¶1Cora, Rona, de que falaremos hoje em Pedro Cora? >> Quando a gente pensa com coração não dá certo. Tem que pensar com cérebro, né? >> Não seja tão injusta com você, Cara. [risadas] [música] >> [música] >> Quara, você viu o o o discurso de Jair Bolsonaro na convenção de seu filho Flávio?
¶2>> Eu vi. É, agora tá se discutindo se pode ou não pode. >> Olha aqui, a coisa eticamente é muito simples. Não pode, [roncando] porque o sujeito está preso, não pode se manifestar, etc, etc. E o que está lá até segunda ordem é com a imagem dele se manifestando.
¶3O que tá se discutindo no fundo são tecnicalidades. Ah, se inteligência artificial vale ou não vale. >> Eh, eu ele oficialmente ele disse que não autorizou, né? Me engana que eu gosto, né? Eu [limpando a garganta] sei.
¶4Eh, o o que a regra é que tem duas decisões diferentes, né? Eh, [limpando a garganta] uma decisão cabe ao TSE, outra cabe ao Alexandre de Moraes. Uma questão é se aquilo viola os termos da prisão da prisão domiciliar humanitária, né? Eh, ele tá proibido de se manifestar, se viola ou não. Isso é uma decisão pro Supremo.
¶5Eu não eu não entro muito nessa decisão porque olha aqui, vamos, pera perí, vamos. A gente tá perdendo completamente o certo moral na política brasileira. Por quê? Um dos motivos de uma pessoa ficar presa é [limpando a garganta] não poder se comunicar com o resto da sociedade. Mas vem cá, eh, [limpando a garganta] não, tudo bem.
¶6>> No caso dele típico, >> não, tudo bem. Eu e eu não tô discutindo isso. E e eu acho que tem uma outra discussão que é uma discussão paralela que é o seguinte, o uso de inteligência artificial na na eleição, que eu acho que é é uma veja, eh por isso que eu digo que tem dois debates distintos. Um é se viola a prisão domiciliar [limpando a garganta] humanitária. E e aí eu acho que a partir do momento que ele diz: "Não autorizei", complica a coisa.
¶7>> Não, me desculpa. Não é uma >> Quera. E vem cá, e se o Lula usar a imagem do Bolsonaro? São coisas diferentes, porque o filho do Bolsonaro é um Bolsonaro, tá correndo na sombra do pai. >> Quer dizer, a gente ignorar o peso disso, quer dizer que que essa uso dessa imagem tem pesos diferentes para pras duas campanhas, é a gente se fazer de trouxa.
¶8>> Tudo bem. E aí, se alguém que não é da campanha do Flávio Bolsonaro, mas que é um fã do Bolsonaro, faz um vídeo com Bolsonaro e solta, >> não pode usar a inteligência artificial e não pode a pessoa presa. >> Tudo bem, mas como é que o Flávio >> como é que o Flávio vai? E a pessoa presa não está se manifestando. >> No caso, no caso do Flávio, >> fã, se um fã do Flávio e do pai do Flávio produz um vídeo solta, >> não pode.
¶9>> E aí você São 213 milhões de brasileiros. >> Eu sei. >> Você acha que não vai ter um bando de gente fazendo vídeo do Bolsonaro com Flávio? Olha aqui, questão é a seguinte. O Instagram deixa passar alguma foto de peito?
¶10>> Mas e o WhatsApp? >> O YouTube deixa passar alguma? >> Mas aí você vai pr o próprio WhatsApp. >> Olha, olha, olha, olha, olha, olha o buraco que você tá cavando. >> É um é um buraco.
¶11>> Olha o buraco que você tá cavando. Olha, ol, olha o buraco que você tá cavando. Eu tô simplificando muito. Tudo bem. Não, não, não, não, não, não, não.
¶12Tudo bem. Eh, e os vídeos antigos do Bolsonaro? >> Os vídeos, pois é, os vídeos antigos são vídeos que foram feitos da pessoa dele, >> certo? Se os vídeos antigos foram feitos antes da prisão, >> como é que o YouTube ou o Instagram vão saber que aquele vídeo é um vídeo novo ou não é um vídeo antigo? >> Vocês sabem, já subiu?
¶13Não. Pois é. Não sabe não. Desculpa. [risadas] Não, não, não.
¶14Veja, mas >> é, é que o que eu tô fazendo, evidentemente, é de propósito. >> Não, eu sei porque é mostrando é [risadas] mostrando como que uma coisa que parece moralmente muito simples, >> quando você começa a olhar a coisa, você vai cavando, vai cavando, vai cavando, vai cavando, vai cavando. O buraco aumenta. [risadas] Não, eu eu eu parti do princípio de que não é aceitável essa situação. Resolve como >> Ah, esse é o problema.
¶15Pois é. >> É. Pois é. Por isso que eu tô dizendo, eu acho mais fácil, eu acho mais fácil a gente separar as duas discussões. >> Olha, >> uma discussão é a discussão de se viola ou não a prisão domiciliar humanitária.
¶16Vamos deixar essa decisão pro Alexandre de Moraes, que é o juiz relator do caso. Pronto, encerrado. >> Eu eu eu fico indignada quando se usa essa palavra humanitária em relação ao Bolsonaro. É, ele é o ser humano comera e ele tá numa prisão domiciliar humanitária, porque ele não tem saúde para ficar numa cadeia. >> Detesto.
¶17Hoje tô atacada. [risadas] Detesto o uso da palavra humanitária em relação a uma pessoa que nunca demonstrou um pingo sequer de humanidade. >> Você me permite então avançar no momento? >> Permito. Não, eu tô atacada.
¶18[risadas] Desculpa. E esse esse troço me irritou no grau, [risadas][limpando a garganta] porque você sabe que que é o o que me irritou mais do que mostrar ele qualquer coisa é aquela ideia de achar que todo mundo é trouxa. >> É, é >> eles se acharem mais espertos do que o resto da humanidade. >> Eu acho que eles ficam provocando para causar confusão, tá? >> De não terem não terem regras, de não respeitarem nada.
¶19não respeitam mesmo, mas eu acho que ali eh tem uma coisa de gostar de fazer confusão. >> Sim. [roncando] >> Eh eh agora o que que o que que de repente me ligou como como alerta [roncando] é que de novo, começando um debate é se viola ou não as condições da >> prisão domiciliar. Isso [risadas] não repita humanitária de estressa. >> Essa é uma decisão que cabe ao ministro relator do caso, que é o ministro que o condenou à prisão por tentativa de golpe de estado.
¶20>> Isso eu acho que não viola no seguinte sentido, não foi ele que fez. >> É isso. Mas tudo bem. Aí tem uma outra discussão que é a a discussão que é muito interessante do TSE. a respeito de deep fake, eh, de vídeo feito por por Iá e e tudo mais.
¶21Eu eu fui atrás da regulação que eu nunca tinha [risadas] tinha lido lá atrás e é proibido proibido [roncando] uso de imagens sintéticas. Eh, não importa se é um deep fake, não importa se é uma coisa feita por ela. Vídeo ou áudio sintético de pessoa viva, de pessoa morta e de pessoa fictícia, mesmo que autorizado. >> Pronto. >> É proibido para uso em campanha.
¶22>> Pronto. >> Tá certo? >> Eh, aí tem uma discussão que é uma discussão que vai caber ao TSS. É dentro da convenção já é campanha ou ainda não? E tudo bem.
¶23Deixa eles lá, Cara. Olha a loucura. Proibido o vídeo de A de pessoa viva ou pessoa morta. Quer dizer, não pode Dom Pedro II, não pode Lula, não pode Bolsonaro. Eh, o Flávio Bolsonaro, por exemplo, tem usado na campanha dele uns vídeos no Instagram, não sei se você já viu, em que ele posa de Tom Cruz.
¶24>> Deus, Deus me poupou me [limpando a garganta] poupa de certas infelicidades na vida. Pronto. >> É, é e ele, ele é Don Cruz no Top Gun, pilotando um, um, um, um caça. E num dos vídeos ele vai até os Estados Unidos falar com o Neymar na Copa. No outro vídeo ele tá sobrevoando a Amazônia e é vem outro eh eh outro caça, esse argentino com Javier Miley dentro.
¶25Então vamos para o Pacaembu. E eles vão pro Pacaembu para pra convenção. Esse negócio na campanha eleitoral. Esses vídeos vão ser ilegais. >> Sim.
¶26>> Eh, >> e já deveriam ser pela própria palhaçada, né? Pelo nível de ridículo. Mas enfim, >> tudo bem. Imagina o trabalho que a justiça eleitoral vai ter de proibir tudo quanto é candidato do Brasil que aparece com vídeo meme. >> Vai ter.
¶27>> Mas a gente quer a justiça eleitoral trabalhando nisso. >> A gente quer filtros nas plataformas. >> Por que que a gente quer proibir vídeo cuá, >> cara? [limpando a garganta] Porque na verdade quando você tem um vídeo para uma campanha política, >> você pressupõe que aquele candidato tá se mostrando como ele é. Ah, ele tá se aproximando do eleitor.
¶28Quando você joga uma camada tão grande de ficção, isso não permite ao eleitor fazer uma imagem correta daquela pessoa. Eu vou te dizer o seguinte, não precisaria nem ser nada. Quer dizer, você imagina se amanhã você faz um filme, uma ficção com um candidato salvando uma criancinha de se afogada. Vídeo mesmo. O candidato lá bota uma um ator mirim na água, mãe desesperada, ele vai e salva.
¶29Isso não pode, porque você tá falsificando a realidade. Em tese, eu acho que quando você tem vídeo de um candidato, é para mostrar a pessoa, não é para mostrar o que é as pessoas da campanha de marketing dela conseguem fazer ou o que que os melhores desenhistas ou diretores ou roteiristas conseguem fazer em torno daquele personagem. Eu sou contra esse tipo de uso de de ficção mediante antes da da inteligência artificial. >> Quar. >> Você já assistiu alguma propaganda política que tenha te passado vagamente a impressão de que você estava vendo aquela pessoa pelo que realmente ela é?
¶30>> Não. Não. Mas >> qual é a diferença? >> Mas não, eu vou te explicar. As campanhas políticas tem muita coisa que não é o candidato propriamente dito, que são inteiramente fictícias.
¶31Aquele aquele clássico e tenebroso vídeo em que a Marina foi colocada como uma espécie de vampiro ou chupacabras ou que >> que vai tirar o Bolsa Família porque vai tornar independente o Banco Central. É, tiraria a comida da da mesa do, >> aliás, o Banco Central é independente faz algum tempo e o Bolsa Família continua existindo. >> Pois é, mas aquilo foi tão atróz que aquilo >> afundou a campanha da Marina. Eu acho que >> nós sofremos no Brasil as consequências de uma campanha de marketing cruel que nos impediu de eleger a pessoa mais qualificada pro cargo que esse país teve em muitos e muitos anos. Ponto.
¶32Então, nós somos vítimas de uma calamidade histórica causada por um vídeo antes da Iá, que conseguiu convencer as pessoas de que a Tudo bem, tudo bem. Eu eu eu acho a campanha que o PT eh conduziu em 2014 de uma sordidez. Estamos, estamos de acordo. Eh, >> mas eu, eu, eu ia dividir esse raciocínio em dois pontos, >> tá? >> Quer dizer que uma coisa é esse vídeo de uma ficção, de uma família, etc.
¶33Outra coisa seria um vídeo botando a Dilma numa situação de ela pessoalmente, ela personagem, ela candidata, ela o que quer que seja, numa situação artificial do ponto de vista da pessoa do das suas circunstâncias. ah, ela como médica vacinando as pessoas ou ela numa casa muito humilde para passar uma sensação de olha todos vocês ou ela como uma pessoa simpática, sabe? Então essa essas coisas eu acho que sou contra a ficcionalização da campanha política de um modo geral. Isso foi contra o uso da IA em torno da toda a campanha política é ficcionalizada. >> Eu sei, mas isso não devia ser permitido.
¶34>> Mas qual é da natureza político? A a natureza da democracia >> é mentir. Eu >> não é nem mentir, mas é dissimular. Eu sei, eu eu eu eu não tô conseguindo passar bem a minha a minha sensação em relação a isso. >> Eu Mas o ponto que eu quero chegar, gente, >> é que eu acho que a pessoa é uma coisa e a ficção da campanha é outra.
¶35Quer dizer, aquela hora que a dona de casa vai lá, pega os legumes, não sei quê. Vamos, veja, a norma diz que todo uso de vídear em campanha é proibido. Ponto. Tá com pessoa viva, morta ou fectícia, é proibido, tá? digamos que digamos que fosse permitido com um aviso que tem que tá claro o tempo todo.
¶36Esta este é um vídeo construído por inteligência artificial ou este vídeo não corresponde à realidade. Você pode escrever o texto, tá? o texto que você quiser. Este vídeo não constrói a não representa a realidade, >> continua não valendo. Porque a questão é a seguinte, quando a pessoa não está assistindo a propaganda política, como quem tá no cinema prestando atenção às legendas, a coisa da campanha política é muito subjetiva.
¶37Você passa e muito rápida, você tá passando dali do lado, você vê aquele trecho de vídeo ou qualquer coisa. Se fosse um desenho animado, poderia >> um desenho animado, poderia, porque eu acho que o desenho animado é muito claramente artificial. >> Se fosse com atores, poderia? Não, acho que não. Eu acho que o desenho animado tem uma coisa que destaca ele de qualquer espécie de realidade.
¶38E mesmo assim, >> porque a campanha política, eh, atores interpretando papéis em campanha política é uma coisa que pode tá aqui no no mas >> aqui na Argentina, na Colômbia, em tudo quanto é lugar. Mas, mas eu tô dizendo duas coisas, estamos falando de duas coisas diferentes. Eu tô falando da figura do candidato. >> E você tá falando >> e se tivesse um ator que fosse idêntico ao candidato? >> Acho que não deveria [limpando a garganta] ser possível.
¶39Não, não deveria ser permitido. >> Mas o candidato fingindo que é simpático quando é um sujeito antipático pode na >> se ele for bom ator é nosso azar. Costumam ser >> sim >> os que fazem sucesso. >> Pois é, paraa nossa desgraça. Mas aí é a pessoa, eu não sei te dizer o que que é.
¶40>> Se dizer verdade. Eu acho. >> Você não me convenceu em nada [risadas] ainda. >> Eu acho que eu não me convenci em nada. Eu tô pensando em voz alta e nem sempre eu consigo pensar com muita clareza.
¶41hoje, hoje [risadas] particularmente >> é que é que eu é que eu acho que o seu problema não é que você não tá conseguindo pensar com clareza. Eh, eu passei exatamente pelo que você tá passando, que é, eu estou confrontando esse problema exatamente nesse a minha a minha intuição quando a coisa apareceu foi não devia poder. Aí eu comecei a pensar, é, e quanto mais eu pensava, mais eu me confrontava com e e não devia poder. Por quê? É, eu não, eu vou te confessar que eu não, eu não pensei >> não.
¶42Eu acho que é um problema novo. A maior parte das pessoas, aliás, eu não pensei, eu tive uma reação de raiva quando eu vi aquilo. >> Tudo bem. >> E depois não pensei mais no assunto. Eu pensei na na medida em que isso foi >> passando, mas >> eu inclusive não tô.
¶43Eu eu tô meio que me apagando para esses assuntos, porque eu tô com um problema grave em casa com os meus gatos. Eu tenho >> é tem mais o que se preocupar, né? >> É, eu tô com vários gatos doentes ao mesmo tempo. Então eu não vou ficar gastando o meu pensamento em Bolsonaro, inteligência artificial, não. Sim, mas só para justificar porque que isso fugiu tanto da minha prioridade de pensamentos, porque >> você não precisa justificar em nada, né?
¶44Não preciso, porque na verdade se você pensar que eu me dedico à tecnologia, que eu penso essas coisas com mais frequência do que seria seria >> habitual para as outras pessoas >> ou habitual ou de bom senso ou de bom ouvito. [risadas] Mas eu o que eu tenho pensado aqui são as implicações da diabetes do toró, as questões da falência renal da rata, enfim. Então eu pensei menos sobre isso do que eu pensaria, mas a minha reação visceral é essa. Eu acho que não se deve deixar inteligência artificial funcionar em política >> com a figura do candidato. É o que se chama.
¶45Eu acho, eu acho que é, eu acho que é inevitável. >> É inevitável, mas é direito. É correto. Porque >> se você fizer uma coisa daquelas, tirou a comida do prato das pessoas, não sei quê, isso você pode fazer sem inteligência artificial também. Mas você não pode fazer, digamos, pegando aquele vídeo que nos levou a toda a calamidade posterior, você não poderia fazer a Marina tirando aqueles pratos.
¶46Cor >> ent você não pode usar a imagem. >> Bem, tudo bem. Vamos lá >> do outro. >> Eh, o que que um político tem que tem de fazer? Qual o o o eh o que pedimos que os políticos façam?
¶47O que a gente pede pro que os políticos façam conosco é que trabalhem com persuasão, que nos convençam >> isso. E e pessoalmente e e suas próprias >> pessoalmente não dá para um candidato a presidente. Mal dá para um candidato a deputado quanto mal para um presidente da República. Eh eh pessoalmente não dá. Eh, agora a gente quer que políticos continuem com as mesmas ferramentas do tempo do rádio.
¶48Não, a gente não pede isso. >> Eh, a partir do momento que existem eh ferramentas novas, não existe nenhuma razão para um político não poder usar uma ferramenta nova. Mas então você concorda com o fato de de uma imagem do Bolsonaro não ser o Bolsonaro? Quer dizer, de se aceitar aquele vídeo do Bolsonaro? Eu eu eu acho que eu eu acho que é inevitável.
¶49Veja, >> mas é inevitável, é aceitado necessariamente ou e eu acho que o Bolsonaro não pode participar da campanha. A pessoa, o ser humano, Jair Bolsonaro não pode participar da campanha. Eh, eu acho que a imagem do Bolsonaro está na campanha. A gente não consegue fugir do fato de que Flávio Bolsonaro é filho de um homem que tentou dar um golpe de estado, eh, e tá na campanha eleitoral representando o pai. Cabe a nós a missão de convencer a maior quantidade possível de brasileiros de que não é uma boa ideia eleger esse cara eh presidente da República, porque ele representa eh uma ameaça à ruptura da democracia brasileira.
¶50Eh, foi isso que o pai dele quis fazer e eles sequer pedem desculpas. Eh, agora não me parece também que a gente vai ter muita dificuldade em fazer essa persuasão. Eh, ele não, a campanha dele é um desastre. Os políticos de direita estão se afastando dele todos. >> Mas por que a campanha dele é um desastre?
¶51Seria aceitável votar o Bolsonaro? >> Mas meu Deus do céu, o que que a gente tá querendo impedir exatamente? Eh, que o eleitor perceba que o pai dele apoia ele? O elitor sabe disso. Esta é a ferramenta de campanha dele.
¶52A e um Bolsonaro de IA não tá fazendo nada que não lembrar o eleitor de que o Flávio é filho do Jair. >> Mas se você bota o Bolsonaro de A, >> hum, [limpando a garganta] >> o que te impediria de botar uma câmera na casa cara do Bolsonaro em casa? >> Ele não pode se manifestar. >> Pois é. Mas então, >> mas ele tá com uma pena de cerciamento de liberdade.
¶53>> Tudo bem, Cora. O Flávio, você acha que o Flávio não vai usar >> vídeos antigos dele com pai? >> Vídeos antigos é uma as pessoas percebem também que aquilo é um vídeo antigo. Não, >> não, tudo bem. E e não é só que as pessoas percebam, eh, vai precisar ser muito claro que o vídeo é antigo, porque ele não pode hoje.
¶54Eh, entende? É, é aquela coisa, o Brizola não podia usar a imagem do Getúlio Vargas na campanha. O o o Hadad não pode usar a imagem do Lula junto com ele quando tava o Lula preso. Podia. Eh, tem uma hora ali que é a a no fim das contas, o que que o que que eu fico?
¶55Qual é a coisa que bate para mim? Eh, duas coisas batem para mim na na minha cabeça. A primeiro é qual é a mensagem que a gente acha que não deveria poder ser dita quando a gente diz que não pode aparecer um Bolsonaro de ar? A mensagem, se o que a gente não quer que possa ser dito é que o Bolsonaro apoia o Flávio, [risadas] [roncando] faz sentido, esse raciocínio faz sentido. Aí a a a segunda coisa é não, nós não queremos que o eleitor seja enganado, eh, e possa ser ludibriado por um vídeo de a e aí não tem nada apenas a ver com E essa é a intenção da regra do TSE no fim das contas, a gente não quer que o eleitor seja enganado.
¶56Mas aí, olha como é que você cria uma situação maluca. Eh, então as campanhas não podem usar IA. Então o o vídeo do Flávio Bolsonaro no CA ali de Top Gun pode até agora, dia 15 e 16 de agosto começa a campanha eleitoral. Não pode mais ter no Instagram do Flávio Bolsonaro. Flávio Bolsonaro ou Domon Cruz, eh, todo machinho lá, bonitinho.
¶57Tá bom, não pode. Vai continuar podendo com tudo quant leitor dele e produzindo o vídeo. O vídeo não vai deixar de existir. Então, é aquela coisa de o que que a gente tá proibindo. Exatamente.
¶58E ao mesmo tempo isso cria uma situação que é, olha a quantidade de trabalho que isso vai gerar pro TSE, pros ministros do TSE. Agora, mas se a gente entra por aí, a gente entra num terreno do surreal. Mas a gente está no terreno do surreal porque as campanhas não podem usar, mas o eleitor pode. Então tem 20 pessoas no Brasil que não podem fazer vídeos do Flávio Bolsonaro com suas pessoas que estão trabalham na campanha dele. 100 vai agora tem 200 milhões de pessoas que podem.
¶59Isso é realismo fantástico. [risadas] Isso é totalmente surreal. E aí vira uma situação que é o seguinte: a campanha pode fazer vídeos, basta não publicar no seu Instagram e negar que foi ela que fez. E não é só do Flávio, é do Lula, é é do Caiado, é de todo mundo. Todo mundo pode fazer vídeo de só não pode assumir que fez.
¶60Basta usar em todos os canais não oficiais. Agora, de vez em quando vai ter partido político entrando com representação no TSE, porque os advogados eleitorais são pagos para isso, para dizer: "Ó, na verdade aquele vídeo foi feito pelo fulano, ele só não tá admitindo e todo dia vai ter advogado batendo no TSE >> dizendo: "Olha aqui, não pode e o TSE vai ter que gastar tempo de juiz eleitoral decidindo se foi um fã, um eleitor ou ou se foi a campanha de onde a gente pode traduzir que o que já era bagunçado bagunçou ainda mais, viu? >> Era mais fácil não ter proibido. >> Desandou de vez. A única coisa que a gente, a única coisa que o Tribunal Superior Eleitoral deveria tá preocupado é quando um vídeo eh engana o eleitor fazendo ele achar que ele tá vendo a realidade e isso altera a percepção dele eh a respeito do candidato.
¶61>> Mas pois é, é isso que eu tava dizendo. >> Tudo bem, mas isso são casos muito raros. Isso, por exemplo, é aquele vídeo que era deep fake do João Dória no meio de uma eh, eh, no, no meio do segundo turno. >> E não precisava de inteligência artificial, >> não. Não precisava de inteligência artificial.
¶62Aquilo é uma coisa que até usa, mas é um tipo de diferente de inteligência artificial mais primitivo, né, que bota, recorta o rosto de um ator e bota o de uma figura conhecida. Eh, cara, você tem razão, não sei o que fazer, mas eu continuo achando que não pode na minha cabeça, na bem, >> não, não adianta nada eu achar. O que eu acho, eu deixo de achar. É indiferente, porque >> é que eu costumo achar as coisas no mundo de verdade. [risadas] Eu [roncando] tô, eu tô partindo daquele princípio de que ninguém deveria passar fome, todo mundo deveria ter uma boa moradia.
¶63Só >> bombas nucleares deveriam ser proibidas. >> É tipo isso. É, eu entrei por um caminho de flores e abelhas e >> é >> passarinhos cantando nas árvores. Não acontece. >> Nunca lhe prometi um jardim de rosas.
¶64>> Isso. Tipo, Pois é. >> Pois é. Temos razão. >> Temos livro.
¶65Ah, [risadas] temos um livro ótimo. [roncando] Olha, veja isso aqui. >> O canto dos sepultos. Ah, coisa triste. >> Jasmine Ward, tradução da Camila Von Holdfer.
¶66Veja que livro bonito, que edição, né? Caprichada, com esse corte pintado carambaia naturalmente, né? faz essas maravilhas. Mas vou te dizer, esse nós estávamos falando da Odisseia e eu pensei nesse livro e ele esse livro ganhou o National Book Awards nos Estados Unidos. Ele é considerado um dos melhores romances do século e enfim desse nosso século agora, né?
¶67Ele foi lançado em 2017. Eu li esse livro em inglês quando ele saiu. O título do livro em inglês é Sing, unburried sing. Cantemerrados, cantem. E eu fiquei pensando, digo, como é que vão traduzir esse título quando o livro chegar ao Brasil?
¶68Porque é difícil. Cantem sepultos, cantem. E aí >> em sepulto e unbered é exatamente a mesma coisa, né? >> Não, são coisas completamente diferentes. Unid é realmente >> desenterrado.
¶69>> Desenterrado. Mas >> o insepulto não chegou a ser sepultado. >> Mas olha que lindo que ficou o canto dos sepultos. É bonito o título. >> Eu se tivesse título, prêmio para melhor título de tradução, a Camila receberia esse prêmio imediatamente das minhas mãos, que depois largariam para bater palmas, porque eu achei maravilhoso o título.
¶70Essa eu se é um romance do Mississippi, clássico romance do Mississippi, pobreza. Jim Crow, >> Jim Crow, essa eh mais do que Jan Crow, sabe a diferença racial, a diferença social entre >> as raças, a desimportância de uma vida de cor. Jim Crow só para e é o conjunto de leis que existiram nos Estados Unidos, no sul dos Estados Unidos até >> até a meados dos anos 60, >> eh diferenciando ativamente os direitos de pessoas negras, pessoas brancas. >> E eu aqui não disse necessariamente negros, porque também há indígenas. >> Aham.
¶71nessa nessa nessa história, enfim, a população do do Mississipio é muito muito variada, né? Só os brancos realmente tinham direitos. E é uma é uma história muito bonita, uma história, quer falar em surrealismo, é isso, é muito surrealista, porque são há fantasmas, mas os fantasmas são reais. Os fantasmas não são para serem considerados fantasmas, eles eles são parte da história. Eles são a maneira como a história é transmitida entre as gerações.
¶72uma família que tem nessa nessa família, mas que não é particularmente uma família diferente das outras, algumas pessoas vêm fantasmas, com grande naturalidade e conseguem até se comunicar com os animais. Elas elas têm uma percepção do mundo diferente. O romance é escrito em vozes diferentes. É uma avó que cuida das pessoas, é a mãe. Essa avó tá morrendo.
¶73O neto que eu acho que é o grande personagem, o Joe. Enfim, você tem vozes diferentes narrando as diversas partes do romance e me lembrou de Seia no quê? Porque a mãe do Joe Joe, que é a filha dos avós na casa de quem ele é criado, vai receber o marido branco quando ele é liberado da cadeia. Para isso ela tem que fazer uma longa viagem de carro e ela vai com a melhor amiga dela e com os dois filhos pequenos. E essa viagem é a forma de contar um conto muito violento, muito muito emotivo do mundo muito imperfeito.
¶74A mãe essa que dirige, que que é a mãe do Jo, Jo, ela é uma pessoa viciada em cocaína. A violência, a violência racial permeia essa história de ponta a ponta. É um romance extraordinário. Eu tô tô contando tudo isso e parece uma coisa lúgubre e terrível. E, aliás, é lúgubre terrível, mas é muito legível, sabe?
¶75É muito bonito. É, se ele tem um defeito para mim é que ele tem, em alguns momentos ele resvala pro poético, mas o estilo dela é esse. >> Aham. >> Sabe? E o outro defeito que eu encontrei é que as diferentes vozes não parecem suficientemente diferentes entre si.
¶76Isso não é um problema da tradução, isso é um problema >> do original. >> Do original. Mas é extraordinário, é muito bonito. Eu eu acho que é um uma leitura importante, sabe? É um é um livro que te fisga.
¶77Quando você começa a ler, você vai lendo e é uma história que mexe com você e te faz pensar. desperta a o teu, a tua emotividade, o o teu comprometimento com a humanidade de modo geral, sabe? Quer dizer, tipo, eu faço parte desse mundo. >> Uhum. >> Olha, e recomendo muito, sabe?
¶78Eu eu acho que esse prêmio foi super merecido, inclusive. E essa edição está linda, um espetáculo e a tradução é muito boa. E esse título é absolutamente genial, né? >> É >> esse título. Realmente eu e quando eu vi digo: "Ah, caramba".
¶79É isso. Exatamente. [risadas] >> Muito bom. >> Então eu recomendo o livro a todos. Ele não é o livro para você ler se você tá querendo passar um fim de semana na praia sem maiores preocupações.
¶80Ele ele é um livro denso, ele é um livro muito emocional, digamos, ele toca em cordas muito profundas. Não é um não é um livro que vai te deixar indiferente ou que vai preencher uma tarde de sol. >> Uhum. Mas se você tá querendo ler um boa literatura e um livro importante, esse livro é um livro importante e é ótima literatura. >> Nos vemos na quinta.
¶81>> Na quinta, com certeza. >> Até quinta-feira. Três coisas que separam quem só assiste a seleção de quem realmente acompanha ela. Ó, a primeira, acessa as análises que costumam ficar restritas às salas de decisão. Ou seja, quem lê pesquisa, [música] poder, sociedade, por dentro.
¶82Você encontra esse material no meio político toda quarta-feira e também em matérias e entrevistas na edição de sábado, [música] além dos dados da pesquisa Meio Ideia Mensal, que agora interativa e te permite, se você é assinante, fazer o recorte que mais te [música] interessa dentro do nosso site. A segunda é ter opinião de verdade, não é prestada, é a diferença entre repetir o que ouviu e entender porque [música] aquilo aconteceu. O tipo de leitura que te deixa seguro numa roda de conversa traz repertório e não te deixa cair no argumento [música] pronto. Agora a terceira, a mais difícil, atravessar essa eleição sem virar refém de [música] bolha, militância, cinismo. Discordar faz parte, mas sem transformar isso em guerra.
¶83É isso que o Meio Premium sustenta todo mês com catálogo de produções originais no nosso streaming. Com ação chegando, não é só que você vai ficar mais por [música] dentro, é que em nenhum outro lugar você vai entender melhor o movimento político dos próximos meses. Só R$ 15 por mês. meio prêmium. เฮ [música]