem, não se pode mais falar de direito de homem. Eu tô aqui ralando, tô me acidentando, tô me ferrando. Eh, eh, eu sou contra tudo isso. Quer dizer, mais do que uma conversa sobre quem é essa mulher, eu acho que existe uma conversa sobre a tensão que obviamente existe entre os dois gêneros.

¶115Opa, >> super concordo com e e vamos vamos pensar junto aqui as as duas questões. Eh, nós temos um homem que sente que [risadas] perdeu espaço e é ressentido por sentir que perdeu espaço. Isso acontece por quê? porque ele perdeu espaço. Então [risadas] não é uma invenção ele perdeu espaço.

¶116A diferença de Sara e o homem ocupava uma estrutura de poder dentro da família. >> Os homens, quando eu comecei a a pesquisar a classe C há 25 anos atrás, eh, os homens eram a maioria dos chefes de família. Hoje são as mulheres a maior um chefe de família. A participação da renda dos homens na classe C era muito maior do que é hoje. Hoje as mulheres já ocupam R$ 41 de cada R$ 100 de renda da classe C.

¶117>> Uhum. >> Eh, já são a maioria absoluta das chefes de família. Nós tivemos uma série de de benefícios sociais que eram direcionadas à mulher e uma série de de leis que foram feitas com a proteção da mulher. Então sim, é verdade que esse homem acha que tá ralando e não tá sendo reconhecido, mas também é verdade que eh primeiro assim, ele tá certo no diagnóstico dele, ele perdeu poder. Podemos discutir se tinha que perder poder ou não tinha que perder poder, mas o fato é que eh na economia, na vida, no amor, no no dia a dia, eh a natureza é inimiga do vago, né?

¶118você você vai ocupando esse esse processo e as mulheres ganharam espaço, ganharam espaço nos empregos formais, ganharam espaço na renda, ganharam espaço e isso foi refletindo eh nos divórcios, isso foi refletindo no maior número de de mulheres chefes de família na classe C. Então esse conflito existe, existe baseado no numa disputa de poder efetiva que a gente pode eh relativizar o quanto é justo, o quanto não é justo, mas não tem jeito. Eh, objetivamente foi isso que aconteceu e na falta sim de políticas públicas que poderiam ser via o empreendedorismo, via os trabalhadores platofronizados e tudo que a gente já falou que dialogasse mais com o público eh eh com o público masculino com com relação a isso. Bom, se a direita ocupa o espaço do ressentimento, da crítica e do ódio, é natural que a direita dialogue mais com esse homem. Se a mulher é quem, vocês já viram algum homem sozinho no médico, pessoal?

¶119O homem não vai sozinho no médico. Ou a mulher arrasta o cara ou não vai. >> Eu vou sim, tá? >> Boa, boa. [risadas] >> A exceção que confirma a regra.

¶120>> É exceção que confirma a regra. Eh, [risadas] a lógica é a mulher arrastar a família inteira. Se fosse depender dos homens, levar o filho para vacinar ou ou ficar na fila da escola, pessoal, é óbvio que tem milhões de exceções, tá? Mas nós estamos dizendo que como regra é a mulher que leva a criança para vacinar, é a mulher que fica na fila da creche, porque se a criança não tiver em creche é é uma um dado de pesquisa. Nós perguntamos uma vez para mulheres que não trabalhavam o por que elas não trabalhavam.

¶12118% delas disseram que era porque não tinham onde deixar o filho. 18. Aí nós fizemos a mesma pergunta pros homens. Porque não tinha com quem deixar o filho. Pedro, eh, sabe quantas horas de trabalhos domésticos não pagos essas mulheres da classe C trabalham por semana?

¶122>> Eu sei, mas é porque eu vi no seu livro. >> [risadas] >> 22 horas, cara. Então assim, tem uma eh do do trabalho não pago. Quando eu falo em terceira jornada, [risadas] cara, é meia jornada de de das eh das 44 horas semanais assim, cara, você você sofre com isso. Então, eh eh isso leva a ter um eleitor, uma eleitora mulher eh de fato com valores mais progressistas, eh, de do ponto de vista de estado.

¶123E de um outro lado, eh, você tem, eh, homens, eh, que, que estão mais rancorosos e, e dialogam mais com com a direita, com com a busca de culpados por não ter crescido tanto quanto eles. Agora, tem um aspecto que eu queria eh que é bem importante a gente dividir com vocês, que tem a ver com o conservadorismo da classe C. E as pessoas têm uma certa dificuldade ainda de entender eh eh o que que é esse conservadorismo. A classe C, ela é claramente eh eh contrária ao aborto. Classe C, ela eh ela tem a educação, a desculpa, a a violência como uma grande preocupação.

¶124Aí você vai olhar o homem da classe C acha que a solução é todo mundo é da armada. A mulher acha que é que é ter a a Maria da Penha na roda, porque se andar todo mundo armado, o filho dela vai ser vítima de bala perdida, ou o pai ou ela vai ser vítima de feminicídio. Então, a lógica sobre como tratar a violência é muito é muito diferencia entre os dois. Mas esse conservadorismo, esse conservadorismo que é contra a união de pessoas do mesmo sexo, esse conservadorismo que é contra o aborto, eu não tô fazendo juízo de valor de ser a favor ou contra, mas só esse fato, ele não entende que o conservadorismo da classe C é um conservadorismo empático. O que que significa um conservadorismo empático?

¶125significa que ela conhece alguém que já passou por isso. Ela conhece eh o filho de alguém que já apanhou por ser homossexual, uma prima que já teve que abortar quando não foi ela mesma que já teve que abortar e teve que recorrer a um aborto ilegal. Essa empatia faz com que, por exemplo, as mesmas mulheres que sejam contrárias, são contra o aborto, elas falam que jamais denunciariam uma amiga que abortou. >> Uhum. E e se a gente não entende que que e que a classe 100 funciona na lógica da reciprocidade, onde todo mundo ajuda todo mundo.

¶126E é por isso que a classe C, é por isso que os moradores de favela doaram mais na pandemia do que os ricos, que é uma coisa que ninguém entendia. A quantidade de vezes que eu vi quando a gente foi fazer trabalho na pandemia com a CUFA, com Gerando Falcões, de pessoas que abriam uma cesta básica para dividir com quando era cesta básica auxílio, né, para para dividir com a vizinha porque tinha acabado as cestas básicas e a vizinha precisava receber. É um negócio impressionante. É uma solidariedade, uma lógica de todo mundo ajudando todo mundo. Se a frase que eu ouvi de que, ó, na favela, se o seu vizinho tem comida, ninguém passa fome.

¶127Eles tinham essa discussão enquanto o o os mais ricos doadores não queriam colocar um cartão com o dinheiro das pessoas porque falavam que ia gastar em pinga. Eu tinha que explicar para eles que o Wer foi uma invenção liberal, meu amigo. Não, não é coisa da Venezuela. >> [risadas] >> Tipo assim, deixa o a pessoa sabe se ela precisa de gás, se ela precisa de arroz ou se ela precisa de remédio. >> Outro ping.

¶128>> É assim, é uma é uma distância grande. É isso. É óbvio, mas as pessoas não não vou gastar em pinga. Eu falo: "Ah, meu amigo, você acha que com a mãe e bota com a mulher esse din? Você acha que a mãe vai gastar?

¶129[risadas] Dá pra mulher esse dinheiro que não não vai ter dinheiro?" Então, é só para explicar essa questão de gênero um pouquinho e e mesmo é uma questão de de conflito de gênero que impacta inclusive na eh nos valores e no conservadorismo. O homem é muito mais radical contrário ao aborto. Claro, ele não aborta no qu não tem essa [risadas] esse esse ponto, tá? Então, só para dizer que não é só eh por uma questão econômica, por uma questão política ou pelo espaço de poder. Eh, essa diferença de de gênero também tem a ver com uma com uma empatia, conservadorismo, eh, que se aplicam diferente de diferentes formas entre homens e mulheres na classe >> tem uma coisa que eu queria acrescentar aqui no nosso papo, Renato, que é só uma coisa, Flavinha, só para avisar, ó, pessoal, não é o whisky, tá?

¶130Isk, eu só coloco água aqui dentro. Olha, como a gente acabou de falar, cada um sabe de si. Se você precisar tomar, cada um sabe do que vai. Eh, tem uma coisa que eu queria trazer aqui que eu acho que eh aí já pensando mais no cenário eleitoral mesmo, eh, que já está posto, né? Hoje, essa semana, a gente tá diante de uma rodada de de da Quest, a apontando aí os cenários estaduais, né?

¶131Eh, e a falando um pouco eh principalmente do Sudeste, que é onde as pessoas prestam mais atenção, porque é onde tá concentrada a maior parte da população, é onde tem mais eh a a a onde não é tão claro, né, o a divisão regional aí do voto do Lula e do bolsonarismo da direita. Eh, e eu queria te ouvir um pouco dessas diferenças regionais da classe C. Eh, e e de onde de a gente falou um pouco das diferenças de gênero, a gente falou um pouco eh eh enfim de outros pontos, né, que que distinguem, mas eu acho que faltaram dois pontos que eu acho que podem revelar muito do cenário eleitoral, que é o religioso. E agora eu acho até que você já eh esbarrou um pouco ao falar da cara desse conservadorismo, mas eu acho que faz diferença a gente desenhar isso a partir do olhar da religião e esse regional, porque o a classe C do da dos grandes centros urbanos, dá para falar de uma classe C rural, por exemplo, ou a gente tá sempre falando de uma classe C urbana? Outra coisa, se sim, qual que é a diferença entre elas?

¶132ou a a classe C urbana do Nordeste é muito diferente da do Sudeste ou não? Ou é mais ou menos são mais ou menos as mesmas motivações e as mesmas e a mesma história? >> Bom, vamos lá. Eh, vou entender a classe C, eh, como um todo, a grosso modo, eu tenho no Nordeste uma classe C mais jovem, uma classe C em em que aí tem a ver com o Nordeste, não é só a classe C, mas que tem uma economia mais dependente do do governo, né? economia de novo, não é necessariamente que vai direto para ela, mas esse esse ciclo eh que eu expliquei no começo da entrevista eh e mais católica, né?

¶133Uma classe mais católica eh no Nordeste. Quando você vai descendo, você vai tendo uma classe C um pouco mais evangélica e um fenômeno novo e um pouco mais velha. E e isso coloca o jovem que e talvez assim nessa escala seja a primeira vez no Brasil que nós temos jovens evangélicos, filhos de pais evangélicos. >> Uhum. >> Que é uma outra é uma outra situação, é um modo de enxergar o mundo um pouco mais consolidado, né?

¶134Porque antes pessoa nascia nascia católico e se convertia durante eh durante o processo. Ah, e no Nordeste você também tem no interior do Nordeste muito mais católicos ainda do que eh o padre ainda é uma autoridade na cidade, né? >> Uhum. Então, eh, [risadas] a gente tem um um processo que daí você vai descendo e, como eu falei, você vai ficando um pouco mais evangélico, envelhece um pouco. Quando você vai pro sul do país e e no sul do país você tem o que eu chamo da classe A, da classe C.

¶135>> Uhum. >> Ela tá no topo da classe C da renda, é mais velha, mais escolarizada e mais conectada à internet. E obviamente que isso traz diferenças. Se você tá mais conectado à internet, tem mais a internet como fonte de informação da política, você tem eh você pode olhar isso em qualquer pesquisa, é um voto mais à direita, porque são mais vítimas do algoritmo que que consolidam determinados votos. Aliás, os homens também são mais conect eh tem uma uma relação de busca de informação via internet diferente das mulheres.

¶136Isso também é uma das razões que explica um voto masculino maior na extrema direita. Bom, eh, então você dialoga do ponto de vista de religião, de idade, de escolaridade, de acesso à internet nesse Opa, eu eu tenho uma câmera aqui que eu comprei nova que de vez em quando eu mexo nela e ela ela vai mudando de de lugar. Mas >> ela fez isso, ela fez isso o programa todo. Eu até perguntei pro Marcos se ele que tava te enquadrando e eu falei: "Eu tô ficando agora". [risadas] >> Você só me fala agora.

¶137Eu só vi agora. Eu tô olhando mais pra câmera do que do que na tela toda, [risadas] pô. Fizeram [roncando] pagar mico o tempo inteiro, pô. >> Não, não teve, não teve mico. Foi sutil.

¶138Foi, foi bem sutil. Mas [risadas] eh, mas >> não ainda bem que uma espinha antes, né, do programa, senão tava ferrado. >> Mas voltando, eh, quando a gente vai, vamos falar um pouquinho de de religião e, e aí eu queria pedir licença para falar um pouquinho da Michele, tá? Do do fator Michele nesse nesse aspecto [suspirando] >> eh da religião. Então, do ponto de vista do conservadorismo, eh eu já falei para vocês, é um conservadorismo empático.

¶139>> Uhum. Eh, e é um é algo que não é tão óbvio de eh de entender para quem não vai lá na class, conversa, convive, eh vê um pedindo ajuda do outro e tal. Tem um outro aspecto que tem a ver com a teologia da prosperidade, que é, cara, vai na sua que você vai vencer na vida. Vamos lembrar que esses evangélicos quando estavam no território econômico foi que elegeram o Lula e reelegeram o Lula. Da onde saiu Crivelo?

¶140Ah, foi só os votos da Universal. Não, meu amigo. O cara era o senador do Lula. Por quando a economia tava crescendo e e o debate entre os evangélicos estava em torno da teologia da prosperidade, você tinha o crescimento econômico e viva o Lula de economia tabelesa e é o meu trabalho, meu esforço. Eh, eu lembro que que que um dado que a gente tem, que eu coloco no livro, mas que e continua super atual, que eu cresço graças a mim e ao próprio esforço.

¶141Uhum. >> Né? O o estado aparece com algo como 3%. Às vez você pergunta, [risadas] a quem eu devo a melhora da minha vida? A sua vida vai melhorar devido a quem?

¶142Ao meu trabalho, a meu esposo, a Deus, a família e o governo aparece atrás da sorte. Tá lá com os 3%. É como desestatizaram o desestatizaram o sonho de futuro, a melhora de de vir. Mas, mas voltando, eh, tem um lado relacionado ao empreendedorismo, eh, ou, ou, ao o ponto de vista econômico. Por quê?

¶143Porque o ROI, o retorno sobre investimento do dízimo é melhor do que aplicar na bolsa de valores. Se você entra na igreja e começa a pagar o dízimo, daqui a dois meses você arranjou um emprego melhor. Quem e assim e com o rótulo de honesto, né? Fala: "Ah, você tem um caseiro para me indicar?" Eu tenho sim. É, é, é meu irmão de fé.

¶144>> Uhum. é da minha igreja. A primeira impressão que vem [risadas] na cabeça é honesto, é trabalhador e é honesto, >> é uma pessoa de bem, né? >> É uma associação básica automático para isso. Aí você faz o curso da igreja, aí você eh eh essa pessoa vai num num retiro da igreja e e conhece o amor da vida dele e acontece o que os economistas chamam de diluição dos custos fixos.

¶145Ele casa, né? >> [risadas] >> E aí o fato é que eh eh a pessoa começa a a ter um um retorno melhor. Então, de novo, isso é uma coisa que tem a ver com os evangélicos, que tira o papel do governo e que, portanto, também enfraquece a postura que historicamente a esquerda tem [risadas] com com relação a isso. Mas tem um um outro fator, né, que é o quanto que eh que os evangélicos eles eh também prezam por alguns algumas características que tá muito difícil da direita sustentar. Eh, a lógica do grito e do ódio.

¶146Você perdeu as mulheres, perdeu as mulheres da classe e as evangélicas. Elas não querem isso. Simplesmente não querem isso. Então, do mesmo jeito, Pedro, que o que o discurso feminista não fala com essa mulher, como a gente viu, o discurso, o discurso da raive do ódio também não fala dessa mulher. >> Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro, >> você é tipo perderam.

¶147Eh, e aí você tem eh você tem o discurso a mentira, cara. pro evangélico praticante não mente, cara. Não mente. Porque [risadas] assim as pessoas começam a perder a vontade efetivamente [limpando a garganta] de Agora para entender os evangélicos, imagina, nós temos 27% segundo último senso de pessoas que se identificam como evangélicos. Nós fizemos um um cálculo no locomotivo eh de idas ao templo pra gente entender o que eu tô falando.

¶148A gente perguntou para para todas as pessoas que iam a templo, quantas vezes elas iam ao templo. E o que a gente [risadas] viu que os evangélicos, que são 27% do do da população brasileira são responsáveis por 59% de idas ao templo. 59% de idas ao templo significa que o capital social criado através da igreja muda completamente o papel que o pastor tem a dos irmãos de fé e essa conversa toda. E nesse sentido a Michele é chave, vamos sendo frio olhando as pesquisas. Não existe nenhuma chance do Flávio Bolsonaro ganhar a eleição se ele não diminuir a distância que ele tá do Lula entre as mulheres e especial entre as mulheres da classe, falando com todas as letras, sem nenhuma, assim, não existe.

¶149Agora, quem ele tem como interlocutor para falar com essas mulheres da classe C? Ele tinha a Michele. Ele tinha a Michele. Então não foi perder eh ah uma Bolsonaro que não tá tão afim de mim, que não, não. Ele perdeu a grande interlocutora para falar pro público que se ele não melhorar, ele perdeu a eleição.

¶150E eu vou falar outra coisa que vai ter muita gente que vai me xingar. Desde quando eu comecei a trabalhar de pesquisa, eu não conhecia nenhum político com a capacidade de falar com a mulher da classe C, como a Michele fala. O Lula opera em outra categoria. >> Uhum. >> Na gratidão, na na confiança que vai continuar recebendo os auxílios no estado que faz parte da vida dela, mas não discurso, não na fala.

¶151A Michele é empática. A Michele chama assim, ela [risadas] ela consegue ser carinhosa com os adversários do bolsonarismo. Ela conseguiu ser carinhosa com gente. A Michele ela faz o papel que a mulher da periferia faz ao tentar unir a família e não brigando com o não. Não nesse sentido, porque o pessoal não tá nem aí falando: "Olha, se os meninos estão errados mesmo, isso é tudo moleque mesmo.

¶152Comigo a Michele tá tentando botar ordem na na picada". Então assim, eh, e quando alguém é grosso com a Michele, como o Flávio foi, sabe o que a mulher da classe C lembra do marido dela. >> Uhum. Então assim, e [risadas] o afastamento, o eventual afastamento da Michele da linha de frente da campanha bolsonarista vai trazer um impacto maior do que o Vorcaro. Quando você vai olhar por a gente tá aqui discutindo Vcá, a população [risadas] acho também, mas se política é tudo ladrão, se política é tudo igual, isso traz um diferencial menor do que um um um afastamento dessa mulher da classe C, dessa mulher evangélica que a Michele tava trazendo.

¶153Porque as pessoas falam: "Ah, eu não gosto muito dele não, mas pelo menos tem a Michele." É, >> mas Renato, eu queria eu queria pegar, >> desculpa te interromper, mas eu eu acho esse ponto tão importante, porque ele eh eu queria entender se ele eh se contrapõe de alguma maneira a essa impressão de que a que a gente tem de que tanta gente no Brasil tá desligada ainda eleição. É porque esse capital social, esse tecido social dessas e igrejas e claramente mantém uma conversa permanente, ativa, mas eu não eh eu tenho eu queria te ouvir sobre o quanto essa conversa é política neste momento e o quanto as pessoas já estão atentas a tudo que vem acontecendo ou ainda vão se conectar a esse assunto na sua opinião, porque aí E eu imagino que essa briga possa ter impactos diferentes, porque eles fizeram as pazes ali protocolarmente. É claro que a Michele pode ou não ainda se envolver ativamente na campanha e isso vai fazer muita diferença, mas se as pessoas estavam meio desligadas, talvez isso no impacto seja mitigado. Ou não, se elas tivessem ligadas, o impacto já, o estrago tá feito. E aí para reverter é uma caminhada muito maior.

¶154Isso que eu queria te ouvir um pouco sobre o que que você acha do engajamento das pessoas. >> Eh, as pessoas não estão engajadas na campanha ainda, né? Mas isso não quer dizer que as pessoas não estão engajadas na Michele. >> Uhum. >> Ou na briga da Michele com eles.

¶155É que muitas vezes isso entra no território da fofoca. >> Ele não entra no território do debate político como nós estamos fazendo aqui, >> né? Mas, pô, é uma exe primeira dama discutido com o cara que é candidato. Então, entra muito no debate do dia a dia e no debate da fofoca para muita gente que viu no noticiário que teve um um enfrentamento que colocava a fala dela assim: "Eu fui humilhada, eu fui maltratada, eu fui". Isso é uma frase muito forte.

¶156>> Uhum. >> E é uma frase que gera identificação com a mulher da classe C, tá? Então, eh, eh, eu não acho que é porque as pessoas estão lig eh respondendo, Flir, é que para mim não são coisas contraditórias, as pessoas não estão ligadas na política como estarão logo mais, eh, mas ficaram sabendo disso em todos os fazendo um monte de grupo de pesquisa em em e elas estão eh tão sabendo disso mais do que os homens, inclusive nesse nesse território. Eh, mas tá ainda tá num num num voltar na campanha. Tem algumas discussões que vão voltar na campanha.

¶157Você acha que a bandeira dos Estados Unidos no meio da Paulista no 7 de setembro >> do outro ano não vai voltar na campanha? Vai voltar. Se a Michele começar a fazer e eh propaganda do do do Flávio, coisa que eu acho difícil ela fazer, mas se ela voltar a fazer, você acha que não vão colocar na televisão o áudio dela falando que foi humilhada por por esse cara, né? Eh, mesmo que ela vá depois falar: "Não, me perdoe, é cristão perdoar". Ela pode fazer o tô numa narrativa isso, mas nós estamos falando aí na na prática de que é algo que efetivamente eh pega independente do envolvimento na na eleição ou não.

¶158>> Renato, deixa eu deixa e eh a gente tem 10 minutos para para terminar. Eu eu queria te fazer uma proposta agora de a gente ganhar distância e e qual qual é a sua formação? Você é sociólogo, por onde que você entrou nesse mundo? >> Nada, eu sou publicitária. >> Publicitária.

¶159Não, mas publicitária [risadas] é quase socióloga. >> Publicitária é quase socióloga. Tem que ter dentro de sociedade. >> Eu sou um bom nadador de Águas Ras. >> Não, isso não é verdade, cara.

¶160[risadas] Eh, eu eu vou te dizer o que que o que que eu senti nessa conversa toda o tempo todo. Eh, eu acho que a gente tá falando de Weber o tempo todo, que a gente tá falando de Max Weber. [limpando a garganta] Eh, e, e o que eu quero dizer com isso é o seguinte, é uma das teses mais debatidas na durante o século XX e que ainda não parou de ser debatida é a ideia do Weber de que existe uma ética de trabalho distinta eh entre protestantes e católicos e que aquilo que a gente chama de liberalismo, liberalismo político, tá? a ideia da qual sai a a a democracia liberal, tudo mais, eh nasce de um tipo específico de ética de trabalho que tem a ver com aspiração, que tem a ver essencialmente com um conceito que protestantes têm internalizado, que é o seguinte: o seu sucesso na terra tá diretamente ligado à graça do Senhor. católico >> é enquanto que o católico tá olhando para o que que eu vou ter quando chegar ao paraíso, eh, pro protestante a ideia é o o meu trabalho aqui, eu tenho que ser um bom trabalhador, eu tenho que ser uma pessoa boa paraa comunidade, eu tenho e é isso que faz a a Dre McSk, né, que é uma economista lá da Universidade de Chicago, eu acho que ela nem fala muito bem sobre o Brasil, não, tá?

¶161Mas ela tem essa tese de leitura histórica que eu acho interessante, que é existe uma ética burguesa, existe um jeito que burguês passa a olhar paraa sociedade, como a sociedade se organiza a partir do século XVI, que se consolida no século XIX e faz brotar o o o os estados nacionais e aquilo que nós chamamos de democracias liberais, seja com estado de bem-estar social ou não, isso não importa. Mas essa crosta de somos uma comunidade, precisamos fazer uma nação que é para todos nós e e a maneira de você fazer crescer economicamente eh é trabalhando. Todo mundo trabalhando muito, todo mundo demonstrando vontade de trabalho, todo mundo se respeitando. Você com uma cultura religiosa que estimula esse respeito no nível da comunidade, não no nível hierárquico, né? Mas no nível da comunidade, eh, a a impressão que você me deu nessa conversa toda, evidentemente, eh, eu já acho isso de algum tempo, mas o problema é o seguinte, eu já acho isso há algum tempo e boa parte do que eu já li sobre classe C foi escrito por você, então, eh, você meio que me instrui e eh nessa eu eu o contato que eu tenho com classe C, eu tô sempre com Renato Meireres aqui na minha cabeça.

¶162e [risadas] ajudando a intermediar o que que tá acontecendo, o que que tá >> e a classe C é isso, é uma classe weberiana, eh, nesse sentido que o Weber usava eh ali no início do século XX, surgindo no Brasil. é é um é um norte da Europa eh mental, eh, uma Grã-Bretanha mental, eh, surgindo no Brasil, uma coisa diferente que ao mesmo tempo tem uma lógica diferente e talvez parte do contraste de a gente compreender isso. [roncando] Olha, eu me viu uma coisa na cabeça assim, se eu tivesse que colocar a classe C na entre a Inglaterra e a França, eu ficaria com a Inglaterra, tá? Nesse processo de de entendimento do jeito de de pensar, mas também vamos lembrar que a Inglaterra tem um sistema de saúde bastante forte, sistema [risadas] que que conversa você tem coisas, >> né? Eh, mas coisa de pensamento, eu não tô quando eu falei isso, eu não falei que não pode ter estado de bem-estar social, não, porque eu acho que é perfeitamente compatível, tá?

¶163Eh, >> mas é uma coisa de >> tem uma cabeça mais de a comunidade trabalha do que o estado dá, né? Eh, o estado pode complementar, mas o o o trabalho da comunidade tá absolutamente é um tipo de mentalidade, né? Um tipo de cultura. Depois da família, o trabalho é o maior valor da classe C. Sem medo de errar.

¶164Sem medo de errar. Eh, e é universal, independente da religião, independente assim, [limpando a garganta] eh, porque a classe C nasce aprendendo a fazer o corre. Ela sempre fez o corre, não faz o corre só com o aplicativo agora, fazer o corre com a Natura, fazer o corre da forma que for, eh, receber uma grana para ajudar a enchem, enfim, e a sempre faz o corre, mas ela é mais empática do que eh os ressentidos eh que foram perdendo coisas da classe eh é mais empática do que os homens como um todo e e vive menos da necessidade que a classe D. Porque Pedro, a classe C ela não tem a grana e o estoque econômico que a classe A e B tem e não tá nos programas sociais que a classe D E tão. Então se ela não tá nos programas sociais, nem ter o estoque econômico, é o trabalho que ela ela se vira com o trabalho e o que que ela espera do Estado?

¶165Eu falei do estado que funcione, mostrando algumas formas para isso que tem menos a ver com o tamanho e mais a ver com eficiência, mas de um estado que gere oportunidade. Então, quando a esquerda vem, ó, no final seremos todos iguais, o que ela quer que todos tenham as mesmas oportunidades. parte do debate entre esquerda e direito, né, é é colocar ah eh colocar a igualdade como concorrente da meritocracia ou a desqualificação da meritocracia. A classe C acredita na meritocracia, mas ela sabe que o Brasil é desigual e que a meritocracia de verdade só existe quando todos partem do mesmo lugar. Então [risadas] é falso o discurso de que ah, essa meritocracia não existe.

¶166Tudo bem, mas e aí eu eu tenho eu tenho opiniões bastante polêmicas, inclusive com meus amigos, tanto da esquerda quanto à direita. falou: "Cara, eh, eu, eh, se a meritocracia só, só existe com igualdade de oportunidade, funcionário público, todo mundo passou, tá no mesmo nível e você tem que terocracia funcionarismo público." Então, assim, eh, tem uma eh o pessoal fica meio puto, mas isso é ser coerente com com a igualdade de oportunidades, né? Eh, então, respondendo, eh, respondendo a isso, acho que tá mais na Inglaterra do que na França, eh ela sim acredita que o Estado é importante e o Estado é importante para gerar igualdade de oportunidades. O Estado não é importante para limitar a vida dele. E aí você partiu na primeira década eh eh ou há 10, 15 anos atrás de um estado que gerou oportunidade para hoje ter um estado que tá atrapalhando a vida do cara.

¶167Então, quando você tem um crescimento do empreendedorismo, não é porque ela cresceu uma vontade de empreender, né? Porque, cara, eu não posso contar com o estado. O estado quando entra e assim e antes do Sebrai chegar, entra um fiscal na minha casa, na na no meu negócio para para me multar se eu tô fazendo alguma coisa errada. Um policial para tirar uma grana e para não fazer o rato do meu negócio. >> Renato, duas horas aqui de conversa.

¶168Muito obrigado, cara. >> Muitos elogios no chat. Muito esclarecedor o papo, viu, >> pessoal? Vocês não sabem, eu como a assinante premium [risadas] do meio, aliás, quem está nos seguindo, assinem, virem assidente premium, para mim é um privilégio gigante ter esse nosso esse nosso bate-papo. Obrigado pela oportunidade de falar do livro.

¶169Aliás, quem tá nos assistindo, Brasil da maioria, tô fazendo meu merchan aqui. Olhem, [risadas] >> traz mais para cá. Aí, >> eh, aí, aí, aqui, ó. Aí, >> isso, isso, >> isso. Brasil da maioria.

¶170Opa, aqui para cá. >> É, valeu, pessoal. Eh, é um pouco do é um pouco do da minha experiência de vida, tá? Eh, eu aprendi com a classe C, [risadas] eu não me ensinei com a classe, >> Uhum. >> Eu sou melhor por causa da classe C.

¶171Eu entendi o que é generosidade morando na casa das pessoas. E o convite que eu faço para quem assistiu esse nosso papo e quem eventualmente quer o livro, eh, aprendam, ouçam. Escutem, ela tem muito mais para ensinar pra gente do que para quem não é da classe C do que do que o contrário. Super obrigado aí pelo convite. Que privilégio.

¶172>> Não, pera aí, pera aí, pera aí, peraí, pera aí. Antes de você ir embora, já que você fez Merchan, vou te aproveitar ainda na tela para fazer o merchã e convidar as pessoas a estarem conosco aqui hoje à noite neste mesmo bate-canal, neste mesmo meio canal, no horário das 19 horas, porque hoje é o encontro inaugural. do Clube Meio Eleições 2026. Então, aproveitei você aqui ainda porque assim você também já fica convidado, meu querido. Eh, obrigada, viu?

¶173A gente vai contar mais um pouquinho da live aqui, mas um beijo. >> Obrigado, Renato. Pessoal, >> obrigada, Renato. Até a próxima. >> Obrigada.

¶174>> É isso aí, meninos. Hoje, então, 19 horas, a gente, eu e Pedro Dória, retornaremos aqui eh com a com a mesma paleta, porque eu não vou para casa me trocar, estarei com a [risadas] mesma roupa. >> Ah, eu não sei. Eu eu eu não me sinto bem se eu não troco de roupa todo dia. >> Então, >> não, e três vezes ao dia, né?

¶175>> É, não. Pois é. Pois é. Eu sei lá, preciso botar outra camiseta preta. [risadas] >> Isso, exatamente.

¶176O teu armário é igual da Mônica e do Cebolinha, né? Que abre. Bravo. [risadas] >> Ô, gente, eh, a gente vai hoje ter esse primeiro encontro, vai ser muito bacana, vai ter desconto ainda anunciado ao longo da nossa da nossa live. Eh, viu?

¶177Eh, pessoal que escreveu no chat pedindo aí, falando de fim de mês, a gente é super solidário ao aperto de fim de mês. Estamos todos na mesma luta diária. Então, hoje nessa live das 19 horas ainda vai ter desconto, mas você tem que estar lá para saber de quanto, pra gente te seduzir. Eu e Pedro Dória te seduziremos não só com desconto, mas como o nosso papo que inaugura o Clube Meio Eleições 2026. Os encontros vão acontecer todas as quintas-feiras às 19 horas.

¶178E aí hoje de manhã eu tava ali falando, tá gente, mas como é que é mesmo? Vamos refresca aqui para eu falar direito hoje, explicar pro pessoal, né, Pedro? Sim, senhor. E >> aí é um encontro, vocês estão entendendo o que que vai ser ser parte desse clube, gente? Vai ser um encontro no tete a tete, não só com o Pedro, comigo, mas com alguns dos nossos principais convidados, amigos do meio, colunistas, as pessoas que mais entendem de eleição nesse país vão estar nesse clube num papo com você, direto com você, entendeu?

¶179que você vai participar ali no sendo membro mesmo dessa conversa, dessa troca, para acompanhar essa eleição que vai ser intensa, né, gente? Vamos combinar, porque tem novidade todos os dias, tem mudança de cenário. A gente tá diante de uma semana em que a gente, nós estamos a 15 dias da do início da campanha e em Minas Gerais não tem candidato eh confirmado majoritá assim do dos líderes, entendeu? Tem tem vários que já estão confirmados, mas o líder nas pesquisas tá ainda decidindo se vai ser candidato ou não. Então a gente vai ter muit vai ter >> vai ter eh eleição, para quem não se lembra, eleição presidencial é porque a última de 2022 cada semana era um susto de golpe, mas se não houver uma ameaça de golpe, e tudo indica que não vai haver, o ponto de partida de ontem, inclusive trata disso, eh tem negociação política, tem briga é judicial de campanha, tem proposta que a gente vai ter que debater e ver se faz sentido pro Brasil ou não.

¶180Tem aliança, desmanche de aliança, enfim, pesquisa toda hora, tem a pesquisa meio ideia, no assunto não vai faltar. Então, a gente vai tratar disso tudo aqui no Central Meio diariamente, como sempre vai, mas você vai querer aprofundar um pouco mais, vai querer fazer pergunta diretamente para mí, pros colunistas? Pois é, eu acho que tem um ponto fundamental que é o seguinte, gente, é um zoom com a gente, >> é isso, é um zoom, >> é um zoom com a gente. Isso, >> é uma conversa, é uma conversa semanal. Eh, evidentemente a gente não consegue a a conversar com toda a audiência, com todo o público.

¶181Então, por isso que a gente criou um, a gente compreende que tem algumas pessoas que têm perguntas específicas, que que querem participar de uma conversa. Então, a diferença entre o clube e a nossa cobertura é nossa cobertura é isso aqui. Eh, vocês estão aí, nós estamos numa câmera e a gente tá explicando o que a gente vê e tudo mais. O clube é a possibilidade de transformar isso numa conversa. É um Zoom conosco, literalmente um Zoom >> conosco.

¶182Hoje vamos ter uma live de lançamento do clube, vai ser aberta aqui no YouTube para todo mundo. E a partir da semana que vem, toda quinta-feira, 19 horas temos um Zoom para conversar. Não é só o Zoom. Existem algumas conversas, alguns conteúdos que eu e a Flávia preparamos eh com outros especialistas, com Maurício Moura, eh com Alexandre Borges, com Christian Lind, com Cromar de Souza. A gente preparou alguns conteúdos, eh, a gente preparou alguns conteúdos a mais que os membros do clube terão acesso.

¶183Então, quer entender o que que é Lula, o que que é o Lulismo? Quer entender o que que é o Bolsonaro, o que que é o bolsonarismo? Eh, quer entender como é que pesquisa de opinião funciona? Todo esse material está no clube já pronto para quem assinar poder assistir. Agora a conversa é toda quinta-feira 19 horas, sempre com alguém do meio, não só eu, não sou a Flávia, mas os muitos especialistas que vocês conhecem, Christian Kirobar, Maurício, por aí vai.

¶184>> E então assim, gente, o convite para hoje à noite tá firme e forte. vocês apareçam aqui, faz favor. >> E claro, o o Zé o Zé Carlos Menezes é um dos muitos que perguntou >> eh se quem tem assinatura premium meio mais cursos, tem algum tipo de desconto, tudo mais. Não, não, não, não, não. Quem tem assinatura meio mais curso já tem acesso ao clube, é só entrar.

¶185Eh, então, gente, sejam bem-vindos hoje na aula, aula não, na conversa inaugural minha e da Flávia, eh, 19 horas ao vivo aqui mesmo no YouTube e a partir da quinta-feira que vem num Zoom perto de você. >> Vamos nessa. >> É isso aí. >> Até mais tarde, 7 da noite, então tá. Central meio de hoje encerrado.

¶186Se cuidem, bebam água e 7 horas aqui, gente. Tchau, tchau. Três coisas que separam quem só assiste a seleção de quem realmente acompanha ela. Ó, a primeira, acessa as análises que costumam ficar restritas às salas de decisão. Seja quem lê pesquisa, poder, sociedade, por dentro.

¶187Você encontra esse material no meio político toda quarta-feira e também em matérias, entrevistas na edição de sábado, [música] além dos dados da pesquisa Meio Ideia Mensal, que agora interativa e te permite, se você é assinante, fazer o recorte que mais te interessa dentro do nosso site. A segunda [música] é ter opinião de verdade, não é prestada, é a diferença entre repetir o que ouviu e entender porque aquilo aconteceu. O tipo de leitura que te deixa seguro numa roda de conversa traz repertório e não te deixa cair no argumento pronto. Agora a terceira, a mais difícil, atravessar essa eleição sem virar refém de [música] bolha, militância, cinismo. Discordar faz parte, mas sem transformar isso em guerra.

¶188É isso que o Meio Premium sustenta todo mês com catálogo de produções originais no nosso streaming. Com eleição chegando, não é só que você vai ficar mais por dentro, [música] é que em nenhum outro lugar você vai entender melhor o movimento político dos próximos meses. Só R$ 15 por mês. S no meio prêmium. [música]