a tese
Mesa do Meio (Pedro Doria, Flávia Tavares e o cientista político Creomar de Souza) analisa o centrão nas eleições de 2026 como ator político que apostou em si mesmo, argumentando que sua existência é produto inevitável do desenho institucional centralizador brasileiro, e não mero fisiologismo.
aprofundar
talvez
é ciência política brasileira de bom nível (institucionalismo, federalismo fiscal, teoria do centrão) que interessa ao Bruno como leitor de política nacional; rende conversa avulsa, não sessão teológica.
O que foi dito
- Creomar de Souza abre com autocrítica geracional: as promessas de financiamento público de campanha e de bipartidarismo à americana “não deram certo”; o antipetismo se metamorfoseou (fase tucana, depois bolsonarista) sem gerar mais política pública, e o centrão virou válvula de escape contra a radicalização.
- Sustenta que nesta eleição o centrão apostou em si mesmo: diante de um pleito apertado, caro e sujo, cada real gasto na presidencial é real a menos nas campanhas de deputado (de onde vem o dinheiro que alimenta a máquina), então o bloco optou por neutralidade nacional e negociação no varejo.
- Descreve o afastamento entre centrão e as duas candidaturas: Lula rejeitou um articulador mais afeito ao centrão (Lira sugerira trocar Padilha por Haddad) e Flávio recuou do caso “master”/Ciro Nogueira; disso nascem movimentos como o PP vetando Tereza Cristina e Ciro fazendo nota em vez de convenção.
- Pedro Doria ancora em pesquisas do Nordeste (Piauí ~71% Lula × 22% Flávio; Paraíba 58% × 30%) para mostrar que “toda política é local”: Ciro Nogueira (PI), Renan Calheiros e Arthur Lira (AL) e Hugo Mota (PB, pai candidato ao Senado) calibram apoios pela sobrevivência regional, e abraçar Flávio no Nordeste é “suicídio”.
- Doria define o centrão como a força política mais antiga do país, herdeira da República dos governadores e dos coronéis, ideologicamente amorfa não por falta de valores mas porque valores não definem sua eleição, sustentada pelo tripé emenda parlamentar, fundo partidário e fundo eleitoral que “blinda a política” da sociedade.
- Conclusão institucionalista: como o Brasil é desenvolvimentista e centralizador, o centrão é inevitável; Creomar e Doria concordam que foi a existência do centrão (que retém poder sobre a verba federal) o que ajudou a evitar um golpe, pois numa ditadura o poder voltaria ao presidente (“o centrão está com a faca e o queijo não”).