a tese
No podcast "Ask NT Wright Anything", N. T. Wright e Mike Bird respondem a três perguntas dos ouvintes: como avaliar experiências de quase-morte, se Jesus é o Filho eterno ou passou a sê-lo, e se Satanás poderia ter frustrado a missão de Jesus.
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É Wright em alta densidade sobre estado intermediário, filiação eterna e cristologia dentro do monoteísmo judaico, exatamente o tipo de teologia bíblica que interessa ao Bruno; a discussão nefesh versus alma platônica e a convergência das fontes de "filho de Deus" rende conversa, e o livro "Jesus the Eternal Son" de Bird é indicação direta.
O que foi dito
- Sobre quase-morte, Wright separa o estado intermediário (o que quer que sejamos logo após a morte corporal) da ressurreição final na nova criação; insiste que “alma” traduz mal o hebraico nefesh (a pessoa inteira, viva) e não a alma platônica, e que o Espírito sustenta o espírito do cristão na presença de Cristo até a ressurreição (Filipenses 1).
- Wright é cauteloso com relatos de quase-morte: podem ser continuação da imaginação e da vida mental após a morte técnica (a audição é das últimas coisas a se apagar), muitas vezes correspondendo ao que a pessoa já esperava ver; se Deus dá um vislumbre de beleza e amor na transição, é assunto de Deus, mas não se pode fundar doutrina nisso.
- Bird acrescenta ceticismo em dois pontos: quando as pessoas monetizam a experiência (cita o caso do “menino que foi ao céu”, depois admitido como invenção) e quando os relatos contradizem a Escritura; defende que o inferno ainda não está “habitado ou operacional”, pois em Apocalipse o Hades é lançado no lago de fogo só no juízo final, e que essa linguagem é pictórica.
- Wright lembra a descrição de purgatório de Bento XVI (o momento ardente de confronto com todo o mal cometido, com respaldo em 1Coríntios 3), mas evita forçar a ideia, tratando o estado intermediário como mistério sem “pista privilegiada”.
- Sobre a filiação, Wright mostra que “filho de Deus” no AT é raro e polissêmico (Israel em Oseias e no Êxodo, os “filhos de Deus” angélicos em Jó, o rei davídico em Salmo 2 e 2Samuel 7); no NT esses sentidos convergem explosivamente para expressar a intimidade e a diferenciação entre o Pai e o Filho, e ele recomenda não presumir o que “filho de Deus” significa antes de rastrear as fontes bíblicas.
- Bird, remetendo ao seu livro “Jesus the Eternal Son”, defende que Jesus não se tornou Filho no batismo ou na ressurreição (contra a leitura de Romanos 1.3-4), mas sempre foi o Filho que se fez humano; combina Filipenses 2.6 (igualdade com Deus que ele já possuía) com Hebreus 1 (representação exata do ser do Pai) e introduz o termo grego homoousios como palavra teológica extrabíblica que une a linguagem da Escritura.
- Sobre Satanás, ambos concordam (com a leitura de Dallas Willard) que o adversário parecia saber que a cruz destruiria seu reino e tentou desviar Jesus dela: as tentações no deserto, a oferta dos reinos sem a cruz, o “para trás de mim, Satanás” a Pedro, o escárnio na cruz (“desce daí e creremos”); Wright prefere chamar o Satan de “isso”, quase subpessoal, o “procurador de acusação” de Jó, e não um oposto igual a Deus.
- Wright enquadra tudo na vocação messiânica de Jesus (Salmo 2 mais Isaías 42 na voz do batismo): derrotar o inimigo último pela via do sofrimento e da morte, caminho contraintuitivo que Satanás tenta perturbar, e que segue perturbando a vida cristã entre a vitória inicial e a final de 1Coríntios 15; cita o velho livro puritano “Precious Remedies Against Satan’s Devices”.