¶1เฮ [música] [música] >> [música] [música] >> เฮ [música] >> [música] [música] >> เฮ [música] เฮ [música] [música] Olá, [música] boa tarde. Seja muito bem-vindo, seja muito bem-vindo ao Central Meio. Hoje é sexta-feira, 7 de agosto de 2026. Eu sou Pedro Dória. Comigo estão Luía Silvestrini e Alexandre Borges.
¶2Comoão das sextas-feiras? Beleza. Nossa sexta-feira que promete vento, mas a Fundação CIG Cobra Coral está cuidando disso. Pois é, >> agora tudo vai se resolver, pessoal. >> Isso, isso é um mistério profundo da [risadas] prefeitura do Rio de Janeiro.
¶3Desde a gente era adolescente ainda, a prefeitura já contratava. Eu eu eu me intrigo, eu nunca fiz como jornalista pergunta, vem cá, e que artifício legal exatamente vocês usam [risadas] para dar dinheiro para um médium te dizer se vai chover ou se vai fazer sol ou pedir eh porque ouvi dizer que não tem dinheiro envolvido, né? É, é uma um acordo de de cooperação, de não sei quê, mas pelo que eu li, não >> é porque não tem um atimanha legal para você conseguir pagar, né? É, agora o que que é exatamente? Porque não é só credibilidade, né?
¶4Só se você fazer acordos assinar já é uma loucura, né? >> Porque veja, não é espiritismo. Eh, eu eu até entendo aquela coisa, Dr. Fritz, cirurgia espiritual, tal. Eh, eh, agora espíritos controlam no espiritismo.
¶5Eu acho que, tipo, esse mundo cardecista não tem espírito, >> mas o cacique é uma coisa animista que >> controla assim, mas é é não, tudo bem, mas pode ser um cacique também. E um cacique pode >> não, mas a própria religiosidade é vai mais para esse lado, né, do dos dos deuses que controlam chuva e não sei quê. >> Mas mas então uma coisa, um bandista Fernoldo que acha que Deus é quem controla maré e tal. que na Umbanda tem muito sabedoria indígena, né? Então, eh, [risadas] >> tem, pode ser queid não é que na Umbanda tem muito de sabedoria indígena, né?
¶6Mistura muito com sabedoria indígena. Então, pode ser que, porque, por exemplo, na Umbanda você tem as entidades que representam forças da natureza, né, que estão ligadas a forças da natureza. Tem o mar, tem o vento. Então eu não, eu não sei, tá do Cobra Coral, mas para >> a única coisa que eu uma vez me explicaram um pouco melhor é a coisa do Exu e eh que tem o controle dos caminhos, que pode fechar ou abrir caminhos. eh, que eu entendo que foge um pouco a coisa do espiritismo, mas é que essa ideia de uma entidade que é capaz de controlar o tempo me remete a uma a uma mitologia mais pagã mesmo, uma coisa grega, viking, eh talvez indígena, mas é a coisa de de religiões mais primitivas no sentido de Deus sol, Deus lua, Deus vento, Deus mar, né?
¶7É, é, >> é isso, é isso, né? Eh, isso aqui é só para dizer que eu não tenho mais vaga ideia de como posicionar no mundo interreligioso essa essa entidade C que cobra com ela. >> É, então o Zé Carlos tá aqui corroborando na na Umbanda tem Pedro Ianã. Iançã que é orixá dos ventos e das tempestades dos raios. Iorubá que vem é e não é uma coisa indígena, não é não é tupia yorubá.
¶8É que o problema é que na Umbanda é tudo muito misturado, então pode ser que tenha o Yorubá e também tenha sabedoria indígena e tudo isso aqui no Brasil eh deu nisso, entendeu? Não é um Eu >> acho absolutamente o que eu acho absolutamente incrível na Umbanda e eu espero não estar cometendo nenhum erro, é a figura do Ogan, que é o seguinte, quando você tá no terreno, tá todo mundo meio incorporado, um pelo menos obrigatoriamente não pode incorporar porque ele tem que controlar o que tá acontecendo, né? Então eu acho isso uma metáfora assim incrível. Às vezes eu tava em reunião de trabalho, todo mundo meio doido, todo mundo xingando, gritando. Eu falei: "Alguém tem que ser oan aqui, pera aí.
¶9Alguém não pode incorporar e tem que [risadas] manter as pessoas com o mínimo racionalmente na discussão." Então eu eu roubo essa noção do dos umbandistas. >> Minha minha mulher é umbandista, então de vez em quando ela me carrega, ela diz: "Não, você está precisando tomar um passe você e eu diligentemente vou lá e obedeço". Entendeu? E e antes que você pergunte >> e [risadas] antes que imagina, eu eu sou eu sou eu sou aquele ateu eh que tem duas convicções. A primeira tem obviamente uma dimensão humana que me escapa e que a maior parte das pessoas ao meu redor alcançam.
¶10Eh, eh, eu não parto do princípio de, eu não sou um ateu, tipo, não acredito, não acho que existe, mas que as pessoas sentem alguma coisa, sentem. Eh, isso é evidente. Eh, eh, >> depois do passo você fica melhor. >> Ah, não, não sinto nada. Eu não sinto nada.
¶11Olha, eu fiz o caminho de Santiago, não senti nada. Achei o máximo experiência. Eh, saí certamente uma pessoa melhor. 700 km depois. a uma experiência mística uma experiência de encontro com Jesus, nada.
¶12Eh, eu eu cheguei no muro das lamentações, me levaram lá para dentro na parte coberta, eh, e e me permitiram, eh, com muita generosidade, inclusive, meter a mão ali no muro, chapar a testa no muro, no lugar mais próximo do sagrado dos sagrados, que era a o lugar dentro do templo. >> Eu fiz isso também, >> onde onde Deus descia no dia do queur, né, no dia do perdão. >> Uhum. eh que um no lugar mais próximo que um judeu pode alcançar, né? Porque hoje a espanada das minhas escritas está fechada só para muçulmanos.
¶13>> Então chapei lá eh eh a testa e e mentalizei meus filhos, minha mulher, entiado, pai e tal. Eu na igreja do Santo Sepulcro, eh, fui lá, tipo, eu sempre o o que eu, o, a minha política é o seguinte, eu entendo o que que é o ritual e eu faço o ritual para ver se alguma coisa acontece até hoje. É como eh uma uma vez eu eu ouvi isso de um de um de um político, eu achei uma frase excelente. Eh, e eu repito eh eh isso sempre, o bom Deus não me deu o dom da fé. Eh, então não tenho tal >> que não tá errado.
¶14A fé é uma é uma graça mesmo. Isso isso é coerente com a teologia. Você vai obedientemente também por carinho e apreço por quem tá com você. Então, o objetivo tá cumprido. O objetivo da oração é esse.
¶15Quando alguém que gosta de mim acha que é importante eu ir numa determinada cerimônia religiosa que tem valor para essa pessoa, é claro que eu vou. Eu acho que é uma questão de eh corresponder o gesto de afeto. E >> você pula sete ondas no em Copacabana, na no Rebelão? >> Não, não, [risadas] não. A não ser que ali é peça.
¶16Aí eu pulo, entendeu? A gente já fale que entidade na vida do Pedro chama Lia. Então [risadas] gente, é, tá tudo. Aliás, você teve que explicar pra Lia quem é Cláudia. Pedro Dória, todo mundo tá querendo saber.
¶17[risadas] >> Pior que depois eu lembrei quem é Cláudia, depois eu conto. É, pois é. >> Bom, gente, não é só na meteorologia que tá rolando um vendaval, não. Aliás, se você tá no Sul e no Sudeste, tem que se cuidar, porque tement ventania prevista, tá? Mas o nosso assunto aqui no central hoje é a ventania que tá desorganizando as duas principais campanhas à presidência.
¶18O Flávio Bolsonaro que escolheu um problema como vice e o Lula, que já tinha um problema político no filho Lulinha e agora tem outro no ex-chefe de gabinete, agora ex-coordenador de campanha também, o Marcola. Pois é, gente. Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, pediu ao STF, a PGR que acelerem a realização de um exame de DNA, que, segundo a defesa dele, vai provar que a acusação de estupra de vulnerável é falsa. [roncando] A investigação teve origem na acusação representada pelo deputado Lindberg Farias do PT aqui do Rio e pela senadora Soraia Tronique, atualmente do PSB do Mato Grosso do Sul. O ministro do STF, Gilmar Mendes, determinou que a senadora e o deputado prestem esclarecimentos e apresentem os indícios que basearam essa acusação.
¶19A campanha do Flávio tá contando que se o processo for arquivado, o senador pode acusar a Lula de usar uma denúncia falsa para desgastar Gaspar, que foi relator da CPMI do INSS, para proteger Lulinha. A ver o que vai acontecer por aí. Por falar em Lulinha, as investigações sobre ele continuam correndo e dando cada vez mais trabalho pra campanha petista, principalmente agora que também implicam o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro Marcola. E ainda tem a crise gerada pelo caso de INSS entre o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, e o diretorgeral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Depois de semanas, o Planalto decidiu entrar em campo para evitar que os atritos se transformassem em uma guerra declarada.
¶20As investigações sobre as fraudes do INSS, evidentemente, continuam. >> Depois chega o Guilherme Evernec para conversar com a gente, para alegrar a nossa sexta-feira com a melhor agenda cultural do eixo Rio São Paulo. Além de você, é claro, nosso convidado de todos os dias. Então, puxa aí sua cadeira, se acomoda, deixa seu like, se inscreve no canal e manda sua mensagem pra gente, porque o central meio tá no ar. Bom, tem problemas.
¶21Alô. Ah, agora sim. Tem problema para todo mundo, para todo gosto, né? Começamos por onde, [risadas] >> senhor? Eu, por favor.
¶22>> Vamos lá. Eh, vamos começar por Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar. Eh, o que e o artigo até que eu publiquei ontem sobre isso chamava de admissão de derrota. O que acontece, acho que não é mistério para ninguém que eh houve um acordo para facilitar a eleição do Artur Lira para o Senado, né? O o Gaspar, ele é um era até a véspera candidato ao Senado por Alagoas, o que poderia criar uma dificuldade para que Artur Lira vencesse a eleição.
¶23E houve um acordo. Quando o Gaspar sai da frente e deixa o caminho aberto com Artur Lira, a eleição dele fica muito facilitada. E no no dia eh eh 1eo de fevereiro de 2027, se não me engano, eh haverá a entra eh o novo presidente do Senado, que acho que todo mundo tá vendo cada vez mais como uma figura importante, né, na condução dos destinos do país, né, é uma figura cada vez mais importante. >> Cargo que o Artur Lira quer, né? >> Cargo que o Artur Leira quer.
¶24Então, e para isso ele precisa ser eleito, né? tem esse detalhe, >> ele precisa ser eleito, senador. Então, >> sendo que nas Alagoas a expectativa é de que a primeira vaga já é do Renan Calheiros e a questão é quem que vai ocupar a segunda, né? Exatamente. >> Então, a gente pode eh eh especular sobre o Flávio Bolsonaro que tinha uma vaga de vice que obviamente deveria ter sido ocupado por alguém que pudesse ajudar eh eh o Flávio no com o público feminino.
¶25Isso é óbvio, porque é o é o problema, é onde há ali uma eh eh um problema enorme da campanha. Ele só perde, ele tem, ele tem uma diferença. O, o, o gap de gênero, né, que se chama do voto. O Flávio e o bolsonarismo basicamente ganha com homens e perde com mulheres. Só que a vitória do bolsonarismo com homens é sempre é um ponto, é dois pontos, é uma coisa quase empatada.
¶26E a derrota com mulheres é tipo 10 pontos, né? >> Então, é óbvio que que e eh poucas coisas, poucas armas ele teria tão importante quanto a vaga de vice-presidente, né? O que, aliás, diga-se, ninguém, nenhum dos principais candidatos ocupou. Eh, eh, não só os partidos não deram o nome da chapa principal para mulheres, como não deram sequer de vice, né, na em todas as principais chapas de todos os lados. Mas eh no caso específico do Flávio, não precisa ser um gênio, até porque não vejo nenhum gênio ali da naquele naquela turma, mas assim, nem precisava ser um gênio para saber que você precisava ocupar eh eh não só.
¶27E aí, sem entrar também numa discussão eterna sobre identitarismo, o que que é? Não é só escolher mulher, claro, se você também escolhe as Júlias Anatas, se você escolhe a Bxis também não amplia muito, né? Precisava ser alguém mais Teresa Cristina, alguém mais de centro, alguém que também acrescentasse outras coisas além do da carta do gênero, né? Mas deixa eu aproveitar esse gancho seu para te fazer uma pergunta, porque a gente tá aqui a semana, desde que veio esse anúncio, né, quebrando a cabeça para entender por não a Priscila Costa, que porque assim, em relação a Teresa Cristina tem a questão do partido que adotou a neutralidade, eh, o PL ficou eh mais isolado, então assim, para fazer coligações, embora tudo que eles quisessem eh fosse uma mulher de outro partido, exatamente por causa da coligação, né? A gente discutiu isso aqui também.
¶28A questão não era levar a Teresa Cristina porque ela é uma mulher, mas porque ela é uma mulher de outro partido que levaria um apoio do centrão junto com ela, né? Tanto que o o Flávio para falar das qualidades da Teresa Cristina chamou ela de vozinha. Eh, então assim, não era uma questão de qualidade política. Exato. Eh, só que a Priscila Costa era, ela é do PL, ela é do Nordeste, que é uma questão importante também, ela é próxima da Michele Bolsonaro.
¶29Eh, o que também melhoraria a situação do Flávio com evangélicos, eu acredito, né, ou com mulheres evangélicas, que também é uma questão desde a briga com a Michele. A Priscila Costa tava lá e ninguém viu >> exatamente para não dar. E aí a gente entende a gravidade, o tamanho da briga interna nessa família. Eles e eh não querem dar esse poder paraa Michele, não querem dar uma vitória para ela, eh não querem criar uma nova liderança no Ceará, sendo que o bolsonarismo tem ali interesses paroquiais no Ceará e e a criação de uma liderança fora ali do do do circuito. Eh, André, como é que é o nome do rapaz?
¶30Fernandes, talvez. André Fernandes. Então eles têm o bolsonarismo no Ceará tem dono, né? Tem uma turminha ali, eh que eles não querem dar espaço para Priscila, evidentemente. Então, eh eh você vê que é uma é uma casa completamente dividida.
¶31E e foi engraçado você listando as qualidades da Priscila. Quando você falou amiga da da Michele, o meu pensamento na hora foi assim: "É por isso, exatamente por isso. >> Vocês preferem perder a eleição do que?" Então, é é um ponto que você, que vocês sabem que eu tenho batido na tecla há muito tempo, né? Eles eles estão jogando um jogo na retranca, eles estão jogando recuados, onde eles preferem manter o controle do bolsonarismo, manter o controle desse segmento da direita, fazer bancada, ter lideranças eh eh regionais fortes do que eh partir pro tudo ou nada numa briga aberta com o Lula, o que obrigaria a fazer uma série de concessões que eles não estão dispostos a fazer. A primeira e a maior delas todas seria ter dado a cabeça de chapa para o o Tarcísio, né?
¶32Ali, ao não dar a cabeça de chapa ao Tarcísio, eles já sinalizaram há um ano, né? E não só, não deram a cabeça, como botaram a máquina das redes sociais para ficar xingando o Tarcísi o dia inteiro e tal, eles passaram uma uma mensagem muito clara ao dizer, nós preferíamos continuar controlando a direita, mesmo que perdendo eh 2026, mas já com olhos para 2030, porque o a o já o Jair Bolsonaro hoje é uma é uma carta fora do baralho em tese. Então, se a gente tá falando dos filhos, os filhos têm idade, né? Nenhum deles tem, nenhum deles vai ter 50 anos em 2030. Acho que o mais velho, o Flávio vai ter 49, 48, 49.
¶33Então, eles têm ainda muito tempo na política. E >> Defesa Civil >> falou mal do CIC. Ó, vocês falaram mal do do cobra coral. Ele se vingou. Tá vendo?
¶34a antecipação do retorno para casa, visando garantia de segurança. Enfim, tá avisado, gente. >> Isso é isso me lembrou a a a Odisse agora tudo lembra Odisse, né? Toda vez que falava de Zeus vinha um barulho de trovão, né? E tal.
¶35Então, eh, foi mexer com cobra coral, ele se vingou aí. Mas enfim, >> só para só para quem tem curiosidade de saber e e quem tiver no Rio de Janeiro, todo mundo deve ter recebido, >> todo mundo >> o alerta o alerta da polícia da Defesa Civil. Eh, a mensagem é previsão de vento forte na cidade do Rio de Janeiro. A prefeitura e o governo do estado recomendam antecipação do retorno para casa, visando garantir a segurança. Todo mundo que tiver no Rio de Janeiro, cuidado.
¶36Essa é uma ventania que deve passar antes eh por Ilhabela, depois por Angra dos Reis, antes de chegar aqui na cidade do Rio. >> Mas está a caminho. Mas tá tá a caminho. Tomem cuidado, Alexandre. Perdão.
¶37>> Nada, imagina. Eh, eh, a intervenção foi da natureza, mas enfim. Então, eh, em primeiro lugar, quer dizer, não, você vai vai ter gente argumentando que é o contrário, que o Flávio tá tão confiante que ele pode dar o luxo de botar o Alfredo Gaspar, que não vai dar um voto para ele e mesmo assim vai disputar para ganhar a eleição. É uma visão que eu acho pouco válida. Vai ter gente falando isso, vai.
¶38Mas me parece muito mais ele ter dito, olha, já que a gente vai perder mesmo ou já que a gente tem uma chance em 100 de ganhar essa eleição, vamos pelo menos garantir o Senado na mão do Artur Lira. E porque realmente o Artur Lira eleito e no Senado e eh eh jogando o jogo que o Artur Lira sabe jogar e joga, eh ele pode ser o próximo presidente do Senado. Talvez para o bolsonarismo, ele jogando na retranca, ele esteja jogando e eh um jogo onde ele tenha mais chances de vitórias, de poder manipular o Senado, de poder eh usar o Senado nas suas ah vamos dizer pautas, inclusive atrapalhando, transformando o governo Lula 4 num inferno para em 2030 eles possam, >> nossa, mas eles confiam que o Flávio perdendo a eleição, o Artur Lira vai continuar fiel ao bolsonarismo a ponto de trazer a família Bolsonaro de volta paraa política na na próxima. >> Não, não tem dúvida que é esse acordo. >> Eles confiam nisso?
¶39>> Confio não, eu não tenho dúvida que esse é o acordo. [roncando] Eu eu citei esses números eh ontem, eu quero citar de novo porque eu acho que são o contexto essencial da nossa conversa, tá? >> Eh, são a quebra do voto no segundo turno em Flávio Bolsonaro por gênero, de acordo com a pesquisa Meio Ideia. quatro ondas, a primeira 5 de maio, eh a segunda 27 de maio. O a o áudio do Vcaro entre essas duas ondas.
¶40A terceira 6 de julho. O áudio, o vídeo da Michele é entre a segunda e a terceira onda e a quarta onda agora em agosto. Eh, no segundo turno, o Flávio Bolsonaro tinha 45.3 do total na primeira onda. Aí caiu para 41.4 na segunda depois do audio do Vorcaro. Caiu um tico a mais 40.0 depois do vídeo da Michele e agora no início de agosto 43.
¶41Você pega 45.3 no início de maio 43. O o que você vê nesse desenho é o início de uma recuperação, né? >> Isso. >> Homens. Voto dos homens.
¶42Pega todos os homens que são que t idade para votar. Eh, os eleitores no Brasil em maio, 44.7, no final de maio, 44, no início de julho, 46.2, agora no início de agosto, 52.2. Isso é o percentual dos eleitores homens no Brasil que votam no Flávio. 52.2 agora em agosto. >> Aham.
¶43Quer dizer, eh eh mais de metade dos homens do Brasil que tem título de eleitor estão dispostos já a votar em Flávio Bolsonaro. >> O anfitismo de chegada chegou em agosto. >> Isso. Isso. Veja, isso é segundo turno, evidentemente.
¶44Quer dizer, já tão já entraram aqui as pessoas que declararam que vão votar no Caiado, no Renan, no Zema, eh, eh, seja todo mundo que é segundo turno. Agora, olha o que que acontece com o voto feminino. Em 5 de maio, 45. Você lembra qual era a a votação masculina? 44.7.
¶45No início de maio, 44.7 dos homens votavam, 45.8 das mulheres votavam. Quer dizer, >> empate na margem. >> Empate na margem. Mas tipo, numericamente >> é empate, o Alexandre, tá certo? Mas numericamente é eh as mulheres estão até acima.
¶4627 de maio, depois do audio do Vorcaro, esse 45.8 tinha virado 39% das eleitoras brasileiras. Em 6 de julho, depois do do vídeo da Michele, tinha esses 39% tinha caído para 34.2% das mulheres brasileiras e agora 3 de agosto 34.5 34.2 34.5 Cinco. Eh, hoje a diferença, eh, se você subtrai, né, o delta, se você subtrai homens e mulheres, eh, o, a diferença era -1.1 em no início de maio, mais 5 no final de maio, mais 12 no início de julho, mais 17.7. a diferença entre o voto masculino e o feminino. Eh, quer dizer, os homens estão se alinhando cada vez mais com seu voto pro Flávio Bolsonaro >> e as mulheres no segundo todo e as mulheres se afastando cada vez mais.
¶47Isso. >> Eh, eu eu olho para esses números, pelo amor de Deus. O Rogério Marinho é o coordenador de campanha. Rogério Marinho não é um homem burro e não é um homem inexperiente. Ele sabe fazer política.
¶48Eh, eles têm marqueteiros em volta, entende? >> Você já foi marqueteiro de campanha política, Alié. >> Você olha para esses números, a primeira coisa que você fala é: "É é aqui que eu vou ganhar e vou perder a eleição". >> Claro, claro. Óbvio.
¶49>> Entendeu? É a a >> Você me permite dar uma elaborada nisso, >> por favor? Manda. Eh, inclusive eu escrevi sobre isso essa semana que [roncando] é o seguinte, eu peguei um exemplo histórico para mostrar, porque parece que a gente só fala mal, né? Só fala assim: "Ah, tá tudo errado ah, não tem estratégia".
¶50Ah, não. Então, eu acho que às vezes no nosso papel também a gente poderia apontar caminhos para não parecer só que eh eh tipo, tô reclamando que o Flamengo empatou com o PSG na final do Mundial e bom, mas e aí? Você entra lá em campo, você ganha do PSG. Então, assim, eh como é que a gente que que caminho que existe? Então, eu dei um exemplo histórico em 2016, na eleição americana eh eh o que disputou, a disputa foi entre Donald Trump e Hillary Clinton.
¶51E a Hillary Clinton vinha desde o começo com uma diferença grande em relação ao Trump. Todas as pesquisas davam que ela ia ganhar e o grande gap era do voto feminino, né? Eh, tinha uma diferença absurda. Em agosto, no ponto que nós estamos agora, houve uma mudança radical na campanha do Trump e ele deu a coordenação de campanha para uma mulher chamada Kelly. Conway, que o papel dela e eh eu até sempre digo para ser sempre diminuído.
¶52Eh eh se eu se eu tivesse com a com a Flávia aqui no ao vivo, ela não ia gostar desse que eu sempre brinco, eu falo, cara, que que muita gente dá e amplifica demais o papel do Steve Bennel, né? E [roncando] e eu eu acho que o Steve B não apitou muito menos do que se fala. Eh [roncando] eh quem mandou na campanha na reta final foi a Kelly Conway. >> E e ela virou e o trabalho dela durante 20 anos, ela era uma marqueteira. Ben montou o movimento.
¶53>> Sim, ele ele >> o movimento que catapulta o Trump. É foi, é é muito cria do Benon, né? >> É, ele ajudou, ele ajudou. O eu diria até que isso tudo nasce em 2010 no tipar e tal, mas ok. >> [roncando] >> Eh, eh, eh, mas o, o, o Benon, de uma maneira lateral participou, ele entra na época do Cupai Wall Street, ele ele cria alguns documentários, aliás, tem um que é ótimo inclusive, que é o ocupaian Masket, tá?
¶54Um documentário sensacional, muito bem feito. Inclusive, o cara pode ser quem ele é, mas não quer dizer que ele não saiba fazer documentário. Esse é muito bom. Mas enfim, eh eh então assim, a a a Conway quando ela assume a campanha do Trump e o trabalho dela eh eh era voto feminino e e quer dizer, não só voto feminino, mas ela ela vem do ela vinha do universo do marketing e ela tinha uma série de trabalhos, livros publicados sobre como as mulheres consomem, como é que elas fazem suas decisões, né? e era a área de expertize dela, pesquisa de mercado aplicada ao público feminino.
¶55Se não me engano, o livro dela chama que as mulheres querem, se não me engano é o nome do livro dela. Então, ela era uma especialista. Quer dizer, não é, e eu repito isso por quê? Porque não é só, ah, tem que chamar uma mulher, não, não é qualquer. Ele chamou a Kelin Con ela era uma especialista no assunto profissionalmente, né?
¶56E ela conhecia isso. Então, o que que ela fez? Ela pegou e primeiro tirou, talvez a grande contribuição que ela deu na campanha foi com acabar com a conversa na falta de uma palavra melhor identitária, de que existe um voto feminino. Eh, eh, não, existem vários tipos de clusteres que você subdivide o voto feminino e você tem o voto da mulher casada, da mulher solteira, da com uma determinada idade. E ela provou e mostrou que os padrões de voto diferem muito quando você quebra em classe social, quando você quebra em estado civil, idade, escolaridade, eh eh isso não é uma ah não é 1% para cá e para lá.
¶57Você tem diferenças enormes quando você faz. E aí ela mostrou que que esse, por exemplo, que as que aí, enfim, por exemplo, quando você fala que a mulher casada, a a mulher americana branca casada de 40 anos, ela vota mais parecido com o homem branco de 40 anos, casado, claro que vai ter um bando de picareta dizendo, tá vendo a mulher copia o homem que não sei quem e vai falar aquelas bobagens que a gente ouviu lá da do da turma da da Flórida, do Eduardo Bolsonaro. Não é isso. Isso é uma conclusão idiota. Eh, eh, eh, porque quem disse que não é o marido tá copiando ela, por exemplo.
¶58Quer dizer, a única coisa que você pode dizer é que há uma proximidade no voto, por exemplo, da mulher casada de 40 anos, branca americana e dos homens. E, é até aí que vai o número. A partir daí é interpretação. >> Tem um fenômeno que eu acho que eh que o Pedro outro dia falou, a gente tava conversando sobre isso, ele falou que antes isso não era desse jeito, mas eu acho que tem acontecido mais eh com o tempo eu eu eh por exemplo, venho de uma família em que quando eu era criança, a minha mãe votava no PSDB, meu pai votava no PT e tava tudo certo. Eh, hoje é muito mais difícil isso acontecer.
¶59Normalmente as pessoas se casam com pessoas que já têm afinidades políticas também, porque eu, por exemplo, não me veria jamais casada com uma pessoa que vota em alguém que acha que mulher vota mal. >> Então, eu acho, acho que isso também interfere. É claro que os casais vão votar parecidos porque as coisas estão tão polarizadas. Pode ter uma coisa de tempo. Meu meus pais costumavam ter divergência no voto.
¶60>> Eh, eu tô no terceiro casamento. Eu acho que eu sempre votei muito parecido com eh tanto quanto eu sei o voto afinal secreto. Eh, havia talvez divergência em voto para parlamentar, mas para chefe de executivo. Eu acho que eu sempre vou ter parecido com minhas mulheres. >> Eu já tive um monte de namorada petista e a gente dava super bem, mas a gente combinava de não falar de política.
¶61Eh, namorado assim, mas eu acho que mulheres eh eh a gente sempre >> eh eh a gente tende a ter um alinhamento, né? Eh, a gente tende com pessoas. É, é, é. Eu acho [roncando] que é mais isso, não é um alinhamento político ideológico, >> mas é um alinhamento de visão de mundo >> que acaba sendo o que define a sua ideologia. Eh, né?
¶62Eh, então, >> então assim, >> eh, eh, então o por que que eu tô falando isso? Porque aí quando ela foi mostrar esses números, ela quebrou esses clusters, ela mostra também que esses segmentos eles votam diferente. Por quê? Por que que a a mulher casada de 40 vota tão diferente da mulher solteira de 20 eh eh, por exemplo, lá nos Estados Unidos? Ou a mulher que não tem curso superior vota tão diferente da mulher com curso superior nos Estados Unidos.
¶63Por quê? Porque quando ele vai, ela vai perguntar, elas querem coisas diferentes. Elas dizem que a expectativa dela em relação ao voto e o que que elas querem da política e dos políticos são coisas diferentes. Então, assumido isso, o que que ela fez? Ela direcionou, fez o chamado microtargeting e a e direcionou as campanhas eh com mensagens muito específicas quebradas por esse segmento.
¶64E os números viraram efetivamente a eleição e o Trump foi eleito presidente em 2016 contra todas as previsões, contra tudo, uma virada feita em dois tr meses e em cima do público feminino. Então assim, [roncando] eu eu escrevi um texto enorme contando essa história em detalhes para não para dizer façam isso, mas para dizer se vocês perderem eleição, não digam que não tem um roteiro. Existe um é que vocês não querem fazer que vocês não querem eh eh [risadas] reconquistar o voto feminino perdido. Mas manual tem eh eh jeito de fazer tem, né? Eh eh não não claro, não que é igual jogo de pôker, né?
¶65Quer dizer, não é que você vai ganhar, mas você tem coisas que você pode fazer para aumentar as suas chances. né? Eh, eh, se você vai ganhar aí é é da vida, do universo, do destino, tem 1000 variáveis, mas eh o as opções da campanha do Flávio são opções que mais do que amadoras, a gente pode chamar de amadores, mas são contraproducentes. Então, o que que a gente pode dizer? Com certeza que a política está falando mais alto no sentido de que falou mais alto a a o acordo provinciano e paroquial de Alagoas, do Ceará, do que propriamente a agenda de ganhar uma eleição contra o Lula, a a eleição nacional.
¶66Não tem nenhum receio entre os bolsonaristas de perda de base eh do bolsonarismo fiel pro Renan, por exemplo, porque a gente chegou a fazer um programa na semana passada sobre uma mudança de tom nas redes bolsonaristas em relação eh ao Renan Santos. E aí veio esse endurecimento do discurso, né, do tipo, não queremos eh acenar paraas mulheres, vamos aqui falar em corrupção, em segurança pública. E esse é o caminho que a gente escolheu. Eles estão com medo de perder essa base ou essa estratégia também não existe? >> Eu eu eu acho que é um pouco de insegurança.
¶67E aí e eles correm pra barra da saia da mamãe metaforicamente ou do do da causa do papai. Quer dizer o seguinte, quando começa a apanhar, quando começa a cair nas pesquisas, quando começa todo mundo a bater cabeça, eles voltam correndo para única coisa que eles meio que sabem fazer, que é ficar nesse discurso eh mais radical. Eu eu nesse ponto eu não vejo uma grande estratégia, não. Nesse ponto eu vejo >> não, até agora nenhum mais nenhum ponto, pelo visto. [risadas] Desculpa.
¶68Não, mas é, eu eu eu acho que ali é uma hora que que quando começa tudo a dar meio errado >> e e aí é um pouco que assim tudo tudo que você às vezes você fala depois vira corte e tal, mas mas eu acho que tem um pouco da influência e eu eu não eh eh do do que seria o entendimento dele. Aí eu tenho que botar essas ressalvas, esses asteriscos todos do que seria o entendimento deles do olavismo. Não tô botando essa culpa no Olá de Carvalho que já morreu, não é isso. Mas eu acho que tem o o Olvo, só no final da vida, onde ele entrou com de uma maneira muito pesada na política e no apoio ao bolsonarismo, eh muito do discurso dele era sejam fiéis às origens eh eh ideológicas e e entendeu? Ele ele era muito contra qualquer tipo de concessão, qualquer tipo de flexibilização do discurso e tal.
¶69Então eu eu vejo um reflexo nisso e às vezes até essas essa pessoas que querem na hora que que tá essa crise, eles voltam para um discurso mais linhadura e tal. Eu vejo muita gente inclusive apelando ao Olavo. Ah, porque o professor Olavo dizia isso, o professor Olavo dizia aquilo. Eu acho que é uma maneira de voltar correndo pra barra e eh eh da calça do Olavo e e do que eles entendem. Eu não tô botando a culpa no Olavo, não é isso.
¶70Olavo já morreu, não é isso. Eu tô falando do que eles entendem e do que eles acham que é o Olavismo. É e quando tudo tá confuso, é voltar correndo pra Barra da Causa do Olavo e e voltar ao discurso mais eh eh ortodoxo, vamos dizer assim, né? o discurso. Mas >> o o primeiro tweet do Eduardo Bolsonaro, quando o o primeiro o primeiro tweet do Eduardo Bolsonaro quando quando foi anunciado o Gaspar, foi agora não tem razão para fazer impeachment eh do FL, né?
¶71Eh, por isso que você lembra que eu até brinquei não vão ter coragem porque não tem razão, né? Razão tá [risadas] >> Você lembra até que eu brinquei? Eu não tô, eu não tô citando o Twitch literalmente. Eu tô fazendo uma literação. >> Você lembra que eu brinquei comparando com Braga Neto, né, que era que era o raciocumento do Braga Neto, né?
¶72O >> argumento do Braga Neto. Tá, se me empicharem, vocês vão ter o Braga Neto. Porque o Hamilton Mourão era um general que que era legalista, né? E o o Mourão. >> E dois dias depois que o Bolsonaro assumiu, o Olávio já tava chamando ele de comunista, eh, globalista, entreguista.
¶73Isto isso. O o o Mourão é daquela turma Santos Cruz. que são os militares que chegaram lá do tipo, a gente vai ter trazer técnica para governança, vai. Aí chegaram e o o Bolsonaro era puro caos, né? O o Mourão passou quase que o o mandato de vice-presidente inteiro isolado no Palácio do Jaburu, sem fazer nada.
¶74Eh, ele foi afastado e afastado ficou escanteiado. >> Eh, enquanto que o Braga Neto era aquele cara que era é mais bolsonarista que o Bolsonaro, né? Eh, tipo, o Braga Neto e o Heleno eram aqueles caras que estavam sempre radicalizando o discurso, acirrando a coisa, tal. >> Eh, eu não sei o quanto que as pessoas percebem. >> Era radical para o Gaisel.
¶75É, é isso, [risadas] é isso. É Heleno, a a ajudante de ordens do Silvio Frota, >> eh tio de Alexandre, né? >> Tio [risadas] >> que são daquelas coisas, o general mais linha dura e eh eh eh do final da ditadura militar era tio de um ator pornô que fazia filme com o travesti, né? [risadas] Parabéns ao roteirista. Realmente >> era espetacular, mas tudo bem.
¶76Eu adoro o Brasil. Eh, eh, isso, isso tudo posto. Eh, cara, a impressão que eu tenho e e o Flávio meio que entrega isso eh naquela live com em que o o o Valdemar tenta convencer as pessoas de que estamos há seis meses falando do do nome do Gaspar, aí o Flávio, pô, presidente, assim você derruba a gente. [risadas] É tipo, é tipo quando o Flávio se vira e fala: "Não, a gente não tá, tipo, foi o nome que apareceu na última semana". Eh, eles mostram que eu acho que não, eu não acho que tenha sido a política que falou por alto.
¶77Eh, eu acho que na soma do caos deve ter sido meio que o nome que sobrou, entende? Eh, não, >> mas se você chamasse as as Júlias nata, ela topava. Eh, eh, >> sim, mas eles não quiseram chamar. >> Então, por quê? Porque o Gaspar ia atrapalhar a eleição do Lira.
¶78Eu não, eu eu acho que eu eu eh eh vamos lá. Eh, qual é a impressão? É a leitura que eu faço, Alexandre. Eh, e eu eu sempre falo e eu sempre tento muito eh diferenciar quando eu tenho informação de bastidor que me ajuda, que ajuda a balizar minha image. Como é que ela facilitava a vida do Carlos?
¶79Entendeu? Não, claro, claro. >> Eh, eu, eu não é o caso aqui, eu não tenho informação para barizar minha análise. Eu tô fazendo uma leitura à distância do que eu entendo desses caras. Eh, primeiro, eu acho que eles olham torto pra mulher mesmo, tá?
¶80Eu acho que existe um machismo ali. Eh, não quer dizer que qualquer eh não haveria mulheres que não poderiam ter sido vice. Eu tenho certeza de que se houvesse um caminho da Teresa Cristina, ela tinha sido vice, entendeu? Ou Daniela Marques, >> ou Daniela Marques, ou Daniela Marques. >> Eu acho que eles gostam da Daniela Marques.
¶81>> Acho também. Acho também. O problema fundamentalmente é eh, embora tenha tido uma uma entrevista agora que a Daniela Marques falou que os Correios tem o o monopólio das entregas aqui no Brasil, né? Eh, do tipo a Daniela Marques tá se mostrando uma pessoa muito mais informada a respeito de coisas básicas, tipo, será, será que ela não recebe nenhuma encomenda para saber que o os Correios não têm o monopólio da entrega no das entregas no Brasil? Pô, a, [risadas] aliás, ainda bem, >> ainda bem.
¶82Não, claro, mas e eh o ponto é não, né? Mas não. >> Eh, o problema é que eu acho que tem um número muito pequeno de mulheres que eles respeitam. Eh, e eles acham que boa parte das mulheres que fazem parte do movimento bolsonarista, eh, e aí Damares e Michele, por evidente, mas também Biaquices, a a Detone e eh toda essa turma, a Zanata é das florzinhas, né? Isso, isso da é isso.
¶83É, é toda, toda, eh, todas as a Zambell, quando a Zambell era vista como do lado de, eu acho que eh são percebidas Russelman também. Era isso, né? >> É, o problema da Joyce é que a a Joice é bastante mais esperta e tem uma personalidade independente demais pro jogo, né? como quando a Michele apresentou a dela também. >> É, é que eu acho que a Michele tá disputando o mesmo espaço.
¶84A a a Joyce tentou fazer um movimento em outra direção, um pouco diferente. A Joyce nunca se viu como parte do bolsonarismo, embora tenha sido eleita no Eu acho que tem uma posição diferente, enquanto que a Michele tá disputando espaço dentro do bolsonarismo, entendeu? Tá todo mundo nessa disputa da herança do Bolsonaro, né? eh, quem que vai ser dono dessa marca ou pelo menos de uma parte grande dessa marca eh no pós Jair? Eh, mas o o o ponto é, eu acho que eles olham a maior parte dessas mulheres do movimento bolsonarista e são muitas, é um movimento que tem muitas mulheres, mas eu acho que eles não vêm como lideranças, eles vêm como eh, por um lado, enfeite de fotografia e de foto.
¶85>> Sim. >> Entendeu? E e por outro lado, gente que ajuda na animação da torcida. É quase como te leader em em rede social, entendeu? Tem >> uma outra coisa também que é quando eles são acusados de machismo, eles dizem: "Não, a gente tem até mulher no partido".
¶86É isso, assim, é um salvo conduto para eles poderem dizer que mulher vota mal, entendeu? É, é aquela frase do Flávio Bolsonaro, que eu acho que essas frases é numa live essa semana também, inclusive eu tive duas filhas para cuidarem de mim na minha velice, entendeu? Eh, eu acho que tem uma coisa de visão mesmo. Eh, eh, eles têm uma visão bastante reacionária a respeito do do não conservadora, não, >> mas reacionária. É reacionária a respeito de eles percebem lugar de homem e de mulher como lugar no qual existe uma hierarquia na [roncando] qual o homem tá acima.
¶87Aquela, eu não tenho nenhuma dúvida de que aquela frase da, entre outros motivos, porque o Fávio não negou, né? Eh, quando a Michele que tava que estava concretamente montando um movimento político, eh concretamente montando o movimento político, não é uma coisa trivial de você montar, é uma coisa que dá trabalho, que exige muita viagem, que exige uma quantidade de carisma muito grande e eh envolvimento, tipo, a a para você fazer um movimento desses, a Michele devia passar os dias no celular falando com coordenadora do estado X, do estado Y, do estado dizer qual o problema, que quem que eu posso te ajudar. Mas é isso, é isso é trabalho. Isso é o trabalho de político, de liderança política, que é um trabalho pelo qual tenho baita do respeito. Eh, [suspirando] [roncando] quando o Flávio se vira e fala: "Não, agora a gente tá falando sobre política sério e você não entende disso".
¶88Isso é porque o Fábio não entendeu nada do que ela fez. O Flávio não viu o trabalho porque possivelmente, e essa aí entra a minha interpretação, eu não acho que ele entenda que aquele trabalho existe. E aí, cara, eh, quais são as duas grandes coisas? Olha aqui, eh, toda a movimentação de Lindeberg recuando e o Gaspar indo para cima e o Gilmar que é próximo, o ministro Gilmar Mendes que é próximo de Artur Lira indo para cima, tudo indica que a acusação de estupro do Gaspar não fica em pé. >> Aham.
¶89>> Tá. E a o o cheiro é de que a acusação não fica em pé. Eh, eh, que ele não é culpado desse desse desse incrível. Eh, tudo bem. O problema é o seguinte, Alexandre, quando alguém fala estupro, você é suspeito de estupro e você é político, a defesa é campanha contra você.
¶90Você se defender da acusação é campanha contra você. >> Não bater mesmo, que foi o caso Pedro Paulo naquela eleição em 2016. Isso é tipo, >> ele ficou a campanha inteira se explicando. >> A partir do momento que alguém faz uma acusação, mesmo que uma falsa acusação dessas, eh o esforço de defesa, uma das coisas ingratas que é é é duro ser político, é uma profissão difícil. Sim, >> mas nessas horas, perante uma acusação dessas é indefensável, porque quando você se defende, o que você tá na cabeça das pessoas fazendo é reforçando que a acusação existe.
¶91>> Hum. Se é suspeito, >> alguma coisa tem, >> alguma coisa tem. É, é o que bate, é o que registra. >> Isso. >> Então, o que me choca não, >> é por isso que o Jack Wagner saiu da liderança do governo, é por isso que o Marcola agora saiu.
¶92Isso é da parte da dinâmica. aparece um escândalo, você tira o pé do acelerador, sai de cena e e não atrapalha, né? E aí e aí a coisa que me choca nesse, nessa escolha do do Gaspar, eu entendo perfeitamente que resolve o problema do Artur Lira, o acredito Artur Lira deve estar gratíssimo com sorriso daqui até aqui, porque facilitou a eleição dele. >> E não é pouca coisa você fazer o o próximo presidente do Senado. Não é pouca coisa.
¶93Se você fizer. >> É isso. >> Se você fizer. >> É, mas ele é eleito. Vamos combinar que, né?
¶94>> É. E e nós sabemos que Artur Lira é aquele cara extremamente fiel a seus parceiros. Você não mete a cada nas costas de ninguém, né? >> Sim, sim, sim, sim. >> É, é, é aquele cara.
¶95Estou sendo irônimo, tá, pessoal? [risadas] Eh, o, o ponto que eu tô querendo fazer é meu Deus do céu, vocês estão vendo num país que tem mais mulher do que homem entre no eleitorado? Cara, vai aumentando, aumentando, aumentando o gap entre votos de mulheres e homens. E não é que só que você não tenha posto uma mulher na vice, você bota um sujeito que tem uma acusação de estupro, cara. Não tem absolutamente [limpando a garganta] nada que eu eu não consigo encontrar um único argumento que defenda e eh essa escolha deles.
¶96Não, não, não, a gente não não a gente não tá defendendo, >> a gente tá tentando entender a lógica. É, é, é, é só que >> a lógica não fica de pé por nenhum argumento. >> A lógica, me parece, a gente conversa, conversa e e eu entendo a ideia eh eh do que a gente tá falando. >> Meu microfone tá com problema. Sim, morreu.
¶97>> Deu para deu para ouvir o que eu tava falando? Deu, distância. >> Deu, mas é, mas acho que a gente vai ter que trocar para melhorar um pouquinho. Acho que >> é, soltou, cara. Mas o meu ponto aqui é é uma coisa que o pessoal de estatística sempre repete, que correlação não é causa.
¶98Então, eh ah, o Flávio Bolsonaro precisa do voto feminino, ele não escolheu uma mulher de vício, logo ele é misógeno. Assim, eu entendo a correlação, mas eu não aceito nesse ponto específico como uma uma relação causal evidente e comprovada. Eh, eh, [roncando] porque para mim, eu volto ao ponto, o bolsonarismo tudo que eles tudo que eles fazem por controle. Então, se para continuar controlando o movimento eles tiverem que destruir a carreira de um homem ou de uma mulher ou de um idoso ou de um jovem, eles destróem, entendeu? Eu já vi eles atacarem e acabarem com a carreira de um monte de gente, qualquer pessoa que bota um pouquinho a cabeça para fora e começa a ter um pouco de independência.
¶99Mas isso isso isso é uma característica de todos os identitarismos, inclusive do identitarismo de direita. E esses cancelamentos, essas destruições de carreira, é o o uma das características de movimento identitário é que você só consegue destruir gente que tá no seu campo. Ou seja, o bolsonarismo só consegue destruir gente de direita, assim como o identitarismo de esquerda só volta as suas armas pra gente de esquerda, entendeu? É o Wagner Moura que outro dia tava dizendo: "Ah, é um fascismo, daqui a pouco arranja um jeito de eh cancelar ele, [limpando a garganta] >> entendeu? Mas se eh eh se uma figura bolsonarista qualquer falar que o identitarismo de esquerda é uma é um fascismozinho de esquerda, como o Wagner Moura falou na entrevista pro Bial, o resultado vai ser zero.
¶100Pelo contrário, se houver um cancelamento da esquerda contra ele, é um bando de medalha que ele põe no peito, né? >> Aham. Eh, eh, então o meu ponto só é, conseguem destruir pessoas, conseguem de direita, eles não conseguem destruir pessoas de esquerda. >> Tudo bem. O meu, o que eu tô te falando, volto ao ponto, que é o seguinte.
¶101o fato deles não preencherem essa vaga com uma mulher, por mais óbvio que fosse, que deveria ter sido, e não seria suficiente. Aí aí lembrando o que eu falei antes, quer dizer, não é só botar as Júlias, sei lá, não é só botar, quer dizer, você tem que botar alguém que que efetivamente contribua. E e aí, nesse nesse sentido que eu lembrei da Daniela Marques, alguém que tem uma experiência no mercado financeiro, que presidiu a Caixa, que teria eh eh também como contribuir em discussões econômicas e, enfim, de em outros pontos, eh contribuir além da foto, além do token, né, além de aparecer na foto, né, eh [roncando] porque e esse também é um é uma outra discussão interessante sobre o identitarismo. Ô, ô, Pedro. E Luía, eh em relação à a à lógica, eu eu me lembro uma vez há uns anos um amigo meu [roncando] que que é, quer dizer, era amigo na época, a gente perdeu o contato, mas ele é um cara que que ele é negro, ele foi criado no alemão, o pai dele era traficante, foi morto pela polícia num tiroteio, ele tem uma história de vida eh eh ele virou um cara de direita na vida e ofereceram para ele ele uma uma vaga para ele disputar uma eleição por um partido de direito.
¶102E aí ele me ligou e falou: "Ó, estão me oferecendo aqui essa vaga para eu disputar a eleição? Que que você acha? Você acha que estão eh eh me chamando para eu ser o negro de direita?" Eu falei: "Cara, olha só, [roncando] vamos entender e essa pergunta que você tá me fazendo e qual é a minha visão disso?" Eu falei: "Quais são os extremos?" O o extremo é de um lado, é sim, eu queremos um negro de direito para aparecer na foto. Esse é um extremo. E o outro é não faz a menor diferença você ser branco, amarelo.
¶103Não faz. Por quê? Porque, por exemplo, se eu vou conversar com meninos do alemão e falar que as ideias e eh do livre mercado, as ideias da meritocracia, etc. e tal, são ideias boas, esse menino pode olhar paraa minha cara e falar: "Você tá falando isso que você foi criado em Copacabana, entendeu?" Então eu falei, você tem uma história de vida que você nasceu naquela mesma comunidade que aquelas crianças que você pode olhar para ela e falar: "Olha, sabe a rua tal? Eu fui criado lá, eu jogava a bola no campo tal.
¶104Eu conheço a sua realidade porque foi a minha, entendeu? Então você tem uma história que te que dá uma legitimidade e uma credibilidade para o que você vai falar. Então nesse sentido, a sua escolha é interessante e isso é algo para você se orgulhar, entendeu? Mas aí a história da Michele também foi interessante para fundar o PL Mulher, para fazer do PL Mulher o que ele virou, porque ela é uma mulher que nasceu numa periferia, numa família pobre, que é evangélica desde sempre, que não é evangélica de ocasião. E apesar de tudo isso, o Valdemar e todo o bolsonarismo, ninguém entendeu o que ela tava fazendo.
¶105E ela virou e ela virou uma mulher que só saía na foto, né? E quando Sim surgiu sobre isso, então assim, a preocupação dele é legítima. Eu tô falando o seguinte, a a a Michele que que inclusive além de tudo isso, ela foi criada num lar disfuncional, entendeu? Com um monte de gente presa por por crimes horrorosos e ela eh eh foi virou uma mulher evangélica, etc. Não cometeu nenhum crime, que se saiba.
¶106Enfim, então eh eh essa história realmente não foi valorizada. Agora, eh eh se a gente está no si, né? Se a Daniela Marques fosse do PL, era provavelmente podia ter sido escolhida. Então, assim, eh eh eu não sei necessariamente eu não consigo dizer que a a Michele ter sido preterida foi por ela ser mulher ou porque ela divide o poder da família, entendeu? E e tudo para eles é sucessão, poder, dinheiro, controle, entendeu?
¶107E eh tipo aquela série da succession, sabe? Não é claro, não é assim? Não é claro para você que a diferença é que ela é é a terceira mulher do Jair e o importante pro Jair são os filhos, principalmente os filhos do primeiro casamento, principalmente os filhos homens? >> Sim. Mas se um dos três filhos mais velhos fosse uma mulher, talvez ela tivesse a mesma força, entendeu?
¶108E >> tudo bem, eu não tô >> é que não é aí fica difícil que a gente fica especulando, entendeu? Eu, claro. É, é, mas a gente não pode esquecer que o Jair eh se vire a respeito da filha e fala: "Na última eu dei uma fraquejada". A gente não pode esquecer. É, é, é que o Flávio, que é o o o cara mais temperado e mais razoável da família, >> dia, inclusive, é porque eu não conseguia entrar, eu tava na porta, eu ali na hebraica, >> o o que que é o dia também que ele fala do do do sujeito do quilombola que mede arrobas, né?
¶109É, tipo, inspirava, atacadíssimo nesse dia, né? eh eh com todos os preconceitos assim do tipo de eh disposto a >> entre outras coisas que aconteceram esse dia, mas aí a gente conversa quando o programa acabar, >> transparente, né? É, porque isso aí é o que ele é >> o esse comentário do Flávio, por que que eu acho muito interessante esse comentário do Flávio? Eh, esse comentário específico, inclusive tenho duas filhas que vão cuidar de mim na na velice. Eh, porque o Flávio, primeiro, ele não é um destemperado como pai.
¶110Eh, o que que eu quero dizer com destemperado? Tem gente que explode à toa, tem gente que tem controle sobre o próprio temperamento. O Flávio tem controle sobre o próprio temperamento. Jair, Eduardo e Carlos não tem. Eh, eh, eles explodem com mais facilidade.
¶111O o o Flávio consegue temperar o o próprio temperamento. >> Eu tenho um amigo que chama esse de linha direta. Ele tem uma linha direta do cérebro paraa boca sem que não para, né? Qualquer coisa que passa pela cabeça fala, né? >> É isso.
¶112Que não é o caso do Flávio. O o Flávio é isso. Eh, ele consegue >> pensar antes de falar. Agora, por isso mesmo, quando ele se vira e fala, inclusive tenho duas filhas, eh, que vão cuidar de mim na velice, isso evidentemente é é uma coisa que ele sequer percebe, ele e Flávio, >> que é o mais razoável de todos. Eh, ele certamente tá achando que ele tá falando uma coisa razoável que vai ser percebido por boa parte das mulheres que são eleitoras como uma coisa eh eu gosto de mulheres, eu respeito mulheres, inclusive eu sei que elas vão cuidar de mim na velice, que é uma coisa que ele jamais falaria sobre o filho homem, entendeu?
¶113Porque não, porque o filho homem vai se casar e vai estar trabalhando para sustentar a a a mulher, os filhos em casa. Eu eu concordo, acho um ponto válido, mas eu acho que também às vezes tem um pouco de falta de repertório mesmo, entendeu? Então assim, >> mas é claro que falta de repertório, a questão é justamente falta de repertório. Eu eu você você sabem que eu eu resisto o máximo de contar histórias minhas com ele, né? Mas essa eh eh eu me lembro uma vez a gente estava na campanha, eu e o Flávio Bolsonaro, ah, em 2016 e e a gente tava conversando e tinha acabado de sair uma matéria chamando ele de transfóbico, de não sei quê e tal.
¶114E aí ele tava chateado com a matéria, reclamou comigo, a gente tava batendo papo e eu virei para ele e falei assim e ninguém ouvindo, tava eu, eu e o Flávio. E eu virei para ele e falei assim: "Flávio, você é transfóbico?" Aí ele falou: "Não". Eu falei: "Pois é, também acho que você não é". Então o que que nós vamos fazer? Eu vou pegar brincando, né?
¶115Mas eu falei, "Eu vou pegar aquela sala ali, eu vou te trancar com 10 travestis, eu vou trancar a porta e você só sai de lá quando os 10 falarem que votam em você". Entendeu? Mas assim, eh eh eh eh eu falei com ele dizendo o que que eu quis dizer. Eu falei assim porque eh eh eh eu e eu quando complementei isso, eu falei: "Cara, [roncando] se você não é transfóbico, você não pode parecer transfóbico, você não pode falar como transfóbico, entendeu? E e isso eu acho que é um problema.
¶116Às vezes tem pessoas que por n problemas elas se expressam de uma maneira que transparece algo que elas não gostariam que transparecesse. Ah, tá passando pano, tudo bem, vamos dizer isso, tem problema nenhum. Eh, eh, mas assim, eu tô falando que que eu eh eh nessa minha convivência com ele eh eh o que eu disse para ele é a você provavelmente não convive, entendeu? Então é um pouco assim, é igual você achar que todo mexicano tem sombreiro e bigodão. Não é porque você, você é mexicanofóbico, é porque você não convive com mexicano, você não conv, você não acho que tem algumas coisas aí que é primeiro do ponto de vista da educação.
¶117A gente tava listando aqui os preconceitos do Jair. Eh, tem também uma declaração que ele deu lá no início pro sequecem que a Preta Gil fez uma pergunta para ele, o que que ele faria se o se um dos filhos dele se apaixonasse por uma negra. E ele diz que isso jamais aconteceria na família dele, porque não tem isso de promiscuidade na família dele. Eh, então assim, ele ele tem todos os tipos de preconceito e aí o filho vai lá e se expressa eh com essas expressões preconceituosas também, né? Tem esse preconceito no discurso.
¶118E aí ele tendo tido essa criação e se expressando dessa maneira, a gente parte do princípio de que ele não é, ele só não sabe se comunicar. >> Eu não disse quem não é. É, eu >> eu disse que na no meu contato com ele, quando eu perguntei você é, ele deu uma autodeclaração. Ele falou: "Não sou". Foi só isso que eu relatei.
¶119Eu não disse: "Ah, então já que ele disse que não é, ele não é". Eu só disse assim que na conversa que eu tive com ele, ele se autodeclar dizendo: "Não, não sou". E não tinha ninguém ouvindo, não tava gravando, tava e ele batendo papo. Eu falei: "Então, já que você não é, aprende a falar de outro jeito, entendeu? Aprenda a se expressar de uma maneira." E aí, por isso que eu fiz essa brincadeira agora.
¶120Falei igual o cara que acha que todo mexicano usa sombreiro e tem bigodão, porque ele não conhece o mexicano nunca conversou, não ou, ou tem uma visão estereotipada. Eu me lembro uma vez >> ele quer ser presidente sem essa construir só, só uma aliás negócio do mexicano me lembrou uma vez uma discussão que eu tive com o Google Cháara. O o a gente conversava, eu e o Google, a gente conversava muito sobre eh eh lá lá na época também, nessa época quando o Trump foi eleito, que eu me lembro [roncando] que uma conversa que eu tive com o Google, ele falou: "Acho que eu vou me mudar para raio". Eu falei: "Muda cara, eu acho que tem que mudar mesmo, entendeu? Acho que tem um lá dos Estados Unidos, você não conhece, entendeu?" E aí quando ele falou, e eu me e aí por isso que eu lembrei disso, que eu que eu que ele tava falando, não, porque os mexicanos, numa conversa que eu tive com ele, eu e o Guga, e ele não, porque os mexicanos são isso, os mexicanos são aquilo.
¶121Eu falei: "Guga, pelo amor de Deus, cara". Você mora em Nova York, o mexicano que você conhece é o filho do presidente da maior empresa do México que estudou na sua universidade. Legal. Mas existem outros lá na fronteira que talvez você não conheça, entendeu? Então não é o mexicano.
¶122E aí o mexicano que que a imagem que você tem é o menino da família mais rica do México, que se parece com o rico de São Paulo, que se parece com o rico de Paris, que se parece com o rico de Pequim, que se parece com o rico de Sydney, entendeu? Porque eh e eh as elites no Ocidente meio que se parecem. Eu entendo, sim. Eu eu eu entendo eu entendo seu argumento, mas deixa eu voltar dois degraus aqui. E eu quero aproveitar um comentário que o Marcos Rigon fez que eu acho que ajuda a ilustrar eh o o que eu tô falando e o ponto o meu ponto a respeito do Flávio.
¶123O o que o Marcos fala é o seguinte. Eu vejo esse comentário como a mulher é muito mais capaz de lidar com adversidades vindas da da velice. Ele veio dessa forma. Eh, é o que o Fábio tá dizendo na opinião do Marcos, é, a mulher é muito mais capaz de lidar com adversidades vindas da velice. E pro Marcos, isso é um elogio, não uma ofensa.
¶124Eh, >> não, gente, olha só. Não, não, não, pera, pera, pera, deixa eu, deixa, deixa, deixa, calma, calma. Eh, Marcos, primeira coisa, primeira coisa, >> primeira coisa, eu acho que você tá certo. Eu acho que é isso que tá passando na cabeça do Flávio. Ele acha que mulher é muito mais capaz de lidar com adversidades vindas da velice.
¶125Eh, ele certamente acha que mulheres são mais afetuosas e eh que mulheres são talvez e eh se a gente esticar um pouco, mais capazes de afeto, de amor. Eh, ele certamente acha que mulheres têm uma vocação, talvez até biológica para cuidados, enquanto homens menos, talvez homens sejam e eh mais ásperos, tudo mais. O problema, entenda, é que isso tem muito mais a ver com cultura do que tem a ver com biologia. A gente até poderia entrar aí uma discussão sobre testosterona, estrogênio, tudo mais, mas o problema é que testosterona também cai conforme você vai envelhecendo, tá? Eh, se não te contaram ainda, deixa eu te contar, porque é é uma questão [risadas] eh eh eh qual nós homens todos temos de lidar.
¶126Eh, eh, recomendo reposição, inclusive. Mas um ponto fundamental eh eh aqui é o seguinte, essa é uma visão preconceituosa. Essa visão que você considera que seja aquilo que ele tá falando e que você considera ser um elogio, é uma visão preconceituosa, >> porque as mulheres estão exaustas também disso, né? >> É, é, é o, o grande ponto aqui é o seguinte. A gente, na verdade, tem uma cultura que joga uma quantidade de responsabilidade nas costas das mulheres de cuidado imensa, que é uma baita de uma desculpa pros homens pularem fora dessa situação, desse tipo de Então, os pais envelhecem, são as mulheres que ficam, os homens pulam fora, entendeu?
¶127Eh, alguém envelhece na família, a mulher cuida, o homem não precisa. Eh, parte é o cuidado das crianças, o cuidado com a casa, tá? Tudo isso dentro desse pacote. E e eu tô imaginando, eu não conheço você, mas eu tô imaginando que você tá começando a ficar muito zangado comigo. Tudo bem, acontece.
¶128Mas o problema essencialmente é esse de botar a mulher no lugar do cuidado, porque ela é feita naturalmente para isso. Enquanto que o homem não é o cara do lugar do cuidado. O homem é o cara que vai caçar o mamute para alimentar todo mundo. A mulher é quem vai cuidar de eh fazer com que aquele mamute depois de desçado, não fique empeando a cozinha, não. Ela vai deixar a cozinha limpinha, tudo mais.
¶129eh os filhos alimentaros e tudo mais, porque é isso que perde voto de mulher, porque enquanto na sua cabeça de homem, eu também tenho cabeça de homem, tá? Eh, enquanto a sua cabeça de homem, você vê isso como um elogio. Esse ato muito específico de botar a mulher no lugar do cuidado e botar a mulher como a responsável por cuidado é justamente o principal foco de divergência entre homens e mulheres na sociedade. E isso não é uma coisa exclusiva à esquerda, não é uma coisa exclusiva a mulheres de esquerda. Isso é algo que tá sendo sentido e percebido, inclusive em pesquisa, por mulheres de direita.
¶130E é por isso que essa distância, Eí para pra minha questão, que é eh eu acho que naquele mundo ali que não é um mundo e e aí eu não tô me referindo apenas a um mundo bolsonarista, o Marcos Grigol não é bolsonarista. Entendeu? Eh, eu acho que o Rogério Maurinho e o o Valdemar Costa Neto ouvem essa frase. Inclusive minhas filhas vão cuidar de mim na Velice. E eles percebem essa frase como elogio.
¶131>> Uhum. >> Eles não percebem a quantidade de votos que vão indo embora. É, Marcos. É. Eu eu posso discordar dos dois, de você e do Marcos.
¶132Por favor, >> vai. Eu eu acho que esse é essa é a questão que a gente tava falando aqui, que ter uma mulher na chapa e ter uma mulher num ambiente político, ter mais de uma mulher, ter diversidade em qualquer ambiente, não é uma questão identitária. Porque assim, os interlocutores dessas pessoas são homens, eles conversam entre eles, eles não trocam ideia com mulher, eles não ouvem o que uma mulher tem para dizer. Eh, quando a Michele tentou falar, a gente viu o que aconteceu com ela. E aí, se você não conversa com mulher, se você não respeita a mulher como sujeito, se você não olha para ela como um indivíduo para ouvir que ela tá exausta de ter que cuidar de todo mundo, porque ela cuida da casa, ela cuida da criança, ela cuida dos pais, ela cuida de tudo, eh, é assim, o cara não tem o telefone da do pediatra, não sabe o nome do pediatra, o nome da professora na escola.
¶133Eh, então assim, esses esses homens que estão tomando essas decisões, eles não conversam, eles não ouvem mulheres, eles têm essa a mulher como essa figura decorativa. E aí assim, não é uma questão de, ah, não tá na vice-presidência, não, não tá com com poder de eh de decisão nos partidos, não tá. E é isso que faz falta. Não é uma questão identitária do colocar uma vice lá ou de colocar eh candidatas laranjas, isso não vai resolver. Eh, as mulheres precisam ser ouvidas enquanto sujeitos e eles não são capazes de fazer isso.
¶134E essa esse tipo de demonstração eh esse tipo de declaração demonstra isso, né? Eh, eh, não houve assim esse essa porque esse essa exaustão com a coisa do cuidado é muito discutida entre as mulheres e como o Pedro falou, não é só entre as mulheres de esquerda, as mulheres de direita também estão exaustas >> e são as mais sobrecarregadas. mais sobre urbanas e estão cuidando deudo. E e muitas vezes assim, agora a gente tá vendo um descolamento disso, mas a gente via muito pastor falando para elas que esse trabalho do cuidado é da mulher mesmo. Então elas estão exaustíssimas e e ter alguém que tá tentando falar com esse público e mandar uma dessa de, ah, minhas filhas vão cuidar de mim, realmente.
¶135>> Bom, deixa eu deixa eu entrar. É engraçado, ó, chegou o dia, né? Porque e entre a posição do Pedro, do leitor e a sua, eu tô com você, tá? Eh, eh, quando É verdade, é verdade. [risadas] Eh, eh, chegou, não concordo.
¶136>> Tipo, não vem concordar comigo, hein? [risadas] Essa não, né? Não vem concordar comigo. Mas enfim, eh eh quando eu falei lá em tom de brincadeira, mas eu falei com o Flávio, eu vou te trancar numa sala com 10 travestinis, o que que eu quis dizer? Era exatamente a convivência.
¶137Era assim, para você conversar com algum público, você precisa entender, você precisa conversar, você precisa ter empatia, você precisa parar de partir de um lugar de respeito, né? >> Partir de um lugar de respeito, né? >> Mas também de convivência, >> claro. >> Entendeu? Porque a convivência vai construir um conhecimento.
¶138Eh, eh, cara, nós homens heterossexuais [limpando a garganta] e eh a gente vai conviver, nós que passamos dos 50, a gente hoje acha que convive com as mulheres um pouquinho melhor do que a gente convivia quando a gente tinha 18. Por quê? Porque a gente foi vivendo, foi aprendendo um monte de coisa, foi isso. É verdade. Só não fica jogando na minha cara que eu tenho mais de 50 assim, sem me avisar que você vai chegar nesse ponto que eu ainda não tô habituado, >> cara.
¶139Eu e eu tô eu tô [risadas] eu tô e eu tô em crise porque eu tenho 56 e eu descobri que o Alfredo Gaspar do Flávio tem 55 e eu olhei pra foto, falei: "Cara, eu achava que ele parece meu pai na foto". Eu não sa, entendeu? Não me acho tão velho assim não. Mas [risadas] enfim, e eu ainda tô processando, tá? Eu ser mais velho que o Alfredo Gaspar, eu ainda tô processando.
¶140[roncando] Mas enfim, eh eh falando sério, o o por que que eu eu discordei dos dois? No caso do Pedro é uma coisa mais complicada. a gente vai ter que, não sei como, de algum jeito, voltar a esse assunto aí, de uma maneira mais calma, mas eh a ideia eh de que se você eh eh pegar num num experimento de laboratório e botar um homem eh botar 1000 homens e 1000 mulheres e igualadas todas as condições, o mesmo número de homens e mulheres vão optar, por exemplo, por serem enfermeiras, professoras, não sei quê, é um erro demonstrável por 1000 pesquisas, entendeu? Então, eh, eh, >> o debate é só o que que é cultura e o que que é natureza, né? >> Pois é.
¶141Que que que assim também já foi meio que superado porque você consegue mostrar que nas sociedades mais diferentes do esquimó ao aborigene ao enfim, eh, a não ser que se todo há uma grande conspiração de todas as sociedades em todos os lugares, em todos os tempos, ou existe alguma coisa aí, né? Enfim, que não é preconceito, né? E eh esse é um é um lado. Agora, o que eu diria ao Marcos, né, Marcos, olha só, independente do mérito do que você falou e e eu acho que tem algo, então nesse ponto defensável em relação a uma ideia de que há mais cuidadoras ou enfermeiras, enfim, mulheres e tal. É uma é uma discussão de por que é isso, da onde vem isso e tal.
¶142É uma é uma discussão muito eh eh longa, mas acho tem um mérito. Agora, o meu o meu ponto não não vou chamar de divergência, mas assim eu acho que de esclarecimento, cara, é que você não pode, você sendo um líder político numa campanha, você não pode falar algo que depois você tem que botar 10 outras pessoas passarem o resto do dia explicando o que você quis dizer, entendeu? Você tem que parte da função da liderança, você tem que ser claro, você tem que ser muito e eh você não pode deixar margem do que você fala, principalmente para questões muito sensíveis, delicadas, que importam muito pras pessoas, você falar coisas que deixam uma margem muito grande para ser mal interpretada. Claro que qualquer coisa que você fale pode ser mal interpretada. O o Milô Fernandes tem uma frase que eu adoro que ele fala: "Nenhum escritor está eh livre do mau caratismo do leitor, né?
¶143E, e é claro que se todo escritor tem leitor mau caráter, claro que alguém vai sempre pegar eh eh algo que você escreveu e deturpar, tudo bem, mas [roncando] o Flávio deu espaço para essa interpretação e aí você vai dizer: "Ah, não foi isso que ele quis dizer. Nós vamos ficar o resto do ano discutindo o que ele quis dizer ou não quis ou ele acha, entendeu? Isso é um desvio de foco. E e imagina assim um cabo elétrico, o cabo tem que passar energia, quando o cabo fica desencapado, ele faz calor. Então, tinha uma expressão do Vinícius de Moraes que ele falava isso, entendeu?
¶144Do do de gente que faz calor, que é dispersão de energia, entendeu? É, é, é, é, é muita bobagem. Oi, >> efeito Jol. Isso e é muita e é muita bobagem que é falada que dispersa energia que deveria estar canalizada para você numa eleição muito difícil deixar muito claro o que que e e você quer divisão pro país, né? Eh, eh, você vê que quando, eh, naquela, essa semana teve essa batina que foi muito boa, aliás, lá do do antagonista tal, onde eu trabalhei full disclosure, eh [roncando] eu assisti essa batina e tiveram bons momentos.
¶145Mas se vocês olharem a parte do Flávio, o Flávio foi o último a falar, foi o único que não tava presente e entrou em vídeo e tal, uma das perguntas era assim: "Ah, era algo do tipo, me dá três motivos para votar em você". Você via a dificuldade que ele tinha de articular, por que que alguém deveria votar em você, Flávio? E ele ficou 7 minutos falando e vinha e voltava e tal. Aí você fala assim: "Então ele é Flávio Fóbico, entendeu? Porque ele não sabe vender ele, entendeu?
¶146Ele ele ele ele ele ele tá com uma dificuldade. >> Tem tem uma quantidade muito grande de pessoas falando nos bastidores que ele é preguiçosíssimo, que ele não trabalha, que ele não estuda, eh que ele não se dedica, que ele não frequenta reuniões, que ele deixa a campanha correndo solta, sem participar. Não convivo com ele há 10 anos. Não, não, não, não, não, não. Mas, mas, mas >> bicho, chegar em agosto e não saber eh te dar três razões porque que você deve votar em mim, isso é literalmente a definição >> de um candidato que não trabalhou, não estudou, ouvindo, você que tá me ouvindo, não acredita em mim.
¶147Vai lá no vídeo que tá no YouTube dessa sabatina, vê a pergunta, eh, três motivos para votar em Flávio Bolsonaro, vê a resposta que ele dá e avalia o que que você acha. Eu acho que ele articulou muito mal e aí você fala: "Pô, o sujeito não sabe vender ele". >> Então, sim, mas isso é a primeira coisa que um candidato aprende a falar, >> entende? Pelo amor de Deus. É, é, é, é, é, isso é uma coisa de estudo e dedicação ao trabalho.
¶148Qual é o seu trabalho? O seu trabalho é convencer as pessoas a votarem você. Isso mais triste ele foi, ele teve tantos cargos no legislativo sem saber vender a si mesmo, né, que a gente fica se questionando. O o ponto é eh eh você tá em segundo numa corrida presidencial a a cinco pontos de distância do primeiro no segundo turno. Tipo, você tem às mãos a possibilidade de ser presidente da República concretamente?
¶149O Fábio pode ser eleito. Existe uma chance eh não zero de ele ser eleito, aliás, bem mais. Eu botaria em 35, 40% as chan ele ser eleito presidente da República. Isso não é um número científico. É, é, é simplesmente a constatação de que ele pode derreter e é mais provável que o Lula seja eleito, mas 35, 40% tem uma chance alta.
¶150É, eh, eh, >> ele passa por escândalos do tamanho que ele passou de maio para cá e aí dá uma queda de 10, sobe cinco, tá ali. É, é, é, é um, é um, é um candidato com muita força política. trabalha, né? Trabalha, estuda. >> Eh, tem uma coisa ali, não pode um candidato à presidência da República, o o pai dele escapava de se virar e dar numa resposta numa live.
¶151Eu não entendo muito de economia posto Ipiranga. O posto Ipiranga do pai dele era o Paulo Guedes, entendeu? Que outro dia eu assisti dando uma aula pro Tales Gomes, entendeu? Thalis Gomes queria tentar convencer o o Guedes com que eu tenho imensas divergências. Aí o Thalis Gomes queria convencer o Guedes de que uma ditadura de sábios no modelo platônico era melhor do que uma democracia.
¶152O o Paulo Guedes tem imensos defeitos. Mas isso ele conhece, construir, estruturar o argumento liberal de defesa de uma democracia, ele conhece. E o Tales Gomes tava ali no meio da conversa estupefato, tal, e eh de ué, como é que pode isso e aquilo tal? Eh, ele tinha certeza que o Paulo Guedes ia concordar, entendeu? Pelo amor de Deus, você não sabe sequer o que que é um liberal.
¶153É. É. E o ponto que eu tô fazendo é o Bolsonaro tinha o o Paulo Guedes do lado dele, que o conhecimento do Paulo a a a respeito da literatura política e econômica do liberalismo é sólido. A Daniela Marques não é isso. Ela tá muitos degraus abaixo do Paulo Guedes.
¶154Não é um cara com doutorado em Chicago como Guedes. >> Um cara que criou o IBMC, que que tem a história dele no BTG. É, é, é exatamente isso. Aí não pode o Flávio se virar e tipo, eu não entendo muito de economia, deixa eu passar para Daniela Marques. Aí a Daniela Marques, saca?
¶155Essa é um dos problemas do Brasil é que o os Correios têm o monopólio de entregas, não e entende. Eh, tem uma coisa ali do Flávio que eu acho que vai começar a gritar cada vez mais na campanha, que é: "Ele não tá se preparando para essa campanha". E aí, eh, eh, eu volto, eles têm um ponto cego. E esse, e esse é o único ponto que eu tô fazendo faz dois dias, que eu acho que é, é importante a gente constatar que existe esse ponto cego. Eles não só não tem convívio com mulher e na minha leitura não tem respeito em termos e eh eh gerais por mulheres, como eles não se atentaram ainda que a coisa mais importante da campanha deles é conquistar o voto feminino.
¶156Cara, eles têm 52% dos votos dos homens. Eu acho que essa é a divergência de leitura. E eu acho que e é tudo válido, mas eu tô falando o seguinte, que que eh existe um um conceito em economia que chama preferência ordinária. Que que é isso? Ordinária vem de ordem.
¶157O que que vem na frente? Então, por exemplo, se você perguntar para uma pessoa, os economistas fazem muito esse levantamento, você perguntar para o seguinte: "Você gostaria de ter um carro?" Sim, você gostaria de ter uma televisão? Sim. "Você gostaria de ter uma casa?" Sim. "Tudo bem, mas bota em ordem, de preferência.
¶158Ah, eu primeiro queria ter a casa, depois o carro". Então, isso é preferência ordinária, né? as coisas normalmente as nossas decisões na vida, não é uma coisa ou outra, mas é uma coisa na frente de outra. O que que é prioritário? Então, se você perguntar pro Flávio, você gostaria de ganhar a eleição para presidente do Brasil?
¶159Sim, gostaria. A pergunta não é essa. A pergunta é: você tá disposto a fazer o que é necessário? >> Ah, claro. >> É, é, é outra coisa, entendeu?
¶160Você tá disposto a, a, primeiro, o bolsonarismo estaria disposto a abrir mão do Flávio e botar o Tarcísio lá atrás? Eles já falaram que não. Você estaria disposto agora, por exemplo, a dar poder a Michele? Não. Você estaria, entendeu?
¶161Você tá eh eh você tá disposto a comprar uma briga com Artur Lira que talvez seja o próximo presidente do Senado. Não, entendeu? Então não é que ele não quer ganhar a eleição, ele não está disposto a fazer o que é necessário para ganhar a eleição. >> Pode ser. Eu quero responder uma pergunta aqui que parece pertinente, é um comentário é aqui que parece pertinente e é de alguém que obviamente não entendeu nada do que eu falei, que é o Manuel Rezende.
¶162Petismo não tem uma mulher na chapa, mas o Flávio precisa k. Eu não sei se você percebeu, o Lula tem os votos das mulheres. O que o Lula precisa de voto de homem. >> Isso. >> Entende?
¶163[risadas] O Lula não tem problema ele ter dois homens na chapa, porque ele precisa de voto de homem, >> porque mais da metade dos homens do Brasil vão votar no Flávio. >> Então o problema do Lula não é com o voto feminino. Quem precisa para ser eleger de voto de mulher não é o Lula. O Lula tem. Eu >> essa é a diferença, gente, não é possível que vocês não tenham entendido.
¶164>> Eu queria e assim também vejo como um problema o fato, por exemplo, de não ter tido nenhuma mulher na convenção do PT para falar oficialmente e ele ter precisado chamar a Janja de Improviso, que inclusive não é candidata a nenhum cargo. Havia outras mulheres candidatas ali que ele poderia ter chamado. Benedita tava lá, enfim. Eh, mas feito esse disclaimer, eh, o Pedro tem razão. Quem tá precisando de voto feminino é o Flávio Bolsonaro.
¶165Eh, eu queria só responder a mensagem aqui do Cléber Biana. Ele escreveu uma mensagem bacana dizendo que ele aprendeu a conversar e a ouvir e hoje ele tem uma relação muito melhor com a companheira dele. Eh, cara, eu acho que esse é um exercício muito bom de todo homem fazer assim, porque os homens pela estrutura social que a gente tem, essa coisa do homem não chorar, ter que segurar os sentimentos e ser essa coisa do provedor, a nossa educação eh leva os homens a falarem pouco, a conversarem pouco com profundidade na maioria dos casos, tá? não tô generalizando, mas assim, tem uma estrutura educacional para isso. Eh, tanto que agora a gente tá vendo, eu escrevi há pouco tempo uma matéria sobre eh red pills que deixam de ser headpills, porque eles conseguem conversar tão pouco que eles vão parar nesses fóruns, eles não se sentem bem nesses fóruns e saem com autoestima pior do que entraram, né?
¶166Então, tem esse problema da comunicação do homem e normalmente a comunicação do homem, mesmo com as pessoas eh que ele ama, é o o eu te amo básico e não tem um aprofundamento daquela relação e daquela conversa. Então, se você puder tomar um café com a sua mãe, com a sua tia, com a sua avó, não deixa ela fazer o café, não. passa o café, você toma um café com ela e pergunta como foi a vida dela em relação a essa coisa do cuidado mesmo, como foi para ela cuidar do marido, dos filhos, o que que ela teve que abrir mão, se ela trabalhou o tanto que ela queria trabalhar, se ela ficou em casa, se ela sente algum tipo de tristeza ou de frustração por isso, se ela acha que a filha dela deveria ter o mesmo destino ou se ela quer uma vida diferente pra filha, porque isso acontece muito eh de eh no caso de uma geração em que as mulheres não conseguem estudar, na geração seguinte, elas serem muito estimuladas a fazer isso, porque a autonomia financeira é fundamental para que a mulher tenha eh direito de ir e vir, de fazer as próprias escolhas na vida. Eh, então, pergunta para elas assim, senta com as mulheres da sua vida, as mulheres que você ama e que eu acredito mesmo que você ame sinceramente, e faz uma pergunta sincera para ela, assim de como ela se sente em relação a essa coisa do cuidado assim. em nenhum momento da vida ela se sentiu cansada.
¶167Porque é claro que quando tem amor nas relações, o cuidado é uma coisa que vem, mas é um excesso, uma sobrecarga que eu duvido que ela vai te responder que não, ela nunca se sentiu cansada na vida, que ela nunca se sentiu exausta na vida. Essa conversa é fundamental que os homens tenham com as mulheres, assim, eu recomendo muito. >> Ah, [suspirando] vai ser isso até o fim dessa campanha, né? esse tipo de discussão, esse tipo de debate, eh, >> a não ser que a boca do jacaré da das pesquisas comece realmente a >> Eu não acho que vai, eu não acho que vai. Eh, eu a maneira como eu tô lendo essa eleição é a tendência é a boca do Jacaré fechar e ficar uma disputa cada vez mais fechada e difícil entre Lula e Flávio.
¶168Continuo achando que o Lula é favorito, porque essencialmente eu acho que o Lula, eh, embora não tenha sido assim a vida toda, ele ele se tornou um profissional da política eh muito exímio. Então ele deixa profissional trabalhar, ele deixa a equipe de comunicação trabalhar, ele deixa a equipe de marketing eh trabalhar, coordenação de campanha, tudo mais, e ele sabe o que que um presidente da República precisa fazer para se eleger. Eh, então todas as políticas que vão gerar nesses próximos dois meses pontualmente uma sensação de bem-estar econômico, como que o ano que vem vai ser, é o problema do ano que vem, né? É, mas a criação desse bem-estar econômico nos próximos dois meses e a impressão de que tem mais dinheiro circulando, eh, todas as medidas necessárias para isso já foram dadas. E isso é exatamente o que um presidente da República tem que fazer.
¶169E todos, desde Fernando Henrique 98, fazem. Eh, todos >> é a bolha. >> É, é isso. Você cria ali uma bolha de bem-estar com liberação de determinadas verbas, tal. Eh, então eu eu acho que isso, por definição, eh, já gera um bem-estar para um presidente que já tá na frente.
¶170Então, isso põe o Lula num lugar de favorito. Mas eu não acho que o Flávio vai derreter. Eu acho que o Flávio vai pro segundo turno e acho que existe o fenômeno que o que o que o Maurício sempre eh é do Instituto Ideias, sempre comenta, que é existe um antipetismo de chegada. O o o Flávio vai fechar o o primeiro turno aparentemente bastante de distante do Lula e essa de quando chegar no segundo turno, o Lula não vai ter um voto a mais para conseguir agregar e o Fábio vai ter um monte de voto a mais e ele vai encostar. >> Aham.
¶171a não ser que pinte alguma coisa ligada a Daniel Vorcaro, algum desses vídeos que estão circulando, eh, e tenha de fato algum tipo de impacto que derreta a campanha. Eu acho que existe a possibilidade, Alexandre, daquele fenômeno de tiping point de avalanche em que cai denúncia, cai denúncia, cai denúncia de uma hora >> sim >> o eleitor abandona. E aí >> é o gênero, né? É isso, é isso, é isso. >> Existe essa possibilidade se alguma coisa nova aparece, mas se não acontecer, eu acho que vai ser isso.
¶172Eh, tende a ser uma eleição em que o Lula ganha por 1% de diferença no segundo turno. Eu acho que tem um ponto importante pro ferramental de quem acompanha a gente para acompanhar e entender pesquisa e política, que eu acho que é pouco falado nas análises, que é o seguinte. Eh, eh, e eu entendo muitos dos analistas, eles focam muito em discurso, eh, principalmente porque muita gente vem da ideologia e ideologia é discurso, é o que eu chamo de LLM, né? Eh, eh, só que a eologia, discurso, o que você fala é só uma parte da história. O, ã, eh, eleitor, ele tem que acreditar, e aí é um problema de casting que eu chamo.
¶173O, o eleitor ele tem que achar que o candidato escolhido, ele está correto para o papel. Tanto que agora o Oscar mudou e vai ter vai ter Oscar para casting, inclusive. Porque não adianta o texto do roteiro do filme ser bom se você achar que o casting escolhido não bate. Nem tô entrando no no na na odisseia de novo, não, tá? Mas mas em política tem isso.
¶174Você tem o roteiro do filme e tem o casting. Então, por que que eu tô falando isso? Porque isso ficou muito na minha cabeça ontem. Eh, eh, eu, eu fiz parte da cobertura da sabatina, porque eu trabalho no Wall também, e a gente teve que cobrir a sabatina do Anthony Garotinho, que é um dos candidatos, que tá em segundo lugar, empatado com Douglas Ruas, atrás do Eduardo Pais na disputa do do >> uma eleição que tá meio que cara, que vai terminar no primeiro turno, né? É, tá com cara, mas eh faz parte do nosso ofício, a gente tem que cobrir.
¶175Então, ontem eu cobri a a sabatina do Anthony Garotinho. Então, por que que eu acho que essa essa sabatina, eu até escrevi um artigo sobre isso, e eu acho que ela ela é ela é interessante para você para te dar ferramental de analisar essas coisas. O Anthony Garotinho, ele é um cara que tem 66 anos e ele começou no rádio com 15, então ele tem 50 anos de rádio. Ele é evidentemente um político, como vários, como Sidinha Campos, tem vários que vão pra política vindo do rádio e são comunicadores muito experientes, muito articulados, que que são bons nisso, eh por talento e por experiência, né? O garotinho tem também o lado evangélico.
¶176Ele tem uma experiência de púlpito ali, de pregação evangélica e tal, que também deu para ele muita experiência. não bastasse isso, o o Antonio Garotinho foi o governador do Rio de Janeiro. Então, ele também tem uma experiência em administrar esse estado. Então, se você somar 50 anos de rádio a experiência como um evangelista eh eh de púlpito e com a experiência de ter governado o Rio de Janeiro, o Anthony Garotinho é natural que ele apele para muita gente. Se não me engano 15% do eleitorado, alguma coisa assim hoje, né?
¶177Mas aí eh eh então quando você pega o o que o Anthony Garotinho fala do jeito que ele fala, as denúncias, o jeitão, as frases de efeito, por exemplo, um banho no Flávio, eu tava, a gente tava falando da dificuldade do Flávio de articular o o garotinho zero tem esse problema. Qual é o problema do garotinho? Ser o garotinho. Então o que acontece? O eleitor quando ele ouve, se ele pudesse ouvir o que o garotinho tá falando e não soubesse quem está falando, ele recebeu o roteiro daquele filme.
¶178Você tem um monte de gente que acha aquilo interessante e não todo mundo, óbvio, mas você tem uma parcela do eleitorado que vai gostar daquela conversa. Aí quando você revela você, olha quem falou isso foi o Anthony Garotinho, as pessoas falam: "Ah, não, não gostei do casting". Então, uma das coisas que seguram o Flávio é é exatamente o contrário. O Flávio tem um problema de roteiro, mas uma parte do Brasil gosta dele e acha que ele tem capacidade de representar essa parte do Brasil e de ser eleito. Então, é um personagem que por si só, pelo personagem, ele acaba tendo lá seus 15, 20, 25% de voto.
¶179Então, quando você for analisar as chances de um de um de um candidato, lembra sempre dessas duas instâncias. Você tem a instância do discurso que é importante, que seria como se fosse o roteiro do filme, mas lembra também que tem o casting e como as pessoas avaliam aquele personagem independente do que ele tá falando. O que no caso do do garotinho joga ele para baixo, no caso do Flávio joga ele um pouco para cima. Compadre Dr. Alexandre, muito obrigado como sempre.
¶180Eu acho que a gente vai ter >> dois meses intensos aí pela frente. >> Vamos, vamos. >> Até a próxima, hein? Até a próxima sexta-feira. Você acha que tem Alexandre?
¶181>> Eh, >> temos o Gui aí? >> Mas antes eu preciso falar umas coisinhas. Eh, temos o Gui? Já temos. Mas pera aí que antes eu tenho uns recados.
¶182Primeiro, o Rodrigo perguntou aqui no chat onde tá a matéria que eu falei sobre os Red Pills. Está na nossa edição de sábado, se não me engano, da semana retrasada. Eh, o nosso ABRE falando exatamente sobre esse público e que escreve muito sobre isso nessas redes que têm a condição de anonimato, né? No meu caso, eu analisei posts no Reddit, eh, e entrevistei uma professora, eh, de uma universidade americana que se debruçou também sobre, eu tô improvisando, Marco, fica tranquila, que se debruçou também sobre essa esses relatos de saída, como ela chama. eh, no Reddit, né, a Shuri Padic.
¶183E ela percebeu que eh os homens entram nesse universo Redpill porque eles estão com ah os ânimos em frangalhos, né? Eles estão com autoestima baixa, eles estão com questões em relacionamentos e quando eles entram lá, uma boa parte deles acaba encontrando patamares que são impossíveis de alcançar, de sucesso financeiro, eh de tempo para passar na academia, para você supostamente virar o alfa. E essas pessoas não conseguem atingir esses objetivos e acabam ficando com autoestima pior do que quando entraram nesses fóruns. Então elas mesmas deixam, esses homens deixam esses ambientes e vão conversar sobre isso de novo, sobre essa condição de anonimato, que aí é o que eles eh o ambiente em que eles conseguem falar, né? Então, tudo isso está nessa reportagem que eu escrevi paraa edição de sábado de umas duas semanas atrás, mas eu queria falar também da edição de sábado dessa semana, porque a gente falou bastante aqui eh sobre a corrida eleitoral, né, e sobre o início das das campanhas, né, pelo menos o início oficial da disputa.
¶184E nessa semana a gente publicou mais uma rodada da pesquisa Meio Ideia, nossa pesquisa eleitoral em parceria com o Instituto Ideia, que trouxe um retrato atualizado da disputa presidencial depois das convenções partidárias. E teve uma novidade interessante que pela primeira vez a pesquisa perguntou como os eleitores enxergam a influência de Donald Trump e dos Estados Unidos na eleição brasileira. Eh, e amanhã essa conversa continua na nossa edição de sábado, exclusiva para Assinantes Premium também. A Júlia Kquia mostra como o fim das convenções desenhou uma eleição diferente das anteriores. Pela primeira vez, desde 1989, só uma candidatura competitiva chega à disputa com uma aliança, enquanto as outras seguem praticamente fechadas ali nos próprios partidos.
¶185Eh, o que esse novo arranjo revela sobre polarização, neutralidade e estratégia eleitoral? A gente vai tentar responder. A edição traz também uma outra reportagem minha sobre a discussão em torno da extrema magreza da cantora Ariana Grande, que reaccendeu aí um debate sobre padrões estéticos exagerados. Você que tava lá nos anos 90 e nos anos 2000 sabe do que eu tô falando e nada saudáveis. E como sempre tem a matéria cultural do Guilherme Vernec, né, Gui?
¶186Boa tarde. Que que você vai contar pra gente? >> Boa tarde, Luía. Boa tarde, Pedro. Eu falei com um coletivo muito legal, com dois dois membros de um coletivo legal de quadrinhos lá da Colômbia, de Medelim.
¶187Eh, o Pablo Perz e a Lina Flores, eles estão lançando aqui no Brasil uma HQ que chama Três Horizontes, que que fala da história de Três Mulheres. uma reportagem em em quadrinhos, na verdade, é uma espécie de perfil eh ali de uma adolescente que quer ser bailarina e tem que mora na periferia de Medelim, tem todas as dificuldades, luta ali contra a família, tem uma jornalista ali de meia idade que, putz, investiga o o crime organizado na Colômbia, descobre cemitério clandestino, então tem toda essa luta jornalística e depois uma mulher na ade já na terceira idade, que é uma ativista dos dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher. Então, são três perfis de mulheres, eh, e que eles tratam desse jeito. Esse coletivo, ele tem essa essa pegada mesmo de fazer jornalismo em quadrinhos. E a gente bateu um papo ótimo lá no no Cervantes, eh, sobre o livro, sobre essas questões e sobre como tratar jornalismo nesse outro meio que não é um meio muito tradicional.
¶188Claro que a gente tem, né, Palestina com Ossaco, tem uma uma tradição aí, mas ela não é dentro dos quadrinhos, não é o meio mais eh comum, né? >> E para ler tudo isso, R$ 15 por mês aqui, ó, gente, aqui a code aqui na tela [risadas] aqui mão errada hoje. Eh, R$ 15 por mês, assinante Premium do meio já recebe logo cedinho amanhã a nossa edição de sábado, além de todos os outros benefícios, né, meio político à quartas-feiras, acervo do streaming, enfim, vale muito a pena. você tem você tem eh eh além o o John Saco, eu acho que é certamente o melhor exemplo de jornalismo em quadrinhos, não só com o Palestina, ele também foi eh eh tem ele ele também fez alguma coisa sobre Afeganistão. É, tem tem uma pessoa que fez uma uma um quadrinho zótimo chamado Pong Yang, eh, sobre a Coreia do Norte, sobre o o a ditadura norte coreana.
¶189Agora, também tem um movimento de memórias, né? Eh, eh, importante, eh, gente que faz memórias, desde o mouse, evidentemente, em que o Art Spigman fez, eh, é uma coisa de memórias dos pais dele. Eh, mas, eh, desde então tem Persépolis é super famoso, né? Eh, eh, >> sobre uma infância na no Irã e a mudança eh pros e pros Estados Unidos. Depois você tem foi pros Estados Unidos, não foi pra França, né?
¶190Eh, que autora depois. É, é, é. >> Franç >> e você tem também aquela e se eu não me engano se chama Slow Home. Eh, é slow home. >> Essa eu não conheço >> não.
¶191Eu vou, não é, não é slow não, eu vou, mas é, é, >> mas tem avenida Drops, por exemplo, dois. >> É o Wisner, que é o grande mestre, né? Mas o ponto que eu tô fazendo é essa não ficção em quadrinhos é uma coisa que tende a crescer cada vez mais, não é? Não, >> não, sem dúvida, sem dúvida. Inclusive tem alguns exemplos brasileiros, né, que não é exatamente de não ficção, mas de tratar a realidade.
¶192Por exemplo, o o de não de não ficção tem também, mas o Marcelo Quintanilha, por exemplo, é um quadrinista mega premiado brasileiro que trata a realidade, trata muito do cotidiano. Ele ele inventa algumas histórias, mas tem outras que ele que ele claramente tá ali inspirado na na história real. E tem e é uma tradição antiga, na verdade. Eh, as histórias, por exemplo, meu pai tinha uma coleção de revistas Epopeia, que é uma revista dos anos 40, 50, que contava as cruzadas, contava grandes feitos históricos, entendeu? várias histórias da idade média, tal, >> em quadrinhos que eu eu adorava, cresci lendo isso.
¶193>> Isso. Eh, a o que eu tava citando e e bobei se chama Funhome, eh, de uma de uma quadrinista chamada Alison Bestdell. E esse fun home, que é casa feliz, é funeral home, né? eh eh casa funerária, eh que ela foi criada, o pai dela era um agente funerário tal. E aí é um pouco a história de de como ela sai do armário, que ela era lésbica.
¶194Ela é lésbica, né? É a F Roma é uma das coisas mais bonitas em quadrinhos que eu já li. Eh, enfim, só só citando aí que é uma coisa que eu vejo ficando mais forte essas coisas eh de não ficção com padrinhos. Eh, e mais interessante porque a revista Epopeia não era legal, né? Eu li também essas esses quadrinhos, [risadas] mas não era bom, né?
¶195Era >> é e é ela é diante da época de ouro dos quadrinhos, né? Eu acho que a gente tem uma, uma época de ouro dos quadrinhos que é 260 pra frente. >> É. É. E aopeia de antes.
¶196>> É isso, é isso. Começa com Eu acho que o que a gente citou são excelentes. >> É, eu acho que o Will Weisen é o cara que começa a a pelo menos nos Estados Unidos, a mudar essa coisa e e e a partir dali tem o o Roger Crump também, né? Tem uma coisa ali que começa a acontecer. >> É, o é o Crump, o Robert Crump é, eu acho, para mim é o maior de todos, assim, mas aí essa coisa bem marginal, né?
¶197O Crumb é bem é [risadas] Gonzo, né? >> É, >> é Gonzo, é Gonzo. E tem uma série de coisas do do Crumb de música que são sensacionais, que daí são bem história mesmo. Você sabia? Ele tem uma série de Blues, Jazz Country, >> eh, e que ele vai contando as biografias desses caras, assim, é super legal.
¶198Mas é isso, eu sou fã de quadrinhos, né? Eu acho que quadrinhos é é um jeito de você contar história muito bacana e e para jornalismo funciona. Tanto que a Suma uma lá faz coisa em quadrinhos, a agência pública faz coisa em quadrinhos. Eu acho acho legal. >> Acabei de colocar o fun home na minha sacola da Amazon.
¶199>> Fun home é espetacular. [risadas] Beleza de bonito. Não, não, não. É muito, é muito bonito. >> Fiquei quietinho aqui porque tava gastando dinheiro.
¶200[risadas] É, >> é, >> é para isso que serve essa minha participação no meio, né? [risadas] >> Exatamente. >> Além dos R$ 15. [risadas] >> Mas que que tem pra gente gastar dinheiro no fim de semana, hein, Gui? Bom, no fim de semana tá rolando no Rio Dança em Trânsito, que é o maior festival de dança do Rio.
¶201Ele já tá, já tem 25 anos o festival, não é nenhuma novidade assim, mas a graça do Dança em Trânsito, que além de obviamente você ter várias companhias cariocas, você tem companhias do Brasil inteiro indo. Então, Casar da da [roncando] que é uma companhia importante de Goiânia, que sempre faz coisa aqui em São Paulo, porque o Sesc traz, né, mas no Rio nem sempre. Tem gente do do Rio Grande do Sul, tem gente fora da de Lubriuana, da Itália. Então é um jeito de você ver dança do mundo todo, espetáculos excelentes, preço dos camaradas no Teatro Carlos Gomes, no João Caetano e no Nelson Rodrigues e no Tápias. Então, então é um baita programa pro fim de semana, assim, para quem quiser uma coisa um pouco mais high brown, né?
¶202Eh, tem o Doce Maravilha, que eu é o dos festivais do Rio é o meu preferido, curado pelo Nelson Mota. Você vai amanhã? >> Absurdo. >> Você vai amanhã? >> Eu tô aqui em São Paulo.
¶203>> Ah, é? Tá. Verdade. Eu esqueço. É o importante [risadas] é ter saúde, Gui.
¶204Eu vou amanhã. >> Mas a minha irmã vai. A minha irmã foi pro Rio para ver o Doce Maravilha, por exemplo. Ela vai no sábado e no domingo porque hoje hoje é mais roqueiro. Hoje não é muito a vibe dela.
¶205Hoje tem Fresmo Charlie Brown Júnior com Raimundo e tal, não é muito a vibe dela. >> Mas eh amanhã tem Paulinho da Viola com Maria Betânia, tem o Chico Chico com a Juliana Linhares, que eu morreria de vontade de ver os dois juntos, assim, eu gosto muito dos dois, assim, principalmente da da Juliana. Juliana é uma artista que a gente fala pouco, mas ela dessas artistas da nova geração, ela ela tem uma coisa nordestina muito interessante assim, eh, de lidar com as raízes e eles vão cantar Belkior. Então, eu acho isso bem bacana. Belki também fala teorias.
¶206É, é um cara alfabetizado. [risadas] >> E aí, domingo tem Caetano comemicida, né, que é curioso. >> Aliás, hoje é aniversário do Caetano, gente. A gente abriu sem falar disso. Ficamos aqui falando do CIC Cobra Coral.
¶207Parabéns, Caetano Veloso. Obrigada por mais um ano conosco. >> É, parabéns, Caetano. Que seja ótimo seu show no domingo. Daí tem Sanda de Sa comemorando 40 anos de carreira, que eu eu também gosto cada vez mais da Sandra Sara.
¶208>> E os amigos do Pedro estão lá para sucesso também no domingo. >> Não me queixo. >> Então eu eu acho um belo programa. Agora, para quem quer uma coisa mais maluca e legal assim, mas muito legal também em São Paulo na semana passada, eh, na casa museu clabim vai rolar o Grivo, que é um do lá de Belo Horizonte, que são os caras que tão entre a música e as artes visuais ali. Eles são aqueles caras que são consultores de instrumento, artes visuais, não, não é exatamente entre as artes plásticas, digamos, porque na verdade o trabalho deles é muito com instalação, com construção de instrumento, etc.
¶209E aí eles vão fazer uma um show junto com uma multiartista que é radicada aqui em São Paulo, que é Ana Helena Tocu, que é metade do Fronte Violeta com a Carla Boregas, do Rack, tá, tal. Eu acho que vai ser um negócio sensacional. sábado à tarde, 17 horas, baratinho, na casa museu clabinha. Eu acho o grivo para mim da das coisas de de consultores de instrumento hoje são os filhos tortos do Smet, assim, eu acho eles os caras mais legais. Eu já vi algumas vezes, já vi exposição deles.
¶210Eu eu piro assim, se eu tivesse no Rio, eu estaria lá com certeza. Mais até do que na Não, eu estaria nos dois, eu acho. Daria um jeito de conciliar as duas coisas. Do maravilha e o [risadas] e o Grivo. Eh, e aí aqui em São Paulo a gente tem uma coisa bem carioca, tem sexto e sábado, né, hoje, amanhã tem show da Alice Cim fazendo esse disco que ela que eu gostei muito, assim, na verdade, o disco da Lis que eu mais gostei é uma sacanagem porque é um disco que ela grava as músicas do avô, né, do Dorival CM.
¶211Então, mas em vez de ser essa coisa super eh reverenciada e fazer as músicas muito certinhas, eh inclusive como a geração, né, de cima da família dela faz, assim, porque eu acho, por mais que eu acho todos, né, Danilo, Dori, super e Nana, super bons músicos, tal, eu acho eles de uma caretice sem fim, assim, uma carice que o Cim não tinha, eu acho eles um pouco guardiões da chatice do MPB. >> Uhum. E e a Alice não, a Alice é essa coisa aberta, ela faz ela bota eletrônica, ela faz um monte de cois. A versão de Morena do Mar, por exemplo, que tem lá é é maravilhosa, mas tem é tem uma versão super up bit de maracangalha. É, é muito legal, assim, um disco muito legal.
¶212Foi inclusive dos discos ali que a PCA eh escolheu como um dos 25 melhores do primeiro semestre desse ano. Então, >> é uma coisa que vale muito a pena. Outra coisa legal, eh, a Luiz Estrina, que é uma das principais galerias aqui de São Paulo, vai abrir a sua pergunta, né? >> O nome do disco. >> Qual o nome do disco?
¶213Quê? >> Cim. >> Cim. Tá. [risadas] >> Desculpa.
¶214Caim. O nome do disco é super original. [risadas] Bom, a Luís Estrina, que é dessas galerias aqui nos jardins, das galerias mais mais tradicionais de São Paulo, eu acho que, né? Ela vai abrir duas exposições incríveis. Uma é uma exposição da Ana Maria Maiolino, que é uma artista que eu amo, assim, uma artista, ela é uma italiana, mas que tá vivendo no Brasil hs 50 anos e ela tem muito esse trabalho com escultórico, né, de de formas retorcidas, derretidas com cera e e aí ele vai trazer desenhos, esculturas em cerâmica, em vidro, fotografias e algumas pinturas sobre chapa de radiografia.
¶215Ou seja, é é uma continuação do do trabalho dela. Eu tive na última exposição dela lá na Luiz Estrina, deve fazer uns dois anos. Eh, já fiquei de boca aberta com o trabalho e e o que eu vi agora vou eu vou lá amanhã para ver em loco, mas assim é incrível. E junto, né, a a a galeria sempre abre duas exposições em paralelo. Ela traz uma uma exposição do fotógrafo chileno que é o Alfredo Jar.
¶216E e é muito legal. E essa eu acho que interessa especialmente o público do meio, porque são todas fotografias que são concebidas em diálogo com o golpe de estado lá de 11 de setembro de 73 no Chile. Então é de alto teor político, mas também é de alto teor estético. São, é uma combinação das duas coisas, são fotos belíssimas. E tá rolando aqui em São Paulo a Flipei, né?
¶217Flipei, que é, digamos, a Flip do B, a feira do livro do B e tal, que é a a festa literária pirata das editoras independentes. Eh, tá rolando no espaço cultur em vários espaços da cidade, mas assim o tá concentrado no espaço cultural Soares, que fica ali no no galpão do MST, na em Santa Cecília. Eh, um monte de coisa, show, palestra, festa. E uma coisa legal é que eles levaram a distrução que teve no Rio. >> Existão, desculpa, existe um galpão do MST em Santa Cecília.
¶218>> É gigante. Existe é onde tem a feira orgânica. Eh, é um é um é um dos dos marcos do bairro assim. É um galcão. >> A feira orgânica não era no Parque da Água Branca, não é?
¶219Mais foi pro >> Não, o festival do MST no Parque da Água Branca. Ah, o Festival. >> Hã, >> é no Água Branca. >> Não, não, o Festival não, não. O Festival do MST.
¶220Eh, eh, acontece no Parque de Água Branca, que é na Gua Branca, ali do lado do Shopping West Plaza. >> Isso, isso. >> O galpão do MST, onde tem a feira do MST toda, toda semana que fica lá e que hoje tem o espaço cultural El Soares, é um galpão enorme que tinha sido uma fábrica daquelas do do século XIX. >> É antes ou depois do miocão? >> Pra virada do século XX?
¶221É antes do Mocão no Eduardo Prado. >> É, quer dizer, é antes de Genópolis. É, ali é Barra Barra Funda Campos Elíse ali, sabe? Tá tá >> para baixo perto da Barão de Limeira, uma >> tá tá lá >> uma rua para cima da Barão de Limeira ali, >> ali perto da favela do Mininho, tal. É um galpãozão gigante.
¶222Fiz muita compra lá quando eu morava em Dinópolis, fazia compra de de orgânicos lá bastante. >> É, aqui no Rio tem o armazém do campo também. >> É. E o outro lugar que eu ia era no Parque da Água Branca, né, também que eu adoro. Quando eu ia durante a semana, eu ia no Parque de Água Branca, >> patinhas >> fazer compra de orgânicos.
¶223[risadas] Mas eh então, mas aí teve teve uma exposição aqui que chamava, no Museu da Língua Portuguesa, chamava funk, um grito de ousadia e liberdade. Foi uma exposição que, se não me engano, teve no mar antes. Posso estar errado porque eu tô citando de memória. [suspirando] Só que daí a a extrema direita aqui de São Paulo fez todo um movimento e a exposição acabou antes do ela tava programada terminar no fim de maio, acabou no mês de maio. Assim, foi uma coisa feia, Ministério Público entrando.
¶224É tipo dessas coisas de bolsonarista querendo destruir a cultura, né? É, não aceitando a diferença, não aceitando essa esse. E aí os caras levaram essa exposição para dentro do galpão. Então, junto com a feira de livros tem essa exposição também. E um dos rolê que vai rolar no sábado à noite na central é justamente uma baita festa de funk eh para celebrar ali.
¶225Vai ser a festona da Flipei. Eh, mas tem outras coisas, tem show no sol e sombra, tem mas o legal são são as palestras. Inclusive Alina Flores, que é essa colombiana, vai est numa mesa no domingo, eh, falando sobre quadrinhos e realidade e tal. É isso. São mesas, são feiras.
¶226Eu adoro a Flip. Eu acho bem bem divertido de ir, só que é isso, é totalmente um rolê de esquerda, né? Assim, você tem que ir [risadas] eh as as editoras independentes acabam pesando muito mais nesse nesse lado. Amanhã tem uma conversa ótima também eh com a Rut Giler, que é uma das maiores autoridades. O Pedro sabe que a minha ex-mulher, por exemplo, é uma super especialista em justiça, né?
¶227E a a Rut Gilmore é uma das grandes especialistas em abolição penal e sistema prisional. Eles vão discutir eh sistema prisional na Califórnia. Vai ser tem vários papos legais assim, vale a pena aí. >> Excelente, >> Gu. Sempre muito bom, >> muito bom, muito bom.
¶228Vamos estar. >> Vamos nessa. Eu tenho tenho matéria para escrever ainda, mas tô quase. >> Eu tenho gravação. [risadas] [suspirando] >> Estamos todos comprometidos com a edição de sábado.
¶229Guilherme Vernet. [risadas] Muito bem, muito bem. Melhor assim, porque daí o leitor ganha, né? >> É isso. >> Ótimo.
¶230Isso. >> Até semana que vem, Gui. >> Grande beijo, Gui. >> Até. Beijo.
¶231>> Bora lá que eu vou escrever. >> Ah, vamos lá. Vamos lá. >> Então, gente, o central meio de hoje encerrado. Um excelente fim de semana para você.
¶232Se cuide, beba água. É aquela regra de ouro da sexta-feira. Tenha juízo, mas não muito, tá? Tchau. Tchau.
¶233Elas estão se aproximando as eleições e aqui no meio você acompanha com dados de verdade sem depender de conteúdos pouco confiáveis das redes sociais. Você sabe, né? A pesquisa Meio Ideia é uma das nossas bússolas. É a nossa pesquisa independente registrada no TSE, [música] feita todo mês em parceria com o Instituto Ideia. A edição de agosto traz o retrato [música] mais atual da corrida.
¶234Quem é assinante premium recebe a pesquisa completa em primeira mão e ainda garante acesso a nossa plataforma interativa que permite o cruzamento da intenção de voto por região, por classe, [música] por gênero, para comparar com as rodadas anteriores e ver com os próprios olhos o que que mudou de verdade a cada mês. Esse tipo de leitura, até pouco tempo atrás, só quem [música] trabalhava dentro de um banco ou de um partido conseguia ter acesso. Agora tá disponível para quem assina o meio premium. Em um ano como esse, olha, vale ouro. Assine e receba mais esse material exclusivo.
¶235[música] >> [música]