¶1Uma das partidas mais importantes da história do futebol, sem dúvida, a partida mais importante realizada até aquele momento foi quando os ingleses perceberam que já não eram os reis do futebol. Hungria 6, Inglaterra 3, em em Wembley. É o jogo que a gente vai focalizar hoje, contando para vocês como se formou aquela máquina da Hungria, como os ingleses levaram o baile que levaram e as repercussões daquele jogo pra década de 50 no futebol. Hungria 6, Inglaterra 3, em pleno Wembley. É o jogo de hoje.
¶2Vem com a gente no meio de campo. [música] Bom dia, boa tarde, boa noite. Eu sou Idelber Avelar, tô aqui com Diego Ambrosini para falar com vocês hoje de um jogo histórico que tem a característica de ser um jogo que pode ser assistido na íntegra. com a narração da época da BBC, Inglaterra 3, Hungria 6, em Wembley, lotado com arbitragem inglesa no gramado inglês, em um dia de sol, de outono em Londres, a Inglaterra não tinha nenhuma desculpa e levou um baile que o placar realmente não traduz. Esse 6 a 3 deveria ter sido aí um 7 a 2, 8 a 2.
¶3É o que a gente vai ver hoje, explicar para vocês como aconteceu esse jogo, porque a Inglaterra levou esse baile e quem era aquela Hungria. É isso, né, Diego? [roncando] >> É isso aí, Delber. Bom dia, boa tarde, boa noite a todo mundo que nos acompanha aqui no meio de campo futebol e sua história. Depois da Copa do Mundo, a gente vai retomar os nossos trabalhos aí já marcando um ano do nosso programa, né?
¶4E nada mais adequado do que tratar desse jogo que, como você bem disse, né, foi talvez o jogo mais importante do futebol até aquele momento, foi chamado de o jogo do século, né, e que marcou um despertado da Inglaterra. para o futebol moderno, né, para mostrou para eles o quanto eles estavam defasados, né? Eh, é interessante a gente fazer um um uma recapitulada rápida, né? Eh, para saber de que forma a Inglaterra chegava nesse jogo, né? A Inglaterra tinha tido quase um século, 80 anos de isolamento, eh, em futebolístico, né?
¶5Eh, claro, as disputas com contra a Escócia e contra país de Gales, eh, existiam regularmente desde o século XIX. O primeiro jogo eh chamado jogo internacional, jogo de seleções, né, foi em 1872, um 0 a 0, Inglaterra, Escócia. E ao longo do século XIX, a Inglaterra continuou jogando regularmente contra ess as outras nações britânicas, né? Eh, apenas em 1908, pela primeira vez, a Inglaterra vai jogar contra outros países europeus, eh, que primeiro contra a Áustria, eh Hungria, eh esses países da Europa Central que a gente já vem sempre falando o quanto eles foram importantes, né, da escola do Danúbio, pro desenvolvimento do futebol na Europa, né, depois, logo depois com a França, mas sempre vencendo, né, não havia nenhuma chance dos outros times chegarem nem perto. e geralmente de goleada, né?
¶6Só no começo da década de 20 é que alguns resultados mais apertados vão começar a aparecer. E em 1929 a Inglaterra vai pela primeira vez ser derrotada eh por um país continental da Europa continental. Já já havia perdido alguns jogos, claro, contra a Escócia, contra Wales e Irlanda, mas mesmo contra esses outros adversários também as derrotas eram raras. E em 1929, em Madrid, eh, a Espanha consegue derrotar a Inglaterra num 4 a 3, um jogo que tem a característica de ter sido, ah, o primeiro jogo transmitido por rádio, né, na [roncando] na capital espanhola. Depois, alguns anos depois, numa excursão a na Europa Central em 1934, a Inglaterra sofre duas derrotas, contra a própria Hungria por 2 a 1 e contra a Técoslováquia também por 2 a 1.
¶7Esses jogos, claro, em Budapeste e em Praga. [roncando] E aí vão-se passar vários anos, vem a guerra também, a Segunda Guerra Mundial. E chegando no final da década de 40, comecinho dos anos 50, aí realmente o o desenvolvimento do futebol nos outros lugares do mundo já tinha alcançado níveis que o futebol inglês ainda tava de alguma maneira [roncando] eh preso ao passado, né? Eh, então [limpando a garganta] um jogo que geralmente é contabilizado como a primeira derrota inglesa contra um país estrangeiro, entre aspas, eh, em casa, né, em Londres, jogando em Londres, foi em 1949 uma derrota por 2 a 1 contra a Irlanda, que embora a Irlanda seja geograficamente, né, parte das ilhas britânicas, nesse momento já era a República Independente, a República da Irlanda, já então já não fazia mais parte do Reino Unido. Então essa derrota por 2 a 1 foi um prenúncio das coisas que estavam por acontecer dali em diante.
¶8Em 1950, a Inglaterra finalmente participa da sua primeira Copa do Mundo. Tinha havia eh não dá nem para dizer boicotado, né? Mas ela tinha considerado as copas que aconteceram nos anos 30 indignas da sua presença e em 50 eh ela vem ao Brasil e aí sofre duas derrotas. Primeiro em Belo Horizonte, a famosa zebra contra o time amador dos Estados Unidos. Eh, esse realmente foi uma zebra, porque pelo pelo que a gente sabe dos relatos da época, os Estados Unidos ficaram o tempo inteiro se defendendo e numa bola, né, uma escapada, um contra-ataque, o Joe Gatins fez o gol e com isso a Inglaterra saiu derrotada, mas logo em seguida eh perdeu pra Espanha também por 1 a 0 já no Rio de Janeiro.
¶9E com isso a Espanha se classificou naquele grupo e foi disputar a fase final, né, junto com Suécia, Brasil e Uruguai. Todo mundo sabe como é que acabou essa Copa do Mundo, né? Eh, e então a aí já seriam as uma, duas, 3, 4, cinco derrotas inglesas, cinco, seis derrotas, desculpe, inglesas até então contra países fora das ilhas britân da da do Reino Unido. E chegamos no ano de 1953, quando acontece esse jogo já no final do ano, né? é um ano que de certa forma marca o auge de certa história do futebol em inglês, quando em maio eh acontece uma a final da FA Cup daquele ano envolvendo o Blackpool e o Bolton, dois times que agora estão disputando a terceira divisão, né, fazem parte da Liga One, mas que na época eram dois dos melhores das duas melhores equipes e o conseguiu O Bolton tá na segundona, >> acabou de subir.
¶10Tá perfeito. >> Acabou de subir. >> Eh, maravilha. E eh o destaque do Black Pool naquele momento era o grande crack, grande a lenda do futebol inglês, Stanley Matthews, ponta direita, e de certa forma um representante do estilo de futebol inglês até aquele momento, né, durante o período de auge do WM com marcação homem a homem e o jogo pelas pontas, né? Então, eles, Stanley Mefiel era o rei do drible, carregava a bola, ninguém conseguia tomar a bola dele e ele cruzava e sempre tinha um centro avantão ali na área para completar.
¶11E aquele jogo termina eh 3 a [limpando a garganta] 2, se não me engano. O Blackpool é >> 4 a tr. >> O Blackpool é campeão e com isso o Stanley Meff ganha o seu único título, né? Eh, ele foi realmente prejudicado pela guerra, né? porque no auge físico e, né, de idade dele, ele tava servindo o exército, então não houve competição durante o período da guerra.
¶12E nesse momento ele já tinha 38 anos de idade. Eh, o, esse jogo tem uma uma característica interessante porque é o primeiro jogo transmitido pela televisão inglesa. Eh, é uma meio que o início das transmissões e da televisão na Inglaterra. Todo mundo tinha comprado um aparelho de TV para acompanhar a coroação da rainha Elizabeth II, que ia acontecer em junho, né? E muita gente já consegue assistir essa final em maio e depois vai assistir também o jogo que vai ser o nosso o nosso assunto de hoje em novembro.
¶13Mas antes disso, a Inglaterra é a seleção inglesa, né? enquanto tava acontecendo o eh as finais da da FA Cup, a seleção tá fazendo uma excursão, pela primeira vez, uma excursão na América do Sul, né? Então, praticamente a Inglaterra tinha saído da da Europa para participar da Copa aqui em 50 e depois volta a fazer esses três jogos na América do Sul e na Argentina primeiro, em Buenos Aires, um jogo que termina 0 a 0. O jogo não termina, na verdade, porque ele é interrompido, porque o campo tava inundado, mas é considerado um resultado válido, né? Então esse empate com a Argentina.
¶14Depois eles vão para Santiago e e vencem a seleção do Chile por 2 a 0. Mas antes de voltar pra Europa, pra Inglaterra, eles eh estão sofrem uma derrota em Montevidel contra o Uruguai. Uruguai, claro, era campeão do mundo nesse momento, então uma derrota por 2 a 1, de certa forma, já marcando ali, né, que o time inglês tinha que se se adaptar, né, tinha que se atualizar. Eh, depois a gente vai ter um jogo que eu acho que até você vai falar um pouquinho mais sobre ele em outubro, em Wembley, um amistoso da da Inglaterra contra uma seleção de resto do mundo que por foi muito pouco, eh, e por um pênalti mandrque, os ingleses não foram derrotados. No final das contas, o jogo acabou em 4 a4.
¶15Eh, mas em novembro a gente chega nesse jogo e a Hungria era campeã olímpica, né? ainda um momento em que as Olimpíadas ainda tinham alguma importância em termos futebolísticos, não tinha participado da Copa de 50, mas desde o final da década de 40, esse time que viria a ser o os magiares mágicos, né, o time da era de ouro do futebol húngaro, já tava sendo montado, não é isso, Delber? Então >> é isso, >> conta um pouquinho dessa história pregressa do do time húngaro pra gente. >> Então vamos vamos voltar um pouquinho no tempo. Ah, você voltou no tempo aí com a Inglaterra, eu vou voltar no tempo um pouquinho com a Hungria >> pra gente localizar como é que chega esse jogo.
¶16A história do futebol na Grã-Bretanha tá muito associada ao pub, né? A discussão sobre futebol acontecia no pub englesada em pé, segurando cerveja. em um em uma espécie de ritual da masculinidade que é muito diferente da forma como o futebol foi vivido na Europa central, já nas últimas décadas do século XIX, na Europa Central, no Império austro-Húngngaro e também em Praga, nessas cidades fundamentais ali da Europa Central, né, Budapeste, Viena, Praga. Nessas cidades, o futebol tá muito associado à cultura dos cafés. Os cafés eram naquele momento zonas de reflexão intelectual.
¶17Você tinha ali pintores, críticos, escritores, filósofos no café. E é nessa, nesse caldeirão de cultura muito intelectualizada que o futebol floresce na Europa Central. É importante lembrar que no caso da Europa Central, o futebol inglês de chutões, o kick and rush, essa forma mais especificamente inglesa de jogar futebol, nunca chega. Quem chega à Europa central é a forma escocesa de jogar, já baseada nos passes, já baseada muito mais numa combinação entre jogadores do que eh no chutão e na corrida individual. Essa história tem dois personagens importantes, fundadores, vamos dizer que um deles é escocês, é o John Tate Robertson, que chega a Budapest em 1911.
¶18E importante mesmo é um inglês que chega a Budapest em 1916, mas já tá zanzando pela Europa Central fazia alguns anos, que é o Jimmy Hogan. O Jimmy Hogan não seria exagero dizer que ele é o grande fundador do futebol húngaro. Jimmy Hogan era inglês, mas ele era um inglês de ascendência irlandesa, família católica. e desde a sua carreira como jogador, que não foi muito brilhante no Burnley e em outros clubes ingleses, ele trabalhava a forma escocesa de se jogar, né, que é baseada nos passes em vez do chutão e do da carregada individual, né? Eh, nesse momento, a cultura, digamos, futebolística húngara gira em torno de dois clubes principais, né, o MTK Budapeste e o Ferenc Varos, que é até hoje, né, o grande vitorioso do futebol húngaro, principal clube.
¶19Eh, e eles têm origens muito diferentes. O MTK naquele momento pré-holocausto, 25% da população de Budapeste era judia. E o MTK tá muito associado à comunidade judaica de de Budapeste. MTK significa círculo dos fisiculturistas ou dos ginastas, dos malhadores húngaros. E a presença da palavra húngaro ali do do gentílico é importante porque é um gesto assimilacionista, né, da comunidade judaica.
¶20E o Ferenc Varos, por outro lado, tá muito mais associado ao lado alemão da cidade, eh, a uma classe média, digamos, mais germanizada. E eles dominam o futebol húngaro nesses, nessas primeiras décadas. O time que a Hungria leva a à Inglaterra em 1953, como você apontou, ele é um time que já carrega essa história toda, né, que volta desde o começo do século XX. Só comentário rápido, Del. Eu falei que a a Inglaterra perde da Hungria em 34 e vale lembrar, né, aquele time húngaro da década de 30 chegou a ser vice-campeão, perdendo a final paraa Itália, né, da Copa.
¶21E então é, foi um outro momento importante do futebol húngaro, a década de 30, mas agora os anos 50 é que realmente vão ser chamados a década de ouro, não é isso? [roncando] >> [limpando a garganta] >> Isso. E importante assinalar que antes de perder paraa Hungria em 53, eles quase perdem para Áustria em casa em 32. Esse é um jogo que termina 4 a tr. Inglaterra jogando em casa, ou seja, com a sua bola, com a sua arbitragem no seu gramado.
¶22E aquele time eh histórico da da Áustria, dirigido pelo Hugo Miles eh dá um sufoco na Inglaterra. A partida termina 4 a tr ingleses, mas é consenso aí por todos os relatos. E no momento que termina o jogo, a a Áustria tá sufocando, né? Tá quase empatando a partida. >> É, também tem nesse mesmo momento aí do primeiros anos aí dos anos 30, o Wunder Team, né?
¶23eh, empata duas vezes em 0 a 0 com a Inglaterra em Viena, então não chega a vencer, mas tem dois dois empates e esse essa derrota que foi quase, né, a a quase surpresa da da dos austríacos frente >> é >> aos ingleses. Agora, o choque mesmo acontece em 1953, nesse jogo do 6 a3 da Hungria contra a Inglaterra, porque nas derrotas que você citou sempre tinha uma desculpa, né? era fora de casa, com outra arbitragem, jogadas mais bruscas que não eram falta para os ingleses, eram apitadas como falta no continente. Então, sempre tinha uma desculpa no caso da derrota pro time amador dos Estados Unidos, que você lembrava em em Belo Horizonte inclusive, eh tem o detalhe de que a Inglaterra massacrou o jogo inteiro, né? A, naquele momento da política da boa vizinhança, o time dos Estados Unidos era muito popular em Belo Horizonte.
¶24Eles saíam ali, ele tava hospedado perto de Nova Lima, para quem conhece a geografia de Belo Horizonte. Nova Lima tá coladinho no município de Belo Horizonte, pelo lado norte e perdão, pelo lado sul, zona sul da cidade, você sai da zona sul da cidade, você tá em Nova Lima. Eh, os Estados Unidos foram apoiados pela massa de torcedores que lotou o estádio Independência. Então, não era exatamente um jogo em campo neutro paraa Inglaterra. Em todo caso, quando chega esse jogo, eh, a Inglaterra já tinha tido esse susto que você citou, que é um um uma partida contra um combinado eh do resto do mundo.
¶25Tem jogadores húngngaros, tem jogadores espanhóis, tem o Cubala da Espanha, tem jogador alemão, não tem nenhum jogador sul-americano, é na verdade um combinado da Europa, né? Eh, e esse jogo termina 4 a4. Esse jogo também pode ser visto na íntegra. As imagens são um pouquinho piores, mas dá para ver na íntegra. >> Só só um detalhe, né?
¶26O Cubala nesse momento ainda era húngaro, né? Ele depois de 56 ele vai paraa Espanha joga no Barcelona e aí acaba se [roncando] >> eh nacionalizando espanhol, joga pela seleção espanhola realmente, mas ainda nesse momento ainda era húngaro. >> Nesse momento ele ainda era húngaro. Exato. Claro.
¶27Isso. Boa correção. Eh, bom, enfim, esse jogo termina 4 a4, mas a Inglaterra faz um gol, o que a gente chama de gol cagado, né? Um gol absolutamente aleatório, casual, um bate rebate que a bola espirra para dentro do gol. E no finalzinho do jogo, eh, a partida tá 4 a tresto do mundo e um pênalti muito mandrque, é inventado.
¶28Enfim, é tem é uma trombada dentro da área. O juiz marca pênalti para Inglaterra. A Inglaterra empata o jogo nos últimos 30 segundos da partida. Apesar de todos esses anúncios, é importante lembrar que a confiança da Inglaterra não havia se abalado. Existia mesmo um mecanismo de denegação, a Lô Freudianos, que fazia com que a Inglaterra simplesmente não percebesse que estava defasada e que tinha coisas para aprender.
¶29As manchetes dos jornais ingleses antes da partida contra a Hungria são reveladoras. As manchetes são: "A habilidade da Hungria não vai bater a Inglaterra. Devemos vencer a Hungria. Boteos para correr, Inglaterra. Jogue como Inglaterra e venceremos.
¶30Esse jogue como Inglaterra e venceremos >> para os brasileiros. >> Traz péssimas lembranças. >> Traz péssimas lembranças, né? Eh, existe uma manchete inclusive que diz vai ser moleza se enfim. E o que a gente vê no jogo é de novo um uma dominação que o placar de 6 a truz.
¶31O primeiro tempo termina 4 a 1. >> Mas, ô Delber, desculpa, eh, >> vamos voltar um pouquinho na formação desse time, porque o time da Hungria, ele já vinha encantando o mundo, né? já tinha sido medalha de ouro. Eh, o técnico, né, Gustavo Sebs, ele já vinha eh eh tem até uma um no livro do Jonathan Wilson que conta um pouco essa história, o The Names Hard Long Ago, ele diz que o Sebes não era necessariamente um grande estrategista, né? Ele era um técnico de grupo, né?
¶32E a ideia dele eh, claro, tem temos que pensar também no contexto político. Depois da guerra, a Hungria, ela se torna um estado soviético, eh, enfim, né, comunista. E eh o Sebs, que era do partido, né, ele na a cabeça dele dizia que, ó, eu tenho que ter um um time que seja entrosado. Então ele faz, mexe lá os pauzinhos [roncando] para que eh a maioria dos melhores jogadores da do país eh pudessem jogar no mesmo clube. E aí eles tiram um clube pequeno, né, que não era nem o MTK, nem o Ferenc Varos, nem o Uspest, que é o outro terceiro eh time importante de Budapest, que era o Kisspest, que era um time meio que da periferia ali de Budapest.
¶33E eles entregam esse time pro exército e aí começa a colecionar todos os melhores, joga todos os craques da cidade. [roncando] É, o Puscas, Puscas e o Bojic, se não me engano, já estavam nesse time, mas os outros, eh, Zibor, eh, Coxis, eles vão vendo do Frank Varos e assim vai, montam a seleção húngara no Homed e aí o Honved se torna o time sensação, começa a ganhar, é campeão em logo em 49,50, depois em 50, em 52, vai colecionando títulos, né? Então, de certa forma, o a seleção treinava diariamente noved, não é isso? >> E aí é a partir daí que as mudanças táticas que a gente vai destacar no jogo eh vão ganhando corpo nessa nesse dia a dia do treino, eh, cotidiano do clube mesmo e não não tanto na seleção, [roncando] >> né? >> É, não era exatamente uma outra formação tática, né?
¶34Era um outro jeito de jogar. O, só para lembrar todo mundo, nesse momento >> o planeta quase todo joga no WM, uma formação com 3 2 3. Três zagueiros, dois centro médios, dois meias e três atacantes. Essa é a formação que predomina no futebol desde meados da década de 20, a partir da nova regra do impedimento de 1925, que autoriza, digamos, o atacante a receber a bola com apenas um defensor de linha entre ele e a linha de fundo no momento do passe. essa >> é >> mudança.
¶35Se eu puder lembrar os nossos ouvintes para assistirem o nosso podcast sobre o WM, a gente tem um episódio dedicado só a isso. Então a gente fala, explora muito mais, né, todo esse tema do WM naquele episódio. >> Então aí naquele momento o futebol é marcação homem a homem com todo mundo marcando o jogador identificado pelo número da camisa. Eh, inclusive tem alguns relatos de técnicos que tiveram a ideia de trocar os números para confundir a marcação, mas obviamente isso é de pouca monta, né? Porque basta você identificar qual número eles trocaram e se ajustar, mas todo mundo jogava no WM com marcação individual.
¶36O que a Hungria faz não é exatamente outra distribuição tática. Eles têm ali os três zagueiros, mas os dois laterais, Buzanski e Lantos, são incentivados a atacar. Eles são incentivados a atacar. E o zagueiro que fica no meio, o Loran, recebe a ajuda de um dos volantes, o Zacarias, e ficam ali os dois em presença defensiva. No meio ali você tem o Bojik e os dois pontas de lança, digamos, os dois internos, Puscas e Kok.
¶37Coish, é isso. Tem liberdade, tem liberdade para se mover. E o mais importante de tudo, que é o que destrói completamente o time inglês, é o fato de que o camisa nove, o ID, é um falso nove. A gente vai lembrar também o episódio que fizemos aqui sobre o falso nove. Para quem quiser toda uma história dessa instituição do futebol que é o falso nove, pode conferir o episódio do meio de campo sobre ela.
¶38O que é o falso nove? Ele é simplesmente uma figura que está lá nominalmente como centroavante, mas que tem toda a liberdade do mundo de voltar e recolher o jogo no meio de campo, deixando um espaço que pela direita Coctic e pela esquerda Puscas estão liberados para atacar. Além disso, você tem, claro, os dois pontas, Budai na ponta direita e Jibor, Giibor na ponta esquerda. Essa volta do centroavante cria um problema insolúvel paraa Inglaterra, porque o sujeito que teria que marcá-lo seria o Johnston, o camisa cinco. Assim funciona no futebol inglês, assim funciona no futebol mundial.
¶39Naquele momento, o cinco marca o nove. Só que como o nove da Hungria volta o tempo todo, o Idegut volta o tempo todo, o Johnston fica sem poder persegui-lo. Porque se você persegue o cara até o meio de campo, até o campo dele, você vai deixar um buraco enorme ali que vai ser atacado por dois jogadores geniais como Puscas e Cock. O Johnston fica, ele é a grande vítima, coitado, desse, desse acontecimento do futebol, né? Ele não tem culpa nenhuma, porque dentro daquela estrutura ali, dentro daquela camisa de força do WM, ele não tem escolha.
¶40Se ele seguir o o Idegut até o círculo central, ele vai deixar um buraco e Pusc e e Cock vão atacar aquele espaço. Se ele não seguir o Idegut e ficar plantado na sua posição de origem, digamos, de zagueiro, o Idegut vai vir ditando o jogo com superioridade numérica, tabelando com Puscas, com Kchik, com o próprio Bik que avançava. e chegando na área inglesa com superioridade numérica, com bola dominada e com jogadores ah se infiltrando para receber. Isso >> e foi isso que aconteceu com um minuto de jogo, né? >> Com 40 segundos de jogo.
¶41>> Exato. >> E isso acontece. Ah, interessante de assistir a a narração da BBC. É, o som é um pouco ruim, mas fazendo um pouquinho de esforço, quem tem um um ouvido bem treinado pro inglês, vai reconhecer o narrador da BBC estupefato com a movimentação do Idegut e dizendo: "Mas que estranho esse esse center forward deles, que estranho esse centroavante. Esse centroavante joga na posição errada.
¶42Ele chega a dizer que o centroavante tá jogando na posição errada. Quero você ver como é que são os dogmas no futebol, né? Quando o narrador da BBC descobre que o Idegut não tava jogando na posição errada, que aquilo era o plano, que aquele era o estilo de jogo, a partida já tá 4 a 1. Detalhes sobre essa partida. Quando o jogo tá 1 a 0, a Hungria tem um gol absolutamente legítimo que é anulado pela arbitragem do próprio Idegut nesse esquema típico em que a Hungria derrota a Inglaterra.
¶43O Idegut voltando, o Johnston dessa vez não o acompanhou. Ele veio ditando em superioridade numérica o ritmo do jogo, recebe um passe em que ele sai lá de trás e entra cara a cara com o goleiro inglês, com o Meric e bate. O gol é anulado pelo bandeirinha. O juiz acompanha o bandeirinha. Nesse processo, a Hungria tá errando gols dentro da área.
¶44O Mercta faz pelo menos duas ótimas defesas. tem duas ou três finalizações que passam perto da trave e meio que uma jogada casual, a Inglaterra encontra o empate, o jogo fica 1 a um durante alguns minutos e logo depois a Hungria retoma. >> Superioridade numérica, triangulações, >> só para marcar os gols acontecem então aos 40 minutos, a 1 minuto o primeiro gol. A Inglaterra empata aos 13 com esse gol do Suel, que era o o interno esquerdo, né, no número 10. E depois aos 20 já a Hungria entra à frente novamente, né?
¶45Faz gols aos 20, aos 24 e aos 27. Então já tá [roncando] 4 a 1 nesse momento aí. >> Mata o jogo. Aos 27 minutos de jogo já tá 4 a 1. O segundo gol [limpando a garganta] >> tem um pênalti que que é um pênalti claríssimo em cima do Puscass, não é dado pela arbitragem.
¶46Os húngaros continuam com a bola e fazem o gol de qualquer forma. O terceiro é o gol mais famoso, porque é a jogada, >> é uma dessas infelicidades de um grandíssimo jogador, né, que era o Billy Wright, que era, digamos, o centro médio, né, número quatro, o centro médio do Arsenal e capitão da seleção inglesa, tá tendo que fazer a cobertura do lado direito da área. É o Puscass recebendo a bola. O Puscass dá um drible desconcertante nele. Ele passa batido assim em um carrinho, ele vai deslizando.
¶47É a imagem, digamos, que marca a carreira do Billy Wght, levando aquele drible desconcertante pro terceiro gol eh da Hungria. A Hungria ainda faria o quarto gol no primeiro tempo. E aí no no segundo tempo é a Hungria tocando a bola. O o segundo tempo termina, digamos, 2 a do tem um pênalty também meio duvidoso, marcado paraa Inglaterra e batido pelo Ramsey, não é isso? Batido pelo Alf Ramsey, que é o >> Sim, o número dois, zagueiro, >> o número dois, zagueiro pela direita, né?
¶48>> Depois seria >> lateral direito, a gente diria, né, hoje em dia, mas naquele momento ali ainda não chama de lateral. Eh, o Ramsey, que seria depois nos anos 60 o técnico revolucionário do Ipsw, que ganhou a segunda divisão com o Ipswet, subiu pra primeira e ganhou logo em seguida a primeira divisão com o Ipswet. Coisa impensável hoje em dia, né? Subir da segundona e ganhar a primeira. Eh, e aí ele assume a seleção inglesa e monta o time que seria campeão em 1966.
¶49primeiro grande time a jogar sem pontas, né? Os Wingless Wonders, as maravilhas sem pontas. Mas então, o Ramsy marca esse gol de pênalti, mas o segundo tempo é basicamente a Hungria administrando o jogo. O que deixa os ingleses mais chocados é que o jogo dos húngaros parece muito mais rápido. uma das uma das declarações eh do Owen que que diz que era como jogar eh eh diz que era como uma charrete jogando contra cavalos de raça, de corrida.
¶50Eu vi o cavalo de charrete jogando contra potros assim de de potência de corrida, de cavalo, né? O que é curioso porque na verdade os húngaros não corriam mais. A gente não tem os números aí exato de quilometragem nem de XG desse jogo, mas dá para supor que os ingleses correram mais quilômetros que os húngaros, porque os húngaros faziam a bola correr. Ah, nesse momento, a noção de deslocamento e de triangulação é uma parte muito importante do futebol da Europa Central. Então, não é que eles usaram um esquema diferente do WM, é que jogando em um nominal WM, eles tinham laterais que avançavam, tinha um centro médio que recuava e virava zagueiro, tinha um número nove que recuava e buscava jogo no meio de campo e tinham dois internos que atacavam ah o espaço da centroavância.
¶51E essa movimentação toda eh cria problemas insolúveis paraa seleção inglesa, né? Vamos falar ainda mais um pouquinho desse jogo, mas eu queria lembrar a todo mundo que, incrivelmente, se meses depois existe uma revanche desse jogo em Budapeste e as manchetes inglesas não mudaram. Mesmo assim, quando acontece a revanche em Budapeste, eh, as manchetes inglesas são absolutamente eufóricas. São velocidade vai bater Puscass e Companhia, chance de vingança inglesa, Hungria preocupada. Nossos melhores garotos atropelarão a Hungria.
¶52Eles estão falando de nossos melhores garotos porque naquele momento tinha um time B da Inglaterra também excursionando e perdendo na na Europa continental. Quando chega a revanche que é em Budapeste, aí os ingleses perdem de sete a um. é categórico, acontece, digamos, o placar que deveria ter acontecido em Wembley, né? é um 7 a1 absolutamente contundente e que gera no futebol inglês toda uma onda de autorreflexão, eh, da qual há um livro que é parte importante. Eu vou mostrar esse livro aqui pro pessoal, ele se chama Soccer Revolution.
¶53E o título tá em inglês, mas o que eu tô segurando aqui é a edição brasileira, eh, traduzida pela editora Livros de Futebol, eh, e que pera aí, Pébola, casa Editorial, perdão, é a série se chama Livros de Futebol, é da Pébora. Pébolá, perdão. E esse livro é escrito pelo Willy Mle, que é o irmão mais novo do Hugo Mle, >> que montou aquele timaço da Áustria, conhecido como Wunderin, etc. Naquele momento, o Willy, irmão dele, tá na Inglaterra. Ele vive ali mais ou menos como um inglês e ele está repetidamente chamando atenção paraa defasagem.
¶54É o até é curioso o título do livro, né? Acho que por isso que eles nem quiseram traduzir na edição brasileira, porque hoje em dia a gente sempre vê aí os comentários dos ingleses eh reclamando com os americanos de porque ah, não é soccer, é futebol, mas a expressão socem inglesa, né? Uma é uma abreviatura de association, né? Eh, eh, então o título é uma, inclusive tem uma revista chamada World Soccer, que até hoje é uma revista importante publicada na Inglaterra para que para falar do >> até até a década de 70 você ouve >> eh soccer na televisão inglesa tranquilamente, né? Essa birra dos ingleses com a palavra soccer >> vem de depois.
¶55Então esse é também um bom livro para você usar quando algum inglês vier reclamar se você deixou escapar a palavra soccer em vez de usar a palavra football com eles. Você pode lembrar que o livro mais importante escrito sobre a defasagem tática do futebol inglês se chama Soccer Revolution. É um livro que eu recomendo com muita ênfase, porque ele conta toda a história de como o futebol inglês foi ficando esclerosado, né? ele foi ficando eh atrasado, defasado no tempo por causa do seu isolacionismo. Em um primeiro momento por causa da soberba de acreditar que nem precisava jogar contra adversários de outro lugar que não fossem as ilhas britânicas.
¶56E com o passar do tempo, pela adesão automática ao WM, como se o WM fosse, digamos, a única forma de se jogar futebol, como se ninguém pudesse desenvolver formas alternativas de se jogar futebol. Esse time da Hungria, pelas movimentações que ele criava em cima do WM, ele já era quase um 424, né? É, exatamente. >> Os laterais avançam, mas eles são laterais. >> E como os laterais avançam o centro médico lembrar, né?
¶57>> Vale lembrar, >> vale lembrar também o nosso programa sobre a linha de quatro, invenção húngara e brasileira concomitantemente. Então, por favor, assistam também o nosso programa sobre a linha de quatro. E e é isso. E também a marcação homem a homem também já não vai não é tão presente nesse time da Hungria quanto era obrigatório no no WM praticamente, né? >> Exatamente.
¶58É. E quando a Hungria perde a a final da Copa eh de 54 contra a Alemanha, o que o técnico alemão Seper enfrentar esse falso nove é destacar um jogador para ficar com o Idegut. Ele arma o time e destaca um jogador para perseguir o Idegut para todo quanto é canto. E assim, e com a ajuda da da lama que empastelou o campo naquela final, a Alemanha consegue virar o jogo de 2 a 0 para 3 a 2, né? [roncando] Nessa, >> pode falar, >> só um comentário rápido na sobre a Copa de 54, né?
¶59Porque realmente a Hungria encantou, essa seleção da Hungria encantou o mundo na Copa. [roncando] Eh, marcou, eu não me lembro o número exato, mas venceu a Coreia do Sul por 9 a 0, o a Alemanha por 8 a 3 na fase de grupos, mas chegando no mata-mata, ela vai ter dois jogos difíceis, né, contra duas seleções sul-americanas. Eh, o Brasil uma um jogo que virou uma batalha campal e depois com porradaria até nos vestiários que a Hungria acaba vencendo por 4 a 2, o Brasil é eliminado e na semifinal um jogo que vai pra prorrogação contra o Uruguai, né? Então eles já chegam na final mais desgastados do que os alemães. Os alemães, inclusive eh alguns historiadores dizem que quando eles perdem por 8 a tram também eles se já já meio que se [roncando] eh eh resguardando, né, para as fases seguintes e para não ficar tão eh cansados.
¶60E aí realmente o CPM marca eh monta o time, né, já entendendo muito bem o a posição do Ridegut e como ele fazer, porque aí quando o zagueiro sai e acompanha o Ridegut o campo inteiro, os outros zagueiros conseguem recompor, né? Então se você sabe o que tá acontecendo, você consegue se defender, >> que não foi o caso da Inglaterra, né? A Inglaterra tava foi pega totalmente desprevenida ali, né? >> [roncando] >> É, nesse caso, desse jogo da Copa do 8 a TR, a gente não tem filme e tal, mas por muitos relatos, a Alemanha escala os reservas para dar pancada, né? >> A Alemanha escala as reservas para dar pancada nos húngaros.
¶61>> Eh, e o Puscass chega à final da Copa lesionado, né? Ele joga contundido essa final. Pra gente ir encaminhando a conclusão, vale lembrar que tem, além dessa derrota eh trágica paraa Hungria, digamos que essa derrota na final da Copa, porque eles vinham de muitos anos invictos, a Inglaterra consegue uma semiveanche com o Wolverhampton Wonderers, enfrentando o Onved da Hungria, >> que como eu disse era mais ou menos os mesmos os mesmos jogadores da seleção, né? Mas é era tinha uma boa interseção ali, né? É.
¶62E em um jogo eh marcado pela chuva e pela lama em que virou o o pasto que virou o gramado, eh esse jogou em 55, o pasto que virou o gramado no segundo tempo, o Wolves consegue virar um jogo contra o Onvet que ele perdia por 2 a 0 e vira para 3 a 2. E aí a imprensa inglesa, de novo, eufórica, apresenta o Wolverhampton como campeões mundiais, eh, por causa dessa vitória sobre o One Vet. >> Os dois times eram campeões vitória, >> eh, eram campeões nacionais, né? Wolves era campeão inglês. >> Sim, mas o Wetva em final de temporada.
¶63>> Eh, naquele momento a Hungria usava o, como a gente usa no Brasil até hoje, o ano do calendário, né? Começando em janeiro, terminando em dezembro. E eles estavam exaustos, estavam no meio de uma turnê com outros jogos e também nessa partida tem uma influência da arbitragem, um pênalti bastante mandraque que é marcado pro pro Wolves quando o jogo tá 2 a 0 pro Onved. Mas em todo caso o Wolves domina a partida, tem muito mais escanteios. Dessa partida a gente não tem o filme completo, mas tem um filme, filme mesmo, gerado pelo Patê Stúo, que mostra os gols, mostra um pouco dos ingleses encharcando o gramado também no meio da chuva, jogando lama, eh, para piorar o gramado pro segundo tempo, que é quando eles viram a partida.
¶64Eh, esse processo que se inicia com a derrota paraa Hungria, ele é um processo em temporalidade alongada, né? É ao longo de anos que a Inglaterra vai pouco a pouco matutando sobre a sua defasagem. É um jogo que tem para a Inglaterra as mesmas, cumpre o mesmo papel que o 6 a 1 da Toslováquia sobre a Argentina cumpre pros nossos vizinhos perceberem ali que alguma coisa tava atrasada, né? Eh, de certa forma é o Maracanaço deles, né? O Maracanaço da Inglaterra é esse jogo.
¶65Eh, que de novo >> o Ememble, >> quem assistir a partida, o Emembleiaço, quem assistir a partida pode conferir que o placar não traduz assim, o primeiro tempo é um massacre completo, é só húngaros atacando espaço vazio que vai se formando pelas triangulações. Eles chegam na cara do goleiro toda hora. Tem gol anulado, assim, absurdamente anulado, tem boas defesas do do goleiro inglês, tem várias finalizações que passam perto da trave e é um show especialmente do Idegut, mas também do Puscas, do Cockticck. Eh, é um espetáculo coletivo, sobretudo, né? Porque eles se deslocam, encontram espaços vazios, quem dá o passe imediatamente se desloca de novo para criar um ângulo de passe pro companheiro e os ingleses ficam completamente perdidos.
¶66É um jogo que vale a pena assistir, tem muito gol, não é tedioso de assistir. Quem entende bem o inglês, tem um bom ouvido, vai ouvir uma narração que é parte do documento histórico, né? A narração é parte desse documento histórico, porque o narrador tá constantemente dizendo que estranho esse centroavante fora do lugar. >> É isso, né? a gente vê a surpresa, né, deles.
¶67>> É isso. E aí, eh, esse time da Hungria marca a época nesse momento, tem realmente é um uma das equipes consideradas até hoje que encantaram o mundo numa Copa do Mundo e não foram campeãs, mas teve um final mais ou menos trágico, né, logo depois, em 1956, ah, uma revolução lá em Budapeste, eh, fortemente reprimida pelos soviéticos. E nesse momento em que estoura as revoltas em Budapeste, o time de futebol tá na Austrália, porque ia acontecer as Olimpíadas lá de 56 em Melbourne e eles nem chegam a participar. >> [roncando] >> Eh, tem até em outro esporte, né, no polo aquático tem um jogo Hungria contra a União Soviética, em que é chamada o jogo da água e sangue, porque é uma quebra quebra, todo mundo sangrando dentro da piscina, mas o time de futebol nem joga no torneio e grande parte dos jogadores desertam, né, e não voltam pra Hungria mais. Eh, uma boa parte deles vai paraa Espanha, né, porcas no >> Sim.
¶68>> No no Real Madrid. vai fazer parte daquele grande Real Madrid que vai ser cinco vezes campeão europeu. O Cubala, como você mencionou, e também o Kojics, vai vão para para Barcelona, né? Vão jogar no Barcelona, então a maior parte deles não não volta mesmo para a a Hungria depois disso, né? O Idrut, se não me engano, é um dos poucos que volta que fica.
¶69É, >> é, é um time destruído por razões extracampo, né? >> Uhum. Exatamente. >> É isso. Então vamos encaminhando o final, né?
¶70>> É isso aí. Então acho que a gente conseguiu falar bem sobre o jogo. Pessoal, muito obrigado sempre pela audiência. Eh, para quem se interessa, né, por futebol inglês, quer saber um pouquinho mais da história do futebol inglês, a gente a partir de agora, nesse semestre, né, ILBA, a gente tem o planejamento de fazer mais podcasts. Vamos falar de Premier League, mas vamos falar também da história da first division, né, do dos times e os times e icônicos, né, de outros momentos, de outras épocas do do futebol inglês.
¶71Começamos com esse grande jogo da seleção inglesa, mas vamos dar atenção pro pro futebol inglês e nesse próximo semestre aí. E estamos aqui eh meio de campo, futebol e sua história toda sexta-feira na plataforma do meio. Por favor, deixa seu like, seu comentário, distribua, eh passa o link pro pessoal, eh deixa o comentário também na [roncando] quem assiste pelo pelo Spotify e outras distribuidoras de podcast. continue dando seu apoio que a gente vai continuar por aqui trabalhando e trazendo história do futebol para vocês. Não é isso, Delber?
¶72>> É isso. Até a próxima. Um abração para todo mundo. >> Elas estão se aproximando as eleições e aqui no meio você acompanha com dados de verdade sem depender de conteúdos pouco confiáveis das redes sociais. Você sabe, né?
¶73A pesquisa meio ideia [música] é uma das nossas bússolas. A nossa pesquisa independente registrada no TSE, feita todo mês em parceria com o Instituto Ideia. A edição de agosto traz o retrato mais atual da corrida. Quem é assinante premium recebe a pesquisa completa em primeira mão e ainda [música] garante acesso à nossa plataforma interativa que permite o cruzamento da intenção de voto por região, por classe, por gênero, para comparar com as rodadas anteriores e ver com os próprios olhos o que que mudou de verdade a cada mês. [música] Esse tipo de leitura, até pouco tempo atrás, só quem trabalhava dentro de um banco ou de um partido conseguia ter acesso.
¶74Agora tá disponível [música] para quem assina o meio premium. Em um ano como esse, olha, vale o ouro. Assine e receba mais esse material exclusivo.