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Pode casar com IA? | Pedro+Cora

¶1Qual é a roda de que falaremos hoje em Pedricora? >> Eu mesmo não tenho muita certeza, viu? [suspirando] >> Na ausência de amigos, quem você procura? Ah. [música] O que que é preferível ser uma pessoa idosa cujos amigos são Iás?

¶2ou ser uma pessoa jovem que se casa, se apaixando, se casa com uma Iá, porque as duas coisas estão começando a acontecer, né? >> Olha, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Eu realmente não sei responder essa pergunta. Eu acho que talvez você ficar velho, amigo de a seja mais compreensível na minha cabeça, pelo menos. Porque a gente sempre fez aquele clichê da pessoa idosa que fala sozinha, né?

¶3>> Sim. >> O homem que fica lá ruminando seus botões, aquela mulher, a velha que fala com os gatos, ó. >> Não, mas aí você não tá falando sozinha, você tá falando com alguém. >> Não, é verdade. Tô, tô.

¶4Mas não, mas você não tem esse clichê, das pessoas mais velhas. Você não tem o clichê jovem que fala sozinho. Isso não rola. Ah, tem um jovem apaixonado, né? >> Ah, mas isso é outra coisa.

¶5Mas assim, o o clichê, o clichezão é o velho que fala sozinho. >> Justo, >> porque você tem uma solidão >> específica da velice, >> porque é o cara que se aposenta e perde contato com os amigos do trabalho e por acaso nem tem outros. Ah, pessoa que vai perdendo amigos, a pessoa que se muda de bairro, olha, se mudar de bairro às vezes pode ser dramático, porque as pessoas que você conhece teus amigos só aqueles com que você vai à praia, com quem você joga damas ali na praça ou sei lá o quê. Então tem muita coisa que leva a solidão. Uhum.

¶6>> Na velice, perda do cônjuge, né? >> Porque você quando é um casal, você sai muito mais. O casal se estimula a sair. Eu acho que talvez o ser humano seja um animal doméstico que vira um animal de rua quando se casa. [risadas] Primeiro é um animal de rua quando jovem para encontrar um parceiro e depois tem esse parceiro que estimula a sair de casa.

¶7Porque você não tem muita muito estímulo para sair de casa sozinha para ir para um restaurante ou mesmo para um cinema ou para isso é coisa que se faz em dupla ou grupo. Então o velho é frequentemente mais solitário mesmo. E é normal que ele use o a Iá como uma amizade. Agora casar com com Iá, que é o que tá acontecendo naquele país de malucos que eu não vou nem mencionar, mas enfim. Está acontecendo.

¶8>> Está acontecendo. É, eu, eu vou restaurante sozinho, tá? Eu também, porque inclusive nós somos pessoas que viajamos a trabalho. Então, quando nós estamos em outro lugar, a gente, a opção é a seguinte, ou você come no restaurante do hotel, não, ou você conhece alguém na cidade, nesse caso é ótimo, ou você come um restaurante do hotel, ou você ou você vai pro restaurante, ou muitas vezes vou pro restaurante sozinha, mas não na tua própria cidade. A gente não vai ao restaurante sozinho aqui no Rio.

¶9Eu vou. >> Você vai? >> Vou. >> Tipo, sair de casa para ir pro restaurante ou não, porque você tá no shopping e você >> não é eh, sei lá, Lia tá viajando ou tá trabalhando. Eu tô com preguiça de cozinhar.

¶10Em em geral, no fim de semana eu cozinho, mas às vezes eu tô com preguiça de cozinhar. >> Você prefere, não prefere mandar B? >> Ah, não, não necessariamente. Eh, eu eu vou te dizer, eu vou te dizer o que que é. Tem, por exemplo, um mexicano perto da minha casa.

¶11Eh, eu gosto muito de michelada, que é cerveja com molho inglês e e limão, eh, e borda de sal. Eh, às vezes ali tá trabalhando ou tá viajando, sei lá, as crianças não tão. Um sábado, meio-dia, uma hora, eu perfeitamente vou no restaurante, sento, peço uma minha cheelada, peço um um burrito, peço uma segunda mechelada, peço uma terceira, tô com Kindle, tô com o celular. Eh, eu é é uma eh, ou então, sei lá, eh eu acho Panema um bairro muito agradável e eu os meus médicos costumam ser lá. Às vezes eu vou ao médico e aí principalmente >> coisa que a gente não restaurante que a gente pega na sequência de alguma coisa que a gente fez, acho que não entra nessa conta.

¶12>> Talvez eu tenha um hábito excêntrico, mas mesmo aqui no Rio, que a nossa cidade, eu me vejo de vez em quando parando num restaurante sozinho. Sim. >> Engraçado, né? Porque eu eu vou assim, sei lá, tô no shopping, tá na hora de comer ou tô por ali mesmo, como? Claro, isso é normal.

¶13A estante no shopping não conta, >> mas eu não saio de casa nem pro bar Lagoa. Eu peço peço a comida. Entendi. >> Prefiro mil vezes. >> Eh, não, eu, >> mas enfim, a gente tá >> Não, não, a gente foi, a gente pegou uma, >> a gente sempre pega umas laterais.

¶14[risadas] >> Eu eu te confesso que você sabe que eu não sou uma uma pessoa preconceituosa a respeito eh a respeito de tecnologia. Eu acho sempre muito fascinantes os hábitos que as pessoas eh [gemido] contraem usando o usando tecnologia. Eu eu uso muito inteligência artificial, eu uso muito, eu uso todo dia. Eu eh eu acho uma ferramenta formidável para inclusive me ajudar no meu processo de criação. [suspirando] Eh, Cora, tem algumas coisas que e eu desconfio que eu que tenho uma dose de preconceito aí da minha parte, tá?

¶15Eh, a gente tá falando de do amor, né, da paixão. Eh, a gente também tá falando da amizade. Temos terceiro aspecto, né? A indústria pornográfica começa a trabalhar com a possibilidade de sexo virtual com IAJ. >> Não, mas isso é outra coisa.

¶16>> Não acho que seja outra coisa. Eu acho que é o mesmo campo semântico. >> Não, acho que é outra coisa. >> É, é, é, é, é, é, é uma terceira maneira de você buscar companhia com inteligência artificial. >> Isso, isso não entra.

¶17Eu acho que isso não entra nem na coisa da Isso, isso entra no campo da pornografia que sempre existiu. >> Não, eu acho que é diferente porque >> acho que é outra coisa. >> Não, não é pornografia. >> Nós estamos misturando muito. >> Não, não, não, não.

¶18Desculpa, deixa, deixa eu defender. >> Estamos fazendo uma salada aqui. >> Eu não acho que estejamos. Eu não acho que estejamos. Eh, porque pornografia eh, e aí eu não vou nem entrar no mérito de ser arte ou não, entendeu?

¶19Sei lá, pega uma um pornografia pode ser desde umas um livro da Naínin, né? Eh, eh, de contos eróticos. Ah, há uma coisa que certamente não seria chamada de arte como as cartas da Penthouse ou a versão brasileira que era da Eliela, né, que são histórias e é para estímulo sexual, né? Eh, >> pode ser escrito de forma sofisticada como Manaisnin, pode ser uma coisa eh eh em revista e certamente tem seus espaços na internet. >> Tinha, tinha não, isso já é naquela época do da internet a vapor, >> né?

¶20E os netinha sex stories. Exatamente. Exatamente. >> É verdade. É verdade.

¶21E certamente tem, não sei se stories ainda existe. Isso é uma coisa e eh >> acho que então alguém deve ter um repositório em algum lugar porque essas coisas sobrevivem. Mas na época que que era al sex stories era eram histórias eróticas. >> Isso >> que você baixava pela internet, não? Aí você tem coisas, tipo, você pode ir pro quadrinhos, você tem desde coisas sofisticadas, tipo Guido Crepax, como você tem o Carlos Zéfiro, né, que eram aquelas histórias quadas super que viram uma coisa eh eh culto, mas é essencialmente >> não é arte, >> perdão, não é arte, mas eu entendo que seja cult.

¶22Eu tenho Zéfero completo, inclusive que me fizeram uma reedição e me deram de presente em algum momento, 20 anos atrás. >> Então tenho todos os catecismos do Carlos Zéfo. >> Que coisa sensacional >> que eu acho muito divertido ter. Eh, >> claro, >> é é bem ruinzinho, mas tudo bem. >> É uma tosqueira, né?

¶23É bem [limpando a garganta] tosquinho, é diferente. Eh, e você tem e cinema pornográfico, eh, que pode ser, de novo, pode ser desde uma coisa, e aí eu tô usando pornografia como sinônimo de sexo, de cenas com, eh, eh, eh, sexo explícito. Você tem desde cineastas, tipo o Gaspar Noé, eh, que é um cineasta francês contemporâneo, que ele tem um um filme, por exemplo, que eu assisti com Ali anos atrás, uns dois, tr anos atrás, chamado Love, que é super explícito e e é daqueles filmes que você vai ficando cada vez mais angustiado, mais angustiado, tipo, o filme tá fazendo coisas com você que não é apenas eh eh o a coisa tintillating eh eh sexual e você que é a a a pornografia mesmo de Pornh Hub, X videos, tudo mais. Agora, a pornografia, seja na literatura, seja nos quadrinhos, seja na fotografia, seja eh no no filme, que pode ser pode ter uma coisa erótica, artística, pode ser uma coisa puramente sexual para para te excitar ali naquele momento. Ela tem uma coisa que é passiva.

¶24você está eh assistindo ou você tá lendo ou você quando você bota inteligência artificial é diferente. >> Ah, você tem uma interação. É verdade. >> Porque você tá conversando como se fosse com ser humano e você tá fazendo sexo virtual como se fosse com ser humano. >> Aí é a mesma coisa do que você acessar um site.

¶25>> É, é mais parecido com prostituição do que com pornografia. >> É. Agora, >> é, >> tem o mesmo componente, porque prostituição, isso é uma coisa que eu aprendi, eh, talvez a maior parte das pessoas não saibam que eu sou o descobridor da Bruna Sufixinha. [tosse] Eu escrevi a primeira reportagem sobre ela. Eh, por que que por que que naquele momento eu eu cheguei à conclusão que dava uma baita reportagem, um baita texto?

¶26Eh, eu tinha descoberto coisa, descobri internet, né? Eu tinha descoberto um site que não sabia que existia, que é um site que deve existir ainda, que é um site de resenhas de garotas de programa em São Paulo, em que literalmente os clientes escreviam textos críticos. Por que que é bom, por que é ruim, o que que é bacana no programa, o que que não é, quanto custa, o que que faz. >> Ter vários sites desse com certeza. na época, 20 anos atrás, tinha um eh e eu comecei a ler aquele negócio todo fascinado, até que eu descobri que nos mecanismos do site tinha um ranking, porque toda crítica tinha uma nota, >> claro, >> toda a nota era acumulada, contabilizada pelo sisteminha lá do site e tinha um ranking.

¶27E a Bruna Sofistinha virou a personagem porque ela era número um, a garota de programa favorita dos clientes eh eh quanto mais as garotas de programa em São Paulo. E aí eu não, eu tenho que saber o que que faz [risadas] a melhor garota de programa de São Paulo. Companhia. o que fazia dela a maior e melhor garota de programa de São Paulo, a garota de programa com agenda mais cheia, mais disputada, que todo mundo queria ir, é que depois da da de transar, ela ficava fazendo cafuné, ela ria bonitinho das histórias, ela era, e a descrição era essa, ela era do tipo namoradinha. É, a primeira coisa que você descobre é que é tudo um bando de carente, né?

¶28É. >> E tá tudo bem. Eu não tô falando isso, eu não tô falando isso de forma alguma como censura, >> mas nós somos carentes. >> Não, eu não estou falando isso como censura. >> Olha, o ser humano é um animal carente.

¶29O ser humano precisa de companhia. O ser humano precisa conviver com seu semelhante, precisa se sentir reconhecido pelo seu semelhante, precisa se sentir amado. Tudo isso deve ter um fundamento biológico daqueles que se a gente procurar vai há alguns milhões de anos atrás e remete a sobrevivência. Mas o fato é que é isso. E não só os seres humanos, gato também é carente, cachorro, >> todas as pessoas, todos os seres vivos, animais, as plantas talvez também.

¶30>> Os animais, eu não sei, os mamíferos, né? Isso acho uma característica, >> talvez não só dos mamíferos, mas é uma característica dos mamíferos. Quando você tem tartaruga ou quando você tem rptil, você descobre que eles gostam muito também de cobras. Não sei, mas lagarto com certeza. >> É.

¶31adoram. Quer dizer, não se deve prender ave, mas você vê n aves que estão soltas nesses grupos de de que cuidam de aves aves silvestres. Tem o cara que que cuida de corvos. >> Outro dia me mandaram um vídeo maravilhoso de um sujeito que tem um urubu chamado Zico. >> Ah, isso é maravilhoso.

¶32É uma das coisas mais maravilhosas da internet. E ele não é preso. O o Z >> não. O Zico vem e convive com seu Ele vai lá e ele pula, dá pulos de felicidade quando o o o cara chega. É, >> é um burubu.

¶33>> Não, [risadas] eu tô te dizendo, o ser vivo, de modo geral, ele gosta da interação. Agora >> é que eu não sei se isso é verdade para formiga, eu não sei se isso é verdade para insetos. Eu acho que isso é verdade para para um tipo de sistema nervoso. >> Os meus os meus peixes, por exemplo, eles gostam muito quando eu presto atenção neles. Eu desconfio que seja 80% por causa da comida.

¶34Mas como eu não dou comida toda vez que eu me aproximo e ainda assim eles ficam olhando e interagem um pouquinho, eu entendo que a da mesma forma como eu gosto de interagir com eles ou de olhar para eles, eles gostam de ver o que que é esse bicho seco do outro lado da parede. >> Esse bicho seco do outro lado da parede. É, mas o sea, mas eu acho que a gente se perdeu nessa conversa. Eu não acho que a gente tenha se perdido, porque o ponto aqui que no qual a gente tá chegando, por que que eu trouxe o o sexo virtual pro casamento? O o sexo não virtual, o sexo com IA.

¶35>> É que nós não falamos nem das duas propostas >> anteriores. E e da amizade. Olha aqui. Sexo com Iá, casamento com Iá, eh, e amizade com Iá. No fim das contas, nos três casos, você tá usando o IA como companhia.

¶36>> É bom. É verdade. >> Porque no caso do sexo não é possível que você esteja vendendo e não é da natureza da Iá se é uma coisa que você simplesmente assiste. Você a Iá, a natureza da I é é a interação. >> É, >> então tem uma hora ali que o que você não quer mais não é tesão, é é a companhia de depois, né?

¶37>> É. [roncando] Agora vamos explicar pro pro nosso espectador e ouvinte do que que a gente tá falando. >> Por favor, por favor. >> Nos Estados Unidos há alguns deputados que estão republicanos, a maioria que estão começando a fazer legislação para proibir o casamento entre seres humanos e IAS. Isso não tão fazendo isso porque tiveram essa ideia maluca, mas porque tem um monte de gente que tá requerendo, né?

¶38se declara casada com >> é, mas aí >> tem tem alguns sites de IA que são diferentes desses sites que a gente usa, que a gente usa basicamente chatt essas coisas para para trabalhar, para para interagir numa de uma forma mais, digamos, gente e máquina e não >> Uhum. seres iguais que são sites base em caracteres, né? Quer dizer, a a Iá faz o papel de amiga, namorada, do que você quiser. E a Iá tem um papel ativo na conversa, que é uma coisa que com a gente não tem no chat EPT ou no cloud, a gente não tá trabalhando e de repente o chatt pergunta pra gente como foi o nosso dia ou >> não >> não não faz perguntas, não, não tem surpresas. É, mas quando você tem esse serviço de companhia de IA, faz esse cois >> faz.

¶39Pois é, a grande diferença é essa. O o meu chat BT jamais me surpreendeu nesse aspecto. Ele responde a coisas que eu a estímulos que eu envio, né? E nessa nessas IAIS de characteris, né? >> Aham.

¶40Há realmente um diálogo mais digno do nome diálogo, não é só o input que a pessoa dá e a e aí responde. Tem muito jovem que tá usando aliança da e Iá cria quadros complexos em que pega os anéis do pede o o seu humano em casamento ou em noivado e aí pega as alianças lindas e antigas do de um porão que tem escondido no seu iate nas Maldivas. Porque exerce são craques em criar cenários interessantes. E e por não >> why not, né? Já já que a gente tá imaginando que tá se casando com Mayá, por que que a gente tem que se casar nesse cenário banal do cotidiano, né?

¶41Vamos viajar para lugares estranhos, outros planetas. Vamos, vamos, vamos casar na no, na versa do século X7 >> e botar uns unicórnios na plateia, chegar montados em Pegasos, fazer umas coisas interessantes, >> por >> Bom, então, posto isso, a legislação americana está querendo mexer com o direito legítimo das pessoas se casar com Aiais. Agora, eu também me pergunto o seguinte, hein, o que que faz mais sentido? A pessoa se casar com com uma iá ou a pessoa se casar com uma boneca de borracha, como acontece no Japão. >> Uhum.

¶42Silicone. >> Silicone, né? >> É. >> É. Acho que errei o material.

¶43Mas enfim. [risadas] Mas acontece, não acontece? A gente já vi várias vezes que existem caras tão solitários lá que casam com bonecas de silicone. >> No Japão existe essa questão da solidão de uma forma muito aguda, né? >> É pior [limpando a garganta] do que aqui.

¶44Aliás, aqui não tem. Não tem, mas o fato de a gente ser latino, eh, a, a cultura favorece o encontro. >> Sabe de uma coisa curiosa? uma amiga da minha irmã que mora na Espanha, hein, que é um país latino, ela disse que ela tá fazendo uma uma classificação dos países por um aspecto que ela tem observado, gente chorando em transporte coletivo. E aqui no Brasil, se alguém começar a chorar no ônibus ou no metrô, daqui a um segundo tem uma pessoa que pergunta: "O que que tá acontecendo, se pode ajudar?

¶45Que que foi que aconteceu? Não dá para você chorar sozinho no transporte público no Brasil. >> Uhum. >> E ela diz que lá na Espanha ela sempre vê alguém chorando no metrô ou no ônibus e ninguém fazendo nada. Então isso é realmente uma questão, é realmente um problema, né, da solidão.

¶46Mas enfim, a gente estava nessas em todas essas interações possíveis com com aá, porque a essa questão, aliás, eu acho que a pessoa deve ser livre para casar com o que quiser. A justiça não tem nada a ver com isso, né? Se a pessoa quiser casar com uma boneca, casa se quiser casar com >> É que depende do que a gente tá chamando de casamento, né? É, é, eu >> ela ela se sentir comprometida, não é que ela vai deixar todos os seus bens. >> Não, eu sei.

¶47O, o, o ponto que eu tô fazendo é o o documento legal do casamento. Espera-se que seja com outro ser humano maior de idade, né? Ah, é possível. Possível que sim. >> Eh, agora a partir daí você dizer que você tá casado, >> por que não >> vai?

¶48Not, mas é uma questão pessoal. a a pessoa quer se sentir casada, é um direito dela. Então, não acho que, quer dizer, eu acho que isso cria complicações quando entra na materialidade, né, da coisa. Digamos, uma pessoa tá casada com com a e deixa todo o seu dinheiro pro seu marido ou mulher. >> Para quê?

¶49Pro Elon Musk. Pois é, [risadas] exatamente. Então tem que haver essas essas separações nítidas. Você pode ter um casamento com a IA, mas é uma questão fictícia, porque as outras não têm importância. De fato, teu plano de saúde, o teu cônjuge de CIA, tanto faz, porque a Ia nunca vai usar o plano de saúde.

¶50Você não tá, >> é, cria umas situações interessantes, né? Porque e se você fica sem dinheiro e não consegue mais pagar a conta da Iá? Aí você >> teu casamento vai por água baixa. É, é como o cara que foi comprar cigarro ali na esquina e não voltou mais. >> Só que foi a Iá que foi embora, né?

¶51>> É. É. Então, gente, isso, essa conversa toda meio delirante que a gente tá tendo hoje é por causa disso, porque a gente se casando com Iás [suspirando] e ao mesmo tempo a gente tá conversando também sobre a companhia da Iá, porque isso o fenômeno que acontece entre os jovens é o casamento com a Iá e os mais velhos têm feito amizades com as Ias e usam muito as como terapia. e como companhia. E eu acho isso mais compreensível do que casar com a Iá de uma certa maneira.

¶52>> Eh, eu eu vou te dizer qual é a a a parte que me angustia nessa história. Eh, por um lado, eu faço um esforço que eu acho que é necessário por eh por ter uma cabeça aberta e cara, por que não? Eh, eh, a gente meio que tem que deixar, eu acho que a gente tem que deixar as pessoas viverem suas vidas. >> Deixa as pessoas, como diz o >> eh, deixa as pessoas viverem suas vidas como querem. Mas tem duas histórias que esse troço me lembra.

¶53Eu eu possivelmente já te falei dessas duas histórias porque são histórias que me angustiam. Eh, a primeira uma história que eu li no São Francisco Chronicle eh, vários anos atrás, ainda no tempo do GPT2, em que um engenheiro eh um engenheiro que trabalha com IA eh ele perdeu o namorada de anos, 8 anos de namoro, eles ali nos por volta de 30 e poucos, 30 e muitos ali no meio. E, e, e a moça morreu de um desses cânceres horrorosos que levam muito rápido. Ele em cena o engenheiro pegou como base o GPT 2,5 ou 3, que já era bastante convincente, eh carregou a a [limpando a garganta] IA com anos de mensagens, e-mails e mensagens de texto que ele e a namorada trocavam e e botou a Iá para conversar exatamente como a namorada conversava. E ele conta que eh eh quando ele conta essa história, ele conta que num determinado momento a a sensação da concretude, tipo, literalmente a a a Iá fazia piadas que eram novas, que no entanto, acompanhavam exatamente o senso de humor da namorada dele.

¶54E e ele fala que houve um determinado momento que ele queria ficar conversando com aquela IA horas e cada vez mais horas do dia. E aí ele teve esse momento de lucidez e apagou o sistema porque ele disse que ele tava se metendo num buraco. >> É um buraco. E ele e ele teve a consciência de que ele tava fazendo mal a si mesmo e e e mergulhou. Ele não tava conseguindo viver o luto.

¶55>> É. >> Eh eh porque ele trocou o luto pela ilusão da presença. E é uma ilusão >> muito convincente, né? muito convincente. a a outra história daquele menino da da Flórida, de 14 anos, que eh que no drama ali da adolescência eh e e sem amigos e sem se encontrar, eh, se encantou justamente na Character AI, na empresa, por uma figura que era a Deneris Sagarian, né, a a rainha dos dragões do Game of Thrones.

¶56E eles começaram, ele e essa e a >> a Calice, >> a essa e a eh representando a Calice, eh se apaixonaram um pelo outro e ele nessas conversas madrugada dentro com a Iá, acabou se convencendo de que existia um além onde eles poderiam ficar juntos. E aí ajudou a convencê-lo disso e o menino se matou. Eh, o o o onde que entre >> aqui são dois casos extremos. Não, mas o problema veja o o o problema, Cordeir um um ser humano com a ilusão de um ser humano. E isso é uma calculadora.

¶57É uma calculadora que imita ser humano muito bem, mas essencialmente uma calculadora. Eh, o meu receio só é que a gente talvez esteja tratando como uma solução paraa solidão, o que é na verdade um estímulo para pessoas que estão com solidão cavarem um buraco maior. >> Pode ser, mas eu acho que em todas essas questões o grande problema é a sociedade, é o ser humano. >> Uhum. Porque você tem hoje um serviço, vários serviços, em que a pessoa aluga uma pessoa para ir jantar.

¶58Não é garoto de programa, é um camarada ou uma mulher ou quê que vai sair com você, vai ao teatro e vai jantar. >> Uhum. >> Ou que você vai levar e vai apresentar com um amigo pros teus pais que estão muito preocupados. Isso existe no Japão. Existe no país não só no Japão, já existe, já existe em outros países também.

¶59>> Uhum. Rent friend. É, >> ya. >> Enfim. É, é, é engraçado porque quando a gente começa, a conclusão que eu tiro é que o que a Iá faz é concentrar todos os nossos problemas num canto só.

¶60Porque nenhuma dessas coisas é nova, nenhuma dessas solidões é nova, >> nenhuma dessas carências é nova, apenas fica muito concentrada quando você tem uma um catalisador feito aá. Porque você já tem histórias muito antigas, pigmalião, Pinóquio, né? Quantas vezes o ser humano antigo faz uma estátua para ele fazer companhia, etc, né? Enfim, não há nada de novo sobre o sol, >> não. Saímos com Eclesiastes.

¶61>> É, >> eh, mas eu saio um pouquinho mais triste desse programa. >> Não é uma coisa boa da gente refletir, >> não. >> Porque não é bom a gente encarar as nossas falências. >> É, e a solidão é particularmente uma coisa dolorosa, né? Isso, isso é um sentimento humano triste.

¶62>> É, >> não, não é, não é bom. >> Nos vemos na terça-feira. >> Nó vemos. >> Essa campanha tem que começar a verdade, derrotando a mentira. O filho mais velho do capitão segue aqui de pé, firme e forte ao lado do povo brasileiro.

¶63[música] Os dois estão jogando o mesmo jogo, cada um preocupado com a [música] sua eleição. Ninguém tá preocupado com o Brasil. >> Tudo que dá certo nesse país parece que o PD não gosta. >> [música] >> Nós não precisamos ser refém de um debate político construído entre um mongoloide como Flávio Bolsonaro e um cachaceiro senil como o Lula. >> [música] [música]