a tese
Em um episódio de conversa leve do "Pedri Cora", Pedro Doria e Cora Rónai partem da saga da geladeira quebrada de Cora para discutir obsolescência programada e depois emendam num relato familiar sobre o livro "Sala 4", das memórias de prisão política de uma tia-avó de Pedro no Estado Novo.
aprofundar
talvez
porque a exegese factual da geladeira é dispensável, mas o episódio histórico (Intentona de 1935, Estado Novo, memória comunista) e a discussão sobre independência intelectual têm interesse cultural para o Bruno.
O que foi dito
- Cora Rónai narra em detalhe a morte de sua geladeira de 16 anos, com a cozinha alagada de madrugada, técnico ruim de comunicação, gastos de R$ 750 e o veredito da assistência técnica de que a peça não é mais fabricada.
- Ambos criticam a obsolescência programada: fabricantes mantêm peças por cerca de 5 anos, e Cora consultou o ChatGPT (que ela chama de “o Clod”) para escolher a nova geladeira LG, confirmando a recomendação em links.
- Pedro observa que geladeira não teve avanço tecnológico real como computador, e Cora acaba comprando um modelo com Wi-Fi que avisa porta aberta e problemas pelo aplicativo, num tom autoirônico sobre “futurismo”.
- A conversa vira para o livro da vez, “Sala 4”, de Maria Werneck, reeditado sob demanda (print on demand) pela editora Matinas Suzuki; Maria Werneck era tia-avó de Pedro e sua primeira guia literária, que o iniciou em Monteiro Lobato.
- Pedro conta que pegou no lançamento de 1988 autógrafo de Luiz Carlos Prestes, “o cavaleiro da esperança”, descrito como velhinho mal-humorado e sem paciência com crianças.
- O livro responde à biografia “Olga”, de Fernando Morais, contando a versão das mulheres presas na Intentona Comunista de 1935; a cena central é a tia Maria acompanhando Olga Benário grávida até o camburão que a levou para deportação à Alemanha nazista, onde morreu.
- Pedro descreve a bagunça ideológica da família (o bisavô Justo Mendes de Moraes, liberal e advogado de Getúlio; a avó liberal; Maria comunista; um tio integralista), comparando às irmãs Mitford inglesas.
- Menciona-se Nise da Silveira, também presa na mesma cela, e seu livro “Gatos, a emoção de lidar”; os pais de Cora se conheceram num grupo de estudo dela.
- Reflete-se que a ditadura de Vargas foi tão brutal quanto a militar, e que a tia Maria morreu estalinista e brizolista, como muitos comunistas presos naquele período.