a tese
Trent Horn recomenda cinco livros ("livros do mal") para o cristão entender a natureza do mal, seus mecanismos e sua propagação, do problema filosófico até a origem narrada no Gênesis.
aprofundar
não
É uma boa lista comentada de apologética católica popular, útil como referência bibliográfica sobre o problema do mal, mas sem argumento novo ou densidade que renda sessão; serve mais como indicação de leitura do que como material de análise.
O que foi dito
- Nº 5, “O Problema do Sofrimento” de C.S. Lewis: veículo para a tese agostiniana do mal como privação (ausência do bem, como o escuro é ausência de luz), que Lewis expande em “Cristianismo Puro e Simples” (“o mal é um parasita, não uma coisa original”); Horn sugere como complementos “A Grief Observed” (Lewis lidando com a morte da esposa) e “The Metaphysics of Good and Evil” de David Oderberg, defesa rigorosa da visão privativa.
- Nº 4, “As Cartas de Screwtape” de Lewis: se o Problema do Sofrimento mostra o que o mal é, Screwtape mostra como o mal entra na vida (aproximação gradual, transformar vitórias sobre o pecado em orgulho espiritual); Horn cita o prefácio em que Lewis diz ter sido seu livro menos prazeroso de escrever, porque imitar o inferno é fácil mas imitar o céu exige assistência divina.
- Como ilustração literária do mesmo mal, comenta “Lolita” de Nabokov: o horror está no narrador não confiável, culto e de prosa hipnótica, que narra como romance o que qualquer pessoa sensata chamaria de estupro; Horn critica a recepção que sexualiza Dolores (o filme de Kubrick de 1962) e distorce a vítima em sedutora.
- Nº 3, “Amusing Ourselves to Death” de Neil Postman: o meio importa mais que a mensagem; ideias transmitidas por livros são sustentadas e lógicas, na TV viram espetáculo superficial; Postman achava a distopia de Huxley (prazer e distração) mais provável que a de Orwell (censura), e Horn atualiza para memes e vídeos curtos, citando dados de queda de leitura na Geração Z.
- Nº 2, “Em Busca de Sentido” de Viktor Frankl: a resiliência de quem acha propósito nos campos de concentração e a logoterapia (achar sentido no trabalho, nas relações e na atitude diante do sofrimento inevitável); Horn conecta a ausência de sentido objetivo ao mal, via “banalidade do mal” de Hannah Arendt sobre Eichmann e o livro “Becoming Evil” de James Waller.
- Nº 1, o livro de Gênesis: entender o mal na origem e nos padrões recorrentes (a desobediência de Adão e Eva é a nossa; ciúme de Caim, engano de Jacó) e a “justiça poética” em que Deus usa o mal para o bem, culminando em José (“vós intentastes o mal, mas Deus o intentou para o bem”), com Romanos 8.28 e a indicação de “A Leste do Éden” de Steinbeck.
- Horn amarra tudo ao evangelho: mesmo diante da própria maldade, o cristão não é definido por ela, e mesmo que o mal escape da justiça nesta vida enfrentará o Rei da glória na próxima; sem Deus não haveria sentido objetivo para sustentar o sofredor.