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The Never Released Debate I Lost to Matt Fradd

a tese

Debate amistoso (segunda de uma série mensal atrás do paywall do Patreon) entre Cameron Bertuzzi (protestante, Capturing Christianity) e Matt Fradd (apologista católico, Pints with Aquinas) sobre a sola scriptura; Bertuzzi tenta defender a formulação de John Peckham, e Fradd argumenta que a sola scriptura é autorrefutante, anti-histórica, antibíblica e desarrazoada.

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talvez

o debate católico-protestante sobre sola scriptura, cânon e autoridade eclesial é caro ao Bruno (tradição dos "irmãos", cristocentrismo, incômodo com exclusivismo), mas aqui os dois se declaram amadores e o nível fica raso, então vale mais como porta de entrada para Peckham, Kruger e o argumento da regressão do que como estudo em si.

O que foi dito

  • Fradd abre insistindo que a Igreja Católica também crê na inerrância e inspiração das Escrituras (cita a Dei Verbum do Vaticano II), para desfazer a caricatura de que católicos desprezam a Bíblia.
  • Bertuzzi confessa ter chegado ao cristianismo por argumentos filosóficos e da ressurreição, sem formação protestante clássica, e apresenta a definição tripla de sola scriptura de John Peckham (Canonical Theology, 2015): Escritura como fonte unicamente infalível de revelação disponível hoje, base suficiente e plenamente confiável da teologia, e norma final de toda interpretação.
  • Fradd reformula a doutrina como “não somos obrigados a crer no que não é ensinado explícita ou implicitamente na Escritura” e monta o argumento da autorrefutação: se a própria sola scriptura não é ensinada na Bíblia, então por seu próprio critério não estamos obrigados a aceitá-la.
  • Bertuzzi oferece textos-prova (Provérbios 9.10 e 28.26, Jeremias 17.9 para a falibilidade da razão; Mateus 15.6, Colossenses 2.8, Atos 5.29, 1 Tessalonicenses 2.13, Gálatas 1.8-9 para a subordinação da tradição), mas Fradd responde que nada disso ensina que a Escritura é a única regra infalível, e contrapõe 2 Tessalonicenses 2.15, que põe a tradição oral apostólica no mesmo pé da escrita.
  • Ambos concedem por tradição (não por texto) três coisas: não há mais apóstolos, não há mais livros de Escritura e não há nova revelação pública vinculante até a segunda vinda; Fradd usa isso para mostrar que o próprio protestante aceita tradição extra-bíblica.
  • Fradd rejeita 2 Timóteo 3.16-17 como prova, notando que o texto diz “toda Escritura”, não “só a Escritura”, e que a mesma linguagem de “completo/apto para toda boa obra” aparece em 2 Timóteo 2.21 e Tiago 1.2-4 sobre outras coisas (santidade, perseverança), sem que ninguém as torne suficientes sozinhas; Bertuzzi admite ser bom argumento.
  • Fradd expõe seu caso positivo (a Igreja precede e reconhece o cânon, cita Agostinho “eu não creria no evangelho se não me movesse a autoridade da Igreja Católica”, e Lutero rebaixando Tiago como “epístola de palha”) e o argumento de senso comum: texto é “surdo ao tom” e todo documento vinculante precisa de autoridade viva, daí a anarquia doutrinária protestante (regeneração batismal, batismo infantil, presença real, aniquilacionismo de Randal Rauser).
  • Bertuzzi contra-ataca com o problema da regressão interpretativa (é preciso interpretar o intérprete) e com o dilema “qual tradição/igreja é a verdadeira?”, argumentando que as mesmas ferramentas falíveis usadas para identificar a igreja verdadeira servem para interpretar a Escritura sozinho; Fradd concede que essa objeção (“você usa seu juízo falível para chegar à igreja infalível”) o obriga a pensar mais.
  • No Q&A discutem suficiência material versus formal (Bertuzzi aceita a material, rejeita a formal), Mateus 18.15-17 e Atos 15 (Fradd: a Igreja tem autoridade jurídica real de excomungar), e Fradd pressiona com o argumento causal “como obter efeito infalível (o cânon) de causa falível (a igreja)”.
  • Fradd encerra reafirmando o tripé (antibíblica, anti-histórica, desarrazoada); Bertuzzi encerra com um argumento antropológico (conhecer a falibilidade humana torna prudente ancorar a autoridade apenas em quem esteve próximo do evento Cristo) e uma visão cristocêntrica e autoautenticante do cânon, admitindo estar aberto a estar errado e ainda “trabalhando” sua posição.

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