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Ep. 200 Creating for God's Glory with Sean Luke

a tese

Sean Luke defende o glorificacionismo puro, a tese de que o único fim último da criação é a glória de Deus, e sustenta que ele decorre necessariamente da aseidade divina; Mullins concorda com pouca coisa e passa o episódio pressionando a objeção de que Deus, ao criar, parece ganhar algo que não tinha.

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sim

o episódio inteiro gira em torno de "Deus ganha algo ao criar?" e de a criação ser ou não livre, que é exatamente o terreno do argumento de Rowe no seu TCC, e a resposta de Luke pela aseidade é uma alternativa ao caminho molinista que você trabalhou.

O que foi dito

  • Mullins abre o episódio 200 situando o debate na pesquisa que faz hoje sobre a razão de Deus criar, e retoma a entrevista anterior com Jordan Wessling, que sustentava o amor, não a glória, como motivo da criação.
  • Luke organiza o espectro de posições: amorismo puro (o amor à criatura como único fim último), amorismo impuro e glorificacionismo impuro (vários fins últimos, hierarquizados) e glorificacionismo puro, que é o que ele defende.
  • Ele define glória a partir de Êxodo 32 a 34, João 1 e 1Coríntios 15 como luz que revela: no artigo (Journal of Analytic Theology, acesso livre) a glória é a revelação do esplendor e da excelência de Deus, que ilumina e deslumbra na criação apontando para a superabundância dessas perfeições além do alcance do intelecto criado.
  • O argumento central parte da aseidade: se o ser de Deus é ele mesmo o critério do que é bom, todo fim que Deus escolhe é escolhido por refletir o ser divino, e isso já é o glorificacionismo.
  • À objeção de que agir só pela própria glória impediria Deus de agir benevolentemente, Luke nega que a benevolência pura (agir pelo outro sem qualquer autorreferência) seja o ideal, usa o exemplo das flores tomado de John Piper e redefine benevolência como alegria no bem do outro tomado como fim em si.
  • A metafísica que sustenta a resposta é a emanação no sentido de Aquino e não de Plotino: as excelências das criaturas estão contidas preeminentemente em Deus como o calor do raio de sol está no sol, de modo que não existe criatura “em si mesma” a ser considerada à parte da natureza divina, e amar a criatura por ela mesma coincide com agir por si mesmo.
  • Mullins insiste no ponto do ganho com um caso simples, o de que Deus não tinha um universo e passou a ter, e Luke responde pelo esquema exitus-reditus: o que retorna a Deus já estava contido nele, logo não há acréscimo real de valor.
  • Na melhor troca do episódio, Mullins propõe que o padrão de valor seja apenas uma ideia divina, à maneira da grande cadeia do ser, e Luke responde que as ideias divinas derivam da autorreflexão de Deus sobre a própria essência, de modo que não pode haver ideia de um padrão que o ser de Deus não satisfaça.
  • Sobre a distinção de Arthur W. Pink entre glória essencial e glória manifestativa, Luke afirma a manifestativa e a ancora nas processões trinitárias, mas Mullins objeta que o dom eterno do Pai ao Filho, sem sucessão, dificilmente é arquétipo de algo necessariamente sucessivo, e Luke acaba admitindo momentos lógicos na vida de Deus e na própria decisão de criar.
  • Na objeção final, a de que esse Deus soa egomaníaco, Luke define egomania como priorizar-se em excesso e à custa dos outros, nega as duas coisas em Deus e conclui que Deus é o único ser cujo amor por si mesmo contém o amor por tudo o mais.