¶1Pedro, eh, essa campanha, ela pode pressionar o Ministério da Justiça e pedir essa lista com os nomes dos agentes envolvidos. Pode isso, >> Arnaldo? Não resisti, não, né? Pode nada. >> Eh, vamos lá.
¶2Eh, a Polícia Federal, Yasm, ela é um órgão que está embaixo, uma autarquia que está embaixo do Ministério da Justiça. Sim. Mas ela deveria, ao menos no papel, ter independência do ministro. Ou seja, o ministro não decide que delegado investiga, o que o ministro não decide o que que é investigado, o que que não é investigado. Eh, polícias precisam ter independência.
¶3eh eh é da natureza do eixo. Agora você certamente vai lembrar de Jair Bolsonaro dando uma bronca no Sérgio Moura, que era ministro da justiça, dizendo que ele queria eh eh designar quem ia ser o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro para poupar Flávio Bolsonaro. Flávio, o que que é mesmo nesse momento? >> Parece que é candidato à presidência da República, né? >> Pois é.
¶4eh ele queria justamente ter o controle sobre quem estaria no comando da Polícia Federal do Rio para impedir a investigação sobre o caso das Caspadinhas. Todo mundo lembra do Queiroz aqui, né? E eu acho que uma das coisas que a gente tá eh eh uma das coisas que a gente tem que começar a perceber é o seguinte. Existe um claro descasamento entre o discurso do Partido dos Trabalhadores, quando nós estamos no governo, deixamos o estado agir em paz e as ações dos partidos dos trabalhadores. Isso de fato foi verdade durante o governo Dilma, quando o Cardosão, Zé Eduardo Cardoso era ministro da justiça e presidente Dilma era presidente da República.
¶5Houve de fato uma um momento raro ali na República em que presidente, ministro da justiça deixava a polícia agir em paz. Isto não foi verdade com o presidente Bolsonaro, isso não é verdade com o presidente Lula. Agora veja, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Os graus também são muito distintos. O Bolsonaro era ostensivo, era agressivo.
¶6O Lula tenta fazer as coisas com uma mão mais leve. Isso acho que faz alguma diferença, sim. E no entanto, houve um pedido do Ministério da Justiça, por exemplo, no início do ano, para que o delegado que tinha pedido a investigação do Lulinha fosse afastado do caso pelo presidente, pelo diretorgeral da Polícia Federal, o o Andrei Rodriguez. Então, essa ação existe agora, ao mesmo tempo, existe o discurso. E eu não acho que o discurso seja desimportante não, tá?
¶7Eh, eu acho que o discurso em política tem importância. E o discurso do Lula é, Flávio Tavares, a gente tava falando disso no almoço, né? Eh, eh, onde que a gente já ouviu isso, né? Lula falando: "Fui traído, não esperava". Não são exatamente essas as palavras.
¶8O que ele tá, ele tá usando outras palavras. Eh, o presidente está irritado, o presidente quer que seu filho volte da Espanha para prestar declara e esclarecimentos o mais rápido possível, tudo mais. São essas coisas que se vocês, contratar alguém como Creomar, vai te um consultor político, uma pessoa vai dizer exatamente para você: "Olha, atue dizendo que precisa, né, Cromá? Eh eh precisa investigar, que você não tá com medo de investigação tudo mais. E é isso mesmo que você tem que falar.
¶9As ações, evidentemente, vão depender de como que cada ator lida com isso. Eh, não me parece que o Palácio do Planalto queira investigar esse negócio a fundo. >> Vem, Gommar, vem pra conversa. Você foi supracitado, >> intimado a depo >> Gente, primeiro de tudo, boa tarde. É, primeiro de tudo, boa tarde.
¶10Um prazer estar aqui com vocês. É sempre bom participar dessa dessa roda. Eh, tô vendo daqui, Flávia, que você tá homenageando um time verde de São Paulo com esse brinco aí. Parece, confere? Confere.
¶11Porque porque eu amo verde, porém as minhas duas canecas >> alvras como sói. >> Tá, tá. Olha aqui, >> você sabe, você sabe cromar, eh, eh, eh, a Flávia tem que lidar com o fato de que alguma coisa aconteceu que fez com que tanto eu quanto você estivéssemos hoje num bom humor, né? >> Muito felizes. >> É, tô sabendo.
¶12Eu já ouvi, já tô sabendo. Já tô sabendo. >> Muito feliz. Muito feliz. É, não é, é, é bom pegar aí essa frase da Flávia, né, e a defesa dela ao ao verde e ao vinegrismo para fazer duas coisas que são bem interessantes para trazer meu ponto de vista.
¶13A primeira delas é, como Pedro muito bem explicou, na política os políticos falam aquilo que querem, né? Eh, e não necessariamente o discurso tem a ver com ação, mas tem um elemento fundamental que eu vou usar a Flávia como eh instrumento da minha explicação. Aqui eu perguntei a Flávia, >> ela disse que amo o verde, então eu posso inferir a partir da declaração da Flávia de que ela ama o verde de que tudo aquilo que é verde é a cor favorita dela, não é, Flávia? Claro que não.Um. Uhum.
¶14E esse é o dilema quando a gente tá falando de Brasil, de eleição e de políticos em 2026. Acho, Pedro, que você foi realmente muito feliz na primeira frase quando você começou a comentar, quando você fez o exercício de memória da questão do Jair Bolsonaro com o Flávio Bolsonaro, porque aqui tem duas características que eu acho que são bem importantes. A primeira delas é que, usando uma expressão que é muito comum aqui no Centro-Oeste do Brasil, eh, tem de sal e tem de doce. significa dizer o quê? Todo político com poder em mãos tenta em algum sentido ou tem como inimigo fundamental em algum sentido a regra do jogo, o institucionalismo e vai tentar fazer ou distorcer a regra em favor dos seus interesses.
¶15Lula vai fazer isso, Bolsonaro vai fazer isso, qualquer outro que esteja sentado eh numa cadeira de presidente da República vai fazer isso com maior ou menor intensidade. Aí tem outro elemento que eu acho que é importante, a diferença são as gradações, né? E as gradações vão estar diretamente vinculadas aos estilos de cada uma. Eu acho que o estilo do Bolsonaro, ao ser mais troculento, faz com que a gradação seja uma. E aí que o o que a política brasileira é muito pródiga em dar bons exemplos, né?
¶16É o que levou lá no passado a ruptura do Sérgio Moro com o Jair Bolsonaro. Vamos lembrar que Sérgio Moro convocou uma uma coletiva, disse que estava sendo constrangido, que não era para aquilo que ele tinha largado a magistratura e que ele se apresentava a partir dali como uma alternativa. Anos depois, o Sérgio Moro tá no palanque do do Jair do Flávio Bolsonaro falando, descendo loas, elogiosas ao como o bolsonarismo vai transformar o país e ao caminho a verdade e a vida, né? assim como o Lula. E aí vem um um elemento importante aqui dentro da da fala do Pedro, que eu acho que é legal.
¶17Dilma e Cardoso deixaram a Polícia Federal trabalhar durante a Lava-Jato porque eles tinham a convicção de que eles não estavam envolvidos diretamente na Lava-Jato. E o que que a Dilma e o Cardoso ganharam como decorrência direta da Lava-Jato, gente? Um impeachment, impachment, >> né? O Cardoso deixou de ser ministro e a Dilma deixou de ser presidente. Aí aqui a gente vai nos incentivos, rapaziada.
¶18Você que tá me assistindo e que possivelmente deve estar muito irritado comigo nesse exato momento, porque eu tô ofendendo algum dos seus eh candidatos de estimação. E aí eu eu gostaria de fazer um parêntese. Tem apenas animais de estimação, né? Político não pode ser objeto de estimação, de estima, de amor, de afeto, de nada. Ele é servidor público.
¶19Tem que resolver tua vida. Se não resolve tua vida, manda ele embora, né? os incentivos dados ao PT na gestão Dilma e na gestão Cardoso e os incentivos dados ao bolsonarismo quando do caso de Sérgio Moro, na minha percepção, juntando à cadeia de fatos, dão o seguinte recado para qualquer ator político com poder hoje no Brasil. Funcione na lógica do morde a sofra. Significa dizer o quê?
¶20em público eu mordo, né? O filho, o irmão, a esposa, quem quer que seja, mas no privado eu assopro, porque é importante trabalhar com elementos que mandem recados aos seus pares. E aqui eu vou usar outro exemplo que é muito bom nessa conjuntura de já que a gente tá falando de corrupção. Vamos lembrar a forma como o Flávio Bolsonaro agiu assim que surgiu o nome do Ciro Nogueira no Banco Master. Que que o Flávio fez, né?
¶21Ele tratou o Ciro Nogueira como persona não grata. O escanteio disse: "Olha, não tenho nada a ver com isso, não é meu problema". Em outras palavras, preparou o Ciro Nogueira no meio da estrada, olhou pro horizonte, viu um caminhão chegando, ele falou: "Fica aí, é com você, amigão, né?" Isso foi feito, só que o Ciro Nogueira é um é um sobrevivente, o caminão não passou por cima e aí o os dias passaram, o Flávio foi implicado e o caminhão mudou de direção. E o Flávio foi ao Ciro Nogueira pedir ajuda, mais especificamente, ter uma vícia que fosse mais viável do que o Alfredo Gaspar. Ao fazer isso, qual foi a devolutiva?
¶22A devolutiva foi, olha, não tem vício saindo daqui, não faço nem a convenção para não ter tumulto. Por que que eu tô dizendo tudo isso, gente? Porque basicamente o que que a gente tá observando hoje é duas questões que são fundamentais. A primeira é o PT tem um passivo com a temática corrupção. Ponto, né?
¶23Isso isso resultou em queda de governo. Isso resultou na prisão eh do presidente Lula. Isso resultou numa sangria de quadros históricos importantes do PT. Dito isto, a gente pode dizer que corrupção é um dilema endêmico do sistema político e partidário brasileiro. A diferença hoje, e aí eu volto nos brincos de palmeirense da Flávia, né?
¶24Isso foi de propósito, só para te provocar. Você pode, você pode retrucar, mas enfim. Eh, porque eu tô muito bem humorado hoje. Eu tô muito bem humorado hoje, né? >> Eu tô vendo, eu tô vendo.
¶25E aí a gente volta na questão dos brincos. O ponto está na interpretação. E aí a gente tem um dilema na sociedade brasileira hoje que eu acho que é muito grave, muito, muito grave e que empobrece o debate. A sociedade brasileira entrou numa quadra histórica em que tudo aquilo que o meu político de preferência faz é perdoável ou tem um argumento, uma desculpa. E tudo aquilo que aquele político que eu não gosto, que não é meu político de estimação, faz, é execrável.
¶26E o grande problema disso é que perde a qualidade do debate, perde o cidadão e ganha os de sempre. E os de sempre são esses políticos, sendo de sal ou sendo de doce, são da esquerda, à direita, acima, barra, adelante, adentro, eh, que efetivamente se beneficiam do fato de que a cidadania tá brigando por cor de camisa, por cor de bandeira, por cor de boné, sem efetivamente parar para pensar quais são os problemas, os problemas efetivos de cada um. Essa campanha tem que começar a verdade, derrotando a mentira. O filho mais velho do capitão segue aqui de pé, firme e forte ao lado do povo brasileiro. >> Os dois estão jogando o mesmo jogo, cada um preocupado com a sua eleição.
¶27Ninguém tá preocupado com o Brasil. Tudo que dá certo nesse país parece que o PDA não gosta. Nós não precisamos ser refém de um debate político construído entre um mongoloide como Flávio Bolsonaro e um cachaceiro senil como Lula.