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Conversas Difíceis sobre a Igreja l Lançamento Igreja Sob Medida em São Paulo

a tese

No lançamento do livro Igreja Sob Medida em São Paulo, Bibo e Luís Henrique usam comentários hostis colhidos num vídeo sobre a importância de congregar para atacar o antiinstitucionalismo evangélico, sustentando que a igreja é organismo e organização ao mesmo tempo e que a crítica ao CNPJ não sobrevive à realidade.

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o alvo da crítica deles (a igreja como só o povo, denominação como burocracia, desconfiança do templo e do CNPJ) encosta na eclesiologia da sua própria tradição, e vale ouvir como objeção externa bem articulada, ainda que sejam 63 minutos com uns quinze de substância.

O que foi dito

  • O gancho são comentários a um vídeo de uma influenciadora do meio (Eloíza, grafia incerta) que defendia congregar: “não existem igrejas, só a de Jesus, o resto é seita”, e “templos e denominações são apenas burocracias pseudoteológicas fadadas ao fracasso”.
  • A resposta deles é histórica e textual: já no Novo Testamento há organização, com Paulo escrevendo para organizar comunidades, Atos 6 criando função para atender as viúvas negligenciadas, e as sete igrejas do Apocalipse mostrando problemas distintos em cada lugar, sem nenhuma ordem de acabar com elas, apenas de se arrependerem.
  • A distinção que estruturam é a de Keller entre organismo e organização: a igreja não pode deixar de ser movimento do Espírito, mas será sempre também organização no mundo, e ata, alvará e CNPJ são a forma cultural disso hoje.
  • Diagnosticam o antiinstitucionalismo como ressentimento de quem se feriu numa comunidade, e sustentam que a cura de uma experiência traumática de igreja é viver igreja numa igreja saudável, não fugir dela.
  • A definição de igreja saudável que oferecem não é a de igreja sem problemas, mas a de igreja que encara o problema de frente e o resolve em comunidade, e eles avisam que nenhuma comunidade terá as seis medidas do livro plenamente desenvolvidas.
  • A tipologia prática é de três: igreja saudável a gente ajuda a construir, igreja doente a gente ajuda a reabilitar, igreja falsa a gente deixa.
  • O conselho mais duro é o de Luís Henrique a quem tenta mudar a comunidade de fora da liderança: “CNPJ sempre terá mais poder do que CPF”, não adianta lutar contra um sistema que você não constrói, e se o que está em jogo é pecado e você não foi ouvido, o caminho é sair.
  • Advertem contra trocar a identidade teológica de uma comunidade por gosto pessoal do líder, com o exemplo de igrejas pentecostais saudáveis que alguém quer reformar, e a imagem de que mudar uma igreja é manobrar transatlântico, não dar cavalinho de pau.
  • A crítica mais interessante do evento é à teologia de internet: Piper, Victor Fontana, Nicodemos, Gutierres Siqueira falam sempre de dentro de uma tradição amparada por uma comunidade, e quem consome só a ponta do iceberg fica sem o que dá sustentação, de modo que a saída para a confusão é encarnar a teologia numa igreja local.
  • O tom é de conversa de palco, com muita piada interna, participação da plateia (uma família que é ela mesma a igreja, um pastor presbiteriano interpelado sobre transparência financeira) e relatos pessoais: os dois já trocaram de igreja três ou quatro vezes, e Bibo saiu da Assembleia de Deus em 2014.

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