Radar

radar · Política & notícias

Mais escolarizada, conectada e empreendedora, classe C vai escolher o presidente | Central Meio

a tese

A classe C, hoje 49,3% da população (cerca de 106 milhões), é uma classe "weberiana" ascendente, escolarizada, conectada e empreendedora, cujo ativo central virou o tempo e cuja demanda é um "estado que funcione" (não mínimo nem máximo); ela recusa rótulos ideológicos e decidirá 2026, com esquerda e direita falhando em lhe oferecer perspectiva de futuro.

aprofundar

sim

porque o núcleo evangélico (27% da população, 59% das idas a templo, teologia da prosperidade desestatizando o futuro, capital social do "irmão de fé honesto", fator Michelle) e a leitura weberiana da classe C tocam diretamente a lente do Bruno e rendem conversa sociológico-teológica de fôlego sobre fé, trabalho e voto no Brasil.

O que foi dito

  • Convidado é Renato Meirelles (presidente do Instituto Locomotiva, autor de “Brasil da Maioria: 25 anos de classe C”); publicitário, não sociólogo. Trajetória em duas partes: ascensão (Plano Real controlando a inflação, Bolsa Família alimentando um ciclo virtuoso de baixo para cima, e sobretudo aumento real do salário mínimo) e o choque de realidade a partir de 2013, com endividamento e frustração, agravado pela pandemia; “perder dói muito mais que deixar de ganhar”.
  • Perfil atual: mais escolarizada, conectada e empreendedora; 60% dos moradores de favela são classe C; o diploma perdeu valor porque a diferença salarial entre quem tem e não tem caiu e a barreira de entrada do trabalho plataformizado é baixa. O tempo virou o grande ativo econômico e familiar (informalidade e bicos como decisão racional, não acomodação).
  • Empreendedorismo/plataformas: da vendedora Natura/Avon ao MEI, iFood, “dark kitchens”, microoperadores logísticos, Pix mais WhatsApp desintermediando serviços (bombeiro, eletricista). Meirelles reconhece precarização e opacidade das plataformas, mas defende controle sobre o próprio tempo, microsseguro e crédito em vez de tratar o trabalhador como “coitado que não entende a própria vida”.
  • Voto em 2026: 1/3 fixo Lula, 1/3 fixo Flávio Bolsonaro, disputa na classe C; pautas-chave são fim da escala 6x1 (arma do governo, que Meirelles diz ser melhor não aprovar já e virar bandeira de campanha/referendo) e redução da maioridade penal (2/3 apoiam). Terreno de costumes favorece a direita; terreno da função do estado favorece a esquerda. Ceticismo com terceira via, salvo quem já tem território próprio (cita Luciano Huck).
  • Gênero: mulheres já são maioria das chefes de família e detêm R$ 41 de cada R$ 100 de renda da classe C; homens ressentidos por perda real de poder, mais rancorosos e à direita. Mulher da classe C é mais progressista quanto ao estado, decide por creche/escola/saúde/segurança, faz 22h semanais de trabalho doméstico não pago.
  • Conservadorismo “empático”: contra aborto e união homoafetiva, mas por convivência (não denunciaria a amiga que abortou); lógica de reciprocidade/solidariedade (favelas doaram mais na pandemia).
  • Religião e evangélicos: no Nordeste classe C mais jovem e católica; descendo o país fica mais evangélica; Sul é “a classe A da classe C” (mais velha, escolarizada, conectada, voto mais à direita por exposição a algoritmo). Evangélicos são 27% da população mas 59% das idas a templo (capital social forte); teologia da prosperidade “desestatiza” o sonho de futuro (estado aparece com cerca de 3% no crédito pela melhora de vida); dízimo como “ROI melhor que a bolsa”; evangélicos já elegeram e reelegeram Lula na fase econômica.
  • Fator Michelle Bolsonaro: apontada como interlocutora insubstituível com a mulher evangélica de classe C; o afastamento dela pesaria mais que o caso Vorcaro, pois o atrito com Flávio (o “fui humilhada”) ecoa a experiência das mulheres com maridos. Flávio não vence sem reduzir a distância para Lula entre mulheres de classe C.
  • Estado que funcione: tese da “escuta radical” (eleitor que avalia pizza por app mas encontra “agredir funcionário é crime” no posto de saúde); exemplo do app de João Campos no Recife. Classe C acredita em meritocracia, mas só com igualdade de oportunidades de partida.
  • Moldura final de Pedro Doria: classe C como fenômeno weberiano (ética protestante do trabalho, “ética burguesa” de McCloskey), mais próxima da Inglaterra que da França; depois da família, o trabalho é seu maior valor. Programa fecha com merchandising do livro e lançamento do “Clube Meio Eleições 2026” (Zoom semanal pago para assinantes).

Mais de Meio

56 no radar
12/08Flávio ataca Moraes e defende impeachment de ministros do STFaprofundar: não11/08Terremoto deixa mais de 100 mortos na Colômbiaaprofundar: não11/08O truque de Nikolas Ferreira ao falar de vacinas e Anthony Fauci | Cá Entre Nósaprofundar: talvez11/08IA resolve seu problema de casa? | Pedro+Coraaprofundar: talvez11/08Centrão só olha pro próprio umbigo nas eleiçõesaprofundar: talvez

todos os 56 vídeos de Meio no radar →