¶1Primeiro que o Marcola do Lula não foi demitido para que a Polícia Federal investigasse. Ele saiu a pedido para ir trabalhar na campanha presidência do Lula. Então, eh, calma aí, né? O, o presidente estava muito confortável com o Marcola eh saindo para trabalhar na sua campanha. né?
¶2O presidente poderia não saber, claro, mas aí é outra uma outra história. E eu quero resgatar o ponto do de um de um comentário que você leu, Yasm, que é sobre a é sobre a coisa que me fugiu nesse momento, obviamente. Quando pode você lembra? Foram muitos, né? Eu vou começar a lembrar.
¶3Não, então por favor, já passa aí a vez. >> Não, não, não. Pode. >> É sobre o que, como a corrupção não importa. O que que vai importar?
¶4E é verdade. É, é verdade. Assim, ó, se fazer as coisas certas não importa. Se fazer o que é certo, se seguir a lei, se seguir as regras, não importa. O que que vai importar?
¶5E aí a gente cai no que falou um outro comentário que você leu antes. No Brasil ser honesto é coisa de otário. E é isso. Seguir as regras no Brasil é coisa de otário. Parar no sinal vermelho no Brasil é coisa de otário.
¶6Todo mundo tá com pressa queria ir antes. E assim você destrói uma sociedade. Tem um livro do Eduardo Janete em que ele pergunta como que dois países que foram absolutamente destruídos no século 20, a Alemanha e o Japão, conseguiram enriquecer de novo no mesmo século. Tem muito dessa questão de regra, da questão de diminuir os custos do relacionamento entre pessoas. Há uma forma de fazer as coisas.
¶7Vamos fazer porque isso diminui o custo para todo mundo. As pessoas vamos só seguir o que está determinado no Brasil. A gente tem muita dificuldade de fazer isso porque não vale a pena. Porque não vale a pena. Você vai se prejudicar e seguir a regra enquanto todos os outros estão burlando a regra.
¶8Você vai se prejudicar e ter um custo a mais. Você vai se prejudicar e demorar um tempo a mais. Não vai. E isso se revela em todas as escalas. Se a gente fosse um país bem que se importa mais com a lisura no serviço público, com certeza o chefe de gabinete do presidente da República pensaria duas vezes antes de aceitar R$ 240.000 por uma lobista, eh, centenas de milhares de reais de uma lobista.
¶9Sei há quantos quantos meses de salário isso representa pro Marcola, mas é uma quantia significativa e ok, a vida segue. O seu chefe está numa campanha para reeleição, mas tudo bem, eh, é impressionante. E de novo, enquanto seguir as regras, enquanto fazer a coisa certa, enquanto fazer com que seu comportamento na sociedade seja baseado naquilo em que a gente concordou, a gente acordou, que seriam as normas, ninguém vai puxar o bonde sozinho, ninguém vai levantar o dedo, nenhum partido político vai levantar o dedo, pelo menos um partido político relevante de dizer: "Olha, nós Vamos expulsar sumariamente pessoas que estão ligadas à corrupção ou qualquer investigação. Não vai, porque bem, o eleitor não tá ligando, o cara lá do partido que vai ligar. Não adianta.
¶10É uma um problema social que a gente tem, não é um problema da política. Eh, eu queria acrescentar só eh para deixar claro que eu não estava dizendo na minha fala, primeiro que eu concordo e segundo que eh tá certo eh que os eleitores não se importem. Eu estou colocando que a essa altura é o que tem para hoje também, porque assim, o cenário que o Pedro eh traça ali, ele neste momento ele é uma idealização neste momento, não da gente, tá? Então, se se é o critério mínimo, eh, a gente os dois principais talvez não estivessem na concorrência. >> Uhum.
¶11E eles estão, isso não é um cenário, é, é, é hipotético e a gente já chegou até aqui e investigações ainda estão correndo e coisas estão acontecendo. E também tem isso. É, eu acho que assim, eu eu tenho poucas dúvidas sobre a idoneidade dos políticos eh que a gente noticia, porque eu cubro política já há bastante tempo, porque eu sou realista e porque eu não tenho torcida. Eu tenho minhas preferências eleitorais particulares como cidadã, como jornalista e como, né, política eu não tenho. Analista política eu não tenho.
¶12Então eu não tenho ilusão quanto a isso. Agora, o fato é, nenhum dos dois está condenado. Nenhum dos os dois estão com denúncias acontecendo, com coisas acontecendo no Supremo Tribunal Federal. É esse o estágio que estamos agora. A justiça não os condenou.
¶13Eles estão elegíveis. O o Lula voltou a ficar elegível, o Flávio sempre esteve elegível. Eles são os candidatos e eles têm cada um perto de 40% de eleição, de intenções de voto. A esta altura, o que que o eleitor está pensando? Eu entendo que ele olha para tudo isso e ou ele está plenamente desalentado e aí está num modo >> hum >> ou que aliás é o tema da minha coluna do K entre nós de hoje ou ele está apaixonado e está em modo negação sobre o próprio candidato e é tudo o outro é tudo outro é é essa a minha análise Pedro não é uma análise de é isso mesmo, corrupção não é importante, azar Que pena é esse, é este o cenário.
¶14É, é diante disso que o eleitor está. Eh, existem outras coisas acontecendo na cabeça desse eleitor, a meu ver, existe um eleitor de esquerda e centro esquerda que por conta do que do que aconteceu na Lava-Jato, mesmo o eleitor não negacionista da corrupção que aconteceu na no petrolão, >> e ele existe, embora ele seja minoritário na militância, ele é raro. A maioria da militância acha que a VasaJato magicamente transformou tudo que aconteceu no petrol uma grande mentira. E não é, e assim a pessoa minimamente honesta consigo mesma, com, né, que não é, não seja negacionista política, sabe que não é isso. Sabe que o que a Vasajato revela é uma eh condução absolutamente inaceitável de um processo judicial contra o Lula.
¶15>> [risadas] >> De resto, a corrupção que aconteceu no petrolão, como Pedro descreveu muito bem, é um fato. Mas essa existe uma percepção na na esquerda como um todo de que toda denúncia contra o Lula ou que chegue perto do Lula seja eh armação para tirá-lo, para enfraquecê-lo e tudo mais. E neste, nesta chave entra inclusive o Lulinha. O Lulinha é um caso muito interessante da política nacional, >> porque ele tem mentiras tão absurdas sobre ele quanto tem coisas muito críveis. >> E o que que isso, o que que esse tipo de de figura eh incita na militância de esquerda?
¶16[roncando] Hum. Ah, nada nunca foi provado. Eh, ou você acha que ele é dono da Freby. >> Isso, exatamente. >> Aí você vai falar: "Tá, mas eh OK, eu entendo esse argumento, mas veja isto posto tem e ele fazendo lobby na antessala do Planalto neste momento.
¶17Isso, isso que tá ah, mas isso é vazamento seletivo. Uhum. Tá, mas é, mas tá lá. Então, assim, as argumentações vão ficando todas muito difíceis. a centralidade que esse tema vai ganhando no nas bolhas engajadas é muito diferente das bolhas não engajadas.
¶18Esse é o meu ponto, entendeu? O meu ponto não é que se isso devia ou não ser central eh em termos do que é mais importante para o Brasil ou do critério mínimo. Meu ponto é que quem é muito engajado já tá ignorando o caso alheio ou na verdade usando só o caso alheio e ignorando o próprio e quem não é muito engajado não tá preocupado com isso. tá preocupado com ou com a economia ou com a segurança pública ou com não sei quê, ou em onde que vai, para onde que vai viajar no dia 4 de outubro, entendeu? Eu eu realmente acho que as pessoas não têm mais essa aderência ao tema corrupção que já teve em outros momentos por essas duas razões, ou porque não tá engajado ou porque é tão engajado que já que ignora, que a coisa passa por aqui assim.
¶19Eh, é, então eu queria só fazer esse esclarecimento que não não passa por defender ou por achar que isso tá certo ou não. É a minha análise bem fria do que eu tô enxergando nesse momento. >> Ficando no pós-eleição se o tema da corrupção vai voltar, porque a esquerda vai viver uma mudança de de geração inevitavelmente. Se o Flávio perder, imagino que outras lideranças da direita também se colocarão num papel de liderança. E e eu imagino se o tema da corrupção vai voltar, uma vez que a gente retire de cena eh o Lula, principalmente na esquerda, né?
¶20Eh, o a esquerda tem essa renovação e a direita supere porventura o Flávio, a família Bolsonaro. Se isso porque esse é um tema que deveria ser importante no Brasil, né? já que a a corrupção é uma coisa tão prevalente, eh, que a gente lida com ela diretamente ou eh pelas notícias de uma forma tão, eh, forte, tão frequente, se esse tema voltará uma vez que as gerações, que a geração seja renovada na política brasileira. [música] >> Essa campanha tem que começar a verdade, derrotando a mentira. O filho mais velho do capitão segue aqui de pé, firme e forte ao lado do povo brasileiro.
¶21[música] >> Os dois estão jogando o mesmo jogo, cada [música] um preocupado com a sua eleição. Ninguém tá preocupado com o Brasil. [música] >> Tudo que dá certo nesse país parece que o Ped não gosta. >> [música] >> Nós não precisamos ser refém de um debate político construído entre um mongoloide como Flávio Bolsonaro e um cachaceiro senil como o Lula. [música]