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Lula, Flávio e a pauta da segurança pública nas eleições

¶1foi dada a largada desse momento que é uma espécie de, não sei, uma aceleração assim vertiginosa dos tempos da política, né? Então você vê que ontem começaram as campanhas e hoje a gente já tá aí às voltas com esses com esses novos escândalos. As munições dos dois lados vão começar a a surgir, né? Eles vão começar a lançar uns sobre os outros o que o que tiver para ser lançado. E aí a gente vai andar nessa Flávia chamou, né, de corrida de obstáculo, essa caixinha de surpresa que começa agora.

¶2E eu diria que além do que virá do ponto de vista substantivo, quer dizer, que escândalos virão, né? De que maneira isso vai implicar os candidatos que que estão na competição. Além de uma de uma questão de ordem substantiva desses escândalos, eu acho que talvez o o que é mais relevante, ou se não mais, pelo menos é muito relevante, é a cronologia dos escândalos. Qual vai ser o calendário dos escândalos? eh, o que que vem primeiro, o que que vem depois, porque a gente consegue ver nas pesquisas que eh os eleitores aqui parafraseando Maquel, né, tem uma memória curta, né?

¶3Então, a gente vê que eh o evento Michele, não, primeiro o evento Dark Horse, depois Michele impactaram eh o Flávio, né? E depois a gente vê ele nessa trajetória de de retomada. Então, eh, quer dizer, qual é o o escândalo mais fresco, digamos assim, né? Isso pode, a, se nas vésperas da eleição surge alguma coisa que não dá muito tempo de ser absorvido, decantado e e deixado de lado pelo eleitor, eh, essa temporalidade do dos escândalos, eu acho que pode ser eh muito muito importante. >> Sabe o que que eu sinto?

¶4Eu não gosto de você não, Cristina. Eh, eh, mas o, o, o, o, o que eu sinto é o seguinte. O trabalho de manter esses escândalos em evidência é o trabalho de campanha. >> Claro. Claro.

¶5>> E a esquerda eh optou como por como estratégia uma coisa meio handsof, né? Não se fala do assunto, não se trata do assunto, tudo mais. Não dá para ficar contando com o Flávio Bolsonaro, dando tiro no pé pelo resto da campanha. Ele já deu muitos. >> Uhum.

¶6>> E acho que ele é capaz de dar, tem uma incompetência ali na campanha dele. >> Eh, >> aí você diz resolve em relação ao quê? Há esclarecimento de escândalo ou há outros tipos de assuntos que vão impactar trabal o trabalho da militância nas redes sociais esse tempo todo deveria ficar sendo colar o rosto do Isso é trabalho de campanha >> colar vorcaro com o Flávio, >> eh colar Trump com Flávio, porque isso é bom pro Lula eleitoralmente. Eh eh colar escândalos de corrupção de toda sorte com Flávio. >> Uhum.

¶7E e se você entra nas redes sociais de esquerda, eh, tão falando de negros contra mulheres, contra gays, contra trans, contra o Lula se manter na agenda positiva, como a Flávia mostrou pra gente, né? Ele não, como diferente de todos os outros, ele não chegou como franco atirador. Mas exatamente isso que eu tô falando. Então, caberia o Lula se manter na agenda positiva e a militância entrar mais com essa artilharia. Eu acho que é isso que vai ser o ponto, né?

¶8>> É. Eh, posso fazer um comentário sobre a apresentação da Flávia? Flávia, eh, adorei te ouvir, adorei esse esse seu relato super minucioso de de quem tava lá, de quem eh se queimou toda debaixo do sol. Eh, eu eu eu te acompanho na sua percepção de que eh esse projeto do Lula 4 parece ainda, né, pouco claro exatamente para onde que o que o Lula tá apontando nesse momento, né? Eh, mas eu queria só eh trazer um um ponto aqui que não é uma discordância, tá?

¶9em relação ao que você falou, é, é mais um complemento. Você mencionou que quando o Lula fala da segurança pública, ele fala a partir de uma chave clássica da esquerda, que é dizer pra gente, olha, que é muito verdadeira, né, diga-se de passagem, o preso custa mais do que o estudante, né? Então essa é uma chave de abordagem clássica. Eh, e normalmente é por aí que a esquerda sai pela pela tangente, né, para não tratar, enfim, eh, do tema muito duro de é como é que a gente vai lidar com o problema da criminalidade, da violência, etc. Mas esse é um tema, eu acho que é o tema e é o tema dessa campanha, né?

¶10Eu acho que a pauta da segurança pública, que claro, já nos ronda eh há há muito tempo, eh agora vem com muita força. Eu tava lendo há pouco tempo aquele livro do, espero não errar o nome dele, Felipe Nunes, o Brasil no espelho. >> E ele e ele mostra como a segurança pública, sei lá, 10 anos atrás tava na ordem de de preocupação do eleitor. Ela tava lá no terceiro ou quarto lugar. Quer dizer, ela sempre nos rondou, mas agora ela parece tá lá realmente eh liderando, né, o o a conversa na campanha.

¶11E é justamente nesse ambiente que essa extrema direita vai fincando, né, vai ancorando o seu discurso. Então o Lula, muito longe de fazer concessões ao discurso mais marcadamente punitivista da da extrema direita, eh apesar disso, ele ele faz uma uma pequena referência breve, mas que eu achei significativa. Eu achei uma modulação importante no discurso dele. Ele faz uma menção a eh ele diz alguma coisa do tipo, vamos prender, prender, prender quem quiser eh o bandido que disser que é dono de uma favela ou algo do tipo, né? Isso ele falou mesmo.

¶12>> Exatamente. Ele falou isso. Ele falou com muita ênfase. E aí, embora ele não tenha feito nenhuma referência direta ao Bolsonaro, como você, ao Flávio Bolsonaro, como você eh destacou aqui pra gente, ele faz uma referência indireta, porque ele fala que eh as armas eh e as munições que eh cuja compra foi muitíssimo facilitada no governo anterior, elas agora muito possivelmente estão alimentando o crime organizado, né? Eh, e esse ponto me chamou atenção, volto ao Felipe Nunes, porque lá no livro ele traz uma uma um tema que eu achei muitíssimo interessante, que é essa linguagem, digamos, essa gramática política da estroma direita, ela tem elementos bastante universais, né?

¶13Então, eh, ela é manejada de de maneira semelhante aqui, eh, na Argentina e ao Salvador pelo Trump e por aí a, né? Então, tem algumas alguns elementos de de convergência muito claros. Então, a redução da maioridade penal é um tema clássico. Eh, que mais? Eh, eh, o a bom, aí tem aí tem a o Renan que vai dizer, vai falar dos julgamentos coletivos.

¶14Não, se bem que isso ele diz que não faria. Eles eles ele se inspira no bqueler, mas ele tenta demarcar eh diferenças e tal. Mas tem um elemento da agenda da extrema direita que é o da facilitação de compra de armas e munições, que não tá, segundo Felipe Nunes no livro, propriamente abraçado pela pela direita brasileira, pela extrema direita brasileira. Então ele faz isso para marcar uma distinção entre o nosso repertório aqui eh brasileiro e o repertório americano, né? Quer dizer, os americanos eles estão muito mais à vontade com a ideia de que justiça se faz com as próprias mãos do que os brasileiros.

¶15Os brasileiros ainda esperam que a justiça se faça pelas mãos do Estado. >> Estados Unidos é o país do lixamento, né? Nada pessoal comigo não. Na verdade só, não sei se você já leu o Zé de Souza Martins, o Brasil o país do linchamento. Os Estados Unidos é o país do velho oeste.

¶16E e eu não tô brincando, não. É é é que no >> traga mal para mim. >> Esse negócio de linchamento >> é uma brincadeira sobre o nome dele. Pesquei, >> gente. Qual é o verbo linchar em inglês?

¶17>> Lin. >> É, pois é. Tu lint. Cuidado comigo. Eh, >> mas eu acho que Mas eh, professora Cristina, eu acho que você tem razão.

¶18A questão é que o Lula faz isso de uma maneira, a meu ver, eh mais é é muito modulado para, a meu ver, >> dado o tamanho do tema e segurança pública. Não, você tem toda a razão. Ele ocupou um espaço mínimo perto de toda a história que ele contou do passado, quando ele era lesical. no fundo, ele tava ali pedindo o voto de confiança dele, né, como você deixou claro no artigo. >> Isso.

¶19E aí assim, eh o o eh apenas para complementar isso e passar pro Cristian, que ainda não falou, eh então assim, de fato, ele faz uma fala dura inicialmente no capítulo segurança pública, que é isso, nós vamos prender sim qualquer um, qualquer bandido que acha que é dono de de território, de favela, de comunidade e etc. Então, eh eh uma conversa eh bastante direcionada e por isso que no meu artigo, no site do meio, eu reforcei que é uma conversa muito direcionada à classe média baixa, né, que não não trata do do medo de andar com celular na rua em Pinheiros, trata muito mais das da de uma população que tá subjugada pelo crime mesmo e sente esses efeitos >> rotineiramente de maneira muito mais invasiva, mas Mas é >> não é como se o problema estivesse limitado ali, a gente sabe, né? Aí no Rio, eu não sei >> eh eh eu estive aí nas minhas férias e tive a impressão até que eu podia tirar o celular da bolsa em São Paulo, não dá mais. >> Uhum. >> Eh, isso é uma coisa.

¶20E a outra coisa é que no instante seguinte ele condiciona todas as ações que ele quer ter de segurança pública, sem detalhá-las quais, a cria a aprovação da PEC da segurança pública e a subsequente criação do Ministério da Segurança Pública. E isso eh já impata uma uma agenda eh condicionando, né, desse jeito, a meu ver, num momento de lançamento de campanha em que o discurso eh poderia estar mais engatado em algum tipo de plano e tudo mais. Para concluir, ele fala ali o seguinte: "Eu e o Alkmin vamos apresentar o nosso plano daqui duas semanas, sendo que o plano foi protocolado no TSE junto com a candidatura, com o pedido de registro da candidatura. Uhum. >> É claro que a gente sabe que esse tipo de processo de construção de plano de governo, ele é algo que acontece ao longo da campanha também.

¶21Ninguém protocola um plano de governo prontíssimo. Ou corre o risco de fazer como a candidata do Democracia Cristã, que pediu pro chat GPT um plano de governo só para correr com o registro e publicou a estrutura de um plano de governo sugerida pelo pelo chatt. E aí, enfim, não foi o que nem Flávio, nem Caiado, nem eh Lula fizeram. eles fiz tem algumas alguns pontos ali, mas tá longe de ser um plano de governo de fato, né? Eh, agora ainda assim, eh, me parece que existem alguns pontos chave a serem debatidos e, e até a gente foi cobrado aqui no chat de voltar a falar de Lulinha, de Marcola e tudo mais, mas eh fiquem aqui conosco porque o programa tem ele é longo e ele tem fôlego e a gente tá só passando primeiro pelo que aconteceu ontem para entrar eh no mais quente e vamos entrar em seguida.

¶22Eh, me parece que a essa altura, dois ou três pontos chave do plano tinham que tá sendo martelados já e na cabeça do eleitor, principalmente para um candidato cujo ponto fraco é a segurança pública barra a fadiga de material. Então, se você é acusado de não apresentar coisas novas, especialmente numa área eh eh da segurança pública, eh por que não já chegar com um uma novidade nesse aspecto, né? Então eh foram esses os pontos que eu que eu destaquei. >> O meio começou com a newsletter que chega na sua caixa de entrada com as principais notícias do dia. Sabe qual é, né?

¶23Aquela que você lê em 8 minutos. Depois, depois a gente evoluiu pros vídeos aqui no canal do YouTube. São as análises e programas que mais tarde foram adaptados para áudio com os podcasts que você pode ouvir lavando louça na academia, na fila do mercado, cozinhando e a barra ficou mais alta. Porque chegamos às produções audiovisuais com qualidade de cinema e um swimming próprio. São séries e documentários originais e um catálogo exclusivo para eles, os nossos assinantes premium.

¶24É assim que o jornalismo do meio vem crescendo para caber no seu dia e do jeito que fizer sentido para cada um dos nossos leitores se informar. Conheça o nosso acervo premium e faça parte de uma comunidade que não apenas consome notícia, mas analisa o que tá lendo, ouvindo e assistindo. Assina no meio premium.